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18 abril, 2026

CÆSAR, Julius - JULII // CÆSARIS // COMMENTARII // DE // BELLO GALLICO ET CIVILI // Ejusque fragmenta, & alia // quæcumque exstant. // ACCEDIT AD COMMENTARIOS // DE BELLO GALLICO // A. HIRTII CONTINUATIO // Itemque ejusdem // BELLUM ALEXANDRINUM. // AFRICANUM, & HISPANIENSE. // Omnia ex veteris Commentarii Patavini editione, cui // nunc primum adjetæc sunt // CHRISTOPHORI CELLARII // ADNOTATIONES. // VENETIIS, MDCCXCII. // Apud Hæredes Constantini. // Superiorumpermissu. In-8.º (16x8 cm) de [6], 678 p. ; E.
Edição setecentista deste clássico da literatura universal e militar, impressa no original, em latim, sobre o tempo que o grande general romano Caio Júlio César passou em campanha na Gália.
"Comentários à Guerra da Gália ("Commentarii de Bello Gallico" em latim) é o relato, em primeira mão, de Júlio César sobre as Guerras Gálicas, escrito como uma narrativa na terceira pessoa. Nela, César descreve as batalhas e intrigas que ocorreram nos nove anos em que ele passou lutando contra os povos germânicos e celtas da Gália que se opunham à conquista romana.
A "Gália" à qual se refere César é toda a Gália, com exceção da Província Narbonense (hoje Provença), englobando toda a França atual, Bélgica e parte da Suíça. Noutras outras ocasiões ele se refere somente ao território habitado pelos Celtas.
A obra tem sido um dos pilares da instrução latina por via da sua prosa simples e direta.
Começa com a frase frequentemente citada "Gallia est omnis divisa in partes tres", que significa "A Gália está toda dividida em três partes". A obra completa contem oito secções, Livro 1 ao Livro 8, variando em tamanho de aproximadamente 5.000 a 15.000 palavras. Cada um dos livros de De Bello Gallico é consagrado a uma das sete campanhas de César na Gália, sendo o livro 8 escrito por Aulus Hirtius, após a morte de César."
(Fonte: https://www.fnac.pt/livre-numerique/a7809980/Comentarios-a-Guerra-da-Galia)
Júlio César (100 a.C. - 44 a.C.). Foi um militar, político e ditador romano. "Júlio César protagonizou um dos percursos militares mais impressionantes de todos os tempos. Num olhar contemporâneo, tal facto revela-se especialmente meritório num homem que não era soldado profissional. Mas a verdade é que, para os senadores romanos, milícia e política eram inseparáveis e inevitáveis. No caso de Júlio César, as suas conquistas militares tiveram sempre um objectivo claro: obter mais poder para si próprio em Roma. As chaves do seu êxito militar eram o seu extraordinário carisma pessoal, a sua relação especial com os soldados, a ambição de levar a cabo acções que ninguém jamais realizara e a inteligência para alternar crueldade e clemência, conforme fosse mais conveniente em cada momento.
As histórias sobre a sua excepcional coragem pessoal remontam à sua juventude: com apenas 19 anos, César ganhou uma coroa cívica, a mais alta condecoração de coragem e bravura, por ter arriscado a sua vida para salvar outro romano. Em Vida do divino Júlio, Suetónio registou inúmeras demonstrações da coragem e do talento de um homem que se destacava não só no manejo das armas, mas também no dos cavalos (algo que os adivinhos tinham previsto). Até ao fim, César criou e cuidou cuidadosamente do seu corcel, a ponto de lhe dedicar uma estátua em Roma.
César era também um militar infatigável, capaz de marchar a pé, ao sol ou sob chuva, de atravessar rios a nado e de ser extremamente rápido a percorrer longos trajectos. Por vezes, chegava ao destino antes dos mensageiros que deveriam anunciar a sua chegada. A sua célebre frase Veni, vidi, vici (“cheguei, vi e venci”), que proclamou num dos seus desfiles triunfais em Roma, refere-se, de facto, à celeridade com que o general planeou e venceu uma guerra-relâmpago contra o rei Fárnaces do Ponto. Este invadira a província romana do Ponto e César, que se encontrava no Egipto, partiu de imediato ao seu encontro. O desfecho chegou poucas semanas depois: Fárnaces foi derrotado pelos romanos na batalha de Zela, em 2 de Agosto de 47 a.C.
No campo de batalha, César era conhecido pela capacidade de sacrifício e pela coragem, sendo capaz de cometer actos ousados, como disfarçar-se de gaulês para atravessar os postos de guarda inimigos, ou embarcar sozinho numa infernal noite de Inverno durante a guerra civil contra Pompeu para alcançar a costa da Grécia. Diz-se também que, em Alexandria, teve de saltar para uma barcaça devido a um ataque inimigo e que, quando vários outros soldados se lançaram sobre esta afundou-se.
César foi, então, forçado a saltar para a água e a nadar quase 300 metros até chegar a um navio próximo, com a mão esquerda elevada para evitar que se molhassem os escritos que levava e arrastando com os dentes o manto de general para que este não caísse nas mãos do inimigo. A sua biografia está repleta de episódios semelhantes que, verídicos ou não, evidenciam a valentia que já na sua época se atribuía ao líder romano.
O próprio César contribuiu para alimentar a sua lenda nos Comentários sobre a Guerra das Gálias e Comentários sobre a Guerra Civil. Escritas num latim exemplar e na terceira pessoa, César descreveu ali a sua participação nessas campanhas, elogiando as suas conquistas e minimizando os seus fracassos. Na guerra das Gálias, César apresentou-se em diversas ocasiões na linha da frente do combate. Na batalha final contra os helvécios, o general desmontou do cavalo e lutou ao lado dos soldados de infantaria, negando-se a fugir. Fê-los saber que estava ali para vencer ou morrer, um gesto espantoso e admirável com o qual infundiu coragem nos seus homens, compensou os seus erros anteriores na campanha e ganhou prestígio e admiração.
No ano seguinte, quando as tribos belgas se revoltaram, César enfrentou-as na batalha de Sambre. Perante o ataque-surpresa dos belgas contra os romanos, o general multiplicou os seus esforços, encarregando-se de formar a linha de batalha e de dar o sinal de ataque, animando pessoalmente os seus soldados e centuriões. Por fim, no cerco de Alésia contra o gaulês Vercingetórix, a sua presença no campo de batalha foi uma das chaves da vitória das suas legiões. César tinha a capacidade de aparecer no momento oportuno, arriscando a sua integridade física se necessário, muitas vezes precipitando o desfecho da batalha a seu favor.
A coragem que César mostrava como militar servia de exemplo para os seus soldados, com os quais mantinha um vínculo singular. Os homens viam nele um líder próximo que partilhava as suas dificuldades e César apreciava-os pelo seu valor no campo de batalha, independentemente da sua origem ou posição social. De facto, em assembleia, dirigia-se a eles como conmilitones (“camaradas”), e sabia os seus nomes. Esta consideração com que tratava os seus soldados traduzia-se em lealdade e esforço por parte destes, pois sabiam que o seu valor seria recompensado.
Os homens de César estavam dispostos a suportar todo o tipo de sofrimento pelo seu general. Na verdade, durante a guerra civil, muitos cativos preferiram morrer a traí-lo. Os soldados também rivalizavam entre si para demonstrar a sua valentia.
Os homens de César não hesitavam em sacrificar-se por ele e ele sofria por eles quando o infortúnio os atingia. Em 54 a.C., quando algumas tribos belgas atacaram os acampamentos de Inverno de César, a coluna romana foi quase totalmente aniquilada. A derrota afectou muito o general, que deixou crescer a barba e o cabelo em sinal de luto e não os cortou até vingar os seus homens. Acções como esta reforçaram o seu vínculo com os soldados e consolidaram a lealdade destes a ponto de o exército de César ter chegado a ser maior do que o da própria República."
(Fonte: https://www.nationalgeographic.pt/historia/o-genio-militar-julio-cesar_3127)
Encadernação coeva, sólida, inteira de pele com nervuras, dourados e rótulo na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Fronstispício apresenta carimbo, rubrica (ilegível) e assinatura de posse do Pe. Joaquim José Carvalho.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

08 agosto, 2025

LACERDA, Francisco de Sousa do Prado de -
PEREGRINAÇÃO PORTUGUEZA AO VATICANO.
Noticia historica e descriptiva de Lisboa a Roma e dos Sanctuarios de Nossa Senhora de Lourdes, Sancta Maria Magdalena na Provença e Nossa Senhora do Loreto, e das cidades de Madrid, Marselha, Roma, Napoles e ruinas de Pompeia. Por... Prior, Vigario da Vara e Juiz de Casamentos do Arciprestado da Chamusca. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1878. In-8.º (22x14 cm) de 248 p. ; E.
1.ª edição.
Interessante narrativa histórico-religiosa da peregrinação ocorrida em 1877 ao Vaticano a propósito das 50 anos da nomeação de Giovanni Ferrettio, mais tarde Papa Pio IX, como arcebispo de Spoleto (1827-1877). Descreve com minúcia os locais santos visitados, monumentos e cidades atravessadas ao longo da peregrinação. Contém informações "saborosas", como as notícias úteis aos peregrinos, e até a qualidade do serviço das carruagens de praça em Roma(!).
Obra invulgar e muitíssimo curiosa.
Inclui no final, em Notas, a Lista chronologica dos Papas (4 pp.), assim como a lista dos subscritores do livro.
"Em Pastoral de 13 de março de 1877 dava Sua Eminencia o Cardeal Patriarcha de Lisboa aos fieis do Patriarchado, conhecimento de que iria este anno de Portugal a Roma uma peregrinação, a exemplo de outras nações, com o louvavel fim de visitar de felicitar Sua Sanctidade pelo quinquagesimo anniversario da sua sagração de Arcebispo de Spoleto.
A Pastoral fazia publico que se achava installada em Lisboa ujma grande commissão, de que Sua Eminencia era o presidente, composta de distinctos cavalheiros e damas daquella cidade e de todos os parochos della.
A commissão propunha-se obter donativos para o Sancto Padre, evangelizar por todos os meios ao seu alcance o pensamento da peregrinação a Roma, e remover todas as difficuldades que se opozessem ao conseguimento de tal fim."
(Excerto do Cap. I)
Francisco Maria de Sousa do Prado de Lacerda (Chamusca, 1827-1892). "Foi o 29.º bispo da Diocese de Angra, tendo-a governado de 1889 a 1891.
D. Francisco Maria do Prado Lacerda foi pároco da sua vila natal, tendo a seu cargo a Igreja Matriz de São Brás. Na sequência de um pedido do 28.º bispo de Angra, D. João Maria Pereira de Amaral e Pimentel, que se sentia cansado e pedia um coadjutor, o governo português apresentou-o 1885, tendo a Santa Sé confirmado no ano seguinte a sua eleição como coadjutor com direito de sucessão, concedendo-lhe o título de bispo de Nilópolis.
Foi sagrado na Sé Catedral de Lisboa a 4 de Abril de 1886, partindo de imediato para a sede episcopal de Angra do Heroísmo, cidade em que deu solene entrada a 10 de Abril de 1886, sendo aí recebido no cais pelo prelado efectivo que lhe proporcionou honras na Sé.
Na sua ida para os Açores foi acompanhado pelo seu irmão, o padre António Maria do Prado Lacerda, que exercia as funções de seu secretário. Esta situação foi de pouca dura, já que pouco depois nomeou seu secretário o padre José dos Reis Fisher, pessoa que teria profunda influência futura na diocese."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Forro das pastas "enrugado" por acção da humidade.
Raro.
45€

13 julho, 2024

TASSO, Torquato -
IL GOFFREDO // OVVERO // LA GERUSALEMME // LIBERATA, // POEMA EROICO // DEL SIGNOR // TORQUATO TASSO, // Con gli Argomenti a ciascun Canto //  d'incerto Autore. //
IN VENEZIA, // MDCCXLVI. // APRESSO TOMMASO BETTINELLI // Con Licenza de' Superiori. In-8.º (15,5x8,5 cm) de 463, [1] p. ; il. ; E.
Belíssima versão setecentista do imortal poema de Tasso (na língua materna, em italiano), obra originalmente editada 1581, descontando a cópia pirata de parte do poema feita a partir de um manuscrito roubado, publicado no ano anterior.
Livro ilustrado com bonitas gravuras em madeira assinalando cada um dos 20 cantos que compõem a obra.
"Jerusalém Libertada (Gerusalemme liberata) é um célebre poema épico do poeta italiano Torquato Tasso, publicado pela primeira vez em 1581. O poema narra uma versão ficcional da Primeira Cruzada, onde os cavaleiros cristãos, liderados por Godofredo de Bulhão, combatem os muçulmanos a fim de levantar o Cerco de Jerusalém. O poema é composto em stanze de oito versos distribuídos por oito cantos de extensão variável. O poema tem uma base histórica factual, elaborando sobre um episódio ocorrido em 1099. Teve grande repercussão na sua época pois coincidiu com a expansão do Império Otomano, que os povos europeus encaravam como uma ameaça. Uma das características mais marcantes no texto é o conflito entre os impulsos do coração e as demandas do dever, como acontece no amor infeliz entre Tancredo e Clorinda, sendo ele cristão, e ela muçulmana."
(Fonte: Wikipédia)
Torquato Tasso (Sorrento, 1544 - Roma, 1595). "Foi um poeta italiano, contemporâneo de Ariosto, universalmente conhecido pelo poema La Gerusalemme Liberata (A Jerusalém libertada), de 1581, no qual descreve os combates imaginários entre cristãos e muçulmanos, no fim da Primeira Cruzada, durante o Cerco de Jerusalém de 1099."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação coeva em pele com título e autor gravados a ouro sobre rótulo negro.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com "esfoladelas" nas pastas e na lombada. F. rosto apresenta manchas e assinatura de posse (da época).
Muito invulgar.
Indisponível

14 janeiro, 2023

CHAGAS, M. Pinheiro - DA ORIGEM E CARACTER DO MOVIMENTO LITTERARIO DA RENASCENÇA PRINCIPALMENTE NA ITALIA.
Memoria para o Concurso á Terceira Cadeira do Curso Superior de Letras. Por...
Lisboa, Imprensa de Joaquim Germano de Sousa Neves, 1867. In-8.º (22 cm) de 30, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Dissertação académica do autor. Obra rara da sua extensa produção bibliográfica.
"As grandes transformações do espirito da humanidade não se realisam subitamente, não se operam como as mudanças de scenario nos theatros á voz de um machinista mysterioso. Ainda que pareça ás vezes inexplicavel a transição repentina de um para outro seculo, a mudança completa das idéas dominantes de uma geração, podemos estar certos de que essa transformação se foi preparando lentamente na sombra, e de que essa luz inesperada que illumina o mundo é o clarão vermelho que brota do volcão entre-aberto, quando se rasga afinal a cratera depois de terem refervido longamente nos seios intimos do globo, depois de se terem agitados nas convulsões que produzem os abalos dos terremotos as lavas ardentes que afinal golpham em borbotões.
Isto succede nas transformações da politica, das letras, e das artes essa triplice manifestação das transformações do espirito humano. Quando nos parece que a noite mais cerrada involve o mundo, quando suppomos apagada no horisonte a luz da intelligencia humana, se fitarmos bem os olhos n'esse apparente negrume, veremos sempre fulgurar a timida estrella, que accendeu no crepusculo nocturno o seu pallido fulgor, e que hade apparecer depois no horisonte a prenunciar a aurora. Essa estrella, que foi a estrella da tarde do paganismo, será a estrella d'alva da Renascença. Essa estrella, cujo clarão, atravessando o longo periodo da idade media, virá presidir ao desabrochar do mundo moderno, é a tradição litteraria, a tradição artistica, e mesmo a tradição politica, que ligando as idéas novas aos velhos pensamentos demonstrará mais uma vez a unidade do espirito humano.
Eis-nos pois entrados no assumpto do ponto. A Renascença é considerada ainda hoje por muitos escriptores como o nascer do sol dos espiritos depois das trevas da idade media. A esta dão as sombras, e á Renascença a luz que as dissipa."
(Excerto da Tese)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo oxidadas. Lombada reforçada.
Raro.
25€

19 dezembro, 2022

AGOSTINHO, José - A SANTA DOS IMPOSSIVEIS. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria Editora, 1931. In-8.º (20 cm) de [14], 152 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Biografia romanceada de Santa Rita de Cássia (1381-1457), freira agostiniana da diocese de Espoleto, Itália. Devido aos milagres obtidos por sua intercessão o povo deu-lhe o nome de "Santa das causas impossíveis", tendo sido venerada sobretudo em Itália, Portugal e Espanha, onde o seu culto alastrou rapidamente.
Livro ilustrado em separado com reprodução de uma pintura da Santa.
"A tarde de 22 de Maio de 1381 veio cálida e embalsamada, propicia a idilios e clemencias. Antonio Mancini não fôra á herdade, seu labor e sustento.
Amata aconchegara-se no cadeirão da sua camara, envolta em roupagens. Tiritava, como se o tempo não fosse de sol estival e gemia como fonte crispada pelos ventos do sul, num pressentimento de vendaval e horror.
A aproximação do parto cobria-a de convulsões e agonias, de calafrios e espasmos. Esperavam com ansia pela parteira, que áquelas horas já tinha partido de Cassia na sua burrinha, nada e criada na Sardenha longinqua.
A sua burrinha! Firme e veloz de passo, robusta e amoravel, zelosa como se entendesse e amasse a sua missão, o seu relincho estridente era o alento, o repouso e o jubilo das parturientes daquelês rincões."
(Excerto do Cap. II)
José Agostinho de Oliveira (Lamego, 1866 - Lisboa, 1938). "Mais conhecido por José Agostinho, foi um professor, escritor, dramaturgo e crítico literário português. Autor de vasta obra em prosa e em verso. Escreveu ainda para a imprensa portuguesa e brasileira.”
(Fonte: Wikipédia)

Encadernação editorial inteira de percalina com feros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Indisponível

23 março, 2022

DA VINCI, Leonardo - NOTAS DE COZINHA DE LEONARDO DA VINCI.
Notas de Leonardo Da Vinci sobre o cozinhar e o estar à mesa. Lisboa, Temas da Actualidade, [1995]. In-8.º (20,5 cm) de 173, [3] p. ; il. ; C.
1.ª edição portuguesa.
Curiosíssimo tratado de cozinha atribuído ao mestre do Renascimento - Leonardo Da Vinci (1452-1519).
Livro profusamente ilustrado no texto com reprodução de gravuras, desenhos e esboços do Mestre - alguns em página inteira.
"Poucos leitores saberão que Leonardo Da Vinci foi mestre de banquetes na corte de Ludovico Sforza durante mais de trinta anos; e poucos conhecerão o seu trabalho como chefe de cozinha na taberna Os Três Caracóis."
(Retirado da contracapa)
"Este extraordinário pequeno livro resulta de um conjunto de notas atribuídas a Leonardo da Vinci – o chamado Codex Romanoff - e lança nova luz sobre a personalidade caleidoscópica do gigante do renascimento, um homem aparentemente inesgotável, que se interessou por uma variedade de assuntos tão vasta que várias vidas pareceriam necessárias para a abarcar.
Leonardo devotou um interesse muito particular pela alimentação, não tivesse ele sido criado por um padrasto pasteleiro e acabado por legar uma parte significativa da sua herança à sua cozinheira.
Esta faceta mais desconhecida do respeitado génio atesta o seu amor pela vida e pelos prazeres da mesma. «Notas de cozinha» revela uma plêiade de episódios ao longo dos quais a existência do mestre se desenrolou e em que obras tão conhecidas como a «Última Ceia» ou «Mona Lisa» surgem como realizações acessórias e singelas consequências dos seus desaires gastronómicos.
A paixão de Leonardo pela cozinha revelou-se igualmente num interesse maníaco pelos alimentos, forma de os preparar e apresentar, tendo Leonardo desbaratado a clientela das tavernas para as quais trabalhou por ter ousado apresentar pratos de refinada apresentação e escasso valor calórico, que fazem dele o precursor da nouvelle cuisine.
«Notas de cozinha de Leonardo da Vinci» começa por apresentar uma «Nota introdutória» pelo Doutor Marino Albinesi, promotor de justiça em Roma e presidente do «Circolo Enogastronomico d’Italia», seguindo-se-lhe «Leonardo da Vinci na cozinha – um esboço da sua “Vida Gastronómica”», pelos autores, Shelagh e Jonathan Routh. A estes textos introdutórios, de grande interesse e prazerosa leitura, seguem-se as «Notas de cozinha» propriamente ditas.
Receitas, apontamentos relativos à etiqueta e boas maneiras e as mais díspares considerações, acompanhados de inúmeras reproduções dos desenhos de projectos de Leonardo, tais como as ilustrações das várias formas de dobrar guardanapos, do assador automático, de moinhos de pimentas ou do cortador de ovos em rodelas, fazem deste livro um precioso e ao mesmo tempo supremamente divertido documento, sob o ponto de vista do conhecimento acerca de Leonardo da Vinci e da história da gastronomia."
(Retirado da apresentação da obra na net)
"Inspecionando as toalhas de mesa do Senhor Ludovico, meu Amo, após os seus comensais terem abandonado a sala dos repastos, depara-se-me uma tal cena de caos e depravação - a nada mais semelhante do que ao rescaldo de uma batalha - que considero uma prioridade, antes de qualquer Cavalo ou Retábulo, encontrar uma alternativa.
Já disponho de uma. Penso que deveria ser dado a cada um dos comensais um pedaço de pano individual, que uma vez sujo por mãos e facas, poderia ser dobrado, de modo a não conspurcar a aparíncia da mesa com as suas imundícies. Mas que nome dar a estes panos? E como apresentá-los?"
(Excerto de Acerca de uma alternativa a toalhas de mesa sujas)
"Àqueles convidados que sofrem da mais terrível das doenças e por isto não entendo a peste, mas a escrófula ou varíola, tal como aos que são dados à perda de peso, assim como a outros cobertos de chagas e feridas abertas, não devem ser atribuídos lugares junto do Senhor Ludovico, meu Amo (a menos que sejam filhos de Papas ou sobrinhos de altos cardeais), mas a sua companhia é apropriada para outros de classe inferior e para notáveis estrangeiros entre os quais podem tomar assento.
No respeitante aos que são afectados por soluços, aos que fungam constantemente, aos afligidos por tremores e espasmos e a outros com alucinações, o meu Amo prefere que se sentem longe dele (a menos que sejam filhos de Papas ou sobrinhos de altos cardeais importantes) porque, com eles, a conversação corre o risco de ser fsatidiosa. [...]
Mas convidados furunculosos, anões, corcundas e coxos, assim como aqueles que não se podem deslocar por sua própria vontade e que têm mister de ser transportados para a mesa, assim como os que têm cabeças inchadas ou mirradas, encontram aceitação por parte do meu Amo e são bem-vindos a seu lado."
(Excerto de Como dispor correctamente à mesa os comensais doentes)
Índice:
Agradecimentos. | Nota Introdutória, pelo Doutor Marino Albinesi - Promotor de Justiça, Roma; Presidente do Circolo Enogastronomico d'Italia Leonardo na Cozinha. | Um esboço da sua vida "Gastronómica". | O Codex Romanoff de Leonardo Da Vinci [Receitas, Conceitos e Etiqueta].
Encadernação cartonada do editor revestida por sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar na edição original.
20€

31 janeiro, 2022

DON SEBASTIANO Ré di Portogallo. Dramma-lirico in cinque atti. (1578.). Eseguito nella restaurata sala dell'Assemblea Filarmonica nella notte del Novembre 1844.
La musica é del Maestro Cavalier Gaetano Donizetti. Le parole di M. Scribe, membro dell'Accademia Francese. Trasportate in italiano da Cesare Perini da Lucca
. Lisbona, Typ. di Antonio Giuseppe da Rocha - Ai Martiri, n.º 13, 1844. In-8.º (20 cm) de XI, [1], 63, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Libreto da conhecida ópera histórica D. Sebastião, rei de Portugal, com música de Donizetti (o seu último trabalho), e letra de Eugène Scribe.
Raríssima peça sebástica/camoniana, com interesse histórico e bibliográfico.
"O mito do sebastianismo foi fonte de muita inspiração para os escritores ao longo dos tempos, tendo chegado a Eugène Scribe, o principal libertista da Ópera de Paris durante os anos 30 e 40 do século XIX, através de um monumental drama de Paul Foucher, Dom Sébastien de Portugal, representado no Teatro de la Porte Sait-Martin em Paris, no mês de Novembro de 1838. A peça foi um estrondoso sucesso e Léon Pillet, o director da Ópera de Paris pediu a Scribe que preparasse um libreto para uma ópera de cinco actos sobre o tema. Inicialmente o libreto foi oferecido a Mendelssohn e a Meyerbeer, que nunca chegaram trabalhar no assunto - muito embora Meyerbeer tenha escrito nas suas memórias que lhe tinha sido feito um enorme desafio. Finalmente Leon Pillet apresentava o libreto a Donizetti em Dezembro de 1842 que começaria logo a pensar no assunto, mesmo antes de assinar o contrato que confirmaria o compromisso de Donizetti para com a Ópera de Paris. Em Julho de 1843, Donizetti escrevia ao seu professor, Giovanni Simone Mayr:
"Neste momento estou a escrever uma nova ópera em cinco actos para Paris. É D. Sebastiano di Portogallo - você vai reconhecer a história da mal fadada expedição organizada pelo rei contra os mouros, a perda do seu exército e a sua morte que ainda hoje permanece misteriosa. O assunto resume-se a isto. Vai ainda incluir o grande poeta Camões - a inquisição que trabalha secretamente para tornar Portugal num escravo de Espanha - um pouco de tudo na realidade."
Dom Sébastien, roi de Portugal. Este libreto, apesar de muito fantasioso, é claramente um grande desafio, mesmo para um compositor experimentado como Donizetti e a prova está nas dificuldades que teve que enfrentar, nesta sua última ópera parisiense. Como sempre Donizetti trabalhava em várias óperas ao mesmo tempo quando aceitou a encomenda de Dom Sebastien. Assim que recebeu o libreto do primeiro acto, no dia 1 de Fevereiro de 1843, começou imediatamente a trabalhar naquela que viria a ser a sua maior ópera. Em Junho desse ano começava a trabalhar nos 3º e 4º actos. No entanto, pelo menos ao princípio, Donizetti teve algumas questões quanto ao libreto de Scribe. Alegava que o libretista tinha descurado nas motivações das personagens principais o que poria em risco a efectividade do drama. Talvez por isso, durante os ensaios Donizetti submeteu a partitura a varias alterações o que levou a uma certa confusão sobre o resultado final. Uma dessas alterações foi sugerida pela estrela feminina do elenco Rosine Stolz, amante de Leon Pillet, o director da Ópera de Paris. Tanto ela como Scribe voltavam pela enésima vez a sugerir uma modificação, desta vez à última da hora, o que levou o já debilitado Donizetti a uma verdadeira crise de nervos. Nessa altura Donizetti começava a ressentir-se dos efeitos de uma infecção sifilítica avançada que o levaria à demência, à paralisia e à morte. Os próprios ensaios de D. Sebastião foram disso um exemplo: paranóia, ataques de fúria, esquecimentos súbitos, tremores, e explosivos ataques de mau génio. Donizetti esperava que a ópera fosse um verdadeiro triunfo na Ópera de Paris e a ansiedade que então o consumia deixava-o muito sensível à crítica e à maneira como era referido pelos seus colegas compositores. A estreia correu muito bem e a ópera foi bem recebida, no entanto não foi o triunfo que Donizetti esperava, provocando-lhe uma certa amargura. Foi então feita uma versão italiana - Don Sebastiano, re di Portogallo - que permaneceu nos palcos da pátria amada de Donizetti durante muito tempo.
Dom Sebastião foi a ultima ópera composta por Donizetti antes de ter sido violentamente atacado pela doença que lhe haveria de debilitar o sistema nervoso. O libreto de Eugène Scribe tem como base a história de Portugal, embora bastante fantasiada. No centro desta história está o jovem D. Sebastião, rei de Portugal, e a sua decisão em seguir para Marrocos onde morrerá no campo de batalha. Outra personagem importante é Camões, que imortalizou os feitos dos portugueses na sua poesia, inspiração também para Scribe que lhe dá um destaque importante nesta ópera. Aos eventos narrados por Camões, Scribe acrescenta uma história de amor realçando assim os conflitos políticos, religiosos e raciais entre os vários protagonistas da ópera. Como cenários, Scribe escolhe, inevitavelmente, o campo de batalha de Marrocos, onde D. Sebastião perde a vida, um palácio marroquino, as ruas de Lisboa absolutamente apinhadas, de modo a representar uma das mais importantes e movimentadas cidades da altura, um tribunal da inquisição, e as masmorras na cave de um palácio português. A acção beneficia também dum enorme dinamismo resultante da interacção entre as várias personagens e grupos de personagens. Para além disto há ainda um toque a exotismo, uma procissão monumental, e a morte catastrófica dos dois amantes, o que torna este libreto dramaticamente muito intenso."
(Fonte: https://www.rtp.pt/antena2/argumentos-de-operas/letra-d/gaetano-donizetti_1924_68)
Gaetano Donizetti (1797-1848). Natural de Bérgamo, Itália. "Alcançou a imortalidade no âmbito da ópera, deixando partituras tão célebres quanto O elixir de amor (1832), Lucia di Lammermoor (1835), A favorita (1840) ou Don Pasquale (1843). O seu nome no domínio do bel canto tem um estatuto comparável a Rossini ou Bellini, contando com um total de 75 óperas e perto de 200 canções. Muito menos conhecidas são as suas obras instrumentais, mas Donizetti foi autor de 16 sinfonias, vários concertos e muita música de câmara, onde consta um corpo de 18 quartetos de cordas cuja execução integral ultrapassa as quatro horas. Alguns desses quartetos foram escritos como peças de estudo, exercícios de composição, e não se destinavam a apresentação pública. Mas a maior parte eram destinados ao salão do Sr. Bertoli, de Bérgamo, em cujo quarteto de cordas tocava o seu antigo professor de música, o compositor alemão Simon Mayr. Os primeiros dezasseis foram escritos nesse contexto entre os anos de 1817 e 1821. Uma das razões para estes quartetos não terem ficado no repertório comum das salas de concerto prende-se com o facto de serem associados ao estilo Gebrauchsmusik, música funcional destinada a um acontecimento específico e associada a diversão de carácter mais ligeiro."
(Fonte: https://www.casadamusica.com/pt/artistas-e-obras/compositores/d/donizetti-gaetano?lang=pt#tab=0)
Encadernação em percalina a duas cores com rótulo na pasta anterior. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Folha de rosto apresenta restauro.
Muito raro.
35€

07 agosto, 2021

MUSSOLINI, Benito - A AMANTE DO CARDEAL : novela. Traducção directa de Teixeira da Fonseca. Lisboa, Livraria Bertrand, [193-]. In-8.º (18 cm) de 222, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico da autoria de Benito Mussolino - "Il Duce" - que durante duas décadas governou a Itália com punho de ferro.
Precede a narrativa o prólogo da edição espanhola subordinada ao título "O anti-clericalismo de Mussolini".
"Das pequenas igrejas, escondidas entre a verde louçânia dos vales, chegavam os toques da Ave Maria, que, flutuando suavemente, vinham morrer sôbre as águas do lago. Os cumes talhados das montanhas fulguravam sob os últimos reflexos do sol moribundo, e já as primeiras sombras da noite, baixando lentamente sôbre os bosques e casinhas solitárias, obrigavam os caminhantes da estrada de Giudicarie a apressar o passo. Sob a carícia duma mão invisível, frizavam-se as ondas do lago, beijadas, com triste murmúrio, pelos velhos chorões, eternamente desgrenhados sôbre a água. [...]
Carlos Manuel Madruzzo, Cardeal e Arcebispo de Trento, e príncipe secular do Trentino, tinha soltado os remos da barquinha e parecia enebriado com a poesia daquela hora. Diante dêle, estava Cláudia. Os amantes mantinham-se silenciosos. O Cardeal toucava-se com um elegante capêlo de sêda preta, e caía-lhe dos ombros uma ampla capa de veludo sôbre a qual fulguravam as fivelas de prata do cinto do regulamento.
Uma temporada dum mês no castelo não conseguira melhorar a saüde do príncipe. Não lhe tinha sido possível descansar como era o seu projecto. Atormentavam-no preocupações sem fim, e um sem fim de tempestades assolavam-lhe a alma."
(Excerto do Cap. I)
Benito Amilcare Mussolini (1883-1945). Filho de uma professora de escola e de um ferreiro, foi professor primário, jornalista e agitador político. Foi director do jornal L'Avvenire del Lavoratore onde expressava os seus ideais políticos e o seu anticlericalismo, tendo sido preso várias vezes. "Il Duce" governou a Itália de 1922 até 1945, quando foi executado pela resistência, junto com outros partidários e a sua amante, Clara Petacci.
O jovem Mussolini, socialista e revolucionário, é pouco conhecido como ensaísta e romancista. Aos 27 anos publicou o romance histórico A Amante do Cardeal, baseado em factos reais ocorridos na primeira metade do século XVII no principado de Trento, atcual província de Trentino Alto-Ádige. O livro foi publicado em 1910 em capítulos no jornal Il Popolo, de Trento, e narra o escândalo amoroso do príncipe bispo Carlos Emanuel Madruzzo e a bela cortesã Cláudia Particella. Mussolini faz uso de uma narrativa cativante e envolvente com intrigas, traições, perversões e crimes, numa época em que a igreja católica era dominada pela volúpia, luxúria e corrupção."
(Fonte: https://www.amazon.com.br/Amante-Cardeal-Cl%C3%A1udia-Particella/dp/8595852189)
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

03 janeiro, 2021

VENET, M. - VIDA DO N. SS. PADRE PIO IX.
Por... Versão por M. F. M. e S.
Braga, Typ. Luzitana, 1871. In-8.º (19 cm) de 31 p. ; B.
1.ª edição.
Biografia de Pio IX (1792-1872), papa que protagonizou o 2.º pontificado mais longo da história (depois de S. Pedro) - 1846-1878, e cujo trabalho poucos deixou indiferente. Devoto da Virgem Maria, em 1854 proclamou o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria como sendo um dogma de fé da Igreja através da encíclica Ineffabilis Deus.
"Pio IX da familia dos Condes Mastai Ferreti, nasceu a 13 de Maio de 1792 em Sinigaglia, pequena cidade dos Estados Romanos. Foi eleito pontifice a 16 de Junho de 1846; havendo com este, na Egreja catholica, 259 papas.
A sua biographia, se fosse escripta só debaixo do ponto de vista actual, sem fazer caso algum das previsões que depois haviam de brotar, inspirar e commover, seria uma longa serie de lendas. Tudo tomaria então proporções extraordinarias; não só os encantos de menino como as virtudes de homem. O papa deixa-se ver o que é em cada passo da sua vida. Primeiro de tudo vêmol-o progredir na santidade á proporção que se adianta na vida; depois factos numerosos e mui expressivos acontecidos de distancia a distancia, por assim dizer progressivamente, explicam esse caracter cheio d'uma grandeza traquilla, adquirido sem violentas agitações, e amadurecida com serenidade."
(Excerto da primeira parte do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Raro.
Sem registo na BNP.
10€

15 junho, 2020

GARIBALDI, José - MEMORIAS DE JOSÉ GARIBALDI. Publicadas por Alexandre Dumas. Traducção de L. T. C. Lisboa, Editor A. P. C., 1860. 2 vols in-8.º (20 cm) de 164 p. (I) e 136 p. (II) ; il. ; E. num único tomo
1.ª edição.
Autobiografia de Garibaldi, conhecido caudilho italiano, general, guerrilheiro e condotiero, e uma das mais notáveis figuras da unificação italiana. Foi alcunhado de "herói de dois mundos", devido à sua participação em conflitos na Europa e na América do Sul.
Livro ilustrado com quatro retratos extratexto, respectivamente, de Garibaldi (2), Francisco 2.º, [Conde de] Cavour e Victor Manoel [II].
Giuseppe Garibaldi (1807-1882). Foi um militar italiano e figura política de relevo. Aos vinte anos, ingressou na Carbonária tomando parte na insurreição de Génova. O fracasso desta, precipitou a sua fuga para o exílio no Brasil. Aqui participou na Guerra dos Farrapos - guerra regional, de carácter republicano, contra o governo imperial do Brasil - e, mais tarde, na Guerra Civil uruguaia como líder da Legião Italiana. Em 1848 regressa a Itália e toma parte, como comandante, no Risorgimento - movimento da unificação italiana. Apelidado de "Herói dos Dois Mundos", em homenagem às suas expedições militares na América do Sul e Europa, Garibaldi é considerado um herói nacional italiano.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado mas sólido; com defeitos nas pastas e manchas de acidez ao longo das páginas de texto e gravuras.
Raro.
Indisponível

21 julho, 2019

Bispo d'Angola e Congo - ARTE E SCIENCIA. Leitura para os seminaristas de Loanda. I. Raphael. Huilla, Typographia da Missão, 1910. In-8.º (18,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa biografia do pintor renascentista italiano Rafael (1483-1520). De acordo com a Biblioteca Nacional, o seu autor foi Dom José Sebastião de Almeida Neto (1841-1920), bispo de Angola e Congo entre 1879 e 1883.
"Alguns dias depois da minha chegada a Loanda, recebia das mãos de pessoa muito amavel uma collecção de cartões postaes esplendidamente illustrados com a reproducção de algumas das obras-primas da pintura classica italiana. Separei do grupo sete quadros de Raphael, e, dando-lhes a disposição que me pareceu mais bella e harmoniosa, mandei-os fixar n'esse caixilho que pende já de uma parede da vossa sala de estudo. E para que, quando os olhos poisarem em alguma d'essas divinas maravilhas, saibam o que estão a ver, não se encontrem extranhos e perdidos n'essa atmosphera luminosa, vou dizer-vos, sem a menor sombra de presumpção, o pouco que sei da pessoa e do pincel d'esse mestre incomparavel."
(Excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

30 março, 2019

COULANGES, Fustel de - A CIDADE ANTIGA : estudo sobre o Culto, o Direito e Instituições da Grecia e de Roma. Traducção de Sousa Costa. 2.ª edição. Volume 1.º [e Volume 2.º]. Lisboa, Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira, 1919-1920. 2 vols in-8.º (17,5cm) de 691, [1] p . (núm. contínua) ; E.
"A Cidade Antiga (La Cité Antique), publicado originalmente em 1864, é o livro mais famoso do historiador francês Fustel de Coulanges (1830-1889). Seguindo o método cartesiano, e baseado em textos de historiadores e poetas antigos, o autor investiga as origens das instituições das sociedades grega e romana. No início da obra, em Introdução, o autor adverte para o erro que constitui analisar os costumes de povos antigos com os parâmetros actuais, sendo necessário despir-nos de preconceitos a respeito desses povos e estudá-los à luz dos factos.

O fundamento das instituições dos povos grego e romano, para os historiadores, estava na religião e no culto. Cada família tinha a sua crença, os seus deuses e o seu culto. As regras de propriedade, sucessão, etc., eram reguladas por esse culto. Com o tempo, a necessidade levou os homens a relacionarem-se mais, e as regras que regiam a família foram transferidas para unidades cada vez maiores, até se chegar à cidade. Portanto, a origem da cidade também é religiosa, como indica a prática da lustração, cerimónia periódica onde todos os cidadãos se reuniam para serem purificados, e os banquetes públicos em homenagem aos deuses municipais. Mas as leis eram privilégio da aristocracia, o que logo gerou grande desconforto junto do povo e ocasionou as primeiras revoluções, que alteraram o fundamento da sociedade da religião para o bem-comum. Essa cidade ainda se transforma durante algum tempo, até à sua extinção com a chegada do cristianismo."
(Fonte. wikipédia)
"Propômo-nos mostrar aqui por que principios e regras foram governados a sociedade grega e a romana. Reunimos no mesmo estudo os Romanos e os Gregos, porque estes dois povos, que eram dois ramos d'uma mesma raça e que falavam dois idiomas derivados da mesma lingua, tiveram tambem um fundo de instituições comuns e atravessaram uma serie de revoluções semelhantes.
Esforçar-nos-hemos, sobretudo, por tornar evidentes as differenças radicaes e essenciaes que distinguem sempre estes povos antigos das sociedades modernas. O nosso systema de educação, que nos obriga a viver desde a infancia no meio dos Gregos e dos Romanos, habitua-nos a compará-los comnosco, sem cessar, a julgar a sua historia como nossa e a explicar as nossas revoluções pela d'elles. O que d'elles conservamos e que nos legaram, faz-nos crêr que a elles nos assemelhamos; contrariamo-nos considerando-os povos estrangeiros; n'elles, quasi sempre, nos vêmos a nós proprios. D'ahi procedem muitos erros.
Enganamo-nos, forçosamente, quando apreciamos estes povos antigos atravez de opiniões e factos do nosso tempo. [...]
A historia da Grecia e de Roma é um testemunho e um exemplo da estreita relação que existe sempre entre as ideias da intteligencia humana e o estado social d'um povo. [...]
Que significam essas instituições lecedemonias, que nos parecem contrarias á natureza? [...]
Mas em frente d'estas instituições e d'estas leis, collocae as crenças; os factos tornar-se-hão logo mais claros e a explicação d'elles apresentar-se-ha por si propria, Se, remontando ás primeiras idades d'esta raça, isto é ao tempo em que ella fundou as suas instituições, se observa a ideia que ella fazia do ser humano, da vida, da morte, da segunda existencia, do principio divino, percebe-se uma íntima relação entre essas opiniões e as regras antigas do direito privado, entre os ritos que derivaram d'essas crenças e as instituições politicas."
(Excerto da Introducção)
Indice:
Livro Primeiro - Crenças antigas. Livro Segundo - A familia. Livro Terceiro - A cidade. Livro Quarto - As revoluções. Livro Quinto - Desapparece o regimen municipal.
Encadernação inteira de carneira com rótulo negro e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Trabalho de traça (sem expressão) no pé, visível nas primeiras e derradeiras páginas do volume.
Invulgar.
20€

18 janeiro, 2019

PAPA JOÃO XXI : PEDRO HISPANO = PAPA GIOVANNI XXI : PIETRO SPANO. Coordenação: João Paulo Bessa. Fotografia: António Rafael; Maurizio Necchi; Sergio Galeotti. Tradução: Instituto Italiano de Cultura em Portugal. Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 2000. In-8.º (22cm) de 72 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Edição bilíngue (português/italiano) publicada por ocasião da inauguração do novo mausoléu do Papa João XXI, o único papa português, na Catedral de Viterbo, em Itália.
Bonita edição impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada com fotografias, esboços e desenhos a p.b. e a cores.
"Pedro Julião, lisboeta de nascimento (1220?) e nobre pela mesma causa, foi clérigo e deão na sua cidade natal - que foi, também, a de Santo António, talvez vinte e cinco anos antes.

Pedro Hispano, homem de letras, viajante, estudante em Paris e professor em Siena, versou filosofia, teologia e ciências físicas e matemáticas, foi o presumível autor de doze obras de lógica, medicina, botânica, teologia e outros saberes (suficientes para que Dante o versejasse como aquele "que luz na terra") e, como médico, chegou à corte papal em Viterbo.
João XXI, Papa dos que o foram em Viterbo (antes arquidiácono e arcebispo de Braga - e também, com as vestes cardinalícias, de Tuscolo, após participar no Concílio de Lião), único português coroado com a mitra pontifical, bateu-se nos terrenos da diplomacia política e da doutrina até que uma ocorrência trágica o levou prematuramente para o sepulcro."
Ter tido um português no ministério de Pedro é algo que interpela a nossa tradicional comunhão com o Santo Padre e sublinha a comunhão católica das Igrejas de Portugal que, embora não isenta, ao longo dos séculos, de nuvens e tempestades, sempre permaneceu viva nos católicos portugueses."
(Excerto do preâmbulo de João Soares)
Matérias:
- Preâmbulo: João Soares, Presidente da CML; José, Patriarca de Lisboa. - Um "Filo Rosso" Lisboa-Viterbo: João XXI: Lorenzo Chiarinelli, Bispo de Viterbo. - Testemunho: António Pinto França, Embaixador de Portugal junto da Santa Sé. - O Túmulo do Papa João XXI: Ana Cristina Leite, Mestre em História de Arte. - Anotações sobre a conservação da pedra tumular do Papa João XXI: Emanuela Marino, Arqueóloga/Restauradora; Paola Coghi, Conservadora/Restauradora. - Reflexão. Solução: Daniela Ermano.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

03 março, 2018

BENALCANFÔR, Visconde de - NA ITALIA. Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron : Braga, Livraria Internacional de Eugenio Chardron, 1876. In-8.º (18,5cm) de [14], 254 p. ; E.
1.ª edição.
Interessante livro de viagens ao gosto da época.
Do autor, disse Camilo no n.º 8 de Noites de Insomnia (1874): "era uma delicia o escrever d'este rapaz, e outra delicia o modo como entornava no papel os brilhantes paradoxos, as hyperboles ridentes, as metaphoras originalissimas. [...] Tem o visconde publicado os melhores livros que possuimos ácerca de viagens."
Ricardo Augusto Pereira Guimarães ComNSC (Porto, 11 de Outubro de 1830 - Lisboa, 18 de Novembro de 1889). "1.º Visconde de Benalcanfor, foi um brilhante escritor, jornalista e político português. Quando rebentou a Revolução chamada da Maria da Fonte, frequentava a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e entrou com os seus condiscípulos no Batalhão Académico. No Porto, para combater pela Liberdade, entrou como Aspirante de Marinha na Guarnição da Esquadra organizada pela Junta do Porto. Esta Esquadra foi, com a Divisão que transportava, sob o comando do 1.º Conde das Antas, aprisionada pelos navios Britânicos, e Ricardo Augusto Pereira Guimarães não pôde prosseguir na carreira que havia encetado. Acabada a Guerra Civil da Patuleia, voltou a Coimbra para acabar o curso de Direito, em que tomou o grau de Bacharel. Quando entre os estudantes se deu a chamada Revolta do Entrudo, foi dos maiores influentes desse movimento, que tomou graves proporções. Depois de sair de Coimbra, dedicou-se à Literatura e ao Jornalismo, e foi, com Camilo Castelo Branco, um dos Fundadores de O Portuense. Mais tarde estabeleceu residência em Lisboa e colaborou no Arauto, Civilização, Revolução de Setembro, Revista Contemporânea, etc, onde se revelou polemista e folhetinista de valor. Destacou-se como memorialista e ensaísta, alcançando grande projeção nos periódicos das décadas de 1870 e 1880, mas cuja obra, maioritariamente constituída por narrativas de viagem, se encontra em boa parte olvidada. Para além de escritor e crítico literário, foi professor e tradutor."
(Fonte: wikipédia)
Encadernação editorial inteira de percalina com dourados na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

01 dezembro, 2016

GAIO, Manuel da Silva - DE ROMA E SUAS CONQUISTAS : notas historicas. Lisboa, Portugal Brasil - Limitada, Sociedade Editora : Rio de Janeiro, Companhia Editora Americana, Livraria Francisco Alves, [1919]. In-8.º (19cm) de [14], 276 p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio sobre os Romanos.
"Interessam-nos por dois títulos os Romanos:
Como intermediários e como directos laboradôres na vasta obra da civilização ocidental.
Como intermediários - porque lhes devemos larga parte do que a Europa conheceu da Grécia até á segunda metade do século XV da nossa era, até á queda de Constantinopla no poder dos Turcos e á difusão, pelas nações do Ocidente, dos antigos tesouros da literatura helénica.
Directamente - porque lhes devemos, com os fundamentos do Direito, os grandes moldes políticos do mundo europeu. E foi a língua de Roma - através das vias popular, semi-erudita e erudita - a verdadeira geradôra da nossa, como o foi do italiano, do francês e provençal, do espanhol e catalão, e ainda também do romeno, do walónico, do forlánico, do rheto-romano."
(excerto da introdução)
Índice:
Prefácio. Introdução. I - O Povo Romano. II - Eras de Roma : Era do Patriciado. III - Eras de Roma : Era censitária. IV - Eras de Roma : Era da Nobreza: 1.º As Conquistas. V - Eras de Roma : Era da Nobreza: 2.º Consequências sociais e económicas das Conquistas. VI - Eras de Roma : Era da Nobreza: 3.º Efeitos das Conquistas em relação á composição e natureza da população romana. VII - Eras de Roma : Era da Nobreza: 4.º Efeitos morais das Conquistas. VIII - Hélada : Acepções desta designação histórica.
Manuel da Silva Gaio (1860-1934). “Poeta, jornalista e ensaísta, filho de António da Silva Gaio, nascido em 1860, em Coimbra, e falecido em 1934, na mesma cidade. Licenciado em Direito, secretariou a Revista de Portugal, fundada em 1889 por Eça de Queirós; fundou e dirigiu, com Eugénio de Castro - cujos volumes de poesia Horas e Poesias Escolhidas prefaciou -, a revista Arte. Autor situado na convergência das tendências neorromântica e simbolista, a poesia de Manuel da Silva Gaio colhe o misticismo de Junqueiro ou de Antero, preferindo o verso inflamado e as estruturas de rasgo épico na abordagem de temáticas religiosas, míticas ou de cunho histórico-nacional. Na arte dramática, produziu um poema dramático, O Mundo Vive de Ilusão, um drama histórico, Na Volta da Índia, e uma peça em um ato de cariz melodramático, A Encruzilhada."
(fonte: infopédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Paginas apresentam picos de acidez.
Invulgar.
10€

02 agosto, 2016

FALCONE, Giovanni & PADOVANI, Marcelle - COSA NOSTRA : O Juíz e os «homens de honra». Tradução de J. Machado Maia. Lisboa, Difel, 1992. In-8.º (22,5cm) de 167, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Cosa Nostra - a Máfia - violenta organização criminosa originária da Sicília, Itália, com múltiplas ramificações internacionais, e responsável por inúmeros crimes financeiros e de sangue. A presente obra foi publicada poucos meses após a morte do Juíz Falcone, vítima de cobarde atentado perpetado pela máfia siciliana.
Livro ilustrado no texto com diversos quadros, e o diagrama da estrutura organizacional da Cosa Nostra.
"Depois de onze anos passados no escritório-fortaleza do Palácio de Justiça de Palermo, o juíz Falcone, figura mestre da luta anti-máfia, conta a sua guerra ao mesmo tempo que o duro quadro da organização, expurgado da sua legenda, da sua verdade mais violenta.
Para combater eficazmente a Cosa Nostra, foi-lhe necessário primeiro compreendê-la «no interior», descobrir o sentido de cada palavra, de cada gesto, relacioná-la com esse todo de uma implacável racionalidade que constitui o mundo mafioso. Como uma partitura que decifraria para nós, Giovanni Falcone descobre os modos de funcionamento, os valores, as finalidades, os códigos de linguagem da Cosa Nostra. Engenhosamente retranscrita por Marcelle Padovani, é uma magistral lição de semântica mafiosa que ele nos dá.
Para entender a voz dos arrependidos, para compreender a organização do sistema de poder e de lucro da Cosa Nostra, para sentir as contiguidades que ele conserva com a sociedade siciliana, para viver de perto a sua violência, entra-se progressivamente no coração do problema: a existência face ao Estado, de um Estado-Máfia.
Pouco antes da publicação deste livro, precisamente em 23 de Maio último, o juíz Giovanni Falcone sucumbiu a um atentado da máfia, que colocou no seu carro blindado uma tonelada de explosivos activada por controlo remoto.
Apesar de "marcado" pela máfia, pois era considerado o seu "inimigo número um", a chocante notícia surpreendeu todos quantos conheciam o cuidado sempre posto em onze anos no combate à Cosa Nostra e o respeito que inspirava a todos os membros da organização, pela humanidade, correcção e respeito com que os tratava quando procedia às investigações e inquéritos que concluíram com a condenação e prisão de muitos deles.
Toda a acção desenvolvida pelo juíz Falcone contra a máfia é habilmente relatada pela jornalista Marcelle Padovani neste interessante livro, em que o juíz, profundo conhecedor da organização, dos seus métodos e dos seus membros, transmite, com uma grande riqueza de pormenores, o seu funcionamento, poderes, violências e até influências políticas.
Terá sido isso que levou a máfia a assassiná-lo tão barbaramente? Terá sido o que nos conta neste livro a razão da sua morte?..."
(apresentação)
Matérias:
Prólogo: O método Falcone. Aviso. I - Violências. II - Mensagens e mensageiros. III - Contiguidades. IV - Cosa Nostra. V - Perdas e lucros. VI - Poderes. Anexos.
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Ligeiramente aparado e carminado à cabeça.
Invulgar.
15€

17 maio, 2016

GARIBALDI, José - OS MIL DE GARIBALDI. Expedição á Sicilia em 1860. Traducção do italiano Pelo bacharel Joaquim Xavier Pereira. Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1875. In-8.º (21cm) de 305, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Episódio histórico da unificação italiana. Relato dos acontecimentos que conduziram à conquista da Sícilia e de Nápoles por uma força militar liderada pelo autor.
Giuseppe Garibaldi (1807-1882). "Nacionalista revolucionário italiano nascido a 4 de julho de 1807, em Nice, a sul de França. Passou a sua juventude como marinheiro nos navios mercantes do Mediterrâneo. Em 1833, integrou a Jovem Itália, movimento revolucionário italiano comandado por Guiseppe Mazzini e que tinha como finalidade a unificação do país que se encontrava sob domínio estrangeiro. Na época, esse movimento político e ideológico, que exaltava à unificação de Itália, ficou conhecido por Risorgimento (Renascimento).
Em 1834, o jovem foi condenado à morte por participar num motim, mas conseguiu fugir, exilando-se na América do Sul onde permaneceu durante 12 anos. Durante esse período, revelou grandes qualidades como chefe militar ao participar em diversas campanhas no Brasil (1836) e no Uruguai (1841). Aqui lutou contra o ditador argentino Rosas. Ainda nesse período, conheceu a heroína brasileira Ana Maria de Jesus Ribeiro com quem veio a casar e que ficou conhecida pelo nome de Anita Garibaldi. Em 1848, regressou a Itália e juntou-se às tropas voluntárias que estavam ao serviço de Carlos Alberto, rei da Sardenha, que lutaram, sem sucesso, contra o exército austríaco na Lombardia. Um ano depois, liderou as tropas voluntárias até Roma, onde a República tinha sido declarada por Mazzini e outros nacionalistas. Garibaldi defendeu a cidade dos ataques franceses durante um mês, no entanto, viu-se obrigado a fazer um acordo com os Franceses. As tropas da retirada arriscaram passar pelo território controlado pelos Austríacos, o que provocou a morte, a captura e a dispersão de uma grande parte dos italianos. Anita Garibaldi, que tentava juntar-se ao marido, encontrou-se no meio deste confronto, vindo a falecer em agosto de 1849.
Guiseppe Garibaldi viu-se obrigado a novamente exilar-se, tendo partido para os Estados Unidos da América, para Staten Island (Nova Iorque), onde adquiriu a cidadania norte-americana. Cinco anos depois, em 1854, regressou a Itália, estabelecendo-se na ilha de Caprera, a noroeste da Sardenha. Nessa altura, Garibaldi acreditava que a liberdade só poderia ser alcançada numa aliança com o rei da Sardenha, Víctor Emanuel, e com o conde de Cavour, Camilo Benso, no entanto, estes opunham-se ao seu republicanismo. Garibaldi foi ganhando vários adeptos, o que o envolveu política e militarmente nos anos subsequentes.
Em 1859, liderou com sucesso uma expedição contra os Austríacos, nos Alpes, e liderou, em 1860, a expedição dos Camisas Vermelhas ou dos Mil (expedição conhecida por ambos os nomes), uma força de mil homens com a qual conquistou a Sicília e Nápoles contribuindo assim para a unificação italiana sob a denominação da Casa de Saboia.
Em 1862, o rei Víctor Emanuel declarou estabelecido o reino de Itália, apesar de não estar nele incluída a cidade de Roma, nem algumas regiões do norte de Itália. Entre 1862 e 1866, Garibaldi lutou, sem êxito, com o propósito de conquistar Roma. Em 1866, liderando um grupo de voluntários, participou, com o apoio de Napoleão III, numa segunda tentativa de unificação do reino, lutando não só contra os franceses, como também contra o estado pontificado, tentativa que se revelou fracassada. Em 1870, ofereceu os seus préstimos à França na luta contra a Áustria.
Depois de ter sido deputado no Parlamento italiano (1875), retirou-se definitivamente da vida política e militar, recolhendo-se na sua ilha de Caprera.
Guiseppe Garibaldi faleceu a 2 de junho de 1882, em Caprera."
(fonte: http://www.infopedia.pt/$garibaldi,3)
Encadernação em meia de pele. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada cansada, com defeitos. Rubrica de posse na f. anterrosto.
Raro.
30€