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22 junho, 2022

A VILA E O MAR
. [S.l.], Ilha Nova : Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, 2003. Oblongo (14,5x21 cm) de 84 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Guia-roteiro da vila piscatória açoriana de Vila Franca do Campo (São Miguel).
Tiragem de apenas 1000 exemplares.
"Para uma Vila que exibe em seu nome o "Campo" formoso que lhe deu origem, o mar tem sido uma constante de tal modo intensa ao longo de toda a sua história que justifica a atenção que nos últimos tempos dela vem recebendo. Ganha-pão de muitos, grangeou sempre dos Vilafranquenses um relacionamento mais de temor do que de empatia. É que a terra, se bem que outrora madrasta e violenta, se remiu ao longo dos séculos pela sua generosidade e fartura, fazendo deste modo esquecer a morte e destruição que de suas entranhas havia espalhado por sobre a Vila. O mar, por seu lado, todos os anos levanta a espuma bravia de suas ondas e continuamente relembra àqueles que a ele recorrem para subsistência que estão à mercê de seus embalos como de seus furores. [...]
O pequeno livro que agora se publica oferece com simplicidade uma imagem multicor desse relacionamento da Vila com o seu mar: da Vila que foi e da Vila que é, de como mistura seu suor com sal para conquistar o sustento diário, e como se diverte no azul e suas águas. E no fim, como em apêndice de sobremesa, elenca em imagem e em ciência os peixes e os mariscos cujos nomes são propriedade corrente dos homens do cais."
(Excerto do Prefácio)
Matérias:
Nota do editor - Rui de Carvalho e Melo. | Prefácio - António M. de Frias Martins. | A Vila e o mar. | Espécies Piscícolas. | Património costeiro naval e marítimo de Vila Franca do Campo - Rui de Sousa Martins. | Instrumentos de trabalho - Meios de transporte - Brinquedos de sonho - Peças decorativas - Actos de fé : Arte popular do Museu de Vila Franca do Campo - Fotos de Silvino. | Ficha técnica.
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta vestígios de etiqueta retirada; Comentário rubricado no verso da capa anterior.
Invulgar.
Com interesse histórico e etnográfico.
Indisponível

08 abril, 2019

DIAS, Urbano de Mendonça - O SOLAR DA CASTANHEIRA. [S.l.], Emp. Tip Ltd. de Vila-franca do Campo, 1931. In-8.º (19,5 cm) de 266, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra publicada em Vila Franca do Campo, S. Miguel (Açores).
Romance histórico de cariz regional que retrata as desinteligências de dois ramos de uma tradicional e influente família açoriana - miguelista uma, liberal a outra - ao longo da segunda metade do século XIX, que D. Miguel - o protagonista -, neto do Morgado da Castanheira, procura sanar.
"O Morgado Mateus, mal viu luzir o buraco levantou-se, vestiu-se e foi para a quinta passear.
Mal tinha conseguido dormir nada em quasi toda a noite, com insonias; deitara-se tarde, de estar a conversar com o neto, que chagara na vespera formado de Coimbra, e isso fizera-lhe mal: revirava-se na cama, acendera a luz por duas vezes e maçado, aborrecido, levantou-se então.
A manhã vinha abafadiça, eram as calmas de setembro, mas o Morgado sentia-se bem na alameda de carvalhos, que liga o velho Solar de seus Avós, ao mirante que tinha sobre a rocha, a cincoenta e tantos metros acima dum pequeno areal, onde o mar se espalha. E ali, sob os ramos fechados das carvalheiras copadas, ficou a passear por muito tempo.
O feitor, o João Tomé, não lhe estranhou a madrugada, aquilo era costume e com o rancho dos trabalhadores entrou na alameda. [...]
O João Tomé era também já velho, contava quasi setenta anos; era alto, rosado, alma lavada, o arcaboiço largo, vendia saude. Na Quinta, os trabalhadores chamavam-lhe - o Boi - pela sua força e corpulencia.
 - Lá vem o Boi, diziam eles: - e o João Tomé despontava então do atalho, pesado, manso, a dar as suas ordens.
Fora impedido do Morgado no tempo das lutas do senhor D. Miguel, em que ambos andaram envolvidos; estiveram no cerco do Porto, fizera toda a campanha legitimista. [...]
O Morgado Mateus do Amaral pertencia á velha nobreza legitimista, por cujo ideal se  bateu nos campos de batalha, até ficar vencido.
Nunca desanimou; na vanguarda dos seus batalhara sempre, numa fé segura, que o prestimava e enobrecia, até que, assinada a Convenção de Evora-Monte, epilogo dessas sucessivas traições que abastardaram a Patria, voltou então á terra, dobrou a sua farda de capitão, chamuscada dos combates e internou-se naquela sua quinta da Castanheira, a tres quilometros da Vila, sobre o mar, com dez moios de terra de semeadura, pomar e vinha e fez-se lavrador."
(Excerto do Cap. I, O Solar da Castanheira)
Urbano de Mendonça Dias (Vila Franca do Campo, 1878 - Vila Franca do Campo, 1951). "Jurista, pedagogo, escritor e político açoriano, autor de diversas obras sobre a história dos Açores e temas de cultura popular. Fundou a primeira instituição de ensino pós-primário em Vila Franca do Campo, o Externato de Vila Franca, onde ensinou. Foi administrador do concelho e exerceu diversos cargos autárquicos e na direcção de diversas instituições, incluindo o de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Contracapa com rasgão, alvo de restauro grosseiro.
Raro.
Indisponível

30 julho, 2018

FERREIRA, Padre Ernesto - REGRESSO Á TERRA. Vila-Franca do Campo, MCMXXVIII [1928]. In-8.º (19 cm) de 28, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Obra marcante. Trata-se de um manifesto pela autonomia e descentralização, utilizado também pelo autor para apelar aos valores tradicionais.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do padre Ernesto Ferreira ao Dr. Antero Carneiro de Freitas.
"Regresso á Terra é, em certa maneira, o mesmo que regresso ás venerandas crenças, aos sãos costumes, ás formosas tradições, em que muitas gerações basearam a sua felicidade em Portugal, êsse velho fidalgo que tem vindo morrendo aos poucos, sem que um sopro vivificador o revogue do torpor em que jaz. E o mal, de que sofre a mãe patria, alastra-se e pretende contaminar os torrões açorianos que são, talvez ainda, o ultimo reduto, em que tenta entrincheirar-se a alma nacional."
(Excerto do texto)

Manuel Ernesto Ferreira (Vila Franca do Campo, 1880 - Vila Franca do Campo, 1943). "Mais conhecido por Ernesto Ferreira, foi um padre católico, etnógrafo e naturalista. Manteve extensa colaboração com a imprensa da ilha de São Miguel e fundou e editou a revista A Phenix (Vila Franca do Campo) e o jornal A Crença.
Para além das suas funções religiosas e docentes, Ernesto Ferreira interessou-se pela história natural, reunindo, essencialmente como autodidacta, um valioso acervo de conhecimentos nas áreas da geologia, da botânica e da zoologia. Estas áreas do saber, a par da etnografia, do folclore e da geografia humana, particularmente da ilha de São Miguel, foram os campos ao qual dedicou a sua curiosidade e sobre os quais deixou valiosa publicações. Para além disso também se interessou pela história dos Açores. Revelando-se um trabalhador infatigável, desenvolveu um trabalho polifacetado, como aliás foi característica dos intelectuais açorianos das primeiras décadas do século XX."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível