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15 janeiro, 2024

KROPOTKINE, Pedro -
O ESPIRITO REVOLUCIONARIO.
Traducção de José Bacellar. Bibliotheca da Geração Nova. Lisboa, Typographia do Commercio, 1906. In-8.º (18,5 cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Folheto do russo Piotr Kropotkin (1842-1921), ideólogo do movimento anarquista mundial, exemplo da literatura revolucionária da época a que importantes franjas do operariado e intelectualidade nacional não foram indiferentes.
São muito raros e curiosos estes opúsculos doutrinários, distribuídos semi-clandestinamente. A BNP não menciona.
"Para além de um crescente número de jornais, em pouco tempo os anarquistas criaram um conjunto de pequenas editoras (bibliotecas) sobre temas dia ideário acrata. Era um trabalho articulado com o movimento anarquista internacional. [...]
A lei de 13 de Fevereiro de 1896 impediu o crescimento destas bibliotecas, mas não a edição de obras que passaram a ter os mais variados editores. [...]
Em 1906, a Biblioteca Geração Nova, edita O Espírito Revolucionário, Kropotkine."
(Fonte: Fontes, Carlos - Anarquismo em Portugal (1796-2022), 2022)
"Apresentam-se epochas, na vida das sociedades, em que a Revolução se torna uma necessidade imperiosa e se impõe d'um modo absoluto. Novas ideias, por toda a parte apostolisadas, tratam de sahir á luz, de procurar uma applicação na vida, no que são constantemente impedidas pela força retroactiva dos que teem todo o interesse na manutenção do antigo regimen: afogam-se na atmosphera suffocante dos velhos prejuizos e das tradições. As ideias recebidas sobre a constituição dos Estados, sobre as leis de equilibrio social, sobre as relações politicas e economicas dos cidadãos entre si não resistem já á critica severa que as alveja constantemente tanto no salão como na taberna, tanto nas obras do philosopho como na conversação diaria."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos cortes marginais. No interior, algumas páginas apresentam rasgões (sem perda de suporte).
Raro.
Com interesse histórico.
10€

