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21 outubro, 2026

INSO, Jaime do -
A CHINA.
Conferencia feita em 2 de Junho de 1930 pelo Sr. Comandante... na Sociedade de Geografia de Lisboa. Separata do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. Lisboa, Tipog. e Papelaria Carmona, 1930. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 37, [1] p. ; il. ;. B.
1.ª edição independente.
Curiosa descrição da China de há 100 anos atrás, com as suas virtudes e contradições, pintadas com mestria pela pena do autor, profundo conhecedor dos "assuntos" do Oriente, traços coincidentes com o tempo presente, outros nem tanto...
Opúsculo ilustrado no texto com várias 5 fotogravuras.
"... Na China tudo é grande, e os vinte anos da luta de hoje, na transição na monarquia para a república, não atingiram ainda senão um reflexo daquelas lutas tremendas, quando da passagem do regime feudal para o absolutismo.
E a China imensa a tudo sobrevive, inalterável, fecunda e forte, sem um clamor, caminhando pacificamente no meio da devastação e da morte, avalanche espantosamente prolífera da Humanidade!
Estranho povo!
Na China, encontram-se seres humanos que trabalham como bestas atreladas, na China até a própria Natureza por vezes se compraz a destruir cruelmente vidas e haveres, sob tempestades que não têm rivais: os tufões.
Na China, a miséria é enormemente grande, as lutas ininterruptas; por vezes, as epidemias são assoladoras, a pirataria é infrene em muitas regiões, o clima é agreste e duro, com alternativas de frios intenso e de calor tropical, onde os nossos nervos e energias se depauperam e gastam sem cessar.
Na China, existe um sentimento mais ou menos manifestado e intenso contra os europeus cujas vidas têm sofrido sempre, com intervalos de paz variáveis, sérios riscos com casos de morte, sequestro, martírios, assaltos, incêndios e destruição de propriedades.
Finalmente, na China, a vida humana oferece um valor quási desprezível comparado com o que na Europa  lhe costumamos dar.
Parece, portanto, se tudo isto é exacto, tal como acabo de referir, que a China devia ser como que um lugar execrado e de desterro, cujo nome mal apetecesse proferir.
Pura ilusão, que a China, a feiticeira, a contradição mais viva e flagrante, talvez, de toda a humanidade, tem sortilegios, encantamentos e fantasias que, como filtros venenosos, nos obscurecem a visão dos quadros sombrios da sua miseria, das suas semanas de ceu sem sol, do sangue derramado, dos tufões, de todos os perigos e riscos de vida, para nos impôr sòmente a gala dos seus exotismos, o cativante do seu povo de extraordinário poder de absorção, o atavismo da sua raça de inegualável tenacidade no trabalho, o fatalismo das suas paisagens e, sobretudo, a liberdade e o desafogo da vida que o europeu ali disfruta e que com dificuldade no Ocidente pode fruir."
(Excerto da Conferencia)
Jaime Correia do Inso (Nossa Senhora da Graça, Nisa, 1880 - Lisboa, 1967). "Foi um oficial da Marinha e escritor. Ao atingir a maioridade, assentou praça no regimento da Infantaria 22, na capital de distrito e integrou, no ano seguinte, o corpo de alunos da Armada. É promovido a guarda-marinha em 1903 e, três anos depois, a segundo-tenente. Ao longo da sua carreira ascendeu ainda à posição de capitão-tenente e capitão-de-fragata, cargo no qual passou à reserva em 1938.
Em Macau, terra à qual dedicou praticamente toda a sua obra literária, serviu na Estação Naval de Macau e também na Marinha Colonial de Macau, tendo comandado a canhoeira "Pátria" entre 1926 e 1929."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

16 outubro, 2026

COELHO, J. M. Latino -
VASCO DA GAMA.
Primeira Parte [Segunda Parte]. Por... Galeria de Varões Illustres de Portugal, N.º 2. Lisboa, David Corazzi - Editor : Empreza - Horas Romanticas, 1882. 2 vols in-8.º (19,5x13 cm) de [12], 282, [4] p. ; [1] f. il. ; (I) e [4], 371, [5] p. ; [1] mapa desdob. ; (II) ; E.
1.ª edição.
Obra biográfica de fôlego - em 2 volumes - sobre o grande navegador português e seus feitos. Na primeira parte o autor escreve sobre o contexto pré-Descobrimentos e consagra o estudo aos navegadores que precederam Vasco da Gama. 
Ensaio muito completo, ilustrado com o retrato de Vasco da Gama no volume I e um  mapa desdobrável com o caminho marítimo para a Índia no volume II.
"Quando as sombras da edade média começavam de tingir-se com os primeiros arreboes do Renascimento, duas inspirações e dois anceios agitavam o espírito europeu, já porventura fatigado da sua via interior e domestica, já pesago da multiforme e dilatada civilisação, que ao pleno despertar da intelligencia haveria de converter a velha Europa em luzeiro de toda a humanidade e em soberana região do globo inteiro. [...]
A Europa sente no XV seculo  que mais altos destinos, que os da vida quieta e remansada, a estão appelidando para novas e grandissimas emprezas. Não lhe podem já bastar á nervosa actividade as guerras interiores e as contenções domesticas sem fructo e sem valor. Pressente que uma nova transformação, vagamente suspeitada, é já agora necessaria ao seu viver. É do Norte que desponta, com a imprensa, a primeira e grandiosa innovação, o instrumento precioso de cultura intellectual. Pois, ao contrario, será das terras europêas do Meio-Dia e Occidente que ha de brotar e florescer outra rama não menos inesperada da civilisação universal. Descobre Guttemberg o apparelho, em que se corporifica e perpetúa o pensamento. Mas é em Portugal que hão de nascer as mais assombrosas maravilhas, que o prelo e os typpos moveis hão de escrever e recontar."
(Volume I - Excerto de I. O seculo XV)
"Desde as primeiras navegações nas costas africanas nos primeiros annos do XV seculo, até á viagem memoravel de Bartholomeu Dias, tinham sido perseverantes e continuos os esforços da gente portugueza para traçar no Oceano o caminho ás remotas regiões do Oriente.
A Boa Esperança, figurada no cabo, que se havia alfim dobrado, não foi enganosa, nem mentida. O rei, a cuja ambição de descobrir a India e o seu famoso Preste, se devia como estimulo  ousada navegação, - o maior feito naval dos portuguezes até áquelle tempo, - desejava seguramente continuar a empreza começada, e para isso havia já mandado cortar e apparelhar as madeiras necessarias para os navios, que haviam de proseguir alem do Cabo o auspicioso descobrimento. [...]
A Bartholomeu Dias, que já tinha visto o pouco hospitaleiro recebimento, com que o velho Adamastor dava as boas vindas aos que ousavam affrontal-o, mandou el-rei que tivesse a seu cuidado o acabar a feitura dos navios, que haveriam de ir á nova expedição. O anno de 96 passou-se nos apercebimentos da frota, que ficou para sempre memoravel. E no anno seguinte de 1497, no mez de janeiro, estando el-rei D. Manuel em Extremoz, segundo a narrativa de Damião de Goes ou em Montemór o Novo, conforme a narração de Barros, mandou chamar a Vasco da Gama e lhe deu o governo da expedição depois de algumas palavras..."
(Volume II - Excerto de I. O novo caminho da India)
José Maria Latino Coelho (1825-1891). "Nasceu em Lisboa, a 29 de novembro de 1825, e faleceu em Sintra, a 29 de agosto de 1891. Frequentou o curso de Engenharia Militar da Escola do Exército, tendo sido promovido a alferes (1848), tenente (1851), coronel (1878), coronel (1878) e general de brigada do Estado Maior de engenharia (1888). Foi lente substituto de Mineralogia e Geologia na Escola Politécnica (1851); deputado (1854, 1857, 1860, 1862, entre outras) e candidato republicano (1889 e 1890); par do Reino e ministro da Marinha (julho de 1868 a agosto de 1869); integrou o diretório do Partido Republicano (1883; foi membro da comissão para a reforma da Academia das Belas Artes de Lisboa; escritor e jornalista, colaborou em diversos periódicos, tais como Revolução de Setembro (1849), A Revolução, A Emancipação, Revista Peninsular, Século e A Semana, por si fundado em 1851, e diretor do Diário de Lisboa (1859).
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio efetivo da Classe de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais a 18 de maio de 1855, tendo integrado a 3.ª Secção (Ciências Histórico-Naturais) e sido secretário entre 1856 e 1891, bem como secretário da classe, cujo cargo exercera durante o mesmo período."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/authorities/15)
Encadernações em tela com ferros gravados a seco e a ouro nas lombadas. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado de conservação. Ocasionais manchas de oxidação no interior.
Muito invulgar.
45€

25 setembro, 2026

FERNANDES, José Augusto -
GENTE DE CÔR
. Porto, [s.n. - Oficina Tipográfica do Hospital do Conde de Ferreira-Porto], 1933. In-8.º (21x14,5 cm) de 80 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas relacionadas com Timor (a maioria) e Macau, locais onde o autor terá prestado serviço militar.
Obra rara e muito curiosa, não mencionada na BNP. Nada foi possível apurar acerca do autor, a não ser, a indicação num outro livro seu, de pertencer à Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.
"Produto dum cruzamento, nascera em Macau. Tentaram educá-lo, mas, tôda uma longa série de taras, inutilizou essa tentativa... Cresceu ao Deus dará até que, já homem, foi parar à tropa... Percorreu tôda a escala dos castigos e, por fim, lá foi ter a Timor, com a chancela de incorrigível...
Como tinha um verniz de ilustração empregaram-no. Filho de chinesa e talvez de indio, tinha todos os defeitos destas duas raças. Abafava sob a nossa moral, e as nossas leis eram para êle duma iniquidade absoluta...
Podia lá ser que êle quizesse beber, que êle tivesse sêde, que a cerveja estivesse ali, à mão de semear, em casa do chinês ou do monhé, e êle a não bebesse porque não tinha dinheiro...? Podia lá ser?! E como não podia ser, bebia e não pagava..."
(Excerto de Um milagre)
"Envelhecera em Timor. Para ali veio de Angola, novo ainda, num contingente de africanos... Alto, forte, espadaúdo, ligára-se a uma indígena e, com o tempo, veio-lhe o esquecimento da sua terra...
Deixára a tropa quando a velhice e o alcool o inutilizara e ficára por lá fazendo recados aos monhés e aos chineses...
Alma simples de bom, fiel como um cão, a negrura da sua tez era o seu único orgulho... Chamassem-lhe preto que o Pipa, abrindo a larga bôca num sorriso de satisfação, prestes respondia «pronto siô»!... E, filosóficamente, juntava: africano-preto, português-branco. Porque só o português era para êle branco, os outros, as outras raças, essas designava-as pelo nome da sua terra...
O branco era sempre o português; a sua língua, uma algaraviada de português e angola, era a língua portuguesa..."
(Excerto de O Pipa...)
"Pelas encostas da serra - de quebrada em quebrada - ouve-se o som dos batuques. O tam-tam repete-se, multiplica-se, aumenta de tom e ao longe novos tam-tans se ouvem, dando vida à paisagem. Em plena montanha, fronteiriça ao mar que distante se espraia numa quietude de lago, o som cavo dos batuques é bem como que o som dessa montanha, indefinível, mixto talvez do marulhar das ondas e do vento batendo as Tranças do arvoredo...
Um som grave, qualquer coisa que nos entristece, que nos faz olhar em roda num movimento instintivo de defesa, como se as próprias arvores, a água que canta despenhando-se, fôssem inimigos, e a sua voz fosse aquela, êsse tam-tam insistente, monótono, sem côr...
Da eminencia onde estávamos, via-se ao longe a fita branca da espuma orlando rembrandescamente o sopé da montanha e a floresta de folhas largas, dum verde macío onde a luz forte se adoça.
Pouco a pouco vão chegando os batuques.
Mulheres levando sob a axila do braço pequenos tambores que os dedos ferem, começam a orquestrar-se, arregimentando-se, e, em filas, avançam num bater cadenciado, certo, emquanto na frente, tauxiadas lâminas ao sol os homens pulam e guincham..."
(Excerto de O batuque)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. "Enrugado" e com manchas marginais por acção da humidade, sem prejudicar a mancha tipográfica.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€

05 setembro, 2026

PEREIRA, Frederico A. - OS ELEPHANTES. Por... Consul de Portugal em Siam. Porto, Livraria Portuense de Lopes & C.ª, 1890. In-8.º (19x13 cm) de [2], 104, [2] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo sobre o elefante asiático, primeira (e única) obra que sobre o assunto se publicou entre nós.
Raro e muito curioso.
Ilustrado com uma estampa do animal em separado.
"Não vamos fazer um estudo profundo sobre este assumpto. O nosso intuito é sem pretensões e visa simplesmente a fazer conhecer o quanto o elephante é um animal util ao homem pela sua intteligencia."
(Excerto de O elephante historico e de guerra)
"A Africa possue elephantes, mas não têm até hoje sido utilisados como animaes domesticos e de grande beneficio para quem os educasse, como acontece na Asia. No continente negro ignora-se mesmo um modo qualquer de os apanhar vivos, o que é de certo uma grande falta que se fosse remediada poderia ser um bom elemento de riqueza e de progresso. Oxalá que o meu trabalho, no que diz respeito á sua utilisação na Asia, possa contribuir para que de futuro se olhe para este pachiderme em Africa, como mais necessario como simples animal de caça: O seu marfim cujo valor augmenta com a edade, é nada comparado com os valiosos serviços que elle póde prestar á humanidade.
O elephante póde viver de 160 a 200 annos. Porém está sujeito a muitos contratempos que lhe abreviam a existencia: O homem mata-o quando póde; os animaes ferozes fazem-lhe uma guerra constante; entre si acontece em certas circumstancias que entram em lucta e sempre um dos contendores morre e ás vezes o outro pouco lhe sobrevive; a natureza apresenta grandes obstaculos á sua enorme massa, produzindo accidentes que acabam por matal-os, além de impedirem a sua reproducção. D'ahi resulta que a sua existencia está calculada na media de 70 annos. [...]
Os elephantes no estado selvagem andam sempre em rebanhos e obedecem ao mais velho ou ao mais forte, áquelle que melhor os póde guiar. Estes rebanhos compõem-se geralmente de 100 a 150. Obedecem ao seu chefe e é raro haver desintelligencia entre elles. A boa harmonia cessa quando um, menos soffredor, ou por ciumes, ou mais exigente que os outros, ou porque foi perturbado nos seus amores ou nas suas affeições, se mostra descontente e começa a maltratar os camaradas. O agressor vê então todos ligarem-se contra elle e depois de terriveis combates, humilha-se, mas altamente irritado; a companhia torna-se-lhe odiosa e para occultar a sua vergonha, sepára-se e refugia-se nas florestas. Este isolamento reage sobre o seu humor e azeda-lhe o caracter a tal ponto que se torna altamente perigoso para os seus semelhantes, para os outros animaes e para o homem; então mata tudo o que encontra. D'ahi provêm os nomes que lhes dão na Asia, de solitarios - matadores -; por isso é que o governo da India Ingleza dá um premio a todo aquelle que matar um de estes terriveis desertores."
(Excerto de O elephante selvagem)
Índice
:
- O elephante historico e de guerra. - O elephante selvagem. - Como se apanham elephantes. - Um captivo por amor. - A educação dos ellephantes. - O elephante em diversos serviços. - O elephante galante. - O elephante na familia. - O elephante combatente. - O elephante branco. - O elephante branco na Birmania. - O elephante branco em Siam.
Frederico António Pereira. Foi um diplomata, administrador colonial e escritor português do final do século XIX, cuja carreira ficou marcada pela sua prolongada missão no Sudeste Asiático. Exerceu as funções de cônsul de Portugal no Reino do Sião (atual Tailândia) entre 1886 e 1898. Geriu as complexas relações jurídicas e comerciais decorrentes dos tratados luso-siameses, lidando diretamente com o estatuto de proteção consular concedido a súbditos portugueses e a milhares de imigrantes chineses protegidos pelo consulado. O seu mandato foi caracterizado por posições firmes e controversas; chegou a entrar em conflito direto com o governo siamês devido à jurisdição sobre trabalhadores locais, o que gerou pedidos de sindicância e acesos debates epistolares com o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Manteve uma articulação constante com o Governador de Macau, pedindo com frequência apoio naval (como o envio de canhoneiras) para reforçar a influência diplomática portuguesa na região do rio Chao Phraya.
Como a maioria dos diplomatas nessa época, Frederico António Pereira acumulava as funções de representação com o estudo científico, geográfico e etnográfico das regiões onde estava colocado. A sua estadia permitiu-lhe recolher material para tratados pioneiros em língua portuguesa sobre a fauna, as tácticas militares locais e as tradições asiáticas. Publicou Georgina : poema sentimental (1885), seguido pelo seu tratado etnográfico Os Elephantes (1890), e mais tarde, uma obra de fôlego sobre as relações entre o Sião e a Birmânia - The political intercourse between Siam and Burmah (1895). (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem as capas originais. Pelo interesse e raridade justifica encadernar.
Raro.
50€

16 maio, 2026

CORRÊA, António de Albuquerque Jácome -
UMA VIAGEM AO ORIENTE.
[Prefácio de J. Almeida Pavão]. Ponta Delgada, Edição e Propriedade do Autor, 1984. In-8.º (22x15 cm) de 79, [1] p. ; [14] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante narrativa da viagens que o autor empreendeu pelo Oriente "português" e outras paragens visitadas pelos portugueses nessa zona do globo.
Livro publicado em Ponta Delgada, por certo com tiragem reduzida, valorizado pelo extenso preâmbulo do Prof. José de Almeida Pavão (1919-2003), vulto incontornável da cultura micaelense.
Obra impressa em papel de superior qualidade, ilustrada com 14 fotografias a cores dos locais visitados em folhas separadas do texto, impressas sobre papel couché.
"O nosso velho e muito apreciado Amigo, Dr. António de Albuquerque de Jácome Corrêa, homem muitíssimo viajado e culto, quis distinguir-nos com a honra de prefaciar este livro, que intitulou Uma Viagem ao Oriente.
Concebida em hora feliz a ideia de tal publicação, devemos confessar que o interesse que nos suscitou a sua leitura se transformou em entusiasmo, de molde a o termos «devorado» quase de uma só vez. E, ao chegarmos ao fim, um só pesar nos ficou: o de ter sido tão curta a narrativa de uma matéria tão rica e tão variada de cambiantes, qual deles o mais curioso e original. É que o Oriente se constitui, na verdade, num alfobre inesgotável de exotismo que, sem excluir certos aspectos negativos, que o autor não deixa por vezes de salientar, aparece nimbado de uma beleza estranha - mas é sempre beleza - à sensibilidade do ocidental. E o exótico - não é preciso reafirmá-lo - é fonte perene de encantamento, correspondente àquela atracção natural do homem pelo que é diferente do seu mundo, daquele mundo em que vive, no espaço e no tempo."
(Excerto do Prefácio)
António de Albuquerque Jácome Correia (Ponta Delgada, 1922-1996). "Foi um veterinário, dirigente corporativo da lavoura e político. Veterinário municipal do Concelho da Lagoa até à sua aposentação, foi durante muitos anos presidente do Grémio da Lavoura do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Foi vogal da Junta Regional dos Açores para a agricultura, pesca e indústria e deputado à Assembleia Regional dos Açores (1976-1980) eleito nas listas do CDS pelo círculo eleitoral da ilha de São Miguel."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura. Ex-libris do autor impresso no verso da folha de dedicatória.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

30 abril, 2026

MAGALHÃES, José Calvet de - A ATITUDE CHINESA PERANTE MACAU E O FUTURO DA NOSSA COLÓNIA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1946. MACAU E OS INTERÊSSES POLITICOS NO SUL DA CHINA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1947. Cantão, [s.n.], 1947-1948. In-4.º (27,5x19 cm) de [5], 100 f. ; il. e [6], 44 f. ; E.
1.ª edição.
Primeiros relatórios elaborados por iniciativa de Calvet de Magalhães, cônsul português em Cantão na época, com a chancela "Confidencial", sendo seu objectivo dar a conhecer aos "corredores do poder" em Lisboa - Ministério dos Negócios Estrangeiros e Presidência do Conselho - a situação de Macau, pura e dura, sem "floreados". Descreve a conjuntura da colónia, a reivindicação chinesa sobre Macau e Hong Kong, e os interesses das outras potências presentes nesta zona do globo - sobretudo ingleses, franceses e americanos - sublinhando, no entanto, a perspectiva da China e a sua influência na Região Administrativa de Macau, não deixando o diplomata de apontar caminhos e recomendar formas de aproximação às autoridades chinesas, locais e centrais, tendo em conta o contexto político e militar, a sua cultura peculiar e objectivos estratégicos, para ajudar o poder central na tomada de decisões. O Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, que dava já como perdido o território, leu com interesse os relatórios, com os quais concordou quase na íntegra, felicitando o autor, que se regozijou com os elogios presidenciais na abertura do segundo relatório.
Exemplares batidos à máquina, policopiados, impressos na frente, com mapas reproduzidos no texto do segundo relatório. Por opção, o relatório mais moderno foi encadernado à frente.
Os Relatórios procedem do espólio de um embaixador português. Trata-se de documentação importante, praticamente desconhecida, com interesse para a história das relações sino-portuguesas do pós-Guerra (1945), coincidindo com o conflito civil chinês que opôs facções nacionalistas a comunistas, em tempos marcados por alguma conflitualidade regional entre Macau e as províncias chinesas vizinhas. Aborda questões centrais da política da colónia, como o jogo, o turismo, o comércio com a metrópole e a obra missionária.
"Êste breve relatório contém pontos de vista meramente pessoais e portanto sujeitos a discussão e rectificação. Para a sua elaboração procurei apoiar-me, todavia, nos elementos mais objectivos que pude lançar mão, não esquecendo a observação directa do ambiente local traduzido pelas pessoas e pela imprensa.
Os pontos fracos da nossa posição em relação ao problema de Macau não deixaram de ser registados, pois creio que o seu estudo é tanto ou mais importante que o estudo dos pontos que nos são inequìvocamente favoráveis. Nos estudos publicados acêrca da nossa soberania em Macau, tem-se naturalmente procurado tirar o maior número de conclusões a nosso favor, tentando-se, por outro lado, diminuir de tôda a forma os argumentos que possam ser utilizados pelos nossos adversários nesta questão. Num trabalho destinado à apreciação do Ministério dos Negócios Estrangeiros não creio que haja lugar para tiradas patrióticas ou pintura de problemas com côres róseas."
(Excerto de Duas palavras - Relatório anual referente ao ano de 1946)
Índice Relatório de 1946:
[Duas palavras] | I - A atitude chinesa perante Macau. II - A atitude portuguesa acêrca da soberania de Macau. III - O futuro de Macau.
Índice Relatório de 1947:
Introdução | § 1º Exame breve das condições económicas e estratégicas do Sul da China. § 2º A política chinesa no Sul da China. § 3º A política inglesa no Sul da China e a colónia de Hongkong. § 4º Os interêsses franceses no Sul da China. § 5º Haverá uma política americana no Sul da China? § 6º Esquema dos interêsses e da política portuguesa no Sul da China.
José Calvet de Magalhães (1915-2004). "Embaixador de Portugal (um dos principais e mais conhecidos diplomatas portugueses da segunda metade do século XX), foi um pioneiro da chamada diplomacia económica e um dos grandes protagonistas na aproximação de Portugal à Europa enquanto participante activo em negociações que envolveram diversos organismos europeus. O embaixador Calvet de Magalhães não foi só um homem de acção. Possuidor de um consistente pensamento sobre a Europa e sobre as relações externas de Portugal, deixou-nos o seu ideário materializado num conjunto de obras que enriquecem o seu legado e juntam à sua actividade diplomática um acervo de ideias sobre as relações internacionais do seu tempo. Referência para uma geração de diplomatas, o seu ascendente provém da forma lúcida como a cada momento foi capaz de defender simultaneamente essas suas ideias e os interesses portugueses. Mais que atlantista, americanófilo, nunca deixou de estar atento ao carácter euro-atlântico de Portugal e, em particular, à importância da posição geoestratégica dos Açores e de Portugal como ponte entre a Europa e a América.
Calvet de Magalhães nasceu em 1915, em Lisboa, sob o signo da I Guerra Mundial. Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1940, fez estágio de advocacia; em 1941 candidatou-se a um lugar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e foi admitido – por essa altura entraram também para o Palácio das Necessidades Eduardo Brasão e Franco Nogueira. Ao longo da sua vida trabalhou com mais de duas dezenas de ministros dos Negócios Estrangeiros.
Estreou-se na direcção-geral dos Negócios Económicos, uma área da diplomacia em que veio a especializar-se. Em 1945 encontramo-lo como cônsul-adjunto em Nova York, de onde no mesmo ano seria transferido para Washington. Em 1946 foi enviado para Boston onde fica a gerir o consulado até que, volvidos poucos meses, é enviado para Cantão (onde acompanha o fim da guerra civil chinesa e a chegada de Mao Tsé-Tung ao poder), regressando a Lisboa em 1950. [...]"
(Fonte: https://ipri.unl.pt/images/publicacoes/revista_ri/pdf/r8/RI08_07MFRollo.pdf)
Encadernação contemporânea inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
250€

27 dezembro, 2025

AYRES, Christovam -
LONGINQUAS.
(Phantasias Orientaes). Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1891. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 167, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante conjunto de contos de sabor oriental, bem redigidos, alguns históricos, mas todos relacionados com a Índia Portuguesa, de onde o autor era natural.
"Na base de um outeiro, vestido com a opulenta vegetação dos tropicos, escondia-se entre a verduras uma casita. As olas dos coqueiros, entretecidas, abrigavam-na lateralmente, formando grandes alpendres, e cobrindo-a de alto a baixo em camadas sobrepostas, protecção necessaria contra as fortes chuvas que costumam desabar do céu em catadupas. [...]
A espaços fuzilavam os relampagos, alumiando a vastidão dos campos, das verzeas e dos céus carregados de nuvens.
Estava iminente a tempestade.
A casita permanecia silenciosa e queda, como gazella timida que se tivesse agachado, com receio de ser presentida, e pedisse ao toldo das arvores e ás trevas da noite abrigo contra as iras do céu.
Quando o vento abrandou, sentiu-se no palmar um sussurro, similhante ao rastejar da bôa sobre folhas, e no silvo agudo como o silvo da capêllo.
Uma janella da casita se abriu para o lado do palmar, e uma cabeça de mulher espreitou, recolhendo espavorida.
Um grupo de homens que, cosidos com os troncos das arvores, e com a respiração tomada, como os pescadores de coral no fundo das aguas, deslizavam na sombra.
Nas trevas luziam-lhes sinistramen te os olhos, e uns punhaes curvos como crescentes.
- Segui-me! murmurou uma voz."
(Excerto de Os Salteadores)
Indice:
A Rainha | A Borboleta Azul | As Torres do Silencio | O Corvo | A Flôr Morta | Soror Maria | Os Salteadores.
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (Goa, 1853 - Lisboa, 1930). "Coronel de Cavalaria no Exército Português, deputado na Assembleia Portuguesa, Governador Civil de Bragança e de Coimbra e Membro da Academia das Ciências de Lisboa, percurso profissional que revela claras afiliações a uma identidade portuguesa. Em termos de percurso intelectual, Cristóvão Aires ficaria conhecido como historiador, prosador amador (Lentejoulas.Contos. (1890) Lisboa: Imprensa Nacional; Longínquas. Fantasias Orientais. (1891) Lisboa: Imprensa Nacional), e autor de várias antologias poéticas (Indianas e Portuguesas: 1870-1875 (1879, segunda edição 1881); Novos Horizontes: 1875-1881 (1882), Íntimas (1884, segunda edição 1889); Anoitecer. Versos. (1912) e Cinzas ao Vento (1921))."
(Fonte: https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/ea938b47-d143-493c-9245-a1c36530bfef/content)
Encadernação meia de pele com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar por aparar em bom estado de conservação.
Raro.
50€

05 dezembro, 2025

ABREU, G. de Vasconcellos - A LITERATURA E A RELIJIÃO DOS ÁRIAS NA ÍNDIA. Por... Lente de Língua e Literatura sâmscrítica no Curso Superior de Letras, Officier d'Académie, Bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra, do Instituto de Coimbra, da Société Asiatique. Membro honorário e correspondente de outras Sociedades científicas e Academias. Paris : Guillard, Aillaud e Cia., 1885. In-8.º (15,5x10 cm) de [4], XXXII, 171 p. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo oitocentista sobre a presença ariana na Índia, a sua dispersão e influência sobre os outros povos do Oriente.
"O conceito de raça ariana teve seu auge do século XIX até à primeira metade do século XX, uma noção inspirada pela descoberta da família de línguas indo-europeias. Alguns etnólogos do século XIX propuseram que todos os povos europeus de etnia branca-caucasiana eram descendentes do antigo povo ariano. Correntes europeias, de caráter nacionalista da época, abraçaram essa tese. Esta, foi, talvez, tratada com maior ênfase pelo Partido Nacional Socialista da Alemanha. Estes, associaram o conceito de identidade nacional à raça ariana do povo germânico, através do princípio da unidade étnica, com a finalidade de elevar o moral e orgulho nacionais do povo alemão, destroçados pela derrota na Primeira Guerra Mundial e das condições consideradas humilhantes da rendição, impostas pelo Tratado de Versalhes. A palavra ário (do sânscrito arya, "nobre"), está associada à discussão sobre a existência de um povo ariano diferenciado, modernamente denominado de proto-indo-europeu, e que deu origem às primitivas línguas indo-europeias."
(Fonte: wikipédia)
"A velha questão sobre a origem da raça ariana, que tantas fogueiras acendeu no meio académico de oitocentos e no início do séc. XX, como ateou copiosos fachos entre as forças políticas da Europa nacionalista, foi matéria que inspirou a imaginação de muitos especialistas. […]
A controvérsia da superioridade de uma “raça ariana” indo-europeia e da “invasão ariana” na Índia, baseou-se essencialmente num pressuposto estabelecido por vários académicos anglo-saxónicos e missionários dos séculos XIX-XX, em que os arianos originários da Europa central tinham sido responsáveis pelas culturas de civilização celta, helénica, persa e indiana, pois só assim se explicaria como as suas línguas (o saxónico, o grego, o zenda e o védico) tinham surgido; a teoria da invasão ariana na Índia era a explicação mais lógica que se podia oferecer para justificar a expansão dos Europeus arianos no oriente e no mundo e uma civilização altamente evoluída na Índia. […] Muitos defensores da superioridade rácica ariana pretendiam basear as suas teses no Antigo Testamento, e partindo deste livro sagrado para todos os cristãos, justificaram a eliminação dos povos indianos como um bem prestado à humanidade - leia-se, aos europeus. […]
Entre os investigadores ocidentais como Max Müller (que se opôs frontalmente à teoria do evolucionismo), que defenderam a teoria ariana, esteve o português Vasconcellos Abreu, eminente matemático da Academia das Ciências, que desde novo se interessou pela língua e cultura clássica indiana, tendo aprendido integralmente de forma autodidacta o protocolo da língua sânscrita assim com a a história da sua literatura clássica, e de tal forma o fez que os seus mestres Abel Bergaigne e Martin Haug, a quem se dirigiu em Paris para continuar os estudos, viram ser impossível aprender mais, pois o seu conhecimento era já completo. Vasconcellos Abreu, em 1885, escrevia sobre os árias o que uma grande parte dos orientalistas defendida no seu tempo:
É muito provável que alguns ramos de gente árica, vivessem entre a Europa e a Ásia, desde o começo da constituição glotológica do proto-árico, percorrendo, ainda depois da determinação dos centros, como hoje os Quirguizes em hordas na Europa e na Ásia, e os Tajiques, por tráfico e indústria, na Ásia Central, as terras que se estendem pelo norte do Cáspio desde o Mar Negro, e mesmo norte do Danúbio até o Pamir. Seriam eles os mais inquietos dos Árias, e os que no século XV antes da n.e. faziam o tráfico marítimo do Mediterrâneo e comerciavam com povos estranhos nas bandas orientais do Arquipélago. (…)
Os Árias que imigraram na Índia desenvolveram ali a sua linguagem e a civilização que levavam já em grau notável. A estes Árias damos o nome de Árias Hindus. Modificados, física e intelectualmente, por cruzamentos e influências geográficas, constituíram as sociedades antigas mais civilizadas do vale do Ganges. A estes povos assim modificados (e ainda aos seus descendentes) damos o nome de Hindus."
(Fonte: http://www.academia.edu/2043728/A_Origem_dos_%C3%81rias._Hist%C3%B3ria_de_uma_Controv%C3%A9rsia_Salom%C3%A3o_Reinach_intr._e_notas_de_JC._Calazans)
Guilherme de Vasconcelos Abreu (1842-1907). "Orientalista e escritor. Formou-se em Matemática na Universidade de Coimbra e, mais tarde, concluiu o curso de Engenharia Naval. O seu interesse pelas línguas e culturas orientais levou-o a fundar em 1873, juntamente com o Marquês de Ávila e Possidónio da Silva, a Associação Promotora dos Estudos Orientais e Glóticos. Em 1875, a convite de Andrade Corvo, então ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Fontes Pereira de Melo, visitou alguns países europeus tendo como objetivo aprofundar os seus conhecimentos de sânscrito. Foi nomeado professor da cadeira de sânscrito do Curso Superior de Letras. Fez parte de várias instituições científicas de renome nacional e internacional, como a Academia das Ciências de Lisboa e a Société d’Anthropologie, de Paris. Dos inúmeros trabalhos que publicou, destacam-se Princípios elementares da gramática da língua Sãoskrita, Manual para o estudo do Sãoskrito clássico e Bases da Ortografia Portuguesa, este último em colaboração com Gonçalves Viana."
(Fonte: http://albertosampaio.no-ip.org/details?id=28717)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a negro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas manchadas.
Raro.
Com interesse histórico. 
25€

12 agosto, 2025

COSTA, General Gomes da -
SOLDADOS DE PORTUGAL! Alocução proferida na revista passada pelo General Gomes da Costa, a todas as fôrças da Província de Macau, em 9 de Abril de 1923, 5.º aniversário da Batalha de La Lys. Publicação ordenada pelo Governo da Colónia para distribuir pelos quartéis. Macau, Imprensa Nacional, 1923. In-8.º (18,5x13 cm) de [2], 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Narrativa proferida em forma de discurso às tropas da colónia - por um dos principais protagonistas  das forças portugueses em França - do que foi a Batalha do Lys e o esforço português para suster o avanço do exército alemão. Peça rara, com indubitável interesse para a bibliografia WW1.
A propósito da presença do general em Macau: "Devido (ou a pretexto de) aos tumultos de 1922 o governo português decidiu enviar de Lisboa o general Manuel Gomes da Costa (1863-1929) ao Oriente para realizar uma inspecção às tropas. Nesse périplo de dois anos passou pela Índia, Macau (Abril) e Xangai.
De regresso a Portugal, Gomes da Costa aceita chefiar o golpe militar em 28 de Maio de 1926 pondo fim à Primeira República."
(Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2014/04/soldados-de-portugal-9-abril-1923.html)
"Soldados de Portugal!
Desde 30 de Janeiro de 1917, em que saí do Tejo à frente da 1.ª Brigada Portuguesa, nos achámos, pràticamente, em guerra contra a Alemanha. Pouco mais de um ano depois - a 9 de Abril de 1918 - tinha lugar o grande ataque alemão às tropas portuguesas, ao sul de Armentières, no vasto campo de batalha de Messines.
Mais de um ano havia que o inimigo se achava paralizado em frente do sector português, travando connosco repetidos combates; havia mais de um ano que nos mantínhamos no mesmo terreno apesar dos esforços do adversário para dêle nos desalojar. Os alemães, desesperados com a longa resistência de toda a linha dos Aliados, desesperados pela longa duração desta guerra que tinham suposto fácil e rápida, desesperados pela crise interna, resolveram-se a empreender uma acção de grande envergadura, que lhes permitisse abrir caminho até ao mar, cortando em dois o Exército dos Aliados, e, com êste objectivo, concentram enormes massas de artelharia - centros de baterias - com as quais, a partir de Janeiro de 1918, começam a bater toda a zona à rectaguarda do nosso sector, por êles escolhido como objectivo imediato do seu ataque principal.
Em meados de Janeiro começam executando uma série de raids, com o fim de reconhecer e apalpar a nossa linha, procurando-lhe os pontos fracos. A partir de 19 de Janeiro, a actividade da sua artelharia cresce, já em trabalhos de contra-bateria, já na destruìção das defezas acessórias e pontos fortes do terreno.
Dois prisioneiros que as nossas patrulhas fizeram a 18 de Fevereiro, informavam-nos da chegada de mais 30 novas baterias; outros dois prisioneiros feitos a 1 de Março diziam-nos que brevemente se realizaria um ataque, com o objectivo de melhorarem as suas posições."
(Excerto da Alocução - A Batalha do Lys)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel no canto inferior direito. Com passagens do texto sublinhadas a lápis.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

25 maio, 2025

GOMES, Artur Levy -
ESBOÇO DA HISTÓRIA DE MACAU : 1511 a 1849. Por...
Macau, Edição da Repartição Provincial dos Serviços de Economia e Estatística Geral (Secção de Propaganda e Turismo), 1957. In-8.º (22x16 cm) de [9], III, 409, [3] p. ; [10] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história de Macau, antiga província oriental portuguesa. Trata-se de um "esboço" cronológico, de 1511 a 1849, ano em que o governador João Ferreira do Amaral foi assassinado quando passeava a cavalo.
Obra ilustrada em separado com 10 estampas - impressas a p.b. - sobre papel couché.
"Macau, por três séculos, a única possessão europeia na China, o primeiro empório do comércio exclusivo com o Japão e o Celeste Império, o fanal donde irradiou a luz da civilização ocidental por todo o Extremo Oriente, tão pequena em território como grande em tradições, com o seu cunho de Portugal antigo e ressaibos de orientalismo, constitui uma das mais preciosas jóias do nosso património ultramarino.
Territorialmente consta da cidade pròpriamente dita, que abrange toda a península, e das ilhas adjacentes, contando, presentemente, no seu conjunto,  pouco mais de catorze quilómetros quadrados de superfície. [...]
O título que escolhemos para este pequeno trabalho, pobre de literatura e despido de erudição, mostra bem que não pretendemos fazer a História de Macau, para que não nos achamos com fôlego, mas simplesmente divulgar alguns dos episódios da acidentada vida desta nossa tão longínqua, quão encantadora província ultramarina."
(Excerto de Ao leitor)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas, com prolongamento no pé, nas primeiras páginas do livro.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

09 abril, 2025

COSTA, General Gomes da -
SOLDADOS DE PORTUGAL! Alocução proferida na revista passada pelo General Gomes da Costa, a todas as fôrças da Província de Macau, em 9 de Abril de 1923, 5.º aniversário da Batalha de La Lys. Publicação ordenada pelo Governo da Colónia para distribuir pelos quartéis. Macau, Imprensa Nacional, 1923. In-8.º (18,5x13 cm) de [2], 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Narrativa proferida em forma de discurso às tropas da colónia - por um dos principais protagonistas  das forças portugueses em França - do que foi a Batalha do Lys e o esforço português para suster o avanço do exército alemão. Peça rara, com indubitável interesse para a bibliografia WW1.
A propósito da presença do general em Macau: "Devido (ou a pretexto de) aos tumultos de 1922 o governo português decidiu enviar de Lisboa o general Manuel Gomes da Costa (1863-1929) ao Oriente para realizar uma inspecção às tropas. Nesse périplo de dois anos passou pela Índia, Macau (Abril) e Xangai.
De regresso a Portugal, Gomes da Costa aceita chefiar o golpe militar em 28 de Maio de 1926 pondo fim à Primeira República."
(Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2014/04/soldados-de-portugal-9-abril-1923.html)
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do General Gomes da Costa.
"Soldados de Portugal!
Desde 30 de Janeiro de 1917, em que saí do Tejo à frente da 1.ª Brigada Portuguesa, nos achámos, pràticamente, em guerra contra a Alemanha. Pouco mais de um ano depois - a 9 de Abril de 1918 - tinha lugar o grande ataque alemão às tropas portuguesas, ao sul de Armentières, no vasto campo de batalha de Messines.
Mais de um ano havia que o inimigo se achava paralizado em frente do sector português, travando connosco repetidos combates; havia mais de um ano que nos mantínhamos no mesmo terreno apesar dos esforços do adversário para dêle nos desalojar. Os alemães, desesperados com a longa resistência de toda a linha dos Aliados, desesperados pela longa duração desta guerra que tinham suposto fácil e rápida, desesperados pela crise interna, resolveram-se a empreender uma acção de grande envergadura, que lhes permitisse abrir caminho até ao mar, cortando em dois o Exército dos Aliados, e, com êste objectivo, concentram enormes massas de artelharia - centros de baterias - com as quais, a partir de Janeiro de 1918, começam a bater toda a zona à rectaguarda do nosso sector, por êles escolhido como objectivo imediato do seu ataque principal.
Em meados de Janeiro começam executando uma série de raids, com o fim de reconhecer e apalpar a nossa linha, procurando-lhe os pontos fracos. A partir de 19 de Janeiro, a actividade da sua artelharia cresce, já em trabalhos de contra-bateria, já na destruìção das defezas acessórias e pontos fortes do terreno.
Dois prisioneiros que as nossas patrulhas fizeram a 18 de Fevereiro, informavam-nos da chegada de mais 30 novas baterias; outros dois prisioneiros feitos a 1 de Março diziam-nos que brevemente se realizaria um ataque, com o objectivo de melhorarem as suas posições."
(Excerto da Alocução - A Batalha do Lys)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas. Contracapa apresenta rasgão à cabeça (sem perda de suporte) e falha de papel no pé.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

20 janeiro, 2025

MARTINS, José F. Ferreira -
ANGRID (romance oriental).
Por... Colecção Civilização N.º 85. Pôrto, Livraria Civilização, 1938. In-8.º (14x9,5 cm) de 204, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre, na sua maioria, no Oriente antigo português.
"Êste romance tem algum fundamento histórico, como todos os outros trabalhos de igual natureza por mim escritos.
Um pequeno episódio concernente à sociedade portuguesa no Oriente foi a chave que me serviu para bordar o enrêdo, que romantizei, ampliando-o com aspectos curiosos da vida movimentada dos tempos que dominávamos no Oriente.
Angrid, de-facto existiu e foi um célebre corsário, temido no Oceano índico, e cuja amizade os vice-reis, por mas de uma vez, procuraram e obtiveram em certas condições.
Muitos portugueses, franceses e ingleses serviram nas suas Armadas, e todos eram unânimes em exaltar as suas qualidades: valente na guerra e generoso na paz.
Angrid, lugar-tenente do célebre Corsário, é personagem principal do romance. Singularmente expressiva em tôdas as manifestações, formosa e ousada, objectiva e genuína mulher portuguesa do Século XVIII."
(Excerto do preâmbulo - Angrid)
"Acabavam de soar as últimas badaladas na tôrre da vélha igreja, tocando as Avé-Marias. Alguns peões retardatários, acabada a faina do dia, caminhavam apressados para chegarem a tempo a casa, pela vélha estrada cheia de buracos e entulhos, que do Lumiar ia a Odivelas.
Era noite escura e o céu triste de trovoadas.
Dois homens, no entanto, parecendo não ter pressa, de quando em quando suspendiam a marcha, discutindo com calor e lamentando que os seus magros salários mal chegassem para o pão. Estavam nesta altura em frente duma casa senhorial, cercada de muro que lhes dava pelos ombros. Um dêles num repente mal disfarçado, olhando para as janelas donde coava luz em jorros, comentou com um riso escarninho.
- A êste, aqui - apontando para o palácio - nada falta para ser feliz!...
Triste ilusão...
Lá dentro, na sumptuosidade dos vastos salões, de ricos doirados, tapeçarias e exquisitos candelabros, havia mais do que tristeza, havia dor, haviam lágrimas... Pairava uma pesada nuvem de tormentos mil. Um desastre lançava negra sombra n alma torturada de seus ricos moradores, os quais, talvez, preferissem, naquela hora, a mediania e até a pobreza de muitos dos seus vizinhos."
(Excerto do Cap. I - Hora fatal)
José Frederico Ferreira Martins (Nova Goa, 1874 - Lisboa, 1960). "Historiógrafo, romancista e tradutor. Depois de ter frequentado algumas escolas e universidades inglesas sem nelas ter completado qualquer curso, dedicou-se ao ensino, tendo sido professor liceal em Lisboa e em Goa. Foi vogal do Conselho de Instrução Pública da Índia e administrador da Imprensa Nacional de Luanda, cargo em que se aposentou nos anos trinta, vindo viver para Portugal onde passou a dedicar-se exclusivamente à escrita. Durante a sua estada na Índia havia desenvolvido uma importante atividade de investigação, cujos resultados estão presentes nos numerosos ensaios que publicou sobre a presença portuguesa no Oriente e vieram também a refletir-se numa parte da obra de ficção. Colaborou em O Oriente Português, de Goa, em O Instituto, de Coimbra, e em O Mundo Português, no Boletim da Sociedade de Geografia, de Lisboa."
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado. Folha 139/140 alvo de restauro.
Muito invulgar.
15€

09 dezembro, 2024

SOROMENHO, Augusto -
DIWAN. De... Porto, [Typ do Portugal], [1855]. In-8.º (17x11,5 cm) de [164] p. ; E.
1.ª edição.
Raríssima edição original deste livro de poemas "em que ecoam traços orientalistas". Primeira obra do autor, publicada quando contava apenas 22 anos de idade.
Em Notas, na parte final do livro, Soromenho "explica" alguns versos: "Depois de escriptos e impressos esses poucos versos que ahi ficam, intendi dever acompanhar varios d'elles com notas explicativas, porque, na verdade, em alguns ha um tanto de enigmatico e obscuro. Ahi vão, pois, as que julguei necessarias. O numero romano corresponde a uma poesia com egual numero."

Quem canta seu mal espanta;
Quem chora seu mal augmenta;
E eu canto para espalhar
Uma dôr que me-atormenta!

"Que horrivel noite! O vento, a chuva, tudo
Contra mim se-conspira!
Trevas no céu, e trevas sobre a terra;
Em volta de mim trevas!
Apenas vejo alem uma luzinha,
Signal mysterioso,
Que me-faz ir chuchar um aguaceiro
A troco d'um bilhete
Perfumado d'almiscar! – Triste coisa
É andar enamorado!
Eu quando penso no que tenho feito,
Por causa das mulheres,
Pasmo! E a luz? Sumiu-se! Era o correio
Que vae para a Amarante!
"

(XLV.)

"Eu estava, hontem de tarde, a ler o Fausto,
Deitado n'um sofá,
Quando senti abrir-se a porta e, rindo,
Entrar o diabo. "Olá!
"Por aqui, é milagre!" – Mal tu sabes
O que eu venho pedir. –
"Não; decerto. Vejamos." – É uma Biblia. –
E desatou a rir...
"Uma Biblia?!" disse eu. – E então, que pensas?
Não serei eu capaz
De a-lêr? Não póde haver um litterato
Chamado Satanaz? –
"Póde. Ahi tens... Mas que buscas"? – Eu t'o-digo:
Estive, ha pouco, a lêr
O Paraizo de Milton, e ha lá historias
Que eu não posso saber
Onde-as fosse buscar. Conta lá coisas
De mim, que nem eu sei;
E venho vêr então se n'esta Biblia
Acaso as-acharei. –
"Duvido” – E tu que lês? – "O Fausto." – O Goethe!
Esse foi mais ratão.
Ao menos, teve graça. O Mephistóphles
É um grande maganão.
O Fausto é que era um parvo. – "Assim ha muitos!"
– E tu também o-és. –
"Obrigado." – E assentou-se folheando
Os Livros de Moisés.

Passado tempo, volto-me, e, que vejo!
Deitado sobre o chão
O bom do Satanaz, que adormecêra
A lêr o Salomão!..."

(CVI.)

Augusto Pereira Soromenho (Apresentação, Aveiro, 1833 - Lisboa, 1878). "Mais conhecido por Augusto Soromenho, foi um professor, filólogo e escritor português. Adotou também o pseudónimo Abd-Allah e usou os nomes Augusto Pereira do Vabo e Anhaya Gallego Soromenho e os de Castro e Pedegache, afirmando que descendia de famílias nobres de Castela e do Algarve. Inocêncio Francisco da Silva lista o nome como Seromenho, grafia que o próprio não terá usado. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e seu bibliotecário.
Considerado de génio volúvel e altivo, Camilo Castelo Branco, no 2.º volume do seu Cancioneiro Alegre, afirma que nunca viu ninguém com tantas artes para ganhar inimigos e que sacrificava os seus benfeitores àquilo a que a sua consciência chamava Justiça. O mesmo escritor afirma que o conhecera ainda muito novo e infeliz, ao que parece, sem protecção nem meios para se vestir e sustentar.
A incapacidade de manter relacionamentos dificultou-lhe sobremaneira a vida, por tinha poucos recursos, não os podendo obter da família, já que o pais, ao tempo director da alfândega de Vila do Conde, pouco o podia ajudar já que o emprego não seria muito rendoso.
Em 1855, com 22 anos de idade, publicou no Porto a sua primeira monografia, o volume de poesia intitulado Diwan, obra presentemente rara dada a escassa tiragem da edição.
Também por volta de 1855 obteve um modesto emprego na Biblioteca do Porto, onde durante os anos imediatos se dedicou ao estudo da história de Portugal e de arqueologia. Dos seus estudo resultou a publicação de numerosos artigos avulsos em diversos periódicos, que complementava com artigos de crítica literária. Entre estes últimos artigo dedicou alguns a acusações de plagiato, de que resultaram azedas polémicas.
Em inícios de 1858 conheceu Alexandre Herculano, que ao visitar a cidade do Porto o encontrou e ficou impressionado com os seus conhecimentos dos clássicos e da língua portuguesa, reconhecendo nele um mancebo de muito talento, muito estudioso e já então muito erudito. Desse encontro resultou ser convidado por Herculano para se transferir para Lisboa e passar a colaborar nos seus trabalhos de história de Portugal. Aceitou e a partir de meados de 1858 passou a trabalhar na biblioteca da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Augusto Soromenho foi um dos conferencistas das Conferências do Casino, nas quais a 6 de Junho de 1871 dissertou sobre A Literatura Portuguesa Contemporânea. Antes dele falara Antero de Quental e depois Eça de Queirós e Adolfo Coelho.
Foi feito sócio correspondente da Academia Real de Ciências e bibliotecário da mesma Academia, tendo nestas funções sucedido a Alexandre Herculano na coordenação da obra Portugaliæ Monumenta Historica. Apesar disso, e seguindo o seu padrão de relacionamento difícil, acabou por cortar relações com o seu antigo protector Alexandre Herculano, que em retaliação lhe cortou o acesso ao acervo da Torre do Tombo. Também no que respeita à Academia das Ciências, após múltiplas disputas, especialmente depois de uma grave pendência com o matemático Daniel Augusto da Silva, foi obrigado a demitir-se de sócio para evitar a expulsão.
Augusto Soromenho faleceu em 9 de Janeiro de 1878, vítima de tuberculose pulmonar. A revista literária O Ocidente publicou uma pequena biografia e o seu retrato. Deixou uma vasta obra em prosa e verso dispersas por múltiplos periódicos e inéditos muitos manuscritos."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com defeitos.
Raro.
Indisponível