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16 novembro, 2025

FERREIRA, Reynaldo -
PUNHAES MISTERIOSOS / O FANTASMA BRANCO.
Romance de Aventuras / AS CHAVES DO PARAIZO. Romance de Aventuras. Colecção «Leituras Modernas». Lisboa, Edição de João Romano Torres & C.ª, [1926]. In-8.º (19x13 cm) de 172, [4] p. (I) - 156, [4] p. (II) - 139, [5] p. (III) ; E.
1.ª edição independente.
Trilogia aventurosa em edição original (completa), de Reinaldo Ferreira, o famoso Repórter X, publicada no mesmo ano (1926), encadernada num único tomo.
"Aventurosa, romântica e com um toque de exotismo e mistério, esta história é protagonizada por um jovem oficial do exército espanhol (Carlos Insúa) que se perde de amores por uma mourita encantada (Zami) no icónico Palace Hotel do Buçaco, pondo em marcha várias peripécias que transportam o leitor até Madrid, Barcelona e aos confins de Marrocos.
Escrita em Espanha, foi publicada em Portugal entre agosto e novembro de 1924, nas páginas do matutino Correio da Manhã, com o título Punhais Misteriosos e a assinatura de Edgar Duque, outro dos pseudónimos de Reinaldo Ferreira, antes de adotar o definitivo Repórter X. A trama foi adaptada ao cinema pelo próprio Reinaldo, mas o filme fracassou comercialmente e acabou por se desaparecer quase sem deixar rasto.
O folhetim ainda ressurgiu em forma de livro, em 1926, numa edição em três volumes de bolso, mas não voltou a ser publicado."
Obra recentemente reeditada pela Pim, é um claro exemplo da fértil imaginação do seu autor.
"Perdido entre a matta de arvoredos misteriosos e seculares e em contraste violento com a solidão do Bussaco - o Palace-Hotel ergue-se como uma cathedral de marmore, muito branca e rendilhada... Poucos portuguezes o conhecem e frequentam; mas de todos os pontos da terra chegam diariamente dezenas de estrangeiros que veem atrahidos pela fama romantica do sitio e que se installam, com confortos commodistas e luxuosos de Quinta Avenida - no meio de uma das regiões mais bellas e despovoadas de Portugal.
N'aquella noite de primavera que ainda se não entende com o verão, o grande salão do Palace aquecido e tépido estava apinhado por uma multidão cosmopolita, variada e pitoresca... Os homens, como que uniformisados, vestiam todos smocking - um smocking gasto, um smocking de quem está habituado a usál-o diariamente... Havia inglezes, sombrios, separados pelo orgulho do resto dos hospedes; havia allemães novos ricos, regressados de aventurosas viagens ao novo mundo; havia francezes barbudos; italianos de bigodeira de gendarme e ar de dançarinos de tango. Havia até, n'um recanto distanciado os fez vermelhos de dois marroquinos... Um d'elles tinha já os primeiros pós de prata a embranquecerem-lhe as frontes... Era alto, forte d'uma elegancia natural, um segredo mal occulto de dominio e despotismo... O fez conico e de côr de sangue era como que um vestigio do seu poderío por essas terras mussulmanas; mas o seu trajar, as suas attitudes eram d'um europeu de requintada civilisação...
O outro, o que se sentava a seu lado, hirto, com os olhos de fogo, perscrutantes - era mais novo, mais plebeu, menos distincto... Estavam ambos immoveis como duas figuras decorativas collocadas alli pelo bom gosto do arquitecto..."
(Excerto de Punhaes misteriosos - I - No meio da noite...)
Reinaldo Ferreira (Lisboa, 1897-1935). "Nasceu em Lisboa a 10 de agosto de 1897. Em 1914, ingressou na redação d’ A Capital, onde deu os primeiros passos no jornalismo. A propensão para o insólito, para o espetacular, levou-o a tornar-se também um verdadeiro mestre da literatura policial. Em 1919, casou-se e passou um ano em Paris, antes de se radicar em Espanha, onde, além do jornalismo e da ficção, desenvolveu outra vertente do seu talento multifacetado: o de realizador de cinema. Em rota de colisão com o regime de Primo de Rivera, em 1924 teve de regressar a Portugal, para não ser preso, passando a colaborar com várias publicações de Lisboa, primeiro, e do Porto, a seguir. Data dessa altura a gralha tipográfica que ditou o pseudónimo Repórter X, com que assinou algumas das prosas mais sensacionais da sua carreira tão breve quanto prolífica. Intenso por natureza, Reinaldo consumiu a vida com a avidez da paixão que faz perder os heróis trágicos. Tendo encontrado na morfina um bálsamo para males de amor e combustível para a criação, ex-morfinómano se confessou num belo livro de memórias, para logo depois reincidir no velho hábito, que destruiu o pouco que lhe restava da saúde débil. Morreu aos 38 anos, em Lisboa, a 4 de outubro de 1935."
(Fonte: Wook)
Encadernação simples, meia de percalina lisa, com fantasia geométrica recobrindo as pastas. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta insignificante trabalho de insecto nas primeiras páginas do I Volume junto as festo, sem prejuízo do texto.
Raro.
75€

