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05 dezembro, 2025

ABREU, G. de Vasconcellos - A LITERATURA E A RELIJIÃO DOS ÁRIAS NA ÍNDIA. Por... Lente de Língua e Literatura sâmscrítica no Curso Superior de Letras, Officier d'Académie, Bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra, do Instituto de Coimbra, da Société Asiatique. Membro honorário e correspondente de outras Sociedades científicas e Academias. Paris : Guillard, Aillaud e Cia., 1885. In-8.º (15,5x10 cm) de [4], XXXII, 171 p. ; E.
1.ª edição.
Importante estudo oitocentista sobre a presença ariana na Índia, a sua dispersão e influência sobre os outros povos do Oriente.
"O conceito de raça ariana teve seu auge do século XIX até à primeira metade do século XX, uma noção inspirada pela descoberta da família de línguas indo-europeias. Alguns etnólogos do século XIX propuseram que todos os povos europeus de etnia branca-caucasiana eram descendentes do antigo povo ariano. Correntes europeias, de caráter nacionalista da época, abraçaram essa tese. Esta, foi, talvez, tratada com maior ênfase pelo Partido Nacional Socialista da Alemanha. Estes, associaram o conceito de identidade nacional à raça ariana do povo germânico, através do princípio da unidade étnica, com a finalidade de elevar o moral e orgulho nacionais do povo alemão, destroçados pela derrota na Primeira Guerra Mundial e das condições consideradas humilhantes da rendição, impostas pelo Tratado de Versalhes. A palavra ário (do sânscrito arya, "nobre"), está associada à discussão sobre a existência de um povo ariano diferenciado, modernamente denominado de proto-indo-europeu, e que deu origem às primitivas línguas indo-europeias."
(Fonte: wikipédia)
"A velha questão sobre a origem da raça ariana, que tantas fogueiras acendeu no meio académico de oitocentos e no início do séc. XX, como ateou copiosos fachos entre as forças políticas da Europa nacionalista, foi matéria que inspirou a imaginação de muitos especialistas. […]
A controvérsia da superioridade de uma “raça ariana” indo-europeia e da “invasão ariana” na Índia, baseou-se essencialmente num pressuposto estabelecido por vários académicos anglo-saxónicos e missionários dos séculos XIX-XX, em que os arianos originários da Europa central tinham sido responsáveis pelas culturas de civilização celta, helénica, persa e indiana, pois só assim se explicaria como as suas línguas (o saxónico, o grego, o zenda e o védico) tinham surgido; a teoria da invasão ariana na Índia era a explicação mais lógica que se podia oferecer para justificar a expansão dos Europeus arianos no oriente e no mundo e uma civilização altamente evoluída na Índia. […] Muitos defensores da superioridade rácica ariana pretendiam basear as suas teses no Antigo Testamento, e partindo deste livro sagrado para todos os cristãos, justificaram a eliminação dos povos indianos como um bem prestado à humanidade - leia-se, aos europeus. […]
Entre os investigadores ocidentais como Max Müller (que se opôs frontalmente à teoria do evolucionismo), que defenderam a teoria ariana, esteve o português Vasconcellos Abreu, eminente matemático da Academia das Ciências, que desde novo se interessou pela língua e cultura clássica indiana, tendo aprendido integralmente de forma autodidacta o protocolo da língua sânscrita assim com a a história da sua literatura clássica, e de tal forma o fez que os seus mestres Abel Bergaigne e Martin Haug, a quem se dirigiu em Paris para continuar os estudos, viram ser impossível aprender mais, pois o seu conhecimento era já completo. Vasconcellos Abreu, em 1885, escrevia sobre os árias o que uma grande parte dos orientalistas defendida no seu tempo:
É muito provável que alguns ramos de gente árica, vivessem entre a Europa e a Ásia, desde o começo da constituição glotológica do proto-árico, percorrendo, ainda depois da determinação dos centros, como hoje os Quirguizes em hordas na Europa e na Ásia, e os Tajiques, por tráfico e indústria, na Ásia Central, as terras que se estendem pelo norte do Cáspio desde o Mar Negro, e mesmo norte do Danúbio até o Pamir. Seriam eles os mais inquietos dos Árias, e os que no século XV antes da n.e. faziam o tráfico marítimo do Mediterrâneo e comerciavam com povos estranhos nas bandas orientais do Arquipélago. (…)
Os Árias que imigraram na Índia desenvolveram ali a sua linguagem e a civilização que levavam já em grau notável. A estes Árias damos o nome de Árias Hindus. Modificados, física e intelectualmente, por cruzamentos e influências geográficas, constituíram as sociedades antigas mais civilizadas do vale do Ganges. A estes povos assim modificados (e ainda aos seus descendentes) damos o nome de Hindus."
(Fonte: http://www.academia.edu/2043728/A_Origem_dos_%C3%81rias._Hist%C3%B3ria_de_uma_Controv%C3%A9rsia_Salom%C3%A3o_Reinach_intr._e_notas_de_JC._Calazans)
Guilherme de Vasconcelos Abreu (1842-1907). "Orientalista e escritor. Formou-se em Matemática na Universidade de Coimbra e, mais tarde, concluiu o curso de Engenharia Naval. O seu interesse pelas línguas e culturas orientais levou-o a fundar em 1873, juntamente com o Marquês de Ávila e Possidónio da Silva, a Associação Promotora dos Estudos Orientais e Glóticos. Em 1875, a convite de Andrade Corvo, então ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Fontes Pereira de Melo, visitou alguns países europeus tendo como objetivo aprofundar os seus conhecimentos de sânscrito. Foi nomeado professor da cadeira de sânscrito do Curso Superior de Letras. Fez parte de várias instituições científicas de renome nacional e internacional, como a Academia das Ciências de Lisboa e a Société d’Anthropologie, de Paris. Dos inúmeros trabalhos que publicou, destacam-se Princípios elementares da gramática da língua Sãoskrita, Manual para o estudo do Sãoskrito clássico e Bases da Ortografia Portuguesa, este último em colaboração com Gonçalves Viana."
(Fonte: http://albertosampaio.no-ip.org/details?id=28717)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a negro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas manchadas.
Raro.
Com interesse histórico. 
25€

20 outubro, 2025

NOGUEIRA, Rodrigo de Sá -
ELEMENTOS PARA UM TRATADO DE FONÉTICA PORTUGUESA.
Por... Centro de Estudos Filológicos. Lisboa, Imprensa Nacional de Lisboa, 1938. In-4.º (25x16,5 cm) de XXXI, [1], 380 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de fôlego. Trata-se de um importante contributo filológico para a fonética portuguesa.
Ilustrado no texto com desenhos esquemáticos.
"Há muito tempo formulei o propósito de escrever um tratado de fonética portuguesa, tam profunda, tam metódica e tam documentada quanto possível. [...]
Ao organizar a Bibliografia infra, tive na mente aqueles que se propuseram estudar a fonética portuguesa em todos os seus aspectos: no culto e no dialectal, no hodierno e no arcaico, no histórico e no comparativo, no especial e no geral, no teórico e no experimental.
Tive ainda na mente aqueles que, propondo-se estudar a fonética de outras línguas, indirectamente ministram subsídios para o melhor conhecimento da nossa."
(Excerto do Prólogo)
Rodrigo de Sá Nogueira (1892-1979). "Licenciado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi 1.º oficial da Academia das Ciências de Lisboa. Doutor de Capelo e Borla pela Universidade de Coimbra, foi autor de várias publicações sobre filologia: Contribuição para o estudo das onomatopeias (1948), Elementos para um tratado de fonética portuguesa (1989), Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem (1995), Guia Alfabética de Pontuação: acompanhada com os termos gramaticais conexos com a pontuação (1989), Estudos sobre as onomatopeias (1950), Dicionário Ronga-Português (1960), entre outras obras."
(Fonte: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/autores/rodrigo-de-sa-nogueira/169/pagina/1)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo envelhecidas e oxidadas. Interior correcto.
Muito invulgar.
20€

17 julho, 2025

CORTESÃO, A. A. -
ONOMÁSTICO MEDIEVAL PORTUGUÊS.
(Separata do «ArcheoIogo Português», vol. VIII e seguintes). Coligido por... Bacharel formado em Medicina pela Universidade de Coimbra e professor de Ensino Normal. Lisboa, Imprensa Nacional, 1912. In-4.º (25x17 cm) de [4], 422, [2] p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante repositório onomástico de termos e palavras medievais portuguesas.
Obra de de fôlego, com interesse histórico e filológico.
"Não escrevo para profanos em materia philologica, porque esses só me dispensariam desdem e apodos; escrevo apenas para os entendidos. [...]
A utilidade que d'esse estudo auferi, e a importancia que para a historia da nossa lingua reconheci que adviria da organização de um Onomástico português: taes foram as razoes d'este não pequeno, mas singello trabalho."
(Excerto de Razão d'este trabalho)
António Augusto Cortesão (São João do Campo, Coimbra, 1854 - Coimbra?, 1927). "Médico e filólogo. Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, faz parte, ao lado de Francisco Adolfo Coelho, Gonçalves Viana, Augusto Epifânio da Silva Dias, Leite de Vasconcelos e José Joaquim Nunes, entre outros, de um grupo de filólogos que entre nós iniciaram de algum modo os estudos linguísticos enquanto entendidos na acepção científica da disciplina."
(in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Aparado à cabeça. Capas frágeis com falhas de papel, sobretudo na capa frontal; interior correcto; lombada "partida". Pelo interesse e raridade a justificar trabalho de encadernador.
Raro.
45€

29 janeiro, 2024

MOURA, José Vicente Gomes de -
TABOAS DE DECLINAÇÃO E CONJUGAÇÃO PARA APRENDER AS LINGUAS HESPANHOLA, ITALIANA E FRANCEZA, COMPARANDO-AS COM A PORTUGUEZA.
Por... Coimbra, Na Imprensa da Universidade. 1821. In-8.º (21x15 cm) de 96 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante trabalho, pioneiro, da "produção gramaticográfica nacional".
Ilustrado com quadros e tabelas no texto.
"São tantos e de tão relevante merito os escriptos publicados nestes ultimos seculos em Hespanhol, Italiano, e Francez, e he tão sensivel a analogia, que estas tres linguas tem tanto entre si, e com a Portugueza, como com a Latina, que he a lingua da Religião e das Sciencias; que por isso a qualquer homem erudito fôra pelo menos tão desairoso o ignoral-as, quanto he facil com algum estudo o entendel-as.
Para preparar o conhecimento dellas aos que tem sufficiente instrucção da Latina, ou dos principios geraes da Grammatica, se ordenárão as seguintes Taboas de declinação, e conjugação, em que se indicão as varias formas dos vocabulos declinaveis, destinadas para expressar as varias noções accessorias, que accrescem á noção principal, que a cada um dos mesmos corresponde; materia assaz mechanica, mas absolutamente necessaria no estudo das linguas, e particular de cada uma."
(Excerto do Prologo)
Indice:
[Prologo] | Parte I. Declinações. | Parte II. Conjugações Irregulares. | Erratas e Addições.
José Vicente Gomes de Moura (1769-1854). "O padre José Vicente Gomes de Moura nasceu em Mouronho, Coja, em 1769 e faleceu em Abraveia (Poiares) em 1854. Foi professor de latim e grego na Universidade de Coimbra e no Colégio das Artes e director da Imprensa da Universidade de 1831 a 1834.
Sabe-se que foi ele que escreveu as três selectas para o ensino do Latim: a Notícia succinta dos monumentos da língua latina; As taboas de declinação e conjugação para aprender as línguas hespanhola, italiana e franceza; O compendio da grammatica latina e portugueza, cedendo à Imprensa da Universidade os direitos de propriedade."
(Fonte: https://www.uc.pt/bguc/DocumentosDiversos/Abraveia)
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Com mancha amarelada na f. rosto, visível nas páginas seguintes.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
45€

02 novembro, 2023

NOGUEIRA, R. de Sá -
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA LINGUAGEM DAS SALINAS.
Por... (Separata de "A Língua Portuguesa", Vol IV). Lisboa, [s.n.], 1935. In-4.º (23,5 cm) de 70, [2] p. (75-144 pp.) : [8] p. il. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio filológico e etnográfico sobre a "linguagem" dos salineiros. Trata-se do glossário de termos, parte de um plano mais vasto que o autor nunca viria a concretizar.
Livro ilustrado em 4 páginas com:
- Mapa de Portugal, em página inteira, com a indicação por meio de setas, das regiões onde há salinas.
- Plantas de localidades salineiras distribuídas por 3 páginas:
• Aveiro, Figueira da Foz e Buarcos;
• [Vila Franca de Xira] - marinhas localizadas a norte e sul de Ponta d'Erva, Póvoa de Santa Iria e Unhos;
• Setúbal, Álcacer do Sal e Montalvo.
Ilustrado ainda no final, em separado, com 12 fotogravuras de momentos da faina espalhadas por 8 páginas.
"«O Dicionário da Língua», completo e seguro, é das obras mais urgentes e meritórias que podem ocupar o espírito dos nossos investigadores da matéria filológica. Êsse dicionário, porém, completo e seguro, é inexqüível, enquanto não forem publicados trabalhos parciais, que sirvam de base ao lexicógrafo. [...]
É necessário, pois, que trabalhos subsidiários apareçam. Dêstes, os mais preciosos e urgentes são glossários parciais, como o do presente estudo, sobretudo se forem feitos com escrúpulo e minuciosidade.
Calcule-se o que será a tarefa do lexicógrafo no dia em que houver um glossário perfeito da linguagem das salinas, outro da linguagem da pesca, outro a das cortiças, outro da dos lacticínios, etc., etc.
Quanto não vale mais publicar um trabalho dêsses, completo e substancioso, do que artigos dispersos e superficiais sôbre muitos e variados assuntos.
Foi com esta convicção que me levou a empreender o estudo da linguagem das salinas."
(Excerto da Introdução)
Rodrigo de Sá Nogueira (1892-1979). "Licenciado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi 1.º oficial da Academia das Ciências de Lisboa. Doutor de Capelo e Borla pela Universidade de Coimbra, foi autor de várias publicações sobre filologia: Contribuição para o estudo das onomatopeias (1948), Elementos para um tratado de fonética portuguesa (1989), Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem (1995), Guia Alfabética de Pontuação: acompanhada com os termos gramaticais conexos com a pontuação (1989), Estudos sobre as onomatopeias (1950), Dicionário Ronga-Português (1960), entre outras obras."
(Fonte: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/autores/rodrigo-de-sa-nogueira/169/pagina/1 [consultado em 18-08-2023])
Exemplar brochado em bom estado de geral conservação. Ligeiramente oxidado.
Raro.
45€

25 agosto, 2023

CORREIA, João da Silva - A LINGUAGEM DA MULHER.
Lições proferidas em 20, 21 e 23 de Fevereiro de 1933. Por... Biblioteca de Altos Estudos. Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1935. In-8.º (19x12 cm) de 149, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio filológico subordinado ao tema da "linguagem feminina". Anteriormente, em 1927, o autor havia publicado um outro trabalho sobre a mesma temática: A linguagem da mulher em relação à do homem.
"O problema das diferenças de linguagem dos dois sexos oferece curiosidades - que de algum modo nos empolgaram, tentando-nos ao esfôrço de as focar, e tanto quanto possível através dos meios expressionais da mulher em Portugal.
Antes porém de entramos nessa tarefa um aviso convém: êste trabalho, pretendendo furtar-se ao pedantismo e ridículo das coisas solenes, não quis, no entanto, dispensar-se - se bem que o não conseguisse na medida desejável - de possuir a necessária solidez científica: nêle se procuram aproveitar - tanto quanto isso foi permitido a pareceu congruente - as aliás bem poucas conclusões a que no campo da linguagem dos sexo a filologia já chegou. [...]
Enfim, seja-nos lícito lembrar ainda, como alegação em defesa das nossas insuficiências e falhas, que, da insegurança ou dessolidez do terreno que vamos pisar, reza inclusivamente a sabedoria multisecular do povo:

O melão e a mulher
maus são de conhecer."

(Excerto de II - O problema das diferenças lingüísticas dos sexos)

Índice:
I - Palavras preliminares. II - O problema das diferenças lingüísticas dos sexos. III - Auxiliares da linguagem. IV - Alguns caracteres lexicais. V - Alguns caracteres gramaticais. VI - Alguns caracteres estilísticos. VII - Algumas notas etimológicas. VIII - Algumas notas literárias. IX - Reflexões de encerro. X - Adições.
João da Silva Correia (1891-1937). Filólogo. "Foi professor catedrático da Faculdade de Letras e vice-reitor da Universidade de Lisboa. Desempenhou também, entre outros cargos de vogal do Conselho Superior de Instrução Pública e de chefe gabinete do Ministro da Instrução, Dr. Alfredo Magalhães. Foi Bibliotecário da Biblioteca Nacional e sócio correspondente da Academia das Ciências."
(Fonte: https://archeevo.amap.pt/details?id=85333)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

10 julho, 2023

RODRIGUES, Manuel Augusto -
GRAMÁTICA ELEMENTAR DE HEBRAICO. Com Textos Bíblicos e Léxico Hebraico-Português. [Por]... Professor de História do Cristianismo e de Árabe na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra]. Coimbra, [s.n. - Imprensa de Coimbra, Limitada, Coimbra], 1967. In-4.º (23,5 cm) de XIX, [3], 174, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Edição original desta importante gramática hebraica, obra pioneira no nosso país. Em 1993 foi reeditada em fac-símile.
Ilustrada com portadas de livros históricos relacionados com o assunto.
"A presença de grande número de Judeus, pelo menos desde o século III, muito veio contribuir para a divulgação do Hebraico em Portugal. As primeiras Tipografias existentes no nosso país eram judaicas, o que certamente tinha de constituir um elemento de extraordinária importância para a difusão de obras hebraicas e, desse modo, para a expansão da Língua."
(Excerto de Prefácio)
Para suprir uma grande lacuna que existia entre nós, pensámos há já bastante tempo na preparação dum manual de Hebraico. [...]
Dividimos o nosso trabalho em três partes: Elementos da língua e escrita, Morfologia e Sintaxe. Ao fim, apresentamos alguns exercícios que podem ajudar a compreender melhor as explicações teóricas fornecidas no decorrer daquelas partes."
(Excerto de Apresentação)
"O hebraico pertence ao ramo das línguas semíticas, designação que se começou a usar de 1781 em diante (o primeiro a fazê-lo foi Luís Schlözer).
Não se conhece a primitiva língua semítica da qual provieram as outras línguas derivadas e seus dialectos, a maior parte das quais já hoje não são faladas. [...]
O hebraico é o resultado da evolução da língua cananeia depois da entrada do povo hebreu. Ao entrar na Terra Prometida herdaram, como era natural, o idioma que ali era falado, o cananeu. Porém, antes que que fosse escrito qualquer dos livros bíblicos naquela língua tomou nova fisionomia e características fonéticas e sintáticas especiais. O vocabulário foi enriquecido com novos termos e alguns dos já existentes assumiram assumiram outro significado. [...]
Depois do século III d.C. dava-se a decadência do hebraico médio. O aramaico impusera-se definitivamente e mantinha-se agora como o idioma falado por todos os judeus até que no século VII o árabe lhe tirava o primeiro posto. Este período fulgurante da cultura islâmica marca todavia, porém, o início de um ressurgimento literário e gramatical que conduzia anos depois à fixação definitiva do texto masotérico.
Depois do século III o hebraico caía no abandono quase absoluto. Foi no século passado que, sob o impulso do movimento sionista, o hebraico voltou a florescer e difundiu-se bastante, sendo hoje em dia o idioma oficial do estado de Israel."
(Excerto de Introdução)
Manuel Augusto Rodrigues (1936-2016). "Formado em Teologia e Ciências Bíblicas e Línguas Semíticas, respectivamente pela Pontifícia Universidade Gregoriana e pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (1955-1962). Frequentou ainda a École Biblique et d’Archéologie Française de Jerusalém (1962-1963). Em 1963, foi convidado pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra como professor extraordinário além do quadro para reger a cadeira de História do Cristianismo. Doutorou-se em 1975 em História da Cultura Medieval e Moderna com a defesa da tese "A Cátedra de Sagrada Escritura na Universidade de Coimbra (1537-1640)". Prestou provas para professor extraordinário em 1978 e para professor catedrático em 1980.
Teve a seu cargo diversas disciplinas como História da Cultura Moderna, Antiguidade Oriental, História da Península Hispânica, História da Universidade de Coimbra, História das Religiões e Línguas e Culturas Árabe e Hebraica. Dirigiu várias teses de mestrado e de doutoramento. É autor de mais de duas centenas de estudos sobre Exegese Bíblica, História da Teologia e da Igreja, Línguas Semíticas, Humanismo e História da Universidade de Coimbra, áreas em que tem desenvolvido as suas investigações em arquivos e bibliotecas nacionais e estrangeiros. Entre os cargos exercidos contam-se o de Pró-Reitor para as comemorações dos 700 anos da Universidade de Coimbra (1990-1994) e o de Director do Arquivo desta Universidade (1980-2003)."
(Fonte: Wook)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
25€

06 janeiro, 2023

PIRES, Phillipe Neri - GRAMMATICA MARATHA EXPLICADA EM LINGUA PORTUGUEZA.
Compilada das mais abalizadas que ate o presente se tem dado á luz, por... Vaki'l [Advogado] no Sadar Adalat [Supremo Tribunal de Justiça], e traductor publico nas linguas Maratha e Guzerate
. Bombaim: Na Typographia da Missão Americana. T. Graham, Impressor. 1854. In-8.º (22 cm) de [10], xiv, [2], 106 p. ; B.
1.ª edição.
A Gramática de Marata foi uma obra importante, parte de um plano linguístico da administração portuguesa no Estado da Índia, e em particular na colónia de Goa, em meados do século XIX.
Marathi (inglês: / m ə r ɑː t i / ; Marāṭhī, Marathi: [məˈɾaːʈʰiː] (ouvir)). "É uma língua indo-ariana predominantemente falada pelo povo Marathi do estado indiano de Maharashtra. É a língua oficial de Maharashtra e língua oficial adicional no estado de Goa. É um dos 22 idiomas oficiais da Índia, com 83 milhões de falantes em 2011. O Marathi ocupa o 11.º lugar na lista de idiomas com mais falantes nativos do mundo. O Marathi é a terceira língua com maior número de falantes nativos na Índia, depois do Hindi e Bengali. A sua literatura é uma das mais antigas das línguas indianas modernas. Os principais dialetos do Marathi são o Marathi padrão e o dialeto Varhadi."
(Fonte: Wikipédia)
Felipe Neri Pires, que trabalhava como tradutor e advogado no tribunal de Bombaim, escreveu ao Secretário do Governador-Geral, J. H. da Cunha Rivara, que os milhares de migrantes goeses em Bombaim estavam em estado desesperador. A cidade foi incapaz de absorver todos eles, e seu estado de penúria e miséria de fato motivou as mais "vergonhosas" representações da comunidade em alguns dos jornais de Bombaim.  [...] Para remediar esta situação, Neri Pires sugeriu a Rivara que o ensino em inglês e marataser fornecido, e recomendou que ele publicasse uma gramática para auxiliar os estudantes goeses.
(Fonte: https://academic-oup-com.translate.goog/book/9052/chapter/155575805?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt-PT&_x_tr_pto=sc)
"Havendo, mercé de Deos, concluido a presente Grammatica, encetada em circumstancias pouco favoraveis, cumpre-me confessar que naó me teria aventurado a emprehender a confeccáo della, superior certamente as minhas forças intellectuaes se por ventura naó tivera a fortuna de pertencer á um Tribunal, onde estão reunidos, como no um foco, os Nativos mais versados nas differentes linguas vernaculas da India, como saó os Traductores de Profissaó, os Xeristedárs [interpretes], os Xastrís, e Mólvís ou Kazís (peritos em Leis dos Hindús e Mahometanos respectivamente, possuindo ao mesmo tempo, vasto conhecimento de Sanskrit, do Persiano e do Arabico). Estribado pois na coadjavaçáo, e auxilio que delles esperava, e que effectivamente me prestaráo franca e promptamente quando consultados, náo hesitei estrear a empreza, e traze-la ao fim tal como a appresento ao Publico."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Carimbo de biblioteca na capa e f. rosto.
Muito raro.
Com interesse histórico.
45€
Reservado

02 novembro, 2022

KRÖLL, Heinz - DESIGNAÇÕES PORTUGUESAS PARA 'EMBRIAGUEZ'. Separata da Revista Portuguesa e Filologia : Vols. V, VI e VII. Coimbra, Casa do Castelo, Editora, 1955. In-4.º (24,5 cm) de [4], 224, 2 p. ; [1] mapa desdobrável ; B.
KRÖLL, Heinz - ADITAMENTOS ÀS "DESIGNAÇÕES PORTUGUESAS PARA 'EMBRIAGUEZ'". Separata de Revista Portuguesa de Filologia : Vol. XIII, 1964, tomos I e II. Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra : Instituto de Estudos Românicos, 1964. In-4.º (24,5 cm) de 36, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Trabalho académico de fôlego, insólito mas muito curioso, com indubitável interesse filológico, etnográfico e sociológico.
Ensaio completo em 2 volumes (1955-1964).
Ilustrado no 1.º volume com um mapa desdobrável de Portugal continental (39x27 cm): Portugal : inquérito lingüístico por correspondência organizado por M. Paiva Boléo (1942).
"No presente trabalho procuramos estudar em conjunto e sistemàticamente as designações para «embriaguez» existentes em território de língua portuguesa. Incluímos nas nossas considerações os termos para «embriagado», «o embriagado», «embriagar-se», as comparações respeitantes ao excesso de bebida e, por fim, as designações para algumas conseqüências da embriaguez, pois que isso nos pareceu conveniente por razões de concatenação de conceitos. As designações para estas estas noções são extraordinàriamente abundantes e diversas. Parece-nos, no entanto, que até hoje - pelo que saibamos - ainda não foram tratadas em conjunto nem para o latim, nem para qualquer das línguas românicas."
(Excerto do Prefácio - Vol. I)
"Oito anos depois da publicação do meu trabalho - [a versão completa saiu em 1955] -, julgo o momento oportuno para respigar o campo, reunir o material ulteriormente colhido, sistematizá-lo e apresentá-lo aqui. Apesar da grande volubilidade do léxico da embriaguez, parece-me ainda hoje não haver lacunas de maior no meu estudo. Não é para admirar que se inventem constantemente novas metáforas para caracterizar um estado físico que tanto se presta ao ridículo, ao desprezo, à ironia, à compaixão e até simpatia do nosso próximo. Um estudo sobre as designações para embriaguez, portanto, nunca poderá estar completo. Contudo, estes aditamentos sempre servirão para juntar mais algumas às designações já estudadas por mim nesta revista, para rectificar aqui e além uma ou outra hipótese explicativa que aventei, e para juntar no fim uma lista completa, uma espécie de inventário, das numerosíssimas formas sufixadas sem, no entanto - isso excederia o âmbito do meu trabalho -, querer entrar em problemas de ordem morfológica."
(Excerto do preâmbulo - Vol. II)
Índice:
Prefácio. | Bibliografia. | Abreviaturas e sinais convencionais. | I. Designações gerais. a) Bebedeira, embriaguez, ebriedade, grossura; b) Grosso e cheio. II. Recipientes: Designação para vasilhas e medidas, etc. III. Cabeleira, peleira, etc. IV. Coberturas de cabeça e semelhantes. V. Nomes de doenças e semelhantes. a) «Cego», «(en)gripado», toldado, «lirú», etc.; b) Azul. VI. Nomes de animais. a) Matar o bicho; b) Nomes de aves e asa, bico; c) Insectos; d) Répteis; e) Mamíferos; f) Animais de rapina. VII. Nomes de plantas (Veneno e plantas venenosas). Resina. VIII. Frutos. IX. Designação de bebidas, etc. X. Comidas. XI. Chuva, água, encharcar-se, etc. Borrasca, trovoada, orvalho. XII. Andar vacilante - Carga, peso. «Anjinho» e «santinho». XIII. Nana, nena. XIV. Designação para barulho, canto, música, etc. XV. Designações para imundícies. XVI. Nomes próprios. a) Nomes de pessoas; b) Nomes de povos; c) Designações de lugar. XVII. Expressões veladas que substituem «embriaguez». «Uma, ela, senhora, etc. XVIII. Palavras de importação. a) Palavras provenientes do inglês; b) Cig. piar, piela. XIX. Outras expressões para «embriagado», «tocado». a) Alegre, palrador, bonito, etc.; b) Quente, cachondo, incandieirado, etc. c) Furioso, picado, irritado, etc. ; d) Numerais; e) A meio pau. XX. Outras expressões para uma grande bebedeira. XXI. Outras designações para bebedor. XXII. Algumas consequências da embriaguez. O «mau hálito» e o «mau gosto palatal». XXIII. Palavras e expressões não esclarecidas. | Notas adicionais e emendas. | Índice dos vocábulos e das frases.
Exemplares em brochura, bem conservados.
Obra rara quando completa.
Com interesse histórico.
45€

04 julho, 2022

CARDOSO, Pedro - FOLCLORE CABOVERDEANO.
[Prefácio de J. B. Amâncio Gracias]
. Pôrto, Edição Maranus, 1933. In-8.º (17 cm) de 120 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Trabalho pioneiro sobre o folclore cabo-verdiano. Importante ensaio com interesse histórico e etnográfico sobre a cultura popular da antiga ex-colónia portuguesa.
Livro ilustrado com diversas fotogravuras dispersas pelo texto, e em página inteira, com um mapa de Cabo Verde, e noutra, a reprodução de um autógrafo de Gago Coutinho com a sua explicação para a localização estratégica do arquipélago para a aviação.
"Li dum fôlego o seu magnífico manuscrito sôbre o Folclore Caboverdeano e devolvo-o com agradecimentos. É um valioso subsídio para uma obra mais vasta e completa sôbre a etnografia do Arquipélago, da qual o assunto, sôbre que V. produziu tam belas páginas, constitui um capítulo importante.
Cabo-Verde presta-se a grandes estudos. A sua história, pròpriamente dita, está mais ou menos feita, mas, quanto à sua etnografia, nos seus diversos aspectos e modalidades, pouco ou nada vejo escrito.
E, no entretanto, a história hoje adquire mais valor, fixa-se melhor, quando as ciências antropológicas a iluminam com os lampejos das suas investigações acêrca da raça, dos usos e costumes, lendas, mitos, superstições, cantares e folclore dos países a que respeita.
Muitos factos históricos, que às vezes nos parecem inexplicáveis, têm a sua origem nos caracteres étnicos, nos fenómenos sociais do respectivo povo.
Que eu saiba, o trabalho, o trabalho de V. é o primeiro no género em relação à etnografia desta Colónia, e por isso mesmo merece V. os mais entusiásticos aplausos por se ter dedicado a semelhantes estudos."
(Excerto do Prefácio)
"Folclore é vocábulo aportuguesado do inglês «Folk» (povo), «Lore» (saber), não sabemos se inventado mas proposto, em 1846, por W. J. Thoms, para representar o conjunto dos factos correlativos, conhecidos sob várias denominações, tais como lendas, ritos, jogos e danças, romances e cantigas, etc.
Englobando e versando semelhantes temas, constitui-se, sem dúvida, parte integrante da ciência etnográfica, se a sistematização dos conhecimentos por esta ministrados nos autoriza tal classificação.
O estudo do nosso «Folclore» implica conhecimento perfeito do dialecto e, conseqüentemente, convivência de espaço e íntima como o povo, assistindo às suas festas, jogos e trabalhos, e ouvindo os seus cantares e adágios, suas lendas e superstições."
(Excerto da I Parte - Folclore caboverdeano)
Índice:
Prefácio. | 1460. | I Parte: Folclore caboverdeano; Cabo-Verde e Brasil; Noções elementares de gramática. II Parte (Cancioneiro): A Morna; Morna; Crioulo do Fogo; Crioulo de Santiago: - Palavras prévias; - Batuque; - Cimbó; - Batuque; - Finaçon; - Declaração de amor; - Glossário. | Apêndice: Mornas - Canções crioulas. | In-memoriam: António Cortez: - Sol de Bedjiça; - Morna. Eugénio Tavares: - Já m'crê-bo! - Amo-te!
Pedro Monteiro Cardoso (190-1942). "Escritor cabo-verdiano nascido em 1890, na Ilha do Fogo, e falecido em 1942, na cidade da Praia. Professor do ensino primário, salientou-se no jornalismo ao defender os interesses sociais, políticos e económicos de Cabo Verde. Publicou Folclore Cabo-Verdiano (1933), Pelos Direitos do Crioulo (1933) e Profissão de Fé (1934), uma série de sonetos e redondilhas. Dirigiu o jornal Manduco e colaborou na Voz de Cabo Verde."
(Fonte: Infopédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

21 janeiro, 2022

RODRIGUES, Manuel Augusto - GRAMÁTICA ELEMENTAR DE HEBRAICO.
Com Textos Bíblicos e Léxico Hebraico-Português. [Reprodução fac-similada da Gramática editada em 1967]. Coimbra, 1967. [Aliás, Maia, Castoliva : editora, 1993]. In-4.º (23,5 cm) de XIX, [3], 172, [4] p. ; il. ; B.
Interessante gramática hebraica.
Ilustrada no interior, em página inteira, com reprodução de diversas portadas de livros históricos relacionados com o assunto.
"Os estudos hebraicos têm-se desenvolvido de forma extraordinária um pouco por toda a parte, e pena é que Portugal, com uma tradição muito rica neste domínio do saber e com ligações singulares à história e a cultura judaicas ao longo dos tempos, continue a não prestar a atenção merecida às línguas e culturas semíticas, com referência especial ao árabe e ao hebraico."
(Excerto da Introdução - Nota prévia)
Exemplar em brochura, bem conservado. Levemente descorado por acção da luz na margem lateral.
Muito invulgar.
Indisponível

12 setembro, 2018

PAIVA, Manoel Joseph de - INFERMIDADES // DA // LINGUA, // E ARTE QUE A ENSINA // a emmudecer para melhorar: // AUTHOR // SYLVESTRE // SILVERIO DA SILVEIRA E SILVA. // INVOCA-SE // A PROTECÇAM DO GLORIOSO S.ᵀᴼ ANTONIO // DE LISBOA // Por MANOEL JOSEPH DE PAIVA. // LISBOA: M. DCC. LIX. [1759] // Na Of. de MANOEL ANTONIO MONTEIRO. // Com todas as licenças necessarias // E á sua custa impresso. In-8.º de [12], 212 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada na primeira folha preliminar com uma gravura em madeira que representa Santo António.
Sobre a presente obra, com a devida vénia, reproduzimos um excerto do excelente trabalho de Telmo Verdelho, da Universidade de Aveiro, cujo link infra indicamos.
"Nos anos de 1759 e 1760 viveram-se em Portugal momentos de grande violência e até de crueldade no exercício do poder, de grandes rupturas, e, certamente, de uma grande dramatização da vida pública. É uma data histórica também para a língua portuguesa porque, com a expulsão dos Jesuítas, se aniquila a parte mais importante do suporte institucional do ensino, especialmente do ensino pré-universitário. […] Esta conjuntura suscitou grandes transformações e algumas decisivas e definitivas mudanças na política da língua, da sua escolarização e, finalmente, do seu percurso histórico. Uma das consequências mais importantes ressente-se sobretudo na dimensão do actual espaço lusófono e na unidade linguística do Brasil, que não pode deixar de se relacionar com a política planificadora do Marquês de Pombal. O estudo da língua portuguesa foi também objecto da reforma pombalina, decretou-se a escolarização da gramática e criou-se uma rede embrionária e centralizada de ensino público.
Na sequência destas transformações, embora não seja necessário estabelecer uma relação de causalidade, verifica-se um significativo incremento da reflexão metalinguística sobre o português, discute-se a norma linguística, institui-se a Academia das Ciências (1779) e alarga-se a produção linguisticográfica. o livrinho Infermidades da Lingua e arte que a ensina a emmudecer para melhorar, publicado por Manuel José de Paiva (de que se conhecem exemplares com datas diferentes, de 1759 ou de 1760, correspondentes, todavia, a uma única edição), integra-se com uma certa originalidade neste discurso metalinguístico. É uma obra rara, quase única, entre o espólio bibliográfico português, pelo menos no que respeita a obras publicadas.
A obra de Manuel José de Paiva oferece-se à leitura, antes de mais nada, como um texto literário, elaborado com grande investimento de arte, de recursos linguísticos e de presunção literária. É uma obra caracterizadamente barroca em que se intertextualiza a abundância retórica da oratória sacra, com especial destaque para a memória do P. António Vieira.
Por outro lado, correspondendo à indicação do próprio título, o texto Infermidades da Lingua propõe uma reflexão sobre a norma linguística e sobre a moralidade da língua, ou, melhor dito, sobre a língua como um comportamento susceptível de aferição moral. Estas duas vertentes, embora o autor as não tenha explicitado no plano do discurso, distinguem-se, de maneira muito óbvia, na estruturação do texto. A obra apresenta uma elaborada alegoria em que a língua assume a configuração de uma dolorida enferma que recebe um médico dedicado, sábio e bom entendedor que, numa série de oito visitas, a observa e lhe prescreve um adequado receituário. O texto divide-se assim, em oito sub-unidades, como se foram capítulos, correspondentes a cada uma das visitas. A doutrinação moral e a transgressão (a mentira, a verborreia, a murmuração, a detracção, a crítica injusta, etc.) ocupam a maior parte das visitas e correspondem a uma espécie de moralidade da língua. Diferente desta é o pronunciamento normativo que se encontra na visita sétima: nela o autor recolhe e ordena, pelas letras do alfabeto, um longo "corpus" lexical constituído por palavras e frases "impróprias", "indecentes" ou "indiscretas", acrescentando a recomendação de que o seu uso deve ser evitado. O discurso moralista parece ser predominante sobre o discurso normativo, mas o trabalho lexicográfico, consubstanciado no elenco recolhido de formas e frases a evitar, é tão quantioso que bem se pode equiparar às numerosas páginas da reflexão moral.
Manuel José de Paiva nasceu em Lisboa em 1706, formou-se em Direito, em Coimbra, e exerceu durante algum tempo a magistratura nas vilas de Odemira e de Avis, e depois a advocacia em Lisboa. Segundo a informação bibliográfica fornecida por Inocêncio (1. VI, 30 e 1. XVI, 244), escreveu, além das Infermidades, vários textos teatrais, comédias joco-sérias e obras moralistas. Do conjunto da sua obra parece poder delinear-se, a respeito de Manuel José de Paiva, um perfil de homem de letras moralista, amigo da tradição, com ideias generosas como a contestação da pena de morte, justamente quando ela era executada com requintes de escarmento público. As suas reflexões repercutem, de modo geral, o discurso do desengano e a literatura do apelo moral. Manifesta-se como um cavaleiro sozinho, sem nem sequer um Sancho Pança que o acompanhe e o distinga como herói e lhe conceda o estatuto de mestre. Ligado à ordem antiga, era já velho quando surgiu Pombal, não teria ânimo para assumir a renovação do pensamento e da arte literária que então se operava. Adopta um criptónimo singular - Silvério Silvestre Silveira da Silva -, que poderá ser entendido como uma alusão caricatural e crítica aos nomes poéticos dos árcades, os eruditos pastores do Monte Ménalo. Pela sua parte prefere a "imitação dos antigos poetas".
As Infermidades, sob o ponto de vista literário, são um exemplo excelente da literatura barroca, da literatura que termina o seu percurso durante o governo do Marquês de Pombal e que é substituída pelo Neo-classicismo, pela Arcádia (agremiação a que Manuel José de Paiva não pertenceu por incompatibilidade do seu credo poético e talvez, por falta de afinidade política). Em todo o caso tratase de um texto dotado de uma certa legibilidade, quer no respeitante à textura lexical, quer ainda na engenharia retórica em que predomina a acumulação, a enumeração e a simetria, tudo numa construção linear, com sóbrios encadeamentos, que se vão distanciando dos hipérbatos e dos artifícios da sintaxe latina. Oferece momentos de leitura agradável, com uma intertextualidade em que se repercute toda a enciclopédia da época, e muitos símiles de sabor antigo como o da comparação da língua com a espada.

Mas é sobretudo a riqueza do vocabulário e um especioso investimento retórico que fazem das Infermidades um texto merecedor de ser revisitado. Apresenta séries abundantes de sequências sinonímicas ou parassinonímicas e antonímicas."
(Fonte: https://ruc.udc.es/dspace/bitstream/handle/2183/2583/RGF-2-7.pdf?sequence=1&isAllowed=y)
Encadernação moderna em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Pequenos picos de traça marginais.
Raro.
115€
Reservado

01 junho, 2018

MACATRÃO, Armando Salles - EXPRESSÕES DA NAZARÉTH. [S.l.], Edição do Autor [Execução técnica: Tipografia Ocidental, Viseu], 1988. In-8.º (20,5cm) de 163, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para o estudo linguístico e histórico sobre a linguagem popular da Nazaré, através das "expressões idiomáticas" empregues quotidianamente pelo povo desta antiga vila piscatória.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O povo da Nazaré é um documento vivo. Fácil de consultar. Ao dispor de todos, em todos os dias do ano: uma capa negra, um olhar de soslaio; um modo diferente de sentar à porta ao cair da tarde; uma ruga que conta mil histórias, mil desgostos; aquele sabor amargo de se ter perdido alguém querido que já não é substituído - nem pode ser; alguém a quem o mar chamou a si como seu.
Documentos ao nosso alcance. Todos os dias.
Só que é preciso ter dedos delicados para virar essas páginas. Dedos carinhosos que não magoem nem demonstrem pressa e que saibam passar para o papel (para o eterno) todas as letras, frases, insultos, pragas, ralhos, etc., etc., que enriquecem este povo que é o povo da Nazaré."
(Excerto da apresentação, retirada da contracapa)
"Escrever sobre a Nazaré não é fácil e mais difícil se torna quando se quer tratar um tema específico como é aqui o caso da linguagem. Para tal é necessário, acima de tudo, ser nazareno, isto é, ter lá nascido e vivido, pois só assim se pode entender o seu modo de pensar, bem como o verdadeiro significado dos seus ditos, inchents, alborques, pragas, etc. Na Praia pensa-se duma maneira, no Sítio doutra, e na Pederneira diferente das outras duas."
(Excerto da dedicatória)
"Não foi sem motivos que me dediquei a fazer o levantamento das expressões da Nazaré, mas foi por acaso que tal ideia surgiu. Tudo começou no Verão de 19982 enquanto conversava com colegas na esplanada do Café Tá-Mar. Perante alguns termos e frases locais, porque é habitual entre nazarenos falar desse modo, surgiu-me a ideia de começar a anotar quantas são as expressões usadas na terra. Naquele mesmo dia tomei nota de quase trinta termos e expressões bem como das histórias a que se associam. No dia seguinte já tinha o dobro de material recolhido e, a partir daqui, comecei a verificar que tinha "descoberto" algo maravilhoso. "Afinal" - pensei - "isto é uma face, de um certo modo latente, da identidade Nazarena que será perdida se não for documentada". Foi então que decidi fazer um estudo meticuloso e aprofundado sobre a origem, significado, e emprego das expressões para publicação. Nesta altura também andava preocupado por observar tanta modificação, abandono, e destruição daquilo que mais identifica a terra como Nazaré, de modo que, esta face "nova", este promontório de expressões veio oportunamente impor-se, indestrutível no Tempo. Mais importante talvez, foi o facto de ter vindo reforçar a identidade Nazarena."
(Excerto da introdução)
Índice:
Dedicatória. Introdução. A Nazaré em geral. O Povo. Comparações. O mar. Faina do mar. Materiais da faina do mar. Barcos. Peixe. O tempo. Ralhos. Pragas. Insultos. Expressões interjeccionais. Expressões diversas - I. Expressões diversas - II. Vocábulos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com um pequeno corte na parte superior da capa.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Indisponível