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22 agosto, 2024

AMORIM, Francisco Gomes de - AS DUAS FIANDEIRAS : romance de costumes populares
. Lisboa, David Corazzi - Editor: Empreza Horas Romanticas, 1881. In-8.º (16,5 cm) de 390, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance de costumes rurais. Trata-se de uma das mais apreciadas e invulgares obras do autor que escolheu a sua terra natal - Avelomar (A-Ver-o-Mar) - para epicentro da acção.
O presente exemplar terá pertencido ao próprio Gomes de Amorim, dado ostentar aquele que julgamos ser o seu carimbo pessoal na folha de ante-rosto, bem como correcções do texto a tinta ao longo do livro.
"Ha na formosa provincia do Minho uma freguezia rural denominada S. Thiago de Amorim, que se compõe de numerosas aldeias. Entre todas estas, avulta Avelomar, como a maior e mais bella pela sua posição. Está situada em planicie ampla, cortada por muitos riosinhos, semeada de fontes e arvoredos, que dão aos seus campos, sempre verdes e floridos, os aspecto de jardim vistosissimo.
Nada ha mais pittoresco e alegre do que essa povoação. De todos os lados se avista a fita azulada das aguas do oceano, orlando a terra, desde o sudoeste até ao norte."
(Excerto do Cap. I, Avelomar)
"N'um domingo, do anno de 1845, seriam apenas oito horas da manhã, estava já a capella de Nossa Senhora das Neves atulhada de gente. Fazia calor, e as portas achavam-se todas abertas de par em par. Sem embargo de respeito religioso, com que todos os habitantes, á excepção das beatas, se conservam sempre nas egrejas do Minho, e em Avelomar principalmente, notava-se ali não sei que vaga animação, n'aquelle dia; e todos cochichavam, mais ou menos. Como era cedo, e o padre não tinha vindo ainda para a sachristia, o sussurro da conversa ia crescendo de instante a instante. Unicamente os homens velhos fallavam pouco: todo o mulherio parecia agitado; esquecia-se completamente dos rosarios, e ficava longo tempo com as boccas colladas nos ouvidos das vizinhas; as raparigas casadas de pouco, olhavam com inquietação para os maridos; as solteiras, que não podiam córar mais, por serem naturalmente da côr das romans, mordiam os beiços de despeito, notando a impaciencia com que os rapazes olhavam para as portas.
Evidentemente, Avelomar estava commovida. A entrada de toda a população para a capella, uma hora antes da missa, era acontecimento que nunca se tinha dado desde que o mundo é mundo. Homens e mulheres haviam voltado as costas ao altar, o que era desacato estupendo; mas ninguem deu por elle. [...]
O padre Manuel entrou na sachristia e começou a revestir-se. Com a sua vinda cessou o borborinho; mas ninguem se virou para o altar; todos os olhos continuaram tenazmente a interrogar as portas.
Repentinamente, uma corrente electrica percorreu a multidão.
Duas mulheres, envoltas em grandes capas escuras, entraram pela porta da travessa. Apezar de estar tudo cheio, os homens esmagaram-se uns contra os outros, e abriu-se largo espaço, onde cabiam á vontade as recem-chegadas. Estas ajoelharam-se, com as costas para a porta, de modo que podiam ver e ser vistas de todos os lados."
(Excerto do Cap. II, Anna e Rosa Estella)
Francisco Gomes de Amorim (Avelomar, Póvoa de Varzim, 13 de agosto de 1827- Lisboa, 4 de novembro de 1891). "Poeta, jornalista e dramaturgo português, emigrou com dez anos para o Brasil, tendo sido caixeiro, em Belém do Pará. Vítima dos maus tratos de patrões portugueses, Gomes de Amorim fugiu para o sertão amazónico, onde por acaso encontrou, na cabana de uma família indígena, o poema Camões, de Almeida Garrett, episódio que dá início à sua vida de poeta, conforme relata no prefácio autobiográfico de Cantos Matutinos (1858). De volta ao Portugal, em 1844, depois de dez anos de ausência, estreita a relação de amizade que une Gomes de Amorim a Almeida Garrett, que tendo publicado o Romanceiro e Cancioneiro Geral, em 1843, irá influenciar o amigo e discípulo na valorização da cultura popular. A essa primeira influência soma-se a das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, em 1871, que irão desembocar no movimento nacionalista de valorização do mundo rural, enquanto repositório das raízes da Nação. É nesse contexto impregnado de amor à Pátria e de preservação das tradições populares que desponta As Duas Fiandeiras, “romance de costumes populares”, publicado por Gomes de Amorim em 1881 (embora escrito em 1866), pela prestigiosa editora de David Corazzi de Lisboa, dentro do selo “Horas Românticas”. A dedicatória da obra, evocação da paisagem amazónica, e a geografia da narrativa, a Avelomar natal, configuram as duas pátrias às quais o autor dizia pertencer. Retratados com fidelidade e verosimilhança, os tipos humanos que povoam As Duas Fiandeiras vêm ao encontro da caracterização regionalista nos quadros do realismo-naturalismo, ao mesmo tempo em que respondem pela idealização de uma ruralidade mítico-simbólica, com a qual se inicia a narrativa: “Ainda lá não chegaram os esplendores e os vícios da civilização, que ilustra e corrompe tudo (...)”.
(Fonte: Biblioteca Digital)
Encadernação coeva em meia de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com falhas de pele na lombada, sobretudo nas extremidades. Miolo sólido, com ocasionais manchas de acidez.
Raro.
Indisponível

20 julho, 2024

AMORIM, Francisco Gomes de - OS SELVAGENS. Por... Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & C.ª, 1875. In-8.º (17x10,5 cm) de 307, [5] p. ; E.
1.ª edição.
Romance cuja acção decorre no Brasil. Trata-se da edição original da "primeira tentativa de romance" publicado em livro, nas palavras do autor, que oferece ao conselheiro Bartholomeu dos Martyres Dias e Sousa.
"No tempo em que os hespanhoes assombraram com as suas crueldades o grande imperio dos incas, todos os peruvianos, que puderam escapar da carnificina e não quizeram viver escravos dos algozes de seus paes e irmãos, se internaram nos desertos profundos e desconhecidos do Brazil.
A tribo dos tapajós, rival das dos chiquitos e carapuchas, que se dintinguira sempre pela sua sabedoria durante a paz e por brilhantes feitos de armas na guerra contra os estrangeiros, atravessou o rio Ucayale, desceu pela margem direita do Amazonas, passou o Jauary na fronteira, e, mettendo-se nas florestas virgens, caminhou por ellas até ás faldas da serra dos Parecis. Encontrando ali as nascentes de um grande rio, cujas aguas crystallinas e transparentes deixavam ver, a duas e tres braças de profundidade, numerosos cardumes de peixe, estabeleceu o povo emigrado as suas primeiras tabas ou aldeias.
Eram as terras ferteis de caça e de fructos, mas povoadas todas por gentio bravo e feroz, como os tigres e onças, que n'ellas abundavam. Apesar de justos e equitativos, os tapajós traziam presentes na memoria os motivos da sua expatriação, e a necessidade obrigou-as a aproveitar a lição recebida dos conquistadores do Perú."
(Excerto de I - Os indios mundurucús)
Francisco Gomes de Amorim (Avelomar, Póvoa de Varzim, 13 de agosto de 1827- Lisboa, 4 de novembro de 1891). "Poeta, jornalista e dramaturgo português, emigrou com dez anos para o Brasil, tendo sido caixeiro, em Belém do Pará. Vítima dos maus tratos de patrões portugueses, Gomes de Amorim fugiu para o sertão amazónico, onde por acaso encontrou, na cabana de uma família indígena, o poema Camões, de Almeida Garrett, episódio que dá início à sua vida de poeta, conforme relata no prefácio autobiográfico de Cantos Matutinos (1858). De volta ao Portugal, em 1844, depois de dez anos de ausência, estreita a relação de amizade que une Gomes de Amorim a Almeida Garrett, que tendo publicado o Romanceiro e Cancioneiro Geral, em 1843, irá influenciar o amigo e discípulo na valorização da cultura popular. A essa primeira influência soma-se a das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, em 1871, que irão desembocar no movimento nacionalista de valorização do mundo rural, enquanto repositório das raízes da Nação. É nesse contexto impregnado de amor à Pátria e de preservação das tradições populares que desponta As Duas Fiandeiras, “romance de costumes populares”, publicado por Gomes de Amorim em 1881 (embora escrito em 1866), pela prestigiosa editora de David Corazzi de Lisboa, dentro do selo “Horas Românticas”. A dedicatória da obra, evocação da paisagem amazónica, e a geografia da narrativa, a Avelomar natal, configuram as duas pátrias às quais o autor dizia pertencer. Retratados com fidelidade e verosimilhança, os tipos humanos que povoam As Duas Fiandeiras vêm ao encontro da caracterização regionalista nos quadros do realismo-naturalismo, ao mesmo tempo em que respondem pela idealização de uma ruralidade mítico-simbólica, com a qual se inicia a narrativa: “Ainda lá não chegaram os esplendores e os vícios da civilização, que ilustra e corrompe tudo (...)”.
(Fonte: Biblioteca Digital)
Encadernação em sintético com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com uma ou outra pequena falha de papel no interior, sem prejudicar o texto. Sem f. ante-rosto.
Raro.
25€

07 abril, 2024

AMORIM, Francisco Gomes de -
ODIO DE RAÇA.
Theatro de... Socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa, Conservador da Bibliotheca e Museu Naval. Lisboa, Typ. Universal de Thomaz Quintino Antunes, 1869. In-8.º (17x11,5 cm) de 368, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Peça emblemática da produção literária do autor, reporta ao problema do esclavagismo, sendo esta uma das suas mais apreciadas obras.
Relativamente à peça, e às suas motivações, com a devida vénia a Silvia Cristina Martins de Souza, reproduzimos um excerto da sua comunicação apresentada ao 31.º Simpósio Nacional de História, RJ, 2021, intitulada: “É gente que fala muito em liberdade e negoceia em escravatura - Um modo de ler ódio de raça de Francisco Gomes de Amorim":
"A passagem pelo Brasil deixou marcas em Gomes de Amorim. Segundo ele próprio, foi em Belém que teve contato pela primeira com a escravidão. Foi lá também que começou a “envergonhar-se por não saber ler” e transformou-se num obstinado autodidata. [...] Com o apoio de Garrett ele dedicou-se às letras e acabou por tornar-se poeta, romancista, folhetinista e dramaturgo. [...] Na dramaturgia, Gomes de Amorim ingressou em 1851, com o drama Gighi. Na sequência vieram a comédia A Viúva; o provérbio dramático O casamento e a mortalha no céu se talha, e o drama Ódio de Raça. Este último foi escrito por incentivo de Garrett, após este lhe dar para ler o projeto de lei do Marquês de Sá da Bandeira para extinguir a escravidão dos domínios portugueses. Garrett lhe teria sugerido escrever “um ou mais dramas” que ´pusessem em relevo os horrores da escravidão que Amorim conhecera de perto no Brasil, proposta que foi por ele acatada e posta em prática."
"No anno de 1854 foi apresentado ao conselho ultramarino um projecto de lei para a extincção da escravidão nos dominios portuguezes. Não era já sem tempo que Portugal pretendia lavar da sua historia a nodoa infamante de ter sido o iniciador do trafico de negros, e o auctor do projecto, movido pelas idéas generosas que inspiraram Pitt, Wilberforce e Canning, queria que a sua patria não fosse a ultima nação que pagasse esta divida de honra á humanidade opprimida. Vinte annos antes a liberal Inglaterra, em harmonia com o elevado pensamento que a tinha feito proclamar a abolição do trafico, despejára o seu erario e fizera homens dos tresentos mil escravos das suas colonias. A França republicana seguira-lhe o exemplo em 1848; e, desde então, a Hespanha e Portugal tornaram-se, na Europa, os unicos responsaveis perante Deus e os homens pelo crime do captiveiro dos pretos. [...]
Ao leitor portuguez pçoderão parecer exageradas algumas das scenas do Odio de raça; affirmo-lhe, porém, que não houve encarecimento na pintura; copiei do natural. Sendo a escravidão o maior e o mais odioso de todos os crimes, tudo n'ella é possivel. Disse Peel, n'um relatorio escripto em 1829, que se reconhecera conter um navio negreiro a maior somma de crimes, tormentos e profanações humanas que se podem accumular n'um determinado espaço. Imagine-se pois que resultados dará a esse contrabando de carne humana, esse comercio inspirado pela mais desenfreada cubiça, essa infamia das infamias! A morte é o menor dos males para as tristes victimas de tão ignominioso negocio. Os miseros são caçados pelos seus similhantes como feras bravas, amarrados, encurralados nos porões dos navios, e felizes d'elles se um cruzador de guerra dá caça ao negreiro! Para tornar a embarcação mais veloz na fugida, alija-se carga pela borda fóra, e semeia-se o oceano de cadaveres."
(Excerto de Introducção)
Francisco Gomes de Amorim (Avelomar, Póvoa de Varzim, 13 de agosto de 1827- Lisboa, 4 de novembro de 1891). "Poeta, jornalista e dramaturgo português, emigrou com dez anos para o Brasil, tendo sido caixeiro, em Belém do Pará. Vítima dos maus tratos de patrões portugueses, Gomes de Amorim fugiu para o sertão amazónico, onde por acaso encontrou, na cabana de uma família indígena, o poema Camões, de Almeida Garrett, episódio que dá início à sua vida de poeta, conforme relata no prefácio autobiográfico de Cantos Matutinos (1858). De volta ao Portugal, em 1844, depois de dez anos de ausência, estreita a relação de amizade que une Gomes de Amorim a Almeida Garrett, que tendo publicado o Romanceiro e Cancioneiro Geral, em 1843, irá influenciar o amigo e discípulo na valorização da cultura popular. A essa primeira influência soma-se a das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, em 1871, que irão desembocar no movimento nacionalista de valorização do mundo rural, enquanto repositório das raízes da Nação. É nesse contexto impregnado de amor à Pátria e de preservação das tradições populares que desponta As Duas Fiandeiras, “romance de costumes populares”, publicado por Gomes de Amorim em 1881 (embora escrito em 1866), pela prestigiosa editora de David Corazzi de Lisboa, dentro do selo “Horas Românticas”. A dedicatória da obra, evocação da paisagem amazónica, e a geografia da narrativa, a Avelomar natal, configuram as duas pátrias às quais o autor dizia pertencer. Retratados com fidelidade e verosimilhança, os tipos humanos que povoam As Duas Fiandeiras vêm ao encontro da caracterização regionalista nos quadros do realismo-naturalismo, ao mesmo tempo em que respondem pela idealização de uma ruralidade mítico-simbólica, com a qual se inicia a narrativa: “Ainda lá não chegaram os esplendores e os vícios da civilização, que ilustra e corrompe tudo (...)”.
(Fonte: Biblioteca Digital)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Apresenta tosco restauro na capa.
Raro.
25€

25 julho, 2014

AMORIM, Francisco Gomes de - GARRETT : memorias biographicas. Por... Conservador da Bibliotheca e Museu de Antiguidades Navaes, Socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Real Academia Hespanhola de Historia, etc., etc. Tomo I [e Tomo II e Tomo III]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1881-1884. 3 vols in-4º (22,5cm) de [4], 398, [2] p. ; [1] f. il., XXXII, 723, [5] p. e VIII, 717, [3] p. ; [5] f. fac-sim. E.
1.ª (e única) edição das memórias biográficas de Almeida Garrett. Obra de referência e de singular merecimento, talvez a mais importante publicada sobre o poeta português.
Ilustrada com um retrato de Almeida Garret no início do 1.º volume, e com 5 fac-símiles, 3 das quais em folhas desdobráveis, respectivamente, do Plano da biografia de Garrett, como ele queria que a fizesse o autor das Memórias; a última carta que dirigiu a Gomes de Amorim; as primeiras quatro estrofes de O Anjo Caído; a última página literária que escreveu - da primeira cena da comédia O Conde de Novion, no final do 3.º volume.
"É como a luz do sol o genio dos grandes poetas. O seu clarão brilhante, espalhando-se na terra, aquece e alumia as almas de todos os que encontra. Manifestando-se no livro, astro da intelligencia, afugenta as trevas dos cerebros mais obscuros; esclarece e persuade, até os proprios que não querem convencer-se nem illustrar-se. Na poesia, enternece os insensiveis, arranca lagrimas dos corações mais seccos, risos dos labios mais cerrados, gritos da admiração dos peitos mais frios e indifferentes. É uma força invencivel, que transforma os individuos, subjugando a vontade dos mais rebeldes e o espirito dos mais pertinazes. Denuncia, enfim, a centelha divina, que o Creador poz na mente do homem.
Quando o escriptor se chama Homero, Virgilio, Dante, Milton, Camões ou Garrett, os seus poemas atravessarão os tempos e o espaço, cada vez mais admirados e queridos. As suas idéas, similhantes aos raios fulgurosos do rei dos astros, brilharão com o mesmo esplendor com que foram ennunciadas milhares de annos antes! Depois de terem commovido e enthusiasmado as gerações extinctas, demonstrarão ás presentes que nem os seculos depravados, nem as epochas de obscurantismo lhes alteraram a primitiva grandeza e a graça nativa! Filhas do genio, só deixarão de existir quando Deus, destruindo o mundo e chamando a si o ultimo homem, volver tudo ao nada, de onde nos tirou a sua omnipotencia."
(excerto da introdução, I, O genio dos grandes poetas)
Francisco Gomes de Amorim (1827-1891). "Escritor português, nascido a 13 de agosto de 1827, em A-Ver-o-Mar, Póvoa de Varzim, numa família de pequenos lavradores do Douro Litoral, e falecido a 4 de novembro de 1891, em Lisboa. Emigra para o Brasil com apenas dez anos, aliciado por engajadores. Aí conhece uma existência aventureira, trabalhando primeiro como caixeiro e depois como roceiro na selva amazónica. Autodidata, depois de ler o poema Camões, de Almeida Garrett, escreve ao escritor, exprimindo-lhe a sua admiração, e este decide apadrinhá-lo e promover o seu regresso a Portugal, que acontece em 1846. Gomes de Amorim passa de operário a conservador de museu e inicia a sua atividade literária, colaborando em vários periódicos, como O Panorama (1837-1868) e a Revista Universal Lisbonense (1841-1859), e publicando, em 1858, o primeiro volume de poesias, Cantos Matutinos. Poeta, dramaturgo, romancista, é certamente muito marcado pela obra de Garrett, acrescentando à sua influência um tom exótico e original, produto dos anos passados no Brasil. Das suas obras destacam-se Fígados de Tigre, comédia onde parodia o melodramatismo ultrarromântico, e os três volumes das Memórias Biográficas de Almeida Garrett, onde oferece um interessante testemunho sobre a vida e a época contemporânea do fundador do romantismo português."
(Gomes de Amorim. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014)
Encadernações em meia de pele com ferros gravados a ouro nas lombadas.
Exemplares em bom estado de conservação. Defeitos nas pastas (vol. 1) e nas extremidades das lombadas (vol. 2 e 3). Mancha de humidade à cabeça no vol. 1 - afecta as primeiras folhas do livro. Assinatura de posse nas f. rosto dos 3 volumes.
Obra invulgar e muito apreciada.
Indisponível

26 fevereiro, 2012

AMORIM, Francisco Gomes de – FRUCTOS DE VARIO SABOR. Lisboa, Imprensa Nacional, 1876. In-8º (16cm) de 345, [7] p. ; B. 
Francisco Gomes de Amorim, "escritor português, nascido a 13 de agosto de 1827, em A-Ver-o-Mar, Póvoa de Varzim, numa família de pequenos lavradores do Douro Litoral, e falecido a 4 de novembro de 1891, em Lisboa. Emigra para o Brasil com apenas dez anos, aliciado por engajadores. Aí conhece uma existência aventureira, trabalhando primeiro como caixeiro e depois como roceiro na selva amazónica. Autodidata, depois de ler o poema Camões, de Almeida Garrett, escreve ao escritor, exprimindo-lhe a sua admiração, e este decide apadrinhá-lo e promover o seu regresso a Portugal, que acontece em 1846. Gomes de Amorim passa de operário a conservador de museu e inicia a sua atividade literária, colaborando em vários periódicos, como O Panorama (1837-1868) e a Revista Universal Lisbonense (1841-1859)…" (infopedia.pt)
Excelente exemplar, por abrir. 
Muito invulgar.
20€