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23 agosto, 2026

CAMPOS, Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de -
INQUÉRITO ALIMENTAR ENTRE OS OPERÁRIOS DA FÁBRICA DE LOUÇA DE SACAVÉM.
Trabalho efectuado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge. Lisboa, [s.n. - Papelaria e Tipografia Leixões, de Fonseca & C.ª - Matosinhos], 1949 [Imp. 1950]. In-4.º (24,5x19 cm) de 62, [2] p. ; [5] f. ; [VII] Quadros ; [III] Gráficos ; [III] Tabelas ; B.
1.ª edição.
Estudo pioneiro, o primeiro do género realizado entre nós, versa sobre a qualidade da alimentação do operariado num complexo fabril. Para o efeito, foi escolhida a Fábrica de Loiça de Sacavém, icónica unidade industrial que laborou entre 1850 e 1994. Após o 25 de Abril de 1974 a empresa entrou numa espiral de degradação, com inúmeros problemas laborais e financeiros, que culminaria com o brutal assassinato do administrador - Diamantino Pereira - em Dezembro de 1982 - pelas Forças Populares 25 de Abril.
Relatório ilustrado com gráficos, quadros e tabelas estatísticas, no texto e em separado, sendo alguns em folhas desdobráveis.
"Temos a honra de entregar a V. Ex.ª o primeiro inquérito alimentar realizado pelo Serviço Técnico de Higiene da Alimentação e Bromatologia, em colaboração com o Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge.
O inquérito fez-se entre a população operária da fábrica de Sacavém, conforme propuzemos e foi aprovado por Sua Excelência o Subsecretário de Estado da Assistência Social.
A escolha de uma fábrica, nos subúrbios de Lisboa, oferecia a vantagem de manter em contacto permanente o pessoal e o Serviço, de modo a remover as dificuldades que sempre surgem em trabalhos desta espécie.
Assim foi possível treinar o pessoal, o que facilitará bastante a sua tarefa, nos inquéritos futuros."
(Excerto de I - Relatório - Inquérito)
"O nosso inquérito não visou a vida económica do operário nem os problemas que lhe andam adstritos.
Apesar disso, averiguou-se haver operários que têm de percorrer grandes distâncias para chegar à fábrica. Este esforço custa muitas calorias, que fazem falta ao trabalho e quiçá à nutrição de cada um dos indivíduos.
As habitações, embora em terra de algum importância, como Sacavém, na vizinhança de Lisboa, não têm água encanada nem rede de esgotos. Mas foram encontradas limpas, como é próprio das mulheres portuguesas."
(Excerto de I - Relatório - Nota complementar)
Índice:
I - Relatório. II - Preâmbulo. III - Inquérito Alimentar: A - Famílias seleccionadas. B - Condições de vida das famílias. C - Tabelas de composições de alimentos. D - Alimentos consumidos. E - Valor alimentar as rações: 1 - Princípios energéticos; 2 - Princípios minerais; 3 - Princípios vitamínicos. F - Alterações clínicas. G - Provas laboratoriais. H - Sugestões. IV - Inquérito da Cantina: 1 - Condições prévias; 2 - Alimentos consumidos; 3 - Valor alimentar das rações da cantina; 4 - Correcções trazidas às alimentação familiar; considerações clínicas sobre os indivíduos que aí tomam refeições e sua comparação com os restantes membros da família.- V - Considerações Finais.
Fausto Raúl de Almada Lencastre Cruz de Campos. Teve uma carreira médica multifacetada, marcada pela investigação pioneira em nutrição, pela alta administração da saúde pública e pela gestão de crises institucionais durante o Estado Novo e a transição para a democracia. Após terminar o curso de Medicina (1942), dedicou-se ao estudo das condições de vida e carências da população portuguesa. Autor de um estudo pioneiro sobre a nutrição dos operários da Fábrica de Louça de Sacavém, ligando a alimentação à saúde laboral - o Inquérito Alimentar entre os Operários da Fábrica de Louça de Sacavém (1949). Replicou esta metodologia científica no levantamento de hábitos alimentares em famílias do Minho e Ribatejo (1950) e em cantinas escolares (1957). Num dos períodos de maior tensão entre a classe médica e o regime, assumiu um papel puramente administrativo e de alta complexidade. Foi o médico designado pelo Ministério da Saúde, ao abrigo do Decreto-Lei 447/72, para tutelar a Ordem dos Médicos num momento de boicote dos clínicos e perseguição política aos contestatários por parte da PIDE/DGS. O cargo cessou com a Revolução de 25 de Abril de 1974. No pós-25 de Abril, integrou os quadros de reestruturação do sistema de saúde nacional. Presidiu à Comissão Instaladora e exerceu o cargo de Diretor-Geral do Serviço de Luta Antituberculosa (SLAT). Ascendeu a Inspector Superior da Direcção-Geral da Saúde. Ao cessar funções em Novembro de 1984 recebeu um louvor do Ministro da Saúde pelo seu zelo e dedicação ao serviço público. (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e sociológico.
85€

29 julho, 2026

SOCIEDADE PROMOTORA DO APURAMENTO DE RAÇAS CAVALARES - TURF-CLUB.
Relatório e Contas da Direcção. Parecer da Comissão Revisora de Contas e Lista dos Sócios. 92.º Ano - 1974. Lisboa, [s. n.], 1975. In-8.º (19x14,5 cm) de 37, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório e Contas do Turf Club, um dos mais prestigiados e antigos clubes privados de cariz aristocrático em Lisboa, fundado originalmente em 1883, inspirado na tradição dos clubes de cavalheiros britânicos, estando intimamente ligado à história do desporto hípico e da alta sociedade em Portugal. Trata-se do documento relativo ao ano de 1974 - o da Revolução de 25 de Abril - que, talvez por isso, indicia alguma desmobilização dos sócios, razão para as "queixas" da Direcção no interior do livro.
Inclui a Lista de Sócios, encabeçada pelo Presidente Honorário, S. A. R. o Senhor D. Duarte, Duque de Bragança.
O Turf Club, oficialmente designado como Sociedade Promotora do Apuramento de Raças Cavalares, é uma associação histórica e prestigiada fundada em 1882. Situada na Rua Garrett, n.º 74, 1.º andar, no Chiado, a instituição serviu durante décadas como um espaço de convívio, reuniões e fomento da criação e competição equestre em Portugal. (IA)
"A publicação deste livro foi acolhida sem grande interesse pela maioria dos Sócios, incluindo muitos que frequentam regularmente o Club.
Dos 224 sócios existentes em 31 de Dezembro de 1974, somente 75 o compraram. Foram vendidos, no total, 103 livros.
Existiam razões para supor que cada sócio adquirisse, pelo menos, um exemplar desta obra que julgamos ser do interesse dos Sócios e até de pessoas que, não sendo sócios, estivessem interessadas ou ligadas à vida Lisboeta dos últimos noventa anos."
(Excerto de «O Turf Club e a sua História»)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

