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04 dezembro, 2024

COSTA-CABRAL, F. A. da -
DOM JOÃO II E A RENASCENÇA PORTUGUÊSA. Por... Grandes Vultos Portuguêses IV. Lisboa, Livraria Ferin, Editora : Torres & C.ta, 1914. In-8.º (19,5x13 cm) de 208 p. ; [2] f. il. ; errata ; E.
1.ª edição.
Biografia de D. João II, o "Príncipe Perfeito", o impulsionador da gesta dos Descobrimentos, - por muitos considerado o melhor rei português -, e a influência do seu reinado na Renascença portuguesa.
Livro ilustrado com duas estampas separadas do texto:
- Reproducção da primeira folha do Livro dos Copos, manuscripto do seculo XV, pertencente á Torre do Tombo, onde se supõe ver o retrato de D. João II, quando moço;
- Assignatura de D. João II.
"D. João II era um homem forte, espaduado, elegante e destro em «todalas boas manhas», que hum alto Principe convem; foy singular cavalgador, especialmente de gineta, deestro, braceiro, bõo dançador, e com gracioso despejo, bem desenvolto em todalas danças. Foy grande Monteiro, mas muito maior caçador d'altanaria, a que era mui incrinado, e pero que sempre teve muitas e mui singulares aves e bõos caçadores». As mãos era finas «alvas e formosas e as pernas grandes e muy bem feitas». De uma robustez fóra do vulgar, cortava de um só golpe quatro tochas juntas, «coisa que nunca achou que fizesse». No rosto branco e córado, um pouco sôbre o comprido, sobresaiam dois olhos negros, vivos e profundos, que a cólera fazia por vezes raiar de sangue «de manera que le davam horror i respeto à qui en le mirava». Até aos trinta e tal anos, edade em que começou a engordar, usava a barba toda, ondeada e castanha, como a côr dos cabelos, onde as brancas despontavam precócemente «de que mostrava receber grande contentamento pola muyta autoridade que a sua Dinidade Real suas cãas acrecentavam». A sua coragem e valentia eram proverbiais. Em Alcochete, onde fôra com a rainha, um toiro tresmalhado, investiu precisamente pelo caminho seguido pela côrte; espavoridos, todos fugiram menos o rei que, serenamente, tomando a rainha pela mão, esperou de estoque em punho que a fera arremetesse. Admirador de todos os actos que denotavam coragem e valor, não duvidou mesmo tomar para creado um condenado como assassino, e isto por tê-lo visto, arrojadamente, fazer frente a um touro bravo que fugira do curro."
(Excerto de Pela lei e pela grei - Suas «feições e manhas»)
Indice: Primeira Parte - O Meio: I - A Europa; II -
Portugal no século XV. III - Portugal no século XV (continuação). Segunda Parte - O Homem: I - Regência II - Pela lei e pela grei. III - As conspirações. IV - A Epopeia. V - O desabar de um sonho. VI - Luta diplomática. VII - O Fim. | Obras citadas | Cronologia | Índice alfabético.
Encadernação do editor em percalina, carmim, com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e bibliográfico.
35€

10 dezembro, 2021

RAPOSO, José Hippolyto - SENTIDO DO HUMANISMO. Dissertação para concurso á Faculdade de Letras de Lisboa, no grupo de Filologia Românica. (Diário do Govêrno de 19 de Setembro de 1913). Coimbra, Tipografia França Amado, 1914. In-8.º (19,5 cm) de 76, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original de uma das primeiras e mais invulgares obras do autor.
"O conceito atribuído á palavra Renascença, deriva naturalmente da interpretação que fôr dada ao período medieval.
A diversidade de aspectos e critérios por que tem sido estudada esta época histórica e as prevenções com que cada qual se propõe resolver o problema, têm impedido a critica de formular até hoje uma síntese definitiva.
A Igreja reivindica para ela a gloria de ter sido em quinze séculos, o mais forte e quasi o único elemento de coordenação social.
O Feudalismo foi pedir á disciplina dos seus preceitos a força de coesão que tornou possivel então a jerarquia territorial, e por ela, a garantia dos interesses legitimos, a estabilização da familia, a ordem nas classes.
Foi á sombra dos santuários e mosteiros que se guardaram os pergaminhos de nobreza da sabedoria antiga, começaram a viver as universidades e se alimentou de motivos fecundos a Arte religiosa, no Oriente e no Ocidente.
Á continuidade da sua tradição de governo, devemos o traço de união do mundo antigo para o moderno."
(Excerto de Espirito da Renascença)
Índice:
I. Espirito da Renascença. II. Humanismo e Nacionalismo. III. A Língua dos Quinhentistas.
José Hipólito Vaz Raposo (1885-1953). “Um dos teóricos e dirigentes do Integralismo Lusitano. Era companheiro de mesa de Nobre de Melo com quem coabitava. Professor no Liceu Passos Manuel. Diretor do jornal A Monarquia em 1919. Advogado em Angola em 1922-1923. Reintegrado no professorado em 1926, passa a ser docente do Conservatório. Não apoia o salazarismo, de quem se torna crítico precoce. Um livro publicado em 1940 é apreendido pela polícia política e leva-o ao desterro. Considerava, então, a existência de uma salazarquia. Novamente demitido, apenas volta a ser reintegrado em 1951.”
(Fonte: www.politipedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa com defeitos. Sem f. anterrosto.
Muito invulgar.
15€

21 julho, 2019

Bispo d'Angola e Congo - ARTE E SCIENCIA. Leitura para os seminaristas de Loanda. I. Raphael. Huilla, Typographia da Missão, 1910. In-8.º (18,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa biografia do pintor renascentista italiano Rafael (1483-1520). De acordo com a Biblioteca Nacional, o seu autor foi Dom José Sebastião de Almeida Neto (1841-1920), bispo de Angola e Congo entre 1879 e 1883.
"Alguns dias depois da minha chegada a Loanda, recebia das mãos de pessoa muito amavel uma collecção de cartões postaes esplendidamente illustrados com a reproducção de algumas das obras-primas da pintura classica italiana. Separei do grupo sete quadros de Raphael, e, dando-lhes a disposição que me pareceu mais bella e harmoniosa, mandei-os fixar n'esse caixilho que pende já de uma parede da vossa sala de estudo. E para que, quando os olhos poisarem em alguma d'essas divinas maravilhas, saibam o que estão a ver, não se encontrem extranhos e perdidos n'essa atmosphera luminosa, vou dizer-vos, sem a menor sombra de presumpção, o pouco que sei da pessoa e do pincel d'esse mestre incomparavel."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

16 fevereiro, 2017

BRAGA, Teophilo - SÁ DE MIRANDA E A ESCHOLA ITALIANA. Por... Porto, Livraria Chardron Casa editora : Successores Lello & Irmão, 1896. In-8.º (18,5cm)  de VIII, 400, [2] p. ; E. Col. Historia da Litteratura Portugueza, 9
1.ª edição.
Estudo literário sobre Sá de Miranda, poeta e dramaturgo quinhentista português.
Francisco de Sá de Miranda (1481-1558) nasceu em Coimbra, doutorou-se em Direito na Universidade de Lisboa e frequentou a Corte até 1521, data em que partiu para Itália. Regressou a Portugal em 1526, depois de um convívio com escritores e artistas italianos que iriam influenciá-lo. Fruto dessa viagem, trouxe para Portugal uma nova estética, introduzindo o soneto, a canção, a sextina, as composições em tercetos e em oitavas e os versos de dez sílabas. Além de composições poéticas várias, escreveu a tragédia Cleópatra, as comédias Estrangeiros e Vilhalpandos, e algumas Cartas em verso, sendo uma delas dirigida ao rei D. João III, de quem era amigo. Faleceu em Amares, no Minho, na quinta para onde se retirara por não se ter adaptado à vida da corte." (fonte: alfarrabio.di.uminho.pt)
Índice:
I - Na Universidade de Lisboa e nos Serões do Paço (1485 a 1521). II - A viagem á Italia e a actividade da Renascença (1521 a 1526). III - Regresso a Portugal e começo da Eschola Italiana (1526 a 1534). IV - Na vida da provincia, e a manifestação dos novos talentos (1534 a 1553). V - Annos de desalento e morte (1553 a 1558). VI - Historia externa do texto das Poesias de Sá de Miranda (1516 a 1885).
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sem f. anterrosto. Assinatura de posse na folha de rosto. Páginas amareladas com manchas de oxidação. Última página (em branco) apresenta corte diagonal com perda de papel.
Invulgar.
Indisponível

24 abril, 2015

COELHO, Eduardo - LEONARDO DA VINCI E O PENSAMENTO CIENTÍFICO DO SÉCULO XVI. Por... Conferência realizada em 3 de Dezembro de 1952. Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1952. In-8º (19,5cm) de 44, [4] p. ; [14] f. il. ; B. Col. Biblioteca de Altos Estudos
1.ª edição.
Ilustrada com 14 estampas intercaladas no texto, impressas sobre papel couché, reproduzindo esboços, desenhos com anotações e pinturas do Mestre.
"Foi no burgo de Vinci, na encosta do monte Albano da encantadora Toscania que Leonardo, em contacto com a Natureza, começou a decifrar o que ele chamou o «alfabeto do mundo». A Itália era, então, o centro do mundo do espírito, e vivia a ambiência do humanismo que ia alastrar pela Europa. O homem europeu que no século seguinte havia de dominar o planeta, procurava descobrir o significado humano da vida e formava o «uomo universale». Era o começo do Renascimento, fonte incomensurável de ideias inéditas, do renovamento do homem - a Nova humanitas - que deu ao Ocidente a sua fisionomia moderna."
(excerto do texto)
Eduardo Carneiro de Araújo Coelho (1896-1974). "Foi um médico cardiologista, professor universitário e humanista. Colaborou em várias clínicas escolares, entre as quais a de Neurologia, ao lado do Professor Egas Moniz, prémio Nobel português da Medicina. Foi, entre outros cargos, diretor da Clínica Universitária de Cardiologia do Hospital de Santa Maria, devendo-se-lhe a individualização desta especialidade. Publicou vários trabalhos sobre Cardiologia e Endocrinologia ; e também sobre diversos temas humanísticos, nomeadamente questões ligadas à Universidade. Foi médico pessoal de António de Oliveira Salazar, acompanhando-o até ao fim dos seus dias."
(in http://www2.ucp.pt/)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Carimbo de posse safado na f. rosto. 

Invulgar.
10€

11 abril, 2013

MORAIS, Manuel - CANCIONEIRO MUSICAL DE BELÉM. Música Portuguesa Maneirista. Estudo introdutório e transcrição de... Edição bilingue. Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda : Correios e Telecomunicações de Portugal - Telefones de Lisboa e Porto, 1988. In-fólio (31,5 cm) de 140, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Na sobrecapa está reproduzido Coroação da Virgem (Sevilha, 1604) de Vasco Pereira Lusitano, Museu Carlos Machado, Ponta Delgada, Açores.
"O Cancioneiro Musical de Belém, ou simplesmente Cancioneiro de Belém (Santa Maria de Belém, Lisboa), Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, Ms 3391) é um manuscrito português do início do século XVII contendo música e poemas da época renascentista.
Este pequeno cancioneiro de apenas 18 canções foi descoberto entre os códices do Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, em Belém, no final da década dos 60 pelos professores Arthur Lee-Francis Askins e Jack Sage, especialistas na lírica quinhentista ibérica. Posteriormente Manuel Morais estudou-o e publicou em 1988 uma edição crítica do cancioneiro, juntamente com a transcrição para notação musical moderna de todas as dezoito músicas.
O manuscrito chegou aos nossos dias com 77 fólios de tamanho 191x130 mm, sendo que as canções se estendem do fólio 58v ao 74. Em data ainda desconhecida, recebeu uma encadernação em pele castanha, em cuja lombada se lê o título Manuscriptos / Varios.
No interior do cancioneiro uma inscrição informa: Porto, dia de S. Miguel, [1]603. Entretanto, as músicas nele contidas são anteriores a 1603, tendo sido datadas como pertencentes à segunda metade do século XVI (c. 1560-1580). No cancioneiro estão registrados os únicos madrigais portugueses manuscritos de que se tem notícia, além de vilancetes, cantigas e dois raros exemplos de vilancicos religiosos, um para o Natal (Pues a Dios humano vemos) e outro para Corpus Christi (O manjar bivo, dulçe i provechoso). 
Algumas poucas canções encontram-se duplicadas em outros manuscritos portugueses, como por exemplo no Cancioneiro de Elvas, e em algumas edições impressas espanholas do século XVI, mas a maioria delas acham-se unicamente neste manuscrito.
Entre os poetas identificados encontram-se Dom Manuel de Portugal (1520?-1601) e o poeta-músico Jorge de Montemor (c.1520-1561), bem como os castelhanos Garcilaso de la Vega (1503-1536) e a desconhecida poetisa Cetina «a monja»". 
(Fonte: Wikipédia) 
Encadernação em tela de seda, com ferros gravados a seco e a negro nas pasta anterior e na lombada, protegida por sobrecapa policromada. 
Exemplar em bom estado de conservação. Esfoladela na sobrecapa, no canto superior direito, não desmerece. 
Invulgar. 
Com interesse histórico. 
25€

22 agosto, 2011

MARTINS, J. P. Oliveira - CAMÕES, OS LUSIADAS E A RENASCENÇA EM PORTUGAL. Por... Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron, 1891. In-8.º (18,5cm) de XII, 324 p. ; E.
1.ª edição.
Apreciada edição original de um dos mais importantes estudos de Oliveira Martins.
"N'este acabar de seculo, repito, por tantos lados similhante ao fim funebre do seculo XVI, quando morreram Camões e Portugal, o vivo desejo da minha alma é que, se effectivamente está morta a esperança inteira e temos da abandonar a idéa de voltarmos a ser alguem digno de nome vivo sobre a terra, este livro seja como um ramo de goivos deposto no altar do poeta que, morrendo com a patria, lhe cantou o glorioso passado, legando-nos o testamento de um futuro não cumprido."
(excerto do prólogo)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Trabalho de traça junto à lombada; discreta assinatura de posse coeva nas f. rosto e anterrosto.
Invulgar e muito apreciado.
Indisponível