10 julho, 2026

ARRIAGA, Manuel d' -
RENOVAÇÕES HISTORICAS.
Primeira Parte: Necessidade da intervenção das Sciencias Naturaes na Historia Universal dos Povos para assental-a em bases positivas e dar-lhe um caracter verdadeiramente scientifico. Dissertação de... Para o concurso da cadeira de Historia Universal e Pratica no Curso Superior de Letras. Lisboa,  273 - Imprensa - Rua da Rosa - 275, 1878. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 47, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante trabalho académico de Manuel de Arriaga, que, não obstante a sua evidente qualidade, seria desvalorizado pelos decisores do concurso.
Renovações Históricas (1878), é um ensaio filosófico e científico de Manuel de Arriaga, figura incontornável do republicanismo e primeiro Presidente de Portugal. A obra defende a aplicação dos métodos e princípios das ciências naturais à História Universal, perspectivando a evolução social e cultural com base no evolucionismo. O livro reflete a profunda influência do positivismo e das teses darwinistas na intelectualidade portuguesa do final do século XIX. Arriaga argumenta que a evolução humana não é apenas biológica, mas também social, e que a historiografia necessita de uma base científica sólida para compreender o progresso da humanidade e a sua emancipação das amarras dogmáticas. (IA)
Obra rara e muito interessante.
"Um dos traços caracteristicos do seculo que vae findar está manifestamente na decadencia progressiva em que vão os estudos empyricos do passado, baseados na auctoridade e na fé, e a rapida evolução com que se elevam em sentido contrario as sciencias naturaes, baseadas na observação e na analyse.
Desde o meiado do seculo XVIII podemos dizer que as attenções dos grandes pensadores tem-se voltado, quasi exclusivamente, para a contemplação e estudo do mundo exterior, com grave detrimento, é forçoso confessal-o, do nosso mundo interior."
(Excerto do Cap. I)
Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue (Horta, Matriz, 1840 - Lisboa, 1917). "Ilustre advogado, professor, escritor e político português. Orador de excelência e membro destacado da geração doutrinária do republicanismo português, foi dirigente e um dos principais ideólogos do Partido Republicano Português. A 24 de agosto de 1911 tornou-se no primeiro presidente eleito da República Portuguesa, sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório presidido por Teófilo Braga. Exerceu aquelas funções até 29 de maio de 1915, data em que foi obrigado a demitir-se, sendo substituído no cargo pelo mesmo Teófilo Braga, que como substituto completou o tempo restante do mandato.
Formou-se no ano de 1865 e no ano seguinte abriu um escritório de advogado em Lisboa, cidade onde se fixou. Tentou então ingressar na docência do ensino superior e nesse ano de 1866 concorreu, sem êxito, a um lugar de professor da 10.ª cadeira da Escola Politécnica de Lisboa. Não tendo conseguido ingressar na docência, rapidamente se notabilizou como advogado, ganhando uma carteira de clientes que lhe permitia segurança financeira e os meios para ajudar o irmão a terminar os seus estudos.
Também se revelou, desde os seus tempos de Coimbra, cultor da poesia e da literatura, tendo mantido até ao fim da sua vida uma actividade literária e interesses culturais que o integram claramente na Geração de 70.
Em 1878 concorreu para o lugar de professor de História Universal e Pátria do Curso Superior de Letras, mas voltou a ser preterido, apesar do brilhantismo da dissertação que apresentou a concurso. Apesar de ser considerado um gentleman e de vestir à melhor moda da aristocracia do tempo, a sua fama de revolucionário não deixou certamente de influir sobre o júri."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta mancha e pequena falha de papel no canto superior direito. Interior correcto.
Raro.
Peça de colecção.
45€

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