13 novembro, 2023

GONÇALVES, Fausto da Silva - AO CAIXEIRO INDIFERENTE. Beja, Tipografia Porvir, 1917. In-8.º (16,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a história do anarco-sindicalismo em Portugal.
Trata-se de um folheto de doutrina sindical publicado em época de acentuada degradação das condições de vida da população, de confronto entre o operariado e o patronato, quando o movimento sindicalista dava os primeiros passos entre nós. Este ano - 1917 - foi também o ano em que o primeiro contingente do C.E.P. embarcou para a Flandres, parte do esforço de guerra português no conflito mundial, mais agravando a situação.
Não se conhece qualquer publicação em nome de Fausto Gonçalves, incluindo na Biblioteca Nacional, que não possui nada em seu nome.
"Já pensaste no que aconteceria se as tuas Associações morressem?
Talvez não tenhas pensado. Felismente o destino nunca dará realidade a tal hipotese, mas, se algum dia a desse... veriamos, nesse dia, como tu te queixarias de tal desastre, filho da tua atitude egoista e do teu mau procedimento.
Queres mudar de rumo?
Queres? Então vem comnosco! Vem, porque melhorarás bem depressa a tua negtra situação.
Estás ainda a tempo e a organisação da classe no momento actual é uma necessidade imperiosa.
Cremos que de boa vontade colaborarás na obra de conjugação de esforços e energias.
Em pleno seculo XX não se pode de forma alguma ficar silencioso em face do procedimento da maior parte dos comerciantes, retrogados aos nossos direitos, que venham aniquilar uma causa justa como é a nossa e impedir o caminho da civilisação, do nosso bem estar e do progresso.
Bastará ver o que se passa em Lisboa e no Porto, onde constantemente se movimenta o patronato, exercendo as maiores represálias e as maiores infamias contra as nossas regalias.
Bastará ver o mesquinho salário que recebes ao fum dum determinado numero de dias em troca dum trabalho extenuante, forçado, e muitas vezes prejudicial á tua saude.
Bastará ver o que se passa pelas cidades, vilas e aldeias, onde caixeiros ha, que não auferem descanço semanal e regulamentação de horas de trabalho.
Bastará ver o que se passa, finalmente, por todas as terras do paiz, onde o patronato explora vil e tiranamente o pobre marçano, nosso companheiro de trabalho, que em nenhum caso e sob nenhum pretexto, poderá deixar de lhe ser concedido o descanço semanal.
Por consequencia, não demonstres mais o desinteresse pelas tuas Associações. Elas teem sido zelosas e teem-se sacrificado até ao ultimo ponto em teu proveito e para o teu bem estar social.
Quanto maior numero de associados a Associação tiver, tanto mais forte, mais vigorosa e mais vital ela se torna."
(Excerto de Por mau caminho...)
Índice:
Por mau caminho... | Trabalhador (Da brochura editada pela «Federação Geral do Trabalho de França») | Despertai!
Fausto da Silva Gonçalves (1899-1977)."Nascido em Tomar, no ano de 1899, filho mais velho de um abastado industrial e comerciante de calçado, José Gonçalo, sai de casa aos 17 anos, sem completar os estudos liceais. Dado a convívios e leituras de cariz revolucionário, entrou, muito novo, em forte litígio com o ambiente familiar muito conservador, mesmo provavelmente reaccionário, gerado por seu pai. O Congresso Operário Nacional, realizado em 1914 na sua cidade natal, desperta a sua consciência de adolescente, já solidária com as classes trabalhadoras. Começa a escrever. Lê toda a literatura que lhe passa ao alcance. Lateralmente, diverte-se a jogar futebol e é um dos fundadores do União de Tomar, que se vem a tornar um importante clube de província.
Sai da casa paterna para uma situação problemática. Encontra trabalho no Comércio em Torres Vedras, mais tarde em Beja, até se fixar em Lisboa. Abraça por inteiro o Jornalismo e a luta política. Fausto Gonçalves torna-se companheiro de Alexandre Vieira, Manuel Joaquim de Sousa, Mário Araújo, Cristiano Lima e Mário Castelhano, figuras grandes do Anarco-Sindicalismo, ideologia que respeita mas onde encontra incapacidades de afirmação para o futuro da luta dos trabalhadores. Escreve em “A Batalha”, órgão da Confederação Geral do Trabalho - que vem a tornar-se o 2º ou 3º diário português em tiragem, tendo colaboradores como Ferreira de Castro e Julião Quintinha.
Em 1917, a Revolução Russa leva-o à adesão às ideias bolcheviques e a integrar o grupo dos fundadores da Federação Maximalista Portuguesa, que surge em 1919 e vai anteceder a criação do Partido Comunista Português, ao qual pertence desde a primeira hora, estando assinalado como seu membro em toda a vigência da 1ª República. Colabora em “A Bandeira Vermelha”, dirigido por Manuel Ribeiro, além de jornalista, escritor de assinalar. Este é preso em 1920, mas quando sai da prisão assume um comportamento político diferente do que apresentava e torna-se um católico conservador."
(Fonte: https://www.tribunaalentejo.pt/artigos/120-anos-do-nascimento-de-fausto-goncalves-celebrados-na-casa-do-alentejo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Interior correcto.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
Indisponível

14 agosto, 2023

BRIAND, Arístide - A GREVE GERAL. (Discurso na integra, pronunciádo no Congresso Geral do Partido Socialista Francez em 1899). [Por]... (Ex-presidente do Conselho de Ministros da Republica Franceza). Tradução de Armando Costa. Biblioteca de Propaganda Social - N.º 6. Lisboa, Empreza Editora Popular, [19--]. In-8.º (17 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Capa - belíssima - assinada Fonseca.
Importante peça de propaganda republicana editada nos alvores do século XX, dos primeiros que sobre este assunto se publicaram entre nós. Precede o discurso um apontamento biográfico de Briand pelo tradutor.
Obra rara e muito interessante, com interesse histórico; a BNP não menciona.
"Companheiros:
A Greve Geral é uma concepção a que muito particularmente tenho dedicado os meus esforços de propaganda, e felicito-me por tê-la feito adoptar pelo primeiro Congresso corporativo a que foi submetida. Estes antecedentes impoem-me, de certa maneira, um dever de paternidade que me proponho cumprir sem interrupções. Em troca, - prometo-vos - vou diligenciar nada dizer que possa molestar, levemente que seja, nenhuma das opiniões em que se divide esta Assembleia. [...]
Ontem pedi que este assunto da Greve Geral fosse tratada á parte, porque entendo que merece a honra de uma discussão particular: primeiro porque é verdadeiramente interessante por si mesmo; e finalmente, porque o Congresso do Partido Socialista terá, assim, ocasião de assignalar a sua deferencia aos Congressos das organizações sindicais realisadas em Marselha, Nantes, Limoges e Rennes, que se pronunciaram afirmativamente sobre o mesmo assunto. É notavel, para mim, que, sob a influencia de perocupações politicas, alguns dos nossos companheiros, os melhores e os mais escutados, com um acentuado e imerecido desdem, achem necessario afastar a concepção da Greve Geral.
De duas uma: ou os Congressos operarios teem razão ao adoptar esta tática, ou não a têem. De qualquer maneira, é absolutamente necessario que os partidarios da Greve Geral venham dizer as razões porque a têem aconselhado, e que os seus adversarios, igualmente, digam porque a desprezam; o Congresso resolverá. Se a Greve Geral é, de facto, julgada uma arma perigosa, é urgente, indispensavel mesmo, que o proletariado seja informado, para que abandone, quanto antes, o caminho que, a meu conselho e de alguns dos meus amigos, vem percorrendo.
Por mim, continúo a achá-la boa e fecunda, tenho a coragem de o declarar, e tenho esperança que todo o Partido Socialista entrará nela com o proletariado."
(Excerto do Discurso)
Índice:
Aristid Briand. - A gréve geral é uma necessidade porque é uma consequencia da evolução economica. | O objectivo da organisação sindical. - O ponto de vista politico e revolucionario. - A revolução e a gréve geral não se decretam, nem para ellas se vai sem preparação. - A revolução é o resultado da evolução. - A violencia. - É-se revolucionario, não por afeição á violencia, mas por necessidade, por fatalidade e até por destino. - Conclusão.
Aristide Briand (1862-1932). "Estadista francês nascido em 1862, em Nantes, e falecido em 1932, em Paris. Fundador do jornal socialista L'Humanité (1902) foi ainda um dos fundadores do partido Socialista Francês. Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1926, que partilhou com o chanceler e ministro dos Negócios Estrangeiros alemão Gustav Stresemann, pelo seu esforço na cooperação internacional, dentro da Sociedade das Nações. Partidário de uma política de reconciliação com a Alemanha, desempenhou um papel importante no Pacto de Paz de Locarno (1925) e foi o mentor do Pacto Kellog-Briand (1928). Briand defendia a formação dos Estados Unidos da Europa."
(Fonte: Infopédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos efeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
Indisponível

03 agosto, 2023

PROGRAMA DO PARTIDO SOCIALISTA PORTUGUÊS.
Comentado por Manuel José da Silva, primeiro deputado socialista português. Edição da Biblioteca de Educação Social. Visado pela Comissão de Censura. Lisboa, Editor - Lucas Martins, [1928]. In-8.º (18,5x13 cm) de 32 p. ; B. Coll. Biblioteca de Educação Social - III
1.ª edição.
Folheto de divulgação popular e patriótica distribuído pouco tempo após a implantação do regime da Ditadura Militar em Portugal.
"O Partido Socialista Português (1875-1933) foi um partido político português fundado em 10 de janeiro de 1875, na sequência do Congresso de Haia da Associação Internacional dos Trabalhadores, o qual votara a criação de partidos socialistas nacionais. Da sua primeira comissão directiva fizeram parte José Fontana, Azedo Gneco, José Correia Nobre França e José Tedeschi. Também em linha com o Congresso de Haia, o Partido assumia-se como marxista (depois federalista e proudhoniana), rejeitando as propostas de pendor anarquista da facção do movimento operário inspirada no bakuninismo. Teve como órgãos de imprensa os periódicos O Protesto, em Lisboa, e o Operário, no Porto, os quais se fundiram para dar origem a O Protesto Operário. O primeiro programa foi aprovado em 1895. Com um percurso político complexo, o Partido Socialista Português sobreviveu até à efectiva supressão da acção dos partidos políticos operada pelo governo da Ditadura Nacional em 1927. Em 1933 ainda realizou uma Conferência Nacional, em Coimbra, nas vésperas da entrada em vigor da Constituição Portuguesa de 1933, que de jure ilegalizou os partidos políticos. Alguns dos seus membros mais destacados foram co-fundadores, com personalidades provenientes de outros partidos democráticos, da Aliança Republicana Socialista."
(Fonte: Wikipédia)
"Logo na esteira da proclamação da República, nas eleições de 1911, o Partido Socialista Português consegue eleger o seu primeiro deputado, Manuel José da Silva, pelo Porto. Segundo dados de César Nogueira, nas eleições de 1911, 'o Partido Socialista obteve em todo o País 3.308 votos em 10 círculos eleitorais, ficando eleito pelo Porto o seu primeiro Deputado ao Parlamento português, o camarada Manuel José da Silva, com 912 votos'."
(Fonte: Freitas, João Emanuel Coelho de - A Casa do Povo Portuense (1900-1914), U.Porto, 2014)
"Pedem-me duas palavras a propósito dêste folheto, da autoria do primeiro deputado Socialista, que entrou no Parlamento em 1911. [...]
Manuel José da Silva, é um mestre sôbre questões sociais, os seus 520 anos de vida activa contra a má organização social, da-lhe o direito de ensinar os que desejam aprender; escrevendo êste folheto, teve, quero acreditá-lo, essa intuição; oxalá, ele aproveite a todos que lendo-o lhes sirva de ensinamento."
(Nota de abertura de António Francisco Pereira)
"O Partido Socialista tem por fins cooperar com os partidos socialistas de todo o mundo na reforma das sociedades humanas sob os princípios da radical socialisação das riquezas da sciência e da autoridade, promovendo em Portugal todo o progresso que possa conduzir a êste fim, ao passo que se apodera, pouco a pouco, dos elementos de prodominio social que lhe torne possivel tomar conta do Estado e das ramificações, adquirindo por completo os elementos de fôrça para assegurar, por sua parte, o triunfo da revolução socialista mundial."
(Excerto de Programa do P. S. P. - Fins)
Manuel José da Silva (1858-1932). Tecelão de profissão, dirigente do Partido Socialista Português. Fazia parte da "elite" operária de pequenos artesãos qualificados com forte consciência política. Foi um dos principais dirigentes socialistas e redactor do Operário. Único deputado do Partido Socialista, eleito em 1911 pelo círculo do Porto.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

24 junho, 2021

RIBEIRO, Manoel - SENTIDO DE VIVER
. Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1909. In-8.º (18 cm) de 156, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original da segunda obra do autor, tendo a primeira - Imperiosa Verdade, scena em verso - sido publicada no ano anterior, em 1908.
"Livro de poemas. Nestes versos de pendor autobiográfico [Manuel Ribeiro] dá conta do embate com o ambiente da capital e a busca espiritual que acalentava: desiludido com a situação da Igreja, que considerava ter traído o  ideal cristão, sente-se «outra vez novo, apaixonado e ardente» no estudo da «razão oculta» da exploração e injustiça social, isto é, a questão social emerge no seu percurso como instância de vivência espiritual."
(Fonte: Pinto, Sérgio - Manuel Ribeiro)

"Que é isto que sentimos, meu irmão,
nesta rajada súbita que passa?
Que doida luta é esta que espedaça
os nossos cérebros de comoção?

Tudo o que se não explica e se não sabe?
Tudo o que torna o pensamento enfermo?
Tudo isso que se sente e que não cabe
na incisão geométrica dum termo?

Ah, que ao menos saibamos nós senti-la
esta ancia, que é a vida verdadeira,
de alargarmos a alma e de expandi-la
para abraçar a natureza inteira."

(Excerto de Sentido de viver)

Manuel Ribeiro (1879-1942). "Escritor alentejano vindo da militância do socialismo revolucionário, marcado pelo contacto com a religiosidade interiorista da Cartuxa de Miraflores, publicou em 1922, de regresso à pátria, o romance O Deserto que espelha o ambiente de misticismo aí vivido nos dias passados entre uma comunidade monástica da mais rigorosa clausura. Situado em Castela-a-Velha e fronteiro a Burgos, o mosteiro é uma bela jóia artística e um oásis de espiritualidade que proporcionou ao ficcionista profundas vivências religiosas e estéticas que o teriam aproximado do catolicismo em cuja fé morreu."
(Fonte: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4420.pdf)
Encadernação em meia de pele com cantos, e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequenos defeitos na lombada. Sem f. anterrosto. Assinatura de posse na folha que precede o texto.
Raro.
Indisponível

13 outubro, 2019

MOGROVEJO, Restituto - A ODIOSA DITADURA MILITAR : os crimes do tzarismo espanhol. Um apêlo á consciência universal. Por... Ex-presidente do Comité Secreto das Juntas das Patentes Inferiores do Exercito Espanhol. Traduzido e prefaciado por Mario Domingues. Lisboa, Editora Popular, [1925]. In-8.º (19 cm) de 105, [7] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Ditadura de Primo de Rivera, movimento que viria a inspirar o golpe português da Ditadura Militar de Maio de 1926. Obra de denúncia publicada na sequência do golpe de estado de 13 de Setembro de 1923 encabeçado pelo general Miguel Primo de Rivera (1870-1930) que suspendeu a Constituição e instituiu um regime nacionalista e autoritário em Espanha. O autor - Restituto Mogrovejo Fernández (Palma de Maiorca, 1891 - Cidade do México, 1949) - foi um militar, jornalista, propagandista anarquista e anarco-sindicalista espanhol. Preso e perseguido, instalou-se em Portugal nos anos vinte onde produziu o presente livro. Para mais informações sobre Mogrovejo consultar: http://puertoreal.cnt.es/bilbiografias-anarquistas/5987-restituto-mogrovejo-fernandez-periodista-y-anarquista-de-mallorca.html.
Livro ilustrado com o retrato do autor em extratexto.
"O livro que o meu amigo Restituto Mogrovejo, ex-sargento do exército espanhol, escreveu e que eu traduzi directamente do original não é, como êle próprio o confessa, uma obra literária. Longe estava o seu autor dum intuito puramente artistico quando na sua pena, trémula de emoção bem sentida, traçou as scênas de sangue e de barbaridade que adiante se leem. Alguns dos dramas políticos que teem agitado a Espanha desde os fins do século XIX até aos nossos dias foram vividos por êle, mas vividos intensamente, febrilmente. Por várias vezes a morte ameaçou-o de perto. E quando as tragédias roçam e crestam a nossa sensibilidade com seu bafo abrazador, não nos restam requintes de arte, senão sómente a recordação terrivel do que se passou, em bruto, quase informe. Com essa recordação apenas e não com esmeros literários se escrevem páginas como essas que a seguir se encontram.
«A odiosa ditadura militar» é, pois, um livro de factos, vistos através da emoção dum homem que sofreu, dum idealista que se doi da pena imensa de não poder evitá-los, de não conseguir com o seu esfôrço e com a sua inteligência transformar essa região ensangüentada e sinistra que é hoje a Espanha, num país próspero e progressivo onde a sementeira das ideias de Liberdade de Justiça germinasse e crescesse alta como as belas searas doiradas nos dias luninosos de estio.
Poderá encontrar o leitor nas páginas de Mogrovejo um pouco de paixão em face dos acontecimentos políticos do seu país. Mas essa paixão longe de ser um defeito, representa uma qualidade apreciavel do autor. Indignar-se perante crimes como os que se praticaram em Barcelona é uma demonstração de grandes sentimentos de humanidade e de justiça. Restituto Mogrovejo, ao apontar esses crimes à consciência universal, pratica um acto de generosidade e desinteresse.
É necessário que se conheçam os antecedentes da actual ditadura militar para se compreenderam as razões que levaram Primo de Rivera ao poder. Grande número dessas causas, muitas delas secretas, que se viveram nos «complots» dos quarteis, são aqui reveladas e comprovadas com a citação de testemunhas de alta categoria social. Lendo-as e analizando-as através dêste livro, o leitor compreenderá claramente que os homens que hoje estão à frente dos destinos da Espanha, não se corromperam, como tanta vez sucede, após a conquista do poder; a sua corrupção vem de mais longe, é mais profunda; os seus actos de banditismo não são uma novidade moderna, constituem um defeito antigo que impunemente se foi desenvolvendo e avolumando na sombra até surgirem à luz clara do dia, com o triunfo do golpe de Estado de Setembro de 1923."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