21 maio, 2025

MÜNCHLAUSEN, Karl von -
AVENTURAS PASMOSAS DO CELEBRE BARÃO MUNKAUSEN, que contém hum resumo de viagens, campanhas, jornadas e aventuras extraordinarias; igualmente a descripçaõ e huma viagem á Lua e canicula.
Traduzido do inglez. Nova ediçaõ. Lisboa. M. DCCC.XXXV. Na Typographia Rollandiana. In-8.º (15,5x11 cm) de XV, [1], 126 p. ; B.
Conjunto de histórias de aventuras extraordinárias, obra de referência da literatura Fantástica e de Ficção Científica.
"Nunca houve aventuras como as do Barão de Munchausen. São também as mais incríveis narrativas de viagem de que se tem notícia. Munchausen nasceu em 1720, foi tenente, capitão de cavalaria, serviu num regimento russo e lutou em duas guerras turcas – além de ter carregado sua imaginação por Cairo, Londres, Gibraltar, pelo Ceilão, África, e uma infinidade de lugares, incluindo a Lua e o centro da Terra. Depois de doze anos de serviço militar, aposentou-se. Nas recepções em sua casa em Hanover, na Baixa Saxônia alemã, gostava de ntreter os amigos com suas histórias. Entre os ouvintes, estava o bibliotecário Rudolf Erich Raspe (1736 - 94), a quem se atribui a autoria de parte dos relatos do Barão. Mas Munchausen, o personagem, se tornou maior."
(Fonte: Fnac)
A BNP não menciona esta edição de 1835, apenas uma outra de 1847.
"O Barão Munkausen tem sem duvida feito grande beneficio ao Mundo Litterario, sendo tal o numero de viajantes faltos de fé, que até era necessario hum Gulliver em pessoa para os exceder. Se o Barão de Tott valerosamente deo fogo a huma enorme peça de Artelharia, o nosso Barão fez mais, pois passou com ella a nado a travez do Oceano. Quando os viajantes pertendem ser os heroes da sua propria historia, devem necessariamente admittir superioridade, e envergonharem-se de serem excedidos por Munkausen. [...]
O Barão na seguinte obra parece ás vezes philosophico: a sua descripção da lingoa do interior da Africa, e a sua analogia com a da Lua, o faz ver como perfeitamente versado nas antiguidades etymologicas das Nações, e aclara a occulta historia dos antigos Scythas e outros povos."
(Excerto do Prefacio)
"Hum amigo, e parente meu me persuadio embarcar em huma viagem de descobertas, pois elle se persuadia que neste globo havia habitantes de igaul grandeza como os que Gulliver descreve no Imperio de Brobdingnag. Eu da minha parte sempre tratei esta historia como fabula; porém para lhe fazer a vontade, pois me tinha estabelecido seu herdeiro, embarquei em hum navio destinado para o mar do Sul, onde chegámos se encontrar couza notavel, excepto vermos alguns homens, e mulheres que jogavão ao Exo Baldexo, e dansavão minuetes no ar.
No decimo-outavo dia depois de termos passado a Ilha Otaheite, de que o Capitão Cook tanto fallou, e d'onde elle trouxe Omai, atacou hum furacão o navio com tal violencia, que pelo menos o fez subir mil legoas acima da superficie do mar, onde o conservou até vir hum vento fresco, que nos encheo as velas, e empurrava o navio para diante com incrivel velocidade: desta sorte navegámos na atmosfera acima das nuvens pelo espaço de seis semanas. Finalmente vimos terra, que parecia ser huma grande, e brilhante Ilha de figura circular, onde vendo hum Porto conveniente entrámos, e démos fundo; e baixando a terra a achámos habitada. Aqui vimos figuras estupendas montadas em Abutres de enorme grandeza, cada hum com tres cabeças. Para vos dar alguma idéa destas aves devo informar-vos que cada aza tinha a mesma largura que seis vezes a largura da vela grande do nosso navio, que era de seiscentas toneladas. Assim em lugar de andarem a cavallo como nós, voão de huma parte para outra nestas aves, os habitantes da Lua (pois achámos que nella estavamos). O Rei estava em guerra com o Sol, e offereceo-me hum commando do qual me escusei."
(Excerto de XI - Huma visita (accidental) á Lua...)
Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen (1720-1797). "Foi um militar e senhor rural alemão. Os relatos das suas aventuras serviram de base à célebre série As Aventuras do Barão de Münchhausen, compiladas por Rudolph Erich Raspe e publicadas em Londres, originalmente, em 1785. São histórias fantásticas e bastante exageradas, veiculadas sobretudo na literatura juvenil. Trata-se de um personagem que se equilibra entre a realidade e a fantasia, no seu próprio mundo, desenvencilhando-se dos mais diversos perigos com bravura e à custa de fugas impossíveis.
Nascido em Bodenwerder, durante a juventude Münchhausen serviu como pajem de Anthony Ulrich II, Duque de Brunswick-Lüneburg, e mais tarde entrou para o exército russo, onde serviu até 1750, participando em particular de duas campanhas contra os turcos. Ao retornar para casa, começou a espalhar várias histórias extremamente exageradas sobre suas aventuras; ganhou a fama de maior mentiroso do mundo.
De acordo com as histórias, contadas e recontadas, os feitos incríveis do Barão incluíram viagens em bolas de canhão, jornadas à Lua, e, a mais famosa, a fuga de um pântano ao puxar a si mesmo pelos próprios cabelos(!) - ou pelos atacadores das botas(!), dependendo da versão. Muitos utilizam esta última narrativa para, por analogia, mostrar a tolice que se é tentar sair de uma situação difícil sem a ajuda de alguém, apenas por si mesmo. O filósofo alemão Nietzsche fez uma referência a essa história no aforismo 21 de Além do bem de do mal, contrariamente à tese do livre-arbítrio.
Os relatos incríveis levaram o bibliotecário alemão Rudolf Erich Raspe (1736-1794) a redigir As Loucas Aventuras do Barão de Münchhausen, publicado pela primeira vez em Londres (1785), salvo uma coleção anónima de 1781, sob suspeita que o próprio Rudolf a tenha escrito. Conta-se que Rudolf acrescentou outros eventos bizarros, que o próprio Münchhausen achou exagerados."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Envelhecido. Recoberto por capa de protecção recente, em cartolina, com título, autor e ano manuscritos. Aparado à cabeça. F. rosto apresenta assinatura de posse e falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro.
Peça de colecção.
85€

02 agosto, 2023

SÉLÈNES, Pierre de -
UN MUNDO DESCONOCIDO : dos años en la Luna.
Ilustraciones de Gerlier. Barcelona, Montaner y Simón, Editores, 1898. In-4.º (24,5x16,5 cm) de [2], 358, [4] p. ; il. ; E.
1.ª edição espanhola.
Interessante romance de ficção científica - sequela não autorizada de Da Terra à Lua, de Júlio Verne - da autoria de Pierre Sélènes, pseudónimo literário do escritor francês Ali Bétolaud de la Drable (1856-1919).
Nesta aventura passada na Lua, Sélènes recupera os personagens de Verne para a Utopia Subterrânea dos Meolicenes, cuja civilização superior possui meios e tecnologia avançada.
Versão em língua castelhana deste romance originalmente publicado em França com o título Un Monde Inconnu : deuax ans sur la Lune (1896), nunca vertido para português.
Livro ilustrado com belíssimos desenhos no texto e em página inteira de Gustave Gerlier (1826-1898), litógrafo e gravador francês, natural de Paris.
Encadernação editorial com bonito desenho de estrutura lunar com cúpula envidraçada gravado na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

25 setembro, 2022

HIRE, Jean de la - O HOMEM-PEIXE.
Grande romance inedito d'aventuras e d'amor. Versão de João d'Oliveira. Volume I [Volume II]
. Paris : Lisboa, Livraria Aillaud e Bertrand : Aillaud, Alves & C.ª - Rio de Janeiro : S. Paulo : Belo Horizonte, Livraria Francisco Alves, [190-]. 2 vols in-8.º (20,5 cm) de 201, [1] p. (I) e 188 p. (II) ; B.
1.ª edição.
Capa de Moraes. (Alfredo de Morais (1872-1971)).
Curioso romance de ficção científica, sem data, publicado em Lisboa no início do século XX.
"Estamos na parte occidental do Mediterraneo, na pequena ilha de Cabrera, pertencente ao archipelago das Baleares.
São sete horas d'uma tarde de dezembro.
A custo se distingue o vulto esbranquiçado d'uma casa, de cujas duas janellas saem jactos de luz que rasgam as trevas já densas. As vagas alterosas assaltam com furia o rochedo em que assenta aquella casa. A ventania silva lugubremente nas anfractuosidades da penedia...
Em torno da casa, pela ilhota fragosa e selvagem, estendia-se o deserto no meio d'esse outro deserto ainda mais horivel, o mar revolvido pela borasca.
De subito, por entre o estrondear dos vagalhões e do vento, ouviu-se um tiro.
E no mesmo instante um homem, tendo na mão um revolver fumegante, saiu da escuridão mysteriosa e parou defronte da casa, banhado pela facha luminosa que irrompia d'uma das janellas.
Cobria-o uma capa negra e tinha o rosto completamente escondido n'um capuz."
(Excerto do Prologo - Moysetta e a criança sem nome)
"[...] - Precisamos d'um rapaz! Era eu então parocho d'uma pequena aldeia do sul da França. Entre as penitentes que se ajoelhavam deante do meu coneffionario havia uma menina que fôra vergonhosamente seduzida por um estudante da visinha cidade de quem jàmais soube o nome e que desapparecera. A miseria, que pertencia a uma rica familia burguesa, temi a deshonra. Prometti salval-a com a condição de me ceder a criança á nascença, e de nunca mais pensar n'ella... Não era ainda mãe; d'ahi o seu consentimento. Empregando razões d'ordem religiosa convenci os paes d'essa menina a internal-a por cinco mezes n'um convento, cuja superiora me era dedicada. Deu á luz um rapaz e voltou para a familia com a honra salva... Enlouquecendo em seguida desappareceu... Levei a criança e entreguei-a a Oxus.
Severac estremeceu e deitou a Oxus um olhar e admirativo espanto; mas o sabio com os olhos sempre cerrados, tinha a pallidez, a impassibilidade, a immobilidade do marmore. E de novo se ouviu a voz de Fulbert.
- Oxus recebeu o rapaz. Por processos por elle inventados, fel-o cair em catalepsia, abriu-lhe o corpo, adaptou-lhe as guelras e todo o apparelho respiratorio d'um pequeno tubarão vivo e durante dois compridos annos, minuto a minuto, seguiu a progressão d'aquelle enxerto homo-animal... Aos dois annos e um mez reconheceu-se que a criança modificada, a criança-peixe o Hictaner, podia indifferentemente viver na agua e em terra, esde que a estada fóra do elemento liquido não excedesse uma duração continua no maximo de quarenta e oito horas. Assim, era mais aquatico que terrestre... Tinhamos o que necessitavamos..."
(Excerto do Cap. II - O Desconhecido e Moysetta)
Jean de La Hire (pseud. do Conde Adolphe d'Espie) (1878-1956). Foi um prolífico escritor francês. Autor de romances de aventuras, dedicou-se sobretudo ao género fantástico e à ficção científica.
Exemplares brochados em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos marginais.
Raro conjunto.
50€