24 julho, 2026

CASTEL-BRANCO, José Emilio de Sant'Anna da Cunha -
RELATORIO ÁCERCA DOS SYSTEMAS MODERNOS DE CANALISAÇÃO EMPREGADOS NA EUROPA PARA ESGOTO DAS CIDADES APRESENTADO AO MINISTERIO DAS OBRAS PUBLICAS, COMMERCIO E INUDSTRIA EM 29 DE JANEIRO DE 1879.
Por... Capitão de engenheria ao serviço do mesmo ministerio. Publicação Officil. Texto. Lisboa, Imprensa Nacional, 1880. In-fólio (30x21,5 cm) de 397, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho acerca dos diversos sistemas de esgotos existentes nas principais cidades europeias, e outras, resultado do périplo de estudo empreendido pela autor, numa época em que as autoridades de Lisboa procuravam uma solução satisfatória para a cidade.
"O escoamento dos resíduos industriais foi frequentemente articulado com a implantação do sistema de esgotos. Grande parte das propostas de criação de redes urbanas de esgotos que surgiram na segunda metade do século XIX, previam que os resíduos líquidos dos estabelecimentos fabris fossem escoados por estas redes, que em muitos casos desembocavam nos rios. Em 1874 as propostas apresentadas para Lisboa pelos engenheiros João Fagundo da Silva, João Evangelista de Abreu e José Emílio de Santana da Cunha Castel Branco defendiam que os esgotos da cidade desembocassem no rio Tejo. O engenheiro Castel-Branco tinha inclusive realizado uma viagem de estudo ao estrangeiro que lhe tinha permitido estudar o sistema de esgotos de várias cidades."
(Matos, Ana Cardoso de - A Utopia do Conhecimento Químico e da Engenharia Urbana para a solução dos problemas das Cidades do século XIX: o caso de Lisboa, Universidade de Évora - Cidehus, 2016)
Obra ilustrada com quadros e tabelas, sendo um deles desdobrável de grandes dimensões (30x65 cm): "Cidades que praticam a irrigação com as aguas de esgoto".
"O presente trabalho foi elaborado para satisfazer á portaria de 16 de junho de 1877, que me incumbiu de visitar e estudas as canalisações nas principaes cidades da Europa onde modernamente se têem estabelecido para esgoto e saneamento das mesmas cidades, fazendo relatorio detalhado sobre o modo por que funccionam.
Para dar cumprimento a estas ordens saí de Lisboa no dia 10 de setembro de 1877, regressando em 20 de junho seguinte, depois de ter visitado, por conselho das pessoas competentes no assumpto, as cidades a que se refere este relatorio, entre as quaes figuram, julgo, as mais importantes que na Europa, nos ultimos tempos, têem realisado desenvolvidamente trabalhos de canalisação de esgoto.
Tambem n'este trabalho se trata de obras feitas em algumas cidades que não têem direito a serem classificadas entre as principaes da Europa, por acontecer actualmente que nem sempre os mais interessantes, completos ou cvaracteristicos trabalhos de esgoto se encontram exemplificados nas cidades mais populosas ou importantes; e tambem porque, tendo sido a questão do saneamento de Lisboa a causa da portaria ha pouco mencionada, julguei da maxima conveniencia obeter o conhecimento e fazer o estudo das obras de canalisação de algumas cidades que apresentam condições de situação, orographicas ou outras, comparaveis á da nossa capital. [...]
Consta o relatorio da serie de monographias dos differentes trabalhos de esgoto por mim estudados, monographias mais ou menos desenvolvidas segundo a importancia, o caracter d'essas obtrs e a somma das informações obtidas. Quasi sempre ao systema de esgoto empregado em cada cidade é reservado um capitulo especial, que se subdivide em secções, em cada uma das quaes se analysa algum orgão, ou grupo de orgãos importante do systema, ou se considera este ultimo sob um determinado ponto de vista."
(Excerto de Observações preliminares)
José Emílio de Santana da Cunha Castelo Branco (1849-1920). "Estudou na Escola do Exército em Lisboa. Em 1875, trabalhou para o Ministério das Obras Públicas nos estudos do Caminho-de-Ferro da Beira Alta. Depois de uma missão pelo estrangeiro foi encarregue de estudar o problema do saneamento e limpeza da cidade de Lisboa. Foi também docente da Escola do Exército. Trabalhou em Angola na Missão chefiada por Rafael Gorjão. Foi enviado para a Índia por ser especialista em Hidráulica Agrícola, chegou a Goa em Janeiro de 1904. Em 1905, fez uma viagem de inspecção ás Obras Públicas e Militares de Macau, onde trabalhou nos projectos do Porto de Macau; saiu da Índia a 31 de Março de 1906, rumo à Birmânia, e em Outubro de 1906 foi oficialmente transferido para Timor. Foi Governador Interino de Macau. Termina as suas comissões nas colónias em 1908."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas, com falha de papel relevante na capa anterior. Interior correcto.
Raro.
25€

09 julho, 2026

FIGUEIREDO, Candido de -
O GOVERNO CIVIL DE VILLA REAL : Apontamentos de uma Administração.
Por... exgovernadôr civil. Lisboa, Typographia da Companhia Nacional Editora, 1893. In-4.º (23,5x16,5 cm) de 31, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
"Relatório" completíssimo, muito bem redigido, sobre a administração efémera do Governo Civil de Vila Real pelo autor, período marcado por inúmeros incidentes políticos, dos quais este se queixa em carta impressa no início do livro ao Conde de Cabral, que antes interviera junto do poder político para a sua nomeação para o cargo.
Obra não mencionada nas principais biografias do autor, ilustrada em página inteira com quadro-mapa elaborado pelo seu punho para facilitar a recolha de dados sobre a instrução no distrito.
Documento precioso, raro e muito interessante, com indubitável interesse para o conhecimento da região nos seus mais variados aspectos em finais do século XIX.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao Visconde de Baena.
"Desde que assumi a governação do districto, foram-me apresentadas repetidas queixas contra contra as irregularidades de várias câmaras municipais, no cumprimento dos seus encargos. Um dia, era o administradôr e outros empregados, que não recebia há mêses os seus vencimentos; outro dia, e mais frequentemente, eram as pobres mulheres, encarregadas da criação de expostos, e ás quais as câmaras não pagavam o respectivo subsidio, há quatro, cinco e sete annos; outro dia ainda, era um munícipe, apontando-me tal ou tal câmara, que se esquivava a impreteriveis melhoramentos locais, ao passo que contraia empréstimos de dezenas de contos, fazendo-os desapparecêr, sem que se soubesse como."
(Excerto de I - Fazenda municipal)
Índice:
Carta ao senhôr Conde de Cabral | I - Fazenda municipal. II - Beneficiência e saúde pública. III - Expostos. IV - Instrucção pública V - Processo eleitoral. VI - Segurança pública. VII - Emigração. - Jôgo. - Pêsos e medidas. - Contrabando. VIII - Conclusões.
António Cândido de Figueiredo (Tondela, 1846 - Lisboa, 1925). "Distinguiu-se como poeta, intelectual, lexicógrafo e interessado em sanscritologia.
Após cursar Teologia em 1863 no seminário de Viseu, matriculou-se em 1869 no curso de Direito na respetiva Faculdade da Universidade de Coimbra, formando-se a 8 de junho de 1874.
Em 1875, ajudou a fundar a Sociedade de Geografia de Lisboa, sendo seu sócio fundador com o número de registo 13.
À semelhança dos seus pares, teve uma atividade periódica intensa. Casado com uma feminista, Cândido de Figueiredo seria simpatizante da causa feminista, colaborando em revistas a que a esposa Mariana Angélica de Andrade (1840-1882) estava ligada, como Voz Feminina. Além de advogado, poeta, prosador, estudioso da língua portuguesa, Cândido de Figueiredo foi também tradutor, sobretudo das línguas francesa e italiana, contando-se, entre o seu repertório, desde obras de filologia à ficção do belga Maeterlinck (1862-1949)."
(Fonte: https://tecop.bnportugal.gov.pt/np4/np4/figueiredo.html)
Bonita encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Aquando do trabalho de encadernação foi acrescentado ao livro folhas em branco com o fim de "engrossar" o volume.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
A BNP dá notícia do livro com a indicação "Sem informação exemplar" e "Mau estado de conservação".
Indisponível

30 abril, 2026

MAGALHÃES, José Calvet de - A ATITUDE CHINESA PERANTE MACAU E O FUTURO DA NOSSA COLÓNIA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1946. MACAU E OS INTERÊSSES POLITICOS NO SUL DA CHINA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1947. Cantão, [s.n.], 1947-1948. In-4.º (27,5x19 cm) de [5], 100 f. ; il. e [6], 44 f. ; E.
1.ª edição.
Primeiros relatórios elaborados por iniciativa de Calvet de Magalhães, cônsul português em Cantão na época, com a chancela "Confidencial", sendo seu objectivo dar a conhecer aos "corredores do poder" em Lisboa - Ministério dos Negócios Estrangeiros e Presidência do Conselho - a situação de Macau, pura e dura, sem "floreados". Descreve a conjuntura da colónia, a reivindicação chinesa sobre Macau e Hong Kong, e os interesses das outras potências presentes nesta zona do globo - sobretudo ingleses, franceses e americanos - sublinhando, no entanto, a perspectiva da China e a sua influência na Região Administrativa de Macau, não deixando o diplomata de apontar caminhos e recomendar formas de aproximação às autoridades chinesas, locais e centrais, tendo em conta o contexto político e militar, a sua cultura peculiar e objectivos estratégicos, para ajudar o poder central na tomada de decisões. O Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, que dava já como perdido o território, leu com interesse os relatórios, com os quais concordou quase na íntegra, felicitando o autor, que se regozijou com os elogios presidenciais na abertura do segundo relatório.
Exemplares batidos à máquina, policopiados, impressos na frente, com mapas reproduzidos no texto do segundo relatório. Por opção, o relatório mais moderno foi encadernado à frente.
Os Relatórios procedem do espólio de um embaixador português. Trata-se de documentação importante, praticamente desconhecida, com interesse para a história das relações sino-portuguesas do pós-Guerra (1945), coincidindo com o conflito civil chinês que opôs facções nacionalistas a comunistas, em tempos marcados por alguma conflitualidade regional entre Macau e as províncias chinesas vizinhas. Aborda questões centrais da política da colónia, como o jogo, o turismo, o comércio com a metrópole e a obra missionária.
"Êste breve relatório contém pontos de vista meramente pessoais e portanto sujeitos a discussão e rectificação. Para a sua elaboração procurei apoiar-me, todavia, nos elementos mais objectivos que pude lançar mão, não esquecendo a observação directa do ambiente local traduzido pelas pessoas e pela imprensa.
Os pontos fracos da nossa posição em relação ao problema de Macau não deixaram de ser registados, pois creio que o seu estudo é tanto ou mais importante que o estudo dos pontos que nos são inequìvocamente favoráveis. Nos estudos publicados acêrca da nossa soberania em Macau, tem-se naturalmente procurado tirar o maior número de conclusões a nosso favor, tentando-se, por outro lado, diminuir de tôda a forma os argumentos que possam ser utilizados pelos nossos adversários nesta questão. Num trabalho destinado à apreciação do Ministério dos Negócios Estrangeiros não creio que haja lugar para tiradas patrióticas ou pintura de problemas com côres róseas."
(Excerto de Duas palavras - Relatório anual referente ao ano de 1946)
Índice Relatório de 1946:
[Duas palavras] | I - A atitude chinesa perante Macau. II - A atitude portuguesa acêrca da soberania de Macau. III - O futuro de Macau.
Índice Relatório de 1947:
Introdução | § 1º Exame breve das condições económicas e estratégicas do Sul da China. § 2º A política chinesa no Sul da China. § 3º A política inglesa no Sul da China e a colónia de Hongkong. § 4º Os interêsses franceses no Sul da China. § 5º Haverá uma política americana no Sul da China? § 6º Esquema dos interêsses e da política portuguesa no Sul da China.
José Calvet de Magalhães (1915-2004). "Embaixador de Portugal (um dos principais e mais conhecidos diplomatas portugueses da segunda metade do século XX), foi um pioneiro da chamada diplomacia económica e um dos grandes protagonistas na aproximação de Portugal à Europa enquanto participante activo em negociações que envolveram diversos organismos europeus. O embaixador Calvet de Magalhães não foi só um homem de acção. Possuidor de um consistente pensamento sobre a Europa e sobre as relações externas de Portugal, deixou-nos o seu ideário materializado num conjunto de obras que enriquecem o seu legado e juntam à sua actividade diplomática um acervo de ideias sobre as relações internacionais do seu tempo. Referência para uma geração de diplomatas, o seu ascendente provém da forma lúcida como a cada momento foi capaz de defender simultaneamente essas suas ideias e os interesses portugueses. Mais que atlantista, americanófilo, nunca deixou de estar atento ao carácter euro-atlântico de Portugal e, em particular, à importância da posição geoestratégica dos Açores e de Portugal como ponte entre a Europa e a América.
Calvet de Magalhães nasceu em 1915, em Lisboa, sob o signo da I Guerra Mundial. Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1940, fez estágio de advocacia; em 1941 candidatou-se a um lugar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e foi admitido – por essa altura entraram também para o Palácio das Necessidades Eduardo Brasão e Franco Nogueira. Ao longo da sua vida trabalhou com mais de duas dezenas de ministros dos Negócios Estrangeiros.
Estreou-se na direcção-geral dos Negócios Económicos, uma área da diplomacia em que veio a especializar-se. Em 1945 encontramo-lo como cônsul-adjunto em Nova York, de onde no mesmo ano seria transferido para Washington. Em 1946 foi enviado para Boston onde fica a gerir o consulado até que, volvidos poucos meses, é enviado para Cantão (onde acompanha o fim da guerra civil chinesa e a chegada de Mao Tsé-Tung ao poder), regressando a Lisboa em 1950. [...]"
(Fonte: https://ipri.unl.pt/images/publicacoes/revista_ri/pdf/r8/RI08_07MFRollo.pdf)
Encadernação contemporânea inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
250€

01 fevereiro, 2026

EMPRESA DE PESCA DE VIANA S. A. R. L. : VIANA DO CASTELO -
Relatório, Balanço e Contas do Exercício de 1969
. [Viana do Castelo], [EPV], 1970. In-8.º (22x16,5 cm) de [12] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Relatório e Contas da Empresa de Pesca de Viana, uma das mais importantes firmas de pesca longínqua nacional, possuindo barcos próprios, entre eles os icónicos lugre "Santa Maria Manuela" (1937), e os navios-motor gémeos "Santa Maria Madalena" e "São Ruy" (1939), todos construídos nos estaleiros da CUF.
Este relatório evidencia as dificuldades que a EPV atravessou em 1969, mormente pela escassez de peixe e, por consequência, o aumento dos preços, o que a impediu de realizar alguns investimentos na frota pesqueira e nas instalações da empresa. Subscreve o Relatório o Conselho de Administração constituído por: João Delgado Cerqueira; João do Carmo Correia Botelho; Adolfo Augusto Matamoro Juzarte Rolo; Hernâni Pereira Furtado; Tiago Martins Delgado.
Peça com interesse para a história da pesca do bacalhau em Viana, ilustrada com "mapas" contabilísticos.
Documento raro. A BNP não menciona o presente relatório na sua base de dados.
Tiragem limitada a 560 exemplares.
"A campanha de pesca de 1968, a que se referem as contas apresentadas, decorreu normalmente e os seus resultados podemos considerá-los satisfatórios.
Infelizmente já não podemos dizer o mesmo da última campanha ainda em curso, ou seja a relativa a 1969.
Como estava previsto por especialistas internacionais, verificou-se na passada campanha uma invulgar escassês de pescas.. Esta instabilidade foi uma das principais razões que nos levou, cautelosamente, a adiar mais uma vez a construção de novas unidades, iniciativa que nunca deixamos de ponderar. A circunstância referida é agravado pelo facto de o preço do bacalhau ter estado tabelado durante cerca de vinte anos o que não nos permitiu criar as reservas necessárias para encararmos tal resolução com a prudência que julgamos aconselhável. A presenta campanha parece-nos ter confirmado este critério, porquanto a escassês de pesca foi de tal modo que o nosso navio de linha não conseguiu totalizar 1/3 da sua carga e os nossos arrastões gastaram nas suas viagens o dobro do tempo habitual."
(Excerto do Relatório)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

18 novembro, 2025

ANTAS, Azeredo e MONTERROSO, Manuel -
A SALUBRIDADE HABITACIONAL NO PÔRTO (1929-1933).
Por... Delegados de saúde. Ministério do Interior : Direcção Geral de Saúde. Inspecção de Saúde do Pôrto. Lisboa, Imprensa Nacional, 1934. In-8.º (22x14 cm) de 51, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho - produzido nos alvores do Estado Novo - composto pelos relatórios que sobre o assunto escreveram dois especialistas em saúde e higiene urbana na cidade do Porto.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Azeredo Antas ao conhecido médico, publicista e dirigente político Brito Camacho.
"Pertinazmente, mas com apropriada ductilidade, tem de ser conduzida a acção sanitária na cidade do Pôrto, dadas as condições especificamente ligadas à topografia e vida social dêsse aglomerado.
A Inspecção de Saúde do Pôrto fixou proficientemente umas normas de procedimento, fugindo a quaisquer luzimentos mas insistindo em realizações práticas que hoje já começam a ser verificadas.
Os médicos sanitários dessa Inspecção, escolhidos para a fiscalização e estudo da salubridade  habitacional, têm revelado um critério perfeito nos conhecimentos doutrinários e sagazmente modelado por experiência longa."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Relatórios apresentados à Inspecção de Saúde do Pôrto:
I - A salubridade habitacional no Pôrto, por Azeredo Antas e Manuel Monterroso..
II - A salubridade das novas habitações, por Azeredo Antas.
III - A salubridade urbana em geral (correcção dos defeitos sanitários), por Manuel Monterroso.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta pequena falha de papel na capa, à cabeça.
Muito invulgar.
15€

19 outubro, 2025

RELATÓRIO ANUAL DA PANAIR DO BRASIL S. A. - RIO DE JANEIRO BRASIL : 1950 -
Relatório da Directoria Relativo ao Exercício de 1950, a ser Apresentado à Assembléia Geral Ordinària, em 24 de Abril de 1951. [Rio de Janeiro], [Panair], 1951. In-8.º (22,5x16 cm) de 43, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Relatório e Contas da Panair, icónica"companhia aérea [brasileira] que dominou o setor de aviação nacional entre as décadas de 1940 e 1960 e teve a licença de operar retirada pelo regime militar sem aviso prévio, sendo, em seguida, liquidada judicialmente. À época, a Panair era a mais importante companhia aérea do país, concessionária exclusiva das rotas para a Europa, África e Oriente Médio, além de operar em vários países da América do Sul e em todo o Brasil, executando um serviço único de integração em 43 localidades da Amazônia. No dia 10 de fevereiro de 1965, sem que antes fosse instaurado um processo administrativo regular, todas as suas concessões de linhas aéreas foram suspensas, por meio de um curto despacho assinado pelo Presidente da República, o marechal Castello Branco, e pelo ministro da Aeronáutica, brigadeiro Eduardo Gomes." (Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Informacao/Dilemas/noticia/2015/02/caso-panair-completa-50-anos-ainda-sem-desfecho-judicial.html)
Obra de grande esmero e apuro gráfico, impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada com belíssimos desenhos  a duas cores e multi-cores, no texto e em página inteira, com layou e desenhos de W. Heitinger e A. Turack. Contém informações relevantes para a análise da situação económico-financeira da empresa, rotas, frota aeronáutica, etc.
Inclui CDV de Paulo Sampaio, Presidente-Gerente Geral da Companhia tendo manuscrito na frente "Com os cumprimentos de".
"A Panair do Brasil S.A. foi uma companhia aérea brasileira sediada no Rio de Janeiro, fundada em 22 de outubro de 1929, por Ralph Ambrose O'Neill, como NYRBA do Brasil. Foi uma das companhias aéreas pioneiras do Brasil. A NYRBA foi incorporada pela Pan Am em 1930, e teve seu nome mudado para Panair do Brasil, em referência ao código telegráfico da Pan American World Airways, "PANAIR", controladora da empresa. Foi a principal empresa aérea brasileira entre 1930 e 1950, e perdeu mercado - principalmente o doméstico - na década de 1950, com o crescimento da Varig e da Real." (Wikipédia)
"Cumprindo o que determinam a lei e os estatutos, o Conselho Administrativo, tem o prazer de submeter à sua apreciação o Relatório, Balanço Geral e Conta de Lucros e Perdas relativos ao exercício findo em 31 de dezembro de 1950.
Foi o ano de 1950 assinalado por importantes acontecimentos para a Companhia sendo-nos grato destacar e louvar a acção do Govêrno que, compreendendo a grave situação que vinha sendo atravessado pelas linhas internacionais, estendeu às quatro emprêsas brasileiras, que as operam, o amparo financeiro indispensável à sua continuidade. A Lei n.º 1.181, de 17 de agosto de 1950, constitui, certamente, um dos mais importantes marcos na história da Aviação Comercial Brasileira, uma vez que, não fôra a mesmo promulgada, impossível seria continuar a manter o tráfego regular, além fronteiras. Só se pode ter uma idéia do seu alcance quando se focaliza o fato de que, em menos de cinco anos, aeronaves da Panair, para só falar das nossas, atravessaram 1.736 vêzes o Oceano Atlântico, proporcionando um intercâmbio político-comercial de grande interêsse para o Brasil."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Capital e Acionistas | Tráfego Efetuado | Novos Horários e Linhas |  Aeronaves | Pessoal | Receita | Despesa | Situação Econômica-Financeira | Conclusão | Balanço | Conta de Lucros e Perdas | Parecer do Conselho Fiscal.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

15 abril, 2025

LEMOS, A. Tovar de -
RELATÓRIO DOS SERVIÇOS REFERENTES À PROSTITUIÇÃO. No ano de 1952. Por... Director do Dispensário de Higiene Social de Lisboa, etc. Direcção Geral de Saúde : Dispensário de Higiene Social - Lisboa. Lisboa, Tipografia Americana, 1953. In-8.º (21x14 cm) de 18 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Relatório dos serviços de apoio à prostituição na capital. Trabalho curioso e interessante, sendo um manancial de informação sobre o assunto.
Ilustrado com desenhos no texto.
Invulgar, a BNP não menciona este relatório, apenas o do ano anterior - 1951 (1952).
"O nosso relatório deste ano, como já o referente no ano anterior, apresenta o movimento do serviço não só de inspecção das toleradas, mas também o das mulheres encontradas exercendo a prostituição sob o aspecto clandestino e ainda o despiste dos contágios comunicados em conformidade com as leis vigentes."
(Abertura)
Índice:
[Abertura] | I Parte - Inspecção das toleradas: A) Número de mulheres observadas. B) Número de mulheres que baixaram ao hospital. C) Número de inspecções feitas. D) Número de baixas e motivos. E) Morbilidade venérea. F) Tratamentos. G) Análises. H) Total dos Serviços Clínicos. I) Desaparecidas durante o ano. J) Grávidas. II - Parte - Clandestinas. Observações. Tratamentos. III Parte - Contágios participados (Nacionais e estrangeiros).
Alfredo Tovar de Lemos Júnior (1885-?). "Licenciado em medicina aos 23 anos, cedo começou a preocupar-se com os problemas sociais e com a saúde dos mais desprotegidos. Dedicou-se ao estudo da Higiene Social e à propaganda da Educação Física, e dirigiu a primeira Escola de Reeducação de Sinistrados do Trabalho. Desempenhou diversos cargos públicos, tendo sido Director do Dispensário de Higiene Social de Lisboa, Delegado de Saúde e Vereador da Câmara de Lisboa."
(Fonte: https://antigosescoteiros.blogspot.com/2010/12/dr-alfredo-tovar-de-lemos.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

01 março, 2025

JARDIM ZOOLOGICO E DE ACCLIMAÇÃO EM PORTUGAL : Sociedade anonyma de responsabilidade limitada.
Capital realizado 65:980$000 réis - RELATORIO DA DIRECÇÃO E PARECER DO CONSELHO FISCAL. Para serem presentes á assembléa geral ordinaria de 1910. Lisboa Typographia - Casa Portugueza - Papelaria, 1910. In-4.º (23x16 cm) de 42 p. ; [1] f. convoc. ; il. ; B.
1.ª edição.
Relatório e Contas do Jardim Zoológico de Lisboa publicado pouco tempo antes da eclosão do movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910.
Ilustrado com inúmeras tabelas e quadros estatísticos. Inclui, ente outros "mapas", o "Inventario dos animaes existentes em 31 de Dezembro de 1909", a "Relação dos animaes doados ao Jardim, em 1909" e a "Lista dos Accionistas".
Raro e muito interessante. A BNP não tem registo deste Relatório.
À parte, no início do livro, encontra-se uma folha com o título "Aviso", que não é mais que a convocatória para a assembleia de accionistas, com dia e hora para a mesma, de acordo com as disposições legais em vigor.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Contracapa apresenta falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
25€

19 fevereiro, 2025

FERREIRA, Luiz Feliciano Marrecas - 
EFFEITOS DOS TREMORES DE TERRA NAS FABRICAS DE ALHANDRA. 
Pelo Engenheiro Chefe da 3.ª Circunscrição Industrial... Boletim do Trabalho Industrial - N.º 32. Relatorio dos Serviços 
da 3.ª Circunscrição dos Serviços Technicos da Industria no Anno de 1909. Lisboa, Imprensa Nacional, 1909. In-4.º (25x16 cm) de 7, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório do responsável técnico do Estado após o sismo ocorrido a 23 de Abril de 1909, com epicentro localizado na costa do Algarve, que atingiu Lisboa, mas sobretudo, a região de Benavente (razão pelo qual foi baptizado com o nome dessa vila), Samora Correia e Salvaterra de Magos, já no Ribatejo. Registaram-se cerca de 40 mortos e 70 feridos.
Trabalho interessante sob o ponto de vista histórico e técnico. Raro. A BNP não menciona.
"Segundo as noticias recebidas dos diversos pontos em que se fez sentir a catastrophe a povoação da margem direita do Tejo mais damnificada foi Alhandra, importante centro fabril, não constando, até o momento em que escrevo, de qualquer fabrica situada noutra região que tivesse soffrido qualquer damno digno de nota.
Impunha-se-me, portanto, como dever a visita ás fabricas da localidade, indo lá investigar especialmente se do estado de ruina das edificações poderia resultar prejuizo para os operarios e quaes as providencias a prescrever, se remedio efficaz não houvesse já sido dado.
Direi, antes da succinta descrição a que vou passar, que vi nos empregados superiores d'ellas a maior solicitude por tudo o que respeita á segurança dos seus operarios e que não ha absolutamente ponto algum onde, com perigo para estes, a laboração tenha continuado.
São quatro as fabricas ali existentes, versando a laboração sobre:
Cimento, fabrica de Antonio Moreira Rato & Filhos.
Ceramica, fabrica de Chamusco & Tavares.
Linho e juta, Companhia Fabril Lisbonense.
Fiação e tecidos, Fabrica de José Ferreira do Amaral."
(Excerto do Relatorio)
Luís Feliciano Marrecas Ferreira (1851-1928). "Nasceu em Évora a 1 de julho de 1851 e faleceu a 4 de junho de 1928. Formou-se em engenharia militar na Escola do Exército, tendo seguido a carreira militar no Exército. Especializado em Matemática, foi lente da Escola do Exército e do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa. Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais a 1 de abril de 1880, passando a sócio efetivo a 13 de março de 1905, integrando a 1.ª secção (Ciências Matemáticas). Na Academia, foi eleito vogal do Conselho Administrativo a 16 de dezembro de 1909 e a 17 de dezembro de 1918, tendo sido, segundo uma anotação no seu processo, também eleito membro do mesmo Conselho Administrativo entre 1911 e 1914."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/details?id=20723&detailsType=Authority)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

21 novembro, 2024

CONDE DE RIO MAIOR, Antonio -
UMA OPINIÃO SOBRE OS EXPOSTOS DA SANTA CASA DA MISERICORDIA DE LISBOA. Pelo...
Lisboa, Imprensa Nacional, 1866. In-8.º (22,5x13,5 cm) de [2], 173, [7] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante contributo para a história dos enjeitados em Portugal. Trata-se do relatório sobre os expostos da SCML, publicado pouco tempo antes das profundas transformações operadas pela novel política de recolhimento de crianças abandonadas, a partir de 1870, motivada por questões financeiras.
Ilustrado com quadros e tabelas estatísticas no texto.
Raro. Com interesse histórico.
"Nomeado pelo governo adjunto do provedor da Santa Casa da Misericordia de Lisboa, fui obrigado, pouco tempo depois de ter tomado posse do logar, a sair do reino por motivos de saude. Entendi que devia aproveitar a occasião para visitar alguns estabelecimentos de caridade no estrangeiro, e procurar documentos, que instruindo-me principalmente na questão dos expostos, um dos problemas mais graves que a mesa da Santa Casa deseja resolver, me ajudassem a formar uma opinião sobre esta difficil e importante materia.
São estes estudos que venho publicar hoje...[...]
A ordem que seguirei no exame das m,aterias é a seguinte:
1.º Tratarei das rodas, procurando provar que, no estado em que nos achâmos, a sua supressão imediata é impossivel.
2.º Emquanto aos socorros ás mães, distinguirei as casadas das solteiras, e para umas e outras a conveniencia ou inconveiencia d'estes mesmos socorros, a creação de premos, a organisação de associações religiosas, finalmente a necessidade da fiel execução de boas leis contra a exposição.
3.º Fallarei da inspecção e das amas, distinguindo dois periodos da vida do exposto.
4.º Finalmente direi o que entendo a respeito do hospital dos expostos na Santa Casa de Lisboa, e as reformas que julgo poderem ali introduzir-se."
(Excerto da Introducção)
António José Luís de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa, 1.º marquês de Rio Maior (1836 - 1891). "Era filho dos 3.ºs Condes de Rio Maior, João Maria de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa Mãe e Isabel Maria José de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, foi o 4.º Conde e 1.º Marquês de Rio Maior. Foi bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, oficial-maior da Casa Real com o cargo de mestre-sala, Par do Reino e deputado. Foi adido honorário da Legação em Paris, provedor da Santa Casa da Misericórdia em Lisboa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa."
(Fonte: https://monarquiaportuguesa.blogs.sapo.pt/antonio-jose-de-saldanha-oliveira-e-970381)
Bonita encadernação meia de pele com rótulo e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Ostenta ex-libris dos Viscondes de Santarem e de Villa Nova da Rainha no verso da pasta anterior e na folha que precede o ante-rosto.
Raro.
85€

