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15 julho, 2026

PATRICIO, F. J. -
TELAS ROMANTICAS.
Collecção de contos. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1903. In-8.º (17x10,5 cm) de 120, [4] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de pequenos contos - históricos uns, outros de época, - enquadráveis na corrente literária do romantismo tardio.
Obra rara e muito curiosa, organizada com intuitos patrióticos e moralizadores.
Ilustrada em separado com o retrato do autor.
"Pelas onze horas da noite ninguem via já signal de vigilia no castello de Benil; havia muito que as luzes dos diversos aposentos e dependencias se tinham ido apagando pouco a pouco. O silencio reinava alli apenas cortado a espaços pelo grasnar de algumas rãs nos lagos da extensa quinta. O clarão de lua que subia len tamente no horisonte, desenhava nos vestustos adarves as sombras do arvoredo, mostrava a fórma ogival das frestas e distinguia as caprichosas aberturas das setteiras.
De todos os habitantes de Benil, fidalgos da mais nobre estirpe, cavalleiros de maior nomeada, opulentos senhores que se orgulhavam de ter em seus salões os retratos de familia em que havia venerandos prelados, esforçados paladinos, austeras abbadessas, graves geraes de mosteiros, ousados navegadores e reputados lettrados; de todos os habitadores do velho castello, incluindo os mordomos e capellães, os pagens e escudeiroed, os homens d'armas e os numerosos creados, só estava disperta, acordada e vigilante uma formosa donzella como todo o prestigio da m ais extraordinaria belleza e todas as graças e encantos proprios de quem apenas contava dezanove primaveras; era Violante, a meiga e sympathica filha dos senhores de Benil."
(Excerto de Como se amava no seculo XV)
"[...] Alvaro de... (não denunciarei mais, pois um nome basta para o conto), Alvaro era um esforçado cavalleiro em todo o vigor da edade e com todo o realce da fidalguia.
Ora, como todos sabem, a edade media é um periodo que tem sombras como uma noite de tempestade e ao mesmo tempo idillios como uma alvorada primaveral,; a humanidade peregrinava em toda essa epocha como o viajeiro atravez d'uma floresta, defrontando apenas, de espaço a espaço, com a luz escassa de alguma clareira.
N'esses tempos de cavallaria o amor tinha impetos selvagens quando era deslealmente correspondido.
Os amores de Alavaro por uma dama tão gentil como voluvel, tiveram um desenlace funesto. O coração magoado pela traição afundou-se n'um pelago de odios, o espirito, obscurecido pelo ciume, precipitou o brioso cavalleiro nos abysmos da vingança.
- Á mulher que me trahiu, dizia elle, o meu odio interminavel, ao meu rival a lamina da minha espada!"
(Excerto de O filho do crime)
Indice:
Como se amava no seculo XV | A captiva | Beatriz | O remorso | Milzura | Catita | O segredo de ermitão | O filho do crime | O mysterio da herdade | O prologo d'um noivado | O raminho de violetas | O milagre do annel | O monge d'Alpendurada | O perfumado mysterio de mademoiselle X | Um crime no seculo XVI.
Francisco José Patrício CvSE (Vitória, Porto, 1850 - Porto, 1911). "Foi um sacerdote católico, ilustre orador sacro, e investigador histórico português. Notabilizou-se pela sua grande capacidade oratória, tendo sido responsável por fazer a prédica em diversos momentos notáveis. Os seus sermões foram mais tarde reunidos em diversos volumes, sob o título Trabalhos Oratórios. Enquanto escritor, deixou impresso um livro, Telas Românticas, que reuniu diversos escritos da sua juventude, bem como diversos artigos de investigação histórica sobre a origem de romarias e usos populares, a maior parte publicados no Comércio do Porto mas também no Comércio Português, Jornal do Porto, Província, e Jornal da Manhã. Foi eleito deputado pelo círculo eleitoral do Porto nas eleições de 1881, por Viana do Castelo em 1896, e novamente pelo Porto em 1901 e 1904; não se envolveu, contudo, em debates importantes."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação recente em skivertex com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

26 novembro, 2020

PATRICIO, Padre F. J. - SERMÕES. I.
Trabalhos Oratorios
. Lisboa, Livraria de Antonio Maria Pereira - Editor, 1893. In-8.º (21,5 cm) de [4], 294 p. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de sermões proferidos pelo autor em ocasiões solenes, sobretudo a norte do Tejo. Uns anos mais tarde, em 1899, seria publicado um outro volume intitulado Sermões e discursos.
"Quando a misericordia divina realisou na incarnação do Verbo a portentosa obra  da rehabilitação humana, uma estrophe de celestial belleza e eterna poesia annunciou ao mundo este grandioso acontecimento.
- Gloria a Deus e paz aos homens! - dizia o cantico dos anjos, chamando ao presepio de Bethlem a adoração dos pastores e a vassallagem dos reis. E a sociedade humana escutou estas dulcissimas palavras como nuncias do resgate e pregoeiras da reconciliação entre o céo e a terra, porque viu n'ellas a immensa philosophia d'uma crênça eterna, que reunia todos os homens n'uma só familia e sob a benção do infinito amor d'um só pae, que é Deus!
Hoje que o culto de quasi dezenove seculos convida a sociedade a commemorar o nascimento do Salvador, repete a Egreja Catholica essa estrophe inspiradissima, que é a synthese admiravel d'uma religião de tolerancia, amor e verdade."
(Excerto de O Natal)
Indice:
I - O Natal - Prégado na egreja do convento da Ave Maria, no Porto. II - A Circumcisão - Prégado na egreja parochial de Santo Ildefonso, no Porto, no 1.º de janeiro de 1885. III - Corpus Christi - Prégado na cidade de Beja em 1890. IV - A Conceição Immaculada - Prégado na egreja da Victoria, no Porto, em 1887. V - Nossa Senhora da Esperança - Prégado na egreja do Recolhimento das meninas orphãs, no Porto, em 1877. VI - Nossa Senhora dos Desamparados - Prégado na cidade de Braga em 1891. VII - Mater Dolorosa - Prégado no templo dos Congregados, no Porto. VIII - O Mandato - Prégado em Villa Real em 1891. IX - Sepulto Domino - Prégado em Lamego em 1889. X - Paixão e Soledade - Prégado em Vianna do Castello em 1883. XI - Ressurreição - Prégado na villa de Moncorvo em 1888. XII - S. Sebastião - Prégado na egreja parochial d'Oliveira d'Azemeis em 1879. XIII - S. Bento - Prégado no mosteiro da villa de Santo Thyrso em 1881. XIV - Pro Regina - Oração gratulatoria prégada na egreja do Terço e Caridade, no Porto, no Te-Deum celebrado alli em 1879 pelas melhoras de sua magestade  a Rainha D. Maria Pia. XV - Restauração de Portugal - Prégado na patriarchal de Lisboa em 1888. XVI - Libertas - Prégado na egreja matriz de Villa do Conde em um Te-Deum celebrado em 1875 na commemoração do desembarque do exercito libertador. XVII - Cittá Dolente - Prégado nas exequias com que a Camara Municipal do Porto suffragou no templo da Lapa as victimas do incendio do theatro Baquet e offertado a El-rei D. Luiz I e á Rainha D. Maria Pia. XVIII - D. Pedro IV - Prégado na Real Capella da Lapa, no Porto, no anno de 1874. XIX - Flebilis ille! - Prégado no templo de S. Domingos, em Lisboa, nas exequias celebradas pela camara municipal em honra de Sua Magestade o sr. D. Luiz I, em 1889. XX - A bandeira do Sertanejo - Prégado na Real Capella da Lapa, no Porto, nas exequias celebradas por occasião de serem trasladados para alli os restos mortaes de Antonio Francisco Ferreira da Silva Porto, em 1891.
Francisco José Patrício CvSE (Vitória, Porto, 1850 - Porto, 1911). "Foi um sacerdote católico, renomado orador sacro, e investigador histórico português.
Terminou o curso do seminário em 1871, tendo sido ordenado presbítero em 1873. Em 1874 foi nomeado pregador régio, em em 1877, padre encomendado de Paranhos. Foi ainda, em 1902, nomeado reitor do Colégio dos Órfãos pela Câmara Municipal do Porto, cargo que exerceu até 1909, altura em que passou a ocupar o lugar de cónego capitular da Sé de Lisboa.
Notabilizou-se pela sua grande capacidade oratória, tendo sido responsável por fazer a prédica em diversos momentos notáveis, como nas exéquias de D. Luís I celebradas em Lisboa, Porto, e Lamego em 1889, nas das vítimas do incêndio do Teatro Baquet em 1888, nas do africanista Silva Porto em 1890, e aquando da trasladação dos restos mortais de Almeida Garrett do seu túmulo original no Cemitério dos Prazeres para o Mosteiro dos Jerónimos em 1903. Os seus sermões foram mais tarde reunidos em diversos volumes, sob o título Trabalhos Oratórios. Enquanto escritor, deixou impresso um livro, Telas Românticas, que reuniu diversos escritos da sua juventude, bem como diversos artigos de investigação histórica sobre a origem de romarias e usos populares, a maior parte publicados no Comércio do Porto mas também no Comércio Português, Jornal do Porto, Província, e Jornal da Manhã.
Foi eleito deputado pelo círculo eleitoral do Porto nas eleições de 1881, por Viana do Castelo em 1896, e novamente pelo Porto em 1901 e 1904; não se envolveu, contudo, em debates importantes.
Pertencia a numerosas corporações de beneficência e sociedades científicas e literárias: pertencia, entre outras, à Real Sociedade Humanitária do Porto, ao Instituto de Coimbra, à Sociedade de Geografia de Lisboa, à Sociedade dos Arqueólogos e Arquitectos Portugueses. Foi agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem de Santiago da Espada em 1900, e com outras condecorações estrangeiras.
Morreu em 1911, vítima de uma doença da laringe que o fez perder a fala."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Dedicatória de oferta (não do autor) na f. rosto.
Muito invulgar.
Indisponível