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09 setembro, 2026

CHERNOVIZ, Pedro Luiz Napoleão -
MODO DE CONHECER A IDADE DO CAVALLO, DO BURRO, DAS BESTAS MUARES, DO BOI, DO CARNEIRO, DA CABRA E DO PORCO, FUNDADO NAS OBSERVAÇÕES MAIS MODERNAS DOS MEDICOS VETERINARIOS.
Por.. Doutor em medicina, Cavalleiro da Ordem de Christo. Com 52 figuras intercaladas no texto. Pariz, Em Casa do Autor, 1866. In-8.º (21,5x14 cm) de 30, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual veterinário para identificação dos animais pela dentição. Metade da obra é dedicado ao estudo do Cavalo.
Ilustrado no texto e em página inteira com numerosos desenhos exemplificativos.
"A dentição offerece um meio certo de conhecer a idade do cavallo.
O cavallo tem 40 dentes, e ás vezes 44, quando tem os quatro molares supplemetarios; a egua 36, e ás vezes 40, quando tem as quatro presas. Achão-se estes dentes distribuidos symetricamente pelas duas queixadas, metade em cada queixada, e denominão-se da maneira seguintye: doze incisivos, que fechão n'um semi-circulo as extremidades anteriores das arcadas dentarias; quatro presas ou colmilhos, que faltão ordinariamente nas eguas, situado no espaço que separa os molares dos incisivos; vinte e quatro molares ou queixaes, repartidos pelos lados da bocca; e quatro molares supplementarios (quando os ha) situados antes dos primeiros molares.
Chamão-se dentes caducos ou de leite, aos que cahem em epocas certas, e são substituidos por outros; e dentes substituintes, dentes de cavallo ou de adulto, são os que vem occupar o lugar dos dentes caducos; finalmente dentes permanentes, são aquelles que depois de nascidos não cahem nem soffrem phase alguma de substituição.
É pelos seis dentes incisivos da queixada inferior que se obterm dados positivos para se conhecer com certeza a idade de um cavallo."
(Excerto de Idade do cavallo)
Pedro Luiz Napoleão Chernoviz (Piotr Czerniewicz) (1812-1881). "Nasceu em 11 de setembro de 1812, em Lukov na Polônia. Filho de Francisco Czerniewicz e D. Tecla Przegalinska.
Iniciou os estudos em 1830, como estudante de medicina na Faculdade de Varsóvia, porém precisou sair de seu país, por ter participado de um levante contra o domínio russo. Assim como milhares de outros poloneses, recebeu abrigo em território francês, onde deu continuidade aos seus estudos, doutorando-se, aos 25 anos, em medicina pela Faculdade de Montpellier.
Com o intuito de expandir seus conhecimentos, em 1840, mudou-se para o Brasil. Em dezembro do mesmo ano, teve seu diploma reconhecido pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e foi aceito como Membro Titular na Academia Imperial de Medicina com a memória intitulada “O uso de nitrato de prata nas doenças das vias urinárias”. No ano seguinte, em 1841, recebeu a comenda de “Cavalheiro da Ordem do Cristo”.
Entretanto, ao entrar em contato com as vivências e costumes da capital brasileira, percebeu que, para atingir seus propósitos de enriquecimento, o meio mais eficaz não seria clinicar ou dedicar-se a cirurgia. Isto porque já haviam muitos consultórios médicos e de cirurgiões renomados na cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, o mesmo não se aplicava aos vilarejos interioranos, afastados dos grandes centros urbanos. A partir desta constatação, Chernoviz dedicou-se à ideia de produzir manuais em língua portuguesa, que tivessem explicações sobre o conjunto posológico e indicações de procedimentos básicos, que pudessem orientar leigos e acadêmicos nos atendimentos diários e nos primeiros diagnósticos. Faleceu em 31 de agosto de 1881 em Paris, na França."
(Fonte: https://www.anm.org.br/pedro-luiz-napoleao-chernoviz-piotr-czerniewicz/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel marginais e junto à lombada. Protegido por capilha de papel vegetal.
Raro.
Peça de colecção.
50€
Reservado

05 setembro, 2026

PEREIRA, Frederico A. - OS ELEPHANTES. Por... Consul de Portugal em Siam. Porto, Livraria Portuense de Lopes & C.ª, 1890. In-8.º (19x13 cm) de [2], 104, [2] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre o elefante asiático, primeira (e única) obra que sobre o assunto se publicou entre nós.
Raro e muito curioso.
Ilustrado com uma estampa do animal em separado.
"Não vamos fazer um estudo profundo sobre este assumpto. O nosso intuito é sem pretensões e visa simplesmente a fazer conhecer o quanto o elephante é um animal util ao homem pela sua intteligencia."
(Excerto de O elephante historico e de guerra)
"A Africa possue elephantes, mas não têm até hoje sido utilisados como animaes domesticos e de grande beneficio para quem os educasse, como acontece na Asia. No continente negro ignora-se mesmo um modo qualquer de os apanhar vivos, o que é de certo uma grande falta que se fosse remediada poderia ser um bom elemento de riqueza e de progresso. Oxalá que o meu trabalho, no que diz respeito á sua utilisação na Asia, possa contribuir para que de futuro se olhe para este pachiderme em Africa, como mais necessario como simples animal de caça: O seu marfim cujo valor augmenta com a edade, é nada comparado com os valiosos serviços que elle póde prestar á humanidade.
O elephante póde viver de 160 a 200 annos. Porém está sujeito a muitos contratempos que lhe abreviam a existencia: O homem mata-o quando póde; os animaes ferozes fazem-lhe uma guerra constante; entre si acontece em certas circumstancias que entram em lucta e sempre um dos contendores morre e ás vezes o outro pouco lhe sobrevive; a natureza apresenta grandes obstaculos á sua enorme massa, produzindo accidentes que acabam por matal-os, além de impedirem a sua reproducção. D'ahi resulta que a sua existencia está calculada na media de 70 annos. [...]
Os elephantes no estado selvagem andam sempre em rebanhos e obedecem ao mais velho ou ao mais forte, áquelle que melhor os póde guiar. Estes rebanhos compõem-se geralmente de 100 a 150. Obedecem ao seu chefe e é raro haver desintelligencia entre elles. A boa harmonia cessa quando um, menos soffredor, ou por ciumes, ou mais exigente que os outros, ou porque foi perturbado nos seus amores ou nas suas affeições, se mostra descontente e começa a maltratar os camaradas. O agressor vê então todos ligarem-se contra elle e depois de terriveis combates, humilha-se, mas altamente irritado; a companhia torna-se-lhe odiosa e para occultar a sua vergonha, sepára-se e refugia-se nas florestas. Este isolamento reage sobre o seu humor e azeda-lhe o caracter a tal ponto que se torna altamente perigoso para os seus semelhantes, para os outros animaes e para o homem; então mata tudo o que encontra. D'ahi provêm os nomes que lhes dão na Asia, de solitarios - matadores -; por isso é que o governo da India Ingleza dá um premio a todo aquelle que matar um de estes terriveis desertores."
(Excerto de O elephante selvagem)
Índice
:
- O elephante historico e de guerra. - O elephante selvagem. - Como se apanham elephantes. - Um captivo por amor. - A educação dos ellephantes. - O elephante em diversos serviços. - O elephante galante. - O elephante na familia. - O elephante combatente. - O elephante branco. - O elephante branco na Birmania. - O elephante branco em Siam.
Frederico António Pereira. Foi um diplomata, administrador colonial e escritor português do final do século XIX, cuja carreira ficou marcada pela sua prolongada missão no Sudeste Asiático. Exerceu as funções de cônsul de Portugal no Reino do Sião (atual Tailândia) entre 1886 e 1898. Geriu as complexas relações jurídicas e comerciais decorrentes dos tratados luso-siameses, lidando diretamente com o estatuto de proteção consular concedido a súbditos portugueses e a milhares de imigrantes chineses protegidos pelo consulado. O seu mandato foi caracterizado por posições firmes e controversas; chegou a entrar em conflito direto com o governo siamês devido à jurisdição sobre trabalhadores locais, o que gerou pedidos de sindicância e acesos debates epistolares com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Manteve uma articulação constante com o Governador de Macau, pedindo com frequência apoio naval (como o envio de canhoneiras) para reforçar a influência diplomática portuguesa na região do rio Chao Phraya.
Como a maioria dos diplomatas nessa época, Frederico António Pereira acumulava as funções de representação com o estudo científico, geográfico e etnográfico das regiões onde estava colocado. A sua estadia permitiu-lhe recolher material para tratados pioneiros em língua portuguesa sobre a fauna, as tácticas militares locais e as tradições asiáticas. Publicou Georgina : poema sentimental (1885), seguido pelo seu tratado etnográfico Os Elephantes (1890), e mais tarde, uma obra de fôlego sobre as relações entre o Sião e a Birmânia - The political intercourse between Siam and Burmah (1895). (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem as capas originais. Pelo interesse e raridade justifica encadernar.
Raro.
50€

29 agosto, 2026

FIGUEIREDO, Presbytero J. Santos -
FACTOS NOTAVEIS DA HISTORIA DA EGREJA LUSITANA.
2.ª edição refundida, augmentada e illustrada.. [Por].... Presidente do Synodo da Egreja Lusitana. Porto, Typographia Mendonça (a vapor), 1910. In-8.º (21x15,5 cm-capas) de 52 p. ; il. ; B.
Importante subsídio para a história da Igreja Anglicana entre nós, religião que antes se desenvolveu a partir das práticas, liturgia e identidade da Igreja da Inglaterra após a Reforma Inglesa, no contexto da Reforma Protestante na Europa.
Opúsculo raro e muito curioso. Trata-se de uma obra de propaganda agressiva, a que não será alheio o advento da República, recém-implantada, com o intuito evidente de passar, para dentro e para fora, os princípios orientadores, diferenças e ideais da Igreja Anglicana face à Igreja Católica Apostólica Romana.
Ilustrado no texto com desenhos, fotogravuras e retratos de diversas personalidades, onde se contam, entre outros, os de Damião de Góis, Alexandre Herculano e o Duque de Saldanha.
A Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica é a representante oficial da Comunhão Anglicana em Portugal. Trata-se de uma igreja cristã de cariz sinodal, estabelecida como uma alternativa reformada e de língua portuguesa à rigidez do catolicismo romano do século XIX. A igreja nasceu oficialmente a 8 de março de 1880, em Lisboa, durante o seu primeiro Sínodo Constitutivo. A sua criação resultou do descontentamento de vários clérigos e leigos católicos portugueses face à centralização e ao absolutismo papal - intensificados após o Concílio Vaticano I (1870), que declarou o dogma da infalibilidade do Papa. Apoiados pelo capelão anglicano em Lisboa, Thomas Pope, e presididos pelo bispo episcopal norte-americano Henry Riley, os fundadores uniram pequenas congregações independentes que já operavam em Sintra e Lisboa. O termo "Lusitana" foi escolhido porque os fundadores pretendiam restaurar a autonomia da antiga igreja cristã ibérica (da época da Lusitânia), antes de esta ficar sob a total tutela de Roma. (IA)
"Desde a implantação n'este paiz do systema constitucional a Egreja de Roma tem vindo a remar contra a maré. É um facto. E mais ainda: de anno para anno a corrente tem-se tornado mais forte, e a Egreja romana cada vez mais fraca já não póde marchar ávante!
Para que pois querer continuar na mesma direcção com prejuizo da felicidade do povo portuguez e da salvação de Portugal?
Não seria razoavel dar outra orientação á Egreja official, libertando-a do seu pesado dogmatismo?
Não seria melhor emfim deixar a Egreja de Roma que é extrangeira, e seguir a Egreja Lusitana que é toda nossa?
O clero catholico-romano vê bem que o povo o vae abandonando. Geralmente falando, os que seguem a egreja de Roma, ou o fazem por politica ou por costume. Rarissimos por convicção! E acontece isto assim apesar da Egreja de Roma ter toda a protecção do Estado e estar cercada de toda a sorte de privilegios, vendo-se a influencia ultramontana em todas as instituições portuguezas. [...]
Ora com todos estes favores a Egreja de Roma está n'uma situação lamentavel. Não tem força moral ou força religiosa para dirigir espiritualmente o paiz.
Que fazer?
É preciso escolher entre a morte e a vida.
A morte é a continuação da Egreja como está.
A vida é recorrer ao Christianismo puro.
Foi o Christianismo que, com o crear uma individualidade forte, salvou a sociedade, vencendo o collectivismo do Imperio romano: foi ainda o Christianismo que no século XVI salvou os povos, desfazendo a centralisação da Egreja papal; e hoje tambem só o Christianismo é que póde salvar Portugal, ensinando o melhor caminho da paz, da justiça e do amor."
(Excerto de Duas palavras ao clero catholico-romano)
Índice:
Duas palavras ao clero catholico-romano | I - Origem da Egreja Lusitana. II - Os primeiros concilios na Peninsula. III - Egreja Wisigothica - Sua independencia. IV - Egreja Mosarabe. V - Restauração das monarchias christãs e introdução do romanismo em Hespanha. VI - A Egreja Lusitana escravisada: os nossos primeiros reis são excommungados: D. Affonso Henriques; D. Sancho I; D. Afonso II; D. Sancho II-D. Affonso III-D. Diniz; D. Afonso IV-D. Pedro I-D. João I. VII - Da Egreja portugueza: Um sonho de reforma da Egreja no reinado de D. José.VIII - Restauração da Egreja Lusitana.
Rev. Joaquim dos Santos Figueiredo (Coimbra, 1865 - Lisboa, 1937). "Nasceu em Coimbra a 5 de janeiro de 1865, tendo nessa mesma cidade estudado no seu seminário diocesano, com vista à carreira eclesiástica. Lecionou no ensino particular enquanto aguardava a idade da ordenação ao presbitério católico, sendo nesta época que tem o primeiro contacto com os evangélicos, na cidade do Porto. Mais tarde, viria a frequentar em Lisboa o Curso Superior de Letras, concluindo com êxito o exame de Grego. Ordenado em 1887, ao regressar a Coimbra foi nomeado coadjutor da igreja de Santa Cruz, onde se destacou como pregador. Consta que um colportor da Sociedade Bíblica, natural dos Açores, aquando da sua estada em Coimbra, ofereceu uma Bíblia a um dos hóspedes do local em que se instalara, o qual não pretendendo ficar com a mesma a ofereceu à dona da hospedaria; esta por sua vez acabaria por entregá-la a Joaquim dos Santos Figueiredo para a queimar. Não o tendo feito, o presbítero católico passou a analisá-la no intuito de procurar as diferenças de tradução. Republicano convicto, os seus escritos na imprensa coimbrã mereceram a censura do seu bispo que o convidou a retratar-se. Recusando a invetiva, despediu-se dos seus leitores, renunciado ao húmus sacerdotal e abjurando do catolicismo romano, a 28 de fevereiro de 1892. No mesmo ano, regressou ao Porto na perspetiva de voltar a dedicar-se ao ensino; porém, ao aderir aos metodistas, a 27 de março tornou-se pastor assistente da «Igreja do Mirante». Em 1894 transferiu-se para Lisboa, onde ficou a colaborar na igreja presbiteriana, que se reunia então no antigo convento dos Marianos. Tendo este edifício sido vendido à igreja lusitana quatro anos mais tarde, Santos Figueiredo, juntamente com outros membros da comunidade, acabaria por se integrar nesta igreja, tornando-se ministro na congregação de S. Paulo, em dezembro de 1898. Em maio de 1905, foi pela primeira vez nomeado presidente do sínodo nacional da igreja a que pertencia. Em 1922 tornou-se o primeiro bispo eleito da igreja lusitana, embora nunca tenha sido sagrado como tal. Foi ainda diretor do Colégio Evangélico Lusitano durante 38 anos e o primeiro presidente da Aliança Evangélica Portuguesa, desde as suas primeiras reuniões organizativas, em 1919, confirmado como tal na primeira sessão plenária desta instituição, em 1921, tendo cessado estas funções em 1925. Destacou-se no campo literário, desde os tempos de presbítero católico; mas foi já como pastor das igrejas metodista e presbiteriana que publicou sob o pseudónimo de J. S. Pereira do Lago e, passando para a igreja lusitana, como P. L., desde 1911, e como Paulo Lutero após 1922. Traduziu várias obras para a língua portuguesa, destacando-se o Dicionário Bíblico Universal, de Buckland, e História, Doutrina e Interpretação da Bíblia, de Joseph Angus. Colaborou regularmente em órgãos da imprensa evangélica como Portugal Novo, O Evangelista, O Bom Pastor, Luz e Verdade, Portugal Evangélico, sendo ainda diretor de O Cristão Lusitano. Foi casado desde 20 de abril de 1896 com Lavínia Augusta de Lemos. Faleceu em Lisboa a 18 de agosto de 1937."
(Fonte: https://aliancaevangelica.pt/site/rev-joaquim-dos-santos-figueiredo-1919-1925/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

26 agosto, 2026

A INFIDELIDADE VINGADA.
CONTO MORAL. Lisboa, Na Typografia Rollandiana. 1819. Com Licença da Meza do Desembargo do Paço. Vende-se em Casa do Editor F. B. O. de M. Mechas, no Largo do Caes de Sodré, N. 3 A. In-8.º (15x10 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante folheto de cordel, excelente exemplo deste tipo de literatura tão em voga no primeiro quartel do século XIX. A história versa sobre um mancebo enganado por mulheres em duas ocasiões, e deserdado por causa da última, afrontas que o despertam para a vingança - "servida fria".
Obra invulgar e muito curiosa, impressa na conhecida Tipografia Rolandiana. Não vem mencionada na base da dados da BNP.
"Meu Pai me tinha enviado a Pariz na minha mocidade; aonde fui educado na companhia de hum parente que me amava muito. Este me destinou, desde minha infancia, para Esposo de huma de suas sobrinhas, que era, pouco mais ou menos, da minha idade. Quando nós chegamos ambos a ter uso de razaõ, nossas familias nos declaráraõ as suas vontades. Como nós tinhamos os corações em toda a sua liberdade, não duvidamos consentir nisto sem repugnancia; e bem depressa nos olhamos como duas pessoas, que se deviaõ unir por hum laço indesoluvel; e logo o amor succedeo á amizade. Se nossos Pais naõ tivessem demorado este casamento, nossa felicidade seria perfeita: porém, meu Tio o retardou perto de dez mezes. Elle queria primeiramente dar fim a hum negocio de grande consequencia, e que embaraçava a repartiçaõ dos bens, que elle me devia dar. Durante este tempo, Izabel (era este o nome de minha amante) via muitas vezes hum de meus amigos, chamado o Baraõ de Cuinac; e parecia ter por elle huma grande estimaçaõ..."
Excerto de A infidelidade vingada)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Manchado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
15€
Reservado

13 agosto, 2026

SOARES (Sprinter), Eduardo -
"OS ESCÂNDALOS DO FUTEBOL NACIONAL" : uma exposição oportuna a sua Ex.ª o Sr. Doutor Carneiro Pacheco, Ministro da Educação Nacional.
Comentário imparcial ás atitudes dos dirigentes e dirigidos. Pôrto, Tip. Lisboa & Ferreira, L.da, 1939. In-4.º (22x15,5 cm) de 48 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre o futebol nacional e as movimentações de bastidores. Ontem como hoje... Trata-se de um dos primeiros registos de literatura de denúncia e opinião crítica sobre a organização e os bastidores do futebol em Portugal durante o Estado Novo, amplamente citado por historiadores e investigadores. Mas o autor não se limita a "desancar" o futebol indígena, crítica asperamente os colegas jornalistas por subserviência, e revela incómodo e perplexidade pelos valores pagos nas transferências dos jogadores - uns "vadios", "muitas vezes analfabetos" - face às dificuldades do país, comparando os seus salários com os dos "chefes de família".
Obra rara e muito interessante, não mencionada na BNP, ilustrada em página inteira com uma caricatura do autor por Bismarck.
"Não foi, posso-o afirmar categòricamente, no intuito de me tornar um homem célebre que lancei êste livrinho para a luz da publicidade, mas sim, no desejo firme e honesto de contribuir para a "purificação" do desporto nacional, onde o futebol é a "ovelha-ranhosa" das modalidades que no nosso país se praticam. [...]
Além disso, isto de edições livreiras não é negócio de tentar num país onde a grande percentagem é analfabeta e os "mestres" são aos cardumes...
Portanto, assentêmos desde já nisto: depois de lidar de perto durante algum tempo com os homens da bola - dirigentes e dirigidos - fiquei de tal forma enojado com a panorâmica em que vivi, que não resisti à tentação de escrever êste modesto livrinho, dirigido àquêles que sabem ser desportistas, àquêles que mesmo do desporto sabem trazer, sempre bem alto, a pureza do seu caracter e da sua dignidade. [...]
Em síntese, o motivo dêste meu livro foi o de trazer para a luz da publicidade algumas vergonhas do nosso futebol, algumas cênas dos bastidores, que por si só dizem bem da dignidade e da moral de certos dirigentes e dirigidos, que andam nestas coisas da bola.
É natural que, como compensação, ganhe mais alguns inimigos, mas isso não interessa, a quem, como eu, preza muito a sua integridade moral.
A "verdade núa e crúa" - é o lêma que preside a êste meu trabalho."
(Excerto de I - Porque escrevi êste livrinho...)
Índice:
Prefácio de Joaquim Soares | I - Porque escrevi êste livrinho. II - Um sônho côr de rosa. III - Jornais e jornalistas. IV - O conflito A. F. do Pôrto-Federação ou a firmeza de atitudes. V - O futebol - um negócio rendoso... VI - Como se fazem "azes" e os dirigentes se tornam ilustres... VII - O profissionalismo - negação positiva do verdadeiro espírito desportivo. VIII - Eu e o Benfica! IX - A final do Campeonato de Portugal, em Lisboa!!! X - Acuso-o, sr. Ribeiro dos Reis!!! XI - Compram-se jogadores! XII - Desceu o pano!...
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
50€

12 agosto, 2026

CASTRO, Vieira de -
DISCURSO SOBRE A CARIDADE.
Recitado aos 26 de janeiro de 1867, no salão do theatro lyrico do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Typ. - Perseverança - Rua do Hospicio n. 91. 1867. In-8.º (21x13,5 cm) de 70, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Discurso proferido no Rio de Janeiro, Brasil, nunca republicado, pouco tempo antes de Vieira de Castro celebrar o seu casamento com Claudina Adelaide Guimarães, filha de um rico empresário português radicado no Brasil, união que terminaria tragicamente em Maio 1870, com a morte violenta da moça às mãos do marido.
Autógrafo do autor(?) na capa.
"(Sorrindo e passeando a vista pelo publico). E o meu discurso está feito!E a Caridade sois vós! E a Caridade é isto: é este condescender incessante com todos os appêlos; é esta concurrencia offegante e apressada a todos os chamamentos! E a sua influencia são ámanhã as enfermidades saradas, os pobres consolados, e as tristezas sem dôr!
(Pausa)
(Com enthusiamo). Mas deixem-me antes de tudo, meus Senhores, alevantar o espirito neste paiz que talhou a pique as sua fórmas esculturaes, e recortou, como de polo a polo, as suas feições gigantescas n'uma montanha immensa, que atira com a sua testa para o meio das nuvens para que as estrellas lhe emmoldurem lá em cima thiara explendida, e cá em baixo assenta as suas bases n'um mundo immenso... [...]
Paiz selvagem lhe chamam! Paiz selvagem, de certo é! Paiz selvagem, sim; e quem ha ahi que possa offender-se do titulo?
Selvagem como tudo quanto é grande de mais para caber nos moldes acanhados de qualquer convenção! Selvagem como tudo quanto ha de gigantesco e de herculeo, assim nas variadas manifestações do mundo phisico, como nas manifestações variadissimas do mundo moral."
(Excerto do Discurso)
José Cardoso Vieira de Castro (1837-1872). "Nasceu no Porto a 2 de janeiro de 1837 e faleceu em Luanda a 7 de outubro de 1872. Foi escritor e político. Orador dotado e polémico, teve um percurso atribulado durante os seus estudos na Universidade de Coimbra, que frequentou intermitentemente entre 1853 e 1864, ano em que se formou em Direito. Foi vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe e deputado. 
Foi agraciado com a Comenda de Carlos III (Espanha) e com o grau de cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa (Brasil).
Passou um período no Brasil, onde se relacionou com os intelectuais daquela nação e foi nomeado presidente honorário do Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro. Ali casou, no Rio de Janeiro, com Claudina Adelaide Gonçalves Guimarães, filha de um abastado empresário e banqueiro. Suspeitando que a cônjuge lhe fora infiel, assassinou-a, corria o ano de 1870, e foi por isso condenado a 10 anos de degredo em Angola, onde faleceu cerca de dois anos depois, com a idade de 35 anos. 
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 12 de julho de 1866."
(Fonte:  https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20577)
Belíssima encadernação meia de pele com dourados gravados na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas, algo sujas, com defeitos. Capa anterior alvo de restauro. F. ante-rosto apresenta mancha no cantos inferior direito. Foi acrescentado ao corpo do livro outro tanto de páginas em branco para "engrossar" o volume.
Raro.
Peça de colecção.
50€

02 agosto, 2026

ESTATUTOS DA ASSOCIAÇÃO DOS ESTUDANTES DO INSTITUTO SUPERIOR D'AGRONOMIA.
Fundada em 21 de Novembro de 1911. Lisboa, Typographia e Papelaria Academica de Pires & Cta., 1911. In-8.º (19x14 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Documento histórico. Trata-se dos estatutos da Associação dos Estudantes do Instituto Superior de Agronomia (AEISA), agremiação fundada em 21 de Novembro de 1911, pouco tempo após a implantação da República, sendo uma das associações de estudantes mais antigas do país, foi constituída com a finalidade de representar os seus associados e promover a cultura académica.
"A Associação dos Estudantes do Instituto Superior d'Agronomia, fundada em 21 de novembro de 1911, é constituida por professores, alumnos e ex-alumnos do referido Instituto, e não tem caracter politico nem religioso."
(Excerto de I - Organisação geral)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta sinais de humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
10€

31 julho, 2026

POSTURAS ESTABELECIDAS POR ACCORDÃOS PARA MANTER A LIMPEZA, POLICIA, E ORDEM GERAL
. Porto: Typ. de Gandra & Filhos. - 1839. In-8.º (20x15,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Publicação histórica. Trata-se do primeiro código de posturas adoptado pelo Município do Porto vertido em livro.
Curioso regulamento. Inclui dezenas de posturas, que, lidas aos dias de hoje não podem deixar de suscitar sorrisos.
Opúsculo com interesse histórico e etnográfico, em especial para a cidade do Porto.
"Em 1839, as posturas municipais da cidade do Porto são, pela primeira vez, compiladas e impressas num único local, um pequeno livro de bolso, que permite a sua mais fácil divulgação e publicitação. A partir das transformações político-administrativas que saíram da revolução liberal vários são os municípios Portugueses que procedem à publicação de Códigos de Posturas, leis emitidas por cada cidade para regular aspectos vários do seu funcionamento, onde, para além de se regularem outros aspectos do funcionamento da cidade, designadamente hábitos de utilização do espaço e coisa pública, licenças de utilização e funcionamento de actividades, ordem pública ou coimas, também se começam a regulamentar aspectos da construção de edifícios e da utilização das vias públicas, mormente aqueles que interferem directamente com a salubridade e segurança das populações."
(Fonte: VALE, Clara Pimenta do, Códigos de Posturas da Cidade do Porto entre o Liberalismo e a República. Influências e reflexos na forma de construir corrente, UFES, 2013)
"A CAMARA MUNICIPAL Da Antiga, Muito Nobre, Sempre Leal, e Invicta Cidade do Porto faz publicas as seguintes Posturas estabelecidas por Accordãos para manter a limpeza, policia, e ordem geral, na certeza de que estão tomadas as necessarias providencias para que as Penas comminadas sejão competentemente impostas a todos os transgressores.
Açougues.
He prohibido não ter os Açougues limpos, sob pena de 2:000 rs. He tambem prohibido o não deixar a balança livre para ser o peso certo, sob igual pena de 2:000 rs.: he prohibido da mesma forma vender carne corrupta, sob pena de 1:440 rs.: he prohibido igualmente ter carne fóra das umbreiras das portas, sob pena de 1:920 rs."
(Açougues)
"He prohibido vender Bacalhau corrupto, sob pena de 2:400 rs. assim como seccá-lo nas ruas ou praças publicas, sob pena de 1:200 rs.
(Bacalhau)
"He prohibido andarem Cães pelas ruas, sem que seus Donos tirem licença da Camara, pela qual pagaráõ 480 rs.; mas com obrigação de os trazerem com assame e golleira, na qual se declare o Nome do Dono, e rua onde mora; sob pena de se podêrem mandar matar.
(Cães)
"He prohibido gallopar a toda a brida pelas ruas da Cidade, sob pena de 2:500 rs. além do prejuizo de terceiro. As pessoas a quem cumpre a execução das posturas, se não puderem apprehender o Cavalleiro que fôr á desfillada, examinarão onde elle móra, e darão parte ao Juiz Eleito respectivo para se fazer effectiva multa, da qual terão hum terço."
(Cavalleiros)
"He prohibido lançar á rua Immundicie de qualquer especie: pena 2:400 rs."
(Immundicie)
"He prohibido atirar pedras com funda, ou sem ella, sob pena de 2:000 rs além do prejuizo de terceiro.. Os garotos que o fizerem serão punidos correccionalmente."
(Pedradas, ou tiros á funda)
"He prohibida a divagação de Porcos pela Cidade: os que forem encontrados pelas ruas, de noite ou de dia, serão tomados por perdidos, conduzidos ao Curral do Concelho, dando-se logo parte ao Juiz Eleito para sua immediata arrematação.."
(Excerto de Porcos)
"He prohibido ás Regateiras vender fóra dos sitios destinados, sob pena de 1:000 rs., e não pagando em continente, lhes serão apprehendidos os Generos e conduzidos a qualquer Estabelecimento pio. Podem só vender pelas ruas, apregoando.
(Regateiras)
[...]
E para que chegue á noticia de todos, se mandou publicar o presente, que será affixado nos logares publicos do Concelho. Porto e Paços do Concelho, 25 de Maio de 1839. - Domingos José Alves de Sousa, Secretario, o fiz escrever.
Miguel Joaquim Gomes Cardoso,
Presidente. [etc.]
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sem capas, toscamente aparado. Ausência da 1.ª folha (em branco?). Salvo melhor opinião, este livrinho foi publicado sem folha de rosto. As informações técnicas vêm impressas na última página de texto, em jeito de colofão. Deve ser encadernado.
Raro.
45€

05 julho, 2026

ESTABELECIMENTOS HOTELEIROS DE PORTUGAL -
Hotels : Hotéis - 1963 : Portugal
. Lisboa, SNI, 1963. In-8.º (23x20 cm) de 55, [1] p. ; [1] mapa Portugal ; B.
1.ª edição.
Capa belíssima assinada por Paulo-Guilherme (1932-2010).
Curioso roteiro dos estabelecimentos hoteleiros disponíveis e "certificados" no ano de 1963 em Portugal continental, Açores e Madeira. Muito completo e organizado, composto por quadros com as localidades/endereço e o nome dos espaços; inclui o telefone dos estabelecimentos, o tipo de alojamento, estadia e as refeições, e respectivos preços.
Guia quadrilíngue (português/francês/inglês/alemão), editado pelo SNI - Secretariado Nacional da Informação - Cultura Popular e Turismo, não mencionado na BNP.
Nos anos 60, o turismo em Portugal registou um crescimento explosivo e de massas, forçando o Estado Novo a transitar de uma lógica puramente propagandística para uma atividade económica vital. Pressionado pela necessidade de divisas para financiar a Guerra Colonial, o regime abriu as fronteiras ao turismo internacional. (IA)
Inclui mapa do território nacional com dimensões generosas (32,5x20 cm) em separado: "Portugal : Edições SNI Lisboa".
"O presente guia indica os hotéis, pousadas, estalagens e pensões oficialmente classificados. Todos estes estabelecimentos, com preços visados pela Direcção dos Serviços de Turismo, possuem as comodidades indispensáveis, satisfazendo, de um modo geral e dentro da sua categoria, os clientes a que se destinam.
Além dos incluídos neste guia, outros estabelecimentos existem tais como pensões, de 3.ª classe e hospedarias.
Há, também, estabelecimentos não classificados pela Direcção dos Serviços de Turismo, os quais, pela modéstia das suas instalações e serviços, são considerados sem interesse para o turismo.
À entrada dos estabelecimentos hoteleiros encontra-se afixado um quadro com os preços que lhes correspondem. Sobre estes preços o hóspede pagará 10% para o serviço e, nas zonas de turismo, uma sobretaxa de 3%. Nas refeições a preço fixo estão incluídos 3 dl de vinho comum.
Os preços referidos neste guia são indicados em escudos."
(Excerto de Informação geral)
Exemplar em brochura bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

24 junho, 2026

SOBRINO DE CIMARRA -
Sastre de SS. AA. RR. Los Infantes.
Madrid, Peligros, 18. Madrid, Imprenta y Litografia Artísticas A. de Noel Alcoy, [189?]. In-8.º (21x15,5 cm) de [8] p. ; todo il. ; B.
1.ª edição.
Curioso catálogo de roupa infanto-juvenil da Casa Sobrino de Cimarra, na época justamente considerada uma das mais importantes e afamadas de Espanha, fornecedora da Casa Real Espanhola. 
Pela sua consulta, permite adivinhar como a elite burguesa espanhola vestia as suas crianças (que não diferia muito da portuguesa), e as modas então "na berra", entre outros, o vestuário de corte "Norfolk", "Stafford", "Fauntelroy" ou o clássico "Marinheiro".
Opúsculo todo ilustrado com 23 modelos em desenho e fotogravura, com breve texto a acompanhar cada um dos trajes.
Exemplar em brochura, bem conservado. Com vinco no meio.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

09 junho, 2026

MEMORIAL DO AGRICULTOR -
Grande agricultor não é o que tem muitas terras. - É o que sabe tirar delas o máximo proveito. Lisboa : Porto, Sogere Sociedade Geral de Representações, Lda., 1934. In-8.º (16x11 cm) de 96 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Repositório de conhecimentos práticos, espécie de almanaque agrícola, oferecido a título gracioso pela Sogere aos agricultores, aconselhando-os na labuta campestre, e recomendando utensílios valiosos para o bom desempenho nos campos, com a respectiva propaganda comercial aos mesmos no interior.
Invulgar e muito curioso.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequenos defeitos. Contracapa apresenta falha de papel marginal.
Invulgar.
Indisponível

07 junho, 2026

BOCAGE -
OLINDA E ALZIRA
. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1915. In-8.º (18,5x12 cm) de 40 p. ; B.
Edição centenária das célebres Cartas de Olinda a Alzira.
'Romance-ensaio', invulgar e muito curioso, composto por sete epístolas.
Obra não relacionada na Biblioteca Nacional (BNP), revestida de capa belíssima, não assinada.
"O erotismo tem sido cultivado com alguma frequência na literatura portuguesa. [...]
As Cartas de Olinda a Alzira - que constituem um caso inédito na literatura portuguesa, pois são um relato das primícias sexuais de uma jovem, na primeira pessoa, como assinala Alfredo Margarido – por sua vez, são dadas à estampa nos finais do século passado com as precauções proverbiais: sem a menção da data, editor, local ou organizador.
Com o advento da República, a liberdade de expressão, grosso modo, foi uma realidade. Estavam reunidas as condições objectivas e subjectivas para a Guimarães Editores assumir a publicação de Olinda e Alzira, em 1915."
(Fonte: https://purl.pt/1276/1/erotismo.html)
"Diz-se que Cartas de Olinda e Alzira, romance epistolar em verso de Manuel Maria Barbosa du Bocage que circulou clandestinamente pelo país, é um dos primeiros manifestos feministas. Não seria de estranhar, já que este escritor pré-romântico, desaparecido há 200 anos, foi tido, no seu tempo, como personalidade escandalosa e pervertida e vítima de interdições, censura e abusos vários.
Cartas de Olinda e Alzira é a composição de que se parte para este espectáculo homónimo: proposta ética - e não de ocasião - mas, muito provavelmente, bizarra são cenas "pintadas” e, nelas, tudo o que parece, é. É mesmo! A tonalidade do espectáculo, como a do texto, é confessional e reproduz os movimentos do coração que sobem direitos "à nossa condição maravilhosamente corporal” (Montaigne). E, a título de justificação antecipada, citamos Bocage que dizia: "(...) instintos naturais se não são crime, como crime será narrar seus gozos?(...)"
(Fonte: https://www.tndm.pt/pt/eventos/detalhe.php?id=119)

"Que estranha agitação não sinto n'alma
Depois que te perdi, querida Alzira!
De meus olhos fugiu, sumiu-se o fogo,
Que a tua companhia incendiava!
Por uma vez se foi minha alegria,
Nem a mesma já sou, que outr'ora hei sido!
Minhas vistas ao céu lânguidas se erguem,
E a mim propria pergunto d'onde venha
Tão novo sentimento assoberbar-me?
Não se aquieta o coração no peito,
Não cabe n'elle, e viva chamma no intimo
Das entranhas ardente me devora
Sem que eu possa atinar a causa, a origem,
Aquelles passatempos, que na infancia
Tão do peito queria, em odio os tenho.
Das mesmas sup'rioras a presença,
Que d'antes para mim era indiff'rente,
Se me torna hoje dura, intoleravel!
Aonde, aonde irão estes impulsos
Precipitar a malfadada Olinda?
Será, querida Alzira, a tua ausencia,
Que me faz derramar tão agro pranto?
Debalde a largos passos solitaria
Vago sem norte; ignoro o que procuro;
Ah! minha cara! Os males que tolero
Expressal-os não posso, nem soffrel-os.
"

(Epistola I - Olinda a Alzira)

"Conheço de teus males a vehemencia,
Prezada Olinda! Eu propria os hei soffrido,
Quando da mesma edade que hoje contas
Próvida a natureza começava
A preencher em mim seus fins sagrados.
Marcha ella por graus em suas obras;
Precede ao fructo a flor já matizada,
Que fôra antes de flôr botão mimoso."

(Excerto de Epistola II - Alzira a Olinda)

"Quanto gratas me são as tuas lettras,
Querida Alzira! Ao coração me falas!
As tuas expressões meigas occultam
Em si virtede tal, que apenas lidas
D'ellas a alma se apossa sequiosa:
Tu és, prezada amiga, unico archivo
Aonde os meus segredos, mais occultos
Eu vou depositar: em ti encontro
O refrigerio a males, que tolero,
Sem poder conhecer a origem. [...]
Revela á tua amiga este mysterio
D'onde sinto prender o meu repouso.
Eu não exp'rimentava, o que exp'rimento:
Os meus sentidos todos alterados,
Uma viva emoção põe em desordem.
Cala-me activo fogo nas entranhas;
O coração no peito turbulento
Pula, bate com ancia estranhamente:
O sangue, pelas veias abrazado,
Parece que me queima as carnes todas:
A taes agitações languidez terna
Succede, que a meus olhos pranto arranca,
E o coração desassombrar parece
Do pezo da voraz melancholia.
Té mesmo a natureza tem mudado
A configuração, que eu d'antes tinha:
Vão-se augmentando os peitos, e tomando
Uma redonda fórma, como aquelles
Que servem de nutrir-nos lá na infancia.
D'outros signaes o corpo se matiza
Antes desconhecidos: alvos membros,
Lizos té'qui, mácula um brando pello,
Como o buço ao mancebo, é ave a pennugem.
Sobresalta-me d'homens a presença,
Elles, a quem té agora indifferente
Tenho com affouteza sempre olhado!
Ao vel-os o rubor me sobe ao rosto,
A voz me treme, e articular não posso
Sons, que emperrada a lingua não exprime.
Sinto desejos, que expressar me custa;
Amor... E como a idéa tal me arrojo?
Será talvez amor isto que eu sinto?"

(Excerto de Epistola III - Olinda a Alzira)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
50€

26 maio, 2026

VANCE, Clay Burton -
ORÁCULO OU A LEITURA DA VOSSA VIDA.
Aprendei a conhecer-vos e a conhecer os outros. Leitura baseada na astrologia e na quiromancia, segundo o signo em que cada um nasceu. Porto, Livraria Civilização - Editora, 1973. In-8.º (18,5x13 cm) de 103, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso Horóscopo, obra de um conhecido charlatão americano.
Ilustrado no texto com desenhos de mãos reproduzindo as "linhas da vida".
"A Astrologia é a arte de prever o futuro segundo a posição que os astros ocupam no firmamento, quando nasce uma criança. Quer dizer que desde que uma criança vem ao mundo, os astros exercem sobre ela uma influência decisiva e imperiosa. É preciso, portanto, conhecer a posição exacta, no céu, desses astros ou constelações para obter um Horóscopo.
O que vem a ser Horóscopo? - O Horóscopo é a observação que um astrólogo faz do céu na hora do nascimento de uma criança, observação pela qual ele prediz os acontecimentos importantes da vida dessa criança.
Para saber tirar o horóscopo é preciso tomar nota do mês, e por conseguinte sob a constelação em que se nasceu, para conhecer o futuro, pois que cada mês obedece a uma constelação do signo do Zodíaco."
(Excerto de Como se pode adivinhar o futuro pela Astrologia)
Clay Burton Vance, pseudónimo de Elmer Sidney Prather (1872–?). "Foi um famoso vigarista internacional do início do século XX que operava um esquema massivo de venda de leituras astrológicas falsas. Embora se promovesse globalmente como um "grande mestre" e o "único astrólogo que previu a Grande Guerra Europeia", os seus mapas natais e previsões eram, na verdade, folhetos impressos em massa enviados a milhares de clientes.
Prather publicava anúncios em periódicos de vários países (incluindo Portugal e Brasil), oferecendo leituras preliminares "gratuitas" ou a baixo custo. Para receber o horóscopo, a vítima devia enviar o nome, a morada e a data de nascimento. O cliente recebia um texto genérico com elogios à sua personalidade e avisos vagos sobre o futuro, acompanhado de uma oferta para comprar uma "Leitura Completa da Vida" por um valor elevado. Embora operasse originalmente a partir de Nova Iorque, utilizava escritórios fantasma com moradas de prestígio na Europa, como a Suite 1606 na Place du Palais Royal, em Paris, França, para dar credibilidade ao negócio." (IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

12 maio, 2026

NOVO DICCIONARIO DAS FLORES : Folhas, Fructos. Hervas, Raizes, Cores e Gestos.
Quarta edição (Muito melhorada). Lisboa, Livraria Barateira, [192-]. In-8.º (19,5x13,5 cm) de 48 p. ; B.
Curioso "dicionário" do amor, utilizando o universo botânico de forma que todas as plantas têm um significado oculto e uma correspondência amorosa em palavras e ideias, que facilitaria a comunicação cifrada dos namorados.
Índice:
Primeira Parte: Folhas, Fructos. Hervas, Raizes, Cores e Gestos. Segunda Parte: Contém as palavras que são representadas por flores, folhas, frutos, hervas raizes. E outros aasumptos para maior facilidade de um recado de amores. Terceira Parte: Das pedras preciosas. Quarta Parte: Quadro synoptico das diversas especies de amor.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com defeitos. Capa apresenta pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
Indisponível

31 março, 2026

CARDOSO, Dr. Sunana de Figueiredo - TOILETTE SECRETO DAS DAMAS.
Segredos para o aperfeiçoamento e embellezamento do corpo feminino. 6.ª edição.
[Bibliotheca Popular Scientifico - Sexual]. Lisboa, Imprensa Nunes [Capa - Livraria do Povo de Francisco Silva, [19--]. 
In-8.º (17,5x11 cm) de 96 p. ; B.
Interessantíssimo manual feminino de sãos "procedimentos", polémico na época pelo seu conteúdo, desvenda, entre outras panaceias, as "formulas para o embellesamento do corpo humano".
Raro e muito curioso.
Sunana Cardoso, será, por certo, o pseudónimo de um "conhecedor" das matérias em apreço.
"Nem sempre as mais santas intenções são geralmente reconhecidas nem apreciadas porque apparecem sempre Aristarcos criticos que, incapazes de sentirem estimulos generosos, não admittem que outros os sintam e por isso buscam sempre o lado menos bello de qualquer facto para o apreciarem e aquilatarem.
Não faltará por isso quem, ardendo no fogo sagrado de um pudor de encommenda, critique talvez com desmesurada severidade a nossa audacia, dirão, de reunir n'este volume uma serie de conselhos e receitas, que escandalisa os puristas, as devotas velhacas, e os catões da moralidade.
Ora já o Bocage exclamava com razão e justiça esta grande verdade:
«Isto de moral e pudor é tudo peta».
É, e principalmente da parte dos homens; as suas exigencias de honestidade e castidade são só... para inglez ver; todos querem que uma mulher moça e bonita seja honesta rigorosamente... para os outros, porque o prazer de cada um é... deshonestal-as. Deixemos pois os moralistas conspicuos, que se metterem a mão na consciencia talvez a retirem mais negra do que carvão, e expliquemo-nos com as nossa formosas leitoras, a quem o nosso trabalho é consagrado.
 Não ha mais legitima aspiração da parte de uma pessoa do sexo feminino do que aperfeiçoar os encantos que a natureza lhe concedeu para melhor assegurar os seus triumphos na sociedade, triumphos a que tanto aspiram as senhoras solteiras, como as casadas e as viuvas; e para que isto succeda não ha perigo para a reputação, nem para a sua honestidade, porque uma senhora pode ser declarada a mais gentil e a mais formosa, sem que deixe de ser considerada tambem virtuosa e honesta. 
Depois, entre a virtude, perfeição do espirito, e belleza, perfeição esthetica, não ha incompatibilidade alguma, e bem servidos estariamos se a virtude coubesse só ás mulheres feias, desastradas e demazelladas, que não curam de se alindar e aformosear. Cremos que o proprio Deus se enjoaria até de taes virtudes. An tes pelo contrario, Deus eve estimar as mulheres bonitas, porque ellas são um attestado vigoroso da sua omnipotencia e prova de que o mesmo Deus aprecia o Bello."
(Excerto do Proemio)
Summario (retirado da capa):
Maneira de encobrir uma primeira falta. | A virgindade. | Como se obteem filhos bonitos. | Modo de augmentar ou diminuir o volume dos seios. | A prenhez, o parto e o aleitamento. | Modo de evitar o parto. - Enfermidades secretas. | Conservação da formusura. | Maneira de engordar ou emmagrecer. | Modo de extrahir as manchas da pelle, as sardas, as rugas, as verrugas, frieiras, cieiro, etc.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Indisponível

26 março, 2026

ROCHA, Souza - MANUAL DO ORADOR.
Grande collecção de Discursos e Brindes adequados a variadissimos actos solemnes. Segunda edição melhorada. Porto, Livraria Portugueza, editora de Joaquim Maria da Costa, 1913. In-8.º (19x12 cm) de  192 p. ; B.
Curioso manual, pioneiro entre nós no género, e sobretudo na forma - simples, despretensioso.
"Compondo e dando a publico este livros, tivemos em vista dotar o nosso mercado litterario com uma obra cuja da ha muito ahi se fazia sentir, como o demonstra o empenho com que muitas pessoas, a cada passo, procuram um livro d'este genero.
É certo que ella vem preencher por completo tão importante lacuna; mas que será um aproveitavel subsidio, um meio prompto e facil para o leitor elaborar uma allocução que se proponha pronunciar em qualquer circumstancia solemne, isso é que não nos parece offerecer duvida alguma.
Os discursos e brindes que n'este livro se contéem - como o leitor verá - servem para um grandissimo numero de occasiões em que a pragmatica obriga a dizer duas palavras adequadas ao acontecimento que se celebra ou á pessoa a quem se  rende publica ou intima homenagem de consideração e estima."
(Excerto do preâmbulo - Ao leitor)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos. Interior correcto.
Invulgar.
20€

25 março, 2026

CABREIRA, Antonio -
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O PLANETA MARTE.
Conferencia realisada em 18 de janeiro de 1901 no Instituto 19 de Setembro. Pelo fundador e secretario geral... Socio Correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa, [etc.]. Lisboa, Imprensa Lucas, 1901. In-4.º (23x16 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosíssimo trabalho sobre o planeta Marte - em 8 partes - vertido em conferência.
Trata-se das reflexões astronómicas do autor, trabalho pioneiro, dos primeiros que sobre o assunto se publicaram entre nós. Além de repetir o que se sabia na época sobre o "planeta vermelho", que era pouco, o autor interroga-se acerca da possibilidade de vida vegetal e animal em Marte, e num plano superior, aos "habitantes inteligentes".
Opúsculo raro e muito interessante.
"Quando Marte se constituiu, estava animado de uma temperatura proxima de 1995 graus centigrados. Dada pois a sua antiguidade, deve admittir-se que disporá já de pouco calor central
Os factos mais importantes da meteorologia do planeta são grandes oscillações de temperatura e enormes tempestades. O Sol da-lhe apenas 4 decimas do calor e da luz com que nos acalenta. As noites tornam-se excessivamente frias, porque a pouca espessura da atmosphera permitte uma forte irradiação dos terrenos. [...]
A constituição chimica da atmosphera de Marte deve ser egual á nossa, porque o seu espectro revella riscas de absorpção identicas ás do espectro d'esta ultima."
(Excerto do Cap. IV)
"Tendo-nos referido, muito summariamente, a Marte, sob os pontos de vista mathematico, meteorologico e geographico, vamos finalmente dizer duas palavras ácerca do mysterioso problema da sua biologia, tão envolto nas brumas do desconhecido e, por vezes, dourado pelos fulvos clarões da phantasia romantica.
Procedendo Marte da mesma origem que a Terra é provavel que a identidade de corpos simples não seja apenas a revellada nas respectivas atmospheras e que, portanto, haja tambem compostos analogos nos dois planetas; logo póde admittir-se que dos seus aggregados resultassem vegetaes, que teem ainda por si o facto favoravel da abundancia das chuvas. [...]
Acerca da vida animal, começaremos por affirmar que, considerada como termo superior de uma longa evolução organica, só surgiu, no mundo que habitamos, n'um certo estado cosmico, para alem de cujos limites não pode manter-se, e que as civilisações estabelecidas como modo de ser d'essa vida, só se definiram e ergueram quando o homem poude entregar-se mais á consciencia da sua funcção moral. [...]
Posto isto, embora as condições meteorologicas permittissem a habitabilidade nos continenentes de Marte, a civilisação seria sempre rudimentar; os seres poderiam attingitr uma fórma superior mas os fructos dos seu trabalho, por mais solidos que se supposessem, não poderia resistir nem ao destroço pelos vendavaes, tão frequentes, e muito menos á submersão pelas aguas do degelo, de onde resultaria, mesmo, uma enorme lentidão no progresso intellectual, que tanto carece do concurso d'esse trabalho. O unico abrigo seriam então as cavernas nas raras montanhas que existem, se é que fossem poupadas pe,os diluvios.
Tambem se torna facil demonstrar que é inconcebivel a vida superior nos ares do planeta.
E concluir-se-ha d'estas considerações que não ha vida em Marte? E quem nos diz que o estado cosmico do planeta jamais permittisse quasquer combinações organicas ou que todas ellas se extinguiram com os ultimos lampejos do fogo central?
Mas as mancha luminosas observadas em 1892, e ha poucos dias ainda um traço brilhante que, intermittentemente, durou uma hora, não signifficarão, por ventura, qualquer intencional tentativa feita por uma especie de seres, avida de relações com a Terra? E os proprios canaes de notavel rigos geometrico com os seus desdobramentos não constituirão outra prova da existencia de habitantes intteligentes em Marte?"
(Excerto do Cap. VI) 
António Cabreira (Tavira, 1868 - Lisboa, 1953). "Matemático, jornalista e publicista português, António Tomás da Guarda Cabreira de Faria e Alvelos Drago da Ponte nasceu a 30 de outubro de 1868, em Tavira, no distrito de Faro.
De uma família aristocrática liberal algarvia e irmão de Tomás Cabreira, formou-se em Matemática pela Escola Politécnica de Lisboa. Empenhado em ações políticas, participou, em 1891, em várias reivindicações estudantis, tornou-se redator político de A Nação e, entre 1892 e 1897, exerceu vários cargos no Partido Legitimista ao qual aderiu.
Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, foi secretário da Secção do Ensino da Matemática, em 1895, e vice-presidente da Secção de Geografia, em 1896, participando nas atividades de exaltação colonial e nacionalista que surgiram em consequência dos acontecimentos de 1891.
Fundador do Instituto Dezanove de setembro, dedicou-se à gestão e à docência nessa instituição. Em 1895, criou um projeto para um Curso Colonial no Instituto destinado aos colonos e funcionários da administração colonial. Em 1899, foi designado docente das disciplinas de Mecânica Racional e de Filosofia das Matemáticas do Curso de Ciências do ensino secundário daquele Instituto.
Ligado à Academia das Ciências de Lisboa, conseguiu, com o seu desempenho, a criação de novos institutos, como o Instituto Teofiliano (1912), o Instituto de Trabalhos Sociais (1914), o Instituto Arqueológico do Algarve (1915), o Instituto Histórico do Minho (1916) e o Instituto António Cabreira (1919).
Como jornalista, fundou ainda O Clarim, um panfleto doutrinário. Participou e organizou alguns eventos importantes, como o I Congresso Arqueológico Nacional, o I Congresso Colonial de 1900 e o 1.º Congresso Pedagógico Nacional, em 1908.
Enquanto publicista, escreveu sobre vários assuntos, que vão desde questões matemáticas até problemáticas de ensino. Destacam-se algumas obras, como Análise Geométrica de Duas Espirais Parabólicas (1895), Sobre Algumas Aplicações do Teorema de Tinseau (1897), O Ensino Colonial e o Congresso de Lisboa (1902), O Milagre de Ourique e as Cortes de Lamego (1925) e Júlio Verne, Educador e Pedagogo (1925).
António Cabreira faleceu a 21 de novembro de 1953, em Lisboa."
(Fonte: Infopédia) 
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
30€