26 setembro, 2024

MARTINS, Dr. Francisco - DISCURSOS. In-8.º (22x14,5 cm) de 17, [3]p. ; [1] f. il. (I) - 45, [3] p. (II) - 45, [3] p. (III) - 51, [1] p. (IV) - 33, [3] p. (V) - 31, [1] p. (VI) - 20 p. (VII) - 32 p. (VIII) ; E.
1.ª edição.
Livro composto por oito obras, todas com folha de rosto próprio, publicadas entre 1890 e 1904, incluindo sermões, orações, discursos, alocuções, e um relatório acerca de um compêndio proposto pelo autor para a disciplina de História Eclesiástica na Faculdade de Teologia da UC.
Ilustrado com uma estampa extra-texto no primeiro opúsculo - "Oração funebre que nas exequias solemnissimas de Sua Magestade El-Rei D. Luiz celebradas pela Universidade de Coimbra...".
O autor, figura de destaque do ensino na época, foi presbítero e professor catedrático na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra e, mais tarde, no início do século XX, reitor do Liceu Nacional Central do Porto.
Exemplar valorizado pelo seu autógrafo com dedicatória ao "afilhado e amigo Alberto Moreira da Rocha Brito". A data visível na pasta anterior - "26-XII-903" - assinala o sacramento da Confirmação de Rocha Brito (1885-1955), que viria a ser "persona grata" de Coimbra e distinto professor da Faculdade de Medicina na Universidade, tendo obtido projecção na área da Dermatologia e Epidemiologia.
Encadernação em percalina com ferros gravados a seco e a negro e ouro nas pastas e na lombada.
Raro.
45€

17 agosto, 2024

CABRAL, Cezar Amadeu da Costa -
A ACÇÃO REPUBLICANA MILITAR NA PROVINCIA (Região central do paiz).
[Por]... Tenente d'Infanteria. Apontamentos para a Historia da Republica Portugueza. [Prefácio de Álvaro de Castro]. Coimbra, F. França Amado, Editor, 1911. In-8.º (19 cm) de 66, [2] p. ; [1] f. desdob. ; B.
1.ª edição.
Relatório sobre o movimento conspirativo militar que desencadeou a revolução republicana no centro do país, com epicentro em Coimbra. Trata-se de um raro e importante subsídio para a história da implantação da República em Portugal.
Prefácio de Álvaro de Castro, "jovem turco" da República.
Ilustrado em separado com folha desdobrável do autógrafo cifrado de J. A. Pereira de Vasconcelos "relativo á detenção dos militares manifestamente adverso à Republica no movimento revolucionario de 28 de janeiro". É muito interessante esta cifra, onde "os numeros que estám a seguir aos «sinais» indicam os individuos encarregados das respetivas detenções e outros trabalhos ali marcados", seguindo-se a exposição alfanumérica dos estudantes insurgentes, bem como outros revolucionários "estranhos á academia" - artistas, comerciantes, caixeiros e empregados públicos.
Inclui correspondência entre Costa Cabral e alguns dos insignes revolucionários republicanos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa - curiosa - do autor ao conhecido professor e arqueólogo viseense Dr. José Coelho (1877-1977).
"O teu livro ficará sendo um precioso documento para a futura historia do movimento revolucionario.
E aqui tens o que necessitava dizer-te com toda a franqueza de amigo. [...]
Se procuras simplesmente o camarada que comtigo teve as mesmas decepções, as mesmas dores e eguaes esperanças isso é outra cousa, mas então este prefacio não é mais do que uma pagina de recordações.
O escrevel-a seria roubar-te uma parte dum futuro livro, onde descreverás os meios principaes da perseguição monarchica, a atmosphera politica de Coimbra antes da morte do rei Carlos e ainda as figuras comicas que constituiam os elementos de defeza do throno."
(Excerto do Prefacio)
Ao começar a escrever estas linhas, varias difficuldades se nos deparam.
Que nome deveremos pôr ao conjuncto destes apontamentos?
Relatorio! - não será fatuoso este nome, quando nelle se não descreve nenhum feito ostensivo, quando não tomámos parte, nem assistimos a nenhum dos combates, que tiveram por fim proclamar a Republica no paiz?
A Republica na Provincia! - Não será alargar demais a esphera d'acção que praticamente desconhecemos?
Não será abusar um pouco d'um vão personalismo, quando são exclusivamente collectivos os esforços empregados num mesmo trabalho?
A acção republicana militar na provincia (Região central do paiz).
Parece-me ser este o nome mais adequado, porquanto, se vão demonstrar os esforços praticados por um punhado de militares republicanos, e embora o seu campo de acção seja principalmente em Coimbra, elles irradiaram, como conhecemos, por outros pontos, taes como Figueitra da Foz, Thomar, Aveiro, e, portanto, podemos dizer região central do paiz. [...]
Com estes apontamentos, podemos ainda dar elementos a quem quizer fazer a historia completa do movimento republicano em Portugal. [...]
Estes apontamentos, que tenho a certeza, serão acolhidos com interesse no meio republicano, sê-lo-hão tambem no exercito, quer entre os camaradas que, tendo sido sempre liberaes (e essa era a maioria do exercito), só por uma noção mal comprehendida não collaboraram com os republicanos, mas que depois contribuiram para a completa consolidação da Republica, e pelos nossos camaradas revolucionarios de Lisboa e Porto."
(Excerto do Cap. I)
César Amadeu da Costa Cabral. Pouco se sabe acerca do autor deste relatório. A BNP dá notícia de, para além da presente obra, uma outra - Aleluia Portuguêsa! Alocução proferida... em homenagem aos Herois Desconhecidos da Grande Guerra (1921) e o jornal publicado em Aveiro A Portugueza : jornal republicano independente (1912-1913), de que foi director.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Ex-libris do Dr. José Coelho na f. ante-rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

08 maio, 2024

ASSOCIAÇÃO DOS ARTISTAS DE COIMBRA - ANNO DE 1872. Coimbra, Imprensa da Universidade, [1873]. In-4.º (24,5x17 cm) de 34 p. ; B.
1.ª edição.
RELATORIO E CONTAS DA ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MUTUOS DOS ARTISTAS DE COIMBRA RESPEITANTE AO ANNO DE 1897. Coimbra, Typographia de Luiz Cardoso, 1898. In-8.º (22,5x14,5 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de opúsculos com interesse para a história da conhecida agremiação coimbrã - escola de artes e ofícios - e do associativismo operário da cidade - a Associação dos Artistas de Coimbra.
"Cumprindo a disposição do artigo 73.º dos nossos estatutos, temos a honra submetter á vossa apreciação as contas relativas ao anno de 1872 e que respeitam á nossa gerencia. [...]
Tivemos alguns donativos importantes, como se vê do mappa da nossa conta de receita e despeza, figurando entre os bemfeitores o nosso generoso monarcha o Senhor D. Luiz I, seu augusto irmão o Senhor Duque de Coimbra nosso presidente honorario, e o Senhor D. Pedro II Imperador do Brazil, que, visitando esta casa, se declarou nosso protector."
(Excerto de Associação dos Artistas de Coimbra : Anno de 1872 - Relatorio da Direcção)
Exemplares brochados em bom estado geral de conservação. Cansados, com falhas e pequenos defeitos. Ambos apresentam orifícios de arquivador.
Raro conjunto.
20€

06 maio, 2024

MARTINS, J. P. Oliveira -
PROJECTO DE LEI DE FOMENTO RURAL APRESENTADO Á CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS NA SESSÃO DE 27 DE ABRIL DE 1887.
Pelo deputado... Lisboa, Imprensa Nacional, 1887. In-8.º (23,5x14,5 cm) de 155, [5] p. ; [12] p. desdob. ; B.
1.ª edição.
Contributo legislativo de Joaquim Pedro de Oliveira Martins composto por um relatório que expõe o panorama geral do país e em particular o estado calamitoso da lavoura, a que não era alheio o fenómeno da emigração na época, e o projecto de lei que o justifica.
Em ambos aborda com detalhe assuntos relacionados com a caça e a pesca, temas sempre interessantes e caros a franja importante da população portuguesa.
Inclui 19 "mapas" distribuídos por 12 páginas do texto.
"Pedi a palavra para mandar para a mesa um projecto de lei. Antes, porém, de o ler, desejo justificar a sua apresentação com differentes considerações que me foram suggeridas, especialmente, por um trabalho da maior importancia, distribuido na ultima ou em uma das ultimas sessões da legislatura transacta. Refiro-me ao relatorio ácerca do estado da emigração portugueza. [...]
Do relatorio a que me refiro, extrahi uns mappas para que chamo a attenção da camara. Não os leio por ser impossivel, limitando-me a envial-os para a mesa, a fim de serem publicados no Diario da camara.
Estes mappas abrangem uma parte muitissimo consideravel da area do paiz, e o relatorio a que me refiro consiste na impressão dos depoimentos das differentes camaras municipaes, das differentes repartições de fazenda e administrações de concelho, como respostas a um questionario que lhes foi enviado pela commissão parlamentar de emigração. [...]
Nos mappas a que me refiro dividi a zona inquirida em cinco regiões que se caracterisam de uma maneira perfeitamente homogenea.
A primeira comprehende os districtos da Guarda, Bragança e parte do de Vizeu; a segunda o Alemtejo; a terceira o Algarve; a quarta todo o litoral até á fronteira da Galliza, a quinta as ilhas adjacentes.
Exporei á camara o que dizem os differentes depoimentos sobre questões graves que se referem ao regimen do trabalho, á emigração, ao mercado dos capitaes e ao valor da propriedade.
Os dados recolhidos ácerca d'estes diversos assumptos seriam o bastante, parece-me, para se formar uma idéa nitida do estado em que se encontra o paiz, estado que me parece contrastar de modo gravissimo com aquella que se afigura a muitas pessoas que não olham alem do perimetro da capital."
(Excerto de Apresentação do projecto)
Indice:
Apresentação do projecto | Mappas anexos | Relatorio: I. População e emigração portugueza; II. Possibilidade de aproveitamento dos incultos; III. Fórmas de colonisação; IV. Preferencia de culturas; V. Divisão e fragmentação da propriedade; VI. Os capitaes e a lavoura; VII. Economia hydraulica portuguza; VIII. As legislações florestaes; IX. A caça e a pesca; X. Os proprietarios e a associação; XI. Conclusões. | Projecto de lei: I - Do credito rural; II - Dos consorcios de proprietarios; III - Do arroteamento de terrenos incultos; IV - Do desseccamento de pantanos e salgados; V - Da utilisação de aguas publicas; VI - Da arborisação por utilidade publica; VII - Da caça e pesca; VIII - Da indivisibilidade dos casaes; IX - Disposições diversas.
Joaquim Pedro de Oliveira Martins (1845-1894). "É hoje reconhecido como um dos fundadores da moderna historiografia portuguesa e uma das vozes de maior relevância do pensamento político e social do século XIX. Foi historiador, político e cientista social, cujas obras marcaram sucessivas gerações de leitores e investigadores, influenciando escritores do século XX, como António Sérgio ou Eduardo Lourenço. Abandonou os estudos por dificuldades económicas da família, tendo trabalhado no comércio e mais tarde como diretor de vários projetos empresariais e industriais. Foi deputado em 1883, eleito por Viana do Castelo, e em 1889 pelo círculo do Porto. Em 1892 foi convidado para a pasta da Fazenda, no ministério que se organizou sob a presidência de Dias Ferreira, e em 1893 foi nomeado vice-presidente da Junta do Crédito Público. Elemento animador da Geração de 70, revelou uma notável adaptação às múltiplas correntes de ideias do seu século, tendo colaborado nas principais publicações literárias e científicas de Portugal. A sua vasta obra começou com o romance Febo Moniz, publicado em 1867, e estende-se até 1894, ano em que morreu. Na área das ciências sociais escreveu, por exemplo, Elementos de Antropologia, de 1880, Regime das Riquezas, de 1883, e Tábua de Cronologia, de 1884. Das obras históricas há a destacar História da Civilização Ibérica e História de Portugal, em 1879, O Brasil e as Colónias Portuguesas, de 1880, Os Filhos de D. João I, de 1891, e Portugal Contemporâneo, de 1881. É também necessário destacar a sua História da República Romana. A sua obra suscitou sempre controvérsia e influenciou a vida política portuguesa, mas também historiadores, críticos e literatos do seu tempo e do século XX."
(Fonte: Wook)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas cortes marginais.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível