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19 março, 2026

RAPOSO, Hipólito -
JARDIM SUSPENSO. Guimarães, [s.n. - Grandes Oficinas Gráficas «Minerva» de Gaspar Pinto de Sousa, Sucessores, Ltd.ª - Vila Nova de Famalicão], MCML [1950]. In-4.º (24x16 cm) de 21, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Apanhado de cantigas de índole popular composta por 215 pequenas poesias colecionadas pelo autor, reminiscências do seu tempo de rapaz no lar paterno.
Trabalho pouco conhecido, de índole intimista, o seu último publicado em vida, mas muitíssimo interessante. Saiu em separata dos n.os 3-4 e 5-6 do vol. 1.º (2.ª série) da revista Gil Vicente.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a José de Campos e Sousa.
"Durante dois serões das férias do Natal de há cinquenta anos, na vila beiroa em que nascemos, meu Pai e minha Mãe, sentados comigo à roda do lume, iam-me ditando, alternadamente, a sorrir na desgarrada, as simples cantigas adiante transcritas.
Por então, debaixo da laranjeira do nosso quintal, hirsutamente rosnava um cão, o vigilante Fantoche, a dar alarme contra suspeitos ruídos de metediços ou ratoneiros que se afoitassem na solidão, ao favor do negrume da noite.
À porta da nossa casa, era certo passar o retumbo da arruada, com o famoso Tiago no meio, ora a tossir turvamente da bronquite sarrosa do vinho, ora a cantar fundo e claro à viola de cordas de tripa, pois na terra não havia guitarras, nem o povo fora ainda infeccionado pela sórdida lepra do Fado da Mouraria. [...]
Escritos a lápis no papel dos cadernos da escola, com as folhas dobradas em quatro, a toda a altura, desta maneira, em silêncio e paz, estes versos populares foram atravessando a maior parte da minha vida, em diversas fases muito salteada de ondas, ressacas e escarcéus. [...]
Com muito fiel e pronta memória, por meus Pais foram recitadas quase todas estas cantigas; mas algumas, aqui e além, eram pausadamente proferidas, como se lhes estivessem brotando das almas em cauteloso improviso. [...]
Na variada colecção que vai ler-se, esses estudiosos da alma popular, poderão gostosamente vê-la reflectida em cândidos paralelismos, claros reflexos e vivos contrastes, pela indefinida série das suas expressões espontâneas, desde o amor-saudade, do sonho, da desgraça e da ventura, até ao desengano, à mágoa, ao desprezo e a outros sentimentos humanos. Popularismo castiço, poesia sem jaça exótica, nem artificiosa. Por estas composições senti despertar a minha admiração pelo Poeta-Povo, e sempre me ficaria o gosto da primeira lição da sua Literatura, em boa hora recebida das bocas daqueles que me procriaram, e por entre brandos cuidados e carícias me ensinaram a falar português."
(Excerto do Preâmbulo)
Hipólito Raposo (1885-1953). "Advogado, escritor, historiador e político, natural de S. Vicente da Beira, foi um dos mais destacados dirigentes do Integralismo Lusitano.
Começou a sua carreira profissional como professor de Geografia no Liceu Passos Manuel (1911-12) e como professor de Filosofia Geral das Artes no Conservatório de Lisboa (1912-). Em 1914, participou na preparação e lançamento da revista Nação Portuguesa e, no ano seguinte, proferiu a conferência A Língua e a Arte no âmbito do ciclo de conferências sobre A Questão Ibérica na Liga Naval de Lisboa, em que apresenta uma profunda análise das diferenças e especificidades culturais, linguísticas, literárias e artísticas de Portugal e Espanha, concluindo que uma união ibérica seria realizar "o absurdo de fundir uma gota de sangue com uma lágrima."
A Hipólito Raposo, mais tarde secretário da organização política do Integralismo Lusitano (1916-1933), se devem as primeiras exposições dos conceitos fundamentais do seu ideário político, em artigos como "A voz do profeta" (acerca do municipalismo de Alexandre Herculano), Natureza da Representação e Conceito Nacional de Soberania. 
Em 1919, era director do jornal A Monarquia quando desempenhou destacado papel no pronunciamento monárquico de Monsanto, vindo a ser demitido de todos os cargos públicos, julgado no Tribunal Militar de Santa Clara por "crime de imprensa" e a cumprir pena de prisão em S. Julião da Barra (1920). Afonso Lopes Vieira vestiu então a toga de advogado, pela primeira e única vez, em defesa do seu amigo. Exerceu advocacia em Angola (1922-23).
Reintegrado como professor no Conservatório (1926), defendeu a recusa de colaboração dos monárquicos à União Nacional (partido único) e ao regime do "Estado Novo", acabando por ser de novo demitido de todos os cargos públicos, e deportado para os Açores, na sequência da virulenta denuncia da "Salazarquia" que fez no livro Amar e Servir (1940). Subscreveu a reactualização doutrinária integralista Portugal restaurado pela Monarquia (1950)."
(Fonte: https://www.estudosportugueses.com/hipolito_raposo.html)
Exemplar em brochura, presos por atilho, em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico e etnográfico.
Indisponível

17 dezembro, 2022

RAPOSO, Hippolyto - LIVRO DE HORAS (1908-1911).
[Escrito por Hippolyto Raposo sendo escolar de Leis na Universidade]
. Coimbra, F. França Amado, Editor, 1913. In-8.º (19,5 cm) de XII, 262, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Pensamentos e reflexões do autor vertidos em crónicas durante o seu período de estudante, em Coimbra.
"Costume é dos mais antigos confessarem os Autores em os prologos de seus livros as causas e razões dos mesmos, para que a vaidade se não atribua o que é de sãos propositos e a Critica dos entendidos mais propenda á benevolencia do que ao rigor.
Assim usam e cuidam aqueles todos que se propõem tratar com escrupulo as mais grave materias, tanto da sciencia divina, como da humana, ainda que para versa-las lhes não faleça o engenho e o conhecimento adequado, em longo estudo e meditação adquirido."
(Excerto do Prologo - Ao leitor curioso)
"A minha engomadeira é uma mulher esperta, risonha e bem falante, com voz docemente cantada que torna a pronúncia de Coimbra a mais bela de Portugal.
Trabalha de manhã à noite, constantemente, e de tempos a tempos um novo filho se lhe vem dependurar do peito, a sorver-lhe a vida, já pobre de tanto desperdício.
Os pequenos, uns loiros, trigueiros outros, sem tipo de família definido, revolteiam pelo chão, resmungando, enquanto ela trata da roupa sobreposta em trouxas.
Tão martirizada de desventura, de fome em tempo de férias que a levavam à necessidade de recorrer ao último extremo do crédito - nunca o desespero a colheu, sempre resignada à espera que outubro chegue...
E são assim quasi todas, confiadas à incerteza do amanhã, como as aves do ceu da parábola que não semeiam e colhem.
A uma ouvi eu dizer que lhe tinham lido a sina em pequena e tudo saíra certo: não havia mais remédio..."
(Excerto de As Engomadeiras)
Taboa:
Epigrafe. | Dedicatoria. | Prologo. | OUTONO: O Mosteiro de Lorvão; Um morto; Lenda de Santa Comba; Canto do cisne. INVERNO: Penedo da Saudade»; Mimi Aguglia; Doutor Calisto; As Engomadeiras. PRIMAVERA: Carta a Alexandre Herculano»; Sobre o namôro coimbrão; O Cavaleiro da Saudade. ESTIO: Um mau começo»; Noivas tiranas; Lámpana Spenta; Juizo Final.
José Hipólito Vaz Raposo (1885-1953). "Mais conhecido por Hipólito Raposo, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi um dos fundadores do movimento político-cultural auto-intitulado Integralismo Lusitano e da revista Nação Portuguesa, órgão do movimento integralista. Também teve colaboração nas revistas "O Occidente" (1878-1915), "Serões" (1901-1911), "A Farça" (1909-1910), "Contemporânea" (1915-1926), "Atlântida" (1915-1920), entre outras. Diretor do periódico "A Monarquia", à frente do qual teve um papel relevante no Pronunciamento Monárquico de Monsanto, ocorrido em 1919. Foi condenado a uma pena de prisão. Cumprida a pena, partiu para Angola (1922-1923), onde exerceu advocacia em Luanda. De regresso a Portugal, continuou a exercer a profissão de advogado e afirmou-se como líder destacado e ideólogo do Integralismo Lusitano. Em 1930 recusou colaborar com a União Nacional, defendendo que essa devia ser a posição dos monárquicos, e opôs-se à institucionalização do regime do Estado Novo. Em 1950 foi um dos subscritores do manifesto Portugal restaurado pela Monarquia, uma tentativa de reatualização doutrinária do movimento integralista."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/details?id=16499)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Lombada reforçada com fita pelo interior.
Invulgar.
20€

10 dezembro, 2021

RAPOSO, José Hippolyto - SENTIDO DO HUMANISMO. Dissertação para concurso á Faculdade de Letras de Lisboa, no grupo de Filologia Românica. (Diário do Govêrno de 19 de Setembro de 1913). Coimbra, Tipografia França Amado, 1914. In-8.º (19,5 cm) de 76, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original de uma das primeiras e mais invulgares obras do autor.
"O conceito atribuído á palavra Renascença, deriva naturalmente da interpretação que fôr dada ao período medieval.
A diversidade de aspectos e critérios por que tem sido estudada esta época histórica e as prevenções com que cada qual se propõe resolver o problema, têm impedido a critica de formular até hoje uma síntese definitiva.
A Igreja reivindica para ela a gloria de ter sido em quinze séculos, o mais forte e quasi o único elemento de coordenação social.
O Feudalismo foi pedir á disciplina dos seus preceitos a força de coesão que tornou possivel então a jerarquia territorial, e por ela, a garantia dos interesses legitimos, a estabilização da familia, a ordem nas classes.
Foi á sombra dos santuários e mosteiros que se guardaram os pergaminhos de nobreza da sabedoria antiga, começaram a viver as universidades e se alimentou de motivos fecundos a Arte religiosa, no Oriente e no Ocidente.
Á continuidade da sua tradição de governo, devemos o traço de união do mundo antigo para o moderno."
(Excerto de Espirito da Renascença)
Índice:
I. Espirito da Renascença. II. Humanismo e Nacionalismo. III. A Língua dos Quinhentistas.
José Hipólito Vaz Raposo (1885-1953). “Um dos teóricos e dirigentes do Integralismo Lusitano. Era companheiro de mesa de Nobre de Melo com quem coabitava. Professor no Liceu Passos Manuel. Diretor do jornal A Monarquia em 1919. Advogado em Angola em 1922-1923. Reintegrado no professorado em 1926, passa a ser docente do Conservatório. Não apoia o salazarismo, de quem se torna crítico precoce. Um livro publicado em 1940 é apreendido pela polícia política e leva-o ao desterro. Considerava, então, a existência de uma salazarquia. Novamente demitido, apenas volta a ser reintegrado em 1951.”
(Fonte: www.politipedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa com defeitos. Sem f. anterrosto.
Muito invulgar.
15€

05 julho, 2014

RAPOSO, Hipólito - DESCOBRINDO ILHAS DESCOBERTAS. [S.l.], Edições Gama, 1942. In-8º (19cm) de 388, [4] p. ; [7] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com 7 fotogravuras em folhas à parte.
Monografia dedicada ao arquipélago dos Açores, uma das mais apreciadas obras do autor.
"Da minha passagem e contemplação por tterras dos Açores, fui juntando fôlhas escritas nos forçados vagares de uns meses de saüdades. Sem emprêgo de cuidados úteis, longe de livros, assim alimentava a ilusão de não perder o tempo. Com êsses papéis se formou um caderno de lembranças da boa terra e da boa gente açoriana."
Matérias:
Inscrições.
Preâmbulo.
I - A Caminho
- Ilha primeira - Solar da melancolia. - Ilha segunda - Vale de água em fogo. - Ilha terceira - À procura de Angra. - Ilha quarta - Para o Cais da Negra.
II - Ócios do Desterro
- Da terra e da gente. - Coroações - Impérios. - A Furna do Enxôfre. - Portugal seja louvado! - Na Luz. - Lidas do leme e do arado. - Por ladeiras e cumes. - Príncipes da Graciosa. - Painéis quinhentistas de Santa Cruz da Graciosa.
III - Açores, até mais ver!
- Graciosa, aqui te deixo. - Do Pico para o Faial. - À varanda de bordo (S. Jorge). - De Angra à Praia (Terceira). - As Sete Cidades (S. Miguel). - O segrêdo de Santa Maria.
José Hipólito Vaz Raposo (1885-1953). “Foi um advogado, escritor, historiador e político monárquico, que se notabilizou como um dos mais destacados dirigentes do Integralismo Lusitano. Opositor do salazarismo, em 1930 recusou colaborar com a União Nacional, defendendo que essa devia ser a posição dos monárquicos, e opôs-se à institucionalização do regime do Estado Novo. Em 1940 publicou a obra Amar e Servir, na qual denuncia de forma virulenta a Salazarquia, um duro ataque a António Oliveira Salazar que lhe valeu ser de novo demitido de todos os cargos públicos que ocupava e a imediata deportação para os Açores. Aproveitou o seu exílio involuntário nos Açores para escrever uma das melhores obras de literatura de viagens sobre o arquipélago, Descobrindo Ilhas Descobertas, originariamente publicado no jornal A Ilha, de 1940 a 1941, saindo depois em livro em 1942.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

13 julho, 2011

RAPOSO, Hipólito - PÁTRIA MORENA
. Pôrto, Livraria Civilização - Editora, 1937. In-8.º (19x12 cm) de 335, [9] p. ; E.
1.ª edição.
Apreciada colectânea de crónicas, algumas antes publicadas em jornais e revistas.
Índice:
Exta He Lixboa Prezada. Terras da Minha Gente. Nos Domínios de D. Fuas. Pelo Reino das Cegonhas. Cuidados Meus.
José Hipólito Vaz Raposo (1885-1953). "Mais conhecido por Hipólito Raposo, foi um advogado, escritor, historiador e político monárquico, que se notabilizou como um dos mais destacados dirigentes do Integralismo Lusitano."
Encadernação cartonada com as pastas revestidas em sintético. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Dedicatória manuscrita (não do autor) na f. ante-rosto.
Pouco vulgar.
Indisponível