Mostrar mensagens com a etiqueta *PIMENTEL (Alberto). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta *PIMENTEL (Alberto). Mostrar todas as mensagens

04 julho, 2026

PIMENTEL, Alberto - MEMORIA SOBRE A HISTORIA E ADMINISTRAÇÃO DO MUNICIPIO DE SETUBAL. Por... Da Academia Real das Sciencias de Lisboa e do Instituto de Coimbra. (Publicada a expensas de Municipalidade de Setubal). Lisboa, Typ. de G. A. Gutierres da Silva, 1877. In-4.º (21x15,5 cm) de 400 p. ; [1] f. desdob. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante monografia do concelho de Setúbal pela pena de mestre Alberto Pimentel, obra organizada sob os auspícios da edilidade. "O livro serve como um guia histórico e geográfico fundamental para compreender o desenvolvimento da região de Setúbal. Aborda detalhadamente a Administração - evolução civil, eclesiástica e militar do concelho; Património - detalhes sobre a arquitectura local, arte e legislação antiga; Sociedade - biografias de figuras ilustres nascidas na cidade; Ambiente - registos sobre as comunicações da época, bem como a flora e a fauna regionais." (IA)
Ilustrado com quadros e tabelas no texto, e um desdobrável (21x28 cm) em separado: "Relação nominal dos professores publicos e particulares que leccionaram no concelho de Setubal no anno lectivo de 1876 a 1877, com designação do numero d'alumnos d'um e outro sexo, e edade maxima e minima".
"A camara municipal de Setubal adquiriu, a fim de tornar tão copiosa quanto possivel esta Memoria, varios documentos e noticias desde longos annos recolhidos, com louvavel patriotismo, por um escriptor tão modesto como conscencioso, o sr. Manuel Maria Portella. Os subsidios amontoados pelo sr. Portella vão espalhados por toda a obra, e por mim coordenados nos logares e disposição que me pareceram mais proprios. Aproveito esta occasião para agradecer a todos os empregados das repartições do concelho, especialmente aos da camara municipal, a boa vontade com que me prestaram todas as informações que precisei; agradeço outrosim a muitos dos cavalheiros de Setubal quanto fizeram em proveito d'este livro, obtendo noticias ou acompanhando-me em passeios de estudo durante os quarenta dias em que trabalhei n'esta Memoria, para a qual, porém, já desde 1875 me prevenia.
Setubal, agosto de 1877.
Alberto Pimentel."
(Preâmbulo)
Alberto Pimentel (Porto, 1849 - Queluz, 1925). "Nasceu no Porto a 14 de abril de 1849. Com uma obra extensa e variada, escreveu poesia, romance, teatro, biografia, obras políticas, entre outros géneros. Camilo Castelo Branco - que conheceu pessoalmente, prefaciou dois dos seus livros e é matéria de algumas das suas obras - é o seu ídolo e o seu Mestre. Morreu em Queluz no dia 19 de julho de 1925."
(Fonte: Wook)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam uma ou outra falha no revestimento. Capas envelhecidas, restauradas, com manchas e pequenos defeitos.
Raro.
75€

20 fevereiro, 2026

PIMENTEL, Alberto -
O POETA CHIADO. (Novas investigações sobre a sua vida e escriptos). Lisboa, Empreza da Historia de Portugal, 1901. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 59, [5] p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Apontamento biográfico romanceado de António Ribeiro, figura popular mais conhecida pelo epíteto Chiado - o Poeta Chiado.
Ilustrado com bonitas vinhetas tipográficas a assinalar o início de cada capítulo.
"A popularidade de Antonio Ribeiro o Chiado proveiu não tanto da sua veia poetica, aliás muito apreciada pelos entendidos, como das sua repetidas tunantadas, de que o povo tinha directo conhecimento, porque as presenceava em plena rua.
Era entre o povo, entre as classes humildes de que elle provinha, por que lá diz Affonso Alvares no proposito de deprimil-o
Nasceste de regateira
e teu pai lançava solas;
era entre a arraya miuda que o Chiado localizava o theatro das sua façanhas picarescas, dos seus feitos esturdios, das sua «partidas» e «piadas», como hoje dizemos."
(Excerto do Cap. IV)
António Ribeiro 'Chiado' (1520?-1591). "Poeta jocoso que viveu no século XVI. Era conhecido pelo Chiado, por ter morado muitos anos em Lisboa, na rua assim chamada já naquele século, nome que se conservou até meados do século 19, em que foi mudado para o de rua Garrett. Nasceu num humilde arrabalde de Évora, e faleceu no ano de 1591. Quis professar na Ordem de S. Francisco, mas não se lhe dando por válida a profissão, passou o resto da vida como celibatário, vestido sempre com hábito clerical. Apesar de não ser muito douto, tinha verdadeiro talento e bastante conhecimento das boas letras. Improvisava versos com a maior facilidade, mais pelo impulso da natureza, que de arte, sendo os seus versos muito jocosos e joviais, provocando festivos aplausos a quem os escutava. Também imitava com muita propriedade e galanteria as vozes e os gestos de diversas pessoas conhecidas. Todos estes predicados lhe alcançaram a estima geral e a maior popularidade."
(Fonte: www.arqnet.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos marginais.
Muito invulgar.
25€

11 fevereiro, 2026

PIMENTEL, Alberto - O LOBO DA MADRAGÔA.
Romance original. Illustrado com 40 gravuras. Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1904. In-4.º (23x15 cm) de 341, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Romance biográfico sobre o estoura-vergas e poeta vimaranense António Lobo de Carvalho (1730?-1787), cujo enredo está dividido em duas partes: Peccados da mocidade e Delictos da velhice, que coincide, respectivamente com a juventude do poeta, no berço minhoto, e os anos de maturidade, na capital.
Ilustrado no texto com 40 desenhos de belo efeito.
"Esboçava-se na tenue claridade do ceo o primeiro sorriso da aurora, e já a Therezinha de Villalva, madrugadora como a toutinegra, atravessava por Argemil para a beira do rio Ave.
Ella não tinha outro relogio que a despertasse, além do seu coração. Quem anda de amores não dorme, diz o povo. Aquella linda cachopa de Villalva dormia, cançada de mourejar um dia inteiro na faina dos campos, e talvez não sonhasse. Mas accordava mais cedo que toda a sua aldea; primeiro aínda que os passaros no arvoredo, exceptuando a toutinegra e o tentilhão. Era o coração que a despertava, muito de mansinho, para que ninguem mais ouvisse. [...]
A Therezinha de Villalva sahia de casa pé-ante-pé, lavava-se na corrente do Sanguinhêdo, riacho da sua aldea, como faziam mais tarde todas as outras raparigas. Via-se no espelho ainda baço da agua, que o sol illuminava frouxamente, e compunha o cabello, anediando-o com as mãos, que tambem tratava com excepcional cuidado entre camponezas. Depois partia alegre, cantando, mais feliz do que uma princeza, sem pensamentos maus que perturbassem a castidade da sua vida."
(Excerto de I - A explosão da pesqueira)
Alberto Pimentel (Porto, 1849 - Queluz, 1925). "Nasceu no Porto em 1849.
Frequentou a instrução pública no Porto; por motivos económicos não prosseguiu os estudos no ensino superior, mas veio a desenvolver um percurso profissional assinalável. No jornalismo, começou como tradutor e revisor num jornal portuense, assinando posteriormente algumas crónicas e folhetins. Na política, integrou o Partido Regenerador, através do qual foi eleito deputado e nomeado membro de várias comissões. Na área da história, redigiu biografias, ensaios e memórias, onde se salientam os primeiros estudos sobre Camilo Castelo Branco. Foi membro de diversas academias e sociedades de letras e ciências, com destaque para a Sociedade de Geografia de Lisboa. Faleceu em Queluz no ano de 1925.
Como escritor, deixou uma vasta e diversificada obra, que publicou ainda em vida: romances, poesias, traduções, contos e novelas, crónicas de viagem, peças de teatro, etc."
(Fonte: https://turismo.obidos.pt/2023/05/02/texto-de-alberto-pimentel/)
Encadernação editorial em percalina com desenho e letras a branco nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pasta anterior manchada. Discreta rubrica de posse na f. rosto. Alguns (poucos) sublinhados a esferográfica.
Muito invulgar.
25€

03 janeiro, 2026

PIMENTEL, Alberto -
VIDA MUNDANA DE UM FRADE VIRTUOSO (perfil historico do seculo XVII)
. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira, 1889. In-8.º (20x14 cm) de 161, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Narrativa biográfica de Frei António das Chagas (1631-1682), também conhecido por Padre António da Fonseca, cuja vida aventurosa, salpicada de poesia e expedições amorosas, tiveram o seu epílogo em Setúbal, perto do Convento de Jesus, por um atentado a tiro, talvez por um rival aos favores de uma freira - a bela Ignez, decidindo a partir desse episódio, abandonar a carreira das armas, e outras "carreiras", e dedicar-se em exclusivo à vida monástica, onde conquistou a simpatia geral e fez escol como pregador.
"Aquelle que teve no seculo o nome de Antonio da Fonseca Soares, e na religião o de frei Antonio das Chagas, nasceu na villa da Vidigueira a 25 de junho de 1631. [...]
No Algave, Antonio da Fonseca, ainda na puericia, aprendeu a ler e escrever. Mas, attingindo idade propria para proseguir no estudo das humanidades, foi enviado a Evora, onde com somenos applicação cursou as aulas de latim e philosophia.
A sua predilecção era para a carreira das armas. Os compendios escolares enfastiavam-n'o tanto, quanto a vida do exercito lhe sorria tentadora.
Aos dezoito annos recebeu a noticia da morte do pai, e teve que recolher com a mãe e os irmãos á Vidigueira. Se hoje visitarmos esta villa do Alemtejo, pittoresca posto que solitaria, poderemos ainda fazer ideia do que seria a mocidade de Antonio da Fonseca Soares apertada n'esse estreito circulo de aventuras galantes. Deviam dar brado n'uma pequena villa de provincia os dezoito annos de tão irrequieto moço cujo animo pendia para a desenvoltura da vida militar. Demais a mais corriam nas veias das mulheres da Vidigueira globulos ricos de de sangue minhoto, pois que mestre Thomé, thesoureiro da sé de Braga, a quem a villa fôra dada para que promovesse a sua colonisação, povoara-a com gente que trouxera de Braga e de outras comarcas limitrophes. Quero dizer que as moças da Vidigueira seriam acirrantes de polpudas carnes e bellas côres, - magnifico aperitivo para uns dezoito annos aventurosos."
(Excerto de I - O capitão «Bonina»)
Índice:
I - O capitão «Bonina». II - O frade. III - O escriptor.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a outo na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequeno pico junto da lombada.
Muito invulgar.
Indisponível

01 junho, 2025

PIMENTEL, Alberto – PHOTOGRAPHIAS DE LISBOA
. Porto, Livraria Universal de Magalhães & Moniz, 1874. In-8.º (18,5x13 cm) de 120 p. ; B.
1.ª edição.
Interessantes quadros da vida lisboeta pela pena inconfundível de Alberto Pimentel.
"Estava finalmente deante do Tejo.
Não é preciso espraiar por muito tempo o olhar na vastidão magestosa das suas aguas para saudar enthusiasticamente o primeiro rio de Portugal. Os arvoredos da Outra-banda esbatem-se n’aquella grande distancia como no fundo d’um quadro. O céo de Lisboa é de tal modo lucido, que permite á corrente o azulejar-se com igual beleza. Isto faz com que o Tejo não só supplante o Douro pelas dimensões do seu vasto leito como pela festiva alegria das margens, da agua, do céo."
(Excerto do capítulo III, O Tejo)
Indice:
I - Do Douro ao Tejo. II – Divagações. III – O Tejo. IV – Pregões e pregoeiros. V – Barjona de Freitas. VI – Photographia… da verdade. VII – José Carlos dos Santos. VIII – Os burgaus. IX – Caracteres. X – Um ridiculo applicado á politica. XI – A guitarra. XII – Da rua dos Capellistas ao passeio da Estrella. XIII – Mais caracteres. XIV – A proposito do jornalismo lisbonense. XV – Os domingos de Lisboa. XVI – Madame Burocracia e seus filhos. XVII – Dois talentos populares. XVIII – O Natal em Lisboa. XIX – Epidemia em Lisboa. XX – Epilogo.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
30€

26 março, 2025

PIMENTEL, Alberto -
AS NETAS DO PADRE ETERNO.
Romance original. Por... Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira - Editor, 1895. In-8.º (18,5x12 cm) de [4], 175, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Romance baseado em acontecimentos verídicos, cuja acção decorre em pleno Sexénio (1868-1874), período da história espanhola que tem início com o levantamento revolucionário conhecido por La Gloriosa (1868), e que passou a Portugal por força das multidões de refugiados que atravessaram a fronteira como puderam para salvar a vida, desenrolando-se a presente história no território nacional, sobretudo na zona de Setúbal.
Invulgar e muito interessante.
"Desde a primavera até ao inverno de 1873, decorre, na historia da moderna Hespanha, um periodo de rubra agitação demagogica, em que tanto a abandonada corôa da velha Monarchia de S. Fernando como o recente barrete phrygio da Republica fluctuam n'um mar de sangue, golphado do proprio coração d'esse bello paiz meridional, e sinistramente illuminado pelos reflexos coruscantes dos incendios de Alcoy, que eram o facho tristemente glorioso da insurreição cantonal.
Nação essencialmente catholica, a Hespanha viu profanados os seus templos, principamente em Barcelona, onde as mulheres, n'uma infrene orgia de bacchantes, envergavam as vestes sacerdotaes, entoando cantaraes obscenos, e derramando por sobre os altares o vinho que transbordava das taças.
Nas ruas, as allucinações da musa popular, terrivelmente revolucionaria, alternavam-se com as detonações dos fuzilamentos, e aos dithyrambos entoados á beira dos altares correspondiam, fóra dos templos, trovas sacrilegas, dissolventes, anarchicas. [...]
É certo que na alma popular da Hespanha não estavam de todo pervertidos os sentimentos cavalheirescos da raça castelhana, mas a revolução ia alastrando dia a dia o seu dominio, - em Sevilha era incendiada a calle de las Sierpes, em Cadiz punha-se em almoeda a custodia do Corpus Christi, em Malaga dois bandos rivaes porfiavam em horrores de barbarie, em Granada os desenfreamentos do vandalismo desmoronavam as instituições e os templos, como acontecia em Barcelona, em cujos campos os bosques incendiados chammejavam como enorme fornalha... [...]
Um illustre escriptor hespanhol, o sr. Vicente Barrantes, emigrando n'essa epocha para Portugal, escreveu sob o titulo de Dias sin sol, um livro interessante, em que estão consignadas as dolorosas impressões que as desgraças da Hespanha punham no coração dos seus angustiados filhos. Uma pagina d'esse livro diz:
«Com mão debil e porventura timida empunhou o tribuno Emilio Castellar as redeas da dictadura, ao tempo que a fronteira portugueza, onde eu me achava, offerecia um lancinante espectaculo. Cerrada a do norte pelos carlistas, era aquella a unica porta para escapar d'este inferno de Hespanha, e cada trem do caminho de ferro iberico parecia barcada de Acheronte, como aquellas que rangendo os dentes e blasphemando até dos paes de seus paes viu passar o grande poeta da Edade-Média pelo lodoso lago que ao inferno conduz... De Madrid, de Alcoy, de Cartagena, de Valencia, de Cadiz, de Sevilha, de Jerez chegavam por centenas familias dispersas, como quem foge de uma peste; e isto um dia e outro dia, e mezes inteiros; e récuas e caravanas de inoffensivos lavradores, de pacificos artistas, de laboriosos industriaes desembocavam simultaneamente por todas as povoações da fronteira, desde Barrancos a Setubal, desde Elvas a Lisboa, desde Zamora e Ciudad-Rodrigo ao Porto; misero formigueiro de emigrantes de todas as classes e condições, com os olhos voltados para Hespanha, mas receiando a cada hora que o horror os convertesse em estatuas, como á mulher da Biblia.»
Setubal, pela amenidade do seu clima, e pela belleza dos seus campos, hospedou uma importante colonia hespanhola, atravez da qual eu passeei algumas vezes os meus ocios de touriste. Principalmente no verão, em julho, que foi a epocha mais calamitosa da revolução, a affluencia de emigrados era numerosissima ali. E o que é verdadeiramente notavel é que os havia de todas as côres politicas, porque o perigo era egual para todos. A revolução não curava de perscutar as opiniões de cada um. Perseguia, roubava, incendiava, fuzilava indistinctamente. Já não era pequena felicidade poder fugir á morte, salvar a vida. Dos emigrados, conheci alguns ricos, poucos, e esses eram os que tinham logrado liquidar a tempo os seus haveres, antes que a santa federal se encarregasse da liquidação. D'este numero era a familia Saavedra, de Sevilha, que tem de figurar n'esta historia. Tres pessoas apenas: pae, mãe e filha."
(Excerto do Cap.I)
Alberto Pimentel (1849-1925). "Nasceu no Porto a 14 de Abril de 1849. Com uma obra extensa e variada, escreveu poesia, romance, teatro, biografia, obras políticas, entre outros géneros. Camilo Castelo Branco – que conheceu pessoalmente, lhe prefaciou dois dos seus livros e é matéria de algumas das suas obras – é o seu ídolo e o seu Mestre. Morreu em Queluz no dia 19 de Julho de 1925."
(Fonte: Wook) 
Encadernação do editor em percalina com ferros gravados a seco e a ouro e negro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam desgaste marginal. Interior correcto.
Muito invulgar.
Indisponível

03 abril, 2024

PIMENTEL, Alberto - O ANNEL MYSTERIOSO. Scenas da Guerra Peninsular. Romance original de... Bibliotheca Universal dedicada ao Visconde de Castilho. Lisboa, Escriptorio da Empresa, 1873. In-8.º (17x12 cm) de 286, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original de O anel misterioso, considerada uma das mais importantes e apreciadas obras do autor.
"Romance histórico de Alberto Pimentel, cuja acção tem por pano de fundo a Guerra Peninsular e a tomada do Porto pelo exercito francês, durante a segunda invasão francesa. Publicado pela primeira vez em 1873 é considerado um dos mais importantes trabalhos de Alberto Pimentel. A obra foi inspirada num mendigo que vagueava pelas ruas do Porto, conhecido como o Desgraça, e que o autor identifica como tendo sido o militar português José Maria da Graça Strech. A narrativa centra-se no período da Guerra Peninsular, tendo como ponto de partida a tomada do Porto na segunda invasão francesa, e a tragédia da Ponte das Barcas."
(Fonte: Wook)
Ilustrado com belíssimas capitulares e um busto desenhado encimando o primeiro capítulo do livro.
"Entre os typos populares, que pouco e pouco vão rolando a sepulturas ignoradas, deixando após si o rasto d'uma vida sobremodo accidentada de peripecias quasi sempre sombrias, - rasto que só um ou outro escriptor se compraz em procurar desde a cadeia ao degredo, do albergue ao cemiterio, - avulta na tradição portuense um homem que por longo tempo ahi foi o alvo das assuadas do rapazio e dos chascos dos frequentadores de botequim. Uns chamavam-lhe o José das desgraças, outros simplesmente o Desgraça.
Parece dever inferir-se de tão luctuosa alcunha que a população da cidade lhe conhecia a biographia porventura exuberante de lastimosos lances. Tal não ha. Quando elle passava coxeando arrimado ao seu bordão, sobraçada a guitarra inseparavel, de velho chapéo alto amassado, sobrecasaca abotoada, pendente a medalha de prata da guerra peninsular, annel d'ouro na mão esquerda, na bocca o enorme cigarro que elle proprio manipulava com pontas de charuto, seguido do cão fiel, que se chamava Junot, por motivos que mais tarde desvendaremos, o gentio das ruas ou sorria alvarmente da pittoresca pobresa do excentrico mendigo, ou rompia em apostrophes de Ó Desgraça! Ó Desgraça! que elle parecia não ouvir ou despresar em sua imperturbavel serenidade.
E a populaça, sem siquer suspeitar da tenebrosa origem do cognomento, quedava-se a ouvil-o, calmadas as arruaças com que era saudado, quando elle, sentado á porta d'um café, especialmente o do jardim de S. Lazaro, começava a tanger melancolicamente a sua guitarra, na qual executava operas completas, queimando o seu enorme rolo de tabaco e contemplando, de cabeça inclinada, o cão que parecia escutal-o attentamente...
Depois, quando a mão caía extenuada sobre as cordas silenciosas, affigurava-se, tão alheado ficava, que estava rememorando maguas intimas, segredos da sua vida obscura, sem que parecesse dar tento das esmolas que lhe atiravam ao regaço os que entravam os saíam a porta do botiquim. [...]
O povo não suspeitava siquer que a biographia d'aquelle homem justificasse o appellido. [...]
Estranho homem devia de ser esse, que parecia guardar grande mysterio, e tinha por unico amigo, entre uma população inteira, que o apupava, o cão fiel, e por consolação unica a sua guitarra, e por unica protecção a piedade dos seus conterraneos, que elle não implorava! [...]
E todavia este homem era um grande desgraçado, que só tinha no mundo a sua guitarra, o seu cão, e as suas recordações. O annel, que trazia na mão esquerda, podia matar-lhe talvez um dia de fome, mas não haveria miseria que lh'o arrancasse do dedo, porque as suas recordações estavam n'aquelle annel."
(Excerto de I - O Desgraça)
Alberto Pimentel (1849-1925). "Nasceu no Porto a 14 de Abril de 1849. Com uma obra extensa e variada, escreveu poesia, romance, teatro, biografia, obras políticas, entre outros géneros.  Camilo Castelo Branco – que conheceu pessoalmente, lhe prefaciou dois dos seus livros e é matéria de algumas das suas obras – é o seu ídolo e o seu Mestre.  Morreu em Queluz no dia 19 de Julho de 1925."
(Fonte: Wook)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com carimbo oleográfico e rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
45€

12 setembro, 2023

PIMENTEL, Alberto - OS NETOS DE CAMILLO. Lisboa, Empreza da Historia de Portugal, MDCCCCI. (1901). In-4.º (24x16 cm) de 79, [1] p. ; [11] f. il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio camiliano pela pena de Alberto Pimentel, um dos indefectíveis do Mestre.
Livro ilustrado com 11 folhas separadas do texto reproduzindo os retratos do grande prosador e seus familiares, bem como as estampas de Theophile Gautier e Alphonse Karr que pertenceram a Camilo, e uma gravura: "A acacia do Jorge".
"Fui hontem, 20 de agosto, a S. Miguel de Seide fazer uma romagem de saudade.
Quando Camillo era vivo, sempre que eu vim a Santo Thyrso não deixei nunca de visitar o grande romancista na sua melancolica Thebaida.
Agora que elle é morto e repousa longe, no cemiterio da Lapa, fui em peregrinação devota contemplar o tumulo em que viveu e agonisou: a casa solitaria de Seide, onde cada pedra parece ser um epitaphio que chora resignadamente por elle no silencio e na mudez de uma aldeia minhôta.
Esta casa, a que o proprio Camillo chamou «o albergue arruinado de S. Miguel de Seide», é uma reliquia historica, um monumento nacional, como a casa de Shakespeare em Strafford-sur-Avon ou como a casa de Goethe em Francfort.
É ou deve ser."
(Excerto do estudo)
Encadernação em meia de percalina com pastas forradas a tecido multicolorido. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado geral de conservação, com corte das folhas carminado à cabeça. Assinatura de posse na f. rosto. Mancha de humidade visível no segundo e terceiro retrato D. Anna Rosa Correia/Flora).
Raro.
Com interesse histórico e biográfico.
45€

30 outubro, 2022

PIMENTEL, Alberto - O PORTO DA BERLINDA.
Memorias d'uma familia portuense
. Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron : Casa Editora : M. Lugan, Successor, 1894. In-8.º (19 cm) de [26], 281, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Obra muito curiosa e satírica sobre a cidade do Porto, as suas gentes - usos e costumes -, pela pena inconfundível de Alberto Pimentel.
O final do livro - cerca de 40 páginas - são preenchidas com o texto Memorias d'uma familia portuense que mais não é que parte da história da vida familiar do autor, que inclui referências ao seu avô, pai e tias, merecendo especial destaque nestas "memórias" o desembarque das forças liberais no Porto, com D. Pedro IV à cabeça, e alguns episódios relacionados com a guerra civil. Muito interessante.
"O livro que hoje publico pertence a um genero muito conhecido. As compilações de diversos textos  relativos a um unico assumpto são, em geral, recebidas com agrado, porque reunem o deleite da variedade á unidade do pensamento.
A respeito do Porto é, porém, cuido eu, este o unico livro que da primeira á ultima pagina sustenta a indole de uma larga compilação.
Denominei-o O Porto na berlinda, porque o texto é umas vezes favoravel, outras desfavoravel ao Porto, e porque nos jogos de prendas «estar na berlinda» vale o mesmo que estar no banco dos réos, ter de ouvir o que todos os outros nos querem mandar dizer de agradavel ou desagradavel, do mesmo modo que, no tribunal, o réo tem de ouvir tanto o advogado da defeza como o da accusação.
Ligeiros commentarios meus glosam o texto, intercalados n'elle.
Posto isto, só me resta dizer adeus aos criticos do Porto..."
(Excerto do Prologo)
Indice:
Prologo. | I - Origens historicas. II - Ruas do Porto. III- Usos e costumes. IV - Typos do Porto. V - A portuense. VI - Bellas-artes e bellas-lettras. VII - Theatros. VIII - Rio Douro. IX - Arrabaldes. X - Reliquias historicas. XI - Os bairros da cidade. | Memorias d'uma familia portuense.
Belíssima encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais. Apenas aparado e carminado à cabeça.
Exemplar em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
50€

09 agosto, 2021

PIMENTEL, Alberto - FLOR DE MYOSÓTIS : romance original
. Lisboa, Imprensa Moderna, 1886. In-8.º (18,5 cm) de 282, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Romance assente em factos históricos, incluindo os personagens que nele participam. A acção decorre no norte do país durante o período da Guerra Civil portuguesa; narra as desinteligências entre as famílias do morgado de Sande e do Creixomil, pentieiro, "pandego avinhado, volteiro em rapiocas e bernardas", e as consequências daí resultantes. Obra muitíssimo interessante, superiormente redigida.
"Ha cincoenta e um annos que foram abolidas em Portugal as ordens religiosas. O governo liberal desalojou os frades, e permittiu ás freiras que fiassem. O ministro que referendou o decreto, Joaquim Antonio de Aguiar, recebeu por esse facto a alcunha do Mata-frades.
O tempo, que não pára nunca, foi dando cabo de tudo, até do ministro, que déra cabo dos frades.
O imperador morrera primeiro.
E os frades foram acabando espalhados pelo fundo das provincias, não longe dos seus conventos, que se secularisaram n'uma garridice hybrida de brazões modernos e de brazileirismos architectonicos, - leões rompentes de marmore sobre os portões e bull-dogs de louça sobre as cornijas.
Durante alguns annos, os benedictinos do norte do paiz poderam ainda juntar-se para celebrar a festa do padroeiro na egreja de S. Bento da Victoria, no Porto. [...]
Dobrados os primeiros vinte annos d'este seculo, estava no mosteiro de Santo Thyrso um frade natural de Guimarães, irmão mais novo do morgado de Sande. Chamava-se frei Antonio de Jesus Maria. O segundo irmão do morgado professara na ordem de S. Jeronymo, e recolhera-se ao convento da Costa, que é hoje propriedade do sr. Custodio Teixeira Pinto Basto, do Porto.
Desde que em Portugal houve conventos, os filhos segundos das casas vinculadas seguiam, ordinariamente, a vida monastica. A casa de Sande era nobre e opulenta, e não se apartou da lei da nobreza observada n'aquelle tempo. [...]
Os de Sande militavam no partido absolutista  com tanto maior ardor quanto fôra o desgosto com que receberam a noticia da revolução liberal de 20."
(Excerto do Cap. I - O desacato ao solar de Sande)
Indice:
I - O desacato ao solar de Sande. II - Projecto de casamento. III - Tio e sobrinho. IV - Romeu e Julieta. V - A entrega da carta. VI - Na romaria do Senhor do Monte. VII - O que se passava no espirito da morgada de Candoso. VIII - A prisão do pentieiro. IX - O frade de Santo Thyrso. X - Revelação de um segredo. XI - Duas mulheres. XII - Reconciliação no leito de morte. XIII - Luctas intimas. XIV - Encontro de duas almas. XV - A morgada do Pico. XVI - Um revoltado. XVII - Pensamentos de um poeta. XVIII - O tedio da posse. XIX - Eva expulsa do paraiso. XX - Louco. XXI - Emfim! | Conclusão.
Alberto Augusto de Almeida Pimentel (Cedofeita, 1849 - Queluz, 1925). "Foi um prolífico escritor portuense da segunda metade do século XIX. Teve uma produção escrita notavelmente extensa, abrangendo uma diversidade de áreas como: romance, poesia, biografias, peças teatrais, obras políticas, estudo de tradições populares, etc., sendo uma das principais características da sua obra retratar os períodos históricos presentes nos seus romances de forma fiel aos costumes, tradições, datas, figuras e acontecimentos marcantes para a história portuguesa."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em razoável estado geral de conservação. Cansado. F. rosto ostenta carimbo e assinatura de posse. Reforço-restauro com tira de papel nas três primeiras folhas do livro junto ao festo. Sem f. anterrosto(?).
Muito invulgar.
Indisponível

31 julho, 2020

PIMENTEL, Alberto – PORTUGAL DE CABELLEIRA. Pará, Livraria Universal de Tavares Cardoso & C.ª, 1875. In-8.º (18 cm) de 248 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante conjunto de contos e crónicas, com especial relevância para a que desenvolve o assunto que dá o título à obra - Barba e bigode.
"Na maior parte dos casos, a cabelleira esconde a velhice, não a velhice amollentada com dolorosos achaques, e indifferente ás alegrias do mundo, mas a que se sente ainda vivedoura, forte, crente, e continúa, com os olhos no futuro, a gloriosa serie de façanhas passadas. Portugal está exactamente n'estas condições. Tem a sua velhice de sete seculos, e portanto uma historia de setecentos annos. A sua cabelleira representa, como geralmente acontece, antiguidade, commettimentos realisados, aventuras bem succedidas, proezas levadas a cabo, e ao mesmo tempo denuncia que não está morto o coração; que o braço feito ás armas, como disse Camões, não se desnervou ainda; e que a epopea das suas conquistas e descobertas não é por emquanto o epitaphio inscripto sobre o tumulo d'um heroe. [...] Vamos simplesmente levantar uma ponta do chinó, e esmiuçar, com leveza que obste ao aborrecimento, as paginas de antigos usos, costumes, aventuras, tradições e chronicas."
(Excerto de Razão do titulo)
"Diz-se que o homem foi feito á similhança do seu Creador, mas o que é certo é que o homem, por orgulhoso ou versatil, se tem feito, desfeito, refeito e contrafeito muitas vezes, sem se prender com a tradição do livro santo, que lhe impunha o dever de conservar-se na primitiva feitura. [...]
Já em Roma até cêrca do anno 295 antes de Christo uzaste barba comprida, e desde essa epocha em diante escanhoaste o queixo, excepto se andavas de luto. És sacerdote? Pouco importa. O barro é o mesmo."
(Excerto de Barba e bigode)
Indice:
I – Barba e bigode. II – A dama da cutilada. III – O Terreiro do Paço. IV – Os sinos d’Alpendurada. V – Rehabilitação do queijo por um documento antigo. VI – Ha dois seculos e meio. VII – As freiras. VIII – A antiga viação portugueza. IX – Um episodio da conquista de Lisboa. X – Como as borboletas se queimam. XI – Tradicção Setubalense – O convento de Jesus. XII – Tradicções antigas de Sant’Yago do Cacem. XIII – Um serão de Bocage.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Lombada fendida, com pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
Indisponível

16 maio, 2020

PIMENTEL, Alberto - A ULTIMA CORTE O ABSOLUTISMO EM PORTUGAL. Lisboa, Livraria Ferin, Editor, 1893. In-8.º (21,5 cm) de XII, 346, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo sobre o último período da monarquia absoluta portuguesa, e a sua decadência.
Summario:
Restos, no reinado de D. Maria I, da antiga elegancia de costumes palacianos. - A familia e a côrte de D. João VI. - A rainha Carlota na politica, e na vida particular. - Um bouquet de infantas hystericas. - Infancia e mocidade de D. Miguel. - Acção combinada da mãe e do filho. - D. Miguel no extrangeiro. - Rei chegou. - A côrte de D. Miguel. - Personagens, costumes, divertimentos. - A sorte das armas. - Dissolução da côrte, decadente e ambulante, pela desgraça do rei."
"O reinado de D. Maria I é o occaso da vida palaciana em Portugal, considerada na sua expressão mais tradicionalmente distincta.
Esmorecem então as festas elegantes e pomposas, desmaiam as tintas calidas e brilhantes d'essas recepções famosas que outr'ora animaram os paços dos reis, e de que Watteau, pelo que respeita á côrte de Luiz XIV, deixou miniaturas deliciosas nos leques das grandes damas.
Dir-se-ia que o vendaval revolucionario de 1789 derrubára em toda a Europa essas gentis figurinhas de açafatas e cortezãos, que misuravam minuetes nos aureos salões realengos ou encadeavam choreas pagãs á sombras das arvores seculares nas florestas e parques da Corôa.
O poder absoluto estava abalado para todo o sempre, ia entrar n'um periodo de vacillações tempestuosas, que era como que a sua longa e derradeira agonia. Com elle em breve se extinguiriam, n'um crepusculo lento, em que já havia sombras pairando sinistramente sobre um occidente luminoso, as tradições galantes, amaneiradas, cavalheirescas da vida palaciana.
O periodo revolucionario, iniciado em França, veio encontrar no throno de Portugal uma rainha beata, que perdêra primeiro a alegria e depois a razão. Desgostos e sobresaltos pozeram em vibração dolorosa o seu debil organismo, enfermiço desde os primeiros annos. O marquez de Pombal planeára, parece que de accôrdo com o rei D. José, evitar que nas frageis mãos da herdeira do throno se quebrasse todo o predominio que a Corôa havia ganho sobre o clero e a nobreza, - sobre o clero pela expulsão dos jesuitas, sobre a nobreza pela tragedia de Belem."
(Excerto do Cap. I, Uma côrte que foge)
Indice:
Advertencia. | I - Uma côrte que foge. II - El-rei-o-nada. III - A abelha mestra. IV - A familia de D. João VI. V - O infante D. Miguel. VI - Rei chegou. VII - Vida amorosa de D. Miguel. VIII - Ao desfazer da feira. | Addendum. - A lenda de D. Miguel.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Com pequena falha de pele na lombada, à cabeça.
Invulgar.
Com interesse histórico.
35€

15 outubro, 2017

PIMENTEL, Alberto - TÉLAS ANTIGAS. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria editora e Officinas Typographica e de Encadernação, 1906. In-8.º (20,5cm) de 220, [4] p. ; [2] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante conjunto de narrativas históricas.
Ilustrado com duas gravuras extratexto.
"Quatorze kilometros a nordeste de Braga, ergue-se sobre um morro escalvado, dominando um valle fertilissimo como todos os do Minho, o castello de Lanhoso, cujas ruinas memoram ainda hoje graves acontecimentos de secilos remotos. [...]
Em certa noite caliginosa do seculo XIII os povos do valle de Lanhoso accordaram ao clamor de uma voz que afflictivamente bradava:
- Santa Maria val! que anda fogo no castello!
O alviçareiro d'esta ruim nova era um azemel que ia partir com de noite para chegar a Braga ante-manhã.
Logo todos os habitantes da pobla, como sacudidos por uma corrente electrica, vestindo á pressa os grosseiros arbins e saios de burel, assomaram á porta de suas miseras sibanas cangadas de côlmo ou giesta e com espanto verificaram que do castello de Lanhoso sahiam grossos rôlos de fumo negro, que as labaredas conseguiam romper a espaços ensanguentando o ar.
A primeira impressão foi de terror, especie de terror sagrado, como se estivesse ardendo um templo, porque para todos os povos circumvisinhos aquelle castello era um monumento venerando, onde tragicos e pavorosos successos se haviam passado lá.
Corria a tradição de que, mais de oitenta annos antes, a rainha D. Tareja ali tinha residido e estivera sitiada por sua irmã D. Urraca de Leão e que depois da batalha de Guimarães ali jazera encerrada entre ferros por ordem de seu proprio filho por D. Affonso Henriques.
O povo, olhando para o alto, e vendo o castello, cuidava olhar ainda para um solio infeliz, onde lagrimas augustas haviam deslisado sobre a purpura real; e o respeito pela realeza era tamanho, que até nas suas desgraças ou excessos os villões a veneravam com supersticioso temor."
(excerto de Uma vingança medieval)
Índice:
- Duas favoritas. [D. Sancho I e a "Ribeirinha" e D. Maria Arias]. - Uma vingança medieval. - Um rei leproso. [D. Afonso II]. - Mordedura de vêspa. [D. Sancha Paes e Martim de Freitas]. - A lenda do pintor. [Vasco Fernandes (Grão Vasco)]. - Morte de el-Rei D. Duarte. - Uma traducção. - Poemas d'outrora: I. Romaria de S. Simão. II. Lenda de S. Frei Gil. III. Rei e pastor. IV. Amores de Braga. - Notas.
Encadernação em meia de percalina com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

31 julho, 2017

PIMENTEL, Alberto - O QUE ANDA NO AR. [Lisboa], Officina Typographica da Empreza Litteraria de Lisboa, [1881]. In-8.º (18cm) de 311, [1] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Invulgar e apreciado título da bibliografia de Alberto Pimentel. Trata-se de um conjunto de 29 crónicas jornalísticas sobre variados assuntos, com particular relevo para a política nacional, onde o autor faz uso da sua verve corrosiva. 
Ilustrado com o retrato do autor em extratexto.
"Lisboa está sendo o rendez-vous de todas as feras africanas. O vapor Bengo acaba de trazer de Loanda mais uma: é um jacaré sobrescriptado para o sr. Marianno de Carvalho
Não ha no que affirmamos a menor insidia. O Diario de Noticias dizia hontem em duas simples linhas:
«No vapor Bengo veio de Loanda um jacaré para o sr. Marianno de Carvalho.»
Este laconismo do nosso collega é proprio da sua ingenuidade caracteristica. Nós, porém, menos puro talvez, desconfiamos da marosca.
Uma pergunta nos ocorreu logo: para que veio o jacaré?
Para o sr. Marianno de Carvalho o domesticar e trabalhar com elle em publico?
Não. Porque seria esse um mau negocio, attenta a concorrencia do capitão Boone e de miss Milli Carlota.
Para o levar para o Diario Popular, educando-o a seu modo, e fazendo d'elle um jornalista de truz, que o possa ajudar nas lides jornalisticas futuras?
Não. Porque d'esse modo, alem de offender a susceptibilidade dos collegas, poria em risco a vidas de suas ex.as, logo que o jacaré acabasse de devorar o nariz do sr. Minhava.
Para o levar consigo ao ministerio do reino, a fim da fazer conter em respeitosa submissão o sr. José Luciano de Castro?
Não. Porque n'esse caso o sr. José Luciano de Castro pediria logo o auxilio da guarda municipal a fim de não ser comido mais uma vez.
Para que o substitua da regencia da cadeira da Escóla Polytechnica emquanto o partido progressista estiver no poder?
Não. Porque n'esse caso os alumnos da Escóla Polytechnica achariam uma certa differença para peior, e protestariam energicamente contra a substituição.
Então para que?"
(excerto de O Jacaré do Sr. Marianno de Carvalho)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pequena falha de papel no canto inferior esq. da f. anterrosto. Duas folhas restauradas no interior do livro.
Ex-libris do olisipógrafo Luís Pastor de Macedo.
Raro.
Indisponível