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29 outubro, 2026

VIANA, Mário Gonçálvez -
DA SUGESTÃO NO ANIMATÓGRAFO.
Estudo social, psicológico e crítico, original de... [S.l.], [Edição do Autor - Composto e impresso na tipografia André J. Pereira  & F.º - Viana do Castelo], Ano de 1921. In-8.º (17,5x12,5 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio pioneiro - pretensamente científico - sobre o efeito que o cinema e a projecção de filmes em salas às escuras, verdadeiros "antros de perversidade", tem na mente e no comportamento humano, e o perigo que representa para a sociedade tais "experiências".
Obra rara, interessante e muito curiosa, com indubitável interesse para a bibliografia cinéfila.
"É um caso curioso, a curiosa psicologia das sociedades contemporâneas que se vão suicidando lentamente, sem terem a nítida noção do que fazem. Um sôpro de desvario obscurece a inteligência humana, fazendo desaparecer o resto de bom-senso que ainda parecia existir.
Os mais alarmantes simptomas de dissolvência, latentes muitas vezes ou esboçados apenas, são precipitados irremediavelmente pela fôrça poderosa de um conjunto de circunstâncias de tal forma alarmante, que surpreëndem pela rapidez do imprevisto e mais ainda - que assustam, pela sua gravidade presente e por uma sombria perspectiva de conseqúências possivelmente desastrosas, os espíritos estudiosos e calmos de todos os que não se deixam arrastar na avalanche sinistra das actuaes loucuras humanas. [...]
No entanto, longe de nos querermos referir a todos eles, é nosso intuito, por ora, focar com nitidez a influência deletéria e subversiva que tem exercido sôbre os indivíduos em especial - e portanto sôbre os agrupamentos sociaes em que eles vivem e de que fazem parte - um dos elementos mais desorganizadôres das sociedades que se arrogam a civilizadas - o Animatógrafo."
(Excerto do Estudo)
Mário Gonçalves Viana (Lisboa, 1900 - Esposende, 1977). "Pedagogo, escritor e crítico literário, atividade que exerceu no Jornal do Comércio e Colónias e no Polígrafo. Foi professor e formador de professores. Foi, igualmente, autor de uma obra vasta nas áreas da pedagogia, psicologia e biografia. Refletiu, abundantemente, sobre os valores da educação e sobre a deontologia docente. Fez os estudos secundários em Coimbra, tendo-se licenciado em Direito na Universidade de Lisboa em 1923. De 1927 a 1930, foi redactor principal do Jornal do Comércio e das Colónias, de que era também crítico literário. Entre 1934 e 1936, exerceu o cargo de conservador do Registo Civil de Manteigas, tendo depois seguido a carreira de professor do ensino secundário em vários estabelecimentos de Viana do Castelo, Esposende e Porto. Colaborou no jornal A Voz, de Lisboa, com uma secção regular de Sociologia Agrária, e foi cronista e crítico literário do Diário do Minho, de Braga. Tem ainda colaboração sobre educação física, pedagogia desportiva e psicologia, dispersa por jornais e revistas de Portugal, Brasil, Uruguai, Chile, Itália, França e Espanha."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, parcialmente por abrir, bem conservado. Capas oxidadas.
Raro.
Peça de colecção.
35€

03 outubro, 2026

O PÉ DESCALÇO : uma vergonha nacional que urge extinguir - Liga Portuguesa de Profilaxia Social. Porto, Imprensa Social, 1956. In-8.º (19x13 cm) de [8], 324, [12] p. ; il. ; B. Col. Liga Portuguesa de Profilaxia Social, 16
1.ª edição.
Curioso estudo sobre o hábito de andar descalço em Portugal, comportamento arreigado numa faixa importante da população até meados do séc. XX, e que mereceram do Estado vigorosas medidas de repressão.
"Foi em Janeiro de 1928 que a Liga Portuguesa de Profilaxia Social iniciou a campanha contra o indecoroso, inestético e anti-higiénico hábito do pé descalço. O que tem sido a sua acção através de longos anos, para pôr cobro a tão vergonhoso costume, pode ser facilmente avaliado se considerarmos que semelhante campanha era profundamente adversa à índole do nosso povo, aferrado a uma tradição de muitos séculos, à incultura e incompreensão dos visados, à comodidade e ao interesse mal compreendido de quem receava ter de aumentar uns tristes centavos ao salário magro dos seus servidores."
(Excerto da Introdução)
"«Entra definitivamente em vigor, no próximo dia 15, a ordem que extermina «os pés descalços». O Porto, a partir do dia 15, pula à sua própria categoria na Civilização. Nada explicava, nada podia perdoar a persistência desse velho hábito, revelador apenas do relaxamento, de indiferença, de falta de gosto e provocador de mil prejuízos morais, estéticos e até materiais. Esse costume produzia, na mulher, um desfeiamento lento, espalmava-lhe os pés, quebrava-lhe toda a graça, masculinizava-a... No homem, levava-o, à semelhança dos selvagens do interior africano - e só desses selvagens, visto que os da América, os «peles vermelhas», calçam uma espécie de alpergatas a que chamamos «Swantzor»..."

(Excerto do Estudo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.

20€
Reservado

30 setembro, 2026

LENCASTRE, D. José Coutinho de -
DIGRESSÃO RECREATIVA : PASSATEMPO ALEGRE OU  REVISTA DO VIVER DAS PRAIAS, NA EPOCHA DOS BANHOS DO MAR.
No corrente anno de 1870. Lisboa, Typographia Portugueza, 1871. In-8.º (20,5x13 cm) de 34, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso roteiro das praias de Lisboa e da Linha, até Cascais. Não assinado. Sabe-se no entanto que o seu autor foi D. José Coutinho de Lencastre.
A Digressão Recreativa é uma espécie de crónica socialite sobre os frequentadores das praias da região litoral de Lisboa e arredores durante a época estival, talvez a primeira "revista" do género publicada entre nós. Em cada "praia" o autor dá conta das moradias e nomeia as famílias que os habitam.
"Todos sabem, e muito bem conhecem, n'esta côrte, nobre a antiga cidade de Lisboa, segundo antigas lendas, patria do antigo pai Ulysses, que se denominam Praias, toda essa orça de areias, ou fita, que se estende, em sinuosidades caprichosas, e banhada por aguas cristalinas, e salsas ondas, do formoso Tejo, desde, a Torre de Belem, até á de S. Julião, ou S. Gião, se alguem quizer ou mais lhe agradar."
(Excerto do Preâmbulo)
"A designação é consagrada por eras bem antigas. Local aonde, o nauta fatigado, de asperas vigilias, riscos, e trabalhos, em bem longa viagem, cercado continuadamente de perigos sobre baixios, mares tormentosos, e encapellados, vem finalmente lançar ferro, dar fundo, e seguro em suas amarrações, recupera animo e forças, á vista da terra appetecida, ou lar domestico, abafando n'alma, alegre e contente, o prazer, que lhe prende a vida, ou pula no coração, de em breve, abraçar amante, parentes e amigos.
Tem o Dáfundo seu nobre Castellão, o Ex.mo Marquez de Cstello-Melhor, que vem todos os annos pelos mezes de Setembro, e Outubro, habitar alli, o seu Doujon acatelado, acompanhado de suas amabilissimas Irmãs."
(Excerto de Dafundo)
"Estendida em tiras, aos pés do vistoso monte monte de Santa Catharina. Á entrada, o mesmo perigo que na Ponta de Algés, senão peior.
A mesma censura, e mais fulminante, á Illm.ª Camara da Villa, e Concelho de Oeiras, pelos seus indesculpaveis descuidos. [...]
Este anno, apesar de tudo, reuniu-se alli, bem elegante sociedade, de supremo bom tom; a côrte celeste dos Anjos, rancho fatidico, e esbelto, ostentando galas e primores do mais refinado bom gosto em casquilhos toilletes, trajados por tão graciosas deidades, que esparziam sorrisos feiticeiros, e sabiam acompanhal-os de um chic, todo especial, em animadas conversas, ou mais distracções campestres."
(Excerto de Cruz-Quebrada)
"Está dito. Vou. Uma visita tem todo logar, e é bem cabida, n'esta occasião, em que reside alli, tanta gente, e nobre gente, illustre, e mui fidalga gente. Nobres cavalleiros e formosas Damas, flôres mimosas e estrellas resplandescentes. Eu bem reconheço, o quanto é arriscado, o meu proposito, tendo de observar, ver, e contar depois, quanto vi, e quanto ouvi. Mas apezar de tudo, seguirei por diante, o meu fadario errante, dê por onde der, e tanto mais tendo ouvido rosnar, tanta cousita, exquisita, extravagante, e bonita; desejo, e se me aguça, a vontade, de ir observar, por mim mesmo, se é verdade, o romntico, o poetico, e o fadista, de quanto se relata, da sociedade, aliás elegantissima, d'aquelle sitio."
(Excerto de Cascaes)
Índice:
[Preâmbulo] Torre de Belem | Pedrouços | Ponte d'Algés | Dafundo | Cruz-Quebrada | Boa-Viagem | Caxias | Paço d'Arcos | Oeiras | Cascaes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Muito raro.
100€

22 setembro, 2026

SANTOS, C. Affonso dos -
GUIA TAUROMACHICA. Arte de tourear a pé e a cavallo. Porto, Escriptorio de Publicações, [1904]. In-8.º (16,5x10,5 cm) de 106, [2] p. ; il. ;E.
1.ª edição.
Curioso subsídio para bibliografia taurina. Trata-se de um "guia" da arte do toureio apeado e a cavalo, e as "sortes" que em cada uma são utilizadas pelos profissionais do ofício, e das pegas protagonizadas pelos moços de forcado.
Obra rara e muito interessante, sem menção na BNP.
Ilustrado no texto com desenhos de sortes e inúmeros retratos de matadores, bandarilheiros, cavaleiros e forcados - as grandes figuras da época.
"[...] Este trabalho tem por fim elucidar os amadores das corridas de touros em tudo o que diz respeito á lide a pé e a cavallo, e pôl-os sobretudo ao facto das nomenclaturas e regras que existem para as differentes sortes. É um producto da nossa observação de muitos annos, em dezenas de corridas e nas principaes obras que se teem publicado sobre esta materia."
(Excerto do Prologo)
"O objecto da lide nas corridas de touros, o ponto para onde se dirigem todas as attenções, a victima de tantos maus tratos e auctor de tantas barbaridades é um animal elegantissimo, um quadrupede immenso, um mammifero sanguinario, cheio d'orgulho, ameaçando a humanidade com os seus chifres ponteagudos e reluzentes, em curvas diabolicas, saltos phenomenaes, que semeiam o enthusiamo nas bancadas, ao som d'um arfar raivoso, que os accordes da musica amortecem... Este animal é o touro."
(Excerto de O touro)
Indice:
Prologo. | I - O touro. II - Lides dos cavalleiros. III - Pégas. IV - Sortes de capa. V - Saltos. VI - As sortes de bandarilhas. VII - As fainas de muleta. VIII - A sorte de morte. | Conclusões.
Encadernação recente inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Se, f. ante-rosto.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
85€

09 setembro, 2026

CHERNOVIZ, Pedro Luiz Napoleão -
MODO DE CONHECER A IDADE DO CAVALLO, DO BURRO, DAS BESTAS MUARES, DO BOI, DO CARNEIRO, DA CABRA E DO PORCO, FUNDADO NAS OBSERVAÇÕES MAIS MODERNAS DOS MEDICOS VETERINARIOS.
Por.. Doutor em medicina, Cavalleiro da Ordem de Christo. Com 52 figuras intercaladas no texto. Pariz, Em Casa do Autor, 1866. In-8.º (21,5x14 cm) de 30, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso manual veterinário para identificação dos animais pela dentição. Metade da obra é dedicado ao estudo do Cavalo.
Ilustrado no texto e em página inteira com numerosos desenhos exemplificativos.
"A dentição offerece um meio certo de conhecer a idade do cavallo.
O cavallo tem 40 dentes, e ás vezes 44, quando tem os quatro molares supplemetarios; a egua 36, e ás vezes 40, quando tem as quatro presas. Achão-se estes dentes distribuidos symetricamente pelas duas queixadas, metade em cada queixada, e denominão-se da maneira seguintye: doze incisivos, que fechão n'um semi-circulo as extremidades anteriores das arcadas dentarias; quatro presas ou colmilhos, que faltão ordinariamente nas eguas, situado no espaço que separa os molares dos incisivos; vinte e quatro molares ou queixaes, repartidos pelos lados da bocca; e quatro molares supplementarios (quando os ha) situados antes dos primeiros molares.
Chamão-se dentes caducos ou de leite, aos que cahem em epocas certas, e são substituidos por outros; e dentes substituintes, dentes de cavallo ou de adulto, são os que vem occupar o lugar dos dentes caducos; finalmente dentes permanentes, são aquelles que depois de nascidos não cahem nem soffrem phase alguma de substituição.
É pelos seis dentes incisivos da queixada inferior que se obterm dados positivos para se conhecer com certeza a idade de um cavallo."
(Excerto de Idade do cavallo)
Pedro Luiz Napoleão Chernoviz (Piotr Czerniewicz) (1812-1881). "Nasceu em 11 de setembro de 1812, em Lukov na Polônia. Filho de Francisco Czerniewicz e D. Tecla Przegalinska.
Iniciou os estudos em 1830, como estudante de medicina na Faculdade de Varsóvia, porém precisou sair de seu país, por ter participado de um levante contra o domínio russo. Assim como milhares de outros poloneses, recebeu abrigo em território francês, onde deu continuidade aos seus estudos, doutorando-se, aos 25 anos, em medicina pela Faculdade de Montpellier.
Com o intuito de expandir seus conhecimentos, em 1840, mudou-se para o Brasil. Em dezembro do mesmo ano, teve seu diploma reconhecido pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e foi aceito como Membro Titular na Academia Imperial de Medicina com a memória intitulada “O uso de nitrato de prata nas doenças das vias urinárias”. No ano seguinte, em 1841, recebeu a comenda de “Cavalheiro da Ordem do Cristo”.
Entretanto, ao entrar em contato com as vivências e costumes da capital brasileira, percebeu que, para atingir seus propósitos de enriquecimento, o meio mais eficaz não seria clinicar ou dedicar-se a cirurgia. Isto porque já haviam muitos consultórios médicos e de cirurgiões renomados na cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, o mesmo não se aplicava aos vilarejos interioranos, afastados dos grandes centros urbanos. A partir desta constatação, Chernoviz dedicou-se à ideia de produzir manuais em língua portuguesa, que tivessem explicações sobre o conjunto posológico e indicações de procedimentos básicos, que pudessem orientar leigos e acadêmicos nos atendimentos diários e nos primeiros diagnósticos. Faleceu em 31 de agosto de 1881 em Paris, na França."
(Fonte: https://www.anm.org.br/pedro-luiz-napoleao-chernoviz-piotr-czerniewicz/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e falhas de papel marginais e junto à lombada. Protegido por capilha de papel vegetal.
Raro.
Peça de colecção.
50€
Reservado

05 setembro, 2026

PEREIRA, Frederico A. - OS ELEPHANTES. Por... Consul de Portugal em Siam. Porto, Livraria Portuense de Lopes & C.ª, 1890. In-8.º (19x13 cm) de [2], 104, [2] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre o elefante asiático, primeira (e única) obra que sobre o assunto se publicou entre nós.
Raro e muito curioso.
Ilustrado com uma estampa do animal em separado.
"Não vamos fazer um estudo profundo sobre este assumpto. O nosso intuito é sem pretensões e visa simplesmente a fazer conhecer o quanto o elephante é um animal util ao homem pela sua intteligencia."
(Excerto de O elephante historico e de guerra)
"A Africa possue elephantes, mas não têm até hoje sido utilisados como animaes domesticos e de grande beneficio para quem os educasse, como acontece na Asia. No continente negro ignora-se mesmo um modo qualquer de os apanhar vivos, o que é de certo uma grande falta que se fosse remediada poderia ser um bom elemento de riqueza e de progresso. Oxalá que o meu trabalho, no que diz respeito á sua utilisação na Asia, possa contribuir para que de futuro se olhe para este pachiderme em Africa, como mais necessario como simples animal de caça: O seu marfim cujo valor augmenta com a edade, é nada comparado com os valiosos serviços que elle póde prestar á humanidade.
O elephante póde viver de 160 a 200 annos. Porém está sujeito a muitos contratempos que lhe abreviam a existencia: O homem mata-o quando póde; os animaes ferozes fazem-lhe uma guerra constante; entre si acontece em certas circumstancias que entram em lucta e sempre um dos contendores morre e ás vezes o outro pouco lhe sobrevive; a natureza apresenta grandes obstaculos á sua enorme massa, produzindo accidentes que acabam por matal-os, além de impedirem a sua reproducção. D'ahi resulta que a sua existencia está calculada na media de 70 annos. [...]
Os elephantes no estado selvagem andam sempre em rebanhos e obedecem ao mais velho ou ao mais forte, áquelle que melhor os póde guiar. Estes rebanhos compõem-se geralmente de 100 a 150. Obedecem ao seu chefe e é raro haver desintelligencia entre elles. A boa harmonia cessa quando um, menos soffredor, ou por ciumes, ou mais exigente que os outros, ou porque foi perturbado nos seus amores ou nas suas affeições, se mostra descontente e começa a maltratar os camaradas. O agressor vê então todos ligarem-se contra elle e depois de terriveis combates, humilha-se, mas altamente irritado; a companhia torna-se-lhe odiosa e para occultar a sua vergonha, sepára-se e refugia-se nas florestas. Este isolamento reage sobre o seu humor e azeda-lhe o caracter a tal ponto que se torna altamente perigoso para os seus semelhantes, para os outros animaes e para o homem; então mata tudo o que encontra. D'ahi provêm os nomes que lhes dão na Asia, de solitarios - matadores -; por isso é que o governo da India Ingleza dá um premio a todo aquelle que matar um de estes terriveis desertores."
(Excerto de O elephante selvagem)
Índice
:
- O elephante historico e de guerra. - O elephante selvagem. - Como se apanham elephantes. - Um captivo por amor. - A educação dos ellephantes. - O elephante em diversos serviços. - O elephante galante. - O elephante na familia. - O elephante combatente. - O elephante branco. - O elephante branco na Birmania. - O elephante branco em Siam.
Frederico António Pereira. Foi um diplomata, administrador colonial e escritor português do final do século XIX, cuja carreira ficou marcada pela sua prolongada missão no Sudeste Asiático. Exerceu as funções de cônsul de Portugal no Reino do Sião (atual Tailândia) entre 1886 e 1898. Geriu as complexas relações jurídicas e comerciais decorrentes dos tratados luso-siameses, lidando diretamente com o estatuto de proteção consular concedido a súbditos portugueses e a milhares de imigrantes chineses protegidos pelo consulado. O seu mandato foi caracterizado por posições firmes e controversas; chegou a entrar em conflito direto com o governo siamês devido à jurisdição sobre trabalhadores locais, o que gerou pedidos de sindicância e acesos debates epistolares com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Manteve uma articulação constante com o Governador de Macau, pedindo com frequência apoio naval (como o envio de canhoneiras) para reforçar a influência diplomática portuguesa na região do rio Chao Phraya.
Como a maioria dos diplomatas nessa época, Frederico António Pereira acumulava as funções de representação com o estudo científico, geográfico e etnográfico das regiões onde estava colocado. A sua estadia permitiu-lhe recolher material para tratados pioneiros em língua portuguesa sobre a fauna, as tácticas militares locais e as tradições asiáticas. Publicou Georgina : poema sentimental (1885), seguido pelo seu tratado etnográfico Os Elephantes (1890), e mais tarde, uma obra de fôlego sobre as relações entre o Sião e a Birmânia - The political intercourse between Siam and Burmah (1895). (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem as capas originais. Pelo interesse e raridade justifica encadernar.
Raro.
50€

29 agosto, 2026

FIGUEIREDO, Presbytero J. Santos -
FACTOS NOTAVEIS DA HISTORIA DA EGREJA LUSITANA.
2.ª edição refundida, augmentada e illustrada.. [Por].... Presidente do Synodo da Egreja Lusitana. Porto, Typographia Mendonça (a vapor), 1910. In-8.º (21x15,5 cm-capas) de 52 p. ; il. ; B.
Importante subsídio para a história da Igreja Anglicana entre nós, religião que antes se desenvolveu a partir das práticas, liturgia e identidade da Igreja da Inglaterra após a Reforma Inglesa, no contexto da Reforma Protestante na Europa.
Opúsculo raro e muito curioso. Trata-se de uma obra de propaganda agressiva, a que não será alheio o advento da República, recém-implantada, com o intuito evidente de passar, para dentro e para fora, os princípios orientadores, diferenças e ideais da Igreja Anglicana face à Igreja Católica Apostólica Romana.
Ilustrado no texto com desenhos, fotogravuras e retratos de diversas personalidades, onde se contam, entre outros, os de Damião de Góis, Alexandre Herculano e o Duque de Saldanha.
A Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica é a representante oficial da Comunhão Anglicana em Portugal. Trata-se de uma igreja cristã de cariz sinodal, estabelecida como uma alternativa reformada e de língua portuguesa à rigidez do catolicismo romano do século XIX. A igreja nasceu oficialmente a 8 de março de 1880, em Lisboa, durante o seu primeiro Sínodo Constitutivo. A sua criação resultou do descontentamento de vários clérigos e leigos católicos portugueses face à centralização e ao absolutismo papal - intensificados após o Concílio Vaticano I (1870), que declarou o dogma da infalibilidade do Papa. Apoiados pelo capelão anglicano em Lisboa, Thomas Pope, e presididos pelo bispo episcopal norte-americano Henry Riley, os fundadores uniram pequenas congregações independentes que já operavam em Sintra e Lisboa. O termo "Lusitana" foi escolhido porque os fundadores pretendiam restaurar a autonomia da antiga igreja cristã ibérica (da época da Lusitânia), antes de esta ficar sob a total tutela de Roma. (IA)
"Desde a implantação n'este paiz do systema constitucional a Egreja de Roma tem vindo a remar contra a maré. É um facto. E mais ainda: de anno para anno a corrente tem-se tornado mais forte, e a Egreja romana cada vez mais fraca já não póde marchar ávante!
Para que pois querer continuar na mesma direcção com prejuizo da felicidade do povo portuguez e da salvação de Portugal?
Não seria razoavel dar outra orientação á Egreja official, libertando-a do seu pesado dogmatismo?
Não seria melhor emfim deixar a Egreja de Roma que é extrangeira, e seguir a Egreja Lusitana que é toda nossa?
O clero catholico-romano vê bem que o povo o vae abandonando. Geralmente falando, os que seguem a egreja de Roma, ou o fazem por politica ou por costume. Rarissimos por convicção! E acontece isto assim apesar da Egreja de Roma ter toda a protecção do Estado e estar cercada de toda a sorte de privilegios, vendo-se a influencia ultramontana em todas as instituições portuguezas. [...]
Ora com todos estes favores a Egreja de Roma está n'uma situação lamentavel. Não tem força moral ou força religiosa para dirigir espiritualmente o paiz.
Que fazer?
É preciso escolher entre a morte e a vida.
A morte é a continuação da Egreja como está.
A vida é recorrer ao Christianismo puro.
Foi o Christianismo que, com o crear uma individualidade forte, salvou a sociedade, vencendo o collectivismo do Imperio romano: foi ainda o Christianismo que no século XVI salvou os povos, desfazendo a centralisação da Egreja papal; e hoje tambem só o Christianismo é que póde salvar Portugal, ensinando o melhor caminho da paz, da justiça e do amor."
(Excerto de Duas palavras ao clero catholico-romano)
Índice:
Duas palavras ao clero catholico-romano | I - Origem da Egreja Lusitana. II - Os primeiros concilios na Peninsula. III - Egreja Wisigothica - Sua independencia. IV - Egreja Mosarabe. V - Restauração das monarchias christãs e introdução do romanismo em Hespanha. VI - A Egreja Lusitana escravisada: os nossos primeiros reis são excommungados: D. Affonso Henriques; D. Sancho I; D. Afonso II; D. Sancho II-D. Affonso III-D. Diniz; D. Afonso IV-D. Pedro I-D. João I. VII - Da Egreja portugueza: Um sonho de reforma da Egreja no reinado de D. José.VIII - Restauração da Egreja Lusitana.
Rev. Joaquim dos Santos Figueiredo (Coimbra, 1865 - Lisboa, 1937). "Nasceu em Coimbra a 5 de janeiro de 1865, tendo nessa mesma cidade estudado no seu seminário diocesano, com vista à carreira eclesiástica. Lecionou no ensino particular enquanto aguardava a idade da ordenação ao presbitério católico, sendo nesta época que tem o primeiro contacto com os evangélicos, na cidade do Porto. Mais tarde, viria a frequentar em Lisboa o Curso Superior de Letras, concluindo com êxito o exame de Grego. Ordenado em 1887, ao regressar a Coimbra foi nomeado coadjutor da igreja de Santa Cruz, onde se destacou como pregador. Consta que um colportor da Sociedade Bíblica, natural dos Açores, aquando da sua estada em Coimbra, ofereceu uma Bíblia a um dos hóspedes do local em que se instalara, o qual não pretendendo ficar com a mesma a ofereceu à dona da hospedaria; esta por sua vez acabaria por entregá-la a Joaquim dos Santos Figueiredo para a queimar. Não o tendo feito, o presbítero católico passou a analisá-la no intuito de procurar as diferenças de tradução. Republicano convicto, os seus escritos na imprensa coimbrã mereceram a censura do seu bispo que o convidou a retratar-se. Recusando a invetiva, despediu-se dos seus leitores, renunciado ao húmus sacerdotal e abjurando do catolicismo romano, a 28 de fevereiro de 1892. No mesmo ano, regressou ao Porto na perspetiva de voltar a dedicar-se ao ensino; porém, ao aderir aos metodistas, a 27 de março tornou-se pastor assistente da «Igreja do Mirante». Em 1894 transferiu-se para Lisboa, onde ficou a colaborar na igreja presbiteriana, que se reunia então no antigo convento dos Marianos. Tendo este edifício sido vendido à igreja lusitana quatro anos mais tarde, Santos Figueiredo, juntamente com outros membros da comunidade, acabaria por se integrar nesta igreja, tornando-se ministro na congregação de S. Paulo, em dezembro de 1898. Em maio de 1905, foi pela primeira vez nomeado presidente do sínodo nacional da igreja a que pertencia. Em 1922 tornou-se o primeiro bispo eleito da igreja lusitana, embora nunca tenha sido sagrado como tal. Foi ainda diretor do Colégio Evangélico Lusitano durante 38 anos e o primeiro presidente da Aliança Evangélica Portuguesa, desde as suas primeiras reuniões organizativas, em 1919, confirmado como tal na primeira sessão plenária desta instituição, em 1921, tendo cessado estas funções em 1925. Destacou-se no campo literário, desde os tempos de presbítero católico; mas foi já como pastor das igrejas metodista e presbiteriana que publicou sob o pseudónimo de J. S. Pereira do Lago e, passando para a igreja lusitana, como P. L., desde 1911, e como Paulo Lutero após 1922. Traduziu várias obras para a língua portuguesa, destacando-se o Dicionário Bíblico Universal, de Buckland, e História, Doutrina e Interpretação da Bíblia, de Joseph Angus. Colaborou regularmente em órgãos da imprensa evangélica como Portugal Novo, O Evangelista, O Bom Pastor, Luz e Verdade, Portugal Evangélico, sendo ainda diretor de O Cristão Lusitano. Foi casado desde 20 de abril de 1896 com Lavínia Augusta de Lemos. Faleceu em Lisboa a 18 de agosto de 1937."
(Fonte: https://aliancaevangelica.pt/site/rev-joaquim-dos-santos-figueiredo-1919-1925/)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

26 agosto, 2026

A INFIDELIDADE VINGADA.
CONTO MORAL. Lisboa, Na Typografia Rollandiana. 1819. Com Licença da Meza do Desembargo do Paço. Vende-se em Casa do Editor F. B. O. de M. Mechas, no Largo do Caes de Sodré, N. 3 A. In-8.º (15x10 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante folheto de cordel, excelente exemplo deste tipo de literatura tão em voga no primeiro quartel do século XIX. A história versa sobre um mancebo enganado por mulheres em duas ocasiões, e deserdado por causa da última, afrontas que o despertam para a vingança - "servida fria".
Obra invulgar e muito curiosa, impressa na conhecida Tipografia Rolandiana. Não vem mencionada na base da dados da BNP.
"Meu Pai me tinha enviado a Pariz na minha mocidade; aonde fui educado na companhia de hum parente que me amava muito. Este me destinou, desde minha infancia, para Esposo de huma de suas sobrinhas, que era, pouco mais ou menos, da minha idade. Quando nós chegamos ambos a ter uso de razaõ, nossas familias nos declaráraõ as suas vontades. Como nós tinhamos os corações em toda a sua liberdade, não duvidamos consentir nisto sem repugnancia; e bem depressa nos olhamos como duas pessoas, que se deviaõ unir por hum laço indesoluvel; e logo o amor succedeo á amizade. Se nossos Pais naõ tivessem demorado este casamento, nossa felicidade seria perfeita: porém, meu Tio o retardou perto de dez mezes. Elle queria primeiramente dar fim a hum negocio de grande consequencia, e que embaraçava a repartiçaõ dos bens, que elle me devia dar. Durante este tempo, Izabel (era este o nome de minha amante) via muitas vezes hum de meus amigos, chamado o Baraõ de Cuinac; e parecia ter por elle huma grande estimaçaõ..."
Excerto de A infidelidade vingada)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Manchado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
15€
Reservado

13 agosto, 2026

SOARES (Sprinter), Eduardo -
"OS ESCÂNDALOS DO FUTEBOL NACIONAL" : uma exposição oportuna a sua Ex.ª o Sr. Doutor Carneiro Pacheco, Ministro da Educação Nacional.
Comentário imparcial ás atitudes dos dirigentes e dirigidos. Pôrto, Tip. Lisboa & Ferreira, L.da, 1939. In-4.º (22x15,5 cm) de 48 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre o futebol nacional e as movimentações de bastidores. Ontem como hoje... Trata-se de um dos primeiros registos de literatura de denúncia e opinião crítica sobre a organização e os bastidores do futebol em Portugal durante o Estado Novo, amplamente citado por historiadores e investigadores. Mas o autor não se limita a "desancar" o futebol indígena, crítica asperamente os colegas jornalistas por subserviência, e revela incómodo e perplexidade pelos valores pagos nas transferências dos jogadores - uns "vadios", "muitas vezes analfabetos" - face às dificuldades do país, comparando os seus salários com os dos "chefes de família".
Obra rara e muito interessante, não mencionada na BNP, ilustrada em página inteira com uma caricatura do autor por Bismarck.
"Não foi, posso-o afirmar categòricamente, no intuito de me tornar um homem célebre que lancei êste livrinho para a luz da publicidade, mas sim, no desejo firme e honesto de contribuir para a "purificação" do desporto nacional, onde o futebol é a "ovelha-ranhosa" das modalidades que no nosso país se praticam. [...]
Além disso, isto de edições livreiras não é negócio de tentar num país onde a grande percentagem é analfabeta e os "mestres" são aos cardumes...
Portanto, assentêmos desde já nisto: depois de lidar de perto durante algum tempo com os homens da bola - dirigentes e dirigidos - fiquei de tal forma enojado com a panorâmica em que vivi, que não resisti à tentação de escrever êste modesto livrinho, dirigido àquêles que sabem ser desportistas, àquêles que mesmo do desporto sabem trazer, sempre bem alto, a pureza do seu caracter e da sua dignidade. [...]
Em síntese, o motivo dêste meu livro foi o de trazer para a luz da publicidade algumas vergonhas do nosso futebol, algumas cênas dos bastidores, que por si só dizem bem da dignidade e da moral de certos dirigentes e dirigidos, que andam nestas coisas da bola.
É natural que, como compensação, ganhe mais alguns inimigos, mas isso não interessa, a quem, como eu, preza muito a sua integridade moral.
A "verdade núa e crúa" - é o lêma que preside a êste meu trabalho."
(Excerto de I - Porque escrevi êste livrinho...)
Índice:
Prefácio de Joaquim Soares | I - Porque escrevi êste livrinho. II - Um sônho côr de rosa. III - Jornais e jornalistas. IV - O conflito A. F. do Pôrto-Federação ou a firmeza de atitudes. V - O futebol - um negócio rendoso... VI - Como se fazem "azes" e os dirigentes se tornam ilustres... VII - O profissionalismo - negação positiva do verdadeiro espírito desportivo. VIII - Eu e o Benfica! IX - A final do Campeonato de Portugal, em Lisboa!!! X - Acuso-o, sr. Ribeiro dos Reis!!! XI - Compram-se jogadores! XII - Desceu o pano!...
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
50€

12 agosto, 2026

CASTRO, Vieira de -
DISCURSO SOBRE A CARIDADE.
Recitado aos 26 de janeiro de 1867, no salão do theatro lyrico do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Typ. - Perseverança - Rua do Hospicio n. 91. 1867. In-8.º (21x13,5 cm) de 70, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Discurso proferido no Rio de Janeiro, Brasil, nunca republicado, pouco tempo antes de Vieira de Castro celebrar o seu casamento com Claudina Adelaide Guimarães, filha de um rico empresário português radicado no Brasil, união que terminaria tragicamente em Maio 1870, com a morte violenta da moça às mãos do marido.
Autógrafo do autor(?) na capa.
"(Sorrindo e passeando a vista pelo publico). E o meu discurso está feito!E a Caridade sois vós! E a Caridade é isto: é este condescender incessante com todos os appêlos; é esta concurrencia offegante e apressada a todos os chamamentos! E a sua influencia são ámanhã as enfermidades saradas, os pobres consolados, e as tristezas sem dôr!
(Pausa)
(Com enthusiamo). Mas deixem-me antes de tudo, meus Senhores, alevantar o espirito neste paiz que talhou a pique as sua fórmas esculturaes, e recortou, como de polo a polo, as suas feições gigantescas n'uma montanha immensa, que atira com a sua testa para o meio das nuvens para que as estrellas lhe emmoldurem lá em cima thiara explendida, e cá em baixo assenta as suas bases n'um mundo immenso... [...]
Paiz selvagem lhe chamam! Paiz selvagem, de certo é! Paiz selvagem, sim; e quem ha ahi que possa offender-se do titulo?
Selvagem como tudo quanto é grande de mais para caber nos moldes acanhados de qualquer convenção! Selvagem como tudo quanto ha de gigantesco e de herculeo, assim nas variadas manifestações do mundo phisico, como nas manifestações variadissimas do mundo moral."
(Excerto do Discurso)
José Cardoso Vieira de Castro (1837-1872). "Nasceu no Porto a 2 de janeiro de 1837 e faleceu em Luanda a 7 de outubro de 1872. Foi escritor e político. Orador dotado e polémico, teve um percurso atribulado durante os seus estudos na Universidade de Coimbra, que frequentou intermitentemente entre 1853 e 1864, ano em que se formou em Direito. Foi vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe e deputado. 
Foi agraciado com a Comenda de Carlos III (Espanha) e com o grau de cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa (Brasil).
Passou um período no Brasil, onde se relacionou com os intelectuais daquela nação e foi nomeado presidente honorário do Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro. Ali casou, no Rio de Janeiro, com Claudina Adelaide Gonçalves Guimarães, filha de um abastado empresário e banqueiro. Suspeitando que a cônjuge lhe fora infiel, assassinou-a, corria o ano de 1870, e foi por isso condenado a 10 anos de degredo em Angola, onde faleceu cerca de dois anos depois, com a idade de 35 anos. 
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 12 de julho de 1866."
(Fonte:  https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/20577)
Belíssima encadernação meia de pele com dourados gravados na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Capas envelhecidas, algo sujas, com defeitos. Capa anterior alvo de restauro. F. ante-rosto apresenta mancha no cantos inferior direito. Foi acrescentado ao corpo do livro outro tanto de páginas em branco para "engrossar" o volume.
Raro.
Peça de colecção.
50€

02 agosto, 2026

ESTATUTOS DA ASSOCIAÇÃO DOS ESTUDANTES DO INSTITUTO SUPERIOR D'AGRONOMIA.
Fundada em 21 de Novembro de 1911. Lisboa, Typographia e Papelaria Academica de Pires & Cta., 1911. In-8.º (19x14 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Documento histórico. Trata-se dos estatutos da Associação dos Estudantes do Instituto Superior de Agronomia (AEISA), agremiação fundada em 21 de Novembro de 1911, pouco tempo após a implantação da República, sendo uma das associações de estudantes mais antigas do país, foi constituída com a finalidade de representar os seus associados e promover a cultura académica.
"A Associação dos Estudantes do Instituto Superior d'Agronomia, fundada em 21 de novembro de 1911, é constituida por professores, alumnos e ex-alumnos do referido Instituto, e não tem caracter politico nem religioso."
(Excerto de I - Organisação geral)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Apresenta sinais de humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
10€

31 julho, 2026

POSTURAS ESTABELECIDAS POR ACCORDÃOS PARA MANTER A LIMPEZA, POLICIA, E ORDEM GERAL
. Porto: Typ. de Gandra & Filhos. - 1839. In-8.º (20x15,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Publicação histórica. Trata-se do primeiro código de posturas adoptado pelo Município do Porto vertido em livro.
Curioso regulamento. Inclui dezenas de posturas, que, lidas aos dias de hoje não podem deixar de suscitar sorrisos.
Opúsculo com interesse histórico e etnográfico, em especial para a cidade do Porto.
"Em 1839, as posturas municipais da cidade do Porto são, pela primeira vez, compiladas e impressas num único local, um pequeno livro de bolso, que permite a sua mais fácil divulgação e publicitação. A partir das transformações político-administrativas que saíram da revolução liberal vários são os municípios Portugueses que procedem à publicação de Códigos de Posturas, leis emitidas por cada cidade para regular aspectos vários do seu funcionamento, onde, para além de se regularem outros aspectos do funcionamento da cidade, designadamente hábitos de utilização do espaço e coisa pública, licenças de utilização e funcionamento de actividades, ordem pública ou coimas, também se começam a regulamentar aspectos da construção de edifícios e da utilização das vias públicas, mormente aqueles que interferem directamente com a salubridade e segurança das populações."
(Fonte: VALE, Clara Pimenta do, Códigos de Posturas da Cidade do Porto entre o Liberalismo e a República. Influências e reflexos na forma de construir corrente, UFES, 2013)
"A CAMARA MUNICIPAL Da Antiga, Muito Nobre, Sempre Leal, e Invicta Cidade do Porto faz publicas as seguintes Posturas estabelecidas por Accordãos para manter a limpeza, policia, e ordem geral, na certeza de que estão tomadas as necessarias providencias para que as Penas comminadas sejão competentemente impostas a todos os transgressores.
Açougues.
He prohibido não ter os Açougues limpos, sob pena de 2:000 rs. He tambem prohibido o não deixar a balança livre para ser o peso certo, sob igual pena de 2:000 rs.: he prohibido da mesma forma vender carne corrupta, sob pena de 1:440 rs.: he prohibido igualmente ter carne fóra das umbreiras das portas, sob pena de 1:920 rs."
(Açougues)
"He prohibido vender Bacalhau corrupto, sob pena de 2:400 rs. assim como seccá-lo nas ruas ou praças publicas, sob pena de 1:200 rs.
(Bacalhau)
"He prohibido andarem Cães pelas ruas, sem que seus Donos tirem licença da Camara, pela qual pagaráõ 480 rs.; mas com obrigação de os trazerem com assame e golleira, na qual se declare o Nome do Dono, e rua onde mora; sob pena de se podêrem mandar matar.
(Cães)
"He prohibido gallopar a toda a brida pelas ruas da Cidade, sob pena de 2:500 rs. além do prejuizo de terceiro. As pessoas a quem cumpre a execução das posturas, se não puderem apprehender o Cavalleiro que fôr á desfillada, examinarão onde elle móra, e darão parte ao Juiz Eleito respectivo para se fazer effectiva multa, da qual terão hum terço."
(Cavalleiros)
"He prohibido lançar á rua Immundicie de qualquer especie: pena 2:400 rs."
(Immundicie)
"He prohibido atirar pedras com funda, ou sem ella, sob pena de 2:000 rs além do prejuizo de terceiro.. Os garotos que o fizerem serão punidos correccionalmente."
(Pedradas, ou tiros á funda)
"He prohibida a divagação de Porcos pela Cidade: os que forem encontrados pelas ruas, de noite ou de dia, serão tomados por perdidos, conduzidos ao Curral do Concelho, dando-se logo parte ao Juiz Eleito para sua immediata arrematação.."
(Excerto de Porcos)
"He prohibido ás Regateiras vender fóra dos sitios destinados, sob pena de 1:000 rs., e não pagando em continente, lhes serão apprehendidos os Generos e conduzidos a qualquer Estabelecimento pio. Podem só vender pelas ruas, apregoando.
(Regateiras)
[...]
E para que chegue á noticia de todos, se mandou publicar o presente, que será affixado nos logares publicos do Concelho. Porto e Paços do Concelho, 25 de Maio de 1839. - Domingos José Alves de Sousa, Secretario, o fiz escrever.
Miguel Joaquim Gomes Cardoso,
Presidente. [etc.]
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sem capas, toscamente aparado. Ausência da 1.ª folha (em branco?). Salvo melhor opinião, este livrinho foi publicado sem folha de rosto. As informações técnicas vêm impressas na última página de texto, em jeito de colofão. Deve ser encadernado.
Raro.
45€

05 julho, 2026

ESTABELECIMENTOS HOTELEIROS DE PORTUGAL -
Hotels : Hotéis - 1963 : Portugal
. Lisboa, SNI, 1963. In-8.º (23x20 cm) de 55, [1] p. ; [1] mapa Portugal ; B.
1.ª edição.
Capa belíssima assinada por Paulo-Guilherme (1932-2010).
Curioso roteiro dos estabelecimentos hoteleiros disponíveis e "certificados" no ano de 1963 em Portugal continental, Açores e Madeira. Muito completo e organizado, composto por quadros com as localidades/endereço e o nome dos espaços; inclui o telefone dos estabelecimentos, o tipo de alojamento, estadia e as refeições, e respectivos preços.
Guia quadrilíngue (português/francês/inglês/alemão), editado pelo SNI - Secretariado Nacional da Informação - Cultura Popular e Turismo, não mencionado na BNP.
Nos anos 60, o turismo em Portugal registou um crescimento explosivo e de massas, forçando o Estado Novo a transitar de uma lógica puramente propagandística para uma atividade económica vital. Pressionado pela necessidade de divisas para financiar a Guerra Colonial, o regime abriu as fronteiras ao turismo internacional. (IA)
Inclui mapa do território nacional com dimensões generosas (32,5x20 cm) em separado: "Portugal : Edições SNI Lisboa".
"O presente guia indica os hotéis, pousadas, estalagens e pensões oficialmente classificados. Todos estes estabelecimentos, com preços visados pela Direcção dos Serviços de Turismo, possuem as comodidades indispensáveis, satisfazendo, de um modo geral e dentro da sua categoria, os clientes a que se destinam.
Além dos incluídos neste guia, outros estabelecimentos existem tais como pensões, de 3.ª classe e hospedarias.
Há, também, estabelecimentos não classificados pela Direcção dos Serviços de Turismo, os quais, pela modéstia das suas instalações e serviços, são considerados sem interesse para o turismo.
À entrada dos estabelecimentos hoteleiros encontra-se afixado um quadro com os preços que lhes correspondem. Sobre estes preços o hóspede pagará 10% para o serviço e, nas zonas de turismo, uma sobretaxa de 3%. Nas refeições a preço fixo estão incluídos 3 dl de vinho comum.
Os preços referidos neste guia são indicados em escudos."
(Excerto de Informação geral)
Exemplar em brochura bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

24 junho, 2026

SOBRINO DE CIMARRA -
Sastre de SS. AA. RR. Los Infantes.
Madrid, Peligros, 18. Madrid, Imprenta y Litografia Artísticas A. de Noel Alcoy, [189?]. In-8.º (21x15,5 cm) de [8] p. ; todo il. ; B.
1.ª edição.
Curioso catálogo de roupa infanto-juvenil da Casa Sobrino de Cimarra, na época justamente considerada uma das mais importantes e afamadas de Espanha, fornecedora da Casa Real Espanhola. 
Pela sua consulta, permite adivinhar como a elite burguesa espanhola vestia as suas crianças (que não diferia muito da portuguesa), e as modas então "na berra", entre outros, o vestuário de corte "Norfolk", "Stafford", "Fauntelroy" ou o clássico "Marinheiro".
Opúsculo todo ilustrado com 23 modelos em desenho e fotogravura, com breve texto a acompanhar cada um dos trajes.
Exemplar em brochura, bem conservado. Com vinco no meio.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

09 junho, 2026

MEMORIAL DO AGRICULTOR -
Grande agricultor não é o que tem muitas terras. - É o que sabe tirar delas o máximo proveito. Lisboa : Porto, Sogere Sociedade Geral de Representações, Lda., 1934. In-8.º (16x11 cm) de 96 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Repositório de conhecimentos práticos, espécie de almanaque agrícola, oferecido a título gracioso pela Sogere aos agricultores, aconselhando-os na labuta campestre, e recomendando utensílios valiosos para o bom desempenho nos campos, com a respectiva propaganda comercial aos mesmos no interior.
Invulgar e muito curioso.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequenos defeitos. Contracapa apresenta falha de papel marginal.
Invulgar.
Indisponível

07 junho, 2026

BOCAGE -
OLINDA E ALZIRA
. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1915. In-8.º (18,5x12 cm) de 40 p. ; B.
Edição centenária das célebres Cartas de Olinda a Alzira.
'Romance-ensaio', invulgar e muito curioso, composto por sete epístolas.
Obra não relacionada na Biblioteca Nacional (BNP), revestida de capa belíssima, não assinada.
"O erotismo tem sido cultivado com alguma frequência na literatura portuguesa. [...]
As Cartas de Olinda a Alzira - que constituem um caso inédito na literatura portuguesa, pois são um relato das primícias sexuais de uma jovem, na primeira pessoa, como assinala Alfredo Margarido – por sua vez, são dadas à estampa nos finais do século passado com as precauções proverbiais: sem a menção da data, editor, local ou organizador.
Com o advento da República, a liberdade de expressão, grosso modo, foi uma realidade. Estavam reunidas as condições objectivas e subjectivas para a Guimarães Editores assumir a publicação de Olinda e Alzira, em 1915."
(Fonte: https://purl.pt/1276/1/erotismo.html)
"Diz-se que Cartas de Olinda e Alzira, romance epistolar em verso de Manuel Maria Barbosa du Bocage que circulou clandestinamente pelo país, é um dos primeiros manifestos feministas. Não seria de estranhar, já que este escritor pré-romântico, desaparecido há 200 anos, foi tido, no seu tempo, como personalidade escandalosa e pervertida e vítima de interdições, censura e abusos vários.
Cartas de Olinda e Alzira é a composição de que se parte para este espectáculo homónimo: proposta ética - e não de ocasião - mas, muito provavelmente, bizarra são cenas "pintadas” e, nelas, tudo o que parece, é. É mesmo! A tonalidade do espectáculo, como a do texto, é confessional e reproduz os movimentos do coração que sobem direitos "à nossa condição maravilhosamente corporal” (Montaigne). E, a título de justificação antecipada, citamos Bocage que dizia: "(...) instintos naturais se não são crime, como crime será narrar seus gozos?(...)"
(Fonte: https://www.tndm.pt/pt/eventos/detalhe.php?id=119)

"Que estranha agitação não sinto n'alma
Depois que te perdi, querida Alzira!
De meus olhos fugiu, sumiu-se o fogo,
Que a tua companhia incendiava!
Por uma vez se foi minha alegria,
Nem a mesma já sou, que outr'ora hei sido!
Minhas vistas ao céu lânguidas se erguem,
E a mim propria pergunto d'onde venha
Tão novo sentimento assoberbar-me?
Não se aquieta o coração no peito,
Não cabe n'elle, e viva chamma no intimo
Das entranhas ardente me devora
Sem que eu possa atinar a causa, a origem,
Aquelles passatempos, que na infancia
Tão do peito queria, em odio os tenho.
Das mesmas sup'rioras a presença,
Que d'antes para mim era indiff'rente,
Se me torna hoje dura, intoleravel!
Aonde, aonde irão estes impulsos
Precipitar a malfadada Olinda?
Será, querida Alzira, a tua ausencia,
Que me faz derramar tão agro pranto?
Debalde a largos passos solitaria
Vago sem norte; ignoro o que procuro;
Ah! minha cara! Os males que tolero
Expressal-os não posso, nem soffrel-os.
"

(Epistola I - Olinda a Alzira)

"Conheço de teus males a vehemencia,
Prezada Olinda! Eu propria os hei soffrido,
Quando da mesma edade que hoje contas
Próvida a natureza começava
A preencher em mim seus fins sagrados.
Marcha ella por graus em suas obras;
Precede ao fructo a flor já matizada,
Que fôra antes de flôr botão mimoso."

(Excerto de Epistola II - Alzira a Olinda)

"Quanto gratas me são as tuas lettras,
Querida Alzira! Ao coração me falas!
As tuas expressões meigas occultam
Em si virtede tal, que apenas lidas
D'ellas a alma se apossa sequiosa:
Tu és, prezada amiga, unico archivo
Aonde os meus segredos, mais occultos
Eu vou depositar: em ti encontro
O refrigerio a males, que tolero,
Sem poder conhecer a origem. [...]
Revela á tua amiga este mysterio
D'onde sinto prender o meu repouso.
Eu não exp'rimentava, o que exp'rimento:
Os meus sentidos todos alterados,
Uma viva emoção põe em desordem.
Cala-me activo fogo nas entranhas;
O coração no peito turbulento
Pula, bate com ancia estranhamente:
O sangue, pelas veias abrazado,
Parece que me queima as carnes todas:
A taes agitações languidez terna
Succede, que a meus olhos pranto arranca,
E o coração desassombrar parece
Do pezo da voraz melancholia.
Té mesmo a natureza tem mudado
A configuração, que eu d'antes tinha:
Vão-se augmentando os peitos, e tomando
Uma redonda fórma, como aquelles
Que servem de nutrir-nos lá na infancia.
D'outros signaes o corpo se matiza
Antes desconhecidos: alvos membros,
Lizos té'qui, mácula um brando pello,
Como o buço ao mancebo, é ave a pennugem.
Sobresalta-me d'homens a presença,
Elles, a quem té agora indifferente
Tenho com affouteza sempre olhado!
Ao vel-os o rubor me sobe ao rosto,
A voz me treme, e articular não posso
Sons, que emperrada a lingua não exprime.
Sinto desejos, que expressar me custa;
Amor... E como a idéa tal me arrojo?
Será talvez amor isto que eu sinto?"

(Excerto de Epistola III - Olinda a Alzira)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
50€