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24 novembro, 2025

GRANJO, Antonio -
DO POVO A SUA MAGESTADE A RAINHA D. AMELIA
. Villa Real, Imprensa Moderna, 1909. In-8.º (22,5x16 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Raríssimo opúsculo da autoria de António Granjo, figura incontornável do futuro regime republicano, publicado no ano seguinte ao atentado que vitimou em Lisboa o rei D. Carlos e de D. Luís Filipe, o príncipe herdeiro. Trata-se de uma obra poética, por certo com tiragem reduzida, onde Granjo pretende justificar os acontecimentos do Terreiro do Paço, no sentir e nas palavras do povo (e dos regicidas), que no fundo é quem passa a mensagem em verso, e que termina com um aviso à rainha... para recolher a França com o filho que lhe resta, única forma de o não perder também.
Obra de gosto duvidoso, dadas as circunstâncias, que reflete, de certa forma, a aversão à família real e o estado de espírito de larga franja da sociedade civil e militar em vésperas da revolução.

"Senhora!
Não sabeis, certamente, o meu nome.
Chamo-me um dia - Crime, e noutro dia - Fome.
Ás vezes tenho o gesto insolente e brutal
Dum bandido sem lei - sacerdote do mal
Levantando nas mãos em sangue, para o céo,
Transformado em raiva, o beijo que me deu
Minha mãe ao nascer. Mas no fundo, Senhora,
Eu sou um bom christão...

Apenas brilha a aurora
Abro logo o postigo, agarro logo a enxada,
E ponho-me a caminho ao longo d'essa estrada,
Que alguns chamam - a Vida, e outros chamam - o Inferno.
Ai! Senhora!... As manhãs nevoentas d'inverno,
Quando a geada cae e quando a neve cae,
E do peito s'capa o coração n'um ai,
E cá dentro nos roe a idêa tenebrosa
De que Tartuffo dorme um somno côr de rosa
No vosso quarto azul, n'esse encantado paço,
Feito da minha carne, erguido p'lo meu braço!...

... Custa muito, Senhora, abandonar o ninho,
Quente, caricioso e doce como arminho,
E ir campina fóra, envolto na mortalha
Do nevoeiro, atraz d'um osso, uma migalha...
Mas, emfim, que fazer? Senhora, que fazer?
A gaveta vasia... Os filhos e a mulher?!...

Não me conheceis, não...

Eu vivo nas cavernas."

(Excerto do poema)

António Granjo (1881-1921). "Político português nascido a 27 de dezembro de 1881, em Chaves, e falecido a 19 de outubro de 1921, em Lisboa. Tirou o curso de Teologia no Porto, em 1889, e tornou-se bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1907. Ingressou na Maçonaria em 1911. Foi advogado, deputado e administrador do concelho de Chaves. Em 1919 foi viver para Lisboa e participou na revolta de outubro de 1918 e na de janeiro de 1919. A partir deste ano enveredou por uma carreira política, vindo a ocupar o cargo de ministro da Justiça, ao mesmo tempo que exercia a função de diretor do jornal República. Foi ministro do Interior no governo efémero de Francisco Costa, tendo vindo a ocupar em seguida outros cargos políticos, como o de chefe de governo. Faleceu na "noite sangrenta" de 19 de outubro de 1921."
(Fonte: Infopédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos; apresenta vinco vertical.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
85€

17 novembro, 2025

CAVALHEIRO, Rodrigues -
O REGICÍDIO DE 1908 E A "RIGOROSA E IMPLACÁVEL LÓGICA" DAS SUAS CONSEQUÊNCIAS.
[Por]... Da Academia Portuguesa de História. Lisboa, [s.l. - Composto e impresso na Gráfica Santelmo, Lda. - Lisboa], 1965. In-8.º (22x15 cm) de 21, [3] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante ensaio sobre o Regicídio e as consequências políticas que sobrevieram do atentado.
Estudo publicado em separata da Revista de Cultura Político-Social Sulco, II Série - Ano I - N.º 4 - Novembro-Dezembro 1965.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Ao seu Amigo Dr. Joaquim Macedo de Barros, com mto. sincero apreço".
"No notável livro em que publicou algumas das mais importantes cartas que, durante os ministérios da sua presidência, lhe dirigiu D. Carlos, escreve João Franco, a propósito das consequências imediatas do crime do Terreiro do Paço:
Morto El-Rei, tive desde logo a impressão de que o governo morrera com ele. E quando, ao começo da noite, fui ao Paço das Necessidades levar a proclamação ao novo Rei, a fim de ser por ele assinada, a hesitação que logo se me mostrou em o jovem Soberano assinar qualquer diploma apresentado pelo governo; e o reparo formal à frase protocolar - Outro-sim declaro que Me apraz que os actuais Ministros e Secretários de Estado continuem no exercício das suas funções - acabaram de mo confirmar. [...]
Essa réstia de esperança na conservação do gabinete a que presidia havia sido, de certo modo, alimentada pelo facto de, já após o Regicídio, mas ainda no Arsenal da Marinha e quase perante os cadáveres de D. Carlos e D. Luís Filipe, se haver João Franco encontrado, nessa tarde de 1 de Fevereiro, com Júlio Vilhena, que - segundo este menciona no seu livro de notas autobiográficas - lhe oferecera, como chefe do Partido Regenerador, os seus serviços perante a tremenda situação que o duplo e horrendo crime havia criado à sociedade portuguesa. E isso explica que, na manhã seguinte, antes da reunião do Conselho de Estado, João Franco, possìvelmente no seu gabinete do Ministério do Reino, onde presidira a uma reunião ministerial, telefonasse para o Jornal da Noite, orgão vespertino do Partido Regenerador-Liberal dirigido por Paulo Osório, que nos narra, em páginas inéditas, este pormenor, ordenando-lhe que salientasse em normando a parte da proclamação do novo Rei que dizia manter-se no poder o seu governo."
(Excerto do Estudo)
António Rodrigues Cavalheiro (Lisboa, 1902-1984). "Historiador, professor, político e olissipógrafo. Licenciado em Ciências Históricas e Geográficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor no Liceu Camões e no Liceu Gil Vicente, ambos em Lisboa, e também na Escola Naval, onde leccionou História Marítima."
(Fonte: https://www.estudosportugueses.com/antoacutenio-rodrigues-cavalheiro-1902-1984.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€
Reservado

04 março, 2023

AGUIAR, Prof. Doutor Asdrúbal de -
CAUSAS DAS MORTES DO REI D. CARLOS I E DO PRÍNCIPE REAL D. LUÍS FILIPE.
Separata das «Imprensa Médica : Ano XXIII - Outubro de 1959
. Lisboa, [s.n.], 1959. In-4.º (23,5cm) de 25, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio médico-legal para o apuramento das causas que conduziram à morte do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Armando Cavaleiro Pinto Basto.
"Até ao presente, e já vai decorrido mais de meio século, não foram indicados, de maneira decisiva ou pelo menos presumível, as causas das mortes do rei D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe, sucedidas no Terreiro do Paço no dia 1 de Fevereiro de 1908, pelas 17 horas e meia ao regressarem com a Rainha D. Amélia a Lisboa, vindos de Vila Viçosa.
O regicídio perpetrado nessa ocasião filiou-se em acontecimentos políticos de vulto que de meses pretéritos vinham acontecendo. [...]
Poderia aludir aqui, com maior minúcia, a estes e outros precedentes imediatos ou distantes da anormal situação, esmiuçar as actividades dos revoltosos, enumerar-lhes os nomes, etc. Seria fastidioso fazê-lo. Demais nada disso importa para o propósito em vista: determinar as verdadeiras causas das mortes do rei e do príncipe real. Também não tratarei, pormenorizadamente, dos fins trágicos dos regicidas sucedidos igualmente no Terreiro do Paço, após o atentado. Apenas me referirei à maneira como foi executado o duplo homicídio de D. Carlos e de D. Luís Filipe, e isso, porque interessa para a boa compreensão de certos factos a que aludirei. [...]
A chegada a Lisboa, prevista para as 16 horas e 15 minutos, foi retardada de 1 hora e 5 minutos, atracando o vapor «D. Luís» que do Barreiro transportava o rei, a rainha, o príncipe e a comitiva às 17 horas e 20 minutos na estação fluvial do Terreiro do Paço, então alojada na margem do Tejo, próximo do torreão, pertença no Ministério da Guerra. [...]
O rei, a rainha, o príncipe real e o infante D. Manuel tomaram então lugar num «landau» aberto, tirado por duas parelhas de cavalos, ocupando D. Carlos e D. Amélia os lugares trazeiros - a rainha à direita do rei, e D. Luís Filipe e D. Manuel os lugares dianteiros, o príncipe em frente do rei e o infante em frente da rainha. A carruagem poz-se em marcha entrando na rua ocidental do Terreiro do Paço, sendo seguida, a curta distância, por outro «landau» igualmente tirado por duas parelhas, conduzindo os camaristas de serviço - condes de Figueiró e marquês de Alvito, e pela carruagem do presidente do Ministério. Nenhuma escolta militar acompanhava o «landau» real. De resto, não era costume fazer acompanhar o rei ou a rainha, nas suas passagens pelas ruas de Lisboa, de qualquer destacamento militar, a não ser em actos oficiais.
Quando a carruagem real atingiu as arcadas próximas da rua do Arsenal, sobre as quais se encontrava instalado o Ministério da Fazenda, predecessor do actual Ministério das Finanças, foram disparados seguidamente dois tiros de carabina sobre o rei por um indivíduo de nome Manuel da Silva Buíça, o qual saíra, de súbito, de entre os populares estacionados no passeio do lado do Terreiro e avançava para o leito da rua para trás da carruagem, e logo a seguir também dois tiros de pistola «Browning» por outro indivíduo, Alfredo Luís da Costa, que parece ter surgido de entre os mesmos populares, o qual correu igualmente para trás da carruagem, que ia já a voltar para a rua do Arsenal.
Mal foram disparados os tiros que atingiram o rei, este caiu para o lado direito. Semelhantemente apenas foram desfechados os tiros que alcançaram o príncipe, este tombou para a frente, para cima do corpo do rei.
D. Carlos pouco tempo teve de vida - uns escassos segundos. [...] O príncipe teve morte instantânea. [...]
Já de noite os cadáveres foram conduzidos para o Paço das Necessidades, cada um em seu «landau», precedidos por outro em que se transportavam as rainhas D. Amélia e D. Maria Pia e o infante D. Manuel. Foram recebidos pelo Dr. D. Tomaz de Mello Breyner, médico de serviço.
No dia seguinte, 2 de Fevereiro, procedeu-se ao embalsamamento de ambos após o exame dos ferimentos neles existentes.
O embalsamento foi demorado. Durou cerca de 12 horas. [...]
Não se realizaram as autópsias por determinação expressa do governo. Julgaram-nas dispensáveis. Realmente elas nada importavam para a organização do corpo de delito directo destinado a julgamento dos regicidas, pois estando estes mortos, não podiam ser julgados. Este e possivelmente outros motivos, levaram o governo a tal decisão."
(Excerto de Causas das mortes do Rei D. Carlos I...)
Matérias:
Medicina Legal - Causas das mortes do Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe. [Introdução]. | Relatório do exame no cadáver de Sua Majestade El-Rei o Senhor D. Carlos. - Conclusões. | Relatório do exame no cadáver de Sua Alteza o Príncipe Real Senhor D. Luís Filipe. - Conclusões. | I. Efeitos traumáticos provocados no Rei D. Carlos pela agressão de que foi vítima. - II. Efeitos traumáticos provocados no Príncipe Real D. Luís Filipe pela agressão de que foi vítima. | Em resumo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

15 dezembro, 2022

MACHADO, Bernardino - A CONCENTRAÇÃO MONARCHICA
. Lisboa, Typographia do Commercio, 1908. In-8.º (19 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Alocução de Bernardino Machado, futuro presidente da República, referindo-se de forma crítica, mas apaziguadora, ao regicídio ocorrido no Terreiro do Paço a 1 de Fevereiro desse ano, onde sucumbiram el-rei D. Carlos e o seu filho primogénito (e herdeiro ao trono), D. Luís Filipe; o autor lamenta as mortes, inclusive dos perpetradores do atentado.
"Não tendo podido, por doença, falar em publico desde a tragedia de 1 de fevereiro que, sobreviu ao mez terrivel de janeiro, as minhas primeiras palavras serão de piedade por todos os que nesse dia memoravel perderam a vida. Dois, o principe Luis Filippe e o caixeiro João Sabino eram ainda quasi umas creanças, e nada ha mais tocante para o coração dum pae do que o espectaculo da morte dos novos, que são a esperança de futuro das suas famillias. Dos outros tres nenhum era uma creatura vulgar. Inimigos, lutando em campos opostos, numa coisa se pareciam; expunham-se com o maior denodo pela sua causa. O rei, simples no seu trato como um guerreiro, dum sangue frio imperturbavel, levava bravamente a sua audacia até ás extremas temeridades; Buiça e Costa, dois lutadores heroicos. De nenhum dos tres a morte me podia ser indifferente. Buiça e Costa, por mais longe que estivessem de mim, que tenho sido sempre um moderado - fui-o como monarchico, sou-o como republicano - e embora não estivessem filiados no partido republicano, eram soldados do grande exercito português a que todos os liberaes ultimamente pertenciamos. [...]
Ha dois pontos de vista moraes para julgar a tragedia do Terreiro do Paço. Numa sociedade em paz, Buiça e Costa teriam sido uns assassinos e o seu acto cruento mereceria o nome dum atentado. Mas numa sociedade em luta, com o povo ofegante sob a opressão do poder, à la guerre comme à la guerre! Ora quem póde contestar que a nação estava ultimamente em guerra com o seu chefe?"
(Excerto do discurso)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

13 julho, 2022

PASSOS, Annibal - A TRAGEDIA DE LISBOA E A POLITICA PORTUGUÊSA
. Editores: Porto, Emprêsa Litteraria e Typogr. - Rio de Janeiro, Francisco Alves & C.ª, 1908. In-8.º (19 cm) de 322, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Análise da situação política nacional após, e na sequência do regicídio.
"A tragedia de Lisboa, que em 1 de fevereiro de 1908 victimou S. M. El-rei D. Carlos I, e seu filho, o principe real D. Luiz Filippe, pelas circumstancias em que se produziu, é uma monstruosidade sem precedentes na Historia de todos os povos civilizados.
A proximidade a que nos encontramos d'ella, á hora de traçar estas linhas, se nos permitte sentir todo o justificado horror que inspira a quem tem senso e tem coração, não nos consente apreciar com exactidão e medir rigorosamente as suas consequencias.
Todavia, e oxalá que o futura desminta previsões que consideramos bem fundadas, essas consequencias, ao nosso amor patrio alarmado, afiguram-se funestissimas.
Difficuldades de ordem interna e externa, prejuizos materiaes e moraes inevitavelmente irremediaveis, com certeza o nome português considerado ignominia no mundo, e possivelmente a perda da nossa independencia - eis a obra fatal das balas disparadas por alguns desvairados fanaticos, - os menos responsaveis, - acirrados e transviados por uma propaganda de bandidos - os verdadeiros criminosos. [...]
A morte crúa d'El-rei D, Carlos e de seu filho o principe D. Luiz Filippe foi para nós uma barbaridade, uma imbecilidade e uma injustiça."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Primeira Parte - A Tragedia de Lisboa: Introducção. | I - A Barbaridade; II - A Imbecilidade; III - A Injustiça; IV - As virtudes do Rei; V - Os erros do Rei; VI - João Franco; VII - Governo liberal de João Franco; VIII - Senhor.
Segunda Parte - A politica portuguêsa: I - O sentimentos do partido republicano; II - A ideia do partido republicano; III - Os homens do partido republicano; IV - Desvantagens da Republica; V - Inconvenientes da existencia do partido republicano; VI - O Rotativismo; VII - A Solução; VIII - Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas falhas marginais.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

25 fevereiro, 2022

FERREIRA, Antonio da Costa - ESTUDO DE PSYCHO-PATHOLOGIA DOS RÉGICIDAS. Por...
Lisboa, Typographia do Annuario Commercial [Cernadas & C.ª-Editores], 1911. In-8.º (22 cm) de 80 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Dissertação inaugural do autor apresentada à Faculdade de Medicina de Lisboa. Trata-se de um ensaio pioneiro sobre regicidas - nacionais e estrangeiros - sendo comentados conhecidos casos, incluindo da nossa história, como o atentado frustrado a D. José, e os supliciados que desse episódio resultaram, e Alfredo Costa e Manuel Buiça, responsáveis pelo Regícidio, sendo suas vítimas o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe. Obra dedicada à memória de Miguel Bombarda. Interessante e muito curioso.
Livro ilustrado ao longo do texto com retratos dos meliantes, e reprodução de desenhos e estampas várias.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Santos Vieira, "distincto redactor do Seculo"
 "Applico o termo régicida, na falta de outro mais exacto, para designar os fanaticos que, aleios a qualquer seita ou conjuração, teem assassinado ou tentaram assassinar monarchas ou potentados.
Os régicidas foram outr'ora considerados como loucos lucidos, tambem, em guiza de paradoxo, chamados doidos com juizo, podendo ser actualmente classificados desharmonicos ou degenerados.
Estudal'os em Anthropologia Criminal e em Psychiatria, pois que as duas sciencias teem numerosos pontos de contacto, creio ser assumpto interessante, ainda não abordado em lingua portugueza."
(Excerto da introdução - Palavras necessarias)
"Manuel Buissa foi penosamente martyrisado; não soffria uma vida miseravel, tendo até recebido no dia do attentado, os seus honorarios de professor, que era e dos mais conceituados. Podesse elle ser interrogado que as circumstancias do attentado contra Carlos I seriam identicas ás do rei Humberto, tão sómente pelo que diz respeito á psycho-pathologia dos seus auctores.
Essa ideia de martyrio domina, com effeito, os régicidas e é por assim dizer o complemento necessario do seu attentado. Convencidos que cumprem uma missão, matam, sabendo d'antemão que tambem hão-de perecer; praticam assim o sacrificio de sua vida, vendo apenas na morte o digno coroamento de sua obra, sem contar a celebridade entre os homens e, para alguns, a felicidade eterna no seio de Deus.
Não é incompativel. nos régicidas, a ideia do martyrio, com o sentimento do orgulho e da vaidade. Uns, os mysticos religiosos, exclusivamente preoccupados com os beneficios do céo, apenas sonham com a recompensa que o seu sacrificio ha-de merecer no Além. Outros, os mysticos politicos, sonham sobretudo com a gloria terrestre e a renomeada que os espera post-mortem. Muitas vezes chegam a imaginar que a multidão os applaudirá e os admira, intimamente, ficando attonitos com o gesto de repulsão que muitas vezes se lhes levanta."
(Excerto da Tese)
Matérias:
Palavras necessarias. | I - Summario: Os régicidas typicos - Caracteres geraes. - Temperamento de espirito. - Estado mental. II - Summario: Premeditação. - Suicidio, directo e indirecto. - Attitude depois do attentado. - Analogias com os criminosos mattoïdes. - Causas do attentado. III - Summario: Régicidas de hoje. - Sua cumplicidade. - Erros historicos. - Conclusões medico-legaes.
Raro.
Com interesse histórico.
50€

