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31 agosto, 2026

ACÔRDO A QUE CHEGARAM OS GOVERNOS DE PORTUGAL E DA AUSTRÁLIA PARA ESTABELECIMENTO DE UMA CARREIRA AÉREA ENTRE DILI E DARWIN.
Por troca de notas de 11 de Dezembro de 1940 - MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS : Direcção Geral dos Negócios Políticos e da Administração Interna. Lisboa, Imprensa Nacional, 1941. In-4.º (23x15 cm) de 10, [2] p. ; B.
e
ACÔRDO ENTRE OS GOVERNOS PORTUGUÊS E JAPONÊS PARA ESTABELECIMENTO DE UMA CARREIRA AÉREA ENTRE DILI E PALAU. Assinado em Lisboa em 13 de Outubro de 1941 - MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS : Direcção Geral dos Negócios Políticos e da Administração Interna. Lisboa, Imprensa Nacional, 1941. In-4.º (23x15 cm) de 10, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Acordos históricos subscritos entre Portugal - por Oliveira Salazar - e a Austrália e o Japão para a abertura de rotas aéreas entre o território timorense e esses dois países. Apesar da política de não-alinhamento portuguesa, de que são exemplo estes tratados firmados em plena 2.ª Guerra Mundial, em Dezembro de 1941 a Austrália enviou a Força Pardal (Sparrow Force) para ocupar Timor - violando a neutralidade portuguesa - para criar uma barreira defensiva contra o Japão que, pouco tempo antes, atacara Pearl Harbor. Finalmente, a 20 de Fevereiro de 1942, o Japão invadiria Timor, repelindo para as montanhas a força expedicionária australiana.
Ambas as edições são bilingue: Português/Inglês na primeira, e Português/Francês na segunda.
Exemplares em brochura, bem conservados.
Raro conjunto.
Com interesse histórico.
20€

07 junho, 2025

BESSA, Carlos -
A LIBERTAÇÃO DE TIMOR NA II GUERRA MUNDIAL.
Importância dos Açores para os interesses dos Estados Unidos : subsídios históricos. Pelo Académico de Número... Lisboa, Academia Portuguesa da História, 1992. In-4.º (25,5x19,5 cm) de 175, [9] p. ; [1] mapa desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo histórico sobre a ocupação de Timor durante a 2.ª Guerra Mundial e sua posterior libertação, e a relação que o interesse estratégico dos Estados Unidos nos Açores, teve para esse desfecho.
Valorizado pelo prefácio do Prof. Joaquim Veríssimo Serrão.
Livro ilustrado no texto com reprodução de documentos e quadros estatísticos, e fotografias a p.b. (em página inteira), e em separado, com um mapa desdobrável de Timor (25,5x30 cm).
"O livro do Senhor Coronel Carlos Bessa explica toda a trama dos episódios de 1941 a 1945, quando Timor passou a ser um dos teatro de guerra entre as potências em luta na II Guerra Mundial. A ilha não dispunha de grandes meios de defesa e nela o convívio das duas etnias era o exemplo de um oásis de paz no Extremo Oriente. Sem haverem recebido a autorização do Governo Português, tropas australianas e holandesas desembarcaram na ilha de 17 de Dezembro de 1941, a pretexto de a defender de um ataque nipónico. De imediato fez-se sentir a reacção do Doutor António de Oliveira Salazar, ministro dos Negócios Estrangeiros, que numa eficaz acção diplomática se opôs com a força do direito à injusta invasão. A Grã-Bretanha não tardou em reconhecer o atropelo cometido, aceitando a substituição das tropas invasoras por um corpo de forças portuguesas, o qual seguiu de Lourenço Marques e a 26 de Janeiro de 1942 desembarcou na ilha. Mas três semanas depois ocorria a invasão nipónica, que ocupou por inteiro a zona de Timor português, enquanto as tropas da Holanda e da Austrália se retiravam para a parte flamenga da ilha. [...]
Quase três anos durou o sacrifício da comunidade luso-timorense, sem que o Governo Português do tempo jamais a tivesse abandonado. A nossa diplomacia buscou apoios na Inglaterra e nos Estados Unidos, para impor os direitos de ordem internacional que nos eram devidos. O principal objectivo estava em garantir o reconhecimento da soberania nacional, logo que as circunstâncias políticas e militares a tornassem possível. Neste quadro se insere a importância estratégica dos Açores para apressar o fim do conflito. Sem trair os princípios da neutralidade de há muito assumido, o nosso país concedeu à Grã-Bretanha, no ano de 1943, facilidades para a utilização de bases naquele arquipélago. A 28 de Novembro de 1944, por meio de um acordo secreto assinado em Lisboa, era a vez dos Estados Unidos da América receberem outras facilidades para a sua aviação que descesse nos Açores. [...]
A trama global destes acontecimentos vem descrita na obra do Senhor Coronel Carlos Bessa, com a lógica articulação dos factos ocorridos nos planos diplomático, político e militar."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

06 março, 2024

ARBIRU -
O PROBLEMA DE TIMOR
. [S.l.], [s.n. - Imp. Henry Gris - Lisboa], [1977]. In-8.º (21x15 cm) de16 p. ; B.
1.ª edição.
Estudo publicado pouco tempo após a ocupação de Timor Leste pela Indonésia. Relativamente ao nome que assina o trabalho - Arburi - trata-se, como é evidente, de ficção, pois não passa de uma alcunha (pejorativa) atribuída ao oficial português pelo povo timorense no final do século XIX.
"A situação que se desenvolve presentemente em Timor, é o resultado de uma série de acções desencadeadas premeditadamente contra a vontade e os interesses da população e cria um problema sério aos países interessados na estabilidade daquela área geopolítica constituindo grave risco para a sua segurança. [...]
Não são, aparentemente, notáveis os resultados dos quatro séculos da presença de Portugal em Timor se os pretendermos apreciar em termos materiais. No entanto, pode afirmar-se sem receio, que se criou na alma do Povo de Timor um «Espírito Português», (com todos os seus defeitos e qualidades) que diferencia totalmente as populações do Timor Português das do Timor Indonésio, e que tem sido sucessivamente posto à prova nas grandes calamidades de que Timor tem sido vítima. Bastará recordar a atitude assumida pelos Timorenses ao restabelecerem por sua iniciativa, a soberania portuguesa, no fim da 2.ª Guerra Mundial, mesmo na ausência das autoridades portuguesas."
(Excerto de Considerações prévias)
Índice:
Considerações prévias | Evolução política | Implicações internacionais: - Timor e a Austrália; - Timor e a Indonésia | Timor e Portugal | Panorama actual | Perspectivas para o futuro | Considerações finais.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

18 agosto, 2023

FEIJÃO, Dr. Méd. Raúl d'Oliveira - ELUCIDÁRIO FITOLÓGICO. Plantas vulgares de Portugal Continental, Insular e Ultramarino (classificação, nomes vernáculos e aplicações). [Por]... Da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, Da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais. Volume I A-H [Volume II I-O e Volume III P-Z]. Artigo de Divulgação N.º 8 [9 e 10]. Lisboa, Editado pelo Instituto Botânico de Lisboa, 1960-1961-1963. 3 vols in-4.º (24x16,5 cm) de [6], 472, [2] p. (I) - 462, [2] P. (II) - 394, [2] P. (III) ; B.
1.ª edição.
Importante repositório botânico - pioneiro - de Portugal Continental, Ilhas e Províncias Ultramarinas.
Obra de fôlego - em três volumes (completo) - com texto impresso a duas colunas, prefaciado por Rui Teles Palhinha, conhecido botânico e professor, natural de Angra do Heroísmo.
Volume I valorizado pela dedicatória autógrafa do autor, na f. ante-rosto, "Ao Colega e grande amigo Dr. Abel Alves".
"A ideia do trabalho que hoje apresentamos a público sob o título Elucidário Fitológico, nasceu das necessidades e dificuldades que o autor encontrou ao procurar os nomes comuns e aplicações correntes das plantas vulgares com nomes vernáculos conhecidos, quer espontâneas, quer subespontâneas ou cultivadas, no Continente, Ilhas Adjacentes e Províncias Ultramarinas, investigação essa destinada a um outro trabalho que o autor projecta executar.
Repositório cuidado e minucioso de tudo quanto pôde chegar ao nosso conhecimento através de muitas horas de persistente labor, está longe (e muito longe mesmo) de poder corresponder à perfeição absoluta, mas, esperamos, marcará como primeiro passo para uma futura e mais completa obra que outros poderão, certamente, realizar em melhores condições que nós o pudemos fazer. [...]
A grafia dos nomes vernáculos respeitantes às diferentes espécies usualmente conhecidas, quer na Província, onde a pronúncia é por vezes alterada ao sabor popular, quer nos diferentes territórios do nosso vasto Portugal, onde tantos idiomas e dialectos se falam, é, por vezes, bastante complicada.
Os sons empregados pelos naturais das nossas Ilhas Adjacentes ou pelos indígenas dos diferentes Continentes se localizam, podem, como muito bem diz Conde de Ficalho na sua bela obra «Plantas Úteis da África Portuguesa», ferir de modo variável os diferentes ouvidos, resultando ser a ortografia recolhida nas várias obras consultadas, a maior parte das vezes forçosamente sónica, e por isso muito flutuante na sua grafia. [...]
Em caso, porém, de qualquer dúvida acerca do modo como se encontre inscrita determinada espécie, deverá sempre o leitor reportar-se ao "Índice dos Nomes Botânicos", que fàcilmente o remeterá à página onde se encontra a planta desejada, etiquetada sob o nome mais vulgarmente usado e seguida dos nomes vernáculos por nós conhecidos, bem como das suas principais propriedades e aplicações."
(Excerto de Explicação prévia)
Exemplares em brochura, bem conservados.
Obra invulgar.
Indisponível

11 setembro, 2022

BOXER, Major C. R. - ANTONIO COELHO GUERREIRO E AS RELAÇÕES ENTRE MACAU E TIMOR NO COMÊÇO DO SÉCULO XVIII
. [Macau], Escola Tipográfica do Orfanato da Imaculada Conceição de Macau, 1940. In-4.º (26 cm) de [4], 49, [1] p. ; [3] f. il. ; [1] planta desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história de duas antigas províncias orientais portuguesas - Macau e Timor - tendo como denominador comum o governador de Timor António Coelho Guerreiro.
Livro ilustrado com 4 folhas separadas do texto: um fac-símile de um manuscrito autógrafo de António Coelho Guerreiro; duas plantas: Planta da fortaleza da praya de Liphao e Planta da praia de Limpao; uma folha desdobrável (25,5x39 cm) - Planta da costa da China nas vizinhanças de Macau.
No final, em Documentos, vem reproduzida correspondência relevante sobre o assunto.
"Em 1702, António Coelho Guerreiro foi o primeiro governador e capitão geral das ilhas de Timor e Solor que logrou ser empossado e desempenhar as suas funções, na sequência de outros esforços que, desde meados do Século XVII, o Estado da Índia vinha desenvolvendo com o intuito de impor a sua autoridade e controlo nesses domínios. Coelho Guerreiro lançou as bases da administração portuguesa que se manteve sedeada em Lifau até 1769, ano em que, sob a continuada pressão de forças rebeladas, o então governador António José Teles de Meneses decidiu transferir a sede do governo para Dili."
(Fonte: https://run.unl.pt/handle/10362/20751?locale=en)
"Quando da sua nomeação para Governador de Timor, apresentou António Coelho Guerreiro um orçamento mostrando a guarnição e oficialidade, operários mecânicos e outros que considerou serem necessários, juntamente com o cômputo dos seus soldos e ordenados anuais. Pedia naquela ocasião uma tropa com onze Capitães, doze Alferes, 4 Ajudantes, 12 Sargentos, 560 soldados e 60 artilheiros afora pagens e tambores; mas só conseguiu levar consigo, de Goa, uma diminuta companhia de 50 soldados rasos que nem todos passaram além de Macau, onde pôde alistar, com grande trabalho seu, mais 32 homens! A tal estado de penúria e míngua de fôrças tinha chegado o outrora tão rico e populoso Estado da Índia.
A viagem de Coelho Guerreiro de Goa até Macau vem bem descrita na sua carta dando conta dela ao Visorei, e que adiante publicamos. Na mesma carta descreve António Coelho Guerreiro os acontecimento ocorridos durante a sua estada em Macau desde fins de Julho de 1701 até Janeiro de 1702. Descreve como negociou dous barcos para a viagem de Timor (porque a fragata Nª. Sra. das Neves em que passou àquela cidade teve que voltar a Goa), e como preparou munições e mantimentos, mandando fazer arcabuzes, enxadas, machados, marrões, cunhas, serras e "todo o mais aviamento para o oficio de carpinteiros", e almofarizes para limpar salitre e enxofre e fazer pólvora; não se esquecendo também de arranjar 200 picos de arroz "para levar consigo por não entrar logo naquelas ilhas pedindo esmola em tempo que se achão faltas desse mantimento"."
(Excerto do estudo)
Charles Ralph Boxer (Sandown, ilha de Wight, 1904 - St. Albans, Hertfordshire, 2000). "Foi um historiador britânico, notável conhecedor da história colonial portuguesa e holandesa.
Filho do coronel Hugh Boxer e de sua esposa Jane Patterson, Charles Boxer foi educado no Wellington College e no Royal Military College, em Sandhurst. Tenente no Regimento do Lincolnshire em 1923, serviu naquele regimento durante 24 anos, até 1947. Foi destacado para a Irlanda do Norte e, de 1930 a 1933, tradutor no Japão alocado ao Regimento de Infantaria n.º 38, com base em Nara. Em 1933, formou-se como intérprete oficial da língua japonesa. Enviado para Hong Kong em 1936, serviu como oficial nas tropas britânicas na China em Hong Kong, em serviços de inteligência. Em 1940, foi promovido. Ferido em ação durante o ataque japonês a Hong Kong em 8 de dezembro de 1941, foi levado pelos japoneses como prisioneiro de guerra e mantido no cativeiro até 1945. Solto, voltou ao Japão como membro da Comissão Britânica no Extremo Oriente em 1946-1947. Durante sua carreira militar, publicou cerca de 86 livros e opúsculos sobre a história do Oriente, sobretudo dos séculos XVI e XVII.
Como major no Exército, aposentou-se em 1947, quando o King's College, em Londres, lhe ofereceu sua Cadeira Camões de Português, cargo que deteve por vinte anos até 1967. Em tal período, a Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres o nomeou seu primeiro Professor de História do Extremo Oriente, servindo no cargo por dois anos, de 1951 a 1953.
Aposentando-se em 1967 da Universidade de Londres, Boxer aceitou o posto de professor visitante na Universidade de Indiana, onde serviu ainda como conselheiro para a Biblioteca Lilly, ou Lilly Library, em seu campus em Bloomington, Indiana. De 1969 a 1972, teve uma cadeira de história da Expansão Europeia no Ultramar na Universidade de Yale."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequenas falhas de papel marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

21 maio, 2021

GOUVEIA, Jorge Bacelar - TIMOR-LESTE : Resoluções das Nações Unidas
. Lisboa, Associação Académica Faculdade de Direito de Lisboa, 1992. In-8.º (22 cm) de [2], 80, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história de Timor-Leste, publicado pouco tempo após o massacre do cemitério de Santa Cruz, em Dili, pelo exército indonésio, que viria a recolocar o caso de Timor na agenda internacional.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. Freitas do Amaral.
"O Povo e o Território de Timor-Leste têm sido ultimamente alvo de crescente interesse por parte da opinião pública nacional e internacional. As iniciativas já levadas a cabo vêm traduzindo as suas diferentes espécies de preocupações.Mas infelizmente o tratamento jurídico da questão é ainda muito superficial.
É no espírito de contribuir para essa análise jurídica que o programa da disciplina de Direito Internacional Público - I da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa , sob a coordenação e regência, respectivamente, dos Professores Doutores Jorge Miranda e Sérvulo Correia, lhe dedica alguma atenção.
A presente colectânea corresponde precisamente à intenção de fornecer aos estudantes os textos das resoluções da Organização das Nações Unidas pertinentes. A primeira parte contém as de carácter geral, que estabelecem o quadro de descolonização do pós-guerra. A segunda parte abarca as que são privativas de Timor-Leste."
(Nota prévia)
Jorge Cláudio de Bacelar Gouveia (Lisboa, 1966) é um jurista português (professor catedrático de Direito, advogado, jurisconsulto e árbitro).
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

25 outubro, 2020

IN MEMORIAM a Artur do Canto Resende, Engenheiro Geógrafo. (Herói e Mártir de Pátria em Timor) : 1897-1945.
Condecorado com a "Torre e Espada" a título póstumo
. [Lisboa], Publicações do Sindicato Nacional dos Engenheiros Geógrafos, 1956. In-4.º (26 cm) de 149, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a Artur do Canto Resende, prisioneiro das forças de ocupação japonesas em Timor, viria a falecer num campo de detenção, em 1945, vítima da fome, doença e maus tratos. Inclui o testemunho de diversas personalidades, incluindo aqueles que com ele privaram e acompanharam no doloroso cativeiro.
Livro ilustrado com inúmeras fotografias a p.b. e um mapa - carta geográfica - de Timor, a duas cores, em página inteira.
Exemplar n.º 130 de uma tiragem não declarada.
"Pelos exemplos de rara nobreza de que havia dado sobejas provas, jogando, vezes sem conta, a vida em defesa dos seus compatriotas, o Eng. Artur do Canto, ao solicitar a exoneração do lugar que havia desempenhado a contento unânime da população de Timor (é prova irrefutável desta asserção o apelo que os portugueses fizeram ao Governador, Sr. Cap. Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho, insistindo para que ele continuasse desempenhando o mesmo cargo), leva-nos a crer que factos ponderosos deviam brigar com a sua dignidade para tomar esta fatídica decisão que o desapossou de um lugar oficial na vida administrativa da Província e cujos reflexos depressa se fizeram sentir nas represálias, cujas circunstâncias propícias o seu denodado patriotismo criara na polícia das forças ocupantes.
Ele, que nunca pesou as consequências das suas atitudes desassombradas que assumia em perfeito holocausto à Pátria e para salvar da morte certa muitos portugueses, aliviando os sofrimentos morais e materiais de uma população subjugada e martirizada, não teve, no momento crucial da sua partida para o cativeiro, e depois ali, quem o livrasse da vingança ardilosa que havia fatalmente de o conduzir à morte pelas severas privações que lhe foram impostas.
Foi-se desta vida, envolvido em miseráveis farrapos, tendo por catre meia porta, sobre caixotes. Era o seu leito no cativeiro. As últimas palavras,ainda em perfeita consciência, proferiu-as ele três dias antes de morrer para um dos seus companheiros de cativeiro: «... vou tranquilo; não levo a mais pequena mancha que possa conspurcar a minha consciência»."
(Excerto do preâmbulo)
Artur do Canto Resende (Vila Franca do Campo, Açores, 7 de Agosto de 1897 - Kalabahi, Alor, 23 de Fevereiro de 1945) foi um engenheiro geográfico, trabalhador do Instituto Geográfico e Cadastral, que se notabilizou pela sua acção durante a ocupação japonesa de Timor. Foi condecorado, a título póstumo, com o grau de oficial da Ordem da Torre e Espada.
Em 1937, já com uma década de experiência em trabalhos de levantamento cartográfico, foi nomeado adjunto da recém-criada Missão Geográfica de Timor do Instituto Geográfico e Cadastral, tendo, após um período de preparação, chegado a Díli em Agosto de 1938, a bordo do paquete Colonial.
Estava em serviço em Timor Português quando em 1939 se desencadeou a Segunda Guerra Mundial na Europa, a que se seguiu em 1941 o ataque aéreo do Japão a Pearl Harbour e o desencadear a Guerra do Pacífico. Por razões estratégicas, os governos da Austrália e dos Países Baixos, esta última ao tempo a Potência administrante do território da actual Indonésia, uniram-se na ocupação de Timor Português por forças australianas e neerlandesas. Seguiu-se a Batalha de Timor e a ocupação da ilha pelas forças japonesas em Fevereiro de 1942. Artur do Canto Resende foi um dos poucos técnicos superiores da administração portuguesa que permaneceu no território.
Após a ocupação de Díli pelos japoneses desenvolveu-se uma difícil convivência entre as autoridades coloniais portuguesas e as forças de ocupação japonesas, com o Governador português de Timor, o capitão de Infantaria Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho, com residência fixa no Palácio de Lahane e a sua acção fortemente condicionada pelo comandante das forças de ocupação japonesas, o tenente-general Yuichi Tsuchihashi, e pelo cônsul-geral japonês Masaki Yodogawa, figura a quem estava, de facto, confiada a administração civil do território. Embora as autoridades portuguesas fossem superficialmente toleradas, os japoneses governariam Timor de Fevereiro de 1942 até Setembro de 1945.
Foi nesse difícil e perigoso contexto, já que as prisões, os fuzilamentos e massacres se sucediam numa permanente guerra de guerrilha um pouco por todo o território, que Artur do Canto Resende se ofereceu voluntariamente, para exercer as funções de administrador do Concelho de Díli, cargo equivalente ao de Presidente da Câmara Municipal respectiva, em substituição de Lourenço de Oliveira Aguilar, que se encontrava doente e não era tolerado pelas autoridades de ocupação japonesa.
Aceite a nomeação pelo governador, passou a desenvolver uma notável missão de ajuda e socorro à população local e aos residentes portugueses, distribuindo comida e roupa e apelando para a libertação de prisioneiros em mãos japonesas. Simultaneamente a violência alastrava pela ilha, num crescendo de vandalismo e selvajaria, a que se seguiam prisões em massa, massacres e fuzilamentos. Foi num cenário de permanente desconfiança e de odiosa perseguição aos ocidentais presentes no território e de opressão pela força das populações locais, que foi obrigado a desenvolver a sua acção.
Apesar de repetidos bombardeamentos dos Aliados, entre ataques de guerrilhas e duras retaliações das forças japonesas contra os insurgentes timorenses, Artur do Canto Resende exerceu uma notável missão de ajuda e socorro, incutindo coragem com o seu exemplo, acudindo sempre que podia em situações de perigo.
As pressões das autoridades de ocupação nipónicas, que o acusavam de parcialidade em favor da resistência, levaram a que fosse exonerado do cargo de administrador de Dili a 9 de Março de 1944. Sem gozar da protecção, ainda que pequena, que era concedida às autoridades portuguesas na ilha, em 10 de julho daquele ano foi preso pelas forças militares japonesas e deportado para um campo de prisioneiros de guerra na vizinha ilha de Alor.
Faleceu a 23 de Fevereiro de 1945 em resultado dos maus tratos infligidos pela polícia militar japonesa, da mal-nutrição e da falta de cuidados médicos no campo de prisioneiros de guerra de Kalabahi, na ilha de Alor, então uma possessão colonial neerlandesa sob ocupação japonesa, hoje parte da Indonésia. Ficou sepultado naquela ilha."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

14 março, 2019

DORES, Raphael das - DICCIONARIO TETO-PORTUGUÊS. Pelo S. S. G. L. ... [Prefácio de A. R. Gonçalves Vianna]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1907. In-8.º (22cm) de IX, [3], 247, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Trabalho pioneiro sobre o tétum, principal "língua nacional" de Timor-Leste, com origem malaio-polinésia e considerável influência da língua portuguesa, com a qual partilha actualmente o estatuto de "língua oficial".
"E evidente a conveniencia, direi mais, a absoluta necessidade que se manifesta de habilitar os funccionarios publicos e outras pessoas que teem de conviver com os indigenas das nossas colonias, a estarem nas circumstancias de, pelo menos praticamente, conhecer algum ou alguns dos idiomas vernaculos dêsses povos. [...]
Um dêsses idiomas que tem sido, e sempre foi, descurado pelos nossos, é a grande familia de linguas malaio-polynesias, a respeito da qual a principal literatura didactica é de origem hollandesa, actualmente.
Em possessão nossa, Timor,  falam-se varios dialectos pertencentes a essa familia, e entre elles é, ao que parece, o mais geral o teto, ou tétum como lhe chama o padre Sebastião Apparicio da Silva no seu Diccionario português-tétum.
Publica o Sr. Raphael das Dores agora o Diccionario teto-português, complemento daquelle, acompanhado de algumas notas gramaticaes, se bem que succintas, sufficientes para a comprehensão da estructura phonetica e morphologia do tétum, simplicissima como as de todas as linguas desta familia.
Emprega o autor transcrição portuguesa para a escrita dêste dialecto analphabetico, e faz bem; assim houvessem sempre feito os que expõem em português doutrinas relativas a possessões nossas."
(Excerto do Prefácio)
"A ilha de Timor, a ultima da sequencia de ilhas que limita o estreito de Malaca, pertence ao archipelago da Sonda, e nella existe uma colonia portuguesa que resta do imperio que os nossos heroes do fim do seculo XV e principio do XVI descobriram.. Ahi se falam varias linguagens, a que os portugueses que por lá teem passaram deram o nome de dialectos, e das quaes a maior parte tem um campo de expansão muito restricto.
A mais geral, falada ou entendida em quasi toda a ilha, e que me parece talhada para vir a ser a lingua unica do país, alem da portuguesa, se os dirigentes a isso de propuserem, é a denominada teto, não só por ser mais conhecida, mas principalmente por conter muitissimas palavras das que entram em cada uma das outras.
É, pois, d'essa linguagem ou dialecto que vou tratar, começando por chamar-lhe lingua, resolução que submetto á conspicua apreciação dos mestres em philologia.
Reduzir á escrita uma lingua ou dialecto que tem apenas existencia oral, é trabalho de grande folego, para que não me julgo completamente habilitado. Não obstante esse convencimento, proponho-me a coordenar todos os apontamentos que tomei em Timor, a respeito da lingua que ali se fala, denominada teto."
(Excerto de Diccionario de teto, Preliminares)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Folha de rosto apresenta defeitos: rasgão sem perda de papel; mancha de humidade à cabeça; selo e carimbos oleográficos de biblioteca (2). Selo na lombada.
Invulgar.
Indisponível

18 dezembro, 2016

CARLOS, Rui Palma - EU FUI AO FIM DE PORTUGAL. Queluz, Literal, [197-]. In-8.º (20,5cm) de 336, [4] p. ; [1] f. il. ; [8] p. il. ; B.
1.ª edição.
Capa do autor.
Importante subsídio para a história da retirada e descolonização de Timor.
Ilustrado em extratexto com fotografias a p.b. e uma folha intercalada entre o rosto e o anterrosto reproduzindo a capa.
"O pequeno bimotor levantou voo. Finalmente começava a tão almejada viajem de regresso!
A aurora despontava no horizonte, espalhando o seu fulgor pelo céu e pela terra. As montanhas recortavam as suas silhuetas altivas no fundo rutilante, esplendoroso.
Dentro do pequeno aparelho apenas se ouvia o barulho da maquinaria. Emocionados, silenciosos, os meus companheiros reprimiam a necessidade de fumar que a tensão nervosa agudizava. Encolhido no canto posterior, reclinando a cabeça na vigia, eu olhava aqueles homens encanecidos pela provação que todos vivêramos durante quase um ano. Assim vistos de costas, representavam, ainda mais, algo que de facto as virava para aquela região: Portugal.
Eram os derradeiros militares portugueses a deixar a terra mais portuguesa do Império. Vivíamos o melancólico desenlace de um sonho que fora belo, que fora glorioso, e que para nós se tornara em drama, em pesadelo."
(excerto do Cap. I)
Rui Palma Carlos (?-1988). "Natural de Lisboa, formado em arquitectura. Pintor, ilustrador e poeta. Foi como alferes miliciano até Timor e aí se viu envolvido nos tristíssimos acontecimentos que se seguiram à retirada das autoridades portuguesas.
Escreveu, no duro presídio que lhe foi imposto, o seu testemunho pessoal do que lhe foi dado a observar."
(apresentação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

11 outubro, 2016

MELO, Henrique de Sousa e - O CAMINHO DOS HERÓIS : romance. [S.l.], Edição do Autor, 1950. In-8.º (19cm) de 179, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Romance histórico sobre a invasão de Timor pelas forças japonesas, em 1942, no contexto da 2.ª Guerra Mundial, e a resistência que lhes foi movida por um punhado de portugueses e timorenses.
"Dedico este livro aos heróis desconhecidos de Portugal, àqueles que sentindo brotar do peito a chama sagrada do patriotismo, souberam, sem esperança de qualquer recompensa, dignificar a terra que lhe deu a luz." (dedicatória do autor)
"Raimundo apertou a fivela do capacete e camuflou-se com ramos verdes. Escondia-se, absolutamente invisível, no cimo de uma grande árvore. Ajustou o binóculo aos olhos ansiosos e espreitou num rodar de lentes.
A quinze quilómetros avistava Dili ainda perdida nas últimas névoas daquele dia 22 de Fevereiro. Tudo parecia calmo. Na baía pôde distinguir alguns barcos de guerra nipónicos.
Na noite anterior o rádio anunciara, de Camberra, que não recebiam informações algumas de Timor o que levava a crer que todas as comunicações jaziam cortadas. Timor capitulara! Só da parte holandesa de Timor viera alguma coisa de favorável: para-quedistas japoneses haviam sido aniquilados ao descer nos arredores de Koepang e uma parte das forças desembarcadas fora feita prisioneira. Porém não se esperava que os holandeses resistissem mais de três ou quatro dias."
(excerto do Cap. II)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas apresentam manchas de oxidação.
Invulgar.
Indisponível