Mostrar mensagens com a etiqueta *BOCAGE (Manuel Maria de Barbosa du). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta *BOCAGE (Manuel Maria de Barbosa du). Mostrar todas as mensagens

07 junho, 2026

BOCAGE -
OLINDA E ALZIRA
. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, 1915. In-8.º (18,5x12 cm) de 40 p. ; B.
Edição centenária das célebres Cartas de Olinda a Alzira.
'Romance-ensaio', invulgar e muito curioso, composto por sete epístolas.
Obra não relacionada na Biblioteca Nacional (BNP), revestida de capa belíssima, não assinada.
"O erotismo tem sido cultivado com alguma frequência na literatura portuguesa. [...]
As Cartas de Olinda a Alzira - que constituem um caso inédito na literatura portuguesa, pois são um relato das primícias sexuais de uma jovem, na primeira pessoa, como assinala Alfredo Margarido – por sua vez, são dadas à estampa nos finais do século passado com as precauções proverbiais: sem a menção da data, editor, local ou organizador.
Com o advento da República, a liberdade de expressão, grosso modo, foi uma realidade. Estavam reunidas as condições objectivas e subjectivas para a Guimarães Editores assumir a publicação de Olinda e Alzira, em 1915."
(Fonte: https://purl.pt/1276/1/erotismo.html)
"Diz-se que Cartas de Olinda e Alzira, romance epistolar em verso de Manuel Maria Barbosa du Bocage que circulou clandestinamente pelo país, é um dos primeiros manifestos feministas. Não seria de estranhar, já que este escritor pré-romântico, desaparecido há 200 anos, foi tido, no seu tempo, como personalidade escandalosa e pervertida e vítima de interdições, censura e abusos vários.
Cartas de Olinda e Alzira é a composição de que se parte para este espectáculo homónimo: proposta ética - e não de ocasião - mas, muito provavelmente, bizarra são cenas "pintadas” e, nelas, tudo o que parece, é. É mesmo! A tonalidade do espectáculo, como a do texto, é confessional e reproduz os movimentos do coração que sobem direitos "à nossa condição maravilhosamente corporal” (Montaigne). E, a título de justificação antecipada, citamos Bocage que dizia: "(...) instintos naturais se não são crime, como crime será narrar seus gozos?(...)"
(Fonte: https://www.tndm.pt/pt/eventos/detalhe.php?id=119)

"Que estranha agitação não sinto n'alma
Depois que te perdi, querida Alzira!
De meus olhos fugiu, sumiu-se o fogo,
Que a tua companhia incendiava!
Por uma vez se foi minha alegria,
Nem a mesma já sou, que outr'ora hei sido!
Minhas vistas ao céu lânguidas se erguem,
E a mim propria pergunto d'onde venha
Tão novo sentimento assoberbar-me?
Não se aquieta o coração no peito,
Não cabe n'elle, e viva chamma no intimo
Das entranhas ardente me devora
Sem que eu possa atinar a causa, a origem,
Aquelles passatempos, que na infancia
Tão do peito queria, em odio os tenho.
Das mesmas sup'rioras a presença,
Que d'antes para mim era indiff'rente,
Se me torna hoje dura, intoleravel!
Aonde, aonde irão estes impulsos
Precipitar a malfadada Olinda?
Será, querida Alzira, a tua ausencia,
Que me faz derramar tão agro pranto?
Debalde a largos passos solitaria
Vago sem norte; ignoro o que procuro;
Ah! minha cara! Os males que tolero
Expressal-os não posso, nem soffrel-os.
"

(Epistola I - Olinda a Alzira)

"Conheço de teus males a vehemencia,
Prezada Olinda! Eu propria os hei soffrido,
Quando da mesma edade que hoje contas
Próvida a natureza começava
A preencher em mim seus fins sagrados.
Marcha ella por graus em suas obras;
Precede ao fructo a flor já matizada,
Que fôra antes de flôr botão mimoso."

(Excerto de Epistola II - Alzira a Olinda)

"Quanto gratas me são as tuas lettras,
Querida Alzira! Ao coração me falas!
As tuas expressões meigas occultam
Em si virtede tal, que apenas lidas
D'ellas a alma se apossa sequiosa:
Tu és, prezada amiga, unico archivo
Aonde os meus segredos, mais occultos
Eu vou depositar: em ti encontro
O refrigerio a males, que tolero,
Sem poder conhecer a origem. [...]
Revela á tua amiga este mysterio
D'onde sinto prender o meu repouso.
Eu não exp'rimentava, o que exp'rimento:
Os meus sentidos todos alterados,
Uma viva emoção põe em desordem.
Cala-me activo fogo nas entranhas;
O coração no peito turbulento
Pula, bate com ancia estranhamente:
O sangue, pelas veias abrazado,
Parece que me queima as carnes todas:
A taes agitações languidez terna
Succede, que a meus olhos pranto arranca,
E o coração desassombrar parece
Do pezo da voraz melancholia.
Té mesmo a natureza tem mudado
A configuração, que eu d'antes tinha:
Vão-se augmentando os peitos, e tomando
Uma redonda fórma, como aquelles
Que servem de nutrir-nos lá na infancia.
D'outros signaes o corpo se matiza
Antes desconhecidos: alvos membros,
Lizos té'qui, mácula um brando pello,
Como o buço ao mancebo, é ave a pennugem.
Sobresalta-me d'homens a presença,
Elles, a quem té agora indifferente
Tenho com affouteza sempre olhado!
Ao vel-os o rubor me sobe ao rosto,
A voz me treme, e articular não posso
Sons, que emperrada a lingua não exprime.
Sinto desejos, que expressar me custa;
Amor... E como a idéa tal me arrojo?
Será talvez amor isto que eu sinto?"

(Excerto de Epistola III - Olinda a Alzira)

Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
50€

28 outubro, 2025

ÁVILA, Artur Lobo d' e MENDES, Fernando -
A VERDADEIRA PAIXÃO DE BOCAGE.
Romance historico sobre a vida do grande poeta. O Romance Popular. Lisboa, Secção Editorial de «O Seculo», 1926. In-8.º (200x14 cm) de [6], 236, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico sobre a vida do grande vate setubalense. Obra folhetinesca, muito curiosa, impressa a duas colunas.
"Setubal, a famigerada «Cetobriga» dos antigos, fundada por Tubal - segundo as mais remotas lendas e velhas cronicas - cento e quarenta e cinco anos depois do diluvio, e que hoje vemos convertida numa das mais belas e adiantadas cidades de Portugal, era, ao começar o ultimo quartel do seculo XVIII, uma vila importante e laboriosa, já então com incontestaveis requisitos para a concessão daquele mais elevado fôro. [...]
No ano da era de Cristo de 1773, época em que se deram os factos que vamos narrar, Setubal era um dos mais frequentados portos portugueses. O Comercio do sal, do peixe, do vinho, bem como a exportação de frutas, em especial laranjas e limões, atraíam ao Sado numerosos navios nacionais e estrangeiros, tornando prospera a população setubalense, então computada em doze mil almas. [...]
Era no principio da segunda semana da Quaresma, e passava das quatro horas da tarde, quando um tipo classico de sacerdote, em trajo de passeio - chapéu de pêlo com aba larga, colarinho romano, ampla sobrecasaca, calção e botas de cano com sua borla caída na frente - vinha atravessando o largo da igreja então conventual e hoje paroquial de S. Sebastião.
Enfiando pela rua de S. Domingos, o correcto eclesiastico foi bater á porta duma casa onde hoje se vê uma lapide com a seguinte inscrição comemorativa:
«Nesta casa nasceu o insigne poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, a 15 de Setembro de 1765. Alguns dos seus conterraneos mandaram fazer este memoria no ano de 1864».
A criada da casa, assomando á janela de grade antiga, formada por grossos varões de ferro, exclamou:
- Ah! É vossa reverendissima, sr. D. João de Medina?
- Os teus patrões já vieram?
- Estarão a chegar... Como vossa reverendissima sabe, veem «por agua» de Lisboa á Moita; daí, aos Olhos  de Agua, e depois por Palmela até cá."
(Excerto do Prologo - I. O ninho setubalense)
Encadernação meia de pele com rótulo carmim e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta restauro na f. rosto, ante-rosto e 1.ª p. texto (do prefácio).
Invulgar.
30€

06 outubro, 2025

COLLECÇÃO D' EPISTOLAS : Eroticas e Philosophicas
. Paris. Em Casa de J. P. Aillaud, Quai Voltaire, 11. 1834. In-8.º (15,5x9,5 cm) de VIII, 80 p. ; E.
1.ª edição.
Obra composta pela conhecida epistola Pavorosa Illusão de Bocage, aqui impressa pela primeira vez, seguindo-se A voz da razão (em três epístolas) de José Anastácio da Cunha, também ele um "espírito livre", finalizando com a Epistola de Eloisa a Abeilard, versão livre de Colardeau sobre os versos de Pope, traduzida do francês por "J. da F" (José da Fonseca, o editor?), mas atribuída a Bocage por Inocêncio e Maria Luísa Malato Borralho (Borralho, O mito de Abelardo e Heloísa no poesia portuguesa de setecentos, in Revista da Faculdade de Letras «Línguas e Literaturas», Porto, XIX, 2002, pp. 267-286).
Ainda sobre a Pavorosa Illusão, com a devida vénia, reproduzimos excerto do trabalho de Cristina Marinho - Triunfos da Religião e da Natureza: discordia concors, in Leituras de Bocage, UP, 2007.
"Num género de tradição libertina europeia, a Pavorosa, conforme insinuantemente foi também conhecida, superava em divino erotismo muito do mero anticlericalismo bocageano culminando na caricatura do papa como “purpúreo fanfarrão, e papel sacrista”. Na verdade, Bocage aí identificará o Inferno com o “sistema de política opressora” que engendra estrategicamente o engano para manipular a Ignorância, convidando-a a reduzir as “propensões da natureza/ Eternas, imutáveis, necessárias” a “espantosos, voluntários crimes” aos olhos de um Deus opressor e vingativo que não existe, invenção atroz do “sanhudo ministro dos altares” que difunde “a peste do implacável fanatismo”, qual “bárbaro impostor”, instrumento dos “tiranos da terra”.
Edição ilustrada com bonitas capitulares e gravurinhas no texto.
"Sai pela primeira vez á luz publica a belissima epistola Pavorosa Illusão da eternidade do insigne poeta Manoel Maria Barbosa du Bocage, a qual «reforçada das culumnias de seua inimigos, o conduziu a gemer alguns mezes na cadeia de Lisboa, e nos carceres do tribunal da Inquisição, d'onde o redemiu a piedade, e valimento dos marquezes de Ponte-de-Lima, Abrantes, e Pombal, cuja protecção implorou em epistolas, que serão um eterno testimunho de seus talentos, e da sua desgraça.»"
(Excerto de Advertencia)

"Pavorosa illusão da eternidade,
Terror dos vivos, carcere dos mortos,
D'almas vãs sonho vão, chamado inferno;
Systema da politica oppressora,
Freio, que a mão dos déspotas, dos bonzos
Forjou para a boçal credulidade;
Dogma funesto, que o remorso arraigas
Nos ternos corações, e a paz lhe arrancas;
Dogma funesto, detestavel crença
Que envenenas delicias innocentes,
Taes como aqquelas que no ceo se fingem.
Furias, cerastes, dragos, centimanos,
Perpetua escuridão, perpetua chamma;
Incompativeis producções do engano,
Do sempiterno horror terrivel quadro
(Só terrivel aos olhos da ignorancia)
Não, não me assombram tuas negras côres:
Dos homens o pincel e a mão conheço.
Trema de ouvir sacrilego ameaço
Quem de um Deus, quando quer, faz um tyranno.
Trema a superstição; lagrymas, preces,
Votos, suspiros, arquejando espalhe;
Cosa as faces co'a terra, os peitos fira:
Vergonhosa piedade, inutil venia.
"

(Excerto de Pavorosa Illusão)

Encadernação meia de pele com rótulo negro e ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Aparentemente falta uma folha no início, "aparentemente", por ser "defeito" comum a outros exemplares, e o texto se encontar completo.
Raro.
Indisponível

20 novembro, 2024

CLARO, Rogério -
O DRAMA DE BOCAGE.
Conferência proferida no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Setúbal, em 15 de Setembro de 1948. Setúbal, [s.n. - Execução gráfica da Escola Tipográfica do Orfanato Municipal de Setúbal - 1949], 1949. In-4.º (25x19 cm) de 28, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem do autor a Bocage, o "poeta do Sado".
Bonita edição, impressa em papel de superior qualidade, ilustrada extra-texto com o retrato do vate setubalense.
"Na forma do ano passado, comemoramos hoje, com funda alegria, o nascimento, em Setúbal, de um dos seus filhos mais ilustres que foi também um das figuras mais destacadas das páginas literárias da Nação Portuguesa.
Este festa tem, simultâneamente, dois objectivos: o primeiro, prestar homenagem a quem foi, pelo seu génio, um grande e alto valor nacional; o segundo, unir espiritualmente em alto pensamento todos os que aqui nasceram ou aqui criaram fundas razão de amor."
(Excerto da alocução do Dr. Miguel Rodrigues Bastos, Presidente da CMS)
"Ao ler atentamente toda a obra poética de Bocage, uma pergunta imediata se formulou no meu espírito: Até que ponto foi a vida do poeta um aturdimento à angústia que o sufocava?
Poderá parecer estranho falar-se de angústia num homem que viveu tantas aventuras libertinas e que tantas vezes tem sido apresentado como um chalaceador optimista e brincalhão.
Mas o facto não pode ser negado, tal a evidência com que se nos apresenta: Bocage viveu um intenso drama e, se na literatura ocupa um lugar de acentuado relevo pela forma como soube exprimir os sentimentos vários que o agitavam, no campo da especulação filosófica a sua figura aparece-nos cheia de elevação moral."
(Excerto da Conferência)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e biográfico.
Indisponível

22 setembro, 2020

AMARAL, Eloy do - BOCAGE. Fragmento de um estudo auto-biographico. Por... Figueira, Imprensa Lusitana de Augusto da Veiga, 1912 [capa, 1913]. In-8.º (23,5 cm) de 40 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante peça bocagiana. Edição original, impressa na Figueira da Foz, deste curioso estudo biográfico e poético sobre Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), poeta árcade natural de Setúbal.
Ilustrado com um retrato de Bocage em página inteira.
"Ha sobre a vida, epoca e obra do glorioso Elmano, trabalhos d'um alto valor litterario e historico, como os de Rebello da Silva, dr. Theophilo Braga e Pinheiro Chagas, mas estes, além de serem muito extensos e largamente documentados, não são como o nosso, um estudo auto-biographico, onde quasi que exclusivamente aproveitámos os versos do poeta, conseguindo dar assim, em poucas paginas, uma synthese biographica d'essa extranha e complexa individualidade poetica do seculo XVIII, d'esse famoso vate tão sublime de inspiração e lyrismo, tão vibrante na satyra e no epigramma, incomparavel no soneto, e, como dissémos tambem em algumas linhas para acompanhar o retrato do genial bardo sadino, o mais legitimo representante do repentismo poetico nacional.
É sempre agradavel ter occasião de pôr em evidencia o estro fecundo e admiravel de Elmano, tanto mais que elle é ainda para muitos sómente o poeta chocarreiro dos botequins e dos terreiros dos conventos, o bohemio das arruaças, turbulento e audacioso, sempre em companhia de fidalgos estouvados e frades foliões, quando não apenas conhecido por simples brégeiro.
E é a mulher, a mulher por quem elle tinha um verdadeiro culto, que cantou com tanto enthusiamo, tão lindamente, tão apaixonadamente em estrophes d'oiro, ao som mavioso da sua lyra vibrante  de inspiração e sentimento, que mais conserva essa deploravel tradição e mais desconhece o cantor da emocionante e sentida historia da morte de Leandro e Hero!"
(Excerto do Preambulo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos marginais. Assinatura de posse na 1.ª página de texto.
Raro.
Indisponível

14 setembro, 2015

BOCAGE – SONETOS ESCOLHIDOS. Lisboa, Edições Delta, 1921. In-16º (12cm) de 123, [1] p. ; il. ; E. 
Ilustrado com um retrato de Bocage em página inteira (reprodução de uma gravura de Bartolozzzi).
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do editor/prefaciador Da Cunha Dias - datada de Abril de 1921 - a Abel da Mota Veiga.
Bonita edição organizada pelo editor, Da Cunha Dias, que é também o autor da extensa nota biográfica de Bocage, que precede a obra em jeito de preâmbulo.
“Manuel Maria Barbosa du Bocage, nasceu em Setubal aos 15 de Setembro de 1765. […]
De muito novo, Bocage, revelou a sua marcada personalidade. Impetuoso, de repente – (andava ao tempo estudando) – com grande surpresa do pai, assentou praça no Regimento de Infantaria 7, de Setubal.
Tinha, então, 14 anos.”
(excerto do preâmbulo)

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de faxa, o mesmo na figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de existir num só terreno,
Mais propenso ao furôr do que á ternura;
Bebendo em niveas mãos por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades…
(Digo!, de môças mil) num só momento;
Inimigo de hipocritas e frades;

Eis Bocage, em quem luz algum talento.
Saíram mesmo dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou… mais pachorrento.
"


(Soneto, pp 31)
Alberto da Cunha Dias (1886-1947). Cunha Dias - ou melhor, Da Cunha Dias, como sempre fazia questão de assinar o seu nome e passou a ser referido. Advogado, jornalista, polemista político, escritor e editor. Nascido em Sintra, em 1886, de uma família da classe média (o pai era notário), Cunha Dias entrou aos dez anos de idade para o Colégio Militar e aos vinte anos, em 1906, para a Universidade de Coimbra, onde o seu nome aparece ligado à greve estudantil de 1907. Foi uma das amizades mais duradouras de Fernando Pessoa, que a manteve durante mais de vinte anos. Em 1916 foi internado no Hospital de alienados Conde de Ferreira, no Porto, de onde fugiria cinco semanas mais tarde. Desta estadia e dos motivos que a tal haviam conduzido, aproveitou Cunha Dias para, nos anos seguintes, lançar duas campanhas jornalísticas com o intuito de “limpar o nome”, fazendo publicar inúmeros artigos e dando à estampa 2 livros. Em 1921 - ano também do seu regresso ao exercício da advocacia nos tribunais - Cunha Dias criou as Edições Delta. A editora publicou nesse mesmo ano diversas obras, entre as quais, uma edição dos sonetos de Bocage (Sonetos Escolhidos), de que também ofereceu a Pessoa um exemplar, com dedicatória de Abril de 1921 (Pizarro, Ferrari e Cardiello, 2010: 421) - este o livrinho que, segundo José Paulo Cavalcanti (2011: 676 e segs.), Pessoa teria no bolso do pijama, no Hospital de São Luís, quando morreu. Em 1934, foi Cunha Dias quem convenceu Pessoa a mudar o título do seu livro de poemas Portugal, depois publicado como Mensagem. Alberto da Cunha Dias morreu em 12 de Junho de 1947, com 61 anos. “Enfermo há bastante tempo, o último período da sua existência foi o desfecho de uma vida agitada e inquieta”, lê-se no necrológio que o vespertino Diário de Lisboa publicou no próprio dia da sua morte, salientando essencialmente, na vida de Cunha Dias, a sua actividade de polemista político e a exuberância da sua personalidade.
(Fonte: BARRETO, José, O mago e o louco: Fernando Pessoa e Alberto da Cunha Dias)
Encadernação cartonada com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

11 dezembro, 2010

BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du - OBRAS ESCOLHIDAS DE BOCAGE. Prefácio e Notas de Hernâni Cidade ; Vinhetas e Ilustrações de Lima de Freitas. Lisboa, Artis, 1969-1971. 3 vol. in-fólio (31cm) de LV, [3], 606, XI, [3] p. (vol. I/II) e XIII, 179, [2] p. vol.(III) ; il. ; E.
Ilustrado com belíssimos desenhos de Mestre Lima de Freitas.
Edição monumental, de grande apuro gráfico, impressa em papel de qualidade superior.
Encadernação editorial com desenhos a seco e a ouro nas pastas.
Exemplares em bom estado geral de conservação. Lombadas algo desgastadas nos vols I e III; miolo irrepreensível.
Invulgar e muito apreciado.
40€