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28 julho, 2025

CIDADE, Hernani -
ZARA (Tempos de D. Dinis).
Um acto em verso, representado pela primeira vez em Leiria, em récita a favor do cofre da Liga dos Amigos do Castelo, a 10 de dezembro de 1915. Leiria, Tip. Leiriense, 1916. In-4.º (23,5x14,5 cm. Com [2], 22, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Peça de teatro histórica cuja acção decorre na zona de Leiria. Trata-se, julgamos, do primeiro trabalho do autor, publicado pouco antes de seguir para a Flandres, França, onde combateu integrado nas forças do CEP.
Inclui no final, em página inteira, partitura da música expressamente composta para a peça por José Zúquete.
Exemplar impresso em papel encorpado, muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.

"Tempos de D. Dinis.
Episódio da paisagem dos arredores de Leiria. Ao fundo, o Castelo, elegante e novo, recortando a distância, na penumbra que desce, o perfil épico e trovadoresco. Á E. uma casa de campo, alpender e escada exterior.
O velho mouro lê o Alcorão, enquanto a filha, dentro de casa, canta:

Fermosas flores do verde pinho,
que novas dais do meu amigo?
Ai, Deus, u é?
Minha alma alegra o seu carinho,
morre de frio sem seu abrigo,
Ai, Deus, u é?"

(Excerto da Peça)

Hernâni António Cidade (Redondo, 1887 - Évora, 1975). "Professor no Liceu Passos Manuel em regime provisório, em 1914 é já efetivo do Liceu de Leiria. Em prol da Liga dos Amigos do Castelo escreve os versos da peça em um ato Zara (Tempos de D. Dinis) (1916), representada em 1915, o que serve para ilustrar o “idealismo construtivo” que sempre pôs nos assuntos coletivos. Na Primeira Guerra, incorporado no Corpo Expedicionário Português, comanda com bravura e humanidade um pelotão na Flandres. Debaixo de fogo, vai à zona alemã resgatar feridos portugueses e recolhe na “terra de ninguém” ferido alemão moribundo. Condecorado com a Cruz de Guerra, feito prisioneiro na Batalha de La Lys, em 1918, aproveita para desenvolver o conhecimento da língua alemã e vai divulgando a literatura portuguesa entre estrangeiros e compatriotas. Em 1956 haveria de ser agraciado pela França com a Legião de Honra.
Regressado, em 1919 entra para o corpo docente da recém-fundada Faculdade de Letras do Porto, contratado para o grupo de Filologia Românica. Terá a seu cargo cadeiras de literatura — portuguesa, francesa, italiana — e de «linguística» — Filologia românica, Gramática comparada das línguas românicas, Filologia portuguesa. Chega a catedrático, mas a Faculdade de Letras do Porto é extinta em 1928. Até ao encerramento efetivo da mítica faculdade, ensina também no Liceu Rodrigues de Freitas. Nesta década portuense publica bastante na Águia e estreita laços com colegas com quem mais tarde haveria de colaborar na História de Portugal dita de Barcelos ou na menos ambiciosa História de Portugal da Lello, de cujo quarto volume se encarregou. E decerto se refletiu na maneira de conceber o ensino a proximidade entre professores e alunos marca da faculdade ideada por Leonardo Coimbra.
Em 1930 integrará o grupo de professores da Faculdade de Letras de Lisboa, apresentando-se a concurso para a cátedra com a dissertação a A obra poética do Dr. José Anastácio da Cunha — com um estudo sôbre o anglo-germanismo nos proto-românticos portugueses (1930) e a lição, «à escolha», Fernão Lopes é ou não o autor da “Crónica do Condestabre”? (1931). Colabora com a Seara Nova, por 1934, e com Joaquim de Carvalho e Mário de Azevedo Gomes dirige o Diário Liberal (1934-1935). Conotado com a oposição ao Estado Novo, mesmo se não o caracterizavam as atitudes mais sonoras e se, à época, já se ia afastando da luta contra a implantação do regime, em 1935 o seu nome constaria da conhecida lista de professores a serem exonerados, valendo-lhe o ora colega germanista ora ministro germanófilo Gustavo Cordeiro Ramos, que fora seu contemporâneo em Évora. Estudantes e alguns colegas desagravam-no na Homenagem aos Professores Mário de Azevedo Gomes, Hernâni Cidade, Joaquim de Carvalho (1935), onde os alunos de Letras o epitetam como “o mais amado e o mais respeitado dos mestres”."
(Fonte: https://dichp.bnportugal.gov.pt/historiadores/historiadores_hernani_cidade2.htm)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
25€

21 fevereiro, 2022

BRANCO, Manuel Bernardes - AS MINHAS QUERIDAS FREIRINHAS D'ODIVELLAS
. Lisboa, Typographia Castro Irmão, 1886. In-8.º (20 cm) de 412 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante conjunto de crónicas, lendas e episódios históricos - alguns impregnados de humor e ironia - relacionados com o Convento de Odivelas e o viver monástico das suas residentes. Com interesse camiliano.
Livro ilustrado com três estampas em página inteira: Egreja e Convento d'Odivellas; Tumulo d'el-rei D. Diniz dentro da egreja conventual d'Odivellas; Monumento de D. Diniz em Odivellas.
"Ah, queridas freirinhas! Porque não permittiu o Pai do Ceu que eu houvesse vivido no reinado d'el-rei o senhor D. João V, tempo em que vós estaveis na maxima florescencia, e em que eu poderia com mais facilidade narrar vossos feitos de alta pilheria, ao passo que na epocha, em que nos achamos, as noticias chegam até nós já tão confusas e emmaranhadas que não se me torna facil narrar com verdade e elegancia vossos chistosos feitos, dignos d'uma epopeia, ou d'um Camões que não fosse o Camões do Rocio, tão vosso conhecido!
E assim é, amigo leitor, vejo-me muito confuso e embaraçado não só emquanto ás causas porque o grande rei D. Diniz fundou em Odivellas o afamado mosteiro, mas tambem emquanto é etymologia do nome do local em que foi erigido.
Correm duas versões, e eu propendo para esta que passo a narrar, embora se baseie na tradição popular.
D. Diniz, apesar de se entreter de vez em quando na guerra, ou em fazer versos, era, no tocante a mulheres, um conquistador d'alto lá com elle!
Ver e amar - era obra d'um abrir e fechar d'olhos. Em summa era um maganão de primeira força. [...]
Ver uma mulher e perder a cabeça era tudo o mesmo! Velhas e novas, seculares e freiras, magras e gordas, brancas, coradas, trigueiras... tudo ia razo com elle! Vesgas, tortas e zarolhas... tudo lhe servia! Não dava preferencia a nacionalidades - hespanholas, francezas, portuguezas, mouriscas; eram mulheres, não eram? Pois então venham para cá!... Tambem não fazia questão d'olhos - pardos, azues, bonitos, feios, e até mesmo remelosos, serviam áquella alma damnada, e damnada com certeza, sem com alguma fundação religiosa não tratasse de espiar as suas culpas!"
(Excerto de Parte I - Casas da fundação do mosteiro)
"Ah! mosteiro d'Odivellas! Aquelle que pela primeira vez no teu recinto entrasse tinha forçosamente de ser impressionado por seducções taes que nunca mais, estivesse onde estivesse, se poderia de ti esquecer! Tuas harmonias musicaes eram as redes e as armadilhas com que não só se conquistavam  as almas, mas tambem os corpos! [...]
E os travessos olhares das freiras! E as alcunhas! E as travessuras que ellas faziam ás companheiras, e ainda mais aos homens!"
(Excerto de Parte I - O mosteiro de Odivellas nunca poderá esquecer)
Manuel Bernardes Branco. "Natural de Lisboa e nascido em 1832. Foi collaborador no jornal politico O Clamor Publico, e tem feito inserir varios artigos sobre assumptos litterarios nos periodicos portuenses Portugal, Oriente, Conservador, Ecco Popular, e Miscellanea Litteraria (1860). O Diccionario Bibliographico deve-lhe valiosos e prestaveis serviços, na investigação e diligencia a que se deu, para obter varias noticias que d'elle solicitei, relativas a escriptores contemporaneos, nascidos ou residentes no Porto, como por vezes nos artigos respectivos hei tido occasião de notar."
(Inocêncio: Vol. XVI, pp. 376.)"
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, toscos restauros e falhas de papel. Miolo correcto. Falta f. ante-rosto. F. rosto e seguinte alvo de restauro no canto inferior esquerdo. Lombada fendida. Deve ser encadernado.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

27 janeiro, 2022

AMARAL, Abílio Mendes do - D. DINIS INTROMETEU GOUVEIA NA VIDA E OBRA DA RAINHA ISABEL
.Viseu, Separata : Edição da Assembleia Distrital de Viseu, 1979. In-8.º (21 cm) de 40 p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Livro ilustrado com quatro estampas separadas do texto, contando-se entre elas um retrato da Rainha Santa Isabel.
"Não há o propósito de trazer a público um trabalho destinado a avolumar o acervo bibliográfico relativo à bem-fazeja vida de D. Isabel de Aragão. A esse tema se ligaram os nomes de muitos cultores das Letras em geral e da História em especial.
Embora se afigure conveniente evocar certos factos que nos balizem o caminho da dadivosa e santa Rainha, interessa em particular um documento ainda bem pouco ou nada divulgado, que respeita e envolve a vila de Gouveia, por graça e mercê do qual se rabiscam as presentes linhas onde ele aparecerá um pouco adiante.
Temos ali, nas sede do concelho, duas paróquias com as respectivas igrejas: S. Pedro e S. Julião. Quem as olhar, dirá ser a segunda mais vetusta, mas deve ter-se em conta a reconstrução da primeira já ajustada em 1758 pela quantia  de 9 ou 10  mil cruzados, bem como os arranjos relativamente recentes. Algures existirá documento desfazedor de dúvidas. Os do nosso conhecimento não bastam, embora sejam de épocas aproximadas e se harmonizem com afirmação feita no século XVIII pelo Pe. Salvador Clemente Furtado."
(Excerto de I - Como surgiu o sinal de alerta)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€

21 junho, 2011

D. DINIS - TROVAS DE D. DINIS. Actualização e Prefácio de Natália Correia ; Ilustrações de Elo-Mafra ; Capa de Duarte Chaparreiro. Alfragide, Galeria Panorama, [1970]. In-8º (21cm) de 159, [6] p. ; il. ; E.
Título original: TROBAS D'E REY D. DENIS.
Com um retrato de D. Dinis.
"Pela primeira vez se adapta à linguagem actual o Cancioneiro deste famoso rei-poeta da alvorada do nosso lirismo, havendo a preocupação de se conservar das adaptações todo o sabor e espírito da expressão medieval dessas trovas que são um verdadeiro expoente da poesia trovadoresca. Edição comparada das versões arcaicas e contemporânea, com actualização de Natália Correia." (da nota do editor)
"Ilustrado com 16 reproduções medievais a cores e a preto e branco."
Encadernação editorial cartonada com ferros a negro.
Exemplar em bom estado geral, descontando pequenas falhas na capa, junto à lombada e no topo da lombada.
Invulgar.
Invulgar.
Indisponível

10 dezembro, 2010

DOMINGUES, Mário - D. DINIS E SANTA ISABEL : evocação histórica. Lisboa, Romano Torres, 1967. In-8.º de 363, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Bom exemplar.
Invulgar.
20€
Reservado