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21 outubro, 2025

MATTA, José Avelino da Silva e -
ANAIS DE MOURA
. Moura, Câmara Municipal de Moura : Biblioteca Municipal, 1991. In-8.º (21,5x16,5 cm) de [16], 185, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história de Moura, castiça vila alentejana. Trata-se da edição fac-similada do manuscrito de 1855, existente na Biblioteca Municipal de Moura.
Obra invulgar e muito interessante. Inclui apontamento biográfico do autor no início.
Ilustrada no texto com tabelas e quadros estatísticos, e em página inteira, com reprodução de planta de Moura datada de 1657.
"Os Anais de Moura, foram escritos pelo D. José Avelino da Silva e Mata em 1855 e até esta data, têm continuado esquecidos da quase totalidade dos habitantes do nosso concelho.
Como não houve qualquer publicação do trabalho que não deixou cair no esquecimento a história da Notável Vila de Moura, surgiu-me a ideia de, na Biblioteca Municipal, ser executado este trabalho, que até ao presente continuava em manuscrito, copiando-o tal como foi escrito na época.
Se me afoitei trazer este precioso trabalho a público, a razão só pode ser procurada na muita amizade que tenho à minha terra. Essa amizade e o reconhecimento de um repositório das mais importantes notícias sobre a Vila de Moura e suas freguesias até 1855, criou em mim, o propósito de dar a conhecer o que existe de pouco conhecido e é muito o que contém os Anais de Moura, os quais, mais de um século permaneceram no arquivo sem que ninguém aparecesse para lhe dar a conveniente publicidade."
(Excerto da Nota preliminar)
José Avelino da Silva e Mata (Elvas, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso 10.11.1795 - Elvas, São Pedro 11.12.1867). "Juiz Desembargador. Governador Civil de Portalegre, de 1846 a 1848. Aluno do Colégio Militar. Comendador da Ordem de Cristo. Juiz de Fora de Vila Velha de Rodão, Carta de 27.09.1826. Juiz de Fora de Campo Maior, Carta de 03.12.1835. Juiz de Fora de Moura, Carta de 30.11.1852. Foi Juiz em Estremoz e Alenquer. Vereador da Câmara de Elvas em 1837. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Elvas em 1838. Deputado às Cortes em 1839. Foi investigador de História de Moura e Elvas e escreveu os seus Anais."
(Fonte: https://pagfam.geneall.net/4233/pessoas.php?id=1092749)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

11 novembro, 2024

PAÇO, Tenente Afonso do - CARTAS ÀS MADRINHAS DE GUERRA. Fac-simile da 1.ª edição. Viana, Junta de Freguesia de Outeiro, 1993. In-8.º (17,5 cm) de [8], 182, [2] p. ; B.
Edição restrita publicada pela Junta de Freguesia do Outeiro, localidade natal do autor.
"As Cartas às Madrinhas de Guerra, cuja 1.ª edição saiu em 1929, no Porto, são uma colectânea de 43 cartas, cujo autor foi o então jovem Ten. Afonso do Paço, nascido no lugar de Além do Rio, da freguesia de Outeiro, concelho de Viana do Castelo, que combateu na Grande Guerra, de 1914 a 1919.
As primeiras 18 cartas foram escritas, durante o período desgastante da guerra nas trincheiras, as 20 seguintes, nos campos de concentração de Lile, Rastatt e Breesen, depois de ter ficado prisioneiro dos alemães, em 9 de Abril de 1918, e as 8 últimas, desde a saída da Alemanha até ao regresso a Portugal.
Como o título do livro deixa adivinhar, as cartas tiveram por destinatárias as Madrinhas de Guerra, que, conforme o autor afirma, foram os "entes mais queridos da guerra, que lançaram sobre as trincheiras regadas de sangue catadupas de amor e carinho…".
É, quanto a mim, um livro indispensável para bem conhecer o período de guerra nas trincheiras e a vida dos prisioneiros nos campos de concentração da Alemanha, a que ele chamou gefangenismo, criando um neologismo de origem germânica, a partir da palavra gefangen que significa "prisioneiro".
[…]
Através de páginas comoventes e deliciosamente escritas, perpassam diante dos nosso olhos, como numa tela animada e colorida, cenas patéticas da Grande Guerra. A vida periclitante dos soldados nas trincheiras insalubres, ensopadas de lama e incessantemente metralhadas pelos ataques inimigos; a tragédia dos prisioneiros nos campos de concentração, ralados pelas agruras da fome, da doença e do abandono; a hecatombe de 9 de Abril, na planície de La Lys, em que, apesar de vencidas, “as nossas tropas de linha se bateram com denodo, digno dos nossos maiores”, reconhecido com termos honrosos pelos próprios alemães."
(Excerto do prefácio de José Luís Branco)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

01 fevereiro, 2024

ROL // dos Liuros defesos nestes Rei- // nos & Senhorios de Portugal // q ho Senhor Cardeal Iffante Inqui- // sidor geral mandou fazer // no Anno de 1561. Impresso em Lixboa em casa de Joannes Blauio de Colonia, [1561]. In-8.º (15x10 cm) de [90] p. ; E.
1.ª edição (fac-símile).
Importante subsídio - fotocopiado do original - para a história do livro e da censura literária em Portugal. Trata-se do Rol dos livros defesos de 1561, o terceiro de quatro (em cinco edições),
mandados publicar por ordem de D. Henrique (mais tarde, Cardeal D. Henrique) entre 1547 e 1564, sendo o presente da autoria do dominicano Frei Francisco Foreiro, mais "moderado" que a lista de 1559, apesar de alargar o número das obras censuradas. Este Regimento ficou para a história por estabelecer a publicação trimestral dum rol de livros proibidos, regra cumprida apenas a partir de 1577, e também por procurar controlar a entrada de livros por via marítima: "O cordão defensor da ortodoxia abrangeu também a vigilância relativa à entrada e permanência de barcos e pessoas estrangeiras no país. Assim, o Regimento de 1561, como forma de prevenção, estipulava que se visitassem sistematicamente as embarcações vindas de fora; estalajadeiros e donos de hospedarias eram obrigados a apresentar listas dessas pessoas e permanecer atentos a qualquer indício, «ouvindo-Ihes dizer ou fazer alguma coisa que lhes pareça ser contra a fé, que, pela mesma maneira, o vão denunciar aos inquisidores»." (in Elvira de Azevedo Mea (Faculdade de Letras do Porto), O Santo Ofício no contexto da Contra-Reforma, em Portugal - III Congresso Histórico de Guimarães, «D. Manuel e a sua época»)
A primeira parte do Rol é dedicada à justificação da edição, seguindo-se a lista das "proibições" e "recomendações", todas elas sob ameaça explícita de excomunhão em caso de incumprimento; por fim segue-se a lista das obras censuradas.
"Os estudos efectuados até ao momento presente têm vindo a revelar que, com efeito, não é possível refletir sobre a história «literária» de Portugal no século XVI sem antes compreender e descrever o papel desempenhado pela censura nesse período. A censura exercia-se quer contra as pessoas quer contra determinados produtos da actividade intelectual, nomeadamente a impressão de livros e a sua livre circulação. [...]
No final da década de 1540, a censura preventiva obteve uma organização estável. A 2  de Novembro de 1540, o Inquisidor-Geral, o Infante D. Henrique confiou por inteiro a censura disciplinar de livros a três dominicanos: ao prior do convento de S. Domingos de Lisboa; ao sub-prior Frei Aleixo e a Frei Cristóvão de Valbuena. Para além das tarefas que lhes foram atribuídas a questão censura preventiva é especificada: «poderão mandar noteficar a todos [os] empressores que  não imprimam novamente ninhuns livros sem primeiro serem vistos [e] examinados per  elles». Com a criação desta comissão estavam legalizadas a inspecção aos livros existentes nas livrarias, a apreensão de obras suspeitas, a ordem para não se imprimirem livros sem primeiro serem vistos e examinados, e, finalmente, o poder de a comissão aplicar censuras eclesiásticas e mais penas. […]
Neste sentido, o Infante Inquisidor-Geral, em 28 de Outubro de 1547, assinou uma carta dizendo que para pôr cobro à entrada em Portugal de livros de autores hereges, suspeitos e «danados», mandava publicar a lista dos livros defesos que indica quais os que não podiam ser lidos nem impressos novamente sem serem examinados e autorizados pela Inquisição. Assim surgiu o primeiro rol de livros proibidos, manuscrito, que posteriormente designaram por Prohibicam dos liuros defesos. [...]
O terceiro Índice português conhecido data de 1561. Sendo o quarto Rol dos Liuros defesos publicado em Quinhentos é assinado por Fr. Francisco Foreiro, dominicano português. Vem precedido duma carta do Cardeal Infante de "prohibições e d’avisos para os que este Rol lerem" que constitui uma verdadeira codificação da censura repressiva. Também este trabalho dos censores portugueses veio a ter repercussão internacional, pois foi a partir de experiências como esta que os portugueses se tornaram «os  peritos» em censura na Europa. Frei Francisco Foreiro é chamado a secretariar a comissão do Concílio de Trento encarregada da revisão do Índice de Paulo IV e da promulgação das regras de censura dos livros, por gozar duma experiência única no mundo católico. Assim, as regras que precedem o índice tridentino, o Index librorum prohibitorum, promulgado pela bula do papa Pio IV de 24 de Março de 1564, redigidas por Fr. Francisco Foreiro, passaram a constituir legislação permanente da Igreja. Portugal foi um dos raros países católicos a aceitar imediatamente os decretos do Concílio de Trento, atribuindo-lhes «força» de lei."
(Fonte: https://silo.tips/download/indices-de-livros-proibidos-no-seculo-xvi-em-portugal-a-procura-da-literatura)
"Dom Anrrique per merce d Deos & da sancta igreja de Roma Cardeal do titolo dos sanctos quatro Coroados, Iffante de Portugal, Arçebispo Deuora, Inquisidor geral dos Reynos & senhorios de Portugal. &c. Fazemos saber a todas as pessoas de qualquer estado & qualidade que sejão q aos ditos reinos & senhorios pertencem, que tendo nos entendido quãto dano na repubrica christãa os herejes em nossos dias ajam feito: e quantas prouincias q nõ ha muito q nellas a religião Christã & culto Diuino estaua enteiro, cõ astucia do demonio estão estragadas. Sabédo també de certeza q cõma & falsa doctrina se fez todo este estrago aqual se comunicou no menos per liuros que per palaura de maos & peruersos doutores: arreceando poder este mal laurar & chegar aos ditos Reinos & senhorios quisemos pelos meios possiueis cõ toda a diligécia obuiar a isto q arreceamos. [...] Assi ordenamos como ne per escrito aja modo per que se possa seguir algú dano a sãa e verdadeira docttrina em q fomos criados. E inda q tee gora se fizesse sempre deligécia & se prouesse como nõ corressem nem tratados de herejes, né outros que podesem empecer a verdade d nossa sancta fee, & pa isso ouuerse Rol impresso de liuros defesos, & prohibições & sensuras cõtra qué taes liuros tiuesse ou cõmunicasse: toda via indo crecédo a malicia dos tépos, forãse multiplicãdo muitos mais liuros maos, q nos catalogos nõ erã nomeados: polo qual nos pareceo ser necessario fazerse outro mais copiso em q se cõprehédessem todos q a nossa noticia poderão, vir q era justo seré defesos, cõ algúas prohibições a este mesmo fim pertecétes ho qual rol & prohibições cõ esta nossa prouisão a qui vão impressos em hú caderno p Joã Blauio nesta cidade d Lixboa no mes d Março do ãno d. 1561. & qremos q aos ditos cadernos asinados pello deputado F. Frãcisco Foreiro q pera isso té nossa comissã se de plenariaméte credito como se p nos ho fossem."
(Excerto da justificação)
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito raro.
Peça de colecção.
Indisponível

11 janeiro, 2024

ORDENANÇA PERA OS ESTUDÃTES DA UNIVERSIDADE DE COYMBRA.
Com privilegio real. Ordenança pera os estudãtes da universidade de Coymbra sobre os criados, bestas, y trajos, y outras cousas. [S.l.], [s.n.], 1937. In-4.º (29x21 cm) de [2] f. ; B.
Edição fac-símile do decreto de D. João III - de 14 de Janeiro de 1539 - que regula a apresentação dos estudantes na Universidade de Coimbra.
Na capa dêste folheto foi utilizada a gravura da edição de 1539 dos "Capitolos de Cortes..." impressos por Germão Galharde; esta reedição fac-similada da "Ordenança para os estudantes..." comemora o IV Centenário do estabelecimento definitivo da Universidade em Coimbra.
"Dom Joham per graça de deos Rey de Portugal y dos Algarves daquem y dalem mar em Africa, Senhor da Guine y da conquista; navegaçã; y comerçio de Ethiopia, Arabia, Persia y da India. Faço saber a vos rector, lentes, deputados, conselheyros; y estudantes da universidade de Coymbra; que querendo eu dar ordem; como os estudantes que ora sam, y ao diante forem nessa universidade estudarem y com menos gastos. Ey por bem y mando que do primeiro dia Doutubro..."
(Excerto da Ordenança)
Ex-libris de João Affonso Côrte-Real colado no verso da capa.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com pequenos rasgões na capa (sem perda de suporte), e mancha de humidade no corte inferior.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

17 junho, 2023

XAVIER, Felippe Nery - COLECÇÃO DOS FAC-SIMILES DAS ASSIGNATURAS, E RUBRICAS DOS VICE-REIS, E GOVERNADORES GERAES DO ESTADO DA INDIA, COORDENADA, POR DETERMINAÇÃO DO Ill.mo e Ex.mo S.or Visconde D'Ourem, GOVERNADOR GERAL DO MESMO ESTADO, POR... Official-maior graduado - Chefe da primeira Secção da Secretaria do Governo Geral, e Director da Imprensa Nacional. Nova-Goa: Na Imprensa Nacional, 1853. In-8.º (21 cm) de [246] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra impressa em Goa. Trata-se da colecção dos fac-símiles das assinaturas dos Vice-Reis e Governadores do Estado da Índia, desde o 1.º Vice-Rei, D. Francisco de Almeida (1505-1509) até ao mandato governativo de José Joaquim Januário Lapa, Visconde de Vila Nova de Ourém (1851-...), época em que foi publicado o presente livro. Acompanham os fac-símiles das assinaturas breve apontamento biográfico dos governantes.
Inocêncio atesta a sua raridade: "Estas colecções são muito raras na Índia, e ainda mais em Lisboa".
"Os alludidos Fac-similes, são extrahidos das originaes assignaturas que á força de enfadonhas buscas descubrimos humas exaradas nos autos das posses, e assentos doss Conselhos do Estado, e do extincto Conselho da Fazenda, e outras finalmente em diversas Cartas, Patentes, Alvarás, e Provisões de épocas remotas que reunimos; e ainda que se possa afiançar da sua exactidão com os originaes; com tudo he preciso dizer que a nitidez que parece faltar-lhe he devida á difficuldade em a conseguir neste Paiz avesso ás obras lithographicas, por causa da sua temperatura."
(Excerto da Advertencia)
Filipe Nery Xavier (Goa, 1801- Goa, 1875). Historiador, ilustre funcionário e administrador colonial. "Cavalleiro e Commendador da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Christo e Cavalleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, Official-maior da Secretaria Geral do Governo do Estado da Índia, director da Imprensa Nacional, vogal de numerosas e importantes commissões de serviço publico, durante mais de 50 annos. Socio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa e de varias outras sociedades litterarias, premiado nas exposiçoes de Pariz, Porto, Madrasta."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos.
Carimbo de posse de Bello Carvalho na capa e na f. rosto.

Raro.
Com interesse histórico.
60€
Reservado

30 julho, 2022

DIARIO DA JUNTA GOVERNATIVA DO REINO DE PORTUGAL.
Colecção completa (N.os 1 a 16 - 19 de Janeiro a 13 de Fevereiro de 1919). Reprodução zincográfica
. Porto, J. Pereira da Silva - Editor, 1919. In-8.º (21,5 cm) de [40] p. ; B.
1.ª edição em livro.
Edição fac-símile do Diario da Junta Governativa do Reino de Portugal, (15 números publicados + 1 número impresso, mas que não chegaria a circular), - orgão de informação do directório chefiado por Henrique de Paiva Couceiro que, com forças leais ao seu projecto político, havia proclamado a monarquia na cidade do Porto.
"A reprodução zincográfica do Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, constitui um dos elementos mais importantes para a história da restauração monárquica no Norte do país. Poucos conseguiram coleccionar até ao penúltimo número, e raríssimos até ao n.º 16, - que não chegou a ser distribuído - êste repositório interessantissimo de documentos históricos, onde a orientação dos restauracionistas mais vivamente se afirmou.
A impressão do Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, foi feita em três tipografias e em diferentes formatos: os n.os 1 a 3, na tipografia do jornal «A Pátria!», com a designação de «Tipografia Nacional», e os n.os 4 a 7, na «Tip. Mário Antunes Leitão», com as dimensões de 0m,47x0m,35, e os n.os 8 a 16, na «Empreza Gráfica A Universal», conservando estas últimas dimensões, excepção feita do n.º 16 (último) que tem 0m,45x0m,34."
(Introdução)
"A 19 de Janeiro de 1919, Domingo, foi proclamada no Porto a Monarquia, tendo como seu chefe Paiva Couceiro e muitos militares monárquicos, tendo esta proclamação sido seguida em muitos pontos do país, mas principalmente no Norte.
A Monarquia é restaurada no Monte Pedral, no Porto, onde as tropas monárquicas em parada ouvem a proclamação monárquica, lida por Satúrio Pires, fiel apoiante e grande amigo do capitão Paiva Couceiro. [...]
Às 17 horas, na sala de reuniões da Junta Geral do Distrito, tomou posse a Junta Governativa do Reino, com a presença do representante da Diocese do Porto, reverendo D. Teófilo Salomão, que receberia o juramento dos membros da Junta.
Foi então criado o Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal. Neste jornal seriam publicados todos os decretos da Junta, reguladores da vida política, social e económica dos portugueses, fixando preços, feriados, o regime político, nomeações de oficiais e funcionários do estado, abolição do escudo, abolição do registo civil, requisição de veículos com «motor de explosão» e a regularização das relações com a Igreja. Num deles era publicado o decreto de abolição da República e recuperada a Carta Constitucional Portuguesa de 29 de Abril de 1826, e noutro era restabelecida como oficial a Religião Católica e Apostólica Romana."
(Fonte: Pereira, Pedro Marçal Vaz - Monarquia do Norte. A Guerra Civil entre Monárquicos e Republicanos : Onde Dois Governos Governaram Portugal Durante Três Semana, 2016)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Ex-libris de António Manuel Lobão de Mascarenhas no verso da capa.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

21 abril, 2021

PINHO, Manuel S. - A REVOLTA DE TORRES NOVAS.
(Apontamentos para a sua história)
. [S.l.], O Almonda [Gráfica Almondina - Torres Novas], 1927 [1986]. In-4.º (23,5 cm) de 312, [6] p. ; B.
1.ª edição independente.
Certamente, com tiragem restrita. Este livro é uma edição fac-similada dos originais publicados em 1927 no jornal «O Almonda».
As deficiências gráficas que por vezes apresenta, são motivadas, apenas, pelo facto de alguns originais já estarem pouco legíveis, devido ao tempo e aos processos de impressão da época.
Importante subsídio para a história do conturbado período que se seguiu às guerras liberais, e em particular para a cidade - na época, vila - de Torres Novas, onde teve início a rebelião contra o governo de Costa Cabral, tudo tendo culminado na capitulação de Almeida após prolongado cerco. Os efeitos da intentona prolongaram-se no tempo, noutros cenários estratégicos, nomeadamente através de alianças políticas e militares, destacando-se neste particular, as acções de guerrilha levadas a cabo por bandos de malfeitores, onde pontificavam, entre outros, os Brandões, que nesse período puseram as Beiras a ferro e fogo, deixando um rasto de intimidação e morte.
"A revolta de Torres Novas - Apontamentos para a sua história, é um modestíssimo trabalho, fruto da paciência, e não da erudição ou inteligência, porquanto a prosa do texto é fraca e comezinha, e a coordenação talvez disparatada e sujeita a muita crítica.
Compõe-se êle apenas de elementos que se acham disseminados em variadas obras, jornais, e arquivos, e podem servir a quem com mais competência, pretenda um dia, fazer a história da revolta que, em Torres Novas rebentou no ano de 1844, e que se tivesse vingado, teria certamente evitado os pronunciamentos de 1846, que constituiram o conhecido movimento da Maria de Fonte."
(Excerto do Antelóquio)
"António César de Vasconcelos Correia, mais tarde conde de Tôrres Novas , e então coronel de cavalaria na 3.ª secção do exército, foi quem deu o brado de revolta na noite de domingo, de 4 para 5 de Fevereiro de 1844, na vila de Tôrres Novas, enviando uma carta ao coronel Pina, comandante do regimento de cavalaria n.º 4, ali aquartelado, (cujos soldados queriam tanto ao coronel César de Vasconcelos «como a um amigo, ou a um pai» do dizer de Jacinto Augusto de Freitas e Oliveira), convidando-o a aderir, ou então, a retirar-se para onde lhe aprouvesse. [...]
O coronel Pina porém, não aderiu e retirou-se para Santarém, acompanhado do ajudante, quatro oficiais, e vinte e seis praças a cavalo e algumas desmontadas, onde se apresentou ao respectivo governador civil pelas oito horas da manhã de terça feira, dia 6.
Com efeito, na madrugada do dia 5, chegaram às proximidades da vila, dois destacamentos do regimento de cavalaria n.º 4, vindos um de Rio Maior, e outro de Aldeia Galega do Ribatejo, comandados respectivamente pelos alferes Francisco José de Miranda Pego e Guilherme Frederico Portugal e Vasconcelos que surpreenderam em Alcanena uma fôrça do Corpo de Segurança Pública do distrito de Santarém, às ordens do tenente José Maria Limpo de Lacerda, que conseguiu evadir-se para aquela cidade com três dos seus soldados, tendo os restantes sido depois abandonados  pelos revoltosos, por, segundo se dizia em Tôrres Novas, não estarem em condições de poder acompanhar aqueles destacamentos de cavalaria. [...]
Em Tôrres Novas muitos indivíduos tinham conhecimento da revolta, alguns até por terem prestado um bom concurso para a sua efectivação, como Agnelo Freire Salter de Sousa Cid, José Maria Queirós, e outros.
Os soldados e sargentos do regimento de cavalaria n.º 4 que na noite de domingo haviam abandonado o seu comandante, juntaram-se aos dois destacamentos chegados, com os oficiais da mesma unidade, capitães António Germano de Oliveira Sampaio, Guilherme Xavier de Vasconcelos Correia, e alferes Manuel Lourenço da Cunha, bem como o capitão de cavalaria na 3.ª secção do exército, João Cesário de Oliveira Sampaio, o tenente do estado maior Francisco Maria de Sousa Brandão, aos quais por sua vez se reüniram José Gerardo Ferreira de Passos coronel de artilharia, José Estevão Coelho de Magalhães capitão da mesma arma, e Joaquim Tomás Lôbo de Ávila, alferes do regimento de infantaria n.º 1, que tinham chegado no sábado de Lisbôa.
Foi então que António César de Vasconcelos Correia tomou o comando das fôrças revoltadas, e como chefe começou a dirigir a sedição, estabelecendo na Quinta do Minhoto o seu quartel general."
(Excerto do Cap. III - O grito de revolta)
Índice:
[Antelóquio preventivo]. | [Dedicatória]. | I - A atmosfera carregada. II - As  representações. III - O grito da revolta. IV - De Tôrres Novas à Guarda. V - O cêrco de Almeida. VI - O trio  pacificador. VII - A capitulação de Almeida. VIII - Pelas malhas do cêrco ou aventuras de José Estevão. IX - As guerrilhas. X - Os Relatórios. XI - No exílio. XII - O regresso dos emigrados. | Notas. | Manancial bibliográfico. | Índice.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e miltar.
75€

12 março, 2021

BARROS, João de - A PRYMEIRA PARTE DA CRONICA DO EMPERADOR CLARIMUNDO DONDE OS REYS DE PORTUGAL DESÇENDEM
. Lisboa, Biblarte, Ldª : Ernesto Martins, 2003. In-fólio (31 cm) de [4], 342, [2] p. ; E.

Edição fac-símile. Tiragem fora de mercado xerocopiada do único exemplar original conhecido, existente na Biblioteca Nacional de Madrid, conforme informação e cedência do professor Eugénio Asensio. Salvo melhor opinião, trata-se da única reprodução da Crónica alguma vez publicada com estas características.
"A Crónica do Imperador Clarimundo foi escrita por João de Barros quando era ainda um jovem fidalgo da corte do rei D. Manuel. Como o próprio virá a expressar anos mais tarde, tratou-se de um "debuxo" da sua obra maior, as Décadas da Ásia.
Esta obra relata as façanhas do cavaleiro Clarimundo ao longo de um percurso de vida heróico, desde o dia do seu nascimento envolto em acontecimentos extraordinários. Fantasia e realidade conjugam-se aqui para a mitificação das origens de Portugal através da sua realeza, cuja ascendência remontaria a esta figura de excepção. A temática da identidade ganha aqui uma importância relevante, na relação com a glorificação do reino.
Os "livros de cavalarias", são testemunhos literários de um tempo de transição entre a Idade Média e o século XVI, nomeadamente no que respeita ao imaginário cavaleiresco e à expressão do maravilhoso. Esta obra é também identificadora de uma cultura peninsular voltada para a expansão e auto-glorificação. Sendo o primeiro livro de cavalarias português, segue o modelo de "Amadís de Gaula", escrito anteriormente em língua castelhana por Garcí Rodriguez de Montalvo, em sintonia com o ideário dos reis católicos."

(Fonte: http://www.bnportugal.pt) 
João de Barros (Vila Verde, Viseu, 1496 - Vermoil, Alcobaça, 1570). "Historiador, geógrafo, autor de importante obra doutrinária, pedagógica e gramatical e alto funcionário da coroa portuguesa no reinado de D. João III. Nascido provavelmente em Viseu, de família fidalga, ainda muito jovem entrou na corte régia onde, com outros moços-fidalgos, aprendeu latim, matemática e humanidades.
A Crónica do Imperador Clarimundo (1522), romance de cavalaria que exalta as origens imaginárias da casa real portuguesa, oferecida a D. Manuel em 1520, assinala a sua estreia como escritor. Nela, o herói Fanimor profetiza em prosa de aspiração épica as futuras glórias dos reis de Portugal. O Clarimundo constitui sobretudo um "ensaio" de João de Barros, nascido dois anos antes da chegada de Vasco da Gama à Índia, para aquele que já então era, inegavelmente, o seu verdadeiro projecto: a narração dos feitos dos portugueses no Oriente.
A Crónica agradou de tal forma a D. Manuel que o monarca quis encarregá-lo da escrita das "cousas das partes do Oriente", já que até então, apesar de querer celebrar os feitos portugueses, "nunca achara pessoa de que o confiasse" (Década I, “Prólogo”). A morte do rei veio interromper o projecto já que o novo soberano, D. João III, lhe concedeu, logo em 1522, o governo do Castelo da Mina, cargo que não terá chegado a exercer, embora talvez tenha viajado até S. Jorge. [...] Foi como historiador que João de Barros ganhou maior projecção. Projecto de uma vida, a Ásia constitui a "coroa de glória" da sua actividade como escritor. [...]
Historiador dos feitos do Oriente, amigo e panegirista de D. João III, distinguido pelo monarca com mercês várias e cargos de relevo na administração, João de Barros foi um dos expoentes e um dos porta-vozes destacados da ideologia expansionista da coroa portuguesa no século XVI. A sua concepção da história, servida por um inequívoco rigor documental, por uma vasta erudição e por uma língua grave e majestosa, reflecte a prudência do cortesão que serve o seu rei, mas também a noção humanista da necessidade da glorificação dos heróis."

(Fonte: http://www.fcsh.unl.pt/cham/eve/content.php?printconceito=762)
Encadernação inteira de percalina com cercadura e ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€

09 setembro, 2020

COSTA, Uriel da - EXAME DAS TRADIÇÕES FARISAICAS. Exame das tradições phariseas. Fac-símile do exemplar único da Biblioteca Real de Copenhaga, acrescentado com Samuel da Silva: Tratado da Imortalidade da Alma. Introdução, leitura, notas e cartas genealógicas por H. P. Salomon e I. S. D. Sassoon. Braga, Edições APPACDM Distrital de Braga, 1995. In-4.º (24 cm) de 598, [2] p. ; [5] f. il. ; [4] mapas geneal. ; B.
1.ª edição.
"O livro há muito perdido e agora reencontrado, de Uriel da Costa, rejeita a origem divina da tradição rabínica. A sua intuição dizia-lhe que o que ele designa de «farisaismo» é irreconciliável com a religião do Pentateuco e, portanto, não pode derivar da mesma fonte. Ele assevera, por exemplo, que a Lei de Moisés não admite a crença numa vida depois da morte para os seres humanos, enquanto indivíduos. Concomitantemente, nega a origem moisaica da noção de castigo eterno. A leitura rabínica da lei moisaica parecia-lhe uma falsificação quase tão grande como a cristã. No entanto, não podia haver retorno para o cristianismo, e a pesar da sua profunda ruptura com a Sinagoga, ainda acreditava na redenção derradeira do povo judeu. Como ele tão dramaticamente declara no seu soneto final, a reabilitação de Israel dependa da sua rejeição das doutrinas feitas pelo homem, e de seu apego à Lei em toda a sua pureza."
(Resumo retirado da badana do livro)
Livro ilustrado com 5 folhas separadas do texto, impressas sobre papel couché, e 4 mapas genealógicos em folhas desdobráveis.
Tiragem: 1000 exemplares.
Índice:
Lista das Gravuras. | Prólogo. | Glossário das Palavras Hebraicas. | Abreviaturas. | Critérios de Transcrição. | Bibliografia. | Introdução: 1 - A vida de Uriel da Costa. 2 - Uriel da Costa e Leon Modena. 3 - Samuel da Silva e Leon Modena. 4 - Uriel da Costa e Samuel da Silva. 5 - Opiniões judaicas sobre a Escatologia. 7 - Consequências. | Fac-símile de Uriel da Costa: Exame das Tradições Phariseas. | Edição crítica de Uriel da Costa: Exame das Tradições Farisaicas. | 1.ª Parte: Ao Leitor; [14 Capítulos]. | 2.ª Parte: Prefácio; [20 Capítulos]. Questão. Edição crítica de Samuel da Silva: Tratado da Imortalidade da Alma. Ao Benigno Leitor; [30 Capítulos + Capítulo Último]. | Apêndice 1: Transcrição do documento escrito e assinado por Uriel da Costa em Coimbra, 8 de Outubro de 1601. | Apêndice 2: Transcrição das actas da reunião do dia 15 de Maio de 1623, dos delegados das três comunidades portuguesas, respeitante à chegada a Amesterdão de Uriel da Costa. | Apêndice 3: Exemplo da vida humana. | Índice dos Lugares Bíblicos. | Índice dos Nomes Próprios. | Índice dos Assuntos.
Uriel da Costa (ca. 1580-1640). "Escritor e pensador português nascido cerca de 1580, no Porto, e falecido em 1640, em Amesterdão. Formou-se em Direito Canónico em Coimbra. Em 1615 aderiu ao Judaísmo, mudou de nome de Gabriel para Uriel e emigrou. Devido às suas ideias que negavam a imortalidade da alma, foi repudiado pelos amigos e pela família, acabando por se suicidar. Teve grande influência na especulação filosófica de Espinosa, através do seu deísmo, que recusava todas as formas de revelação divina. São de sua autoria as obras Propostas Contra a Tradição (1616), Exame das Tradições Farisaicas (1624) e Exemplar vitae humanae (1640), uma autobiografia."
(Fonte: infopedia)
"Um canonista portuense – Uriel da Costa – converso ao judaísmo, emigrou para Amesterdão em 1616. Procurava uma sociedade em que a liberdade religiosa fosse garantida, e o convívio de muitos outros judeus portugueses, residentes na Holanda. Uriel da Costa era um «demandista» – um filósofo e, pouco depois de chegar a Amesterdão, começou a negar dois dos primeiros artigos de fé do judaísmo: a lei oral, complementar da Bíblia, e a imortalidade da alma. A ideias de Uriel provocaram enorme confusão na comunidade judaico-portuguesa, fortemente tradicionalista e farisaica. A confusão, que durou 24 anos, ficou assinalada pelo aparecimento de livros polémicos, e pela ocorrência de casos graves – culminando no suicídio de Uriel, em 1640. Nesse quase quarto de século, foram vários os escritos filosóficos, polémicos e teológicos que os tradicionalistas produziram contra o modernismo. Entre eles avulta o Tratado da Imortalidade da Alma (1623) do médico e rabino portuense Dr. Samuel Silva, amigo de Uriel, mas dele o mais sólido opositor."
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
Com interesse histórico.
40€

26 maio, 2020

REGIMENTO DOS OFICIAIS DAS CIDADES, VILAS E LUGARES DESTE REINO. Edição facsimilada do texto impresso por Valentim Fernandes em 1504 e neste ano de 1955 reimpresso pela Fundação da Casa de Bragança com prefácio do Professor Doutor Marcello Caetano. Lisboa, Fundação de Casa de Bragança, 1955. In-4.º (23cm) de 47, [3], [224] p. ; E.
Edição fac-símile do Regimento dos oficiais das cidades, vilas e lugares deste reino, excelente exemplo da utilização da imprensa, nos alvores do século XVI, "para publicação e divulgação das leis gerais do reino".
“A reforma que se estava procurando introduzir na justiça e administração locais exigia que as autoridades concelhias tivessem mais facilmente conhecimento das leis do que até aì, pois muitos municípios não possuiriam treslados, mesmos parciais, das Ordenações Afonsinas, e os pergaminhos existentes, guardados em arcas ou em sacos, eram de incómoda consulta, deterioravam-se e com facilidade se tornavam nalgumas partes ilegíveis. A reforma dos forais só seria, pois,  inteiramente proveitosa quando acompanhada de uma clara e precisa definição das leis gerais aplicáveis em todo o reino e da imposição da sua exacta observância. Nasceu daqui, segundo presumimos, a elaboração do regimento dos oficiais das cidades, vilas e lugares destes reinos, que deve ter sido organizado no decurso de 1502, visto em 22 de Fevereiro de 1503 já, como vimos, o rei conceder ao célebre impressor Valentim Fernandes o privilégio da impressão dos «livros dos Regimentos que ora mandámos fazer, para todo o reino, dos juízes e oficiais…». Cremos tratar-se, pois, do primeiro ensaio de utilização da imprensa em Portugal para publicação e divulgação das leis gerais do reino”
(Excerto do Prefácio)
Encadernação em meia de pele com cantos, e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura. Corte superior pintado de azul.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
50€

07 agosto, 2019

LIVRO DAS ILHAS. Direcção, leitura, prefácio e notas de José Pereira da Costa. [Angra de Heroísmo] - Região Autónoma dos Açores : Secretaria Regional da Educação e Cultura : [Funchal] - Região Autónoma da Madeira : Secretaria Regional do Turismo e Cultura, 1987. In-fólio (41 cm) de [8], 630, [6] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Fac-símile do Livro das Ilhas, retirado da Leitura Nova de D. Manuel I. Edição de prestígio, com grande apuro gráfico e sentido estético, belíssimamente ilustrada a p.b. e a cores com a reprodução de documentos antigos e iluminuras, alguns em página inteira.
"Não tem sido frequente ao longo dos séculos, o estudo das ilhas atlânticas no seu conjunto, pelo menos dos arquipélagos conde a colonização portuguesa deixou marcas culturais mais duradoiras. Madeira, Açores, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, não obstante a matriz institucional comum e o relacionamento social, económico e até político que conheceram, teriam destinos diferentes. A posição geográfica de cada um, a natureza dos seus povoadores, mas também o desígnio dos homens sobre eles impuseram-lhes caminhos diversos.
Todavia, a consciência da especificidade das sociedades insulares e a das características comuns que as unem remonta ao período da sua formação. Não terá sido por acaso que a leitura nova conhece um livro das Ilhas, embora nele fossem tombados alguns documentos do continente africano e até do oriente."
(Excerto do preâmbulo de António Maria de Ornelas Ourique Mendes - Angra de Heroísmo)

"A Leitura Nova deve-se a D. Manuel que, para mais fácil leitura e preservação de tão valiosos documentos, os fez copiar, depois de seleccionados e classificados, em códices que constituem, pela documentação que reunem e pela sua grandiosidade e beleza dos frontispícios iluminados, uma colecção única no género.
Neste Livro das Ilhas, cuja documentação abrange os sécs. XV e XVI, que os estudioso, Dr. José Pereira da Costa, com paciência e profundo saber, transcreveu, nela se guardam aspectos da História, não só da Madeira e dos arquipélagos portugueses do Atlântico, mas de Goa, Ceilão e das praças do Norte de África - aspectos que marcaram na Europa uma importante etapa da conquista e desenvolvimento do Novo Mundo."
(Excerto do preâmbulo de José Carlos Nunes Abreu - Funchal)
Encadernação em tela com ferros gravados a seco e a azul na pasta frontal e na lombada. Corte superior das folhas carminado. Sem sobrecapa.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
75€

07 janeiro, 2017

VIEYRA, Padre Antonio - HISTORIA DO FUTURO. LIVRO ANTEPRIMEYRO PROLOGOMENO A TODA A HISTORIA do Futuro, em que se declara o fim, & se provaõ os fundamentos della. Materia, Verdade, & Utilidades da Historia do Futuro. ESCRITO PELO... da Companhia de JESUS, Prègrador de S. Magestade. LISBOA OCCIDENTAL, Na Officina de ANTONIO PEDROZO GALRAM. Com todas as licenças necessarias. Anno de 1718. [Aliás, Lisboa, A Bela e o Monstro, Edições, 2013]. In-8.º (21cm) de [34], 379, [1] p. inc. capas (frontal, reproduz o frontispício) ; B.
Edição fac-símile comemorativa dos 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra. Impressa em papel de superior qualidade (Soporset de 80g/m2), reproduz fielmente um exemplar da edição original. Publicada póstumamente e pela primeira vez em 1718, Histórias do Futuro contém as reflexões de Vieira sobre profecias das sagradas escrituras; o discernimento e a actualidade da obra, sublinham a sua importância.
"Nenhuma cousa se pòde prometter à natureza humana mais confórme ao seu mayor appetite, nem mais superior a toda a sua capacidade, que a noticia dos tempos, & sucessos futuros; & isto he o que offerece a Portugal, à Europa, & ao Mundo esta nova, & nunca ouvida historia. As outras historias contaõ as cousas passadas; esta promette dizer as que estaõ por vir: as outras trazem á memoria aquelles sucessos publios, que vio o Mundo; esta intenta manifestar ao Mundo aquelles segredos occultos, & escurissimos que não chega a penetrar o entendimento."
(excerto do Cap. I, Declara-se a Primeyra Parte do titulo desta Historia, & quam propria he da curiosidade humana a sua materia)
António Vieira (Lisboa, 1608 - Salvador, Bahia, Brasil, 1897). "Notável prosador e o mais conhecido orador religioso português, o Padre António Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, filho primogénito de um modesto casal burguês, e faleceu na Baía em 1697. Quando tinha apenas seis anos, os seus pais mudaram-se para a Baía, no Brasil, tendo aí iniciado os seus estudos. Os jesuítas tinham sido desde sempre os portadores da cultura e civilização no Brasil, com relevo especial para os Padres José de Anchieta e Manuel de Nóbrega. Assim sendo, cursou Humanidades no colégio da Companhia de Jesus, onde revelou bem cedo dotes excecionais. Aos 15 anos, motivado pela sua fé na Virgem das Maravilhas na Sé baiana e por um sermão que ouviu sobre as torturas do Inferno, Vieira teve o seu famoso "estalo" e decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Ante a oposição dos pais, Vieira fugiu de casa e prosseguiu a sua formação, em que predominavam as Humanidades Clássicas (principalmente o latim), a Filosofia e a Teologia, com especial relevo para a Sagrada Escritura. Guiado pelos pressupostos e práticas jesuíticas, que apontavam para o objetivo primordial da salvação do próximo através da pregação, exerceu a sua função evangelizadora junto dos indígenas de uma aldeia onde passou algum tempo. Todavia, cedo regressou à capital de forma a continuar a sua formação. Ao entrar no segundo ano do seu noviciado, assistiu à brusca invasão dos holandeses na Baía, tendo de refugiar-se no interior da capitania. Começara, então, a Guerra Santa entre Portugal e os inimigos de Deus, a que Vieira não ficou alheio durante mais de 25 anos. Descrevendo estes eventos calamitosos do ano de 1624, na "Carta Ânua" ao Padre Geral em Roma, Vieira deixou claro que a sua atividade não se limitaria a ser meramente religiosa, pois os preceitos jesuíticos, que apontavam para a emulação e o instinto de luta, levavam-no a bater-se pela justiça. Em 1625 António Vieira fez votos de pobreza, castidade e obediência e, propondo-se missionar entre os ameríndios e escravos negros, estudou a "língua geral" (tupi-guarani) e o quimbundo. Foi nomeado professor de Retórica no colégio dos Padres em Olinda, onde permaneceu dois ou três anos, tendo depois voltado à Baía com o fito de seguir os cursos de Filosofia e Teologia. Ordenado padre em dezembro de 1634, depressa se avolumou a sua fama de orador e se celebrizaram os seus sermões que refletiam as vicissitudes da Baía, em luta contra os holandeses, e criticavam a ganância, a injustiça e a corrupção. Em 1641, restaurada a independência, Vieira acompanhou o filho do governador, que vinha trazer a adesão do Brasil a D. João IV, à Metrópole. Em Lisboa, começou a pregar em S. Roque e logo o seu talento se espalhou pela cidade. Segundo o testemunho de D. Francisco Manuel de Melo, a afluência às pregações era tal que, como se de provérbio se tratara, corria a frase: "Manda lançar tapete de madrugada em S. Roque para ouvir o Padre António Vieira". Cativa o favor de D. João IV, que não tardou em convidá-lo a pregar na capela real, onde ele proferiu o seu primeiro sermão no dia 1 de janeiro de 1642. Dois anos depois foi nomeado pregador régio. Nos numerosos sermões desta época da sua vida, Vieira não se cansava de animar o auditório a perseverar na luta desigual com Castela e propunha medidas concretas para a solução de problemas, inclusive de ordem económica. A sua situação privilegiada dentro da corte teria contribuído para que fosse encarregue de diversas missões diplomáticas na Holanda, França e Itália, como foi o caso do casamento do príncipe Teodósio. Em 1644, António Vieira proferiu os votos definitivos, depois de ter feito o terceiro ano de noviciado em Lisboa. A Companhia de Jesus começou a ver com maus olhos a sua influência nos destinos do país, ameaçando-o de ser expulso da Companhia. A pedido da mesma, voltou ao Brasil em 1653, para o estado do Maranhão e aí assumiu um papel muito ativo nos conflitos entre jesuítas e colonos, como paladino dos direitos humanos, a propósito da exploração dos indígenas. No ano seguinte pregou o Sermão de Santo António aos Peixes. Foi expulso do Maranhão pelos colonos, em 1661, e regressou a Lisboa. De novo na capital, D. João IV, seu protetor, havia falecido e D. Afonso VI, instigado pelos inimigos do orador, desterrou-o para o Porto e, mais tarde, para Coimbra. Perfilhando as novas expectativas sebastianistas que encontrou no reino, que se baseavam no juramento de D. Afonso Henriques, nas cartas apócrifas de São Bernardo, nas profecias atribuídas a São Frei Gil e nas famosas trovas de Bandarra, escreveu o Sermão dos Bons Anos, em 1642. Foi nesta altura que a Inquisição o prendeu sob a acusação de que tomava a defesa dos judeus, acreditava nas possibilidades de um Quinto Império e nas profecias de Bandarra. Entretanto, a situação política alterou-se. Destituído D. Afonso, subiu ao trono D. Pedro II. António Vieira foi amnistiado e retomou as pregações em Lisboa. Em 1669 parte para Roma como diplomata e obtém grande sucesso como pregador, combatendo o Tribunal do Santo Ofício. Na Cidade Eterna, continuou a defesa acérrima dos judeus e ganhou grande reputação, encantando com a sua eloquência o Papa Clemente X e a rainha Cristina da Suécia. Regressou a Portugal em 1675; mas, agora sem apoios políticos e desiludido pela perseguição aos cristãos-novos (que tanto defendera), retirou-se de vez para a Baía em 1681 onde se entregou ao trabalho de compor e editar os seus Sermões. A sua prosa é vista como um modelo de estilo vigoroso e lógico, onde a construção frásica ultrapassa o mero virtuosismo barroco. A sua riqueza e propriedade verbais, os paradoxos e os efeitos persuasivos que ainda hoje exercem influência no leitor, a sedução dos seus raciocínios, o tom por vezes combativo, e ainda certas subtilezas irónicas, tornaram a arte de Vieira admirável. As obras Sermões, Cartas e História do Futuro ficam como testemunho dessa arte."
(Padre António Vieira. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008.)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