01 março, 2018

SALGADO, Heliodoro - A EGREJA E O PROLETARIADO. Por... Porto, Sociedade Cooperativa de Producção Typographica O Trabalho-Editora, 1888. In-8.º (15,5cm) de 61, [3] p. ; B. Col. Propaganda Popular
1.ª edição.
"A questão clerical, sendo breve mas proficientemente tratada como o é na presente publicação, á face da Historia e dos principios da escóla positivista, envolve uma questão scientifica cujas soluções necessario se torna vulgarisar, afim de promoverem a mais proficua e segura orientação sobre a absurdidade dos privilegios jesuiticos baseados na Igreja. Demais, tendo esta Sociedade [O Trabalho] em vista cooperar da maneira mais efficaz, na elevação do espirito popular a um ideal de Justiça que dispense a educação viciada que herdamos dos jesuitas, educação cimentada nas velhas theocracias, necessariamente, um dos primeiros cuidados d'esta Sociedade, deve ser a guerra sem quartel ao partido clerical, um dos mais antigos e irreconciliaveis inimigos da emancipação do Proletariado."
(Excerto da introdução, Duas palavras)
Summario:
I. A inquisição. II. Os martyres do livre-pensamento. III. Consequencias sociaes do ensino catholico. IV. Vista retrospeciva do christianismo. V. O catholicismo na peninsula. VI. Os Jesuitas. VII . O clericalismo e o progresso. VIII. Evolução historica do povo.
Heliodoro Salgado (1861-1906). "Começou a desenvolver a actividade de jornalista no jornal O Operário de tendências socialistas, porque nessa altura estava inscrito no Partido dos Operários Socialistas. No final da década de oitenta do século XIX começa a aproximar-se cada vez mais das ideias republicanas a que veio a aderir próximo do Ultimato inglês de 1890. Nas eleições realizadas em Março de 1890 apresentou-se como candidato a deputado, mas obteve um resultado decepcionante. Manifestou sempre fortes preocupações sociais destacando-se como defensor da instrução popular, da melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras e a veemência dos seus textos valeram-lhe em diversas ocasiões a prisão e a censura dos seus escritos. [...] “Protótipo do proletário intelectual” [David Ferreira, Dicionário de História de Portugal, vol. V, dir. Joel Serrão, Livraria Figueirinhas, Porto, 1992, p. 425-426], Heliodoro Salgado acaba por morrer com 45 anos. Era considerado um grande orador nos comícios organizados pelos republicanos, para defender as causas dos mais fracos e injustiçados socialmente."
(Fonte: arepublicano.blogspot.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
15€

24 janeiro, 2018

SALGADO, Heliodoro - MENTIRAS RELIGIOSAS. Prefacio de Fernão Botto Machado. Lisboa, Typographia do Commercio, 1906. In-8.º (19,5cm) de 183, [9] p. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com um retrato do autor.
"Heliodoro Salgado, d'entre os maiores o maior luctador e apostolo da Causa da Justiça e da Liberdade merece todos os preitos que se lhe faça. Elle foi um homem que dedicou toda a sua vida á cuasa dos opprimidos, portanto, a estes cumpre o dever de propagar a sua obra, a maior e a mais sincera homenagem que se lhe pode dedicar. Bem novo ainda, comprehendeu a não existencia de Deus; desde então começou a sua vida revolucionaria. No nosso tempo não houve quem o igualasse. A mentira religiosa, foi por elle autopsiada, tão tenazmente, que conseguiu pôr a religião em decadencia."
(Excerto da introdução)
Heliodoro Salgado (1861-1906). Começou a desenvolver a actividade de jornalista no jornal O Operário de tendências socialistas, porque nessa altura estava inscrito no Partido dos Operários Socialistas. No final da década de oitenta do século XIX começa a aproximar-se cada vez mais das ideias republicanas a que veio a aderir próximo do Ultimato inglês de 1890. Nas eleições realizadas em Março de 1890 apresentou-se como candidato a deputado, mas obteve um resultado decepcionante. Manifestou sempre fortes preocupações sociais destacando-se como defensor da instrução popular, da melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras e a veemência dos seus textos valeram-lhe em diversas ocasiões a prisão e a censura dos seus escritos. [...] “Protótipo do proletário intelectual” [David Ferreira, Dicionário de História de Portugal, vol. V, dir. Joel Serrão, Livraria Figueirinhas, Porto, 1992, p. 425-426], Heliodoro Salgado acaba por morrer com 45 anos. Era considerado um grande orador nos comícios organizados pelos republicanos, para defender as causas dos mais fracos e injustiçados socialmente."
(Fonte: arepublicano.blogspot.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
Indisponível

15 agosto, 2016

KROPOTKINE, Pedro - Á GENTE NOVA. Versão de Affonso-Lopes Vieira. Lisboa, Livraria Editora: Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (19cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Exortação à juventude do russo Piotr Kropotkin - célebre ideólogo do movimento anarquista mundial -, em versão traduzida por Afonso Lopes Vieira, ilustrativo de um aspecto menos conhecido da vida do poeta português.
A tradução do folheto de Kropotkine, cujas cópias subsistentes o autor tentou posteriormente recolher, é legitimada algo parodicamente: «Não tenho que me envergonhar. De resto, essa brochura explica-se ainda por uma paixoneta que tive pela sobrinha de Kropotkine que conheci em Paris. Não me arrastou ela até Londres?».
"É á gente nova que eu hoje quero falar.
Que os velhos, - os velhos de coração e de espirito, - ponham de parte, pois, esta brochura, para não fatigarem inutilmente os olhos com uma leitura que nada lhes dirá.
Supponho que vos aproximaes dos dezoito ou vinte annos; que acabastes agora a vossa aprendizagem ou os vossos estudos; que ides entrar na vida. Tendes, creio eu, o espirito desembaraçado das superstições que procuraram incutir-vos; não temeis o diabo e não ides ouvir curas e pastores. Sobretudo, não sois janotas, tristes productos de uma sociedade moribunda, que passeiam nas ruas as suas calças á moda e as suas faces de macacos, e que nesta idade não teem já senão appetites de gozo, custe o que custar...; acredito, pelo contrario, que tendes o coração muito no seu logar, e eis porque vos falo.
Uma pergunta, sei-o bem, a vós proprios fazeis:
- Que vou eu ser?"
(excerto do Cap. I)
MEDINA, João - AFONSO LOPES VIEIRA : anarquista. Introdução e notas de... Lisboa, Edições António Ramos, 1980. In-8.º (21cm) de 97, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo de João Medina sobre a faceta anarquista de Afonso Lopes Vieira. Ilustrado com um retrato do poeta.
"A evolução estético-ideológica de Afonso Lopes Vieira, a sua marcada inflexão conservadora, embora inconformista e sempre anti-salazarista, tendem a fazer esquecer a especial atmosfera um tanto nihilista, para não dizer libertária, que rodeia as suas primeiras produções literárias, nomeadamente um estranho livro invulgar que publicou em 1904, a novela «Marques». Colega e amigo do anarquista e bombista Alberto Costa, o Pad Zé coimbrão, com ligações de amizade e até profissionais com o tipógrafo e revisor anarquista Alexandre Vieira, tradutor de Kropotkine, o autor de Náufrago deixou-se fortemente impregnar por uma especial atmosfera finissecular composta de nihilismo, toslstoísmo, acracia e certas ideias eslavas muito em voga, que parece estar na base do seu romancezinho de 1904. Empenhado posteriormente em valores de casticismo e de «reaportuguesamento» anti-republicanos e, em geral, antidemocráticos, sequaz moderado das hostes do Pelicano, que ele mesmo, num banquete de homenagem a Sardinha, definira como «antiquários fanáticos», Lopes vieira deixa transparecer na sua obra de 1904, escrita quando tem ainda apenas vinte e sete anos e publicada no mesmo ano em que traduz Kropotkine, um ideário que só muito dificilmente se imagina conjugável com o do poeta e critíco que se empenhava em restituir à língua portuguesa o Romance de Amadis, dos Lobeiras, e a Diana de Jorge de Montemor, ao mesmo tempo que colaborava na revista Lusitânia e militava com crescente ardor contra a República, a ponto de se ver prisioneiro por algumas horas no Governo Civil, em 1921, por via dum poema Ao Soldado Desconhecido, de intenções claramente hostis à atitude política que ditara a nossa entrada na guerra de 14-18 ao lado das nações aliadas."
(excerto do Cap. II, A tentação anarquista)
Matérias:
I - Afonso Lopes Vieira anarquista: 1 - Estreia literária. 2 - A tentação anarquista. 3 - A novela eslava «MARQUES». 4 - Humilhados e ofendidos. Notas. II - Antologia: Da novela «MARQUES»: 1 - O nascimento de «Marques». 2 - O lusco-fusco lisboeta. 3 - A cidade do terramoto. 4 - Os sonhos do corcunda. 5 - Os varredores. 6 - Deus e os humilhados. 7 - O sonho de Marcos. 8 - Conto de Natal. Do livro de poemas «AR LIVRE»: 9 - À Cruz. Do «CONTO DE NATAL»: 10 - Um Pobre fala a Jesus.
Exemplares brochados em bom estado de conservação.
Invulgar conjunto.
Indisponível