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25 março, 2024

SALES, José Eduardo Moreira
- O LIVRO DO CIDADÃO-SOLDADO. Por... Tenente de Infantaria e Professor de Ginastica no Colegio Militar. Patria e Republica. Lisboa, Papelaria Fernandes & C.ª, 1912. In-8.º (15,5x11 cm) de 112 p. ; B.
1.ª edição.
Capa de "A. Quaresma" - gravado n'A Illustradora.
Obra patriótica de propaganda republicana. Trata-se da rara edição original deste curioso livro, que conheceu várias reedições ao longo do 1.º quartel do século XX.
"O discurso republicano produzido em Portugal na transição do século XIX para o século XX enfatizou a figura do cidadão-soldado como parte do culto cívico da Pátria, então fomentado em alternativa às crenças e rituais do catolicismo." (Pintassilgo, Joaquim, Actas Educar para a guerra ou educar para a paz, UAL-FCG, 2004)
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "à redacção da Lucta", jornal da União Republicana, órgão oficioso do partido.
No final do último capítulo - Educação Civica - o autor desenvolve questões momentosas da época, dando-lhe actualidade imediata, mormente em: Vantagens da Republica - Os inimigos de Republica e Os Defensôres da Republica - O combate de Chaves, e à parte deste alguns episódios marcantes do combate em "Episódios Èpicos": I. O Capitão Maia de Magalhães; II. O Contra-Mestre de Clarins; III. O 114 e o 151 de cavalaria 6. Além disso, felicita o grupo Civil de Chaves, com especial menção  para o srs. Carlos Augusto Coelho e Antonio Granjo, e inclui a lista dos nomes dos oficiais que concorreram para a vitória em Chaves.
"- O que é a nossa Patria?
- É tudo o que nos cerca, é tudo o que nós amamos.
A casa onde nascemos, onde recebemos os primeiros carinhos de mãe e o lugar sagrado onde ela repousa, são pedaços da nossa Patria que trazemos sempre no coração.
A nossa aldeia com as suas arvores frondosas e o campanario alegre; a ribeira que proximo corre por entre as ortas e pomares vicejantes; a planicie extensa e fecunda que enche os celeiros do melhor trigo; as encostas com as suas vinhas que produzem os magnificos vinhos de mesa, muito superiores aos das terras estrangeiras; as aldeias, vilas e cidades; o azul celeste do firmamento que nos cobre e o belo clima que gozam os, tudo isto é a nossa Patria."
(Excerto do Cap. I - Educação patriotica - Patria)
"Já passava das 7 horas da manhã  dos dia 8, quando apareceu em Chaves, um camponês que vinha, esbafurido, participar que a colúna de Couceiro marchava sobre a vila.
Dado o alarme, aos poucos soldados que restavam, juntáram-se os esforços dos civis os quais, com uma dedicação admiravel, prestáram relevantes serviços na defêsa de Chaves.
Ao tôdo, o número de combatentes não ia alêm de 160, armados simplesmente de espingardas.
O inimigo apareceu junto ao espaldão da carreira de tiro, donde fazia nutrido fôgo de fusilaría. A artilharia dos paivantes despeja as suas granadas sobre o quartel de Infantaria 19 e sobre o hospital!"
(Excerto de O combate de Chaves)
Indice:
I - Educação Patriotica. II - Virtudes militares. III - Instrução profissional do soldado. IV - Higiene. V - Educação Civica.
José Eduardo Moreira (Atouguia da Baleia, Peniche, 1880-1942). Publicista e militar. Participou na Grande Guerra, em França, como Capitão de Infantaria do C.E.P. Foi presidente do Sport Lisboa e Benfica (1912). Escreveu livrinhos de propaganda republicana e organizou diversas actividades cívicas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

15 fevereiro, 2024

GUERRA, A. A. -
QUATRO ANNOS ENTRE OS FRADES.
Entre dois fanatismos. (Memorias ligeiras do convento). Nazareth, [Edição do Auctor], Composto e impresso na Typographia Freire, 1911. In-8.º (22x14 cm) de [8], 68, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias do autor relativas à sua passagem pelo colégio franciscano de S. Bernardino, anexo ao convento do mesmo nome em Atouguia da Baleia, Peniche, e por fim, no último de quatro anos, em Montariol, Galiza - Espanha, "internamento" decidido por seus pais que muito o contrariou, e que o autor resume em poucas palavras: "entregue pelo fanatismo d'um pae ao fanatismo d'uma comunidade".
Obra de forte pendor anticlerical, publicada na Nazaré, pouco tempo após a instauração da República. Com indubitável interesse para o conhecimento do viver juvenil em colégios do género na época.
Com dedicatória (impressa) ao "Eminente tribuno e illustre ministro da Justiça sr. Dr. Affonso Costa."
"A ninguem melhor do que V. Ex.ª poderia ser dedicado um livro d'esta natureza [...] porque o assumpto de que trata tem uma certa ligação com acontecimentos de que V. Ex.ª foi o principal protagonista. Refiro-me ao acto nobre e patriotico que honra sobremaneira V. Ex.ª, de pôr em debandada esse bando negro de abutres, ramifivado em frades e jesuitas, que tinha por missão nefanda embrutecer os espiritos, abusando de consciencias simples e inocentes, e por aspiração unica uma futura prepotencia espiritual que lhe collocasse nas mãos os cofres das victimas, depois de asselvajadas pela uncção hypocrita das suas praticas religiosas."
(Excerto de Dedicatoria-Prefacio)
"Era em 1898. Eu tinha 10 annos de edade.
Habilitado para o exame d'instrucção primaria, estava prestes a fazel-o, quando um incidente por que eu certamente não esperava m'o veio addiar para tempo indeterminado.
O incidente deu-se da seguinte forma: Eu tinha notado que meu pae trocava, havia já tempo, uma especie de correspondencia mysteriosa com um ser qualquer, visto que elle ia levar as cartas ao correio e a mim me mandava procurar as respostas, missão para que julgava não serem necessarias precauções, porque eu não teria o atrevimento de lhe apresentar as cartas já sciente do seu conteúdo.
Eu andava dominado d'uma intensa curiosidade por saber do que se tratava, mas não encontrava meio de satisfazel-a. Reflectindo um dia que minha mãe poderia estar a par do que acon tecia, fui ter com ella e sem hesitações nem rodeios pedi-lhe me desvendasse o  mysterio.
- Isso são negocios de teu pae com que nada tenho e portanto não sei do que se trata.
Mas o sorriso com que ella acompanhou estas palavras era um desmentido formal á sua pretendida ignorancia, e eu continuei a instar, a ver se apurava alguma coisa.
- Olha, não tenho tempo de te aturar! foi a resposta que me deu... [...]
Os echos das lides campestre rumorejavam na sua monotonia fastienta pelas campinas recem-trabalhadas dos labores de fim de verão. [...]
Pois foi n'um d'esses dias que eu deixei o ninho meu paterno para encetar uma vida de peripecias que se poderiam muito bem romancear. Não tenho, porem, esse intuito. São isto apenas memorias singelas e despretenciosas, e os factos que apresento são verdadeiros, podendo eu autentical-os com testemunhos de companheiros meus, cujo paradeiro não ignoro."
(Excerto de I - Para o convento)
Indice:
Dedicatoria-Prefacio | I - Para o convento. II - Primeiros dias de collegio. III - Tentativas de fuga. IV - Novos horisontes. V - Humildade ou humilhação? VI - Educação scientifica. VII - Educação religiosa. VIII - Disciplina. IX - O decreto de 1901. X - Derradeira tentativa.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
45€

03 janeiro, 2024

CORDEIRO, Arsénio -
PESCA GROSSA EM PORTUGAL.
[Por]... Do Conselho Técnico do Clube dos Amadores de Pesca de Portugal e Federação Portuguesa de Pesca Desportiva. [S.l.], Junta de Turismo de Cascais, 1950. In-4.º (24,5x19 cm) de 31, [3] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história da pesca grossa entre nós, publicado numa época em que o país dava os primeiros passos para a divulgação deste desporto, e de que este trabalho é exemplo. Inclui no final pequeno resumo em inglês.
"Até 1950 não há registo de capturas de espadartes por pescadores amadores em Portugal. Em 30 de Outubro de 1954, Manuel Frade pesca o primeiro exemplar desta espécie, com 153 quilos, nas águas de Sesimbra. Seguiram-se as grandes pescarias de Arsénio Cordeiro (1910-1982), médico e professor catedrático que foi o grande responsável pela divulgação da pesca desportiva de alto mar em Sesimbra e, particularmente, desta espécie que se tornou numa referência gastronómica da vila e deu, inclusive, nome a uma unidade hoteleira."
(Fonte: https://www.sesimbra.pt/noticia-72/ultimos-dias-da-quinzena-do-espadarte)
Livro ilustrado com 6 figuras a p.b.  - impressas sobre papel couché - distribuídas por 3 folhas intercaladas no texto.
"Ao abordar  este assunto não podemos deixar de pensar que vamos falar sobre uma modalidade actualmente quase inexistente, mas cujas condições potenciais são de tal modo favoráveis que bem se pode afirmar termos até aqui desprezado uma riqueza colocada pela Providência a nossos pés.
Nem todos os países podem aspirar a incluir no seu arsenal turístico aquilo a que os anglo-saxões chamam o Big-Game Fishing, pois que a captura de peixes gigantes com cana e carreto está naturalmente condicionada pela existência dos mesmos em local acessível. [...]
Dum modo geral pode dizer-se que sempre há possibilidades de big-game, elas são exploradas ao máximo, mesmo em locais, como a Inglaterra, em que as áreas de pesca ficam a 50 ou 70 milhas dos portos mais próximos. Em toda a parte se procura desenvolver a pesca grossa. Em toda a parte menos cá!
O objectivo deste trabalho é pois o de contribuir com a nossa magra experiência pessoal para pôr o problema em equação, procurando estabelecer como premissas iniciais:
1) O conhecimento das nossas possibilidades no que respeita a peixes de desporto;
2) A delimitação de zonas com características próprias e interesse turístico;
3) Os requisitos necessários para tornar possível o aproveitamento desportivo e turístico dessas zonas e desses peixes."
(Excerto do preâmbulo - Considerações prévias)
Índice:
Consideração prévias | I Parte - Peixes de desporto da costa portuguesa: 1.º ) Anequim; 2.º) Atum; 3.º) Espadim; 4.º) Espadarte. II Parte - Zonas de pesca grossa: 1.º - Zona de Peniche - Berlenga: a) Mar do Cerro ou Mar do Sudoeste da Berlenga; b) Baixa da Corredoura; c) Farilhões - Mar dos Farilhões - Mar da Belatina; 2.º - Zona de Cascais - Sesimbra; 3.º - Algarve - Zona de Faro - Tavira. III Parte . Futuras investigações: 1.º) Equipamento; 2.º) A equipa de pesca; 3.º) Forma prática de realização. | Resumo e Conclusões | Summary | Bibliografia.
Arsénio Luís Rebello Alves Cordeiro (Lisboa, 1910-1982). "O Prof. Arsénio Cordeiro é considerado uma das figuras mais proeminentes da Medicina Portuguesa da segunda metade do século XX, devido às suas qualidades como clinico, investigador, professor, pedagogo, pela sua personalidade e carácter impar e multifacetada, percorrendo diversas áreas, desde a medicina até às inúmeras práticas desportivas. Especializou-se ainda em Medicina Desportiva, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, visitando Roma, Bolonha, Berlim e Hamburgo.  Empenhou-se em várias especialidades da medicina como em Medicina Interna, Cardiologia, Medicina Desportiva, Medicina do Trabalho e Medicina Aeronáutica, tendo participado em inúmeros congressos internacionais nestas áreas.  Foi nomeado Professor Catedrático de Patologia Médica, em 1958 e de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1964.  Para além de ter sido desportista de enorme mérito, distinguiu-se como campeão nacional de esgrima e espada em 1939, obtendo o record europeu da pesca do espadim branco e nos anos de 1955 e 1958, na pesca do espadarte.  Foi pioneiro da prática de esqui na Serra da Estrela. Participou também em outras atividades como a caça, remo e hipismo, tendo sido sócio e representado várias associações venatórias e piscatórias."
(Fonte: https://www.medicina.ulisboa.pt/newsfmul-artigo/89/viagem-vida-do-prof-arsenio-cordeiro)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e desportivo.
50€

02 outubro, 2020

APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO LUGAR DO BALEAL
. [Introdução de Severo Baptista Cruz de Morais]. Porto, Imprensa Portuguesa, 1953. In-4.º (23,5 cm) de 95, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do Baleal - ponto de veraneio situado no concelho de Peniche conhecido pela sua beleza natural  - e a sua posse e pertença.
"Baleal é uma pequena península (outrora ilha) situada ao norte de Peniche, na região Oeste, de Portugal, separada do continente por um tômbolo, formando uma praia de fina areia branca. Na continuidade da península existe, a Sul, o ilhéu de Terra, e a Norte a ilha das Pombas e o ilhéu de Fora. O Baleal herdou esta denominação devido à grande pesca de baleias e atum no passado."
(Fonte: wikipédia)
"Tudo tem a sua história. Até a História também tem a sua própria história.
O lugar do Baleal - que é uma península entre as praias de Peniche e Foz do Arelho , e que faz parte, com outros lugares da freguesia de S. Leonardo, da Atouguia da Baleia, concelho de Peniche, comarca das Caldas da Rainha, distrito de Leiria, província da Estremadura e patriarcado de Lisboa - não pode deixar de ter também a sua história.
As suas belezas naturais têm ocupado poetas e escritores, mas creio bem que até hoje a sua verdadeira história não preocupou quem quer que fosse."
(Excerto da introdução, Explicação)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
30€