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22 setembro, 2024

BATALHA, Ladislau -
O NEGATIVISMO. Viagem aventurosa nas regiões do Ideal.
Com uma apreciação sintética pelo professor Miguel Bombarda. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1908. In-8.º (20,5x13 cm) de [8], 462, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso ensaio do autor sobre ele próprio e a sua visão do mundo, plena de dúvidas e contradições.
"Sr. Ladislau Batalha.
Se o seu livro se chamasse As mentiras do Universo, não lhe iria descabido o titulo. Nunca vi que se escalpellassem com tanta crueza os convencionalismos em que as sociedades vivem, os erros até onde as sciencias se arrastam, as illusões em que tudo se deixa embalar n'este planeta, desde as falsidades a que os sentidos nos levam até aos mais altos vôos da concepção do homem. Mas tambem é um campo de batalha aberto esse seu livro em que combatendo-se pelo determinismo, o proprio determinismo se ataca; em que, degladiando-se contra a erudição, tão larga erudição se patenteia; e em que, sobretudo, na obra scientifica do homem, se faz a parte - ai de nós, a larga parte! - da phantasia e do sentimento.
É uma colossal obra de pessimismo essa que se condensa em 400 paginas de leitura tão empolgante como extranhamente original. São 400 paginas de condemnações, sinceras e desapiedadas como as d'um justiceiro, mas tambem quantas vezes injustas como as d'um arrebatamento de paixão."
(Excerto da Apreciação)
"A esperiencia primitiva e rudimentar dos homens fê-los crear deuses que a mesma esperiencia posterior e mais completa fez negar.
Mais modernamente foi para uns o homem feito á similhança de Deus; para outros foi o homem que serviu de modelo á divindade.
E todas estas contradições e oposições se justificam com argumentos e pontos de vista que chamamos lógicos e positivos.
Ora uma já relativamente longa vida vivida aos empuxões disto a que se convencionou chamar fatalidade, por melhor vocábulo não haver com que se disfarce a ignorancia do destino as coisas, proporcionou-me ensejo de estreitar relações com o mundo, familiarisando-me com elle em todos os seus mais aspectos fisicos e moraes.
Embora eu não tenha a intenção propositada de tratar mais de mim do que do resto, cumpre reconhecer que não seria facil a quem me lesse, esplicar o como e o porquê das desusadas doutrinas que vou desenvolver, se não esposesse como preliminar uma especie de genealogia das minhas concepções.
Com efeito foram imprevistas circumnstancias determinadas por fatores varios que não vem para aqui esplicar, as que me ingeriram na medicina, na jurisprudencia, na navegação, nas peregrinações, nas artes e nos oficios, em toda a escala, emfim, das eventualidades humanas que principiam na luxuria dos palacios e terminam na embriaguez das tabernas.
O longo percurso social que vae desde o vagabundo até ao potentado, caminhei-o eu numa febre de aventureiro, num desânimo de desgraçado, num entusiasmo de bohemio profissional."
(Excerto do Cap. I)
Ladislau Estêvão da Silva Batalha (1856-1939). "Ladislau Batalha poderia ter sido uma personagem de um livro de aventuras. Novo, embarcou como tripulante na marinha mercante, tendo percorrido os mares do norte. Nesta condição, conheceu especialmente os Estados Unidos da América, o Japão, a China e o Ceilão. Trabalhou também como taxidermista em África e como gravador de vidro em São Tomé e Príncipe. A sua experiência dos mares e o trato com inúmeros povos deu-lhe vastos conhecimentos, tanto de línguas como de costumes e culturas, de tal modo que, voltando a Portugal, se tornou professor do ensino secundário sem qualquer curso superior. As suas aventuras no alto mar e em terras longínquas permitiram-lhe também escrever obras como Línguas de África (1889), Costumes angoleses (1890) e O Japão por dentro (1904), entre outros. Enquanto militante activo do partido socialista de então, escreveu obras de cariz político como A burla capitalista (1897) e Pátria e conversão (1898), tendo igualmente proferido várias conferências. Colaborou como redactor com vários jornais portugueses (Diário de Notícias, A Vanguarda, etc.) e estrangeiros (p.e., El Socialista). Em 1919, acolheu em sua casa o poeta Gomes Leal, que, semilouco, passeava pelas ruas de Lisboa em quase mendigagem. Foi aliás em sua casa que Gomes Leal acabou por morrer em 1921. Sobre esta experiência, Ladislau Batalha escreveu o livro de memórias Gomes Leal na intimidade (1933), e encontrava-se a escrever Gente da nossa terra, outro livro de memórias sobre os seus conhecimentos no meio literário, quando morreu em 1939. A sua obra ficcional cinge-se a três romances (Misérias de Lisboa, 1892-1893, Mistérios da loucura, 1890-1891, e Florêncio, 193-) e duas peças de teatro (A miséria e Consequências de um sim)."
(Fonte: http://fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=59)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e a branco nas patas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
35€

06 setembro, 2023

BATALHA, Ladislau -
O SOCIALISMO NO PARLAMENTO.
Excerptos, fragmentos e discursos. De... Professor. Gremio Socialista de Lisboa. Lisboa, Edição do G. S. L., 1920. In-8.º (19,5X13,5 cm) de 128 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de intervenções do autor no Parlamento pelo Partido Socialista, o primitivo, antecessor do PS.
"Quiz a Comissão de Educação e Propaganda do Gremio Socialista de Lisboa que a sua biblioteca se iniciasse com a publicação da primeira serie dos meus discursos parlamentares, num protesto contra o silencio que, voluntaria ou involuntariamente, a imprensa lhe tem feito em volta. [...]
Tudo quanto em defeza e apoio do socialismo revolucionario tenho dito e escripto durante bons quarenta anos de militante, estou habilitado a readizer e ressubscrever, sem desdouro para mim nem para os principios que tenho apostolisado e defendido e continuarei a defender como mesmo calor de convicções até ao instante de exalar o meu ultimo suspiro sobre a terra.
Revolucionario era e revolucionario continuo a ser com a mesma fé e o mesmo ardor de sempre. Nem o pezo dos anos ainda me debilitou o cérebro nem me quebrantou a energia e as convicções.
O socialismo, na sua qualidade de doutrina economico-politica, traz em si mesmo uma implicita a ideia de intervencionismo. Tudo mais é questão de  apenas de método e tactica.
Pode intervir-se de varios modos. Nem todos convéem sempre, mas todos eles acham o momento mais oportuno para se aplicar.
A propria revolução armada, violenta, de caracter social, tambem é uma intervenção, em certos momentos até necessaria, porque sem intervir a valer, torna-se completamente impossivel exercer uma acção benefica, tenha ela por tese a demolição ou a reconstrução."
(Excerto do preâmbulo)
Ladislau Batalha (Lisboa, 1856 - Arruda dos Vinhos, 1931). "Era originário de família de comerciantes modestos. Desde sempre ávido de conhecimentos, Ladislau Batalha decidiu esquadrinhar o mundo. Iniciou a vida de trabalho como moço de bordo, passou a marinheiro, viajando também pelo interior da África (incluindo a portuguesa). Quis fazer o périplo do mundo. Como baleeiro percorreu os oceanos boreais, conheceu depois as principais cidades norte-americanas. Na Califórnia embarcou para as ilhas Sandwich, errou pela Ásia (Japão, China, Ceilão, etc), regressando pelo Suez. Chegou a trabalhar na Inglaterra. Após 11 anos de vida itinerante por boa parte do planeta regressou a Lisboa com a idade 31 anos, repleto de experiências e saberes. Republicano, começou a escrever em jornais lisboetas, espraiou-se com assiduidade pela pequena imprensa da província. A sua paixão pelas ideias socialistas fê-lo amigo de Azedo Gneco (1849-1911). Foram dois dos fundadores do (primitivo) Partido Socialista. L. Batalha sempre se bateu com a maior rectidão e moralidade pelos ideais do seu partido, tornando-se sócio honorário de bastantes associações operárias. As suas actividades iam-lhe proporcionando agora razoáveis capitais. No regime republicano veio a ser deputado pelo PS na legislatura de 1919–1923, pelo círculo do Porto, assumindo então o posto de chefe de gabinete do ilustre advogado Ramada Curto. A vida do nosso evocado foi um exemplo de quanto podem resultar positivos o trabalho e a força de vontade postos com inteligência ao serviço dos seus semelhantes. Ladislau Batalha faleceu em Arruda dos Vinhos em 26-11-1939, onde residira nos últimos cinco anos de vida."
(Fonte: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=creators/creator&id=920)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas oxidadas e páginas amareladas, tudo pela fraca qualidade do papel utilizado.
Muito invulgar.
25€

17 agosto, 2015

BATALHA, Ladislau - MYSTERIOS DA LOUCURA : romance portuguez. Original de... Volume I [e II, III e IV]. Lisboa, Typographia da Companhia Editora [e João Romano Torres - Editor], 1890-1891. 4 vols in-8.º (20,5cm) de 275, [5] p. ; [5] f. il. (I), 302, [2] p. ; [2] f. il. (II), 295, [1] p. ; [2] f. il. (III) e 284, [4] p. ; [2] f. il. ; E. em dois tomos
1.ª edição.
Ilustrada com bonitos desenhos da autoria de Pastor e de Moraes, intercalados no texto ao longo da obra.
Romance histórico de Ladislau Batalha. "Publicado em 1891, a acção decorre entre a década de 50 e 60 do séc. XIX. Julião Sampaio, durante o Cabralismo é acusado de falsear documentos. Injustiçado, é preso e julgado repentinamente. E por tenebrosas e pérfidas forças políticas ligadas a sectores miguelistas, acaba como degredado em Angola. Chegará a Luanda em 1851."
"Em uma casa apalaçada da Rua Larga de S. Roque, ia grande faina, faziam-se grandes preparativos no dia 5 de julho do anno de Nosso Senhor Jesus Christo de 1860.
O andar nobre fôra mobilado de novo; ainda os armadores na manhã d'aquelle dia davam os toques finaes ao que, por sua arte, lhes cumpria. Pregavam as ultimas tachas na sumptuosa alcatifa que cobria os degráus da escada, e fixavam definitivamente os espelhos do salão principal.
Os mais intimos vinham chegando, e conversavam na sala de fumar, approximando-se de quando em quando de alguma janella a espreitar se os noivos já se avistavam."
(excerto do Cap. I, O Conde de Porto Rico, Anverso e reverso)
Ladislau Estêvão da Silva Batalha (1856-1939). "Ladislau Batalha poderia ter sido uma personagem de um livro de aventuras. Novo, embarcou como tripulante na marinha mercante, tendo percorrido os mares do norte. Nesta condição, conheceu especialmente os Estados Unidos da América, o Japão, a China e o Ceilão. Trabalhou também como taxidermista em África e como gravador de vidro em São Tomé e Príncipe. A sua experiência dos mares e o trato com inúmeros povos deu-lhe vastos conhecimentos, tanto de línguas como de costumes e culturas, de tal modo que, voltando a Portugal, se tornou professor do ensino secundário sem qualquer curso superior. As suas aventuras no alto mar e em terras longínquas permitiram-lhe também escrever obras como Línguas de África (1889), Costumes angoleses (1890) e O Japão por dentro (1904), entre outros. Enquanto militante activo do partido socialista de então, escreveu obras de cariz político como A burla capitalista (1897) e Pátria e conversão (1898), tendo igualmente proferido várias conferências. Colaborou como redactor com vários jornais portugueses (Diário de Notícias, A Vanguarda, etc.) e estrangeiros (p.e., El Socialista). Em 1919, acolheu em sua casa o poeta Gomes Leal, que, semilouco, passeava pelas ruas de Lisboa em quase mendigagem. Foi aliás em sua casa que Gomes Leal acabou por morrer em 1921. Sobre esta experiência, Ladislau Batalha escreveu o livro de memórias Gomes Leal na intimidade (1933), e encontrava-se a escrever Gente da nossa terra, outro livro de memórias sobre os seus conhecimentos no meio literário, quando morreu em 1939. A sua obra ficcional cinge-se a três romances (Misérias de Lisboa, 1892-1893, Mistérios da loucura, 1890-1891, e Florêncio, 193-) e duas peças de teatro (A miséria e Consequências de um sim)."
(Fonte: http://fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/?page_id=59)
Encadernações em meia de percalina com ferros gravados a ouro nas lombadas.
Exemplares em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

09 agosto, 2011

BATALHA, Ladislau – CURIOSIDADES DA HISTÓRIA PORTUGUESA. Lisboa, Ed. Guimarães, [S.d. 193-]. In-8º 229, [2] p. ; B.
Obra curiosa, onde, resumidamente, o autor, traça diversos quadros e episódios menos conhecidos da história de Portugal. 
Exemplar razoável, em bom estado de conservação.
15€