03 dezembro, 2016

[GARRETT, Almeida] - PORTUGAL NA BALANÇA DA EUROPA; DO QUE TEM SIDO E do que ora lhe convem ser na nova ordem de coisas do mundo civilizado. LONDRES : S. W. SUSTENANCE, 1830 [aliás, Coimbra, Universidade de Coimbra, 2013]. In-8.º (16cm) de XV, [1], 338, [2] p. ; B.
Obra de referência da biblografia garrettiana.
Edição especial comemorativa dos 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra, que reproduz a edição original deste título de Garrett publicado sob anonimato, em Londres (1830). Impressa em papel de superior qualidade (Soporset de 80g/m2), reproduz fielmente um exemplar da edição original.
"Em 1830, Almeida Garrett publicava em Londres uma das suas emblemáticas obras de teor político, intitulada “Portugal na Balança da Europa - Do que tem sido e do que ora lhe convém ser na nova ordem de coisas do mundo civilizado”. Dedicando-a à Nação Portuguesa, Almeida Garrett principiou a sua obra afirmando que “É sem duvida a servidão o mais insuportável dos males e o mais abominável dos flagícios: como nascidos que somos para a liberdade, nossa própria natureza a ela repugna; a existência se nos torna indiferente, e a morte que a termina lhe deve ser preferível”.
(fonte: samueldepaivapires.com)
Como marco do nosso europeísmo, costuma, invocar-se a célebre obra de Almeida Garrett, Portugal na Balança da Europa, editada em Londres, no ano de 1830, onde, em nome da esperança, se procurava pensar enraizadamente do que tem sido Portugal e do que ora lhe convém ser na nova ordem de coisas do mundo civilizado, desejando-se: «Oxalá as honradas cãs do antigo Portugal, se já não é possível remoçá-lo, vivam ao menos em honesta e respeitada velhice; nem por impiedade de seus filhos o escarneçam desalmados estrangeiros na segunda infância da decrepitude, desonrado dos seus, insultado de estranhos, desamparado de todos! Praza a deus que todos, de um impulso, de um acordo de simultâneo e unido esforço, todos os portugueses, sacrificadas opiniões, esquecidos ódios, perdoadas injúrias, ponhamos peito e metamos obra à difícil mas não impossível tarefa de salvar, de reconstituir, a nossa perdida e desconjuntada pátria, - de reequilibrar enfim Portugal na balança da Europa!».
(fonte: www.iscsp.ulisboa.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

26 setembro, 2015

CASTELLO BRANCO, Camillo - SEGREDOS D'ALMA. Fac-simile d'um autographo do Mestre. Lisboa, [s.n. - imp. na Papelaria e Typographia Liberty, de Lamas & Franklin, Lisboa], 1914. In-4º (25cm) de 8 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Tiragem: 110 exemplares.
A respeito desta obra, e com a devida vénia, reproduzimos a descrição que dela faz Miguel de Carvalho no seu excelente catálogo «Descrição Bibliográfica Camiliana»:
“O autógrafo reproduzido consiste numa poesia datada e subscrita: Porto 8 de Janeiro de 1855 e vem antecedido de uma introdução não assinada mas que se sabe ser da autoria de Joaquim Madureira (Braz Burity). A edição, cujos exemplares são hoje muito raros, foi confinada apenas a 110, impressos em excelente papel Wathman e todos numerados [o presente com o número 35] e acompanhados de um retrato de Camilo impresso sobre papel couché.”
                                    ..................................
"Em mãos de bibliophilos, de collecionadores , de curiosos, de amadores e até de indifferentes, andam autographos - uns ineditos, na sua belleza romantica, como esse que inedito se nos afigura e em fac-simile se reproduz n'esta planqueta, outros talvez impublicaveis na sua rispida intimidade. [...]
Com todos esses materiaes poder-se-ia formar ainda um volume ou volumes de «Camillo Posthomo» e o producto d'essa edição poderia ser como que o fundo da subscrição para o seu monumento - como para esse fundo - gota de agua no oceano - é a receita integral d'estes cento de dez exemplares que mão amiga, carinhosa mão de um obscuro e enthusiasta admirador de Camillo, hoje offerece, commemorando o vigesimo quarto anniversario do seu passamento, a cento e dez admiradores do Mestre dos Mestres."
(excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Conserva na lombada as fitas cruzadas, em vermelho, servindo de costura.
Muito invulgar.
Peça de colecção.
Indisponível

07 março, 2015

MELLO, D. Francisco Manuel de - DOZE SONETOS POR VARIAS ACCIONES. Nota introdutória de Raul Rego. Lisboa, O Mundo do Livro, 1960. In-8.º (20cm) de XII, [2], 15, [3] p. ; B.
Edição fac-símile desta pouco conhecida obra de D. Francisco Manuel de Melo, mas nem por isso menos interessante.
Valorizada pela dedicatória autógrafa de Raul Rego.
"Os sonetos que vão correr novamente dos prelos após mais de três séculos, são as primícias literárias de um dos maiores engenhos nascidos na terra portuguesa. Tinha D. Francisco Manuel de Melo 20 anos.
Serão os primeiros versos que escreveu? Com certeza que não, mas são os primeiros que subsistem."
(excerto da nota introdutória)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

05 dezembro, 2014

CHIADO, António Ribeiro - PRÁTICA DE OITO FIGURAS. [Prefácio de] Maria de Lourdes Belchior Pontes, Doutora em Filologia Românica. Lisboa, O Mundo do Livro, 1961. In-8º (21cm) de 14, [2], [2] p. ; [18] p. fac-sim. ; il. ; B.
Edição fac-símile impressa em papel de qualidade superior. Reprodução do exemplar existente na Biblioteca Nacional de Lisboa.
Tiragem de 1000 ex.
"Simples conversa entre oito figuras, "esta obra não tem enredo e não constitui propriamente uma comédia", segundo Alberto Pimentel, in Obras do poeta Chiado, colligidas, annotadas e prefaciadas por Alberto Pimentel, Lisboa, 28 de março de 1889.
A prática começa com um monólogo de Paiva a respeito dos vícios do paço, lugar cheio de hipocrisia, malícia e traição. De seguida, estabelece-se um diálogo entre o Paiva e o Faria (moço do Dono da Casa) sobre assuntos vários: a vida que levam com os amos, projetos para o futuro, entrada na vida eclesiástica, etc.
Entretanto, várias figuras - Ambrósio da Gama, o Negro, Lopo da Silveira, Gomes da Rocha, o Capelão e Aires Galvão - vão entrando sucessivamente e vão enriquecendo a conversa.
Dividida em duas partes, esta prática encerra temas diversos que assentam na desmistificação das instituições sociais e dos costumes do século XVI.
Assim, a conversa vai tomando rumos diferentes, deixando de lado as preocupações de carácter mais concreto para abordar assuntos mais profundos como os da conjuntura política, o desconcerto do mundo, a fugacidade das coisas, a precariedade da amizade, a venalidade, a cobiça, a vaidade dos homens e a vivência pouco cristã."

(in  http://www.infopedia.pt/$pratica-de-oito-figuras)
António Ribeiro (?-1591). "Conhecido por Poeta Chiado, nasceu em Évora em data desconhecida, cidade onde professou pela Ordem dos Franciscanos, e faleceu em Lisboa em 1591, para onde veio após ter abandonado a vida religiosa. Contemporâneo de Camões que o menciona como poeta engenhoso num dos versos do Auto de El Rei Seleuco, desenvolveu sobretudo a poesia jocosa e a sátira, através da descrição de quadros flagrantes da vida social do período em que viveu, tendo afinidades literárias com Gil Vicente.A estátua em bronze, da autoria de Costa Motta (tio), com plinto quadrangular em pedra lioz de José Alexandre Soares, foi colocada por iniciativa da vereação municipal, que desta forma quis prestar homenagem a António Ribeiro, conhecido com o nome de uma das mais conhecidas zonas de Lisboa, o Chiado, por aí morar. Alguns grandes nomes da cultura literária do princípio do século XX, como Aquilino Ribeiro, Teixeira de Pascoais e Raul Brandão manifestaram-se contra, argumentando que outras figuras seriam mais merecedoras de uma homenagem por parte do município lisboeta. Consideravam que a fama de poeta popular, arruaceiro, boémio, praguento e chocarreiro mas no entanto, talentoso, que António Ribeiro granjeava, não eram razões suficientemente válidas para justificar a colocação de um monumento em sua homenagem, numa praça de tradição cultural, junto de teatros e de duas outras estátuas de figuras das letras nacionais: Camões e Eça de Queiroz. O poeta retratado envergando o hábito de monge que se julga nunca ter abandonado, aparece numa postura de animada conversa, parecendo interpelar quem passa."
(TRINDADE, Laura, http://www.lisboapatrimoniocultural.pt/artepublica/eescultura/pecas/Paginas/Chiado.aspx)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas sujas com defeitos.
Pouco vulgar.
10€

26 novembro, 2014

GRAVURAS DE CAMILO NA IMPRENSA NACIONAL DE LISBOA. Lisboa, Imprensa Nacional, 1925 [aliás, 1982]. In-fólio (32,5cm) de [24] p. inum. ; toda il. ; B.
Bonita reprodução facsimilada da edição publicada em 1925 por ocasião do centenário natalício de Camilo Castelo Branco.
Ilustrada com um elevado número de retratos de Camilo, bem como da fachada de sua casa.
Capa: Retrato de Camilo por Alfredo Moraes.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

28 maio, 2013

OSÓRIO, D. Jerónimo – CARTA À RAINHA DA INGLATERRA. Introdução de José V. de Pina Martins. Crítica e modernização do texto, tradução e notas de Sebastião de Pinho. Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981. In-4º (24cm) de 249, [5] p. ; il. ; B. Colecção Autores Clássicos
1ª edição.
Capa de Fausto Rocha
Tiragem: 1000 exemplares.
Contém fac-símile da edição em latim.
Edição sob os auspícios do Comissariado para a XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura do Conselho da Europa.
“A Epistola Hieronymi Osorii ad Serenissimam Elisabetam Angliae reginam, publicada pela primeira vez na bela e rara edição de 1562, que agora se reproduz anastaticamente e se verte em português também pela primeira vez, circulou pela Europa em tradução francesa desde 1563 e inglesa desde 1565, tendo tido, até ao século XVIII, 16 edições em latim, 7 em francês e 3 em inglês.
[…]
O valor deste livro situa-se, porém, num outro plano, o do que significa o texto em relação aos propósitos do seu autor e o que ele é em si mesmo, pelo que diz, pelo que se propõe e pelos juízos que suscitou através da sua leitura. […] A respeito, ainda, da epístola, escreve o talentoso prosador Luís de Almeida Braga: «Em carta à rainha Isabel de Inglaterra, convidando-a a voltar à segurança da doutrina católica, sua fluida e ciceroniana eloquência como uma espada de fogo brilha e atravessa o coração.» Esta eloquência «fluida e ciceroniana», contudo, não foi de molde a convencer a real personalidade a quem se dirigia, nem mesmo os seus conselheiros, que se sentiram alvejados pelas alusões de Osório. Daí que o juízo formulado pelos Ingleses, directamente empenhados ou não na Reforma anglicana, tenha sido caracterizado pela falta de objectividade. Eles não podiam deixar de reconhecer a superioridade estilística do humanista português, mas isso era-lhes pretexto para diminuírem o valor da doutrina. […] Como quer que seja, o resultado da diligência, ainda que a epístola tenha sido, no seu género, uma obra-prima até de diplomacia, foi nulo. Isabel de Inglaterra levou ainda mais longe a Reforma anglicana, tendo afastado irreparavelmente de Roma a Igreja britânica, já dela antes separada, e acentuou mais profundamente, para nos servirmos de uma imagem de Osório, o rasgão da túnica de Cristo.”
(excerto do prefácio)
D. Jerónimo Osório (Lisboa, 1506-Tavira, 1580). “Humanista e teólogo português de projeção internacional. D. Jerónimo Osório foi um humanista que soube associar a mundividência cristã ao seu interesse pelos problemas sociopolíticos do tempo. Neste sentido, foi também um político e um contra-reformista, como se vê pela suas obras de cariz histórico, pedagógico, e de exegese bíblica. O grande domínio do latim, por parte do autor, facilitou o conhecimento directo da sua obra que, compreendendo escritos filosóficos, teológicos, políticos e mesmo históricos, se tornou um objecto de grande interesse para um melhor conhecimento da época em que foi escrita. Os seus livros foram publicados e apreciados em vários países, conhecendo edições sucessivas ainda no século XVI.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente oxidadas.
Invulgar.
15€