27 maio, 2019
1.ª edição.
Obra muitíssimo prestigiada pelo extenso prefácio de Camilo Pessanha que ocupa sensivelmente metade do livro. Inclui no interior a partitura do "Hymno Nacional Chinez".
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Sobre este assunto, com a devida vénia, reproduzimos um excerto da Revista Macau, cujo link infra indicamos. "O investigador [Daniel Pires] refere que, “em termos de comunidade portuguesa, Camilo Pessanha era muito incómodo, não era uma pessoa que as pessoas fizessem força para recordar, a parte conservadora da comunidade não gostava dele, porque estava fora daqueles parâmetros”. Também o prefácio que Pessanha preparou para a obra do médico José António Filipe de Morais Palha, Esboço Crítico da Civilização Chinesa, foi mal recebido pelo lado chinês. “Há na realidade uma parte da comunidade chinesa que vê aquilo como um ataque à China, o que não é, é um ataque ao regime que existia antes da implantação da república”, considera o estudioso."
(Fonte: http://www.revistamacau.com/2017/04/12/150-anos-do-nascimento-do-poeta-ressuscitar-camilo-pessanha/)
“O pequeno folheto, que venho submetter á apreciação do publico, não é senão um producto de circumstancias fortuitas. Não revela da minha parte nem o prurido de avolumar a literattura portugueza, nem a vaidade de contribuir com um trabalho original para o estudo da complexa civilisação chineza [...]
Foi a primorosa conferencia do sr. Dr. Camillo Pessanha sobre “A Arte chineza” que me orientou o espirito, no mare magnum dos assumptos sobre coisas chinezas.
Era evidente, que, emquanto o formoso genio do poeta descobria na arte d´este povo as mais maravilhosas manifestações do bello, e desvendava nos symbolos, conceitos e máximas chinezas as mais sublimes concepções philosophicas, a mim, obreiro, embora modesto e obscuro, do positivismo, competia-me naturalmente a tarefa de patentear a realidade, na sua nudez singela e austera, pura ou impura, formosa ou hedionda, perfumada ou fetida. [...]
Não se limitou a isto, [a conferência de Pessanha], a valiosa intervenção do meu bom amigo. Accedendo ao meu tibio pedido, promptificou-se a apadrinhar o trabalho com o seu magistral prefacio, que, comquanto não exprima da sua parte para commigo mais do que mera deferencia pessoal, generosa e captivante, de certo, a mim enche-me de profunda satisfação e intimo orgulho por ter conseguido assim arrancar á sua obstinada inacção uma das maiores glorias das lettras nacionais."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo]. Prefacio. I. - Traços da civilisação antiga. II. - Decadencia gradual da civilisação e dos costumes.
José António Filipe de Morais Palha (1872-1935). "Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Como alferes (desde 22-07-1898) chegou a Macau em 3-03-1900, sendo nomeado facultativo de 3.ª classe do quadro de saúde da província. Esteve em comissão de serviço em Timor (1902-1905; 1908; 1913-1914). Promovido a capitão-médico em 1915. Foi professor de língua alemã do Liceu (1900-1901); professor interino do 6.º grupo do liceu (1912- 1914; 1918) professor do 7.º grupo 1917. Promovido a major-médico em 1918 e a tenente coronel em 1920 e coronel-médico em 1924. Chefe dos Serviços de Saúde de Macau, em 1922."
(Fonte: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/11/12/leitura-esboco-critico-da-civilizacao-chinesa/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Lombada apresenta falhas de papel. Levemente amarelecido por acção da humidade junto à lombada, visível no interior apenas nas primeiras e derradeiras páginas.
Raro.
Indisponível
10 fevereiro, 2018
ANDRADE, Eugénio de - PEQUENO CADERNO DO ORIENTE : NOTEBOOK OF THE ORIENT. Desenhos - Illustration: Carlos Marreiros.
Macau, Instituto Camões, Instituto Cultural da R. A. E. de Macau,
Instituto Português do Oriente, 2002. In-fólio (30 cm) de [8], 106], [2]
p. ; mto il. ; B.
1.ª edição independente. Primeiramente publicado no n.º 18, II Série, 1.º trimestre de 1994, na Revista de Cultura (Macau).
Tiragem: 1000 exemplares.
As
poesias, apontamentos e prosas poéticas deste "Pequeno Caderno do
Oriente" foram escritos em Macau pelo poeta Eugénio de Andrade, durante
uma visita de alguns dias a Macau e à China, em Outubro de 1990.
Carlos Marreiros fez as ilustrações para a edição deste "Caderno" especial da RC, em Novembro de 1993.
Bonita
edição trilíngue (português/inglês/mandarim), impressa em papel de
qualidade extra, e superiormente ilustrada a sépia ao longo das páginas
do texto.
Sumário:
-
Camilo Pessanha, o Mestre. - Ofício de Paciência. - Jardim de Lou Lim
leoc. - As Pedras. - Pedro Profunda. - As Montanhas Verdes. - Templo da
Barra. - Canto Solar. - Balança. - Em Defesa de Camões. - Aproximação de
Coloane. - O Nome na Água.
"Sempre
tive Camilo Pessanha como exemplo da mais alta ascese poética; digamos,
um homem da raça de Baudelaire, ou de Kavafis. Pessoa, Pessanha,
Cesário, Camões - e agrada-me citá-los assim a contrapelo - foram sempre
para mim os nomes supremos da poesia de língua portuguesa. [...] Mas de
todos eles, creio que só a Camilo Pessanha amei em segredo como
mestre."
(Excerto de Camilo Pessanha, o Mestre)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível
22 setembro, 2015
1.ª edição.
Bonita antologia, belissimamente ilustrada com seis desenhos de página inteira - especialmente concebidos para esta edição - da autoria de A. A., Adolfo Pereira, Augusto Serro e Margarida Jacinto.
Contracapa: fotografia datada de 1912 e obtida em Macau, no jardim da residência de Lou Lim Iéoc. Na primeira fila vê-se Sun Iat Sen (o segundo a contar da direita para a esquerda) e Camilo Pessanha (o primeiro da esquerda para a direita).
"Um poeta tem o direito de ser julgado (e nós de o julgar) pelos seus melhores poemas. Este é o único porquê desta antologia de Camilo Pessanha, endossada a Macau. [...]
Quando se fala de um poeta como Camilo Pessanha, que escreveu o que escreveu e levou a vida que levou, costuma afastar-se esta última como pouco edificante. É, uma vez mais, a recusa de compreender que se não basta a transgressão puramente negativa, das leis e dos costumes vigentes para se fazer algo de novo, também nada se pode fazer que valha apena sem incorrer no risco da sua transgressão.
Porque, por muitas voltas que lhe demos, resta-nos um facto. Se Camilo Pessanha tivesse levado muito a sério a sua carreira de funcionário em Macau, se tivesse buscado acima de tudo a promoção hierárquica e o agrado dos diversos «legítimos superiores», talvez tivesse tido um mausoléu de maiores dimensões nalgum dos cemitérios locais. Mas não teríamos certamente a «Clépsidra», nem esse aparente engano, e afinal verdadeiro milagre, de um florir de rosas bravas no Inverno, sob a queda nupcial da neve, de que foi ele o mensageiro humilde e tão célere."
(excerto do prefácio)
"Desce em folhedos tenros a colina:
- Em glaucos, frouxos tons adormecidos,
Que saram, frescos, meus olhos ardidos,Nos quais a chama do furor declina...
Oh vem, de branco, - do imo da folhagem!
Os ramos, leve, a tua mão aparte.
Oh vem! Meus olhos querem desposar-te
Reflectir-te virgem a serena imagem.
De silva doida uma haste esquiva
Quão delicada te oscultou num dedo
Com um aljôfar côr de rosa viva!...
Ligeira a saia... Doce brisa impele-a...
Oh vem! De branco! Do imo do arvoredo...
Alma de silfo, carne de camélia..."
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas apresentam picos de acidez.
Muito invulgar.
A BNP possui apenas um exemplar.
Indisponível





