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22 agosto, 2026

FORNELLOS, Alvaro Maria e -
MEMORIA HISTORICO-ECONOMICA DO CONCELHO DE MESÃO FRIO.
Dissertação para a cadeira de Economia Politica. Do alumno n.º 76... Coimbra, Imprensa da Universidade, 1886. In-4.º (24x15 cm) de 135, [1] p. ; [3] estampas ; E.
1.ª edição.
Importante trabalho académico sobre o Mesão Frio, vila e concelho localizado no Distrito de Vila Real.
Rara monografia, com interesse histórico e regional. A BNP não menciona.
Ilustrada com quadros e tabelas no texto, e três estampas em separado: Sete sepulturas; Custodia da egreja de S. Nicolau; Fachada da egreja de S.ta Christina e casa da Ordem Terceira.
"Este concelho é sito na provincia de Traz-os-Montes, pertence á comarca do Peso da Regoa e ao bispado de Lamego, formando circulo eleitoral com o concelho da Regoa. A sua area é - 5:110 hectares. Tem por séde ou capital a villa de Mesão-Frio, que dista - 13 k. da villa do Peso da Regoa, 25 de Amarante, 80 do Porto e 355 de Lisboa; está situada no planalto da serra do Marão, que fica imminente ao rio Douro, na margem direita.
O terreno do concelho de Mesão-Frio é bastante fertil, produz especialmente vinho, azeite, laranja, castanha e cereaes; tem esplendidas aguas nativas e outras que lhe descem da referida serra do Marão, o seu clima é notavelmente saudavel."
(Excerto de I - Origem historica do concelho)
Thema proposto para a dissertação - cadeira de Economia Politica:
I - Origem historica do concelho. II - Distribuição da propriedade antes e depois do regimen liberal. III -Distribuição da população antes e depois do regimen liberal; imigração e emigração - se as houve e ha, suas causas e effeitos. IV - Industria antes e depois do regimen liberal - seu progresso, decadencia e causas. V - Misericordias - sua historia e disposições principaes do seu compromisso, capitaes que possuem e modo por que os empregam. VI - Confrarias - sua fundação, estatutos, capitaes que possuem e modo por que os empregam. VII -Sociedades de instrucção e beneficiencia. VIII - Bancos e sociedades cooperativas.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a outo na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

03 agosto, 2026

NETTO, Antonio Lino -
A QUESTÃO AGRARIA.
Por... Licenciado em direito, secretario geral do governo civil de Portalegre e socio effectivo do Instituto de Coimbra. Estudos de Renascença Nacional I. Porto, Typ. a Vapor da Emprêsa Litteraria e Typographica, 1908. In-8.º (18,5x12 cm) de 349, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Importante ensaio agrário, político, económico e sociológico, publicado pouco tempo após o regicídio, quando o país vivia tempos conturbados, de instabilidade e incerteza, marcado por uma profunda crise política, económica e social.
Trabalho académico, pioneiro. Nas palavras do autor, trata-se de um "assumpto profundamente patriotico e momentoso, bastante complexo, sem duvida; mas, por isso mesmo, susceptivel de revelar a capacidade trabalhadora e as poucas ou muitas luzes intellectuaes de quem tome a peito o seu estudo".
"Ha em Portugal, como em outros paizes, uma profunda questão social caracterisadamente agraria, isto é, uma questão que está implicando com a organisação juridica sobre a propriedade rustica, sobre a forma de distribuição dos diversos productos, e sobre a representação do valor d'estes em competencia com o dos productos de outra natureza."
(Excerto de Introducção - I. O que é a questão agraria)
"A theoria do valor, - annota sensatamente o sr. dr. Marnoco e Sousa -, embora preocupe os economistas ha mais de um seculo, não se póde considerar ainda constiuida; é bem o dragão que, no dizer figurativo do economista Costa- Rossetti, está guardando a entrada da sciencia economica. Ahi se encontra a principal razão da desordem que domina nos nossos tempos o mundo economico. É, pois, na theoria do valor que teem de concentrar-se os principaes cuidados e attenções dos economistas; de outra formas os estudos da sciencia economica redundarão em estirilidade e serão como pedras n'um edificio sem alicerces. Vamos tambem, para a logica das nossas considerações, referir-nos a essa theoria, e ver como ella, por mal formulada, tem affectado, provocando-a, a questão agraria."
(Excerto de I - A verdadeira theoria do valor)
António Correia Lino Leitão Neto (1873-1961). "Nasceu em Mação a 30 de janeiro de 1873 e faleceu em Lisboa a 16 de novembro de 1961. Formou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde terminou, em 1899, a Licenciatura em Direito. Foi professor universitário, tendo ensinado no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, no Instituto Superior de Comércio de Lisboa (depois, Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, integrado na Universidade Técnica de Lisboa) e na Escola Politécnica (futuro Instituto Superior Técnico). Dirigiu o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e foi vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa. Exerceu advocacia e exerceu diversos cargos públicos e políticos, entre os quais o de Câmara Municipal de Lisboa e deputado.
Foi membro da Sociedade de Estudos Pedagógicos e da Sociedade de Geografia de Lisboa. Católico militante, esteve ligado ao Centro Católico Português, que presidiu.
Foi condecorado pela Santa Sé com a grã-cruz da Ordem de São Gregório Magno.
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente estrangeiro da classe de Letras a 10 de março de 1938."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/21232)
Encadernação simples meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

10 julho, 2026

ARRIAGA, Manuel d' -
RENOVAÇÕES HISTORICAS.
Primeira Parte: Necessidade da intervenção das Sciencias Naturaes na Historia Universal dos Povos para assental-a em bases positivas e dar-lhe um caracter verdadeiramente scientifico. Dissertação de... Para o concurso da cadeira de Historia Universal e Pratica no Curso Superior de Letras. Lisboa,  273 - Imprensa - Rua da Rosa - 275, 1878. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho académico de Manuel de Arriaga, que, não obstante a sua evidente qualidade, seria desvalorizado pelos decisores do concurso.
Renovações Históricas (1878), é um ensaio filosófico e científico de Manuel de Arriaga, figura incontornável do republicanismo e primeiro Presidente de Portugal. A obra defende a aplicação dos métodos e princípios das ciências naturais à História Universal, perspectivando a evolução social e cultural com base no evolucionismo. O livro reflete a profunda influência do positivismo e das teses darwinistas na intelectualidade portuguesa do final do século XIX. Arriaga argumenta que a evolução humana não é apenas biológica, mas também social, e que a historiografia necessita de uma base científica sólida para compreender o progresso da humanidade e a sua emancipação das amarras dogmáticas. (IA)
Obra rara e muito interessante.
"Um dos traços caracteristicos do seculo que vae findar está manifestamente na decadencia progressiva em que vão os estudos empyricos do passado, baseados na auctoridade e na fé, e a rapida evolução com que se elevam em sentido contrario as sciencias naturaes, baseadas na observação e na analyse.
Desde o meiado do seculo XVIII podemos dizer que as attenções dos grandes pensadores tem-se voltado, quasi exclusivamente, para a contemplação e estudo do mundo exterior, com grave detrimento, é forçoso confessal-o, do nosso mundo interior."
(Excerto do Cap. I)
Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue (Horta, Matriz, 1840 - Lisboa, 1917). "Ilustre advogado, professor, escritor e político português. Orador de excelência e membro destacado da geração doutrinária do republicanismo português, foi dirigente e um dos principais ideólogos do Partido Republicano Português. A 24 de agosto de 1911 tornou-se no primeiro presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório presidido por Teófilo Braga. Exerceu aquelas funções até 29 de maio de 1915, data em que foi obrigado a demitir-se, sendo substituído no cargo pelo mesmo Teófilo Braga, que como substituto completou o tempo restante do mandato.
Formou-se no ano de 1865 e no ano seguinte abriu um escritório de advogado em Lisboa, cidade onde se fixou. Tentou então ingressar na docência do ensino superior e nesse ano de 1866 concorreu, sem êxito, a um lugar de professor da 10.ª cadeira da Escola Politécnica de Lisboa. Não tendo conseguido ingressar na docência, rapidamente se notabilizou como advogado, ganhando uma carteira de clientes que lhe permitia segurança financeira e os meios para ajudar o irmão a terminar os seus estudos.
Também se revelou, desde os seus tempos de Coimbra, cultor da poesia e da literatura, tendo mantido até ao fim da sua vida uma actividade literária e interesses culturais que o integram claramente na Geração de 70.
Em 1878 concorreu para o lugar de professor de História Universal e Pátria do Curso Superior de Letras, mas voltou a ser preterido, apesar do brilhantismo da dissertação que apresentou a concurso. Apesar de ser considerado um gentleman e de vestir à melhor moda da aristocracia do tempo, a sua fama de revolucionário não deixou certamente de influir sobre o júri."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta mancha e pequena falha de papel no canto superior direito. Interior correcto.
Raro.
Peça de colecção.
45€

07 julho, 2026

DUARTE, Luís Miguel -
JUSTIÇA E CRIMINALIDADE NO PORTUGAL MEDIEVO (1459-1481).
Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas. [Lisboa], Fundação Calouste Gulbenkian : Fundação para a Ciência e a Tecnologia, 1999. In-4.º (24x20,5 cm) de 750, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de fôlego, volumosa, sobre a criminalidade em Portugal no século XV. Trata-se da dissertação de doutoramento em História da Idade Média defendida pelo autor - em provas públicas - na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Estudo interessante e muito curioso, ilustrado no texto com reprodução de um desenho de Hans von Gersdorff.
"Justiça e criminalidade no Portugal Medievo"... Quanta ambição! É certo que o lapso cronológico indicado entre parêntesis reduz numa penada esse "Portugal Medievo" a pouco mais de duas décadas. Mesmo assim, a tentação foi grande de, para não alimentar expectativas infundadas, alongar o título com as tradicionais manifestações de prudência: contributos, achegas, notas, subsídios para o estudo... Talvez ganhasse em precisão o que perdia na desejada elegância de estilo. Afinal, o título ficou como está: porque as páginas que se seguem falam da justiça no tempo de D. Afonso V - sobretudo a justiça do rei, surpreendida através de documentos muito específicos, que lhe evelam algumas faces, escondendo outras, como acontece com todas as fontes históricas e todos os temas; e do crime - de uma parte, possivelmente muito pequena, daquilo que a Igreja e a Coroa, os concelhos e o povo, no tempo, consideravam ser crime. Falam com cuidado, tacteando o caminho, advertindo para as constantes dúvidas, assinalando omissões e lacunas, tentando dissipar ilusões; mas falam de crime e de castigo no tempo d'"O Africano.".
Julguei apropriado seguir uma determinada economia de exposição: começo por apresentar as fontes específicas desta dissertação, analisando-as aprofundadamente. Passo em seguida à figura do rei, na sua dimensão justiceira, que lhe permite e lhe exige castigar os maus súbditos e perdoas os bons, e às fontes de direito ao alcance dos julgadores do tempo."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

14 maio, 2026

NOGUEIRA, Braz -
ESTUDO SOBRE O SEGREDO MÉDICO. Trabalho feito no Instituto de Medicina Legal de Lisboa a apresentado como dissertação inaugural á Faculdade de Medicina de Lisboa. Lisboa, Tipografia Tejo : Barros & Mourão, 1916. In-4.º (23x17 cm) de 148 p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho académico sobre o sigilo profissional em medicina. Trata-se de um ensaio pioneiro desenvolvido no Instituto de Medicina Legal de Lisboa, dedicado aos aspectos deontológicos e jurídicos do sigilo profissional, questão momentosa no seio da classe médica na época, alvo de preocupação dos profissionais do sector. Representa uma análise sobre a ética médica em Portugal, abordando o dever de confidencialidade dos médicos.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor datada de 15-5-916.
"Uma das mais interessantes e delicadas questões de deontologia é incontestavelmente a matéria do segredo profissional, que directa e imediatamente diz respeito aos médicos, aos advogados e aos eclesiásticos. Na verdade as outras profissões têm no caso um interesse mais secundário visto que o médico, o advogado e o padre estão em intimo contacto com os males que affligem a humanidade.. O primeiro provê de remédio as imperfeições e irregularidades do nosso organismo, o segundo é ouvido em todos os casos provenientes da violação do direito e o terceiro é o confidente espiritual das dôres.
E assim, por causa do livre e amplo exeercicio destas três profissões, é que principalmente se tem discutido se o principio do dever profissional se deve manter ou eliminar.
Os deveres impostos aos médicos pelo código do trabalho,as leis sobre a higiene, a assistencia e beneficiencia públicas,as mutualidades etc. transformaram o exercicio da nossa profissão. Tudo isto portanto trouxe aos médicos deveres novos. A nossa profissão está, a cada passo, sofrendo remodelações.
Uma outra causa e das mais preponderantes nessa modificação é a concorrencia. O médico de hoje é inteiramente diferente do médico de hontem... e depois actualmente a vida privada modificou-se; tudo se conta, toda a gente discute, tudo se publica.
Hoje ao lado do cliente que propala que os seus têm sido vitimas do médico, encontram-se sempre outras pessoas que excitam o sentimento de protesto sem procurar a razão, que auxiliam a mal-crença sem avaliar os prejuizos. O presumido erro clinico não é referido apenas no seio da familia ou entre os amigos; espalha-se na sociedade, chega a publicar-se na imprensa.
E quem tem a culpa de um facto destes?
Quem é, principalmente, o culpado do descrédito?
Diriamos como diz o professor Brouardel:
Le le dis sans réserve c'est le corps médical lui même.
E infelizmente assim é.
Quantos! quantos não têm ouvido em plena rua,  ás portas dos cafés, nas reúniões, em jantares e até nos hospitaes, os próprios médicos avaliando a moralidade, a habilidade dos colegas no meio de gargalhadas e de frases pouco lisonjeiras para a seriedade da profissão."
(Excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo manchadas, com pequenos pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

26 abril, 2026

GIL, Manuel Figueiredo dos Santos - COMMERCIO DE LIVROS : dissertação bibliologica.
Por... Alumno da cadeira de bibliologia da Bibliotheca Nacional de Lisboa
. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1909. In-8.º (22 cm) de 32 p. ; B.
1.ª edição.
Dissertação académica versando o Comércio de Livros, obra muito curiosa, com indubitável interesse histórico, bibliófilo e de merecimento universitário.
"Sem pretender attribuir-me meritos indevidos, poisque o leitor aquilatará do valor real principalmente pelo trabalho produzido e não pelas fadigas de preparação, devo, comtudo, prevenir desde já que a presente dissertação foi composta, como não podia deixar de ser á vista de auctoridades irrecusaveis no assumpto. Este não é materia de phantazia ou imaginação, que qualquer curioso architecte á sua banca de trabalho segregado dos respectivos documentos comprovantes.
A parte especial e fundamental do meu trabalho - commercio de livros - não se acha expendida ex professo em auctor nenhum; porquanto um tratadista occupa-se do commercio de livros de certa especialidade; outro só d'uma epocha, v. g. livros antigos (P. L. Jacob); este só de livros preciosos e raros ou rarissimos e até unicos (Philomneste Junior); aquelle allude incidentalmente ao preço duma ou outra especie bibliographica (A. Cim)."
(Excerto do preâmbulo - Razão de ordem)
Índice:
Preâmbulo - Razão de ordem | I. - O commercio e a solidariedade internacional. II. - O commercio de livros através a Historia. III. - O commercio de livros e a cultura intellectual.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo oxidadas, com pequenos cortes marginais.
Raro.
Com significado histórico e bibliográfico.
35€

14 março, 2026

MOSER, Isabel Pestana -
ECUMENISMO E IRENISMO NO PENSAMENTO DE DAMIÃO DE GÓIS
. Lisboa, Ediual, 2006. In-4.º (23,5x17 cm) de 402, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de fôlego. Importante subsídio biográfico sobre Damião de Góis - o homem, o humanista, o seu pensamento.
Ilustrada em página inteira com retratos do biografado, a cores e p.b. (3), e outros filósofos coevos: Erasmo; Lutero; Melanchthon.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"Damião de Goes, sem dúvida o português mais erasmista e em especial irenista, pelo seus diálogos com os humanistas católicos e protestantes já em plena Reforma mas abertos à paz, pela sua defesa dos Lapões serem ensinados e não forçados a converterem-se, e pela valorização do cristianismo etíope dos Prestes João e de uma religião de coração e não de ritos, preceitos, intermediários e superstições."
(Fonte: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2020/01/humanismo-e-irenismo-no-renascimento-e.html?m=1)
"O trabalho que hoje apresento vem na sequência das investigações que, desde há muito, tenho efectuado sobre a vida e a obra de Damião de Góis, o mais europeu dos humanistas portugueses, particularmente no que respeita à prática e conceito do Irenismo e Ecumenismo de que deu exemplo constante ao longo da sua vida, e da larga repercussão que a figura ainda representa nos dias de hoje..."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Apresentação | Agradecimentos | Introdução | I - A Vida de Damião de Góis e a Crítica Moderna. II - Humanismo, Movimento de Diáspora. III - Damião de Góis e a História: Atitudes e Critérios. IV - Damião de Góis e o Irenismo. V - Damião de Góis e o Ecumenismo. O Processo na Inquisição. Estudo Crítico. | Conclusão | Bibliografia | Índice Remissivo.
Damião de Góis (Alenquer, 1502-1574). "Historiador e humanista, epistológrafo, viajante, diplomata e alto funcionário régio, foi figura ímpar e uma das personalidades mais relevantes do Renascimento em Portugal. De cultura enciclopédica e dotado de um dos espíritos mais abertos e críticos da sua época, pode ser considerado como um verdadeiro traço de união entre Portugal e a Europa culta do século XVI. Foi hóspede de Erasmo de Roterdão e privou com humanistas como Glareanus, Veit Amerbach, Albrecht Dürer, Sebastian Münster, os cardeais Pietro Bembo e Jacopo Sadoleto e o historiador e geógrafo Giovàn Battista Ramùsio. Conheceu Inácio de Loyola. Frequentou a Universidade de Pádua, entre 1534 e 1539, e completou a sua formação no Colégio Trilingue da Universidade de Lovaina.
Em 1545 a convite do rei D. João III, mudou-se para Portugal com a família, ao tempo a mulher e três filhos, para ser mestre do príncipe D. João. Contudo, apesar de ter regressado aureolado de prestígio pelas amizades que contraíra na Europa e da evidente protecção régia, ainda assim foram-lhe movidos dois processos no Tribunal do Santo Ofício, o primeiro dos quais, logo em 1545, ao ser acusado de heterodoxia e denunciado à Inquisição pelo seu antigo companheiro de estudos, o padre Simão Rodrigues, ao tempo o preceptor do príncipe herdeiro D. João e pouco depois nomeado por Inácio de Loyola como primeiro provincial da Província Portuguesa."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

26 fevereiro, 2026

MOISÉS, Massaud -
A NOVELA DE CAVALARIA NO QUINHENTISMO PORTUGUÊS.
O Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda de Jorge Ferreira de Vasconcelos. Universidade de São Paulo : Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras - Boletim n.º 218 : Literatura Portuguêsa n.º 13. São Paulo - Brasil, [s.n.], 1957. In-4.º (24x17 cm) de 126, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho académico sobre o Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda de Jorge Ferreira de Vasconcelos, exemplo maior do Romance de Cavalaria lusitano de quinhentos, obra moral e política oferecida ao futuro rei D. Sebastião, impressa pela primeira vez em Coimbra, na oficina de João de Barreyra (1567).
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O trabalho que se vai ler, é uma tentativa de exame parcial da matéria cavaleiresca portuguêsa. [...]
Não obstante acreditar que qualquer obra de criação ou de interpretação fala por si própria, parece-nos natural referir algumas da idéias que nortearam o nosso espírito no estudo da Cavalaria portuguêsa.
A novela que estudamos, coloca imediatamente em pauta a questão do conceito de Idade Média e Renascença. Para nós, que procuramos raciocinar em têrmos de realidade portuguêsa, o século XVI apresenta duas linhas culturais evidentes: a medieval e a renascentista. Por outras palavras: no século XVI português, que denominamos Quinhentismo, convergem valores medievais e valores contemporâneos, renascentistas, pois a Idade Média não se interrompo sùbitamente para dar início aos tempos modernos, mas perdura, evoluindo, através de tôda a Renascença.
Dentro dêsse prisma, procuramos estudar a novela de cavalaria portuguêsa, especialmente o Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda, de Jorge Ferreira de Vasconcelos. Verifica-se que a novela de cavalaria, gênero medieval no seu conteúdo, permanecendo no século XVI, revela justamente aquêle caráter bifrontal apontado.
Doutro lado, assente que a Idade Média portuguêsa não possui novelas nativas, mas apenas traduções (ressalvemos o caso ainda discutível do Amadis), o século XVI é a grande época da cavalaria lusitana, pela nacionalização do gênero e pelo número de espécies aparecidas."
(Excerto da Introdução)
Jorge Ferreira De Vasconcelos (15--/1585). "Nasceu na segunda ou terceira década do século XVI, não se conhecendo, contudo, uma data precisa. Seu pai, António Dias Pereira, era natural de Coimbra. É referido que foi criado do duque de Aveiro, D. João de Lencastre, e são-lhe atribuídos os títulos de doutor jurista e de cavaleiro da Ordem de Cristo. Exerceu os ofícios e cargos de moço de câmara do Infante D. Duarte (1540), moço de câmara de D. João III, escrivão do tesouro da casa real (1553–1563), Tesoureiro do Tesouro Real (1563–1575) e Tesoureiro do Armazém da Guiné e Índia (1580–1583). Em 1550, Jorge Ferreira de Vasconcelos encontra-se em Lisboa, pois descreve no Memorial das Proezas da Távola Redonda o Torneio de Xabregas. Foi casado com D. Ana de Souto, senhora nobre. Perdeu um filho jovem, Paulo Ferreira, em 1578, na batalha de Alcácer Quibir. Confirma-se ainda que, em 1584, a sua filha, Briolanja Mendes de Vasconcelos, se casou, na freguesia do Sacramento, com Dom António de Noronha, que viria a ser o promotor das edições seiscentistas das comédias Ulysippo e Aulegrafia. Morreu em 1585 e foi enterrado no cruzeiro central da igreja da Trindade."
(Fonte: Wook)
Massaud Moisés (São Paulo, 1928-2018). "Foi um professor, ensaísta e crítico literário brasileiro. Fez contribuições notórias para a teoria e crítica literária no Brasil. Foi titular da Universidade de São Paulo (USP), de 1973 a 1995, ano em que se aposentou."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

21 novembro, 2025

COSTA JUNIOR, José Duarte da - BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O VESTUARIO DE HYGIENE. Dissertação inaugural de... 24 de Julho de 1905. Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. Lisboa, Imprensa de Libanio da Silva, 1905. In-8.º (22x15 cm) de [16], 60, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Trabalho académico, pioneiro, sobre a influência do vestuário e da moda no comportamento humano, com aplicação teórico-prática à Medicina Legal.
Pela distinção e reconhecimento público, a título de curiosidade, nomeiam-se os insignes Professores que compuseram o júri que avaliou a tese de Costa Júnior: Presidente: Salazar de Sousa; Vogais: Pedro Bettencourt Raposo; Alfredo da Costa; Ricardo Jorge; Francisco Soares Branco Gentil.
Raro e muito interessante. A BNP não menciona.
"A visão totalizadora da medicina induziu alguns alunos a apresentarem teses sobre temas muito variados. Costa Júnior, apresenta um curioso trabalho sobre a composição dos diferentes tecidos «com inegável interesse para a Medicina Legal» estabelecendo relações entre aquela, as cores e as formas e o estado de saúde individual; de caminho, não deixou de enfatizar, naturalmente, a irracionalidade da moda feminina."
(Fonte: file:///C:/Users/aassm/Downloads/miguel_bombarda_e_singularidades_de_uma__poca__2006__garnel.pdf)
Exemplar valorizado pela oferta na capa e dedicatória autógrafa no interior do autor a sua irmã - D. Maria José Duarte Costa.
"O homem, diz-nos a physiologia, maravilhosamente organizado, mantem a sua temperatura nas proximidades de 37 graus centigrados. E no entanto forçoso é não esquecer, que a sua demasiada nudez, expondo-o quasi por completo ás intemperies do mundo exterior, contrasta singularmente com a dos restantes animaes que portadores de pellos, pennas, escamas ou outros productos da epiderme, encontram em si mesmo outros tantos agasalhos, os mais legitimos e higyenicos vestidos. [...]
Como é sabido, o corpo humano em repouso perde diariamente cêrca de 2:700 calorias das quaes, uma grandissima maioria, 2:572 são abandonadas pela pelle da seguinte forma: 558 por evaporação do suor, 803 por conductibilidade e 1181 por irradiação. Equivale isto a dizer que o vestuario, visto elle cobrir os quatro quintos da nossa superficie cutanea, ha-de por força ir actuar sobre as trocas thermicas reduzindo-as consideravelmente.
Qual o vestuario mais adequado e quaes as desvantagens que resultam da falta de observancia relativa ao seu emprego, subordinando-se por ventura a caprichos eventuaes, aos da moda por exemplo, tudo isto verêmos nós, quanto possivel, no decorrer do nosso estudo."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo] | Tecidos, sua proveniencia e principaes propriedades: Proveniencia: - Reino mineral; - Reino animal; - Reino vegetal. Caracteres microscopicos: - Algodão; - Linho; - Lã; - Seda. Conductibilidade. Propriedades hygrometricas. Propriedades electricas. | Da fórma e escolha do vestuario | De alguns artigos do vestuario em especial: - Do espartilho; - Do chapeo; - Do calçado; - Das meias. | Da cama: - O leito; - Os colchões; - Os enxergões; - Os travesseiros; - Os lençoes; - Os cobertores; - As colchas e as cobertas; - Os cortinados; - Os mosqueteiros. | Conclusões | Proposições | Jury | Bibliographia.
Encadernação coeva inteira de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
40€

24 outubro, 2025

SANTA RITTA, José -
O PSITACISMO E O ENSINO.
Por... Sócio da Sociedade de Estudos Pedagógicos, Professor do Liceu Pedro Nunes. Lisboa, Composto e impresso da Casa Portuguêsa : Papelaria e Tipografia, [1913]. In-8.º (22x15 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Interessante estudo pioneiro sobre o psitacismo publicado em separata da Revista de Educação - Geral e Técnica., tendo como tema principal o "decoranço", expediente utilizado por muitos alunos das escolas básicas e secundárias.
Definição de psitacismo: "Aprendizagem por repetição mecânica de palavras e frases, sem intervenção do raciocínio". (Infopédia)
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Joaquim Fontes (1892-1960, conhecido pedagogo, médico e professor catedrático.
"O psitacismo desenvolve-se tanto mais fácilmente quanto é certo que a imitação e o automatismo teem um papel importante na linguagem e se cada um de nós tem o seu vocabulário próprio, a mesma palavra evoca em cada um de nós imagens diferentes; isso ainda se agrava na criança, que tem uma mentalidade especial, vê as coisas por prismas diferentes do nosso e dá às palavras significações que nós não conhecemos, procedendo como se elas tivessem para a criança a significação precisa que nós lhes supomos. A criança repete muitas vezes a palavra sem lhe ligar sentido e nós, desde que ela a diga, satisfazemo-nos sem procurar verificar ao que a palavra corresponde. [...]
A vaidade das famílias exige dos seus filhos «boas notas», estasia-se perante a criança que papagueia lições e que, aos dez ou doze anos, deixa de brincar e correr para estudar e «fazer exercícios». A tendência do professor e da família é toda para a cultura livresca, fácil de transmitir e de adquirir e que, alêm disto, faz o pequeno estar quieto; para a aprendizagem do que vem no livro pode contar-se com a família, que ela faz o aluno estudar; para a cultura física e moral nada há a esperar dela. [...]
É uma lástima ver o estado em que os rapazes chegam aos liceus - e por que não dizê-lo? - o estado em que se conservam nos liceus. Só quem nunca interrogou um rapaz que vá fazer o seu exame de instrução primária ignora a forma porque êle sabe as coisas, jogando com palavras cuja significação desconhece."
(Excerto de Conseqùências no ensino)
Índice:
O Psitacismo [I-II] | Conseqùencias no ensino | Conseqùências sociais.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e pedagógico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

17 outubro, 2025

CARVALHO, Avelino Cardoso Ferreira de -
SOBRE O EXERCICIO ILLEGAL DE MEDICINA EM VILLA NOVA DE FAMALICÃO. (A proposito de um caso de obstetricia). Dissertação Inaugural. Porto, [s.n. - Impressa em machina "Marinoni" na Typographia Minerva de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão - V. N. de Famalicão], 1906. In-8.º (22,5x16,5 cm) de 80, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Tese académica apresentada à Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
A propósito de um caso de obstetrícia, o autor ataca a classe farmacêutica de Famalicão que acusa de charlatanice e prática ilegal da medicina, aproveitando o desconhecimento e crendice da população.
Trabalho insólito, raro e muito curioso.
"De todas as artes liberaes, a que mais tendencias manifesta para se tornar presa do charlatanismo, certamente é a medicina a que se mostra mais favorecida.
As tendencias verdadeiramente extraordinarias que na humanidade se manifestam para tudo o que é maravilhoso, phantastico e rodeado de mysterio, tornam-se inexplicaveis; a necessidade de phantasia é tendencia tão propria da natureza do homem, que se é forçado a convir que corresponde a uma das leis da nossa organisação, que é um dos attributos da nossa natureza e, por assim dizer, uma das condições da nossa existencia.
Os prejuizos que para a sciencia medica se manifestam numerosos e variados, exercem grande predominio entre todas as classes da sociedade, na média e burgueza, na rica e aristocratica, na popular e ignorante, se bem que se possa admittir que os camponezes, gente simples, cujo duro mister não deixa repoiso para trabalhos de intelligencia, sejam facilmente seduzidos por chimeras que, mesmo rodaeadas dum véu de religiosidade, não têm mais credito. [...]
Que differença existe entre o homem civilisado d'hoje, que consulta as mezas rolantes e comsigo traz amuletos e medalhas, para o preservar de doenças e de outro qualquer accidente, e os antigos que consultavam o vôo das aves e adoravam os fétiches?
As tendencias que manifestam ainda agora homens de espirito nivelado pela evolução dos mais solidos predominios da mentalidade moderna para as mesmas aberrações, que são de todas as épocas e de todas as latitudes, nada mais é que o resurgir da velha historia das obsessões, dos encantos, dos exorcismos e de toda a bagagem magica, que para sempre parecia sepultada nas ruinas da idade média.
É uma observação triste, um dos phenomenos dos mais inexplicaveis da historia da humanidade esta credulidade incuravel, esta facilidade de admittir, sem exame e sem contestação, tudo o que tenha alguma apparencia de sobrenatural, ao passo que a verdade não é acceita senão com a maior lentidão e a maior reserva."
(Excerto do Preâmbulo)
Exemplar em brochura, por abrir, bem conservado. Capas ligeiramente sujas.
Raro.
45€

14 agosto, 2025

PEREIRA, Rodrigo de Boaventura Martins -
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE A ESPECIE MORBIDA.
Precedidas de algumas considerações sobre a especie em geral. Dissertação apresentada para ser defendida em Julho de 1867. Pelo alumno... Escola Medico-Cirurgica de Lisboa - 2.ª série : Numero 13. Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, 1867. In-8.º (20x12,5 cm) de 92, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa tese académica, inspirada em Darwin e na sua Origem das Espécies, aborda diversos temas médico-científicos, que, por vezes, parecem não ter ligação entre si.
Ilustrada no texto com tabelas, expressões numéricas e equações.
"O planeta que habitamos, lançado com probabilidade ao mesmo tempo que os demais planetas do nosso systema na sua ellypse, com a mesma ou mui proxima temperatura inicial, e tendo composição analoga, senão identica, resultado da segmentação da nebulosa primitiva, que lhe correspondia, tem percorrido sensivelmente no mesmo tempo a sua orbitra; e digo sensivelmente, porque a existencia do ether, que não é licito deixar de admittir perante os phenomenos do calorico e da luz, deve tel-o atrazado no seu giro. [...]
Todos os planetas, pois, podem n'uma de suas phases resolver nos espaços celestes organisações comparaveis ás da terra, e tanto mais quanto mais estreitas forem as relações entre sua massa, volume, gravida e velocidade de rotação. [...]
Ora só a um certo periodo de uma d'essas phases de evolução correspondem as organisações ou machinas vivas, porque estas exigem para funccionar limites estreitos de temperatura, como muito bem diz Henri de Paville no seu annuario de 1866: «Evidentemente um organismo não pode existir, sem que seja constituido por solidos e liquidos. Os liquidos são geralmente os vehiculos da vida. [...]
Mais adiante, o auctor das linhas que acima trascrevi, depois de analysar tanto quanto é possivel  as circumstancias em que se acham os differentes planetas, dá-lhes como provaveis as seguintes phases:
«Sol - inhabitado.
Mercurio - habitado, seres inferiores analogos das especies futuras terrestres.
Venus - habitada, seres completamente analogos aos da terra. Fauna e Flora correspondentes.
Terra - habitada ha muito, sel-o ha por muito tempo ainda.
Lua - Não é habitada: foi.
Marte - habitado, seres analogos aos da terra, mais pequenos e inferiores.
Saturno, Neptuno e Uranus - organismos rudimentares.
Jupiter - não habitado ainda.»
Com este ligeiro desvio eu só pretendo abalar os animos d'aquelles, em que não sejam arreigada as crenças, de que o universo foi creado para lhes lisonjear os sentidos, a terra para os embalar e deixar crescer, e n'esta tudo preparado para lhes satifazer as necessidades."
(Excerto de I - A terra e os demais planetas)
Índice:
Capitulo I: §§ I - A terra e os demais planetas. §§ II - Unidade de materia. §§ III - Unidade de força. §§ IV - Reino organico. §§ V - Transformação das forças geraes em forças vitaes. Capitulo II: §§ I - A especie dos seres organisados. §§ II. §§ III - Provas tiradas da distribuição geographica. §§ IV - Especie humana. §§ V. Capitulo III: Especie morbida: §§ I. §§ II. | Proposições.
Rodrigo Boaventura Martins Pereira (1842-1897). Médico, professor e publicista, colega e íntimo amigo do Dr. Sousa Martins de quem foi condiscípulo. Cedo cegou, deixando a meio uma carreira que muito prometia. "Filho de José Martins Pereira, nasceu em Aldeia Galega da Merceana, no concelho de Alenquer, em 1843. Foi médico cirurgião pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde chegou a ser lente da Secção Cirúrgica. A partir de 1873 desempenhou o cargo de cirurgião ordinário no Banco do Hospital de São José, em Lisboa, e o de facultativo da Associação dos Ourives da Prata de Lisboa."
(Fonte: https://digitarq.arquivos.pt/documentDetails/1cdf360df53849cfbba77241cb2e4be5)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

12 julho, 2025

CID, Dr. Eng.º Arthur Varela -
O HIDROPLANADOR "PORTUGAL".
[Pelo]... Professor de Aeronautica do Instituto Superior Técnico.
Tese apresentada ao 2.º Congresso Nacional de Engenharia. [S.l.], [s.n. - Tipografia Invicta, Porto], 1948. In-8.º (21,5 cm) de 8 p. ; il. ; B.

1.ª edição.
Opúsculo ilustrado em página inteira com fotos do planador.
"Tenho a honra de relembrar ao Digníssimo Congresso alguma coisa àcêrca do hidroplanador Portugal, cujas experiências oficiais se realizaram no Centro de Aviação Naval de Lisboa, em 4 de Janeiro de 1934. Foi então pilotado pelo capitão de mar e guerra Paulo Viana.
O seu projecto, que data de1929, foi delineado nas pranchetas do Instituto Superior Técnico.
Por proposta portuguesa a Federação Aeronautica Internacional, com sede em Paris, creou então no Código Aéreo Internacional, após deliberações em assembleias magnas, uma nova categoria de aeronave que ficou oficialmente designada por «hidroplaneur», segundo votação por unanimidade das 35 nações suas filiadas.
No seu boletim designado por «Istus», o Presidente do Vôo sem Motor, exarou em 1935 a páginas 42, a seguinte opinião:
«Em Portugal nasceu o movimento do vôo sem motor marítimo».
«As experiências oficiais em Lisboa assim o demosntráram»."
(Excerto da Tese)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
A BNP dispõe de apenas um exemplar registado na sua base de dados.
Com interesse histórico e aeronáutico.
Peça de colecção.
25€

01 maio, 2025

CAMPOS, João Manuel Saraiva de - POSTO PILOTO DE MEDICINA DO TRABALHO MONTADO NA FÁBRICA DA CERVEJA DE COIMBRA. Dissertação de Licenciatura apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Trabalho sugerido e orientado pelo Excelentíssimo Senhor Professor Doutor Luís Augusto Duarte-Santos. Coimbra, Secção de Textos, 1968. In-8.º (21,5x16,5 cm) de 236, [4] p. ; [10] doc. desdob. ; [1] env. c/ 2 cartões perfurados ; il. ; B.
1.ª edição.
Tese académica inovadora, teve por finalidade estudar as condições de trabalho dos operários da Fábrica da Cerveja de Coimbra (1930-2002), unidade industrial que esteve na génese da Central de Cervejas, tendo o autor privado durante um mês com os seus funcionários, recolhendo inúmeros e preciosos testemunhos.
Saraiva de Campos não se limita à parte médica do trabalho, antes percorre a fábrica descrevendo os vários departamentos, procedimentos e funcionamento da mesma em pormenor, desde a recepção do malte, passando pela linha de enchimento até ao produto final.
Livro ilustrado no texto com desenhos esquemáticos, quadros e tabelas, e em separado, com uma planta da fábrica de grande dimensões (29,5x106 cm) evidenciando todas as secções que a compunham, inúmeros desdobráveis com gráficos e propostas/projectos para um "Dossier Médico" que incluiria exames aos trabalhadores, e no final, um envelope da FCC contendo 2 cartões perfurados - proposta de ficha médica para computador, antecipando o advento da informática aplicada à saúde, e em particular às consultas preventivas.
Trabalho policopiado, raro e muito curioso. A BNP dá suma notícia desta obra com a indicação "Sem informação exemplar".
"A aplicação dos conhecimentos médicos, dos seus métodos, dos seus métodos às diferentes actividades, tornou-se uma necessidade dos nossos dias. Razão do aparecimento da Medicina do Trabalho, Medicina Desportiva, da novel Medicina Especial, etc.
Em toda a actividade industrial a protecção do operário tornou-se indispensável, actividade essa que sentiu a necessidade de uma organização não só científica, mas também humana, que a conduzisse tanto quanto possível a uma correcção de produção.
Sendo o trabalho "o esforço que se dispende para fazer uma coisa" encontra-se rodeado de aspectos de ordem física, social, moral e económica. Podemos considerar nesse trabalho qualquer que seja a tarefa ou profissão:
- O esforço Intelectual (compreensão, reflexão e inteligência).
- O esforço Sensorial (atenção, paciência, habilidade e precisão).
- O esforço Físico (movimento e resistência à fadiga).
Mas, para além disso, o trabalho actualmente representa até certo ponto uma agressão ao operário; mesmo que este se encontre preparado fisiológica e tecnicamente, o perigo do Stress persiste, persegue e acompanha o trabalhador. [...]
É inegável que o desenvolvimento industrial e técnico surgiu para minorar para minorar o trabalho humano, mas também não é menos certo que com a máquina vieram acidentes. Assim como novos produtos químicos passaram a ser utilizados pela própria máquina para o seu funcionamento ou manutenção, acarretaram intoxicações profissionais igualmente inexistentes nessa data.
Além dos acidentes de trabalho da máquina inerentes à sua cada vez maior utilização não é de desprezar os menos aparatosos mas mais frequentes problemas que o automatismo e a grande cadência condicionam; uma fadiga precoce, tanto muscular como nervosa, encaminha o operário incauto e não dirigido para a "surmenage", acarretando esta:
- Menor rendimento
- Maior fadiga
- Mais acidentes
- Maior morbilidade geral
Poderíamos mesmo afirmar, que a máquina criada para beneficiar o homem acabou por o escravizar.
Se o emprego da máquina em regime de elevada cadência, parece num primeiro relance, beneficiar a entidade patronal, veremos que se nos debruçarmos mais atentamente, isso não corresponde à verdade. Pois o prejuízo próximo da saúde do operário, é o prejuízo a mais longo prazo da empresa."
(Excerto da Introdução)
Indice:
Prefácio | Introdução | Fabrico da Cerveja | Apresentação do Dossier Médico | Aspecto geral dos exames efectuados | Exame de entrada tipo | Caso J. A. P. | Alguns casos clínicos | Visitas aos postos de trabalho | Acidentes de Trabalho e Prevenção | Conclusões | Prólogo | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas vincadas. Com vestígios de traça na última folha (em branco).
Muito raro.
Com interesse histórico, sociológico e industrial.
Peça de colecção.
200€

24 abril, 2025

SAAVEDRA, José -
OS SEMI-LOUCOS NA PSICHIATRIA, NA SOCIEDADE, NAS LETTRAS
. Coimbra, Composição e Impressão Gráfica Conimbricense, Limitada, 1922. In-8.º (19,5x14 cm) de 246, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante estudo psiquiátrico sobre os "semi-loucos" e a sua intervenção nas diferentes áreas socio-culturais na época.
Raro e muito curioso.
Trata-se da tese de doutoramento em Medicina que o autor apresentou à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
O numero cada vez maior de casos de semi-loucura na sociedade con temporanea, só comparavel aos de syphilis - os dois maiores flagellos da humanidade e da raça - chamaram a minha attenção para o estudo deste capitulo da Psychiatria, tanto mais que a maior parte dos Tratados de Psychiatria ou a ella se não referem, ou a englobam no capitulo vago das degenerescencias, sem lhe precisarem os caracteres, nem salientarem a sua importancia, quer debaixo do ponto de vista medico, quer do ponto de vista social. [...]
Como julgar, realmente, de certas anomalias parciaes dos semi-loucos, se ellas se manifestam muitas vezes só na vida intima, conservando elles todas as suas faculdades intellectuaes, occultando com uma propositada e facil dissimulação durante o interrogatorio as taras de que o accusam?
O exame psychiatrico de um semi-louco tem de ser uma causa judicial em que o juiz é o medico especialisado nestes estudos e a acusação e defeza feitas pela sua entourage e peloo proprio doente.
Não basta pesquizar na sua historia taras mentaes e nervosas, tão frequentes em toda a gente, para justificar um diagnostico à outrance, de semi-loucura.
É mister attender a multiplos factores d'ordem moral, familiar, conhecer o meio em taes factos se passaram, curar de saber quaes as razões que possam justificar ou condenar esse acto.
A interdicção e internamento destes doentes nos manicomios em contacto com loucos completos, por simples certificado medico, as mais das vezes com conhecimento incompleto do doente, apaixonam vivamente a opinião publica, dando logar a pleitos, facilmente evitaveis com um conhecimento mais completo da semi-loucura e com a fundação de estabelecimentos proprios para estes doentes."
(Excerto do Prefacio)
"A semi-loucura é um estado mental intermedio á loucura e á saude mental.
A definição, com quasi todas as da biologia, não tem um rigor mathematico, nem limites precisos. O proprio nome, para designar os estado pathologicos que adeante descrevo é impreciso e incompleto.
Mas como poderá um nome composto de duas palavras exprimir exactamente o que leva muitas paginas a descrever?"
(Excerto de I - Demonstração da semi-loucura)
José Nevil de Ascensão Pinto da Cunha Saavedra (1895-1961). "Professor da Faculdade de Medicina. Naturalidade - Canidelo (Vila Nova de Gaia), 10.12.1895-?  Filiação - José Maria Rodrigues da Ascensão e Maria Emília da Ascensão Pinto da Cunha Saavedra. Matriculas - Medicina, 1912. Graus - Doutor, 20.7.1922. Cadeiras - Clínica e Policlínica Médicas (1919-1926), 2.º assistente. Observações - Abandonou a docência em 1926, para seguir a carreira de médico militar. Publicações - Os semi-loucos na psiquiatria, na sociedade e nas letras (Coimbra, 1922)."
(Fonte: https://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/SAAVEDRA_josenevildeascensaopintodacunha)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral com excepção da lombada que se apresenta falha do revestimento. Em falta três folhas no início do livro: f. ante-rosto e a as que sucedem à f. rosto, sem prejuízo do ensaio propriamente dito, já que são folhas "menores", sem relevância para a obra.
Raro.
35€

11 fevereiro, 2025

MARTEL, João Filipe Trigueiros de -
O VALE DO TEJO SOB O PONTO DE VISTA AGRONOMICO (subsidios para o seu estudo).
Por... Engenheiro-agronomo. Lisboa, Tipografia Henrique Torres, 1926. In-4.º (25x18,5 cm) de V, [1], 102, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre o Ribatejo e o seu potencial de desenvolvimento agrário. Trata-se do relatório final do curso de Engenheiro Agrónomo do autor.
"A denominação de Ribatejo ou Vale do Tejo, dada á região da bacia do Tejo compreendida entre os paralelos de Lisboa e Golegã, é duma maneira geral, das mais ricas terras do paiz, e susceptivel ainda de colossal desenvolvimento agrícola, atendendo não só á fertilidade dos seus terrenos, mas ainda á sua situação e visinhança da capital. Com faceis meios de transporte, tanto fluviaes, como terrestres, o Ribatejo compõe-se de aluviões com o faciés geral dos systemas dos grandes rios de margens espraiadas que estendem em grandes planicies, até que a montante da Golegã, a orografia nos indica estarmos já na presença duma outra região com caractéres agricolas bastante diferentes d'aquela que desejamos tratar aqui."
(Excerto de I - Generalidades sobre a agricultura no Valle do Tejo)
Sumario:
I - Generalidades sobre a agricultura no Valle do Tejo. II - Terrenos salgados e operações de dessalgue. III - Irrigações, drenagens e enchugo de terras. IV - Generalidades sobre fontes, lençoes de agua, rapido estudo geologico, tectónico, hydrologico e meteorico do Valle do Tejo a juzante de Santarem. V - Estudo rapido por estimativa d'um caso concreto.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com falha de papel na capa.
Raro.
Com interesse histórico e agrícola.
25€

30 janeiro, 2025

PRAÇA, Dr. José Joaquim Lopes - DAS LIBERDADES DA EGREJA PORTUGUEZA. O Catholicismo e as Nações Catholicas. Dissertação para o Concurso ao Magisterio na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Pelo candidato... Coimbra, Imprensa Litteraria, 1881. In-8.º (22,5 cm) de 126, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Catholicos e portuguezes, os nossos mais notaveis pensadores divergiam entre si, e não lhes repugnava ir d'encontro á doutrina que haviamos haurido no seio da Universidade, frequentando por alguns annos a Faculdade de Theologia, a de Philosophia, e muito especialmente a de Direito, a que de preferencia nos dedicamos, e da qual recebemos grandes, generosos e nunca esquecidos beneficios. [...]
Fizemos uma synthese das nossa idéas, e, se não nos illude a nossa boa fé, afigura-se-nos poder lançar alguns topicos para uma historia util, rigorosa e proficua da egreja portugueza, para a historia do direito patrio, e os fundamentos ao menos para que de futuro as nossas investigações sobre as relações entre Roma e Portugal, cheguem a um accôrdo em que progressivamente se manifestem com desassombro as aspirações legitimas dos dois poderes - espiritual e temporal."
(Excerto do preâmbulo)
José Joaquim Lopes Praça (Castedo, Alijó, 1844 - Montemor-o-Novo, 1920). "Forma-se em Direito em 1868. Começa como professor do ensino secundário em Montemor-o-Novo, Viseu e Lisboa. Professor da Faculdade de Direito de Coimbra a partir de 1881, apresentando a tese O Catolicismo e as Nações. Da Liberdade da Igreja Portuguesa. Começa marcado pelo romantismo de Herculano e, por influência de Vicente Ferrer de Neto Paiva, adere depois ao Krausismo. Em 1904, foi nomeado aio do príncipe real, D. Luís Filipe, e do então infante D. Manuel. Abandona completamente a vida pública depois do regicídio de 1908."
(Fonte: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/classepolitica/pracalopes.htm)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa manchada com defeitos e pequenas falhas de papel.
Raro.
Com interesse histórico e religioso.
25€