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16 setembro, 2026

MENESES, Ludovico de - CAMILO CASTELO BRANCO : Princípios para uma Conseqüência.
Com breves traços biográficos por... Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Ideal - Lisboa], 1945. In-8.º (22x15 cm) de 29, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa peça camiliana. Trata-se de um extenso artigo crítico de Camilo sobre Inglaterra - Princípios para uma Conseqüência -, e o modo como esta opera nos negócios, na guerra e na diplomacia, e sobretudo no seu relacionamento com Portugal, censurando o Marquês de Pombal pela sua proximidade com esse país, e imputando a João VI a culpa pelo estado a que chegou a nossa história recente. Inclui correspondência de Camilo e a descrição dos últimos momentos do grande prosador de S. Miguel de Seide.
Tiragem restrita de 300 exemplares. O presente leva o n,º 264.
"[...] Inglaterra campeava entre as naçoens como aventureiro sagaz que em caza de ricos e sinceros lavradores pede a mão da creança para lhe ler a sina. Descreve-lhe as filicidades do futuro nas formulas da cutis, e, finalmente, abre o bojudo saco, onde avultada esmola cahe da mão do menino, lisongeado do seu oraculo. Nós eramos tão fortes como sinceros, D. João 1.º - o rei cavalleiro - abria o coração aos agouros, que cria simbolisados na pedra bruta, e explicados nos labios do adivinho."
(Excerto de Princípios para uma Conseqüência)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequeno rasgão no pé, sem perda de suporte.
Muito invulgar.
15€

19 junho, 2026

CASTELLO BRANCO, Camillo -
UM LIVRO
. Porto, Typographia de J. A. de Freitas Junior, 1854. In-8.º (21x13,5 cm) de 204, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Um Livro é uma obra interessante e muito curiosa, espécie de romance em verso, e uma das publicações mais raras e menos conhecida de Camilo Castelo Branco, publicada originalmente em 1854 sem o nome do autor. Oferecida a José Barbosa e Silva, "como pequeno obulo de reconhecida amisade", foi dada à estampa numa fase muito inicial da sua carreira literária (com cerca de 28 anos), antes de este atingir o auge da sua fama com as novelas da década seguinte.
Enredo determinado por um crime passional, verídico, explicado por Camilo em "Notas", reflete a juventude do autor e o seu estilo irónico, abordando temas como a vaidade e a dor humana, o ciúme, a paixão e a morte.
Inclui no final (pp. 162-204) uma pequena novela: Vinte dias de agonia, de que falaremos a seguir.

"Traja de lucto o viuvo,
Vestem-se as armas de negro;
Vem a nobresa em redor
Consolar o primo illustre,
Que verga ao peso da dôr.
O sino dobra a finados,
Dizem-se missas geraes.
Soam, no templo, responsos
Em pomposos funeraes.
E, entre os muitos, que elevam
As suas preces ao ceu
O consternado consorte,
Que, dizem, fôra um atheu,
Em maus tempos, que lá vão,
Ergue as mãos, vai n'um transporte
De fervente dovoção,
Seguindo o rolo do incenso,
Que perfuma os pés do immenso,
A quem pede a eternidade
Para a esposa estremecida!...
...................................................
Pungente affronta, cuspida
Na virtude, e na piedade!..."

(Excerto de VII)

"Este caracter, ligeiramente esboçado, não é fantastico, nos traços essenciaes. O homem, que ahi se pinta, foi, viveu, e conheci-o tal, na primeira luz do quadro, em que os acessorios, o ornato, é o que menos val. Chamava-se José Pacheco de Andrade. Oriundo de uma das mais distinctas familias de Cabeceiras de Basto, seu pai era o capitão-mor, Serafim Pacheco dos Anjos. [...]
José Pacheco de Andrade, quando eu o conheci, trazia sobre os hombros uma manta, apontoada de farrapos, uma tigella vermelha debaixo do braço, e dormia no palheiro d'um lavrador, onde creio que morreu. Representava 44 annos, quanto muito. A fome não podéra ainda descompôr-lhe o rosto fino, e feminil. A expressão torva, panica, e repulsiva tinha-a nos olhos ardentissimos, e incovados. No trato era rude affavel. Tinha asperas vaidades de fidalgo, que se esquece de que é mendigo, e mansas humilhações de mendigo, que se esquece de que é fidalgo."
(Excerto de Notas)

Relativamente à novela Vinte dias de agonia com que termina o volume, diz-nos Camilo:
"Escrevi, ha tempo, sob a mesma impressão, uma prosa, que me parece mais poesia que o verso, e que muito serve de commentario ao poema. Elle, o poeta, que o foi na vida, na resignação, e na morte, que abraçou, sorrindo-lhe, como desgraçado e como christão, não direi quem foi Cubra-se-lhe a face com uma dobra da mortalha de Alda. São dous nomes, que não profanarei... duas imagens magnificas na dôr e na poesia, excepções a tudo isto que por ahi vai...
É esta a prosa: diz mais que o canto, penso eu:
Vinte dias de agonia
Quiz abrir um abismo na minha alma. Quiz envolver-me nas trevas de uma angustia mortal. Quiz imaginar as agonias d'um homem, que, aos vinte e seis annos, cae na sepultura, depois de erguer-se ao ponto culminante da vida, e da esperança. Vi-o morrer. Morreu como se a morte, seu unico anjo d'amor, lhe désse um beijo de paz eterna na hora final. Mas aquelles vinte dias derradeiros foram a purificação daquelle holocausto sublime, consummado pelas bagas d'um suor frio, pelo cahir d'uma lagrima glacial, pelo estorcimento convulso dos labios, semelhante a um sorriso."
(Excerto de Vinte dias de agonia)
Camilo Castelo Branco (Lisboa, 1825 - São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, 1890). "Foi um dos maiores e mais prolíficos escritores portugueses do século XIX. É amplamente considerado o principal expoente do Romantismo em Portugal. Ele destacou-se também por ser o primeiro escritor profissional do país a conseguir viver exclusivamente dos rendimentos da sua vasta produção literária. Em reconhecimento ao seu impacto cultural, o rei D. Luís I concedeu-lhe o título de Visconde de Correia Botelho em 1885." (IA)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Desencadernado, sem capas. F. rosto apresenta manchas, pequeno rasgão e três orifícios à cabeça.
Raro.
75€

10 setembro, 2025

CASTELLO BRANCO, Camillo - NOTAS Á SEBENTA DO DR. AVELINO CESAR CALLISTO,
Lente de Historia Ecclesiastica Portugueza. Por... Porto, Na Livraria de Ernesto Chardron, 1883. In-8.º (21,5x15 cm) de 15, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Polémica entre Camilo e um professor da Universidade de Coimbra, numa interessante querela que ficaria conhecida para a posteridade como "Questão da Sebenta".
Em 1883, o professor catedrático de História Eclesiástica Portuguesa na Universidade de Coimbra, Dr. Avelino César Calisto, numa das suas aulas, referindo-se ao prefácio do livro de Camilo, O Perfil do Marquês de Pombal (1882), ainda que sem referir o seu nome, classificou-o de “inteligência mercenária”. Avisado, por carta, Camilo pede explicações não tendo obtido resposta do Professor. Sentindo-se ultrajado, Camilo publica o opúsculo Notas á Sebenta dando origem à célebre polémica da "Questão da Sebenta", por vezes também referida como "Sebenta, Bolas e Bulas".
"No dia 23 de março proximo passado, enviei ao snr. doutor cathedratico acima referido a seguinte carta:
«Ill.mo e Ex.mo Snr doutor Avelino Cesar Callisto... [...]
Não respondeu. O silencio do snr Callisto é, a um tempo, resposta e desprezo. Mau expediente.
O professor escorrêra desbocadamente do alto da cathedra sobre os seus alumnos essas imundices da calumnia. Ellas entraram-me em caza com a Sebenta - uma sargêta dos esgotos do corpo docente. A disgestão intellectual dos capêllos em jurisprudencia, lá dentro, só se póde conhecer cá fóra pela Sebenta. A fama d'elles não sopra pelo clarim classico de prata refulgente. Assim que transpõe as barreiras, aquella Fama coimbran, maltrapilha, de tregeitos garotos, faz da Sebenta uma trombeta, e vem corneteando por ahi fóra. As lithographias, fecundadas pelos doutores, gemem uns partos sujos que, depois de grudados vinte e quatro horas nos cerebros, em formação e em formatura dos alumnos, são sacrificados é Venus cloacina"
(Excerto de Notas á Sebenta
Encadernação em tela vermelha com dourados na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas cansadas.. Rubrica de posse e número a tinta na f. rosto.
Muito invulgar.
25€

29 agosto, 2025

CASTELLO BRANCO, Camillo -
O CONDEMNADO : drama em tres actos e quatro quadros.
Seguido do drama em um acto COMO OS ANJOS SE VINGAM. Por... Porto, Viuva Moré - Editora, 1870. In-8.º (18x12 cm) de 282, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Edição original desta obra do grande prosador de São Miguel de Seide composta por dois dramas, um deles, o principal - O Condemnado -, relacionado e dedicado ao seu amigo José Vieira de Castro, que num acesso de ciúmes, assassinou sua mulher pelas suas mãos.
"Segundo Henrique Marques “… O Condemnado é dedicado a José Cardoso Vieira de Castro, e foi escripto sob a impressão da dolorosissima tragédia que atirou com este eloquentissimo parlamentar e escriptor elegante como degredado para uma das nossas possessões africanas, onde terminou seus dias …” (in Descrição Bibliográfica Camiliana, por Miguel Carvalho, 2003).
"Se ainda tens lagrimas, se ainda as tens no coração, meu infeliz amigo, permitta Deus que possas verter alguma na pagina onde encontrares uma palavra, um grito de lacerante angustia, como tantos de has de ter abafado.
N'este livro, não pude bem assignalar um leve traço do teu enorme infortunio. Não pude, porque a tua desgraça não tem nome.
Figura-se-me que tu, Vieira de Castro, na tua cerrada noite de seis mezes, ainda não pudeste vêr ao sol de Deus os sulcos por onde desceu de teus olhos o sangue, a seiva toda de tua mocidade. [...]
Deus que te veja chorar, e te envie o doce trago da morte, que receberás sorrindo como todo o homem que expira vergado ao pêso de sua cruz, mas não á ignominia d'ella.
Falta-te morrer, Vieira de Castro, para que em tua sepultura se respeitem as cinzas d'um grande coração extremado na honra e na desgraça."
(Excerto da Dedicatória - A José Cardoso Vieira de Castro)
Encadernação coeva meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
50€

27 março, 2025

CASTELLO BRANCO, Camillo -
D. ANTONIO ALVES MARTINS : Bispo de Vizeu.
Esboço biographico. Por... Segunda edição. Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron - Casa Editora - Lugan & Genelioux, successores, 1889. In-8.º (19x12,5 cm) de 36 p. ; B.
Apontamento biográfico de D. António Alves Martins (Alijó, 1808 - Viseu, 1882), Bispo de Viseu, mas também professor, jornalista e político, em segunda edição. A primeira, publicada pela Viúva Moré, data de 1870.
"É agradavel e não commum esboçar alguns traços da vida de um varão benemerito, cujos antepassados, praticando obscuramente o bem, nos não intimam o dever de lhes attribuir ou inventar proezas civicas. Em tempos não remotos, quando era costume inculcar ou explicar, pelo decoro da stirpe, virtudes ou heroismos, raro biógrapho se sahia limpa e airosamente de ao pé do berço humilde do seu heroe. [...] Homens d'este vulto, per si mesmo nobilitados, não se procuram no berço: é em meio de nós, é desde o momento que os vimos receber da gratidão publica os titulos da sua nobreza."
(Excerto da Abertura)
"O snr. D. Antonio Alves Martins, doutor na faculdade de theologia, bispo de Vizeu, par do reino e ministro de estado honorario, nasceu na Granja de Alijó, provincia de Traz-os-montes, aos 18 de fevereiro de 1808. Modesta abundancia e laboriosa probidade - excellencias congeneres da profissão agricultora - honravam e felicitavam a familia que procede o snr. bispo de Vizeu.
Dado que a sua iniciação a estudos superiores não levasse o intento posto em determinado destino, motivos, em que talvez seria grande parte a obediencia, moveram o moço de deseseis annos a entrar na Terceira Ordem de S. Francisco, chamada na Penitencia, cuja casa capitular era em Lisboa."
(Excerto do Esboço)
Exemplar não muito bem conservado: capas vincadas, com cortes e pequenas falhas de papel; páginas sujas, sobretudo na primeira parte do livro. Em suma, exemplar de leitura aceitável.
Invulgar.
Com interesse histórico e biográfico.
10€

09 setembro, 2024

CASTELLO BRANCO, Camillo - MARIA DA FONTE. A proposito dos apontamentos para a historia da Revolução do Minho em 1846 publicados recentemente pelo reverendo Padre Casimiro, celebrado chefe da insurreição popular. Porto, Livraria Civilisação, 1885. In-8.º (19x12 cm) de 425, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante trabalho de investigação de Camilo Castelo Branco - de certo modo autobiográfico, já que também ele viveu nessa época - sobre a existência e acção da Maria da Fonte, personagem mítica da revolta popular baptizada com o seu "nome de guerra", que eclodiu no Minho, em 1846.
Rara edição original, ilustrada com bonitas capitulares e vinhetas tipográficas.
"Maria da Fonte, ou Revolta do Minho, foi uma revolta popular ocorrida na primavera de 1846 contra o governo cartista presidido por António Bernardo da Costa Cabral.
A revolta resultou das tensões sociais remanescentes das guerras liberais, exacerbadas pelo grande descontentamento popular gerado pelas novas leis de recrutamento militar que se lhe seguiram, por alterações fiscais e pela proibição de realizar enterros dentro de igrejas.
Iniciou-se na zona de Póvoa de Lanhoso (Minho) uma sublevação popular que se foi progressivamente estendendo a todo o norte de Portugal. A instigadora dos motins iniciais terá sido uma mulher do povo chamada Maria, natural da freguesia de Fontarcada, que por isso ficaria conhecida pela alcunha de Maria da Fonte. Como a fase inicial do movimento insurreccional teve uma forte componente feminina, acabou por ser esse o nome dado à revolta."
(Fonte: Wikipédia)
"Foi a Maria da Fonte a personificação fantastica de uma collectividade de amazonas de tamancos, ou realmente existiu, um corpo e fouce roçadoura, uma virago revolucionaria com aquelle nome e appellido?
É o que vamos esmiuçar.
Mas, em parenthesis: acho que faltam condiçoens epicas n'este periodo que acabei de immortalisar e exhibir á posteridade. Ao tratar das heroinas da revolução nacional de 1846, o meu estylo é lapantanamente grutesco. [...]
Sobre a personalidade unica, singular e distincta de Maria da Fonte entre as mulheres amotinadas no concelho de Vieira, o depoimento do snr. padre Casimiro deve ser o primeiro n'este processo de investigação.
Refere o minucioso historiador que um sapateiro de Simães, da freguezia de Fonte Arcada, o avisára que lhe maquinavam a morte; e, na mesma occasião, se mostrára receoso de que lhe matassem sua irman Maria Angelina, a quem chamavam Maria da Fonte, e fôra processada e pronunciada nos tumultos da Povoa de Lanhoso. Perguntou-lhe padre Casimiro o que fizera ella para ganhar tal nome. - Nada, respondeu o sapateiro; apenas acompanhára as outras mulheres que arrombaram a cadeia da Povoa para soltar as prêzas que primeiramente se levantaram contra a Junta de Saude."
(Excerto de Parte Primeira - Marias da Fonte)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a negro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Assinatura de posse visível na f. rosto e primeira página de texto. Pág 95/96 apresenta rasgão no canto com perda de suporte, mas sem afectação da mancha tipográfica.
Raro.
Indisponível

30 agosto, 2024

ALBUM DE VIZEU.
Illustrado com os retratos de Viriato; João de Barros; D. Duarte; João Mendes, Bispo de Vizeu; vistas da cidade; cava de Viriato; Abravezes; S. Francisco d'Orgens; Praça dois de Maio; Sé, etc. Porto, Typographia Universal, 1884. In-8.º (19x12,5 cm) de 202, [6] p. ; [11] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Álbum de Viseu e arredores que terá sido compilado por Camilo Castelo Branco(?), colaborado com pequenos textos, em prosa e em verso, por ilustres personalidades da vida literária portuguesa do final do século XIX: 28 senhoras e 84 cavalheiros, com destaque para, entre outras(os), Angelina Vidal, Guiomar Torrezão, Maria Amália Vaz de Carvalho, Maria Rita Chiappe Cadet e Maria Angélica de Andrade pelas senhoras, e Alexandre Herculano, Antero de Quental, Cândido de Figueiredo, Camilo Castelo Branco, Eduardo Coelho, Francisco Gomes de Amorim, Guerra Junqueiro, João de Deus, Júlio César Machado, João de Barros, Júlio e Castilho, Luciano Cordeiro, Pinheiro Chagas, Pedro Ivo, Ramalho Ortigão, Silva Pinto e Almeida Garrett pelos cavalheiros.
Ilustrado no texto com um bonito desenho, e em separado, com retratos de insignes figuras da história viseense, paisagens, lugares e monumentos relevantes.
"A cidade de Vizeu é uma das mais antigas de Portugal, podendo a este respeito competir com as que mais se abonam em primazia de vetustez.
Como succede a todas as povoações cuja fundação se occulta na penumbra dos seculos, Vizeu possue lendas e fabulas, que a poesia tem revestido de roupagens mirabolantes, mas que a historia  põe de parte porque, mais prosaica e positiva, não se prende com as lendarias ficções que as gerações vão transmittindo umas ás outras.
Poderiamos aqui fallar de Viriato, o celebre capitão dos luzitanos e terror dos romanos, da Cava, do ultimo rei dos godos, Ramiro; mas deixando isto aos archeologos e antiquarios, diremos unicamente que Vizeu foi sempre uma das povoações mais importantes da monarchia portugueza, não só pela situação, commercio e industria, mas tambem pelo numero de varões eminentes com que tem dado lustre a Portugal e ao mundo.
Divide-se a cidade em dois bairros, oriental e occidental, cada um com a sua parochia, ambas da invocação de Nossa Senhora da Conceição. [...]
Vizeu conta uns nove mil habitantes. É muito sadia, farta d'aguas excellentes e de todos os productos agricolas do nosso paiz. Tem arrabaldes lindissimos, amenos e pittorescos. De alguns sitios disfructam-se panoramas surprehendentes.
Ultimamente em Vizeu tem-se introduzido melhoramentos notaveis. As suas ruas estreitas e tortuosas vão-se transformando em outras mais espaçosas e alegres."
(Excerto de A cidade de Vizeu)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Aparado à cabeça. Capas frágeis, com defeitos e pequenas falhas de papel, com maior incidência na contracapa que apresenta perda de suporte no canto inferior esquerdo. Capa frontal alvo de tosco restauro. Pelo interesse e raridade justifica encadernar.
Raro.
85€

15 agosto, 2024

MURY, Padre Paulo - 
HISTORIA DE GABRIEL MALAGRIDA DA COMPANHIA DE JESUS.
Apostolo do Brazil no seculo XVIII estrangulado e queimado no Largo do Rocio de Lisboa aos 21 de setembro de 1764. Auctor... Da mesma Companhia. Trasladado a portuguez e prefaciado por Camillo Castello Branco. Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & C.ª, 1875. In-8.º (18,5x12 cm) de XXIX, [1], 188, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Biografia de Gabriel Malagrida, padre jesuíta mandado executar pelo Marquês de Pombal no Rossio, Lisboa, em 1764.
Obra com interesse histórico e biográfico, muito valorizada pelo extenso prefácio de Camilo Castelo Branco.
Com a reprodução integral do opúsculo de Malagrida sobre as causas divinas do terramoto de 1755, em Lisboa, tendo sido este um dos principais motivos para o rancor que a partir daí lhe votou o Marquês, além da sua relação com a Família Távora, concorrendo ambas para o fim trágico do religioso italiano.
"A Historia de Gabriel Malagrida, que trasladamos a vernaculo, fou publicada ha dez annos em Paris. É um livro sem ambições de laureis litterarios, descultivado de flores de estylo. Narra simplesmente, sem ataviar as descripções, dignas aliás de penna mais acurada,e estudos mais largos dos paizes que Malagrida alumiou com a luz da sciencia abrilhantada por virtudes e alta piedade.
O padre Paulo Mury, da Companhia de Jesus, manuseou os impressos e ineditos que relembravam o martyrio do apostolo do Brazil. Urdiu com elles a sua historia, tecida com exemplar sinceridade, seguindo o jesuita desde o berço até á fogueira da Inquisição. Accusa moderadamente a iniquidade de Sebastião José de Carvalho: compadece-se da sua memoria, como os jesuitas, em 1829, se compadeceram dos seus ossos ainda então insepultos na egreja  dos franciscanos da villa de Pombal.
Não nos daremos em particularidades da vida operosissima de Malagrida. Nenhuma das mais e menos essenciaes descurou o biographo. Pareceu-nos, porém, vir de molde n'este prefacio a reimpressão de um rarissimo opusculo da innocente victima do marquez de Pombal. Duas vezes, em sua obra, allude o padre Mury ao folheto que Malagrida publicou na occasião do terramoto de 1755. Este folheto motivou o desterro de Malagrida para Setubal, fez parte no processo da sua condemnação, e enfureceu por tanta maneira o rancor do ministro omnipotente, que todos os exemplares apprehendidos e voluntariamente entregues foram queimados pelo algoz, na Praça do Commercio, em 8 de maio de 1771, por edital da Meza Censoria de 30 de abril, dez annos depois do supplicio do seu auctor!"
(Excerto do Prefacio)
Gabriel Malagrida (Menaggio, Milão, 18 de setembro de 1689 – Lisboa, 21 de setembro de 1761)."Nascido Gabriele Malagrida, foi um padre jesuíta italiano. Tendo sido missionário no Brasil e pregador em Lisboa, veio a ser condenado como herege no âmbito do Processo dos Távora. Foi garrotado e queimado na fogueira após um auto-de-fé realizado no Rossio de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação recente em meia de percalina com cantos, e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
60€

11 julho, 2024

BORGES, Carlos - DOUS GENIOS DIFFERENTES : romance original.
Por...
Lisboa, Typ. Lusitana-Largo de S. Roque n.º 7 [Editor - Joaquim José Annaya], 1866. In-8.º (21,5 cm) de 156, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Livro de estreia do autor, publicado quando este contava apenas 17 anos. Obra romântica, ao gosto da época, oferecida a Camilo Castelo Branco, o "Principe dos romancistas da Peninsula", composta por um romance - Dous genios differentes, e a terminar, uma pequena novela - Christina.
Inclui na pág. 7 uma carta do autor «A Joaquim José Annaya», o editor, e nas págs 8 e 9 uma carta «A Camillo Castello Branco», respondendo Camilo na pág. 10 - «A Carlos Borges».
"Estavamos no inverno. O ceu carregado, opaco, ennevoado, o ar frio e pesado, a chuva caindo successivamente, nada faltava para o conjuncto das intemperies d'esta epoca de geada e tristeza.
As ruas do Porto, uma das mais bellas e lindas cidades de Portugal, estavam desertas e sombrias. Apenas no meio da escuridade, se divisava como em um quadro de Rembrandt, a sombra de uma elegante casa, brilhantemente illuminada no interior.
Esta casa pertencia ao conde de Vilmar. A porta principal estava aberta de par em par. Um portico juncado de ricos tapetes e guarnecido de magestosos candelabros conduzia á escada. Para o primeiro andar subia-se por entre duas fileiras de exoticos arbustos, cuja verdura e os mais odoriferos perfumes produziam, ao sahir da immensidade de chuva, que inundava a rua, um vivo sentimento de prazer: era a passagem repentina do inverno para a primavera.
A illuminação da casa, assim como este ornamento de flores, annunciava uma noute de festa: era o anniversario natalicio de Laura, interessante menina, neta do conde."
(Excerto do Cap. I - A neta do conde)
Carlos Borges (1849-1932). Pouco se sabe acerca do autor. De acordo com a Biblioteca Nacional, terá publicado alguns opúsculos de protesto político, peças de teatro e dois romances: Dous genios differentes (1866) e Eulalia (1868). Tem ainda listado em seu nome algumas traduções.
Exemplar brochado, ligeiramente aparado à cabeça, em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequena falha de papel no canto inferior esquerdo da capa. Sem f. ante-rosto.
Raro.
Com interesse camiliano.
35€

04 julho, 2024

R. C. S. -
ALGUNS ESCRIPTOS ÁCERCA DA VIDA E OBRAS DE CAMILLO CASTELLO BRANCO.
Por... Com um prefacio pelo distincto camillianista Ex.mo Snr. J. V. Ribeiro. Lisboa, Tip. de H. Pereira & Ct.ª, 1917. In-8.º (22x15 cm) de 40, [4] p. ; E.
1.ª edição.
Rara peça camilianista com interesse histórico e bibliográfico. Nada foi possível apurar acerca da identidade do autor que assina estes Escriptos "R. C. S.", e a própria BNP, que possui um exemplar no seu acervo, não lança luz sobre a questão.
Inclui no final do livro o Indice alphabetico por Titulos das Obras.
Obra restrita a 100 exemplares. O presente leva o n.º 96.
Se exceptuarmos, talvez, o nosso grande épico Camões, nenhum outro escritor português motivou, e levou os admiradores e os criticos a dar á estampa - quer para lhe consagrar o talento e a produção literaria, quer para lhe estudar a psicologia - uma tão extensa lista de livros e folhetos, e outras publicações, como Camillo Castello Branco, já que pelo que se lhe refere directamente, já por cousas que com a figura inegualavel e dominante d'esse Homem ou d'esse Publicista tem mais ou menos intima relação.
Algumas das publicações são quasi verdadeiros tratados da vida, excepcionalmente acidentada, e obras do nosso primeiro prosador; mas o assunto, como que inesgotavel, ainda ha-de constituir por longo tempo um manancial onde muitos espiritos investigadores e devotados irão encher as suas ânforas para as offerecer depois á deleitação de profusos leitores sequiosos do conhecimento exacto e minucioso de uma das mais complexas e mais raras personalidades da nossa literatura.
Na mina camilliana ha ainda ricos filões que explorar; e quem sabe mesmo se ainda não se extraiu de lá o ouro mais refulgente e as pedras mais rutilantes com que se ha-de azer e engastar o melhor diadema que a Posteridade colocará de vez na fronte do soberano escritor?"
(Excerto de Só duas palavras, de J. V. Ribeiro)
Encadernação em meia de percalina com cantos e ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior.
Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
30€

05 junho, 2024

CASTELLO BRANCO, Camillo -
O SENHOR DO PAÇO DE  NINÃES
. Lisboa, Livraria de Campos Junior - Editor, [1867]. In-8.º (18,5x12 cm) de [4], 261, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre no Minho, e se prolonga pelo último quartel do século XVI/primeiro do século XVII, sendo esta uma das mais conhecidas e estimadas obras do grande prosador de S. Miguel de Seide.
Trata-se de um exemplar da primeira edição, variante "Campos Júnior".
"Esta novela foi pela primeira vez publicada em 1867, primeiro sob a forma de folhetins no jornal O Commercio do Porto e, mais tarde, em livro, por uma editora portuense. Para o seu enredo, Camilo baseou-se num documento histórico, o rol dos fidalgos cativos em Alcácer Quibir e numa laje funerária, existente na Igreja paroquial de Landim, no Minho. A paixão de Camilo pela História e pelo facto concreto revela-se no texto: na eleição da época da acção, na selecção dos episódios evocados e na interpretação que suscitam, na presença, mais ou menos directa, de determinados passos das fontes escolhidas e na natureza dos comentários críticos a propósito deles tecidos, afinal, da imagem de Portugal entretecida na obra."
(Fonte: Wook)
"Estamos no Minho, o leitor e eu.
Chegamos á «Portella», uma legua andada de Villa Nova de Famalicão, na estrada de Guimarães. Deixada a estrada, entremos n'umas brenhas de arvores, por atalho tortuoso com o seu docel de carvalheiras e festões de vides enroscadas n'ellas. Andou o leitor um kilometro em vinte minutos, se não parou algumas vezes a respirar o acre saudavel das bouças, e a ver o pullular dos milharaes e a ouvir as toadas das seareiras que cantam. [...]
Andados, pois, mil passos na quebrada da ramalhosa encosta, nos sahe de rosto uma casa de dous sobrados, caiada, azulejada, com sua columnas pintadas de verde e como de papelão grudado á parede, com as bases amarellas e os vertices escarlates. Vão-se os olhos n'aquillo! Esta maravilha architectonica devem-na as artes ao gôsto e genio pintoresco de um rico mercador que veio das luxuriantes selvas do Amazonas, com todas as côres que lá viu de memoria,  todas aqui fez reproduzir sob o inspirado pincel de trolha, o qual se havia ensaiado n'um S. Miguel de retabulo de alminhas com uma fortuna digna de Italia.
Admirado isto, rodeia o leitor uns pardieiros de demolidas arribanas, e, na revolta do quinchoso, topa com umas ruinas.
Aqui tem o paço de Ninães."
(Excerto de I - O que era o paço e quem estava n'elle)
Encadernação inteira de pele com as pastas trabalhadas, com com nervuras, rótulos e dourados na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Mancha visível na pasta anterior.
Raro.
50€

10 outubro, 2023

CARTAS INÉDITAS DA SEGUNDA MULHER DE CAMILLO CASTELLO BRANCO. Com algumas notas e commentarios de A. d'A. N. B. Lisboa, Depositária: Livraria de J. Rodrigues & C.ª, 1916. In-8.º (22 cm) de [1], 27, [3] p. ; [4] f. il. ; E.
1.ª edição.
Obra da responsabilidade de Afonso de Azevedo Nunes Branco, publicado por ocasião das comemorações do 91.º aniversário do nascimento de Camilo Castelo Branco.
Livro com tiragem reduzida, ilustrado com 4 estampas extra-texto.
«O produto liquido da venda d'este folheto reverte a favôr da subscripção, aberta em Villa Nova de Famalicão, para reconstruir a casa de S. Miguel de Seide.»
"Tão ligado anda ao nome de Camillo Castello Branco o de Anna Augusta Placido, que escrevendo sobre um preciso se torna escrever sobre o outro: mórmente quando se relatam ou historiam episodios do Inferno de Seide, como se deve classificar a vida de ambos e de seus filhos."
(Excerto dos comentários do autor)
"Meu amigo
Faço-o participante das mªs alegrias!...
Depois d'horas infernaes ha 20 dias por causa do tal ferimento nos olhos de Camillo, e quando já quase me faltava o animo, (porq elle acuzava todos os symptomas da catarata, e está quase n'um estado de vista q não pode aturar a luz) partiu hoje pª o Porto resolvido a um desengano.
Recebi o 2.º telegramma!
3 medicos dão o encommodo curavel, sendo o ultimo o primeiro especialista do Porto.
Imagine a mª alegria!
Estou sem dormir e sem comer mas sinto-me forte, rija, e quase com as forças dos 20 annos.
Tenho andado sempre com o Camillo p.ª o Porto, 2 dias cá, 2 dias lá!
Emquanto houvia o Ricardo Jorge, bem estavamos. Assim q chegava a caza «estou cego, suicido-me». Cansada d'esta lucta, disse-lhe q fosse desenganar-se. Se era cegueira, que pozessemos em ordem as nossas vidas e soubessemos morrer juntos com a coragem com que temos affrontado a desgraça: Hoje esperava a sentença de morte.
Chegou a de vida, e por isso lh'o participo como se fosse um filho estremecido.
Adeus abraça-vos a vossa am.ª
A. Placido."
(Carta de Ana Plácido para Manuel de Ascensão Espinho, em 1886)
Bonita encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse camiliano.
Indisponível

21 fevereiro, 2023

VIDA D'EL-REI D. AFFONSO VI.
Com um prefacio por Camillo Castello Branco
. Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron : Braga, Livraria Internacional de Eugenio Chardron, [1873]. In-8.º (16x12 cm) de XII, 138, [10] p. ; E.
1.ª edição.
Narrativa biográfica anónima de D. Pedro VI (1643-1683), rei de Portugal por morte de seu irmão D. Teodósio, o primeiro filho de D. João IV na linha dinástica. Mais tarde dado seria dado como "física e mentalmente fraco", sendo declarado "incapaz", e deposto por seu irmão mais novo, Pedro, o duque de Beja, que assumiu a regência do reino.
Obra muitíssimo valorizada pelo extenso - e irónico - prefácio de Camilo Castelo Branco.
"Pois que ainda não temos historiadores bem assentuada do, impropriamente dito, reinado de Affonso VI, não se descure nem deixe perder alguma pagina das escriptas por pulso contemporaneo. Escriptores coevos, izemptos de paixão, quem os conheceu? E então, dos d'aquelle periodo, recheado de miserabilissimas villanias, facciosos de Affonso ou de Pedro, não veio algum até nos que mereça inteiro credito. O bispo do Porto, Fernão Correia de Lacerda pagou com a catastrophe a mytra. Falseou o nome como falsweara a honra: anagrammou-se, como se um anagramma descontasse nos gráos da infamia. A anti-catastrophe, de historiador incognito, tem relanços que inspiram crença; mas lá vem outros que a desluzem. O processo de divorcio de Affonso, requerido por sua mulher, esse sim, esclarece abysmos; é facho que nos conduz aos latibulos da corte d'aquella rainha incestuosa; por feitio que o processo diz mais para a historia das torpezas da esposa que das enfermidades do marido. É ella, a amante adultera do trigueiro cunhado, que entra nos tribunaes, empunhando attestados medicos e depoimentos de meretrizes, pelos quaes se demonstra que Affonso era menos viril que o necessario a uma dama que sahira da corte de Luis XIV."
(Excerto do Prefacio)
"Meu amigo, chegaram á minha mão uns cadernos achados em Coimbra em casa de um clerigo, pela occasião de sua morte, e entre elles vinha um muito maltratado, roto e sujo, que tinha por titulo: - Vida de El-Rei D. Affonso 6.º -, e podendo ler poucas paginas d'elle, accrescendo a ociosidade em que vivo, e a veneração que professei ao infante D. Pedro, me vi obrigado a mostrar a justificação que tomou a respeito do rei seu irmão; porém sinto que isto é impraticavel sem fazer menção da incapacidade do mesmo rei. Por tanto vos digo que a violencia do seu governo, e a sua inercia, desculpará o que eu, seguindo a verdade, disser sem attenção á magestade: e assim vereis este rei nascido, baptisado, enfermo, jurado principe e acclamado rei, tomando o sceptro, escolhendo homens indignos para o seu lado; vel-o-heis recluso, deposto em côrtes, casado e descasado, mandado para o castello da ilha Terceira; a conjuração que motivou aquella retirada; recolhido em Cintra; morto de repente n'aquelle palacio, e ultimamente o vereis na sepultura em Belem. Escrevendo novamente a sua vida, justificarei a seu respeito as acções louvaveis do infante D. Pedro, seu irmão."
(Prologo do auctor ao leitor)
"Estando a magestade d'el-rei D. João 4.º nosso senhor, em Evora, cidade, dando de mais perto calor ao seu exercito, que começava a marchar valorosamente contra as armas e terras castelhanas, foi Deus servido das ao nosso Portugal em sexta feira 21 de agosto d'esse anno de 1643, ás sete horas e um quarto da manhã, um novo defensor, como nascimento do serenissimo infante D. Affonso, o primeiro filho que el-rei nosso senhor teve depois de sua feliz acclamação n'este seu hereditario reino."
(Excerto do Cap. I - Nascimento de D. Affonso VI)
Indice:
Prefacio. | Prologo ao leitor. | I - Nascimento de D. Affonso VI. II - Indole de D. Affonso, e como succede na corôa. III - Separa-se D. Affonso para o seu quarto. IV - Como D. Affonso VI entrou no governo. V - Absoluto governo de D. Affonso VI. VI - Casamento de D. Affonso. VII - Exclusão do valido d'el-rei. VIII - Queixas da rainha. IX - Exclusão do secretario de estado. X - Recolhe-se a rainha á Esperança. XI - Prisão d'el-rei. XII - Desiste el-rei de seus reinos. XIII - Annulla-se a el-rei o matrimonio. XIV - é lançado el-rei em prisão á Ilha Terceira. XV - É mudado el-rei para o paço de Cintra. XVI - Morre D. Affonso VI. XVII - Funeral d'el-rei D. Affonso VI, rei de Portugal. XVIII - Conselheiros de estado que havia quando de depôz el-rei D. Affonso VI. | Nota. | A el-rei D. Affonso VI - sextilha anonima.
Bonita encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
50€

02 fevereiro, 2023

CASTELLO BRANCO, Camilo - AMOR DE PERDICIÓN : novela completa.
Por...
Madrid, Revista Literaria Novelas y Cuentos, 1950. In-8.º (22,5 cm) de 65, [3] p. (inc. capas) ; B.
Capa (belíssima) do conhecido ilustrador andaluz Manolo Prieto (1912-1991).
Novela completa: Una emoción desgarradora impregna los capítulos de esta historia, acerca de la qual ha dicho Unamuno: "Es la novela de pasión amorosa más intensa y más profunda que se haya escrito en la península, y uno de los pocos libros representativos de nuestra común alma ibérica.
Amor de Perdição, obra maior de Camilo Castelo Branco, e uma das mais emblemáticas da literatura nacional, aqui apresentada sob a forma de "folheto de cordel"(!) - publicação semanal duma revista madrilena - a Revista Literaria Novelas y Cuentos, datada de 10 de Dezembro de 1950. O formato editorial e fraca qualidade do papel remete para o atraso e pobreza generalizada em que se encontrava mergulhado o país vizinho, uma década após o final da Guerra Civil.
O romance é precedido de um breve resumo bio-bibliográfico de Camilo e do Amor de Perdição.
Peça camiliana rara, com interesse para a bibliografia do grande prosador.
"Amor de Perdición", segundo Azorin, "es una de las novelas más intensas que ha producido la literatura portuguesa..." Fué escrita en 1861, durante la permanencia de su autor en una carcél de Oporto, a la cual le llevó un escandaloso proceso de adulterio. "Amor de Perdición" es el relato vivido de los trágicos amores de un tio suyo. La novela tiene bien justificado su título, puesto que en ella el amor es la causa de la perdición de todos sus personajes pricipales, tan hábilmente descritos por el agudo ingenio de Castello Branco, que vertió todas las exquisiteces de su pluma en esta obra maestra."
(Excerto do Resumo)
"Hojeando los libros antiguos de registro de la cárcel de la audiencia de Oporto, leí en el de entradas de presos de 1803 a 1805, al folio 232, lo siguiente:
"Simón Antonio Botello, que asi dijo llamarse, soltero, estudiante de la Universidad de Coimbra, natural de la ciudad de Lisboa, y residente en Vizeu en la época en que fué denetido, de dieciocho años de edad, hijo de Domingo José Correia Botello y de doña Rita Preciosa Caldeira Castello Branco, estatura ordinaria, cara redonda, ojos castaños, pelo y barba negros, vestido con chaquetón de bayeta azul, chaleco de color y pantalón de paño pardo. Cuyo asiento fué echo por mí, y lo firmo.
Felipe Moreira Diaz."
Al margen izquierdo del asiento se ve escrito:
"Salió para la India en 17 de marzo de 1807."
No entiendo que sea confiar demasiado en la sensibilidad del lector el creer que la deportación de un joven de dieciocho años le ha de causar lástima."
(Excerto da Introduccion)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, alvo de restauro, bem como a segunda folha de texto. Terceira folha apresenta pequena falha de papel no pé, com perda de suporte, afectando marginalmente o texto.
Muito raro.
Com interesse camiliano.
35€

19 novembro, 2022

CASTELLO BRANCO, Camillo – DE COMO ME CASEI - Le Maryage de Sylvestre -
Versão Francesa de Olivier du Chastel. Prefácio e comentos de Ricardo Jorge
. Lisboa, Êmpresa Literária Fluminense, L.da, 1925. In-4.º (26cm) de XV, [1], 67, 5 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Curiosa peça camiliana. Edição bilingue (português-francês), impressa a partir de um artigo publicado num periódico francês - a Revue Politique et Littéraire, de 1893, - que além de uma notícia sobre Camilo Castelo Branco, continha a tradução para francês dum fragmento do romance Coração, Cabeça e Estomago, sob o título – Le Mariage de Sylvestre.
Exemplar da tiragem de 500 exemplares impressa em papel Vergé.
Ilustrado com o retrato de Camilo separado do texto.
"Procurei o refugio dos penates, o lar em que derivaram bem-aventuradas as gerações dos meus passados. Saboriei-me nas delicias do repouso, posto que em volta de mim só vise as imagens da numerosa familia que descançava no pavimento da pequenina egreja. Lá estavam todos, como operarios, que findaram sua geira, e, ao entardecer, encostaram a fece ao pedestal da cruz, e adormeceram.
Meditei no suave viver de meus paes, e comparei-o às dores, uma lastimáveis e outras ridiculas, que me tinham delido o coração, e desconcertado o aparelho de pensamento. Viver segundo a razão, alvitre que os philosophos pregôam, é bom de dizer-se e desejar-se; mas emquanto os philosophos não derem uma razão a cada homem, e essa razão egual á de todos os homens, o apostolado é de todo inutil.
Melhor avisados andam os moralistas religiosos, subordinando a humanidade aos dictames de uma mesma fé; todavia, - e sem menoscabo dos preceitos evangélicos que altamente venero, parece-me que o homem, sincero crente, e devotado christão, no meio d’estes mouros, que vivem á luz do seculo, e meneam os negocios temporaes a seu sabor, tal homem, se pedir a seu bom juiso religioso a norma dos deveres a respeitar, e dos direitos a reclamar, ganha créditos de parvo, e morre sequestrado dos prazeres da vida, se quizer poupar-se ao desgosto de ser apupado, procurando-os."
(Excerto de De como me casei)
Belíssima encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

10 novembro, 2022

MURY, Paulo - HISTORIA DE GABRIEL MALAGRIDA DA COMPANHIA DE JESUS. Apostolo do Brazil no seculo XVIII estrangulado e queimado no Rocio de Lisboa em 21 de setembro de 1761. Traduzida de Paulo Mury, Padre de mesma Companhia [por Camillo Castello Branco].
Lisboa, Santos & Vieira : Empreza Litteraria Fluminense, [18--]. In-8.º (18 cm) de XXIX, 188, [2] p. ; E.
Biografia do padre Malagrida, religioso executado em Lisboa por ordem do Marquês de Pombal.
Inclui a reprodução integral do opúsculo de Malagrida mandado apreender por Pombal.
Obra muito valorizada pelo extenso prefácio de Camilo Castelo Branco.
Gabriel Malagrida (1689-1761). "Foi um jesuíta místico italiano que passou parte da sua vida no Brasil a pregar e evangelizar, tendo granjeado fama de taumaturgo. Depois de uma estada anterior em Lisboa, regressa a pedido da rainha, viúva de D. João V.
"[...] O marquês de Pombal não se importou com aquele jesuíta santo, enquanto as suas santidades não contrariavam os seus projectos, mas o conflito era inevitável. Sobreveio o terramoto de 1755, estando Malagrida em Lisboa. Aquela catástrofe ocasionou um terror imenso na população da capital, e um dos grandes empenhos do marquês de Pombal era levantar os espíritos abatidos. Para isso mandou compor e publicar um folheto escrito por um padre, em que se explicavam as causas naturais dos terramotos, e se desviava a crença desanimadora de que fora castigo de Deus, e de que eram indispensáveis a penitência e a compunção. Saiu a campo indignado o padre Malagrida escrevendo um folheto intitulado: Juizo da verdadeira causa do terremoto que padeceu a corte de Lisboa no 1.º de Novembro de 1755. Nesse folheto combatia com indignação as doutrinas do outro que Pombal fizera espalhar, atribuía a castigo de Deus o terramoto, citava profecias de freiras, condenava severamente os que levantaram abrigos nos campos, os que trabalhavam em levantar das ruínas da cidade, e recomendava procissões, penitencias, e sobretudo recolhimento e meditação de seis dias nos exercícios de santo Inácio de Loyola…"
(Fonte: www.arqnet.pt)
Encadernação inteira de percalina com dourados na lombada. Sem guardas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

15 setembro, 2022

LIMA, Archer de - PAIXÃO E MORTE DE CAMILLO CASTELLO BRANCO. Romance. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1917. In-8.º (18,5 cm) de 208 p. ; E.
1.ª edição.
Romance sobre o último período da vida de Camilo, ou, nas palavras do autor na homenagem prestada a Silva Pinto - insígne camilianista - que precede o texto, "o romance do romancista da hora tragica da cegueira até ao seu lamentavel fim; encontrando-se com a natureza, com a sua obra e com o amor e a morte, sob a paixão cruciante da Luz".
"- Ana! Ana!
- Que é?! Diz?!... Que tens tu?!... Fala-me!...
- Dá-me luz!
- Mas, meu filho, não vês que é dia. Estás sempre semelhando ter-se apagado o fulgor desses olhos! Para que é isso?... Não queres responder?!... Queres que te leia algum livro?!...
- Não!...
- Porque é esse dessasocego agora?!
E D. Ana Placido tomou a cabeça tragica de Camillo e encostou-a ao peito com meiguice, tendo a sua mão delicada uma fina caricia para esses cabelos que branqueavam, como relatando, historiando, todo um estranho poema de vida que se sumia nas trevas..."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€