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30 abril, 2024

MARTINS, Professôr Sousa - LIÇÕES DE PATHOLOGIA GERAL E SEMIOLOGIA. Compiladas e publicadas por Décio Sanches Ferreira e Antonio Barbosa, Terceiranistas de Medicina. Volume I. Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Lisbôa, Officinas de Estevão Nunes & Filhos, 1900. In-8.º (19,5 cm) de XVI, 401, [3] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Volume de lições do Dr. Sousa Martins, "distinto médico, cientista, investigador, professor e escritor da 2.ª metade do séc. XIX", compiladas por dois alunos da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa a partir dos apontamentos de discípulos do Mestre, todos eles médicos reputados.
Livro ilustrado extra-texto com o retrato do Dr. Sousa Martins autografado em fac-símile.
Este volume I é tudo quanto foi publicado. Raro. A BNP não menciona.
"Instado mais duma vêz, por numerosos admiradôres, pâra redigir as suas lições e publicá-las em livro; por alumnos, para lhes revêr apontamentos que lithographassem ou imprimissem; o professôr Sousa Martins não accedeu aos innúmeros pedidos pela míngua de tempo, porque tôdo lhe era pouco pâra o desempenho dos seus devêres de professôr e de médico, no hospital e na clínica, mais do que uma profissão, um sacerdócio.
Seria pouco para lamentar o facto, se Sousa Martins nos tivesse deixado em livro, ou ao menos em jornal, larga obra da sua lavra; não é porêm assim, dêlle só nos ficaram, alêm das suas dissertações, uns prefácios de livros doutrem, e raros rtigos em publicações diversas; nada em livro seu que lhe perpetuasse o nome.
Existiam no entretanto, nas mãos de muitos alumnos da Escola Médica e de differentes médicos, vários apontamentos colhidos por estudantes na aula de Pathologia Geral, e pareceu-nos possível, adquirindo êstes apontamentos, refazêr as lições do sábio lente; foi isso o que tentámos, bem certos de que a obra que emprehendíamos ficaria muito àquêm da dicção brilhantíssima de Sousa Martins..."
(Excerto do preâmbulo - Fins dêste livro e méthodo empregado na sua factura)
Índice:
[Fins dêste livro e méthodo empregado na sua factura] | [Prefácio] | Evolução dos sêres vivos | Phenómenos mórbidos | Divisões da pathologia | Sciências auxiliares da pathologia | A synthese e a anályse em pathologia | A rasão e os sentidos como elementos de estudo | Observações e experimentações | Leis e regras em pathologia | Doença ou Moléstia | Vitalismo e organicismo | Há, nos organismos, alterações dynâmicas sem correlativas alterações estáticas? | Há, nos organismos, alterações estáticas sem correlativas alterações orgânicas? | Definição de doença | Escolas vitalistas | Escolas organicistas | Escolas organó-vitalistas | Etiologia | Receptividade pâra as doenças | Classificação das causas de doença | Traumatismo | Commoção | Compressão | Attritos | Contactos | Gravidade | Calôr | Frio | Humidade | Luz | Electricidade atmosphérica | Ozone atmosphérico | Ventos | Solo | Climas | Estações | Pressão atmosphérica | Atmospheras viciadas | Águas potáveis | Alimentos | Vestuário | Profissões | Venenos | Ptomaínas | Autò-intòxicações | Peçonhas.
José Tomás de Sousa Martins (Vila Franca de Xira, Alhandra, 7 de Março de 1843 - Vila Franca de Xira, Alhandra, 18 de Agosto de 1897). "Foi um médico e professor catedrático da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, antecessora das Faculdades de Medicina de Lisboa, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e a Faculdade de Ciências Médicas da UNL - Universidade Nova de Lisboa. Formado em Farmácia e Medicina, trabalhou intensamente e, na maioria dos casos, gratuitamente, sobretudo no combate à tuberculose. Orador brilhante, dotado de humor e inteligência, homem de actividade inesgotável e praticante incansável da caridade junto dos mais desfavorecidos, exerceu uma forte influência sobre os colegas de profissão, alunos e pacientes que tratou. Esta influência metamorfoseou-se e perpetuou-se no tempo, tendo a figura de Sousa Martins assumido contornos de santo laico, num culto actual, bem visível nos ex-votos colocados em torno da sua estátua no Campo dos Mártires da Pátria, em Lisboa, frente à sede da actual Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, e no cemitério de Alhandra, onde está sepultado. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em meia de pele, com cantos, e com rótulo e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.Exemplar em bom estado de conservação. Lombada apresenta pequena falha de papel na extremidade superior.
Raro.
Peça de colecção.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
120€

19 janeiro, 2022

DAVID, Florbela Lopes da Silva Gomes - LÁGRIMAS E POSSESSÃO.
A hierarquia e os ritos no culto ao Dr. Sousa Martins no cemitério de Alhandra
. Alhandra, Edição do Museu de Alhandra, 1996. In-8.º (21 cm) de 109, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Tese de Licenciatura em Antropologia sobre o culto ao Dr. Sousa Martins apresentada pela autora à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Monografia editada em Alhandra, por certo com tiragem reduzida.
Livro ilustrado no final em Anexo com 24 fotografias a p.b. distribuídas por 7 páginas.
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.
"Aquilo que um dia me levou até um cemitério, em Alhandra, e não a outra encruzilhada qualquer foi, concerteza, por um lado, de ordem emocional e, por outro, de de ordem prática. O resultado foi esta monografia, a minha busca possível de uma parte ínfima do sagrado. A curiosidade transportou-me a uma paisagem não suficientemente próxima para ser exactamente minha, nem suficientemente longínqua para ser a do «outro». Nada de novo nesta situação - este é o espaço da fronteira onde sempre foi possível o encontro... mas sempre, também, difícil. Difícil ainda, é observar o exótico, o estranho, o «esquisito», fazer-lhes análises, como se ele estivesse dentro de um tubo de ensaio sem efectivamente o estar."
(Excerto do Prefácio)
"O culto ao Dr. Sousa Martins é muito generalizado e abrange uma vasta área geográfica, bem como um amplo leque heterogéneo de ritos. Inúmeras obras biográficas há publicadas sobre a pessoa de José Tomaz. No entanto, as publicações de índole sociológica e antropológica sobre os cultos a si prestados são praticamente nulas; o que resulta numa grave lacuna para o seu conhecimento, que consterna sobretudo dadas as dimensões que o fenómeno actualmente assume."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Prefácio. | Introdução. | Primeira Parte - Introdução Histórica (O Homem e o «Santo»): I. Sousa Martins - Aspectos Biográficos; II. A História e os Rituais no culto do «Santo». Segunda Parte - Introdução Etnológica (Outras Perspectivas): III. Subsídios teóricos preliminares; IV. Do culto (em geral) ao Dr. Sousa Martins. Terceira Parte - Ritos no cemitério de Alhandra: V. Um dia no cemitério - Configurações de casos: O Lugar - As Pessoas - Os Acontecimentos - A Possessão - A Audiência e as trocas simbólicas; VI. O Xamanismo e a Possessão na história da Análise Antropológica; VII. Discussão. | Conclusões. | Notas finais. | Bibliografia. | Anexo.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Com interesse sociológico e etnográfico.
Muito invulgar.
25€

23 julho, 2019

NAVARRO, Emygdio - QUATRO DIAS NA SERRA DA ESTRELLA. Notas de um passeio. [Carta-prefácio do Dr. Sousa Martins]. Porto, Livraria Civilisação de Eduardo da Costa Santos - Editor, 1884. In-4.º (23x16 cm) de VII, [1], 194, [2] p. ; [12] f. il. ; E.
1.ª edição.
Impressões do autor vertidas em livro após um passeio à Serra da Estrela, sendo esta uma das primeiras expedições documentadas em época de "descoberta" do potencial da natureza em altitude.
Obra de referência, apreciada, e muito valorizada pela carta-prefácio do Dr. Sousa Martins que ocupa aproximadamente 30 páginas.
Ilustrada com 12 clichés fotográficos, incluindo um retrato do autor e outro com os seus companheiros de passeio, em folhas separados do texto.
"Cá vamos de caminhada para as lagôas a oeste da torre. Saindo do observatorio, subimos pela lombada, em que elle está assente, mas deixando á direita o Corgo das Mós. Mal chegamos ao alto, defrontam-se-nos, a distancia não muito grande, as Penas ou Penhas Doiradas. É uma penedia notavel, e pela qual se pódem nortear com segurança os touristes, que percorram aquela parte da serra. Na carta da commissão geodesica vem marcado esse ponto, á altitude de 1:666 metros, mas com o nome Fraga das Penhas, que aliás ninguem ouvi lá dar-lhes. A razão de serem chamadas doiradas é porque o sol, ao pôr-se, as retinge de uns reflexos fulvos, que, ou pela exposição especial das penhas, ou por outra qualquer circumstancia, só n'aquella penedia se manifestam. As Penas Doiradas constam de quatro dentes, muito salientes e inteiramente semelhantes aos que assignalam a espinha da serra de Cintra no seu prolongamento até ao cabo da Roca, mas muito mais visinhos uns dos outros. Esta fórma de penedia destôa completamente do aspecto geral das outras penedias da serra, e por isso as Penas Doiradas, que pela sua altitude se divisam de todas as elevações, se distinguem tambem, como ponto de orientação, sem confusão possivel."
(Excerto do Cap. X)
Emídio Navarro (1844-1905). Natural de Viseu. "Jurista e político português, Emídio Júlio Navarro nasceu em 1844 e faleceu em 1905. Cursou Direito na Universidade de Coimbra. Dedicou-se à política (no Partido Progressista) e ao jornalismo, em Coimbra e na capital, chegando a fundar vários jornais, ao mesmo tempo que fazia profissão de advogado. Foi ministro das Obras Públicas entre 1886 e 1889, e depois secretário do Tribunal de Contas e embaixador em Paris."
(Fonte: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$emidio-navarro)
Encadernação simples, inteira de percalina, com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação. Com uma discreta rubrica de posse na f. rosto.
Muito invulgar.
Indisponível