12 maio, 2022

SALGARI, Emilio - Á CONQUISTA DO POLO NORTE.
Romance de Aventuras. Tradução directa do italiano por Henrique Marques. Lisboa, João Romano Torres, [1931]. In-8.º (19 cm) de 138, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Viagem mítica ao Pólo Norte, por E. Salgari, autor de culto deste género de literatura, que circula entre o fantástico e a aventura.
Trata-se da incomum edição original em português.
"No mar Branco ha poucos gêlos quebradiços e esses não podem opor a menor resistencia.
O tempo está escuro; as nuvens que cobrem a abobada celeste dão uma nota de tristeza indefinida e tingem de cinzento as aguas do mar, com reflexos côr de aço; mas o vento é bom e as ondas que descem do Ártico não teem a violencia que adquirem nas borrascas A Estrela Polar avança audaz, de vélas ao vento, emquanto as caldeiras ainda acesas mugem surdamente, fazendo gemer os costados de madeira da antig baleeira.
S. A., na tolda, olha atentamente para o norte; parece procurar os gelos com os quais está ansioso por se medir.
Os seus oficiais acompanham-no interrogando o horizonte com os oculos de longa vista. Tambem eles procuram os fantasmas brancos da região ártica."
(Excerto do Cap. I - O mar Branco)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeito e pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
15€

16 outubro, 2021

ROSADO, José - SETE MULHERES NUMA ILHA.
Romance de aventuras
. [Lisboa], Edição Romano Tôrres, [194-]. In-8.º (19,5 cm) de 141, [3] p. ; B. Colecção Romance de Aventuras, 158
1.ª edição.
Novela de José Rosado, autor de culto deste tipo de literatura, que também conta na sua biblliografia com incursões no género fantástico/ficção científica, por norma, utilizando o pseudónimo "Charles Hamond".
"O «Modern College» - nome sintomático com que «mistress» Taylor denominou o seu colégio para meninas milionárias, na democrática Washington - era, o ano passado, se não o melhor, um dos mais caros e luxuosos dos Estados-Unidos, e onde as internadas recebiam educação esmerada e completa, que lhes permitia ser na vida prática qualquer coisa que não se assemelhasse a modestas boas donas de casa...
Aprendia-se ali, entre muitas coisas de menor importância, o «foot-ball», ténis, «water-polo», «cricket», «golf», equitação, automobilismo, aviação e, de vez em quando, estudava-se Aritmética [...] e pouco mais, porque, para «mistress» Taylor - inglesa autêntica de exportação («made England») com óculos e mais acessórios de educação diplomada - o Mundo era, apenas, a América e a Inglaterra.
A sua «universidade», fundada havia cinco anos, com um sistema tão modelar de educação desportiva - a única que vinga neste século do Músculo e da Fôrça! - progredia de ano para ano, chegando a contar, no início desta novela, cento e quinze meninas das melhores famílias dos Estados-Unidos... [...]
Descrever um colégio de meninas, como o «Modern College», não é tarefa fácil para quem nunca o freqüentou, e isso está vedado ao sexo forte - como um serralho o está também a qualquer cavalheiro que não seja o sultão - mas «mistress» Taylor, que é uma pessoa amável, vai abri-nos e par-em-par as portas do seu colégio modêlo e guiar-nos através das suas labirínticas dependências..."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado, com defeitos e pequenas falhas marginais.
Muito invulgar.
Indisponível

11 agosto, 2021

HAMOND, Charles - A CIDADE SUBTERRÂNEA : romance de aventuras.
Versão livre de José Rosado
. [Lisboa], Edição Romano Tôrres, [1945]. In-8.º (19 cm) de 93, [3] p. ; B. Colecção «Romance de Aventuras», N.º 175

1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica nacional, publicado na popular Colecção Salgari da Romano Torres.
De acordo com a Biblioteca Nacional, o autor do livro é José Rosado, o "tradutor", que utiliza o pseudónimo Charles Hamond.
"O que se passou com o primeiro grupo de tripulantes e passageiros do «Libânia» desembarcados na ilha sem nome , do qual faziam parte o imediato Sidney, Walter Garden e os irmãos Fleming, foi precisamente o mesmo que aconteceu ao segundo grupo, desembarcado horas depois.
Em breve saberemos o que se passou com o imediato Sidney e os seus companheiros. Por ora, vamos saber onde lavaram o grupo do capitão Homes...
- Tirem-lhes as vendas! - disse uma voz.
Seguidamente, algumas mãos tiraram os lenços que cingiam as cabeças dos cinco homens.
O capitão Homes esfregou os olhos, abrindo-os pouco a pouco.
O recinto onde se encontrava com os quatro marinheiros assemelhava-se a uma praça pública iluminada a jorros com lâmpadas eléctricas, que se sustinham em fios cruzados num teto com quinze metros de altura e que parecia construído com enormes blocos de carvão de pedra.
Em volta da praça - cujo chão era negro e brilhante - via-se um elevado número de portas e janelas donde jorrava luz."
(Excerto do Cap. V - A cidade subterrânea)
Índice:
I - Um estranho radiograma. II - Onde se procura uma ilha. III - A ilha sem nome. IV - O mistério da ilha sem nome. V - A cidade subterrânea. VI - A narrativa de James O'Sullivan. VII - A galeria da morte. VIII - Quarenta horas de incerteza. | Epílogo.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

20 outubro, 2018

HAMOND, Charles - A VOLTA AO MUNDO EM 16 HORAS : romance de aventuras. Versão livre de José Rosado. [Lisboa], Edição Romano Tôrres, [1944]. In-8.º (19 cm) de 102, [2] p. ; B. Colecção «Romance de Aventuras», N.º 171
1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica nacional, publicado na popular Colecção Salgari da Romano Torres.
De acordo com a Biblioteca Nacional, o autor do livro é José Rosado, o "tradutor", que utiliza o pseudónimo Charles Hamond.
"Em plena «Broadway» - no coração de Nova-Iorque - no décimo-quinto andar dum dos seus edifícios, encontra-se instalado o «Clube dos Inventores» - uma das mais originais agremiações particulares de todo o mundo. Reúnem-se ali, tôdas as noites, os mais estranhos personagens da grande metrópole americana, divagando sôbre os temas mais extraordinários que possam despertar a curiosidade crescente do mundo científico.
Além dos trinta mil associados inscritos no «Clube dos Inventores», dos quais fazem parte as maiores sumidades da Engenharia mundial, contam-se ainda duas dezenas de milhares de sócios beneméritos.
Ao entrar nas salas daquela colectividade científica tem-se a impressão do contacto com um mundo diferente em que nos habituamos a viver, porque, ali, tudo é estranho e novo.
Começaremos por dizer que, no «Clube dos Inventores», não há criados; e, contudo, quem lá entra não deixa de ser atendido convenientemente, como se estivesse num dos melhores clubes mundanos.
Tudo - ou quási tudo - é automático.
Botões eléctricos espalhados por tôda a parte, ao receberem o contacto dos dedos, fazem accionar mil-e-um aparelhos das mais variadas configurações e que se prestam aos mais caprichosos serviços."
(Excerto do Cap. I, O Clube dos Inventores)
Índice:
I - O Clube dos Inventores. II - Um almôço original. III - O Lago Salgado. IV - O «Ponto de Exclamação». V - Rankin entra de novo em cena. VI - Um adiamento inesperado. VII - Depois da tempestade. VIII - A largada. IX - Onde aparece Rankin. X - A grande etapa. Epílogo duma grande aventura.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
20€

18 fevereiro, 2018

SALGARI, Emilio - AS MARAVILHAS DO ANO DOIS MIL : romance de aventuras. Traducção do Dr. Carlos José de Menezes. Lisboa, João Romano Torres & C.ª, [1927]. In-8.º (19 cm) de 184 p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica, originalmente editado em Itália (1907). Trata-se da narrativa de uma viagem ao futuro, e é considerada a mais importante obra de ficção protocientífica italiana e, seguramente, das mais invulgares publicadas neste género literário.
"Em uma manhã dos ultimos dias de setembro do ano de 2003, tres homens subiam lentamente o rochedo de Retz, ajudando-se uns aos outros para treparem ás rochas, porque não havia nem sombra de caminho.
O primeiro era um homem já grisalho de entre cincoenta e sessenta anos, comtudo ainda vigoroso, sem barba e sem bigode, com os braços e as pernas muito compridos, em proporção ao tronco, com uma poderosa musculatura e os olhos muito dilatados, quasi brancos.
Os outros dois eram mais novos a sua duzia de anos, igualmente bem desenvolvidos, com musculos poderosos e os olhos tambem brancos e átonos.
Em todos tres se observava um desenvolvimento absolutamente extraordinario da cabeça, especialmente da fronte."
(Excerto da Parte Segunda, Cap. I, Uma ressurreição milagrosa)
Emílio Salgari (1863-1911). Escritor italiano. “O veronês Emilio Salgari foi, ao longo de um século, leitura iniciática e obrigatória para gerações de jovens ávidos de aventuras exóticas. Em Itália, a sua vasta obra foi mais lida que a de Dante – de estudo obrigatório nos liceus – e ainda hoje, quase um século após a sua morte, permanece como um dos 40 autores italianos mais traduzidos. Não sendo, decididamente, um grande autor – foi sempre ignorado pela crítica –, é um clássico sucessivamente reeditado ou transposto para o cinema. Fenómeno de longevidade, concitou recentemente o interesse de estudiosos das paraliteraturas.
Salgari aprendeu os rudimentos da arte de navegar num navio-escola de cabotagem do Adriático, passando a utilizar abusivamente o título de «capitão» ao longo da vida. A sua autobiografia, relato de supostas aventuras nos mares do Oriente, ter-lhe-ia inspirado a galeria de heróis destemidos que enchem os quase 90 romances de sua autoria e os 50 apócrifos publicados após a sua morte pelos seus filhos Omar e Nadir, bem como por Luigi Motta. É pacífico, porém, que Salgari jamais sulcou outros mares que os da sua febril imaginação e nunca conheceu outros piratas senão os sucessivos editores que o exploraram ao longo de uma vida de indizíveis privações e que o levariam a um suicídio digno da aura de exotismo que toda a vida cultivou: cometeu um arremedo de hara-kiri.
Os jornais estrangeiros, a literatura de viagens e enciclopédias inspiraram os enredos aventurosos dos quatro principais ciclos da produção (Piratas da Malásia; Corsários das Antilhas; Corsários das Bermudas; Far-West). Os seus heróis são proscritos, fora-da-lei ou «bárbaros» perseguidos pela avidez de colonizadores «civilizados», denunciando o fundo libertário da visão salgariana de um mundo então eurocêntrico, racista e imperialista. Sandokan, um príncipe malaio acolitado pelo português Yanez de Gomera (!), pelo audaz bengali Tremal-Naik e pelo jovem marata Kammamuri movem ao pérfido «rajá branco» de Sarawak, o famigerado James Brooke, uma guerra sem quartel; o Corsário Negro e o Captão Morgan dedicam a sua vida à luta contra os ávidos colonizadores das Caraíbas, enquanto os corsários das Bermudas, ao serviço da causa independentista norte-americana, desbaratam sucessivas esquadras britânicas. A prolixa galeria de figuras e enredos de Salgari inscreve também, em tantos outros romances isolados, a temática canónica do género aventureiro: naufrágios, expedições a regiões inóspitas, quadros históricos, civilizações desaparecidas e mesmo uma incursão aos domínios da ficção protocientífica. Nas suas Maravilhas do ano 2000, a história termina em Lisboa, com os heróis da aventura enlouquecidos pela «saturação eléctrica» de um mundo dominado pelas máquinas.”
(Fonte: http://purl.pt/301/1/o-autores-estrangeiros/oe-salgari.html)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Discreta rubrica de posse na f. anterrosto.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível