SOEIRO, Felix Anastacio & FERRÃO, Carlos Ribeiro Nogueira - CARTA E MEMORIA SOBRE UM PROJECTO PARA O ESTABELECIMENTO DE UMA COLONIA MILITAR AGRICOLA E DISCIPLINAR SOB A PROTECÇÃO DE SUA MAGESTADE EL-REI, O SR. D. CARLOS I. [Por]... Capitão de infanteria & Alferes de infanteria. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897. In-8.º (22,5x14,5 cm) de [2], 27, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Proposta inovadora, conceptual, para desenvolvimento de uma prisão militar na Serra de Serpa (Alentejo), que contemplasse a incorporação do trabalho agrícola como parte do processo correctivo e do cumprimento de penas das praças sob detenção, transformando o baldio improdutivo em campos de cultivo. Esta prisão-colónia militar acabou por nunca ser construída. O projeto enfrentou forte oposição local e pressões políticas, nunca tendo saído do papel.
Obra invulgar e muito curiosa. A BNP refere o livro com a indicação: "Sem informação exemplar".
Ilustrada no texto e em página inteira com quadros e tabelas estatísticas.
"Senhor
É precisamente no momento em que no paiz se debatem as mais encontradas opiniões ácerca do aproveitamento das enormas charnecas alemtejanas, como tentativa para se debellar a falta de trigos nacionaes, e com estas as innumeras difficuldades que d'ahi resultam, que os signattarios d'esta veem mui respeitosamente apresentar a Vossa Magestade um modesto alvitre tendente a melhorar, até certo ponto e o mais economicamente possivel, um tão angustioso estado de cousas. [...]
Senhor. Dois modestos officiaes do exercito de Vossa Magestade, sentindo-se com forças para uma actividade superior em beneficio da sua patria, sujeitam-se de bom grado ás enormes difficuldades da vida isolada, doentia e cara, nas charnecas do Alemtejo, sem outras ambições que não sejam a de se tornarem uteis ao seu paiz e ao governo de Vossa Magestade."
(Excerto do Introdução)
"Senhor. - Os dois officiaes abaixo assignados, bastante conhecedores da serra de Serpa e praticos em edificações economicas e nos trabalhos de culturas e pecuaria, propõem-se a fertilisar e colonisar com a mais restricta economia e as maiores vantagens para o estado, as extensas massas de terreno, sem a minima vegetação arborea, constituidas por faixas contínuas de esteval de grandes dimensões e de campos immensos de charneca improductiva da alludida serra.
Trocando espontaneamente as commodidades e gosos que offerece a vida das cidades pelas agruras da vida rural, sem comtudo deixarem de prestar valiosos serviços ao exercito, como se verá da indole d'este emprehendimento, procuram esta occupação honrosa e salutar para estabelecer uma colonia militar agricola e disciplinar no centro da mesma serra, que tem por fim empregar em todos os seus trabalhos de edificações, aproveitamento de aguas, culturas, creação de gados e apuramento das especies e exploração e aperfeiçoamento de varias industrias proprias da região, o pessoal da colonia, destacado do exercito com as aptidões requeridas para cada mister e ainda as praças destinadas ao deposito militar do forte da Graça, cuja regeneração será mais efficaz e offerecerá maiores garantias, alliando o trabalho agricola obrigatorio á educação e correcção militar; porque assim se evita a ociosidade e a perversão d'esta multidão de incorrigiveis, attestada pelas antigas casas de correcção e ainda não desmentida pelo actual deposito militar."
(Excerto do Preâmbulo)
Índice:
[Introdução] | [Preâmbulo] | Idéas geraes sobre os fins da colonia | Organisação e administração da colonia | Quadro do pessoal da colonia | Vencimentos, recompensas e penalidades | Disposições diversas | Descripção summaria dos predios de que constam as edificações fundamentaes da colonia, que suppre a planta junta á primeira memoria | Mappas [Quadros/Tabelas].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha antiga no pé, visível nas últimas folhas do livro.
Raro.
45€