25 setembro, 2018

MARTINS, Padre Luiz Alves - BREVI VIVENS TEMPORE. Elogio funebre proferido na Sé Cathedral do Funchal nas solemnes exequias celebradas em 31 de Março de 1908 em suffragio de Sua Magestade El-Rei D. Carlos I e de Sua Alteza Real o Principe D. Luiz Fillipe. [Pelo]... Capellão militar e prégador régio. Funchal, Typographia "Esperança", 1908. In-4.º (24cm) de 56 p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada em extratexto com os retratos dos falecidos Rei e Príncipe herdeiro, ambos impressos sobre papel couché.
Livro valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao conhecido magistrado, escritor e político Júlio de Vilhena.
"Sobre aquelle moimento funebre e magestoso parece erguer-se lacrimosa e tragica a estatua da dor e do soffrimento!
Com uma das mãos ella aponta o Pantheon de S. Vicente de Fóra, onde jazem os tristes despojos de um rei e de um principe barbaramente aassassinados, e com a outra está gravando na léla da historia, em gottas de sangue, a ignominia que impende sobre a vida de um povo.
Uma pesada atmosphera de lucto e de lagrimas ensombra a nossa patria. [...]
O espectaculo da morte, da morte violenta, attingindo principalmente uma creança, que minutos antes sorria ingenua e desprevenida á multidão que a saudava, é um espectaculo que anniquilla as vontades mais firmes."
Só uma abominavel perversão moral admitte ou desculpa todo o horror d'esse duplo assassinio inteiramente brutal e inutil."
(Excerto do Elogio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Ausência da lombada e da capa posterior. Cadernos soltos. Deve ser encadernado.
Raro.
Indisponível

26 julho, 2018

D. MANUEL II : nascimento, infancia e adolescencia : o seu reinado. Porto, Escriptorio de Publicações J. Ferreira dos Santos - Editor, 1908. In-8.º (21,5cm) de 64 p. ; [3] f. il. ; B. Bibliotheca de Assumptos Notaveis
1.ª edição.
Historia dos reis de Portugal desde D. Pedro IV (Luctas civis pela liberdade e pelo absolutismo, revoluções, acontecimentos celebres, etc.). Os tres ultimos reinados: D. Pedro V, D. Luiz e D. Carlos - D. Pedro V comparado a D. Manuel II: reinou soffrendo; como o povo o amava e como elle afrontou a morte - Revista e genealogia dos imperadores, reis, principes e outros chefes d'Estado do Mundo. Lista completa das familias reinantes. Familia real portugueza; parentesco com a realeza extrangeira - D. Manuel II: Sua vida: nascimento, infancia e adolescencia - O estudante, o marinheiro - Ascensão ao throno - O seu reinado: desfazendo a obra do pae - Anecdotas, ditos e perdilecções.
Publicado pouco tempo após o regicídio, trata-se de um curioso e muito raro opúsculo dedicado a D. Manuel II e à família real portuguesa, com uma resumida exposição dos laços de sangue desta com as casas reinantes da Europa.
Inclui uma breve alusão aos momentos que se seguiram ao tiroteio no Terreiro do Paço, e ao ferimento daí resultante em D. Manuel II.
Apesar do pouco tempo passado sobre o atentado contra a familía real, e a saída de cena do defunto rei, o autor, que escreve sob a capa do anonimato, e utiliza uma prosa favorável a D. Manuel II, não se coíbe de "acusar" D. Carlos de atentar contra a Carta Constitucional, e por conseguinte, contra os direitos dos cidadãos.
Livro ilustrado com três folhas extratexto contendo fotogravuras do rei D. Manuel II em diversas épocas da sua vida.
"Porque o infante D. Manuel era filho segundo do senhor D. Carlos, rei de Portugal, havendo portanto, o primogenito D. Luiz Philippe, seu irmão mais velho, nunca se esperou que aquelle infante tão cêdo subisse os degras do throno. O principe real D. Luiz era havido como o legitimo successor de seu pae, e, como tal, fôra educado mais politicamente do que seu irmão D. Manuel. A viagem ás colonias fôra um dos numeros mais importantes do programma da sua instrucção real. Pouco aproveitava com ella, todavia, o jovem principe; dentro em poucos mezes era morto pela carabina de Manuel Buissa, na tarde fatal de 1 de fevereiro.
Está ainda na memoria de todos como se realisou o attentado contra a familia real, antecedido de outros attentados praticados pelo rei e seu primeiro ministro João Franco contra os direitos politicos e civis dos portuguezes. Vivia-se n'uma epocha de terror: não havia lei, a Carta Constitucional, outhorgada pelo bisavô de D. Carlos, fôra eliminada por êste monarcha, não existindo senão a sua vontade e a de João Franco."
(Excerto de D. Manuel. Causas que deram logar á sua ascenção ao throno)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Pelo interesse e raridade, justifica encadernar.
Raro.
Peça de colecção.
25€

26 maio, 2018

AGUIAR, Prof. Doutor Asdrúbal de - CAUSAS DAS MORTES DO REI D. CARLOS I E DO PRÍNCIPE REAL D. LUÍS FILIPE. Pelo... Da Academia das Ciências de Lisboa. Separata das «Memórias» (Classe de Ciências - Tomo VIII). Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1960. In-4.º (24,5 cm) de 25, [3] p. ; B.
Importante subsídio médico-legal para o apuramento das causas que conduziram à morte do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.
"Até ao presente, e já vai decorrido mais de meio século, não foram indicados, de maneira decisiva ou pelo menos presumível, as causas das mortes do rei D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe, sucedidas no Terreiro do Paço no dia 1 de Fevereiro de 1908, pelas 17 horas e meia ao regressarem com a Rainha D. Amélia a Lisboa, vindos de Vila Viçosa.
 Não vou aludir aqui aos precedentes imediatos ou distantes do regicídio, não me demorarei a registar as justificadas preocupações da Família Real antes e durante a viagem até Lisboa. Seria fastidioso fazê-lo. Demais nada disso importa para o propósito em vista, qual é, o de determinar as verdadeiras causas das mortes do rei e do príncipe. Também não tratarei dos fins trágicos dos regicidas sucedidos igualmente no Terreiro do Paço logo após o atentado. Apenas muito sucintamente me referirei à maneiro como foi executado o duplo homicídio e aos efeitos imediatos dos tiros constatados em D. Carlos e D. Luís Filipe, logo após a consumação dos crimes, e isso, porque de qualquer modo pode interessar para a boa compreensão de certos factos a que aludirei.
O rei D. Carlos, a rainha D. Amélia e o príncipe real D. Luís Filipe desembarcaram do vapor que os conduziu do Barreiro até à estação Fluvial do Terreiro do Paço, então instalada na margem do Tejo, próximo do torreão integrado nas instalações do Ministério da Guerra. Aí se lhes juntou o infante D. Manuel. Tomaram então todos lugar num «landau» aberto, tirado por cavalos, ocupando D. Carlos e D. Amélia os lugares trazeiros - a rainha à direita do rei, e D. Luís Filipe e D. Manuel os lugares dianteiros, o príncipe em frente do rei e o infante em frente da rainha. A carruagem pôs-se em marcha entrando na rua ocidental do Terreiro do Paço sendo seguida, a certa distância, por duas outras conduzindo, a primeira o Presidente do Ministério e a segunda os camaristas de serviço.
Quando a carruagem real atingiu o então Ministério da Fazenda instalado sobre as arcadas próximas da rua do Arsenal, foram disparados seguidamente dois tiros de carabina sobre o rei por um indivíduo de nome Manuel da Silva Buíça, o qual saíra de súbito, de entre os populares estacionados no passeio do lado do Terreiro e avançara para o leito da rua para trás da carruagem e também dois tiros de pistola Browning sobre o príncipe por outro indivíduo, Alfredo Luís da Costa, que parece ter surgido de entre os mesmos populares, o qual correu igualmente para trás da carruagem, que ia já a voltar para a rua do Arsenal.
Mal foram disparados os tiros que atingiram o rei, este caiu para o lado direito. Igualmente apenas foram disparados os tiros que alcançaram o príncipe, este caiu para o interior da carruagem.
O rei pouco tempo teve de vida - alguns escassos segundos. [...] O príncipe teve morte instantânea. [...]
Já de noite os cadáveres do rei e do príncipe real foram conduzidos para o Paço das Necessidades.
No dia seguinte, 2 de Fevereiro, procedeu-se ao embalsamamento de ambos após o exame dos ferimentos neles existentes.
Não se realizaram as autópsias por determinação do governo. Julgaram-nas dispensáveis. Realmente elas nada importavam para a organização do corpo de delito directo destinado a julgamento dos regicidas, pois estando estes mortos, não podiam ser julgados. Este e possivelmente outros motivos, levaram o governo a tal decisão."
(Excerto de Causas das mortes do Rei D. Carlos I...)
Matérias:
- Causas das mortes do Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe. [Introdução]. - Relatório do exame no cadáver de Sua Majestade El-Rei o Senhor D. Carlos. - Conclusões. - Relatório do exame no cadáver de Sua Alteza o Príncipe Real Senhor D. Luís Filipe. - Conclusões. - I. Efeitos traumáticos provocados no Rei D. Carlos pela agressão de que foi vítima. - II. Efeitos traumáticos provocados no Príncipe Real D. Luís Filipe pela agressão de que foi vítima. - Em resumo.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

28 janeiro, 2018

CHRISTO, Homem - NOTAS DA MINHA VIDA E DO MEU TEMPO. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, [193-]. 7 vols in-8.º (19cm) de  224 p. ; E., (I), 207 p. ; E, (II), 280 p. ; E. (III), 231 p. ; E. (IV), 244 p. ; E. (V), 216 p. ; B. (VI), 314 p. ; E. (VII)
1.ª edição.
Memórias de Francisco Homem Cristo, figura ímpar da República. Com interesse para a compreensão da história política portuguesa durante o período a que diz respeito o conjunto da obra - da sua juventude até ao regicídio.
Colecção completa, em 7 volumes.
"Poderia ter escrito só as "Notas da Minha Vida". Preferi escrever as “Notas da Minha Vida e do Meu Tempo”. Há factos passados, muito importantes, de que as gerações novas não têm nenhum conhecimento. Que sabem elas da vida e transformação dos partidos políticos do velho regime? E dos inícios e desenvolvimento do partido republicano? Quási nada ou nada."
(Excerto do Vol. I)
Francisco Manuel Homem Cristo (1860-1943). Foi um militar e político republicano. Foi também professor universitário, escritor e jornalista, panfletário notável e político de relevo nos tempos que precederam a implantação da República Portuguesa. "Fundador do semanário O Povo de Aveiro, em 1882, demite-se então do exército. Fez parte do directório do Partido Republicano. Colaborou na revolta do 31 de janeiro de 1891, sendo então, preso. Opositor de Afonso Costa. Pede a demissão do exército em 1909 e exila-se em Paris. Violento polemista na linha de José Agostinho de Macedo, demolidor da política dos afonsistas, acaba por elogiar Carmona e o Secretariado da Propaganda Nacional. Em 1906 edita Pro Patria, obra de reflexão sobre a paz e a guerra e o militarismo, onde advoga a introdução em Portugal do modelo suíço de serviço militar. Escreve também Banditismo Político, considerado a Torre do Tombo da patifaria nacional. Bibliografia: Pro Patria, 1906; Banditismo Político (1912); Cartas de Longe (2 vols) (1915-1922); Monárquicos e Repúblicanos (1928); Notas da Minha Vida e do meu Tempo (193-)."
(Fonte: www.politipedia.pt)
Todos os livros estão encadernados (contendo a respectiva capa original), com excepção do volume VI, que se encontra em brochura.
Invulgar conjunto.
Com interesse histórico.
35€

28 outubro, 2017

REPUBLICA PORTUGUEZA. Historia da Revolução fielmente descripta : 5 d'Outubro 1910 = Preço 40 réis = [S.l.], [s.n. - Typ. Eduardo Roza, Lisboa], [1910]. In-8.º (21,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante descrição da revolução republicana de 5 de Outubro de 1910. Relato genuíno dos acontecimentos que roça a ingenuidade.
Estes opúsculos, publicados poucos dias após a instauração da República, são muito raros e procurados.
Matérias:
Antecedentes da Revolução [inclui breve narrativa do golpe falhado de 28 de Janeiro de 1908 e do regicídio].
A Revolução. Primeiros momentos. Horas de angustia. A caminho da redempção!!! A de Outubro de 1910, uma e meia da madrugada.
Antes do triumpho. No quartel de marinheiros - Armando o povo - Sete municipaes que adherem. Fogo contra o palacio das Necessidades - O rei em automovel - Forças que ficam no caminho - As forças revolucionarias repellindo heroicamente as forças inimigas - A retirada d'estas - Os marinheiros embarcam - O plano - Ataque ás forças "fieis" no Rocio - Tiroteio - Do Tejo para terra - Convento incendiado - Esquadras assaltadas - Dois valentes - As forças republicanas engrossam - O "D. Carlos" em poder dos revoltosos - A orientação do movimento - Adhesões na provincia - Momento supremo - O movimento dos comboios foi suspenso.
Momentos decisivos. A victoria. As forças reublicanas destroçam os contingentes do exercito fieis ao regimen. A valente Marinha - Os revolucionarios apoderam-se do cruzador "D. Carlos" e ficam senhores do rio.
Fuga da Familia Real. A caminho do exilio.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequena falha de papel no canto inferior dto.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

07 fevereiro, 2017

AZEVEDO, A. J. - D. CARLOS, O DESVENTURADO. Notas intimas e noticia historica do attentado contra a Familia Real Portugueza. Lisboa, [s.n.], 1908. In-8.º (22cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo coevo com interesse histórico. Trata-se de alguns apontamentos sobre a vida privada de D. Carlos, seguido do relato pormenorizado do regicídio.
"As carruagens partiram a trote pela rua occidental do Terreiro do Paço, e as differentes pessoas, que iam e vinham ao longo da arcada e pelos passeios, tiravam respeitosamente os chapeus, a que o rei correspondia conservando conservando nos labios um sorriso attrahente, que a rainha imitava, inclinando a cabeça com a sua proverbial amabilidade.
Nada fazia prever a imminencia da catastrophe que segundos depois teria logar.
Quando o landau ia a descrever a curva para entrar na rua do Arsenal, n'esse momento, Buiça, um dos regicidas, affastou-se d'um kiosque de refrescos, que fica dentro das arcadas, tirou debaixo do gabão que vestia, uma carabina com que se munira, e sereno, com a maior tranquilidade, visou D. Carlos á sua vontade; ninguem o via, todos os olhos se fixaram no prestito que ia desfilando. Bem certo de que o tiro não falharia puxou pelo gatilho e a bala, desfechada quasi á queima-roupa, penetrou no pescoço do monarcha e esphacelou-lhe as vertebras cervicaes.
A morte fôra instantanea.
Ao mesmo tempo, Alfredo Luiz da Costa, do lado direito da carruagem, subia á capota do landau, e, desfechava o seu revolver. Este acto, de phrenetica exasperação, tornava-se absolutamente escusado. O rei, evidentemente estava morto, pois pendia para a frente, ensopando o tapete e o couvre-pieds do sangue que, aos borbotões, lhe jorrava dos ferimentos.
A rainha, estupefacta, com o pasmo horroroso de aquelle ataque sanguinario, puzera-se de pé, de salto, e, com o mesmo ramo de flores com que pouco antes uma sua afilhada lhe desejára as boas vindas, quiz repellir o aggressor.
Buiça ajoelhára, e, com o mesmo socego da primeira vez, apontou para o principe, que se levantara, como sua mãe e seu irmão, aturdidos, desvairados, e varou-o, entrando-lhe a bala pela face, destruindo-lhe a região malar e a orelha, sahindo-lhe pelo bolbo, o que provocou a congestão a que succumbiu segundos depois.
Um policia, que voltava a si do subito assombro, correu sobre elle. Ainda de joelho no chão, alvejou este adversario e furou-lhe o capote com uma bala. Assim hostilisado, o guarda disparou-lhe por seu turno o revólver, que o attingiu no peito e o fez vacilar. Foi n'esse instante que appareceu um soldado de infantaria 12, expedicionario do Cuamato, Henrique Alves da Silva Valente, que o agarrou pelo pescoço e o derruvou, não sem que o regicida de dabatesse furiosamente e ainda disparasse a arma, ferindo-o n'uma perna. Já subjugado, com a esperamça perdida de se poder evadir, deparando-se-lhe na frente o tenente Francisco Figueira, official ás ordens d'el rei, que lhe vibrára uma cutilada na cabeça, ainda disparou novo tiro que tambem acertou n'uma perna d'este militar."
(excerto do atentado contra a Familia Real)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com defeitos. Capa apresenta falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro.
15€
Reservado

24 junho, 2014

A TRAGEDIA DE 1 DE FEVEREIRO. Noticia historica do attentado contra a Familia Real Portugueza. Lisboa, [s.n], 1908. In-8.º (22,5cm) de 15, [1] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo publicado pouco tempo após o regicídio. Relata as ocorrências do dia 13 de Fevereiro de 1908, desde a partida da Família Real de Vila Viçosa até à sua chegada ao Terreiro do Paço, culminando no assassinato, minutos mais tarde, do monarca português, o rei D. Carlos e o princípe herdeiro, D. Luís Filipe.
Ilustrado em extratexto com os retratos dos membros da Família Real: Sua Magestade El-Rei D. Carlos, Sua Alteza Real o Princípe D. Luis Fillipe, Sua Magestade a Rainha D. Amelia e Sua Magestade El-Rei D. Manoel II.
"Narremos os tragicos acontecimentos que vieram, manchar com sangue de monarchas portuguezes o livro brilhantissimo e aureolado da nossa historia patria onde ha paginas de epopeia e episodios grandiosos como em nenhuma outra. [...]
As carruagens partiram a trote pela rua occidental do Terreiro de Paço, e as differentes pessoas, que iam e vinham ao longo da arcada e pelos passeios, tiravam respeitosamente o chapeu, a que o rei correspondia conservando nos labios um sorriso attrahente, que a rainha imitava, inclinado a cabeça com a sua proverbial amabilidade.
Nada fazia prever a imminencia da catastrophe que segundos depois teria logar.
Quando o landau ia a descrever a curva para entrar na rua do Arsenal, n'esse momento, Buiça, um dos regicidas, affastou-se d'um kiosque de refrescos, que fica dentro das arcadas, tirou debaixo da gabão que vestia uma carabina Manlicher com que se munira, e sereno, com a maior tranquillidade, visou D. Carlos á sua vontade..."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€
Reservado

27 maio, 2014

CHOUZAL, Cónego Bernardo - REGICÍDIO E REGNICÍDIO. O crime do Terreiro do Paço : um anno depois. Com um prefácio de Fialho d'Almeida. Lisboa, Livraria Ferreira, 1909. In-4º (25cm) de XCIV, 34, [2] p. ; B.
Discurso proferido nas solennes exéquias, promovidas pêla câmara municipal de Montemór-o-Nôvo, pâra commemorar o primeiro aniversario da morte de El-Rei Dom Carlos e do Príncipe Real Dom Luis Filippe, no dia 9 de fevereiro de 1909.
Obra valorizada pelo extenso prefácio de Fialho de Almeida (86 pags).
"Como todas as pessôas de raciocinio sereno, as poucas que n'esta terra ainda teem latigo para fustigar a desorientação criminosa dos que mandam, invéctiva V. as alcatéas de politicantes, as da monarchia e as da republica, responsabilizando-as pelas mesmas culpas d'estarem jogando aos dados o futuro d'este povo, e de sobre a sua indolencia sordida fazerem praça, a vêr quem lhe roerá os ossos e virá a lhe cantar o dies irae no sepulchro d'uma absorpção hespanhola ultra-provavel."
(excerto do prefácio)
Bernardo Chousal (1873-1935). O Cónego Chouzal nasceu na Vila de Paredes de Coura em 1873 e faleceu, em Figueiró dos Vinhos, Leiria, em 1935. Para além de uma da carreira eclesiástica, de que se destaca o cargo de Cónego da Sé de Évora, dedicou-se ao jornalismo e à política"
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa com defeitos. Assinatura de posse safada na f. rosto. 
Invulgar.
Indisponível

09 fevereiro, 2014

ARNOSO, Conde d’ – JUSTIÇA! Sessão parlamentar de 1909. Lisboa, [s.n. – Comp. e imp. Na Typographia «A Editora»], 1909. In-4.º (24,5cm) de 42, [2] p. ; B.
Opúsculo impresso em papel de qualidade superior, e um dos três publicados sob este título «Justiça!», no qual o autor exige a punição dos implicados no regícidio.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do Conde de Arnoso "ao seu querido amigo Agostinho de Campos.
“É preciso, é absolutamente indispensavel, que os partidos d’esta nossa tão querida e tão mal afortunada Patria, que tão depressa se alliam uns com os outros, confundindo os programmas mais oppostos, como feroz e cruamente se degladiam entre si, cobrindo-se dos maiores improperios, por uma vez se convençam que, como povo e como nação, não podemos readquirir o respeito e a consideração de nenhum dos outros povos – base essencial para o restabelecimento do nosso credito, e, portanto, para uma mais salutar e efficaz acção governativa – sem primeiro, e com a mais escrupulosa, inflexivel e inquebrantavel justiça se apurar tudo que diz respeito ao criminoso, vil e infame attentado do dia 1 de fevereiro do anno passado.
Cada dia de demora é mais uma suspeita de cumplicidade a pesar sobre todos os Governos.
Ninguem acreedita, ninguem pode acreditar que um attentado, perpetrado em pleno dia, no centro de uma capital, possa conservar-se tão mysterioso como se porventura tivesse sido commetido de noite, a horas mortas e no mais longinquo descampado!”
(excerto do texto)
Bernardo Pinheiro Corrêa de Mello (1855-1911). “1.º Conde de Arnoso, foi oficial de Engenharia e secretário particular do rei D. Carlos, lugar privilegiado de observação e participação dos eventos políticos e sociais que marcaram a passagem do século XIX para o XX. Contemporâneo e amigo de alguns dos principais vultos da Geração de 70, integrou o grupo dos Vencidos da Vida. Monárquico convicto e membro da Câmara dos Pares intervém contra o regicídio. Esses discursos foram reunidos sob o título Justiça!"
(fonte: www.purl.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Selo na lombada e carimbo de biblioteca nas f. de rosto e anterrosto.
Muito invulgar.
30€

30 março, 2013

CORPECHOT, Lucien – SOUVENIRS SUR LA REINE AMÉLIE DE PORTUGAL. Paris, Pierre, Lafitte & Cie, 1914. In-8.º (19cm) de 302, [2] p. ; [1] f. il. ; B.
1ª edição.
Versão original, em francês, publicada pela primeira vez em 1914.
Ilustado em extratexto com um retrato de corpo inteiro da Rainha D. Amélia com a sua assinatura fac-similada.
Memórias da última rainha de Portugal. Importante contributo para a compreensão do período histórico que antecedeu o regicídio e que conduziu à instauração da República.
“Les portes de l’Arsenal se referment sur la voitures sanglante. Il a suffi de quelques secondes pour que le plus épouvantabe drame soit consommé, pour qu’aux yeux de cette femme, de cette mère, de cette Reine transpercée d’une multiple douleur, la face du monde se trouve changée…”
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na 1.ª f. (em bco) e na f. anterrosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

07 janeiro, 2013

MOIGÉNIE, Victor de – O HOMEM EM PORTUGAL. Porto, Livraria Figueirinhas, 1908. In-8.º (19cm) de 406 p. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor a D. Albertina Paraíso, jornalista, poetisa e ensaísta.
Curiosa abordagem de Portugal e dos portugueses sob a forma de cartas (47), datadas entre Junho de 1907 e Fevereiro de 1908, "remetidas" por Victor Moigénie (José Agostinho), um francês em viagem por Portugal, a um correspondente fictício – Gustavo –, pretexto utilizado pelo autor para dissertar sobre a situação económica, política e social do país no último fôlego da Monarquia, em vésperas do regicídio. A derradeira carta, datada de 2 de Fev., dá conta do atentado à família real; sobre o facto tece considerações históricas e críticas e aponta os responsáveis políticos.
“Não, meu amigo, não! O curioso Governo do snr. João Franco não nos impediu a viagem. Subimos para o nosso vagão sem algemas nos pulsos, e apenas tivemos a quasi honra de ser mirados, desde os pés ao topo da cabeça, por dois homens, com aparencias de vadios em passeio, mas terriveis de bengalões, uns bengalões que em Paris seriam apreendidos como suspeitos de bacamartes com a fecharia oculta. Chamam-lhes aqui com grande alegria: policias secretos. É uma maneira irónica de se designarem os agentes da policia, mais em evidencia no seu pseudo-disfarce, que ha de Constantinopla a Londres. Secretos? Sem duvida, ao que elles pensam: mas vê los… é conhecê-los sem hesitação, o que é deveras significativo, Gustavo.
(excerto da carta de 22 Jul. 1907)
“De que carece o português? Evidentemente de liberdade e moralidade, como de educação civica e do puro espirito religioso. Conseguem dar-lhe essas duas forças luminosas?
Não haverá os horrores dum despotismo vestido de liberalismo.
Não haverá os crimes duma triste implantação da Republica jacobina.
A Monarquia cairá suavemente.
A Republica virá generosa, tolerante e fecunda. E atá á vista, emquanto sóbe ao trono português o infante, irmão do principe real. Chama-se D. Manuel II, uma criança triste…
(excerto da carta de 2 Fev. 1908)
Victor de Moigénie, pseudónimo de José Agostinho de Oliveira (1866-1938), “mais conhecido por José Agostinho, foi um professor, escritor, dramaturgo e crítico literário português. Autor de uma obra vasta, em prosa e em verso, escreveu ainda para a imprensa portuguesa e brasileira.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Selo de biblioteca na base da lombada.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

23 novembro, 2012

FREITAS FILHO, Amadeu de - D. CARLOS : reportagem dramática. Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1934. In-8.º (19,5cm) de 227, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Reportagem dramática em quatro quadros.
"Surge neste livro, talvez um pouco audacioso, a tentativa dum retrato moral e político de D. Carlos, escrita com sinceridade e verdade por um jornalista republicano da geração que não tem responsabilidades no regícidio - a geração que herdou as consequencias trágicas da guerra e sofre, massacrada e algemada, os seus horrores."
(excerto de Pórtico)
"No Arsenal da Marinha, em Lisboa, pequena sala contígua ao quarto do médico de serviço de mobiliário muito pobre. Algumas cadeiras. Um relógio de parade, a funcionar, marca as 17,40. Anoitece. Ouvem-se tiros gritos de homens, ordens de «para trás! para trás!». Confusão. Dois ou três marinheiros, uns após outros, atravessam a cena a correr, entrando e saindo gritando horrorizados: «Mataram o Rei!», «Meu tenente mataram o Rei e o Príncipe!» «É a revolução! É a revolução!». Ouvem-se mais tiros. Por entre a gritaria, protestos de «assassinos! assassinos! bandidos!» Entra um grupo de homens, do qual fazem parte civis e marinheiros, levando o Rei, com o seu sobretudo de generalíssimo, cabeça pendente, nuca e rosto ensanguentado..."
(excerto da introdução ao 4.º quadro)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Selo na parte inferior da lombada. 
Invulgar.
Indisponível

09 novembro, 2012

REBELLO, José Adriano Pequito – ELOGIO ACADEMICO DE SUA ALTEZA REAL D. LUIZ FILIPPE. Declamado na sessão solemne de Physica, no dia 4 de Junho de 1908. Lisboa, Typographia do Annuario Commercial, 1908. In-fólio (30cm) de 19, [5] p. ;  [1] f. ; il. ; B.
1.ª edição.
Elogio publicado poucos meses após o regicídio, dedicado “A Sua Magestade El-Rei D. Manuel II, Presidente Honorario da Academia Scientifica e Litteraria de Maria SS.ma Immaculada no Collegio de Campolide". (Collegio de Campolide, 4-5-908).
Ilustrado com um retrato de D. Luís Filipe com assinatura fac-similada, impresso sobre papel couché.
“Quatro mêses volvidos não puderam desanuviar a alma portuguesa das sombras d’essa grande dôr nacional e d’esse luto sentido, que em cerrado negrume envolveu todo o Portugal á morte sempre chorada dos seus muito amados Rei e Principe. Estes dias, que a mão gelida do tempo foi voltando como paginas do grande livro da vida sobre o calor das nossas lagrimas, não conseguiram ainda enxugá-las, nem lograram fechar em nossos corações de patriotas essa ferida aberta pelas balas regicidas; ferida de dôr profunda e de intensa vergonha; dôr profunda, pois nos arrebatou dois entes queridos; intensa vergonha, pois prostituiu a nossa historia gloriosa. Esta dôr e esta vergonha não se attenuarão facilmente em nossos espíritos; serão eternas como o nosso patriotismo.”
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

20 junho, 2012

ARNOSO, Conde d' - JUSTIÇA! Discursos proferidos na Camara dos Dignos Pares do Reino em 1908, 1909 e 1910. Lisboa, Typographia Editora José Bastos, 1913. In-4.º (24,5cm) de 109, [1] p. ; B.
Edição póstuma publicada por ocasião do 2.º aniversário do falecimento do Conde de Arnoso.
Ilustrada com um retrato do Conde de Arnoso em extratexto.
“Reunindo aqui em volume, e revistos, os discursos proferidos por meu Pae na antiga Camara dos Pares, um unico intuito me move: prestar homenagem á sua saudosa e nobilíssima memoria, fazendo resaltar esse período doloroso em que, de tudo e de todos isolado, sem um só desfalecimento, corajosamente defendeu e levantou, até ao desmoronar do regímen, a memoria do Amigo morto, que elle lealmente servira e delicadamente amàra.” (excerto da introdução)
Bernardo Pinheiro Corrêa de Mello (1855-1911), “1º Conde de Arnoso, foi oficial de Engenharia e secretário particular do rei D. Carlos, lugar privilegiado de observação e participação dos eventos políticos e sociais que marcaram a passagem do século XIX para o XX. Contemporâneo e amigo de alguns dos principais vultos da Geração de 70, integrou o grupo dos Vencidos da Vida. Monárquico convicto e membro da Câmara dos Pares intervém contra o regicídio. Esses discursos foram reunidos sob o título Justiça!"
(fonte: www.purl.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível