Mostrar mensagens com a etiqueta Ponta Delgada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ponta Delgada. Mostrar todas as mensagens

19 julho, 2026

CAMARA, Manuel da -
ANTERO DE QUENTAL E A SUA MORTE
. Ponta Delgada, Edição do Diario dos Açores, 1930. In-8.º (22,5x17 cm) de 50, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo anteriano sobre o grande vate micaelense, na vida e na morte. O autor testemunhou as derradeiras aparições do poeta em casa do avô, médico, o último que Antero, em desespero, consultou, e que coincidiram com os seus últimos dias de vida. Manuel da Câmara reproduz os diálogos de Antero com um seu amigo, retido na cama em casa do médico, dando expressão sentida às as suas desesperações e amarguras, e finalmente, na véspera, à ideia madura do suicídio que viria a cometer horas depois.
"Antero de Quental e a sua Morte (1930) é uma obra ensaística de Manuel da Câmara, que analisa as circunstâncias e o pensamento filosófico que culminaram no trágico desfecho do poeta. O livro reflete sobre a depressão e a "filosofia da morte" do autor Antero de Quental. A 11 de setembro de 1891, após regressar à sua ilha natal e mergulhar num profundo estado de depressão (agravado por distúrbios de saúde mental), o poeta pôs termo à vida num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada. A obra contextualiza esse acto voluntário não apenas como um drama pessoal, mas como o culminar da evolução intelectual e espiritual de Antero, figura cimeira da Geração de 70." (IA)
Obra rara e muito interessante, ilustrada no texto e em página inteira com fotogravuras reproduzindo retratos do Poeta e locais relacionados com o assunto.
"[...] Os amigos e quantos privaram com Antero nunca duvidaram do inalterável equilíbrio entre as suas ideias e os seus actos, e sempre lhe reconheceram os altos "sentimentos correspondentes á evolução do pensamento", numa lógica seqüência incompatível com a loucura, ainda que qualificada de genial. E, se a sua vida, enquanto a dispepsia o poupou, foi espelho do mens sana in corporo sano, como é possível classifica-lo nos quadros da neurologia e da psiquiatria?
Ora êste pobre opúsculo - onde, a par das velharias algumas coisas novas se dizem, umas e outras indispensáveis ao nosso propósito - pretende demonstrar:
1.º - Nenhuma enfermidade mental ou nevrasténica de nascença influiu na vida ou na morte do Poeta;
2.º O Poeta contraíu uma dispepsia com conseqüências nervosas, profundamente neurastenizante nos últimos dias que viveu, donde resultou o suïcídio.
Mas, para Antero se decidir ao suïcídio, duas grandes batalhas se travaram:
A do pessimismo - relativo á incurabilidade da doença, visionada a caminho da loucura - contra o experimentado estoicismo do gigante,, vencido pela primeira e última vez; a do gigante contra os seus sentimentos morais, irreconciliáveis com a ideia de se matar, batalha da qual, infelizmente, saiu vencedor.
Isto me proponho provar..."
(Excerto da Dedicatória)
"Certo dia, verão de 1891, atravessava eu a saleta da casa de meu Avô materno quando divisei na transparência da porta envidraçada, entrada principal do edifício, um vulto de gigante a estender a mão para a campainha que não chegou a soar, por eu ter acudido lesto a abrir.
O gigante entrou.
Nunca o tinha visto, em carne e osso, mas logo o reconheci, pois o seu retrato, inconfundível, andava em ilustrações e nos albuns da minha família.
Era Antero de Quental - alto como um choupo; fronte desafogada e espaçosa; a cabeleira, que já não era a juba da leonina da juventude a encurtecer-lhe a testa, ainda loura; a barba, loura também, virgem de navalha, apenas retocada pela tesoura; a expressão severa, adoçada pelo azul puríssimo dos olhos onde resplandecia uma ascese de santidade.
E, enquanto eu o encarava, numa admiração pasma, o gigante quebrou o silêncio com estas palavras sonoras:
- "Conheci-te pelo olhar, por outra coisa não". és filho de João Luís. Vai chamar teu avô, o doutor José Pereira Botelho."
(Excerto do Cap. I)
Manuel da Câmara Velho de Melo Cabral (Lagoa, São Miguel, 1869 - Ponta Delgada, 1939). "É principalmente conhecido com o nome abreviado de Manuel da Câmara, com que publicou muita da sua obra. Funcionário da Fazenda Pública e Secretário de Finanças na Horta. Foi jornalista, escritor e político sendo hoje conhecido como contista. Deu início à vida literária nos jornais da sua cidade natal, no fim do século e foi, em Lisboa, redator do Jornal de Lisboa, dirigido pelo micaelense Armando da Silva, frequentando na capital a boémia elegante. Acabou por regressar às ilhas e ingressar no funcionalismo público, na área das Finanças. Na Lagoa, onde foi administrador do concelho, fundou o Vigilante, em 1905 e em Ponta Delgada, O Distrito. Parte da sua vida foi passada na cidade da Horta, onde foi nomeado governador civil durante o consulado sidonista (1918-1919).
Na sua obra literária é-lhe reconhecida uma prosa elegante e esmerada que usou nos contos e narrativas de temática regional. J. G. Reis Leite (Mar.2001)"
(Fonte: https://arquivos.azores.gov.pt/descriptions/1813203)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenos cortes de papel marginais.
Raro.
30€

12 junho, 2026

BEAU, Albin Eduard -
ANTERO DE QUENTAL E A IDEA DA MORTE. Por...
Coimbra, [s.n. - Composto e impresso nas oficinas da Coimbra Editora, Limitada], 1935. In-4.º (25x16 cm) de 20, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante ensaio anteriano sobre a ideia da Morte, e como esta vai influenciar a vida e o trabalho do Poeta.
Antero de Quental e a idea da morte, publicado pelo germanista e professor Albin Beau em 1935, analisa a evolução do pensamento do poeta português.
Beau explora como a reflexão de Antero sobre a finitude se transforma numa "filosofia idealista da morte", vista não como tédio mórbido, mas como libertação e fusão com o infinito. (IA)
Obra invulgar e muito interessante
"O combate espiritual travado entre os dois Anteros, o luminoso e o nocturno, marca o início da Modernidade na literatura portuguesa: o seu drama pessoal e a profunda crise de consciência encontraria, através da reflexão filosófica, a resposta para questões metafísicas como o Ideal, a Morte, a Verdade. A sua «Filosofia idealista da Morte» veicula uma aspiração positiva e libertadora, ultrapassando a ideia pessimista e mórbida, e revela um percurso evolutivo desde uma impressão negativa até à ansiada liberdade no infinito. Questionando a existência e o mistério do Além e confessando o seu tormento íntimo e a sua inquietação, Antero medita na ideia da Morte aliada à concepção do bem, da liberdade ou do amor, recorrendo ao sonho como forma de estabelecer comunicação com a profundidade e os segredos do universo." (Guerreiro, Emanuel, A ideia da morte nos Sonetos de Antero de Quental, FCHS-UA, 2008)
"Quando Antero de Quental, nas notas para o Ensaio sôbre as bases filosóficas da moral ou filosofia da liberdade, chegou a considerar «a idea da Morte a base da vida moral», tal pensamento já era o fruto - se bem que ainda não o definitivo ponto de chegada - dum longo e variado desenvolvimento sentimental e intelectual.
A Morte, quer contemplada ou sentida como fenómeno natural, quer cantada como visão poética, quer encarada e pensada como problema filosófico e metafísico, constitui um tema integrante do seu pensar, sentir e poetar, atravessando a sua obra, desde as primeiras poesias até as últimas manifestações que lhe conhecemos."
(Excerto do Ensaio)
Albin Eduard Beau (Hamburgo, 1907 em Hamburgo - Coimbra, 1969). "Foi um filólogo alemão, romanista e lusitano. Em 1930 tornou-se professor de alemão no Instituto Alemão da Universidade de Coimbra. Foi  Secretário-Geral do Instituto Alemão de Cultura em Lisboa."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/78435)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas. Interior correcto.
Muito invulgar.
20€

16 maio, 2026

CORRÊA, António de Albuquerque Jácome -
UMA VIAGEM AO ORIENTE.
[Prefácio de J. Almeida Pavão]. Ponta Delgada, Edição e Propriedade do Autor, 1984. In-8.º (22x15 cm) de 79, [1] p. ; [14] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante narrativa da viagens que o autor empreendeu pelo Oriente "português" e outras paragens visitadas pelos portugueses nessa zona do globo.
Livro publicado em Ponta Delgada, por certo com tiragem reduzida, valorizado pelo extenso preâmbulo do Prof. José de Almeida Pavão (1919-2003), vulto incontornável da cultura micaelense.
Obra impressa em papel de superior qualidade, ilustrada com 14 fotografias a cores dos locais visitados em folhas separadas do texto, impressas sobre papel couché.
"O nosso velho e muito apreciado Amigo, Dr. António de Albuquerque de Jácome Corrêa, homem muitíssimo viajado e culto, quis distinguir-nos com a honra de prefaciar este livro, que intitulou Uma Viagem ao Oriente.
Concebida em hora feliz a ideia de tal publicação, devemos confessar que o interesse que nos suscitou a sua leitura se transformou em entusiasmo, de molde a o termos «devorado» quase de uma só vez. E, ao chegarmos ao fim, um só pesar nos ficou: o de ter sido tão curta a narrativa de uma matéria tão rica e tão variada de cambiantes, qual deles o mais curioso e original. É que o Oriente se constitui, na verdade, num alfobre inesgotável de exotismo que, sem excluir certos aspectos negativos, que o autor não deixa por vezes de salientar, aparece nimbado de uma beleza estranha - mas é sempre beleza - à sensibilidade do ocidental. E o exótico - não é preciso reafirmá-lo - é fonte perene de encantamento, correspondente àquela atracção natural do homem pelo que é diferente do seu mundo, daquele mundo em que vive, no espaço e no tempo."
(Excerto do Prefácio)
António de Albuquerque Jácome Correia (Ponta Delgada, 1922-1996). "Foi um veterinário, dirigente corporativo da lavoura e político. Veterinário municipal do Concelho da Lagoa até à sua aposentação, foi durante muitos anos presidente do Grémio da Lavoura do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Foi vogal da Junta Regional dos Açores para a agricultura, pesca e indústria e deputado à Assembleia Regional dos Açores (1976-1980) eleito nas listas do CDS pelo círculo eleitoral da ilha de São Miguel."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura. Ex-libris do autor impresso no verso da folha de dedicatória.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

16 abril, 2026

SOUSA, Comandante Jaime de - AGONIA DE UM HERÓI. A derradeira viagem do "Adamastor". Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, Lda., 1945. In-8.º (19x12,5 cm) de 448, [2] p. ; [20] p. il. ; B.
1.ª edição.

"O Adamastor foi um cruzador da Marinha Portuguesa, construído nos Estaleiros Navais de Livorno (Itália), em 1896, entregue à Marinha Portuguesa em 1897, e financiado pelas receitas provenientes de uma subscrição pública organizada como resposta portuguesa ao Ultimatum britânico de 1890. O seu primeiro comandante foi o Capitão de Mar-e-Guerra Ferreira do Amaral. 
O Adamastor desempenhou um papel importante no golpe revolucionário de 5 de Outubro de 1910, que levou à implantação da República, sendo responsável pelo bombardeamento do Palácio das Necessidades.  Durante o seu período de serviço o Adamastor percorreu em missões de soberania quase todos os territórios ultramarinos, de Angola a Timor. Também fez várias visitas oficiais a países estrangeiros, como o Brasil e o Japão. Na Primeira Guerra Mundial, o Adamastor tomou parte activa nas operações militares contra os alemães, no norte de Moçambique."
Livro ilustrado em separado com retratos do autor e do capitão Ferreira do Amaral, e fotogravuras do navio e de alguns dos locais aportados.
Jaime Júlio Velho Cabral Botelho de Sousa (1875-1945). “Foi um político e militar da Marinha Portuguesa, tendo chegado ao posto de capitão-de-fragata. Exerceu as funções deputado e de Ministro das Colónias de 20 a 29 de Novembro de 1820 no governo de Álvaro de Castro. Nasceu em Ponta Delgada. Depois de completar os estudos liceais, partiu para Lisboa, tendo ali concluído o curso da Escola Naval. Após a Primeira Guerra Mundial exerceu funções diplomáticas como Ministro Plenipotenciário e Enviado Extraordinário de Portugal à Comissão de Reparações de Guerra. Apesar de ter sido deputado durante o regime monárquico, após a implantação da República Portuguesa foi Ministro das Colónias (de 20 a 29 de Novembro de 1920) num dos efémeros governos presididos por Álvaro de Castro. Publicou um livro intitulado Agonia de um herói : a derradeira viagem do "Adamastor" (Lisboa : Marítimo-Colonial, 1945), descrevendo a última viagem do cruzador Adamastor."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas plastificadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico. 
30€

20 março, 2026

VICTÓRIA, Margarida -
AMORES DA CADELA "PURA".
Volume I. Confissões. [Volume II. Memórias da Marquesa de Jácome Corrêa]. Lisboa, Bertrand Editora : Chiado, 2004. 2 vols in-4.º (23x15 cm) de 291, [1] p. ; [8] p. il. (I) e 188, [20] p. il. (II) ; B.
1.ª edição.
Memórias da Marquesa de Jácome Corrêa, mulher irreverente, cosmopolita, à frente do seu tempo, viveu em São Miguel, Lisboa, Paris e no Cairo. Obra completa, em dois tomos. O primeiro volume teve edição em 1976, sendo o segundo inédito, editado apenas em 2004, postumamente.
Obra ilustrada com inúmeras fotografias distribuídas por 28 páginas extra-texto: 8 no 1.º volume; 20 no 2.º volume.
"Margarida Victória nasceu em Ponta Delgada em 1919, no seio de uma aristocrática e abastada família.
Estas confissões são um relato apaixonado e pungente de uma vida de encontros e desencontros.
Corajosamente verdadeiro, Amores de uma Cadela "Pura", é sem dúvida um grande documento humano."
(Retirado da badana anterior)
"Margarida Victória Borges de Sousa Jácome Correia nasceu em Ponta Delgada, em 31 de Março de 1919, no seio de uma aristocracia e abastada família açoriana. Com uma infância dominada pelos fortes traços do carácter do pai, o Marquês de Jácome Correia, e pela formação ultraconservadora da mãe, Margarida Victória cresceu quase entregue a si própria e viria a prender-se muito cedo a um casamento irremediavelmente condenado. A partir daí a vida de Margarida Victória foi um constante laboratório das mais ímpares experiências humanas, umas envoltas pelo véu de um romantismo exótico, fantástico e cosmopolita, outras eivadas de um entendimento terno e simples, onde o denominador comum residia sempre numa forte cumplicidade e numa natural adesão a espíritos cultos e sensíveis. Margarida Jácome Correia, Margarida Victória, Marquesa de Jacóme Correia ou, simplesmente, para muitos da sua Fajã natal, a marquesinha, soube resistir à força das convenções, dos espartilhos rígidos e das razões preconcebidas."
(Fonte: Wook)
"O livro de memórias de Margarida Victória tem o título forte e original de Amores de uma Cadela "Pura". A sua leitura suscita várias interrogações: é a confissão de uma vida? o auto-retrato de uma mulher infeliz? a autópsia de uma família? a denúncia de uma época e de um lugar, a sociedade fechada e hipócrita da ilha de São Miguel? É, de acto, isto tudo. E o segundo volume com o mesmo título, até agora inédito, vem completar o itinerário recordado desta mulher invulgar. Do que ela foi, do que quis ser ou do que a obrigaram a ser. Haverá diferenças ou aproximações entre a Cadela Pura (e os seus amores) e a Macaca de Fogo, última musa de Vitorino Nemésio, celebrada nos seus derradeiros poemas, envolvidos com as chamas de um amor tardio mas vulcânico?"
(Excerto de Retrato (incompleto) de Margarida Jácome)
Margarida Jácome Correia (Ponta Delgada, 1919 - Lisboa, 1996). "Detentora de grande beleza, de forte personalidade, e de considerável fortuna familiar, Margarida Vitória Borges de Sousa Jácome Correia, Marquesa de Jácome Correia ou, para o povo da Ilha de S. Miguel, A Marquesinha, era filha de Aires Jácome Correia, marquês de Jácome Correia, e de Dona Joana Chaves Cymbron Borges de Sousa. Cultivou relações com personalidades importantes do meio cultural português, designadamente os escritores Armando Côrtes-Rodrigues, com quem foi casada, Domingos Monteiro, Hernâni Cidade, Natália Correia e Vitorino Nemésio.
A sua vida afetiva, recheada de acidentes por vezes dramáticos, por vezes pitorescos, atingiu contornos escandalosos para os padrões portugueses e sobretudo insulares da época. Foi através de Côrtes-Rodrigues que Margarida Vitória conheceu Vitorino Nemésio, que por ela se apaixonou, vivendo os dois uma relação amorosa de enorme intensidade que durou até à morte de Nemésio e que este registou nos poemas que viria a reunir no livro Caderno de Caligraphia. Encontram-se ecos desta relação nas memórias de Margarida Vitória, o polémico Amores de Cadela «Pura»: confissões, cujo primeiro volume (1976) foi escrito com o apoio de Vitorino Nemésio – e sobretudo no segundo volume, concluído pouco antes da morte da autora e que só viria a ser publicado em 2004."
(Fonte: https://www.agendalx.pt/events/event/margarida-jacome-correia/)
Exemplares em brochura, bem conservados.
Esgotado.
35€

02 março, 2026

LOUREIRO, Augusto -
A BRUXA. Scenas Açorianas.
Com um prefacio de Armando da Silva. Lisboa, Antiga Casa Bertrand - José Bastos, 1901. In-8.º (19,5x13,5 cm) de [2], 208, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Romance curiosíssimo, cuja acção decorre na Candelária, pitoresca povoação localizada no interior da ilha de S. Miguel, Açores. Inicialmente, em 1876, foi incluído num livro de contos com o título O Cego. Mais tarde, em 1882, substancialmente aumentado, foi publicado em folhetins no Diário de Notícias. Finalmente, em 1901, foi dada aos prelos esta versão, corrigida e aumentada, que não deixa de ser uma primeira edição, tantas são as alterações, na forma e no conteúdo, entre cada uma das versões.
Obra ilustrada com o retrato do autor em folha separada do texto.
"A Bruxa é o romance da vida das nossas aldeias açorianas, que o auctor estudou conscienciosamente: Os seus typos, a sua linguagem, os seus costumes são lidimos açorianos. Porventura algum dos seus personagens - permitta-me o meu caro Loureiro a indiscripção, - viveu em carne e osso antes de ser transportado para o livro. O regedor foi professor de latim do auctor, o cura seu companheiro de caçadas; a doida e o cego existiram tambem.
Além d'isso, o theatro onde o drama se desenvolve é bem nosso conhecido. É uma pequena povoação interior da ilha de S. Miguel, a Candellaria, com pouco mais de um milhar de habitantes. Os montes que se elevam do lado direito, com a sua encosta coberta de Calluna e Sphagnos, vão terminar nas cumieiras das Sete Cidades, essa pérola de purissimo Oriente encravada n'um annel de elevadas paredes volcanicas, cuja rudesa amacia a vegetação luxuriante dos Chryptomerias.
Fóra dos typos, fóra da paizagem, temos ainda na Bruxa uma descripção de varios dos nossos costumes. A ethnologia michaclense está egualmente estudada com amoroso cuidado. As festas do Espirito Santo, transformação de velhos cultos polytheiistas, com o symbolo phallico da pomba, desapparecidos de todo no continente desde o fim do segundo quartel do seculo passado, mas mantendo-se ainda vivas, nas ilhas, no Brazil e na India portugueza os usos nupciaes locaes, restos mais caracteristicos da phase social primitiva, que como todos os usos que se referem á familia, se conservam pela lei da persistencia, resistindo tenazmente contra todos os obstaculos assimilações, lá estão fielmente descriptos, pela habil mão do escriptor que é Augusto Loureiro, no seu romance açoriano.
Tudo isso: typos, paizagens, costumes, entrelaça-se n'uma historia idyllica de amor. Não ha, não póde haver romance sem amor, porque o amor é que dirige o mundo e é o mobil da maior parte das acções humanas.
Effectivamente a Bruxa é um lindo romance, de um entrecho docemente commovedor, de linguagem agradavel, e cuja leitura se pode recommendar com affoutesa."
(Fonte: https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1902/N832/N832_master/N832.pdf) 
"Na aldeia havia um ancião, cuja idade, nem elle proprio sabia contar. Inquerido a este respeito, respondia:
- O que sei dizer é que quando entraram aqui os da Terceira, eu não fui obrigado a pegar em armas e a marchar para a acção da Ladeira da Velha, porque havia muito que eu passára da idade.
De tão severa moral e firmeza de caracter, como de bondoso coração, este homem era por todos estimado: iam consultal-o, não sómente em assumptos agricolas, mas em negocios e pendencias domesticas. Tratavamn'o sempre por tio Lourenço, nome pelo qual era geralmente conhecido.
O tio Lourenço estava invalido para todo o trabalho: alquebrara-lhe as forças, tolhera-lhe os membros, o maior inimigo dos velhos - o rheumatismo gottoso, molestia que muito tempo o havia prendido em casa, quasi sempre estatelado sobre o leito. Em quanto forças teve para lutar com tão implacavel inimigo, mesmo já adoentado, labutava sempre. Enviuvára cedo; e do matrimonio houvera uma unica filha a quem dedicava todos os affectos do seu coração."
(Excerto do Cap. II)
Augusto César de Sampaio Loureiro (1839?-1906). "N. Ponta Delgada, 2.1.1839 ? m. ibid., 4.9.1906]. Poeta e contista. Como poeta, deixou algumas líricas que o têm colocado entre os seus pares açorianos da última geração romântica. Como contista, foi o primeiro, nos Açores, a retratar ambientes e personagens predominantemente rústicos (cf. Silveira, 1977: 139). Tem prosa e poesia dispersas por jornais dos Açores e de Lisboa, onde viveu algum tempo.
Em Ponta Delgada e em Lisboa, dirigiu, redigiu ou foi proprietário dos jornais Gazetilha semanal (1864-?), Jornal de notícias (1871-1875), Revista universal: jornal dedicado aos interesses das ilhas adjacentes e provincias ultramarinas (1877), O figaro: diario portuguez e brazileiro (1881-1884), Os Açores (1904), e O Heraldo.
Era funcionário da Alfândega.
Obras. (1866), Chegada do Exmo. actor Francisco Alves da Silva Taborda. Ponta Delgada, s.e. [poesia]. (1866), Adeus a Taborda. Ponta Delgada, s.e. [poesia]. (1868), Justiça de Deus. Ponta Delgada, Typ. do Ecco Social [drama]. (1868), Hymno da banda marcial denominada Lealdade de Vila Franca do Campo [ms.], Ponta Delgada, s.e.. (1869), À Beira-Mar: contos, phantasias e digressões. Lisboa, Luso Britannica [contos]. (1872), Almanaque para todos para 1973. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1873), Almanaque para todos para 1974. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1874), Almanaque para todos para 1975. Ponta Delgada, Imprensa Commercial. (1875), Á Mme. Marie Pavoni Moretti dans as fête: au theatro michaelense. S.l., s.e.. (1876), Serões de Inverno. Ponta Delgada, Ed. do Autor [contos]. (1895), Hymno dedicado ao exmo. snr. João Lourenço da Silva [ms.]. Rabo de Peixe, s.e.. (1897), Biografia do Dr. Caetano de Andrade, A Actualidade, Ponta Delgada, n.º 66, 4 de Abril. (1897), Conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro: memória da sua visita à ilha de S. Miguel em Julho de 1901, Ibidem, 20 de Julho [Ponta Delgada, Typ. A Vapor de Ferreira]. (1897), Perfil de Francisco Peixoto da Silveira, Ibid., 24 de Outubro. (1898), Perfil de Maurício Bensaúde (Moisés Bensaúde), Ibid., 6 de Março. (1901), A Bruxa, scenas açorianas. Lisboa, José Bastos. (1901), Conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro: memória da sua visita à ilha de S. Miguel em Julho de 1901. Ponta Delgada, Typo-Lyt. A vapor de Ferreira & Cª. Typ. A Vapor de Ferreira.
Traduziu: (1872), Pagem ou flor de Maio de Ponson du Terrail. Ponta Delgada, Imp. Commercial e (1890), Bianca Cappello de Thomaz Anquetill. Lisboa, Typ. Portugueza."
(Fonte: https://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=8251)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Assinatura de posse data na capa frontal.
Raro.
Indisponível

08 novembro, 2025

NÉVES, Alvaro -
EUGÉNIO DO CANTO : notícia bio-bibliográfica. Por... 1.° Oficial  da Biblioteca da Academia.  Lisboa, Academia das Sciências de Lisboa, 1916. In-4.° (25x16,5 cm) de 26, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Apontamento biográfico de Eugénio do Canto, ilustre micaelense devotado à cultura - ao ensino e aos livros.
"Na galeria dos mais beneméritos bibliófilos tem logar o nobre micaelense Sr. Eugénio do Canto que ao seu brazão de armas adicionava o timbre de excessiva modéstia. E, porque foi modésto em extremo, da sua vida nunca a imprensa denunciou pormenores de filiação, ou acentuou a grandiosidade da sua obra. [...]
Por sua iniciativa foi creado o posto meteorológico de Ponta Delgada, sendo nomeado seu director, cargo que desempenhou graciosamente. São dessa época os apontamentos publicados no Archivo dos Açores, sem revelação de autor.
Quando no outono da vida tinha jús a repouso, empreendeu empresa tão grande e prestimosa que o seu nome jámais se esquecerá dentre os rarissimos bibliófilos que às letras pátrias e à história prestaram valiosissimo concurso.
Essa obra consistia em reproduzir - na maioria - fotólitográficamente sumas raridades bibliográficas respeitantes à gloriosa época do início das descobertas marítimas dos portugueses."
(Excerto do Preâmbulo)
Eugénio do Canto (1836-1915). "Natural de Ponta Delgada, filho de José Caetano Dias do Canto e Medeiros e de sua 2.ª mulher Francisca Vicência Botelho. Casou com Maria Brum do Canto. Bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra, foi Guarda-mor da Relação dos Açores, professor e reitor do liceu de Ponta Delgada. Distinto bibliófilo, realizou a publicação de muitas espécies existentes em várias bibliotecas da Europa que interessavam a Portugal."
(Fonte: https://www.icpd.pt/arquivo/ver.php?id=21)
António Álvaro Oliveira Toste Neves (1883-1948). "Foi bibliógrafo, escritor e jornalista. Exerceu o cargo de primeiro oficial da biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa. Foi diretor da Iconografia Portuguesa. Deu continuidade, a partir de 1916, ao Dicionário Bibliográfico Português de Inocêncio Francisco da Silva. Colaborou no almanaque Ocidente, nos jornais Diário de Notícias e Novidades."
(Fonte: https://www.arquivoalbertosampaio.org/details?id=21054)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

11 setembro, 2025

MODERNO, Alice -
NA VESPERA DA INCURSÃO.
Peça em um acto. Ponta Delgada, Typ. editora A. Moderno, 1913. In-8.º (19x12 cm) de 44 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça de teatro de índole republicana, assente em factos momentosos na época relacionados com as incursões monárquicas no zona de Chaves.
Obra com dedicatória impressa da autora ao Doutor António Joaquim de Sousa Júnior, "Summidade scientifica consagrada nos centros mundiaes, Açoriano dos que mais alto levantam, no continente da Republica, o nome do Archipelago, 1.º Ministro da Instrucção Publica"
Alice Augusta Pereira de Melo Maulaz Moderno (Paris, 1867 - Ponta Delgada, 1946). "Conhecida por Alice Moderno, foi uma professora, escritora, tradutora, jornalista, publicista e poetisa, que se distinguiu como feminista e activista dos direitos dos animais. Fundou a Sociedade Micaelense Protectora dos Animais, pioneira na protecção destes no arquipélago dos Açores.
Desafiando os costumes conservadores da época, apesar de ter tido a sua formação inicial em casa, falando fluentemente francês e português e sendo ensinada a ler e escrever pela sua mãe, logo no ano em que se fixou em Ponta Delgada publicou o poema "Morreu!" no periódico Açoriano Oriental a 18 de setembro de 1883, seguindo-se em 1886 a publicação do seu primeiro livro de poemas, intitulado "Aspirações", o qual foi saudado publicamente por Camilo Castelo Branco, João de Deus e Teófilo Braga. Um ano depois, Alice Moderno tornou-se na primeira jovem do sexo feminino a frequentar o ensino liceal em Ponta Delgada, durante o ano lectivo de 1887/1888, revelando não estar atrás dos seus colegas do sexo masculino classificando-se como a melhor aluna da sua turma em várias disciplinas. Assumindo-se desde muito cedo como uma mulher emancipada, ficando conhecida como uma das primeiras activistas feministas nos Açores, usava cabelo curto, roupas associadas ao sexo masculino, como calças, e terá sido uma das primeiras mulheres a fumar em público na ilha de São Miguel."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel no canto inferior esquerdo.
Raro.
Indisponível

30 junho, 2025

ÁVILA, Ermelindo -
TEMÁTICA BALEEIRA NA LITERATURA AÇORIANA.
Separata da Revista «Insvlana». Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1991. In-8.º (21x15 cm) de 36, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante ensaio sobre a ligação da "indústria" baleeira, actividade com raízes profundas na cultura açoriana, à literatura, sob qualquer forma e género de escrita.
Tiragem limitada a 200 exemplares.
Livro ilustrado em página inteira com uma imagem de Nossa Senhora - Padroeira dos Baleeiros.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. Manuel Fidalgo.
"A bibliografia açoriana, se não é muito vasta (e até julgo que o é, se atentarmos nas imensas dificuldades que normalmente condicionam a publicação de trabalhos de qualquer dos nossos escritores); a bibliografia açoriania dizia, é rica e diversificada no tratamento da temática baleeira. Ela estende-se pela história, pela narrativa, pelo conto, pela crónica, pelo romance e pela poesia.
Todavia, quanto de esforço intelectual e material não representa um livro açoriano até que, modesto e tímido, possa aparecer nas estantes das livrarias comerciais!
Vitorino Nemésio foi poeta e escritor de renome internacional porque em Angra do Heroísmo, terra natal do consagrado Mestre, existiu um Manuel Joaquim de Andrade que lhe editou, em 1916, os primeiros versos - «Canto Matinal»."
(Excerto do Estudo)
Ermelindo Ávila (1915-2018). "Nasceu na Vila das Lajes do Pico, Ilha do Pico, Açores, a 18 de Setembro de 1915. É um dos mais proeminentes cidadãos lajenses. Desempenhou na sua centenária vida vários cargos públicos de relevo, tendo sido homenageado com a Comenda da Ordem de Mérito e várias outras distinções oficiais. É um nome incontornável da cultura açoriana, com quase três dezenas de livros publicados e um sem número de artigos dispersos nos mais importantes órgãos da imprensa local e regional, nas áreas da história, etnografia e cultura locais."
(Fonte: https://companhiadasilhas.pt/autor/ermelindo-avila/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas ligeiramente oxidadas. Lombada apresenta selo de biblioteca.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

24 agosto, 2024

TORRES, José de - LENDAS PENINSULARES. Tomo I [Tomo II]. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1861. 2 vols in-8.º (19x12 cm) de [4], 277, [3] p. ; [1] f. il.  (I) e [4], 270, [2] p. (II) ; E.
1.ª edição.
Interessante colecção de lendas da história da Península Ibérica. Obra em dois volumes (completa).
Exemplar ilustrado extra-texto com o retrato do autor no vol. I, entre a f. rosto e o ante-rosto.
"Havia tres dias e tres noites que o sino prioral do convento de Santiago de Uclés vibrava lugubremente, de hora em hora, tangendo á agonia d'um moribundo.
Os habitantes consternados puderam calcular pelo dobre, que se não interrompia nem repousava, o progresso d'uma morte lenta mas imminente. Na anxiedade de todos, nas pulsações de tantos peitos se conhecia, que era grande o personagem agonisante.
Com effeito, o homem que suscitava tudo isto era gran-mestre da ordem de Santiago. Havia treze annos que D. Vasco Rodrigues Coronado governava a ordem, com impaciencia da ambição dos que lhe cubiçavam a herança da dignidade, então egual ou superior á dos reis.
Uclés era n'aquelle tempo villa populosa; o convento de Santiago era a mais insigne e poderosa das fortalezas da ordem; e a dignidade magistral uma como soberania, ricamente dotada, e obedecida por numerosas hostes."
(Excerto de Vasco Lopes, Gran-Mestre de Santiago - T. I)
"A paixão immoderada não está longe do delirio, e não é raro ver acabar por elle o que a ambição humana começára.
Tem havido emprezas, combinações politicas sobretudo, tão extraordinariamente ousadas, que mal se creram, se a irrecusavel auctoridade da historia não viesse garantil-as. D'essas taes é indisputavelmente a que em 1595 se tramou em Madrigal, no interior de Castella, onde um homem se deu, e o deram, pelo recem-perdido rei portuguez D. Sebastião."
(Excerto de Rei ou Impostor? - T. II)
Índice:
Tomo I: Vasco Lopes, Gran-Mestre de Santiago (1337) | Brazão d'Elvas  (1438) | As Alpujarras (1568) | Ticiano Portuguez (1558-1590) | Constancia de Jesuita  (1587-1608) | Olho por olho, dente por dente (1845).
Tomo II: Rei ou Impostor? (1595) | Alda (1847) | Diluvio de Luz (...?) | Nota Final.
José de Torres (Ponta Delgada, 1827 - Lisboa, 1874). "Foi um escritor e jornalista açoriano que se notabilizou como bibliófilo e investigador da história açoriana. Reuniu uma volumosa colecção de documentos relativos aos Açores, hoje na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, a que deu o nome de Variedades Açorianas, a qual constitui hoje um acervo precioso para o estudo da história e cultura açorianas. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e membro de várias sociedades científicas estrangeiras."
(Fonte: Wikipédia)
Bonita encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado à cabeça.
Raro.
85€

23 agosto, 2024

OLIVEIRA, Raposo de - NATAL. S. Miguel, Typ-Lit. Ferreira & C.ª, 1901. In-8.º (16,5x9,5 cm) de 14, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética - a segunda do autor - composta por três poesias e oferecida por este ao Barão de Fonte Bella.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Raposo de Oliveira a Fernando Pinharanda.

"Nortada fria, de gelo!

Triste quem anda pelo montado,
A estas horas, com tanto zelo,
Tanto carinho, tangendo o gado...

E o Deus Menino, risonho e loiro,
Ri para as moças, do seu altar!
Veste um vestido de seda e oiro
Que outro mais lindo não hei de achar!

Teceu-lho a Rosa - mãos de princeza!
Teceu-lho a Rosa no seu tear...
Olhem-no todos! quanta riqueza!
E é branco, branco... nem o luar!

Tem pedras finas, deslumbra a vista
De tão intenso que é seu brilhar...
- O Deus Menino, para a modista,
Hade, por certo, ter um bom par!

E um moço, ao canto, moreno o rosto,
Olhando a Rosa põe-se a cantar!
Cantando, diz-lhe com quanto gosto
Hão de ir á egreja para casar..."

(II)

Francisco Raposo de Oliveira (Ponta Delgada, 1881? - Lisboa, 1933). "Poeta e jornalista. O local de nascimento de Raposo de Oliveira tem dado origem a alguma polémica porque os nordestenses reclamam para aquela vila o seu local de nascimento, por os pais serem naturais de lá, ali terem casado e vivido algum tempo. A própria Câmara Municipal de Nordeste, por volta dos anos 50, mandou descerrar uma lápide na suposta casa onde nascera e deu o nome do poeta à respectiva rua. O facto, é que existe um registo de baptismo do mesmo em Ponta Delgada, na freguesia de S. Pedro, com data de 20 de Maio do mesmo ano, e ali viveu até aos 23 anos de idade. Raposo de Oliveira trabalhou como caixeiro, mas desde cedo revelou apetências literárias, publicando o primeiro livro de versos aos 17 anos. Em 1899, começou a trabalhar como redactor no jornal O Heraldo, para fundar e dirigir em 1902, o semanário A Nova. A convite do jornalista António Baptista, partiu para Lisboa (1904), com o objectivo de colaborar na redacção e coordenação do Álbum Açoreano.
A partir de então iniciou a colaboração na imprensa da capital. Acabou por ser redactor dos jornais Jornal das Colónias, Portugal, Diário Liberal, Diário Ilustrado, Diário Nacional e Época; foi chefe de redacção de A Vitória, Situação e A Luta; por fim, foi redactor de A República e de O Século. Com a criação do Ministério do Trabalho entrou para o quadro, em 1920. Foi um dos fundadores da «Casa dos Jornalistas», depois integrada no Sindicato da Imprensa.
A obra literária inclui poesia, ficção em prosa e teatro. Pedro da Silveira afirma que «é de entre os poetas açorianos da geração pós-simbolista, o mais açoriano de todos na temática, em especial na Via Sacra, o melhor dos seus livros. Impenitentemente romântico e sentimentalmente idealista, tinha o culto exaltado da mulher, e formalmente era parnasiano». Ocasionalmente enveredou pela poesia de carácter social.
Obras Principais. (1898), Ardentias. Ponta Delgada, s.n.. (1901), Natal. Ponta Delgada, s.n.. (1903), Orações de amor. Ponta Delgada, Tip. Diário dos Açores. (1906), Pão. Lisboa, Viúva Tavares Cardoso. (1927), Via Sacra. Lisboa, Livraria Universal de Armando. (1928), O Poeta do Só. Lisboa, Livraria Central."
(Fonte: https://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=9094)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas oxidadas. Na capa é visível a assinatura de posse de Fernando Pinharanda.
Raro.
Sem registo na BNP.
25€

19 agosto, 2024

FLORES, Francisco Moita - AS MORTES DE ANTERO DE QUENTAL.
"Autópsia" de um Suicídio. Separata da Revista de História das Ideias, Vol. 13. Coimbra, Faculdade de Letras, 1991. In-4.º (23x16 cm) de 77, [1] p. (283-359 p.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante ensaio sobre os acontecimentos que rodearam a morte de Antero de Quental, quer sob o ponto de vista especulativo, quer sob o ponto de vista clínico e médico-legal, incluindo as diversas teorias propostas na época e nos anos subsequentes até ao presente.
Ilustrado no texto e em página inteira com fotografias a p.b. e desenhos esquemáticos.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Porque se suicidou Antero? O enigma da sua morte que explicações encerra? Como morreu este Homem, cuja obra é decisiva para a compreensão do Portugal "fin de siècle", e na perspectiva de Gaspar Simões, intérprete catalítico das pulsões complexas que a sua Geração libertou e sacudiram a trajectória cultural portuguesa? Quem morreu? Um homem doente, derrotado e destruído, ou um filósofo inacabado ou um místico confiante numa escatologia imanentista da Morte? Ou então, citando Sousa Martins: "Foi livre Antero, na escolha do momento? Foi livre, ao menos, na escolha do processo da morte?"
Por fim, uma última questão: o suicídio do poeta-filósofo é um mero instante, um episódio, ou terá sido o epílogo de uma vida que se consumiu em suicídios sucessivos, entendidos como amputações conscientemente autodeterminadas, num processo de conflitualidade dialética entre os limites temporais de existência e a necessidade da apreensão metafísica da sua própria essência?"
(Excerto de Algumas interrogações prévias)
Índice:
Algumas interrogações prévias | 1. A morte biológica de Antero de Quental: 1.1. A tomada da decisão suicida; 1.2. O Suicídio; 1.3. Após a Morte. 2. As doenças de Antero. 3. Um suicídio feito de muitos suicídios: 3.1. Da recusa do suicídio à aceitação da morte; 3.2. O caminho para o suicídio; 3.3. Entre o "Programa da Morte" e a "Morte de um Programa"; 3.4. O "Suicídio" do Poeta; 3.5. O último combate de Antero. 5. Morte de homem. 6. A ressurreição de Antero. | Fontes e Bibliografia: I - Fontes manuscritas; II - Fontes Impressas; III - Obras Consultadas. | Apêndice: Entrevista Francisco Costa Santos; Entrevista Jorge Costa Santos.
Francisco Moita Flores (1953). "Nasceu em 1953 em Moura, Alentejo. Formou-se em Biologia e foi professor secundário antes de ingressar na Polícia Judiciária em 1978. Trabalhou na PJ até 1990 investigando furtos, assaltos e homicídios. Mais tarde voltou à PJ como diretor e participou do programa Casos de Polícia da SIC. Licenciou-se em História e desenvolveu uma carreira de sucesso como escritor, tendo recebido vários prémios em Portugal."
(Fonte: https://pt.slideshare.net/slideshow/francisco-moita-flores/13220970)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
35€

24 novembro, 2023

AVELLINO, Dr. André A. -
DISCURSO RECITADO NA SESSÃO SOLEMNE D'ABERTURA DE AULAS NO LYCEU DE PONTA-DELGADA em 1 de Outubro de 1863,
Pelo..., Commissario dos Estudos e Reitor do mesmo Lyceu. Ponta-Delgada, Typ. da Persuasão. 1863. In-8.º (18x11 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo valorizado pela dedicatória manuscrita do autor na f. rosto, à cabeça, parcialmente obliterada.
"O começo do anno lectivo deve ser, e é com effeito para a mocidade estudiosa, dia de grande gala escholastica. Preparados os animos, descançados pelas ferias das fadigas preteritas, se é sincero o amor da sciencia, se ha verdadeiro desejo de aprender, a lembrança da acquisição de novos conhecimentos, do aperfeiçoamento dos já adquiridos, desperta honrosos brios para as subsequentes lides; e este amor do saber, que, no homem de lettras, vae sempre a crescer e que só com a morte se extingue, consegue novas forças á medida que o horisonte se alarga, e que o espirito se enriquece com mais acuradas e perfeitas noções. Já não é a curiosidade instinctiva da puericia, mas sim o porquê solido as cousas, a causa dos effeitos observados, o que na vossa edade juvenil, e no progresso dos vossos estudos vos serve hoje de guia a vossos scientificos trabalhos."
(Excerto do Discurso)
André António Avelino (1808-1869). "Doutor em Medicina pela Faculdade de Paris, graduado em 19 de Abril de 1836 e confirmado em Lisboa a 7 de Junho desse mesmo ano, o médico André António Avelino foi um faialense que bastante se distinguiu. Após a sua formatura na capital francesa, o Dr. André Avelino veio trabalhar para Ponta Delgada, talvez influenciado pelo colega de curso e amigo íntimo, o micaelense Dr. José Pereira Botelho, que, igualmente, foi médico de elevado renome. Estabelecido na ilha de São Miguel em 1836, foi médico do Hospital da Misericórdia e professor das cadeiras de Patologia, Matéria Médica e Terapêutica da Escola Médico - Cirúrgica de Ponta Delgada que funcionou de 1839 a 1844. Sem deixar o exercício da medicina, em 1858 foi nomeado Comissário de Estudos no distrito de Ponta Delgada e, de acordo com a lei então vigente, assumiu o lugar de Reitor do Liceu daquela cidade, cargo que exerceu durante 10 anos, até falecer. Nesta qualidade, proferiu anualmente os discursos da abertura das aulas, acto a que imprimia muita solenidade e onde expunha as suas ideias pedagógicas. Todos esses discursos foram impressos, o mesmo sucedendo à sua “Thése pour le doctorat en Médecin. Diagnostic differentiel entre l’hemorragie et le ramolissement cerebral” (Paris, 1836) e à “Memória acerca de dois casos de febre amarela observados no Hospital da Misericórdia de Ponta Delgada” (1858)."
(Fonte: https://tribunadasilhas.pt/retalhos-da-nossa-historia-cxxxix-dr-andre-avelino-reitor-do-liceu-e-professor-da-escola-cirurgica-de-ponta-delgada/)
Exemplar desencadernado em bom estado geral de conservação. Aparado, em certas páginas com prejuízo marginal do texto. Sem capas de brochura, terá feito parte de miscelânia.
No verso da f. rosto tem inscrição manuscrita: "Pertence ao Gremio Litterario d'Angra do Heroismo. O Secretario da Direcção [Assinatura ilegível]"
Raro.
Com interesse histórico e insular.
Indisponível

30 junho, 2022

PACHECO, Eugenio - OS ALIENADOS NOS AÇORES.
Por... Professor de Sc. Nat. no Lyceu de Ponta Delgada
. Ilha de S. Miguel, Imprensa de Eugenio Pacheco, 1899. In-8.º (19 cm) de 333, III p. ; B.
1.ª edição.
Polémica do autor com Montalverne de Sequeira. O presente livro reúne artigos publicados pelos contendores na imprensa a propósito da questão dos alienados nos Açores.
"As paginas, que seguem, são em parte inéditas, e em parte a reproducção duma Polemica, ha pouco, travada entre o Diario dos Açores e o meu Semanal, O preto no branco, a proposito do valor das Estatisticas dos Alienados nos Açores - Documentos estes que se encontram num Livro do Sr. Mont'Alverne de Sequeira, publicado a expensas da Junta geral do Districto de Ponta Delgada, em 1898.
Confesso que não pretendia provocar novas Discussões com aquelle iracundo Pamphletario, nem tampouco que uma graciosa Referencia á Illustração medica dos Regedores de Parochia açoreanos, que elaboraram as referidas Estatisticas, désse ázo ao meu Detractor para reestampar velhas Invectivas contra O preto no branco e contra o seu obscuro Proprietario.
Acceitei, entretanto, o Repto, e respondo por forma que a Questão ficasse, como devia, no Campo Esclusico dos Factos sem Caracter pessoal.
Não logrei o meu intento.
Pois o Sr. Mont'Alverne de Sequeira, aguardando precisamente o momento em que O preto no branco suspendera a sua publicação, conforme o havia já annunciado, quís mais uma vez esgraphiar uma das suas costumadas Diatribes pessoaes, onde a Paixão rancorosa e o Despeito mesquinho tomam o logar da Razão e da Conveniencia.
Hesitei sobre se devia ou não deixar sem Resposta esse ataque pérfido de que fôra alvo, quando já me faltavam os Meios mais naturaes e mais simples de defesa na Imprensa local. [...]
Entretanto, manifestou-se claramente para mim a Opinião de Amigos, que muito respeito, e, alguns dos antigos Assignantes d'O preto no branco, por outro lado, instaram para que eu applicasse o merecido Correctivo á grosseria e insultante arremettida do Snr. Mont'Alverne. [...]
Accedi, pois, e, para dar á Resposta o Caracter documental, que mais lhe convinha, resolvi colligir neste Folheto todos os Artigos da Polemica, afim de que o Leitor possa assentar o seu Juizo em bases, tanto quanto possiveis, completas."
(Excerto da introdução)
Eugénio Vaz Pacheco do Canto e Castro (Ponta Delgada, 1863 - 1911). "Mais conhecido simplesmente por Eugénio Pacheco, foi um intelectual e político açoriano, defensor das causas republicana e autonomista, que desenvolveu intensa e variada acção nos domínios da investigação científica, da pedagogia e do jornalismo de intervenção político-social."
(Fonte: https://wikie.com.br/Eug%C3%A9nio_Vaz_Pacheco_do_Canto_e_Castro)
Gil Montalverne de Sequeira (Óbidos (Pará), 1859 - Ponta Delgada, 1931). "Foi um dos mais influentes paladinos do Primeiro Movimento Autonómico dos Açores, do qual resultou a primeira autonomia dos Açores em 1895. Médico e político, desempenhou diversos cargos, entre os quais o de director das Termas das Furnas, reitor do Liceu de Ponta Delgada, deputado às Cortes e procurador à Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta falha de papel de relevo. Texto integral, mas com falta da f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível

01 dezembro, 2021

BRAGA, Theophilo -
HISTORIA DO DIREITO PORTUGUEZ.
Por... Os Foraes
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1868. In-4.º(23 cm) de [2], XV, [1], 157, [3] o. ; B.
1.ª edição.
Dissertação inaugural para o Acto de Conclusões Magnas de Theophilo Braga.
Argumento:
Seriam os Foraes direito municipal, administrativo, lei civil ou simplesmente um privilegio?
Até que ponto foram recebidos na moderna legislação?
Importante ensaio histórico-jurídico sobre os Forais - documentação emanada do poder régio para estabelecer concelhos e regular a sua administração.
Dedicatória pungente do autor a seu irmão, "assassinado nos desertos de Africa". - "Eras mais feliz do que eu, porque acreditavas na existencia da patria, a que te sacrificaste; foste devorado pelos selvagens e acabaram os teus desalentos. Eu continuo na brecha, sem saber para que, nem até quando.".
"Como ha para cada zona constellações, temperatura e uma vegetação particular, egualmente para as raças humanas são diversos os sentimentos e paixões que as animam, e diversas as creações fataes da sua alma. As sciencias modernas tornaram-se antropologicas; aonde se via um facto ou acção de uma individualidade, descobre-se hoje uma lei da consciencia humana. As linguas, as theogonias, as poemas e as legislações, em vez de se considerarem como um resultado da revelação immediata, ou de naturezas superiores e quasi divinas, vão sendo attribuidos á humanidade, é medida que ella se vae tornando obra de si mesmo."
(Excerto do Cap. I - Influencia das raças sobre a realisação do Direito)
Index:
Primeira Parte - Organisação social da Edade Media portugueza: I - Influencia das raças sobre a realisação do Direito. II - Caracter germanico dos Foraes portuguezes. III - Os Foraes portuguezes estão em opposição com o Codigo Wisigothico. IV - Symbolica do Direito portuguez procurada nos Foraes. V - A jurisdicção popular absorvida pelo jurisdicção real.
Segunda Parte - Creação definitiva do poder monarchico: I - Renascimento do Direito Romano na Europa. II - Reforma dos Foraes no tempo de Dom Manoel. III - Decadencia das garantias populares alcançadas nos Foraes.
Joaquim Teófilo Fernandes Braga (Ponta Delgada, 1843 - Lisboa, 1924). "Foi um poeta, sociólogo, político, filósofo e ensaísta literário português. Estreia-se na literatura em 1859 com Folhas Verdes. Bacharel, Licenciado e Doutor em Direito pela Universidade de Coimbra, fixa-se em Lisboa em 1872, onde lecciona literatura no Curso Superior de Letras (actual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).
Aluno brilhante, quando em 1867 terminou o curso foi convidado pela Faculdade de Direito a doutorar-se, o que fez defendendo em 26 de Julho de 1868 uma tese intitulada História do Direito Português: Os Forais. Contudo, a sua pública adesão aos ideais republicanos levaram a que fosse preterido quando em 1868 concorreu para professor da cadeira de Direito Comercial na Academia Politécnica do Porto.
Da sua carreira literária contam-se obras de história literária, etnografia (com especial destaque para as suas recolhas de contos e canções tradicionais), poesia, ficção e filosofia, tendo sido ele o introdutor do Positivismo em Portugal. Depois de ter presidido ao Governo Provisório da República Portuguesa, a sua carreira política terminou após exercer fugazmente o cargo de Presidente da República, em substituição de Manuel de Arriaga, entre 29 de Maio e 5 de Outubro de 1915."
(Fonte: wikipédia) 
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos nos cantos. Páginas ligeiramente oxidadas.
Raro.
Com interesse histórico e jurídico.
35€

01 setembro, 2019

ALMEIDA, Aguinaldo de - CARTA ABERTA AO GENERAL ALTINO PINTO DE MAGALHÃES (Comandante-Chefe das Forças Armadas nos Açores e Presidente da Junta Regional)... lida no Programa "Paralelo 38", através da Estação Emissora do Clube Asas do Atlântico, na noite de 14 de Outubro de 1975. Pelo seu autor,... [S.l.], [s.n.], [1975]. In-8.º (17 cm) de [1], 29 f. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo stencilizado que reproduz o protesto em forma de "Carta Aberta" dirigido pelo autor ao General Altino Pinto de Magalhães, Comandante-Chefe das Forças Armadas nos Açores, na sequência das detenções de membros conotados com grupos independentistas em pleno "Verão Quente Açoriano".
Inclui, no final do livro, a lista dos nomes de todos os açorianos das Ilhas de S. Miguel e Terceira detidos para interrogatório no âmbito deste processo.
"Sr. General, Boa noite
Sinceramente, eu não sei escrever o Português. Não sou Doutor, não sou letrado, não tenho, ao que muita gente pensa, muita cultura, sou apenas um homem. Sou um homem como tantos outros que por aí andam e que não sabem escrever português mas, sim, falar Açoreano. E quando digo "falar Açoreano" quero dizer falar ao povo desta terra de modo a que ele nos perceba. [...]
Sr. General, quem está pior, o Açoreano, ou o Continental? Mais... se não fossem os erros cometidos pelo Continente, nós estávamos melhores ou piores? Sr. General, ouça a Voz de Um Açoreano.
Afinal, de que tem medo o Sr. e o Governo Português?
Independência? Estado Federado? Autonomia?"
(Excerto da Carta)
"O autor desta "Carta Aberta", é um dos 35 Açoreanos que foram raptados das suas residências na madrugada do dia 9 de Junho de 1975, por cêrca das 3 horas da manhã, deixando êstes atrás, pais, mulheres, filhos e amigos, todos em sobressalto, desnorteados e traumatizados (sabe Deus, se alguns até, para o resto da sua vida), e, foram levados, uns por soldados, outros por marinheiros e ainda outros por polícias, todos eles armados de G-3 e pistolas, para bordo de um "Rebocador" da marinha de guerra portuguesa, que se encontrava atracado na Doca de Ponta Delgada, e que transportou os nossos irmãos Açoreanos como porcos, para a Ilha Terceira, onde estiveram detidos na "Cadeia da Comarca de Angra do Heroismo" alguns, cêrca de 3 a 4 semanas, para averiguações."
(Excerto de Alguns considerandos - Retrospectiva)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Encadernação não respeita a orientação impressa do livro, encontrando-se invertida.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível