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18 março, 2026

UM CAPÍTULO DA ETNOGRAFIA BARCELENSE : As Olarias
. Barcelos, Companhia Editora do Minho, [1951?]. In-8.º (22,5x14 cm) de 37, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da olaria produzida na região de Barcelos, famosa pela sua originalidade e cunho popular.
Embora não assinada, sabe-se que a autoria deste estudo - vertido em conferência - pertence a Joaquim Sellés Pais de Vila Boas.
Obra invulgar, com interesse histórico e etnográfico, por certo com tiragem reduzida.
Impressa em papel de superior qualidade, ilustrada no texto com bonitos desenhos, símbolos e marcas de fabricantes.
"Foi generosa a terra barcelense dando ao oleiro os meios de que carecia; o barro e a madeira.
Do barro se fazem as peças e as tintas mais antigas; da madeira se fabrica a roda e as ferramentas.
Argila vermelha dissolvida em água dá o vermelho típico do vidrado; barro branco dá o amarelo tão usado nas decorações.
A história da ferramenta quer seja de fazer ou de pintar acompanha a história onatómica da peça a fabricar, sem nunca chegar a atingir o seu grau de evolução ou beleza estética.
Filha do espírito criativo do oleiro, este fabrica-a a canivete ou navalha, na forma e geito do fim em vista... só para ele.
Produto regional?
Sem dúvida alguma, no seu tipológico desenvolvimento, sem paralelo nos outros centros que estudei - desde Canha a Vagos, de Malhada Sôrda a Vilar de Nantes em Chaves."
(Excerto de 1 - a geologia da região)
Índice:
a - apresentação. b - preparação do tema. c - olarias: 1 - a geologia da região; 2 - origem da história; o aparecimento no concelho; 3 - os materiais de fabrico, produtos do meio; 4 - a evolução das formas; 5 - primitivismo nos temas: o n.º 7, louça branca, estatuária, ferramentas, decoração; 6 - o meio e a sua influência na cor; 7 - decadência.
Joaquim Sellés Paes de Villas-Bôas (1913-1990). "Etnógrafo, arqueólogo, crítico de arte, cavaleiro e comentador hípico e oficial de cavalaria do Exército Português, nasceu em Madrid em 11 de Fevereiro de 1913. Era filho de Joaquim Gonçalves Paes de Villas-Boas, advogado e proprietário, presidente da Direção do Grémio da Lavoura de Barcelos, comandante do Batalhão n.º 12 da Legião Portuguesa, com sede em Barcelos, Provedor da Real Irmandade do Senhor Bom Jesus da Cruz, conselheiro Municipal e representante da Causa Monárquica e de D. Elisa Sellés y Rivas, filha de D. Eugénio de Sellés y Angel, 2º Marquês de Gerona e Visconde de Castro y Orosco, governador das províncias de Sevilha, León e Granada, autor dramático, membro da Real Academia de Espanha e presidente da Sociedade de Autores Espanhóis. Faleceu em Lisboa em 14 de Maio de 1990, com 77 anos."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/descriptions/40344) 
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

25 fevereiro, 2025

COSTA, Maria da Glória Martins da -
PARA A HISTÓRIA DAS RENDAS DE BILROS NA PÓVOA DE VARZIM
. Póvoa de Varzim, [s.n.], 1992 In-4.º (23x16 cm) de 35, [1] p. (67-201 p.) ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante subsídio histórico e etnográfico sobre as rendas de bilros, património têxtil centenário, sendo este estudo dedicado em particular à produção povoense. Publicado em separata do Boletim Cultural Póvoa de Varzim : Vol. XXIX - N.ºs 1/2 - 1992. Trata-se do 1.º volume de cinco. Ilustrado com 5 fotografias e desenhos, sendo 4 deles em página inteira.
"A renda de bilros é produzida pelo cruzamento sucessivo ou entremeado de fios têxteis, executado sobre o pique e com a ajuda de alfinetes e dos bilros. O pique é um cartão, normalmente pintado da cor açafrão para facilitar a visão por parte da rendilheira, onde se decalcou um desenho, feito por especialistas.
Em Portugal a arte da renda de bilros tem especial expressão nas zonas piscatórias do litoral, com maior relevo para Caminha, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Árvore, Azurara, Setúbal, Lagos, e Olhão, tendo existido ainda em Silves, Sines e Sesimbra, onde esta arte é antiquíssima. Também se encontra o fabrico de rendas de bilros em Nisa, no Alentejo e Farminhão, perto de Viseu."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"Porquês escrever sobre as rendas de bilros na Póvoa de Varzim
A minha primeira saída do lar, pelos seis anos, foi para aprender a fazer renda de bilros numa mestrinha, a D. Ana Passó, situada na Praça do Almada, onde hoje (n.º 25) habita o Sr. Prof. Rodrigo. Aí tive um primeiro contacto com um trabalho obrigatório e, ao mesmo tempo, com crianças também a ele obrigadas, umas da minha idade  e outras um pouco mais velhas. [...]
Mas não foram estes motivos de ordem sentimental e de amor pela arte e pelo belo que me levaram a escrever este trabalho. É que houve um homem bom, saído da classe piscatória que, no Brasil, para onde emigrou, ganhou muito dinheiro, mas nunca esqueceu nem a sua Família, nem a sua gente do mar; e que, regressando a esta terra, procurou melhorar a vida dura do pescador poveiro, abrindo-lhe caminho para a utilização das "artes novas"; mas os nossos bravos homens do mar entenderam que não deviam deixar as suas "lanchas" e "batéis" e recusaram-se a aceitar a oferta. Foi então que esse homem, embora sentido mas não vencido, resolveu criar, como veremos, uma Escola de Rendilheiras para as filhas daqueles que, mais tarde, acabariam por reconhecer a oportunidade da oferta. Desta Escola saíram artesãs que, durante anos, teceram verdadeiras obras de arte e, ainda as mestras que ensinaram este trabalho, por sua vez, a outras crianças e a jovens. Esse homem foi António Francisco dos Santos Graça, o "Graça Brasileiro".
E que dizer mas mulheres e jovens, sobretudo estas, que durante anos fizeram "cantar os bilros" por todas essas ruas da Póvoa? Executavam as encomendas e, de corrida, iam levá-las a Vila do Conde, onde as trocavam por uns míseros tostões com os quais melhorariam a vida dos seus lares. Aquele e estas não poderiam ficar esquecidos, assim como todas as mestras vindas de Vila do Conde para a Póvoa onde se enraizaram e ensinaram centenas de crianças."
(Excerto da Introdução - 1. Generalidades)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

29 abril, 2023

SAMPAIO, Francisco -
ARTESANATO E TURISMO.
O Artesanato na Região de Turismo do Alto Minho (Costa Verde). [Sl.], [s.n. - Composto e impresso na Gráfica da Casa dos Rapazes - Viana do Castelo], [1984]. In-8.º (22,5 cm) de 44 p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Separata do Tomo VIII dos Cadernos Vianenses (1984). Acrescido do Comentário «O Traje à Vianesa... um pouco de História».
Lista dos artífices da Região do Alto Minho, por nome individual (ou por empresa) e a localidade onde exercem a sua actividade. Muito interessante, com grande valor etnográfico e turístico.
Ilustrado com desenhos no texto.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Subsistem por toda a Região do Alto Minho, um grande número de artesãos ocupados em quase todas as formas do artesanato tradicional muito ligados à vida quotidiana.
Do levantamento feito pelo CRTAM em quase todos os concelhos, estabeleceu-se uma carta provisória das actividades com a localização e identificação dum sem número de artesãos.
A nota informativa, que agora apresentamos, para além de uma breve descrição de cada tipo de artesanato, apresenta os mesmos três artesãos que mais se dedicam a essa actividade e que vem trabalhando já em colaboração com esta CRTAM.
Pela descrição verifica-se que a maior parte dos artesãos se situam no concelho de Viana do Castelo e limítrofes, Ponte de Lima, Caminha, Esposende.
Isto não significa que no interior não existe artesanato.
Pelo contrário. Em termos gerais, pode dizer-se que na zona do interior (Ponte da Barca, Paredes de Coura, Arcos de Valdevez, Monção e Melgaço), o relativo isolamento e a subsistência não intocada mas ainda sensível de formas de vida tradicional são acompanhadas pela mantença de todas aquelas actividades artesanais que produzem um grande número de objectos indispensáveis à vida quotidiana (carpintaria e tanoaria, latoaria, tecelagem, cestaria, olaria, pirotecnia, etc.). À medida que se desce das montanhas, que se parte do interior para o litoral, a função utilitária do artesanato transforma-se mais em decorativa (latoaria e ferragens, cerâmicas e olarias decorativas, estatuária de pedras, trabalho em madeira, confecção de bordados e trajes regionais, etc.)."
(Excerto de A situação do Artesanato no Alto Minho)
Índice: [Preâmbulo]. | A situação do Artesanato no Alto Minho. | Carta Provisória do Artesanato do Alto Minho: - Bordados regionais; - Tecelagem (trajes regionais); - Rendas; - Redes; - Branquetas; - Cordoaria; - Rodilhas; - Bonecas regionais e populares; - Tapeçarias; - Mantas, toalhas, cobertas, lençóis; - Cestaria; - Caroças; - Esteiras, capachos; - Luminária popular; - Cobres; - Ferros forjados; - Verguinha; - Alfaias; - Cangas e cangalhos; - Torneados de madeira; - Rocas e espadelas; - Tanoaria; - Tamanqueiros; - Miniaturas; - Mobiliário artístico; - Gamelas; - Carros de bois; - Peneiras; - Barcos; - Teares; - Alfaias marítimas e rurais; - Trabalhos em couro; - Trabalhos em pedra; - Arte floral : Palmitos e flores; - Lenços de amor; - Gastronomia tradicional; - Enchidos / Fumados; - Pirotecnia; - Tectos em estuque; - Cerâmica de Viana; - Diversos. | O Traje à Vianesa... um pouco de História. | Em resumo.| Nota final.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Capas algo oxidadas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

07 novembro, 2021

MONIZ, Manuel de Carvalho - DA ARTE POPULAR ALENTEJANA.
IV. Os papéis recortados. [Por]... Da Associação dos Arqueólogos Portugueses
. Guimarães, [s.n. - Oficinas Gráficas da Companhia Editora do Minho - Barcelos], 1966. In-4.º (23 cm) de 15, [1] p. ; il. ; B. Separata da «Revista de Guimarães» - Vol. LXXVI, 1966
1.ª edição independente.
Interessante subsídio etnográfico sobre os papéis recortados, conhecida arte alentejana utilizada para enfeitar doçaria, sobretudo a conventual.
Livrinho ilustrado com 6 figuras exemplificativas distribuídas por 4 páginas.
"Não podemos escrever algo sobre o papéis recortados na arte popular alentejana ser recordar os executados nos conventos de freiras e, particularmente, os dos conventos eborenses.
Os papéis recostados alentejanos estão intimamente ligados à doçaria conventual eborense e esta notabilizou-se de tal maneira que ainda hoje, passados dezenas de anos após o encerramento das casas religiosas, Évora recorda o bolo de Santo Agostinho, do convento de Santa Mónica... [...]
Era hábito local em certos dias festivos, por cortesia, amizade e consideração, mandar presentes às pessoas mais categorizadas ou a quem se desejava agradecer algum serviço prestado. Então as caixas, travessas, bocetas ou tabuleiros enchiam-se de doces e enfeitavam-se com papéis recortados, cuja composição era fértil de imaginação, segundo a habilidade e espírito engenhoso da artista que os executava.
Isto porque, é bem certo, «o prazer de manjar não dispensa o requinte do adorno» e só o sossego do espírito e a paciência verdadeiramente beneditina das freiras eram capazes de executar no papel arrendado tão subtil beleza, como aqueles que encontramos nos tão célebres «papéis picados» dos conventos de Évora.
Destinavam-se, como já referimos, esses artísticos papéis a enfeitar as travessas, os cestinhos e os pratos de doces. Variavam muito quanto ao formato e às dimensões. Assim, eram rectangulares quando tapavam o típico «porquinho» ou a «bacorinha afilhada» com seus «farropos» mamando, ou a tão característica e saborosa «lampreia». Eram redondos se fechavam os cestinhos de renda, ovais ou em forma de peixe, chispe ou presunto.
Para a sua execução utilizam o papel fino, de seda, e como instrumento único a tesoura."
(Excerto do texto)
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
15€

02 agosto, 2019

ROTEIRO DO ARTESANATO DE GRÂNDOLA. [S.l.], Câmara Municipal de Grândola (Serviços Sócio Culturais), 1986. In-4.º (20,5cm) de 67, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
As actividades tradicionais existentes no concelho de Grândola. Trabalho de recolha, incluindo o testemunho dos artesão que asseguram a produção de produtos típicos com interesse histórico e etnográfico para a região.
Muito ilustrado com reproduções fotográficas ao longo do texto, algumas em página inteira.
"A política da C.M.G. no domínio da Acção Cultural tem-se pautado pela intervenção nas mais diversas áreas, nomeadamente o Património Cultural Popular.
Na procura destes objectivos inscreve-se o Roteiro do Artesanato de Grândola numa perspectiva coerente da sua defesa através dos meios disponíveis, ou seja a sua inventariação, caracterização e divulgação.
É uma tentativa de valorizar actividades tradicionais, que a sociedade massificadora tem vindo a esquecer, preferindo o consumo que os meios de comunicação propõem em nome de valores que só por acaso contribuem para a nossa identidade cultural.
É também a homenagem da C.M.G. aos homens e mulheres do nosso concelho ainda depositários de uma cultura de que paulatinamente são guardiões."
(Preâmbulo)
"Foi percorrendo as localidades e montes deste concelho, com o método de quem procura, que este trabalho foi feito.
Junto dos artesãos obtivemos a informação da arte - técnicas materiais e funções - que sumariamente aqui descrevemos. Não estava nos nossos objectivos um tratamento diferenciado por cada tipo de produção o que implicaria um livro por cada uma delas, quando afinal, pretendemos um roteiro.
Muito está por dizer e alguns artesãos não foram incluídos por estarem temporariamente inactivos, ou terem escapado à nossa pesquisa.
Quando transcrevemos as palavras dos artistas, corre-se o risco, de um ou outro caso, a percepção não ser imediata, pela natureza de alguns termos específicos usados, no entanto pareceu-nos ser a forma mais rigorosa."
(Excerto de O levantamento - retirado da contracapa)
Índice:
A Cortiça. | Barro. | Madeira. | A Lã - O Linho e a Pesca. | Metal. | Tabua - Vime - Trigo - Palma.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€