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09 junho, 2023

UMA ILHA É UMA PORÇÃO DE TERRA CERCADA DE ÁGUA POR TODOS OS LADOS - MENOS POR UM - O BRAÇO FORTE E RESOLUTO DO POVO ESTENDIDO AOS SEUS IRMÃOS /
L. A. P. A. - Liga de Acção Patriótica dos Açores
. [S.l.]: L.A.P.A., [1976?], In-8.º (18,5 cm) de [32] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética contra a extrema direita açoriana corporizada pela FLA. Trata-se de um opúsculo de intervenção - anti-separatista - publicado no período conturbado que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, sendo a CIA sugerida como apoiante da "linha dura" independentista. Raro e muito curioso.
Exemplar com dedicatória autógrafa (não legível) na f. guarda: "Para a Gabriela que conhece a nossa Realidade e que, connosco, poderá contribuir para uma mudança radical. Contra o fascismo, Contra o separatismo".

"Os Açores são dos açoreanos"
eis a palavra de ordem
dos FLAcistas-separatistas.

Não!!!
Com essa não nos enganam.

De quantos?
De quais açoreanos?

Não nos atirem areia para os olhos.
Os Açores,
hão-de ser dos açoreanos
Portugal,
há-de ser dos portugueses
mas
dos que trabalham,
ouviram bem?

DOS QUE TRA-BA-LHAM !
Não venham cá com histórias
de independênCIA.

Somos e seremos
portugueses

E, sobretudo,
queremos construir um país
em que não haja
tubarões
parasitas
como vocês.

Ouviram bem?

(Ouviram bem)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
25€

22 fevereiro, 2022

LIVRO DO PRIMEIRO CONGRESSO AÇOREANO que se reuniu em Lisboa de 8 a 15 de Maio de 1938. Publicado no ano das comemorações centenárias da Independência e Restauração de Portugal - GRÉMIO DOS AÇÔRES
. Lisboa, Edição da Casa dos Açôres, 1940. In-4.º (26,5 cm) de [4]. 723 p. ; [21] p. pub. ; B.
1.ª edição.
Congresso histórico. O Primeiro Congresso Açoriano, que reuniu em Lisboa, de 8 a 15 de Maio de 1938, a nata da intelectualidade açoriana da época, foi um evento de carácter político-cultural visando repensar a autonomia açoriana e dar visibilidade, em Lisboa, aos problemas com que o arquipélago se defrontava." (pt.unionpedia.org)
"Só agora, passados dois anos sôbre a reünião do Primeiro Congresso Açoreano, se torna possível publicar êste livro, onde estão arquivados todos os trabalhos e noticiadas tôdas as manifestações do mesmo Congresso. [...]
O Primeiro Congresso Açoreano foi obra do Grémio dos Açôres, hoje Casa dos Açôres, e quem com verdade e de boa fé poderá negar o valor dêste Congresso, que tão nobremente defendeu os interêsses insulares e levantou o nome da Terra Açoreana? Nêle se enalteceu o Arquipélago e os seus habitantes, nêle se estudaram os mais importantes e instantes problemas de interêsse regional e local. Nunca os Açôres tinham sido aqui o assunto do dia, de muitos dias, como o foram durante as manifestações do Primeiro Congresso Açoreano. Nunca uma outra província de Portugal europeu foi tão enaltecida, aqui na Capital, como foi, nesses dias, a Terra Açoreana.
Os benefícios dêste congresso não e limitaram a essa grande homenagem dos dos portugueses do Continente aos portugueses dos Açôres. O Primeiro Congresso Açoreano chamou a atenção dos Poderes Públicos para os problemas insulares e não o fêz sem proveito nosso. Muitos dos votos dêste Congresso já foram satisfeitos por quem de direito e os restantes terão também resolução satisfatória, quando chegar o momento oportuno. A transcrição de muitos dêstes votos no Diploma das Juntas Autónomas, mostra como os trabalhos dêste congresso foram tomados em consideração. A escolha dos novos Governadores distritais mostra bem a atenção que o Govêrno está dedicando às nossas Ilhas."
(Excerto do Prefácio)
"Bem precisa era tamanha propaganda a favor da realização do I Congresso Açoreano que outra finalidade não tinha senão a de reunir uma assembleia onde os problemas açoreanos fôssem ventilados e estudados com criteriosa atenção.
Basilares eram as questões de Geografia física, política e humana que andavam intimamente ligadas à vida do arquipelago, sendo ainda de notar que a Meteorologia e o clima dos Açôres contituiam problemas do mais alto valor não apenas para a vida insular, mas tambem para as comunicações entre os continentes.
Situados num ponto do Atlantico bastante estratégico, os Açôres gosavam o previlégio de ser informadores do tempo que havia de regular aquelas comunicações. Daqui a necessidade dum solido conhecimento da meteorologia açoreana.
A fauna e a flora insulares seriam outro aspecto a considerar no Congresso, çois dada a originalidade do clima açórico, os Açôres eram campo aberto a todas as especies animais e vegetais, oriundas das mais variadas ambiências climáticas.
Alem disso, os Açôres andavam há quinhentos anos vivendo uma história que se perfuma de lendas, que se recheia de factos heróicos e que no fundo se identifica com a história da Mãi-Pátria. O Clamor épico das descobertas e das conquistas viviam ainda ecoando nas praias a nas fortificações açoreanas e as odes sonorosas dêsse passado glorioso ocultavam-se ainda nos inéditos, cheios de pó, das bibliotecas onde muito havia que investigar e conhecer.
A etnografia e o folclore no todo que representavam da tradição popular açoreana eram manancial inesgotável para estudos dos mais diversos e copiosos e a arte regional bem como a musica popular contituiam fonte de inspiração ainda pouco explorada, não falando já da literatura e da imprensa regionais que uma vez integradas nos respectivos quadros de cultura muito teriam de fornecer para a formação dum índice de valores intelectuais relativos ao arquipelago açoreano.
Sob o aspecto administrativo, a organização dos Açores tinha que se definir pois êstes se encontravam «numa condição muito especial, numa situação intermediaria entre as provincias continentais e as provincias ultramarinas.. Daqui, carecerem uma orgânica especial, pois precisavam duma certa autonomia administrativa, há já muito reconhecida pelos poderes centrais, mas que nunca chegou a adquirir o verdadeiro e justo equilíbrio.
O problema das obras publicas, mormente o das obras e fomento seria outro capítulo importante a ser tratado no Congresso, bem como o da agricultura e pecuária - fontes de riqueza verdadeiramente notáveis para a economia insular - economia insular essa a que não tem sido indiferentes o comercio e a industria, inclusivamente a industria do Turismo que tem nos Açôres campo de acção bastante rico e extenso pelas excepcionais belezas naturais e riqueza hidrologica havida nas ilhas que os constituem.
Finalmente a questão das comunicações, dos transportes maritimos, da assistencia (assistencia social, corporativa, religiosa, medica, judiciária, de educação e de ensino) seriam outros tantos aspectos a ser considerados nos trabalhos do Congresso Açoreano."
(Excerto de Como nasceu o I Congresso Açoreano)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Alvo de alguns (poucos) restauros, incluindo a lombada que apresenta fita gomada.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
35€

21 agosto, 2020

SANTOS, João Marinho dos - PARA A HISTÓRIA DA AUTONOMIA DOS AÇORES - A INTRODUÇÃO FORÇADA DA FISIOCRACIA NO ARQUIPÉLAGO. [S.l.], Revista Portuguesa de História, 1996. In-8.º (23 cm) de 20 p. (576-593 pp.) ; B. Separata da Revista Portuguesa de História : t. XXXI, Vol. I (1996)
1.ª edição independente.
Interessante estudo sobre o relacionamento da Coroa com o arquipélago dos Açores durante o período pombalino, tendo como pano de fundo a questão cerealífera.
"A 26 de Fevereiro de 1771, um alvará assinado pelo Marquês de Pombal decretava que, de futuro,  seria «livre a extracção dos referidos trigos das Ilhas dos Açores para esta Cidade de Lisboa em beneficio commum da Capital do Reino [...]», exceptuando somente a situação «em que se verifique falta de trigos para o sustento dos moradores das respectivas Ilhas, no qual caso as Cameras farão praticar provisoriamente a reserva da terça parte [...]». [...]
Entre as considerações circunstanciais ou enquadradoras do referido diploma (já que o Poder Central não duvidaria da forte contestação que ele suscitaria no arquipélago), referiam-se os «intoleraveis monopolios de trigos que se faziam nas ilhas dos Açores a beneficio dos officiais das respectivas Cameras e de outras Pessoas poderosas» e o reconhecimento que as ilhas eram «adjacentes» do Reino, ou seja, províncias suas, e nestas, o «pão» era comercializado para «onde» [as pessoas} querem, e mais interesse lhe faz». [...]
Nos Açores, como aliás em outros «senhorios/donatarias», estava estabelecido que um dos direitos reais a observar deveria ser a obrigatoriedade  da moeda corrente ser a cunhada no Reino, ainda que este princípio nem sempre fosse cumprido. Com efeito, o fluxo monetário a partir de Portugal manteve-se, por norma, extremamente débil e os «atravessadores» locais, fiéis a alguns princípios do mercantilismo, retinham a pouca moeda reinol e, para os seus negócios com o estrangeiro, recorriam, o mais possível, aos «reales» e às letras de câmbio. Assim, quando, concretamente, a guerra estalou entre o Prior do Crato e Filipe II e o primeiro decidiu bater moeda em Angra, algumas relações informam que havia, então, na Terceira «muy poco dinero y pastel» ou havia pouco dinheiro mas «muitas peças de oiro e prata»."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

01 setembro, 2019

ALMEIDA, Aguinaldo de - CARTA ABERTA AO GENERAL ALTINO PINTO DE MAGALHÃES (Comandante-Chefe das Forças Armadas nos Açores e Presidente da Junta Regional)... lida no Programa "Paralelo 38", através da Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, na noite de 14 de Outubro de 1975. Pelo seu autor,... [S.l.], [s.n.], [1975]. In-8.º (17 cm) de [1], 29 f. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo stencilizado que reproduz o protesto em forma de "Carta Aberta" dirigido pelo autor ao General Altino Pinto de Magalhães, Comandante-Chefe das Forças Armadas nos Açores, na sequência das detenções de membros conotados com grupos independentistas em pleno "Verão Quente Açoriano".
Inclui, no final do livro, a lista dos nomes de todos os açorianos das Ilhas de S. Miguel e Terceira detidos para interrogatório no âmbito deste processo.
"Sr. General, Boa noite
Sinceramente, eu não sei escrever o Português. Não sou Doutor, não sou letrado, não tenho, ao que muita gente pensa, muita cultura, sou apenas um homem. Sou um homem como tantos outros que por aí andam e que não sabem escrever português mas, sim, falar Açoreano. E quando digo "falar Açoreano" quero dizer falar ao povo desta terra de modo a que ele nos perceba. [...]
Sr. General, quem está pior, o Açoreano, ou o Continental? Mais... se não fossem os erros cometidos pelo Continente, nós estávamos melhores ou piores? Sr. General, ouça a Voz de Um Açoreano.
Afinal, de que tem medo o Sr. e o Governo Português?
Independência? Estado Federado? Autonomia?"
(Excerto da Carta)
"O autor desta "Carta Aberta", é um dos 35 Açoreanos que foram raptados das suas residências na madrugada do dia 9 de Junho de 1975, por cêrca das 3 horas da manhã, deixando êstes atrás, pais, mulheres, filhos e amigos, todos em sobressalto, desnorteados e traumatizados (sabe Deus, se alguns até, para o resto da sua vida), e, foram levados, uns por soldados, outros por marinheiros e ainda outros por polícias, todos eles armados de G-3 e pistolas, para bordo de um "Rebocador" da marinha de guerra portuguesa, que se encontrava atracado na Doca de Ponta Delgada, e que transportou os nossos irmãos Açoreanos como porcos, para a Ilha Terceira, onde estiveram detidos na "Cadeia da Comarca de Angra do Heroismo" alguns, cêrca de 3 a 4 semanas, para averiguações."
(Excerto de Alguns considerandos - Retrospectiva)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Encadernação não respeita a orientação impressa do livro, encontrando-se invertida.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

17 fevereiro, 2017

CALISTO, Luís - ACHAS NA AUTONOMIA. [Viagem ao Interior da FLAMA]. [Por]... Jornalista do Diário de Notícias. Design: José Miguel Araújo. Coordenação fotográfica: Rui Marote. [Lisboa? - Funchal?], Diário de Notícias, 1995. In-fólio (30cm) de 288 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Capa de José Miguel Araújo.
Importante trabalho histórico. Documento imprescindível para a compreensão do percurso da autonomia madeirense. Aborda pormenorizadamente o processo do chamado “Verão Quente” de 1975 e a intervenção do movimento independentista FLAMA (Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira), analisando os acontecimentos do processo autonómico mais significativos até 1995.
Muitíssimo ilustrado com fotografias a p.b. e a cores em todas as páginas de texto.
"Autonomia é subversão. Esta Autonomia da Madeira. Para uns, revolução tranquila. Para outros, revolução-revolução. O processo autonómico madeirense nasceu subversivo. O 25 de Abril trouxe aos dois arquipélagos portugueses a autonomia política, a autonomia administrativa e a autonomia financeira. Autonomia financeira do Funchal?
Vinte anos depois, as questões velhas são novas questões. Todos elogiam a Autonomia. Que é mãe de obras e descentralizações que nem em cinco séculos. Todos lhe vêem defeitos. [...]
O "Diário de Notícias" meteu-se ao desafio de ouvir, para recontar, histórias da História recente. Recordar o que está mal recordado, informar passagens que ficaram em segredo. Uma forma de tentar perceber as novas questões formulando-as dentro dos contornos originais. Presidente do Governo, líderes partidários, políticos de todos os planos e quadrantes, dirigentes da FLAMA, o outro mundo à parte dos operacionais independentistas, gente da Cultura, figuras do Povo - foi grato ouvir desfiar descomplexadamente episódios madeirenses cada um deles com um bocado de nós. Recusaram-se a colaborar com este livro de jornal os ministros da República que a Madeira teve e tem, Lino Miguel e Rodrigues Consolado - uma pena, pedras angulares que são da batalha autonómica.
Este tempo depois, há feridas por cicratizar e um mar de posições por compreender na imensidão do Atlântico entre a Madeira e o Continente. É fado, "Portugal é uma mina para Freud", diz Eduardo Lourenço".
(excerto da Nota do autor)
Índice:
Entre as brumas da memória. Abril com Marcello e Thomaz. 1974 - Revolução intraquila; 1975 - Madeira em Flamas; 1976 - Primeiro Parlamento; 1977 - Ano de ciclone; 1978 - Jardim Presidente; 1979 - Um adeus flamista; 1980 - Camarate no Funchal; 1981 - Recado americano; 1982 - Morte do bispo; 1983 - Bloco Central falido; 1984 - Natal de crise; 1985 - A caminho da Europa; 1986 - Cavaco trouxe Bothas; 1987 - Elogio aos operacionais; 1988 - "Ajudei, ajude-me"; 1989 - Mísseis longe; 1990 - Guerrilha e crude; 1991 - Visita do Papa; 1992 - Défice democrático; 1993 - Lapsus linguae; 1994 - Virgílio Homero; 1995 - A luta continua. Partidos em combate. Transferências de poderes. Gráficos. Agradecimentos.
Luís Calisto. "É um jornalista madeirense que, no arquipélago, tem quatro décadas ao serviço de jornais, rádio e TV, tendo ocupado funções de direcção nomeadamente no Diário de Notícias do Funchal, onde ainda hoje se encontra mas ocupado noutros trabalhos.Figura polémica, mas indubitavelmente conhecedor por dentro, como poucos, da realidade madeirense."
(fonte: www.clubedejornalistas.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com indubitável interesse histórico e regional.
50€

16 outubro, 2015

CORDEIRO, Dr. Luís - REFLEXÕES EM TORNO DO DECRETO DE DOIS DE MARÇO DE 1895. Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1991. In-8º (21cm) de 34, [2] p. ; B. Separata da Revista "Insvlana"
Tiragem: 150 exemplares.
Interessante estudo histórico sobre a autonomia açoriana.
"No processo reivindicativo açoriano tendo em vista a «livre administração dos Açores pelos açorianos», o dois de Março de 1895 é uma data fundamental que não pode deixar de constituir motivo de reflexão séria e desapaixonada, na tentativa de compreensão das motivações que lhe estiveram na base e das vicissitudes por que passou tão importante ideal da história contemporânea do Arquipélago.
Assim, a luta autonomista da década de noventa do século XIX, não poderá ser compreendida exclusivamente a partir das repercussões no Arquipélago de medidas conjunturais determinadas pelo Governo tendo em vista atenuar os graves problemas financeiros que afligiam o Estado português e o colocavam numa situação de extrema debilidade face às principais potências europeias.
Destas medidas, destacam-se as tentativas de supressão do curso diferenciado da moeda nas Ilhas, e de extinção do Tribunal da Relação dos Açores, com sede em Ponta Delgada, bem como a proposta de estabelecimento do monopólio do álcool, além de outras que se traduziam no agravamento da carga fiscal a suportar pelos açorianos."
(excerto da 1.ª parte do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível