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14 julho, 2026

FIGUEIREDO, Antonio Pereira de -
NOVOS TESTEMUNHOS // DA // MILAGROSA APPARIÇÃO // DE // CHRISTO SENHOR NOSSO // A EL-REI // D. AFFONSO HENRIQUES // ANTES DA FAMOSA BATALHA // DO CAMPO D'OURIQUE: // E EXEMPLOS PARALLELOS, QUE NOS INDUZÃO // Á PIA CRENÇA DE TÃO PORTENTOSO CASO. // POR // ANTONIO PEREIRA DE FIGUEIREDO, // DEPUTADO ORDINARIO DA REAL MEZA CENSORIA. // [Escudo de Armas Português] //
LISBOA, // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAFICA. / ANNO M. DCC. LXXXVI. // Com licença da mesma Real Meza. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Importante texto histórico sobre as origens divinas do reino de Portugal, reeditado com intuitos patrióticos em 1809, durante as Invasões Francesas, com o título Dissertação histórica e critica em que se prova a milagrosa apparição de Cristo Senhor Nosso a El Rei D. Affonso Henrique...
O texto aborda o famoso mito fundador da identidade nacional portuguesa. Segundo a tradição, na véspera da Batalha de Ourique (25 de julho de 1139), D. Afonso Henriques isolou-se numa colina e testemunhou a aparição de Jesus Cristo na Cruz. Cristo garantiu ao monarca a vitória militar sobre os cinco reis mouros. O milagre selou a legitimação divina para o nascimento do Reino de Portugal. (IA)
"Com louvavel empenho se applicárão no Seculo passado, e no presente diversos Authores nossos (entre elles o Illustre Senador Antonio de Sousa Macedo nos Proemios da Lusitania Liberata, e o Padre D. Antonio Caetano de Sousa no Commentario ao dia 25 de Julho do Agiologio Lusitano) a mostrar: Que sem razão dividavão certos Escritores Castelhanos dar credito ao Auto do Juramento, que em nome d'ElRei D. Affonso Henriques pub,licou Fr. Bernardo de Brito na sua Chronica da Ordem de Cister, impressa a primeira vez em Lisboa no anno de 1602. como achado num antigo pergaminho do Cartorio d'Alcobaça no anno de 1596. No qual Auto jura o dito Rei D. Affonso Henriques aos Santos Evangelhos, em presença de muitos Prelados do Reino, e de muitos Grandes da sua Corte: Que estando elle para dar batalha a cinco Reis Mouros no Campo d'Ourique, avisado por hum Santo Ermitão, que vivia perto daquelle lugar, sahíra da sua tenda, e víra no ar a Christo crucificado, que com voz branda, e carinhosa o animava a combater valerosamente aquelles inimigos do seu Santo Nome, prometendo-lhe victoria, e mandando-lhe que com o Titulo de ei tomasse para si, e para seus Successores por Brazão d'Armas os sinaes da sua Sagrada Paixão, com outras muitas cousas, que no mesmo Juramento se contém. [...]
Quatro são os novos Testemunhos que vou a expôr, todos de tanto pezo, e authoridade, que não ha para que se desejem outros mais graves. A estes quatro Testemunhos segui-se-hão outros tantos Exemplos Parallelos, que por mais admiravel, e incrivel que a alguem pareça o nosso caso, lhe facilitem o assento com aquella força, que he propria do argumento de paridade, ou do argumento que chamão ad hominem."
(Excerto de Introducção)
António Pereira de Figueiredo (Mação, 1725 - Lisboa, 1797). "É a "personagem mais importante," a "mais influente e a mais simbólica" do regalismo pombalino. "Padre da Congregação do Oratório de Lisboa. Estudou latim e música no Colégio Ducal de Vila Viçosa. Em 1744 matriculou-se nos cursos de Filosofia e Teologia na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório, onde mais tarde foi professor de Latim, Retórica e Teologia.
Foi deputado da Real Mesa Censória; Deputado da Junta do Subsídio Literário; Oficial Maior de Línguas da Secretaria do Estado dos Negócios Estrangeiros."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/descriptions/1275)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Protegido por capilhas de protecção.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

22 maio, 2026

NEVES, Alexandre Antonio das -
COMPILAÇÃO // DE // REFLEXÕES // DE SANCHES, PRINGLE, MONRO, // VAN-SWIETEN, E OUTROS // ÁCERCA DAS // CAUSAS, PREVENÇÕES, // E REMEDIOS // DAS DOENÇAS DOS EXERCITOS // DEDICADA // AO // PRINCIPE DO BRAZIL // NOSSO SENHOR, // POR // ... //
E publicada de Ordem // da Academia Real das Sciencias // para distribuir-se ao Exercito Portuguez // LISBOA: 1797. // NA TYPOGRAFIA DA ACADEMIA. // Com licença de S. MAGESTADE. In-8.º (14x8 cm) de 82, [6] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante tratado médico, para uso do Exército, baseado nos escritos de alguns dos mais conceituados médicos da época.
Ilustrado no final com desenho esquemático em página inteira.
Raro e muito curioso.
"He cousa tão perigosa, como ordinaria particularmente entre pessoas robustas, o não pôrem nenhumas cautelas, para não adoecerem: e se lhes são ordenadas, achão muitos modos de illudir essas ordens, porque se persuadem que nascem de extravagancia, ou de cobardia; como se tivessem huma particular natureza, ou não houvessem de morrer.
E nas doenças; bem se sabe, que huma grande difficuldade em curálas he o não se cumprirem exactamente as ordens, que dá o Medico; pois tudo alterão o enfermo appetitoso, e o Enfermeiro indulgente; torna o Medico, e dão-se-lhe partes falsas; expôe-se-lhe, por exemplo, ter havido aquelles symptomas, que a faltarem, elle disse seria preciso hum remedio mais violento; ou haver-se tomado todo o remedio, que ás vezes nem se chegou a ir buscar; ou deo-se comida differente da determinada, ou em maior quantidade. E fazendo isto de necessidade que vá a peior o doente, eis o Medico entendendo ser o doença mui grave, ou differente, e talvez que já o esteja. Não he preciso reflectir mais, para entender quantos danos daqui vem; e o peior he que estes desarranjos não se fazem só nas casas particulares, mas ainda nos mesmo Hospitaes; pois ahi, por exemplo, os conhecidos dos enfermos, a quem se precreveo dieta rigorosa, ouvindo-os lamentar de que lhes dão mui pouco de comer, e do que elles accusão a economia do Hospital, ou a malicia do Enfermeiro, esses conhecidos, digo, credulos a taes queixumes, levão ás escondidas de comer, de ordinario indigesto, aos seus doentes; e póde succeder que até lhes provênha dahi a morte.
Taes forão os motivos, que me resolvêrão a fazer esta Compilação das Obras de tão Célebres Medicos (na qual eu procurei conservar, quanto convinha, as proprias palavras de Sanches), mais das Reflexões de outros; a que somente fiz alguns pequenos accrescentamentos; e isto com o fim de que haja de servir aos Soldados  (e para o que tambem se reduzio a volume bem portatil), para elles conhecerem no estado de saude a utilidade das ordens, que se lhes prescrevem a beneficio della, quando se lhes determinem cousas semelhantes ás que vão indicadas nesta Obra."
(Excerto de Advertencia)
Encadernação em brochura da época, no geral bem conservado.
Raro.
Com interesse histórico e militar.
30€

04 abril, 2026

ALMEIDA, P. Teodoro d' -
RECREASAÕ // FILOZOFICA, // OU // DIALOGO // Sobre a Filozofia Natural para instruc- // saõ de pesoas curiozas, que naõ // frequentáraõ as aulas. // PELO // P. TEODORO D'ALMEIDA // da Congregasaõ do Oratorio de S. Fi- // lipe Neri. // TOMO IV. // Trata do Omem. //
LISBOA. // Na Oficina de MIGUEL RODRIGUES, // Impres. do Emin. Senhor Cardeal Patriarca. // M. DCC. LVII. // Com todas as licensas necesarias, // e Privilegio Real. In-8.º (17x11 cm) de [8], 333, [3] p. ; [5] f. desdob. ; il. ; E.
1.ª edição.
Tomo IV desta obra admirável - de proporções enciclopédicas - do iluminismo português -, escrita e publicada em 10 volumes entre os anos de 1751 e 1800. Trata este tomo dos olhos, dos sentidos e do corpo humano em geral.
"Recreação Filosófica é uma obra monumental do Padre Teodoro de Almeida, publicada entre 1751 e 1800, que divulga a filosofia natural e ciência experimental no séc. XVIII através de diálogos didácticos entre mestre e pupilos. A obra visa instruir os curiosos, defendendo uma pedagogia oratoriana que conciliava a ciência com a fé, num formato acessível e estruturado em vários tomos."
(Fonte IA)
Exemplar ilustrado no início com bonita gravura no texto, e no final, com 57 figuras distribuídas por 5 estampas desdobráveis em separado (completo).
"Eug. Emfim, já se abararaõ os embarasos, amigo Silvio, que atéqui tanto me impediaõ o vir continuar a nosa Recresaõ Filozofica, em que eu tanto me instruia com a vosa doutrina, e do noso amigo Teodozio; porem cheguei; e já envergonhado de tanta demora, sem lhe prometer tempo determinado, venho inesperadamente: vamos a busca-lo lá dentro.
Silv. Eu vos afirmo que já em nós ambos tinha crescido muito a desconfiansa de que os diversos empregos  e ocupasoens em que vos tinhaõ entretido, vos fizesem perder o gosto, ou totalmente esquecer da nosa literaria conversasaõ; entrai vós primeiro, quero que Teodozio tenha todo o gosto de repente.
Teod. Amigo Eugenio; basta que já vos vejo em minha caza!
Eug. Muito tempo à que me vereis, se me deixasem; como conheceis a minha vontade, escuzado é dar-vos relasaõ dos meos embarasos.
Teod. Todos tenho eu sentido; porem mais que todos a vosa molestia dos olhos, que muito me magoou.
Eug. Grande cuidade me deo, vendo-me quazi cego; porque sem vista~, eu naõ sei que alegria posa aver no caorasaõ umano: toda a beleza das creaturas, e a fermozura deste grande jardim do mundo, é inutil para um cego..."
(Excerto Da admiravel fabrica dos Olhos)
Index das materias, que se trataõ neste Tomo IV:
Tarde XVI - Trata do sentido da Vista. Tarde XVII - Da Dioptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a refracsaõ. Tarde XVIII - Da Catoptrica, ou dos Instrumentos de que uzaõ os olhos, e fazem seu efeito com a reflexaõ. Tarde XIX - Trata dos outros sentidos do Omem, Externos, e Internos, da Vós umana, do Sono, Vigia; e outras coizas deste genero. Tarde XX - Da Fabrica do Corpo Umano. Tarde XXI - Continúa a tratar da fabrica do Corpo Umano. | Erratas.
Teodoro de Almeida (1722-1804). "Oriundo de uma família de extracção social modesta, de Lisboa, Teodoro de Almeida ingressou na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório a 11 de Abril de 1735, possivelmente devido à protecção do prepósito da Casa, o pe. Domingos Pereira. Iniciou depois os seus estudos sob a direcção do pe. João Baptista, o autor da Philosphia Aristotelica Restituta, que o influenciará de forma decisiva, definindo-se então o seu interesse pela Filosofia Natural.
Em 1748 foi substituto do mestre encarregue do triénio de Filosofia, o pe. Luís José, cujo docência assegurou a partir de 1751. Neste mesmo ano saíram dos prelos os dois primeiros volumes da sua obra mais importante, a Recreação Filosófica.
A década de 1750 é a da plena afirmação de Teodoro de Almeida, que ganha prestígio crescente como pregador, mas sobretudo como escritor e divulgador de temas científicos. Os volumes da Recreação sucedem-se a ritmo veloz, publicando-se o sexto em 1762. Em 1752 o pe. João Baptista inicia as conferência de Filosofia Experimental - ou Filosofia Natural - na Casa das Necessidades, beneficiando do excelente equipamento de laboratório doado à Congregação por D. João V, nas quais o seu discípulo viria a ter papel de destaque. As conferências eram abertas ao público e foram um sucesso, chegando a registar mais de 400 assistentes, entre os quais o próprio monarca. Todavia o fenómeno ficou algo a dever à curiosidade de salão, sem que todos os que a ela assistiam pudessem ter a percepção do que estava realmente em jogo do ponto de vista científico.
Enquanto expoente desta popularidade da divulgação científica, Almeida foi alvo de várias críticas e polémicas, sendo acusado de desvios em relação à ortodoxia religiosa e de ser plagiário. De entre os que vieram em sua defesa salienta-se o jesuíta Inácio Monteiro, autor de uma obra importante obra pedagógica também.
Na década seguinte alguns dos Oratorianos mais influentes conheceram a perseguição de Pombal. Teodoro de Almeida foi forçado a exilar-se em 1768, continuando a desenvolver uma acção pedagógica importante em França. Regressou a Portugal em 1778, logo após o afastamento de Carvalho e Melo, embrenhando-se nos anos seguintes na revitalização do Oratório, na escrita e nos cursos.
É também um dos elementos do grupo que organiza a criação da Academia das Ciências de Lisboa, que se apresenta a público com uma Oração de Abertura de sua autoria, proferida a 4 de Julho de 1780; nela comparava o atraso do país em matéria científica ao reino de Marrocos, suscitando uma violenta reacção dos sectores intelectuais ligados ao pombalismo, expressa em várias cartas anónimas que vituperavam o orador e a nova Academia.
Continuou depois a Recreação, cujo plano editorial se concluiu com a publicação do volume X em 1800. Esta última fase é porém já dominada por um conservadorismo que reage às repercussões políticas do ideário das Luzes, que foi o seu numa primeira fase enquanto não pôs em causa a religião revelada e a ordem social vigente, à qual Teodoro de Almeida se encontrava fortemente vinculado, embora longe da sua componente ultramontana; manifestava-se sim contra os descrentes, pela conservação do seu ideário religioso, como antes de afirmara contra os escolásticos, pela renovação do ideário científico.
Da obra ficou sobretudo o grande projecto enciclopédico que foi a Recreação Filosófica (com os volumes I a VI sobre a Filosofia Natural, o VII sobre a Lógica, e os últimos três sobre a Ética e a Moral), complementada pelas Cartas Físico-Matemáticas (3 vols., 1784-1798), sendo aquela a obra que leva mais longe e ao mesmo tempo marca os limites das possibilidades da Ilustração católica portuguesa. Mas além destas deixou muitos mais escritos, como o Feliz Independente do Mundo e da Fortuna (3 vols., com 2.ª ed. corrigida em 1786), o mais celebrado dos seus livros sobre espiritualidade."
(Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p47.html)
Encadernação coeva inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com pequenas "esfoladelas" nas pastas.
Muito invulgar.
30€

13 janeiro, 2026

FARIA, Manoel Severim de -
NOTICIAS // DE // PORTUGAL // ESCRITAS POR // MANOEL SEVERIM // DE FARIA // Chantre, e Conego da Sé de Evora. // EM QUE SE DECLARAÕ AS GRANDES // commodidades, que tem para crescer em // Gente, Industria, Commercio, Riquezas, // e Forças Militares por Mar, e Terra, as Ori- // gens de todos os Appelidos, e Armas das // Familias Nobres do Reyno, as Moedas, // que correraõ nesta Provincia do tempo dos // Romanos até ao presente, e se referem vari- // os Elogios de Principes, e Varoens Illus- // tres Portuguezes. // ACRESCENTADAS // PELO P. D. JOZÉ BARBOSA // C LER. REG. ACAD.DO N. DA AC. R. // Terceira Ediçaõ augmentada por // JOAQUIM FRANCISCO MONTEIRO // DE CAMPOS COELHO, E SOIZA. //
TOMO I. // [vinheta tipográfica] // LISBOA // NA OFFIC. DE ANTONIO GOMES. // ANNO M. DCC. XCI. // Com lic. da R. Meza da Com. Ger. sobre o Exa- // me, e Censura dos Livros. In-8.º (15,5x10 cm) de [2], V, [9], 319, [1] p. ; E.
Interessantíssimo trabalho sobre o estado do país sobre diversos pontos de vista, escrito poucos anos após a Restauração, e mais tarde acrescentado, constituindo este "um excelente es­tudo dos recursos e das possibilidades de crescimento da nação nos domínios da indústria, do comércio, das artes".
Obra muitíssimo curiosa, não completa. Trata-se do Vol I (de II), porventura o mais interessante. Começa com uma pequena introdução - Aos Leitores (V pp.), seguindo-se a Vida  de Manoel Severim de Faria, Escripta pelo Adicionador) (4 pp.), terminando esta parte inicial com o Index (5 pp.), seguindo-se o trabalho propriamente dito.
Este volume desenvolve os seguintes temas:
I - Dos meyos com que Portugal pòde crescer em grande numero de gente, para augmento da Milicia, Agricultura, e Navegaçaõ.
II - Sobre a ordem da Milicia, que antigamente avia em Portugal, e das forças Militares que hoje tem, para se conservar, e ficar superior a seus contrarios.
III - Da Nobreza das Familias de Portugal, com a noticia de sua antiguidade, origem dos Appellidos, e razaõ dos Brazoens das Armas de cada huma.
"[...] Com tudo de prezente experimentamos neste Reyno falta de gente, assim para a milicia, como para a navegaçaõ, e muito mais para a cultivaçaõ da terra; pois por falta da gente Portugueza se servem os mais dos lavradores de escravos da Guinè,  e mulatos. Pelo que apontaremos as causas, porque neste Reyno falta a gente do povo, e da nobreza, que parece saõ as seguintes.
A primeira causa da falta de gente, que se padece neste Reyno, saõ as nossas Conquistas; porque estas ainda que foraõ de grande utilidade, assim para a propagaçaõ do Evangelho, como para o commercio do mundo, toda via defraudaraõ  muito este Reyno de gente, que lhe era necessaria. [...]
A segunda causa porque falta a gente deste Reyno, he pçor naõ terem officios, com que ganhem de comer por sua industria, que he o meio, que Deos deo para a sustentaçaõ e cada hum; e como os homens naõ tem de que se sustentem, naõ se querem casar, e muitos com esta occasiaõ se fazem vádios andando pedindo esmola pelas Cidades, e Villas, homens, e mulheres em taõ grande numero, que parecem exercitos; e a desculpa, que daõ para pedirem, he dizerem, que naõ achaõ em que trabalhar. [...]
A terceira causa porque falta a gente popular, he por naõ terem neste Reyno terras, que cultivem, e de que possaõ tirar sua sustentaçaõ, porque a Provincia de entre Douro, e Minho, e as mais atè o Tejo estaõ bastante povoadas, e naõ ha nellas lugar para se fundarem nòvos pòvos, que possa cultivar a gente, que  cresce. E Alentejo, que podèra socorrer a esta falta (porque ha quasi taõ espaçoso, como o resto do Reyno) como está todo dividido em herdades de muitas folhas, ficaõ de ordinario as tres partes dellas por semear, faltando por esta causa os muitos frutos, que se dellas poderaõ colher, e a commodidade, que poderaõ dar a tantos homens, que naõ achaõ lugar, onde poder fazer hum recolhimento em que se metaõ: e por isso se embarca tanta gente para fòra da Barra, obrigando-os a necessidade de ir buscar terras em que vivaõ a outras parte do mundo; pois lhe faltaõ em sua propria Patria.
Estas tres saõ as causas da falta de gente popular deste Reyno; mas as da falta da gente nobre se pódem reduzir a duas. A primeira he a uniaõ de muitos Morgados numa pessoa. [...]
A segunda he a grandeza, a que tem chegado os dotes das melheres n obres; pois vai em tanto excesso, que pçoucos saõ os Fidalgos, que pódem casar huma filha..."
(Excerto de §. II. Como a gente naturalmente se multiplica, e a deste Reyno se vai diminuindo do anno de 500. a esta parte, e as causas porque.)
Manuel Severim de Faria (Lisboa, 1583 - Évora, 1655). "Historiador, camonianista, percursor do jornalismo em Portugal e erudito notável, que muito reflectiu sobre o estado e a condição social do Portugal do seu tempo.
Foi grande entusiasta pelo estudo do património cultural português tendo reunido num museu grandes preciosidades das épocas grega, romana e visgótica. Ficou também célebre a sua biblioteca onde se encontravam, entre outras preciosidades, manuscritos originais e editio princeps de obras de autores portugueses, obras chinesas e papiros egípcios. Esta biblioteca foi, após a sua morte, integrada na do conde de Vimieiro e veio a perder-se no terramoto de 1755.
Notícias de Portugal, obra concluída em 1624 e impressa em 1655 (Lisboa), constitui um excelente es­tudo dos recursos e das possibilidades de crescimento da nação nos domínios da indústria, do comércio, das artes. Outros temas de cultura histórica ocupam também um papel primacial no livro, onde o autor examina questões de heráldica, genealogia e numismática."
(Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=7497)
Encadernação coeva de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Corte das folhas carminado.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada apresenta-se algo desgastada nas extremidades. Com ex-libris de Alexandre Corrêa de Lemos colado no verso do frontispício.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

27 abril, 2025

ALMEIDA, Padre Theodoro d’ -
HARMONIA // DA RAZAÕ, E DA RELIGIAÕ, // OU // REPOSTAS FILOSOFICAS // AOS ARGUMENTOS DOS INCREDULOS, //
que reputaõ a Religiaõ contraria á Boa // Razaõ. // Dialogo do Author da Recreaçaõ Filoso- // fica sobre a parte da Metafysica, que // se chama Theologia Natural. // TOMO IX. // LISBOA // NA OFFICINA PATRIARCAL. // M. DCC. XCIII. // Com licença da Real Meza da Commissaõ / Geral sobre o Exame, e Censura // dos Livros. In-8.º (18x11 cm) de [20], 403, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Tomo IX (de 10) que compõem a Recreação Filosófica, obra maior do padre oratoriano Teodoro de Almeida, sendo este volume dedicado ao tema da Metafísica. Obra redigida em forma de diálogo, sendo interlocutores no desfiar da mesma "Baron" e "Theodosio", dedicada pelo autor "Ao Ill.mo e Ex.mo Senhor D. Joseph Maria de Mello, Bispo Titular do Algarve, Confessor de Sua Magestade Fidelissima, e Inquisidor Geral".
Ilustrado com uma bonita gravura no início da obra (Tarde I).
"Sendo as Obras que se imprimem offerecidas ao Publico, convem que este seja informado das intenções de quem lhe faz obsequio de lhe sacrificar o seu trabalho. Eu tenho visto, com confusaõ minha, a acceitaçaõ, que o Publico tem feito dos primeiros trabalhos da minha mocidade, na Recreaçaõ Filosofica, mostrando ser-lhe agradavel o meu intento de vulgarizar o conhecimento das bellezas naturaes, que todos tinhaõ diante dos olhos e poucos viaõ; cresceo com este favor do Publico o desejo de servir, e continuarei com a instrucçaõ sobre a Logica, familiarisando, e illustrando (quanto a materia abstracta soffria) os movimentos do nosso entendimento no descobrimento da verdade. Confirmei estas regras com a Geometria e Mecanica, que formaõ em dois volumes do supplemento á Recreaçaõ. E achando-me já algum tanto fatigado pela idade e pelos acontecimentos, me inclinava a cessar desta fadiga, posto que gostosa. Porém persuasões, que eu por modo nenhum devia desprezar, me fizeraõ pegar outra vez da penna: entaõ o juizo especulativo, e o sangue ainda activo me conduziraõ a pensamentos mais altos, subindo com o discurso á parte superior da Filosofia, que chamaõ Matafysica; e escrevi na Ontologia as Maximas Geraes sobre o conhecimento de tudo o que tem existencia, ainda que naõ seja Materia; e entrando na Pneumatologia, ou Sciencia do espirito, o objecto principal, que se offerecia a meus olhos era Deos; isto he, a parte que chamaõ Theologia Natural: porém neste ponto me achei muitos annos perplexo; e vou a declarar o motivo."
(Excerto de Prefacçaõ)
Indice das matérias, que aqui se trataõ neste Tomo:
[Dedicatória] | [Prefacçaõ] | [Indice das matérias, que aqui se trataõ neste Tomo] | Tarde I. Que as materias da Religiaõ se devem tratar com muito respeito, attençaõ, e cuidado. Tarde II. Do estylo, com que se deve averiguar a verdade nas materias de Religiaõ. Tarde III. Sobre a Existencia de Deos. Tarde IV. Sobre os Mysterios da nossa Religiaõ em commum. Tarde V. Sobre a Lei Natural, e Luz da Razaõ, e necessidade das Leis Positivas. Tarde VI. Sobre a Materia, e Espitito. Tarde VII. Da Espiritualidade, e Immortalidade da Alma. Tarde VIII. Sobre a Religiaõ Revelada commum. Tarde IX. Sobre o Peccado Original. Tarde X. Sobre a Maxima, que diz: Fóra da Igreja ha salvaçaõ. Tarde XI. Sobre o Interesse, que Deos tem nas nossas acçaões. Tarde XII. Sobre o Culto devido a Deos Interior e Exterior. Tarde XIII. Sobre a Immortalidade Divina, e sobre o Fogo vingador da outra vida. | Appendix. Tarde XIV. Sobre a Graça Divina, e Conceiçaõ da Senhora. Tarde XV. Sobre a Confissão Auricular.
Teodoro de Almeida (1722-1804). "Oriundo de uma família de extracção social modesta, de Lisboa, Teodoro de Almeida ingressou na Casa do Espírito Santo da Congregação do Oratório a 11 de Abril de 1735, possivelmente devido à protecção do prepósito da Casa, o pe. Domingos Pereira. Iniciou depois os seus estudos sob a direcção do pe. João Baptista, o autor da Philosphia Aristotelica Restituta, que o influenciará de forma decisiva, definindo-se então o seu interesse pela Filosofia Natural.
Em 1748 foi substituto do mestre encarregue do triénio de Filosofia, o pe. Luís José, cujo docência assegurou a partir de 1751. Neste mesmo ano saíram dos prelos os dois primeiros volumes da sua obra mais importante, a Recreação Filosófica.
A década de 1750 é a da plena afirmação de Teodoro de Almeida, que ganha prestígio crescente como pregador, mas sobretudo como escritor e divulgador de temas científicos. Os volumes da Recreação sucedem-se a ritmo veloz, publicando-se o sexto em 1762. Em 1752 o pe. João Baptista inicia as conferência de Filosofia Experimental - ou Filosofia Natural - na Casa das Necessidades, beneficiando do excelente equipamento de laboratório doado à Congregação por D. João V, nas quais o seu discípulo viria a ter papel de destaque. As conferências eram abertas ao público e foram um sucesso, chegando a registar mais de 400 assistentes, entre os quais o próprio monarca. Todavia o fenómeno ficou algo a dever à curiosidade de salão, sem que todos os que a ela assistiam pudessem ter a percepção do que estava realmente em jogo do ponto de vista científico.
Enquanto expoente desta popularidade da divulgação científica, Almeida foi alvo de várias críticas e polémicas, sendo acusado de desvios em relação à ortodoxia religiosa e de ser plagiário. De entre os que vieram em sua defesa salienta-se o jesuíta Inácio Monteiro, autor de uma obra importante obra pedagógica também.
Na década seguinte alguns dos Oratorianos mais influentes conheceram a perseguição de Pombal. Teodoro de Almeida foi forçado a exilar-se em 1768, continuando a desenvolver uma acção pedagógica importante em França. Regressou a Portugal em 1778, logo após o afastamento de Carvalho e Melo, embrenhando-se nos anos seguintes na revitalização do Oratório, na escrita e nos cursos.
É também um dos elementos do grupo que organiza a criação da Academia das Ciências de Lisboa, que se apresenta a público com uma Oração de Abertura de sua autoria, proferida a 4 de Julho de 1780; nela comparava o atraso do país em matéria científica ao reino de Marrocos, suscitando uma violenta reacção dos sectores intelectuais ligados ao pombalismo, expressa em várias cartas anónimas que vituperavam o orador e a nova Academia.
Continuou depois a Recreação, cujo plano editorial se concluiu com a publicação do volume X em 1800. Esta última fase é porém já dominada por um conservadorismo que reage às repercussões políticas do ideário das Luzes, que foi o seu numa primeira fase enquanto não pôs em causa a religião revelada e a ordem social vigente, à qual Teodoro de Almeida se encontrava fortemente vinculado, embora longe da sua componente ultramontana; manifestava-se sim contra os descrentes, pela conservação do seu ideário religioso, como antes de afirmara contra os escolásticos, pela renovação do ideário científico.
Da obra ficou sobretudo o grande projecto enciclopédico que foi a Recreação Filosófica (com os volumes I a VI sobre a Filosofia Natural, o VII sobre a Lógica, e os últimos três sobre a Ética e a Moral), complementada pelas Cartas Físico-Matemáticas (3 vols., 1784-1798), sendo aquela a obra que leva mais longe e ao mesmo tempo marca os limites das possibilidades da Ilustração católica portuguesa. Mas além destas deixou muitos mais escritos, como o Feliz Independente do Mundo e da Fortuna (3 vols., com 2.ª ed. corrigida em 1786), o mais celebrado dos seus livros sobre espiritualidade."
(Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p47.html)
Belíssima encadernação coeva inteira de pele, gravada com título e entalhes a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Raro.
45€

26 dezembro, 2024

CARTA // DE // ESCRAVIDAÕ // QUE DEVEM ASSIGNAR //
Regras que devem observar, Graças, e Indul- // gencias que podem lucrar, e algumas ad- // vertencias mais, que devem saber. // OS // ESCRAVOS // DE // MARIA SANTISSIMA // Alistados na Irmandade, que he dedicada // á mesma Soberana Senhora, por meio // da sua Prodigiosa Imagem, de- // nominada com o titulo // DE // N. S. DO ROSARIO // DO BARREIRO // Por ser collocada na sua Erermida da mesma Villa. // PERSUADE-SE TAMBEM ESTA DEVOÇÃO // E Refere-se em seu abono hum notavel prodi- // gio da mesma Senhora, e outros mais que para // gloria sua se achaõ justificados, e se daõ em pu- // blico para consolaçaõ de todos os seus Devotos. // LISBOA: // Na Officina de Antonio Rodrigues Galhardo // Impressor da Real Meza Censoria. Anno 1785. // Com licença da mesma Real Meza. In-8.º (14,5x9 cm) de 155, [1] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada com bonita capitular e vinheta tipográfica no início, e em extra-texto, precedendo o frontispício, uma gravura de Nossa Senhora com a inscrição: "N. Sª. DO ROZARIO DA V. DO BARREIRO. O Exmo. Snr. Carde. Patriarcha concede 100 dias de Indulgª. a qm. rezar huma Salve Rª. diante desta Image", imagem que falta na maioria dos exemplares.
Inclui ainda uma gravura coeva, solta, recortada, de Santa Bárbara (não pertence a esta obra).
Deve dizer-se ainda, a título de curiosidade, que no interior vem expresso um "projecto de associação" (Carta, ou Cedula de Escravidão) na Irmandade que foi preenchido a tinta "Lx.ª aos 27 do Mez de [ilegível] de 1799",  com o nome manuscrito da antiga proprietária - "Joanna Peregrina" -, que não é mais do que a comprometimento desta senhora para com as regras da Carta de Escravidão, assumidas com a sua assinatura. Muito interessante.
Junto com:
SUMMARIO // DAS GRAÇAS, INDULGENCIAS, // e Remissoens de peccados, concedidas // a todas as pessoas, que visitarem // a Prodigiosissima, e Devotissima // Imagem de // N. S, DO ROSARIO // collocada na sua Eremida, sita na Villa // DO // BARREIRO // POR SE ACHAR ANNEXA Á SACROSANTA // IGREJA DE // S, JOAÕ DE LATERAÕ // DE ROMA // juntamente com a Irmandade dos Escra- // vos da dita Senhora por Breve do // SANTISSIMO PADRE PIO VI. // Impetrado pela mesma Irmandade com // Beneplacito da / RAINHA N. SENHORA // naõ só como Soberana, mas tambem como Graã // Mestra das Tres Ordens Militares, por estar // a referida Ermida no destricto da Ordem de // Saõ-Thiago, Patriarchado desta Cidade de // LISBOA. // Na Offic. de Joaõ Antonio da Silva, // Impressor de Sua Magestade. 1790. // Com licença da Real Mesa da Commissão Geral sobre // o Exame e Censura dos Livros. In-8.º (14,5x9 cm) de 13, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Duas obras relacionadas com o mesmo tema - a imagem de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro - e as indulgências concedidas aos devotos da mesma - encadernadas num único tomo.
"Naõ pretendemos no presente Tractado inculcar a devoçaõ de Maria Santissima. Nós a suppomos estabelecida nos coraçoens de todos os fieis. Como ella he hum meio taõ necessario, ou taõ poderoso para a salvaçaõ; Deos tem tomado por sua conta dar-nos este meio, como todos os mais; por isso parece que des-de o Baptismo ella se infunde nas nossas almas como os mais dons sobrenaturais da graça. So pertendemos pois persuadir a Escravidaõ da Senhora, como meio mais proprio para praticar a sua devoçaõ, e mais efficaz para alcançar a sua protecçàõ especial."
(Excerto de Carta de Escravidaõ... - Persuade-se esta Devoção)
"O Direito pois que Maria Santissima tem á nossa Escravidaõ, a honra, e interesse que todos temos em ser signalados com o titulo de seus Escravos, o obsequio, e satisfaçaõ que a mesma Senhora recebe em tomarnos debaixo da sua protecçaõ especial por meio deste titulo, e finalmente a que já esperimentavaõ certos devotos seus, que todos os annos concorriaõ desta Cidade de Lisboa a festejala com cultos publicos na sua prodigiosa Imagem intitulada do Rosario, a qual se venera em huma Eremida junto a Villa do Barreiro aonde elles mesmos a collocaraõ no anno de 1736, tudo os moveo a erigirem naquella Eremida em honra da mesma Senhora por meio deste veneravel Imagem huma Irmandade intitulada dos Escravos de Maria Santissima do Rosario do Barreiro.
He muito antiga como temos dito a Escravidaõ de Maria Santissima, mas corporaçaõ, em que se unaõ, e ajuntem os seus Escravos para o culto, e serviço da Senhora, tendo por insignia, e destinctivo da sua Escravidaõ o Santissimo Rosario, naõ sabemos de outra até ao presente; tem esta Irmandade até agora a prerogativa de unica, e singular, terá já agora em todo o tempo a gloria de primeira entre todas as que se lhe seguirem."
(Excerto de Carta de Escravidaõ... - Instituiçaõ desta Irmandade)
Encadernação coeva inteira de pele com dourados na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Apresenta pico de traça, à cabeça, nas primeiras páginas do livro (com pouco impacto visual e sem afectar a mancha tipográfica).
Raro.
Com interesse histórico, regional e religioso.
125€

27 agosto, 2024

GIL, Francisco - ESTUDO // CURIOSO. // LIVRO DE THEOLOGIA MORAL, // COMPOSTO PELO PADRE // FRANCISCO GIL, // Abbade de Meixedo, Bispado de Mi- // randa. // Dado à luz pelo Padre // JOAM DE MEDEIROS TEIXEIRA. // OFFERECIDO // AO DOUTOR // BELCHIOR DO REGO // E ANDRADE, // FIDALGO DA CASA DE SUA MAGESTADE, E DO SEU // Concelho, Desembargador do Paço, Procurador da Coroa, dos // Concelhos da Rainha N. Senhora, e das Serenissimas Casas de Bra- // gança, e Infantado, Chanceller Mòr das Tres Ordens Militares // Conservador da Naçaõ Britannica, Regedor das Justiças, &c. // LISBOA OCCIDENTAL, // NA OFFICINA DA MUSICA // M. DCC. XXXIV. // Com todas as licenças necessarias, e Privilegio Real. In-8.º (20x13,5 cm) de [14], 394 p. ; E.
1.ª edição.
Curioso compêndio de cariz moral e religioso, elaborado em jeito de pergunta/resposta para melhor compreensão do conteúdo.
"Sacramentum est signum sensibile rei Sacre sanctificantis nos. Signum se poem em lugar de genero, por onde convem com os outros finaes, que naõ saõ Sacramentos: rei Sacre he a differença, e significa a graça, a qual formalmente santifica o homem, porque Deos só o santifica conmo causa efficiente.
P. De quantos modos he o final do Sacramento? R. Que de tres: Rememorativo da Paixão de Christo, Demonstrativo da graça, e Prognostico da gloria: Juxta illud D. Thom. O'Sacrum convivium, in quo Christus summitur, recolitur memoria passionis ejus, mens impletur gratia, & futura gloria nobispignus datur.
Ha quatro estados da Natureza, 1. da Innocencia, 2. da Ley Natural, 3. da Escrita, 4. da Graça. No estado da Innocencia naõ houve Sacramentos, pois a justiça original dava os mesmos auxilios, que podiaõ dar os Sacramentos. Nos outros estados houve Sacramentos, quia Deus vult omnes homines salvos fieri, e naõ ha outro remedio, por onde se possaõ salvar; e depois do peccado naõ se podiaõ salvar sem elles. Os da Ley Velha eraã a Circuncisaõ, Agno Paschal, Sacrificio, e Protestaçaõ da Fé in fide parentum. Os da Ley da Graça saõ sete sc. Baptismus, etc. [...]
P. Quantos saõ os Sacramentos? R. Que sete, Bautismo, Confirmaçaõ, Eucharistia, Penitencia, Extrema-Unçaõ, Ordem, e Matrimonio. P. Quem instituhio os Sacramentos? R. Christo N. Senhor. P. Para que os instituhio? R. Para remedio dos peccadores, e mayor perfeiçaõ das almas."
(Excerto de De Sacramentis in genere.)
Encadernação coeva inteira de pele com dourados na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pequeno orifício de traça, no pé, sem afectar o texto, visível nas primeiras folhas. Mancha antiga de humidade junto ao festo, mais evidente nas últimas folhas do livro.
Invulgar.
55€

14 agosto, 2024

SANTA MARIA, Soror Thomasia Caetana de - RELAÇAM // Á SANTISSIMA, E SEMPRE LEMBRADA MORTE DO // SERENISSIMO SENHOR INFANTE // DON JOAM, / NA SUA TENRA IDADE. // DEDICADA Á VIRGEM PURISSIMA // DA CONCEIÇAM // DE VILLA VIÇOZA, // PADROEIRA DO REYNO. // Por SOROR THOMASIA CAETANA / DE SANTA MARIA, // Religioza Professa no Preclarissimo Conven- // to de Santa Cruz de Villa Viçoza. // Dada à luz por seu pay // MANOEL DE MIRA VALADAM, // Cirurgiaõ approvado nesta Corte. //LISBOA, // Na Officina de Pedro Ferreira, Impressor da Fidelissima // Rainha Nossa Senhora. Anno do Senhor 1763. // Com todas as licenças necessarias. In-8.º (22 cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Obra constituída por um soneto e uma glosa da autoria de D. Tomásia de Santa Maria, que precede as Licenças do Paço e a confirmação do Santo Ofício e Ordinário. O opúsculo fecha com um elogio à autora, sob a forma de soneto, pelo poeta Caetano Xavier de Zuniga.

"Consolai-vos, Senhora, no motivo,
Que vos cauza a sentir taõ grande pena,
Pois ter hum Filho morto, no Cèo vivo,
He gloria de huma Mãy , e naõ pequena;
Servir-vos-hà na dór de lenitivo,
Esta disposiçaõ, que o Cèo ordena,
Submergi essa magoa taõ forçoza,
Pre-excelça Princeza lastimoza."

(Glossa, I)
 
Soror Tomásia Caetana de Santa Maria (1719-17--). "Religiosa professa de Santo Agostinho, no Convento de Santa Cruz de Vila-Viçosa, onde fez profissão solene a 15 de Outubro de 1732. Nasceu em Lisboa, a 78 de Março de 1719, filha de Manuel de Mira Valadão e D. Josefa Maria. A obra de Soror Tomásia Caetana constitui um dos últimos legados impressos da produção poética conventual feminina do século XVIII."
(Fonte: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/artigo8071.pdf)
Exemplar desencadernado em bom estado geral de conservação. Frágil, com manchas e picos de oxidação.
Raro.
Indisponível

13 julho, 2024

TASSO, Torquato -
IL GOFFREDO // OVVERO // LA GERUSALEMME // LIBERATA, // POEMA EROICO // DEL SIGNOR // TORQUATO TASSO, // Con gli Argomenti a ciascun Canto //  d'incerto Autore. //
IN VENEZIA, // MDCCXLVI. // APRESSO TOMMASO BETTINELLI // Con Licenza de' Superiori. In-8.º (15,5x8,5 cm) de 463, [1] p. ; il. ; E.
Belíssima versão setecentista do imortal poema de Tasso (na língua materna, em italiano), obra originalmente editada 1581, descontando a cópia pirata de parte do poema feita a partir de um manuscrito roubado, publicado no ano anterior.
Livro ilustrado com bonitas gravuras em madeira assinalando cada um dos 20 cantos que compõem a obra.
"Jerusalém Libertada (Gerusalemme liberata) é um célebre poema épico do poeta italiano Torquato Tasso, publicado pela primeira vez em 1581. O poema narra uma versão ficcional da Primeira Cruzada, onde os cavaleiros cristãos, liderados por Godofredo de Bulhão, combatem os muçulmanos a fim de levantar o Cerco de Jerusalém. O poema é composto em stanze de oito versos distribuídos por oito cantos de extensão variável. O poema tem uma base histórica factual, elaborando sobre um episódio ocorrido em 1099. Teve grande repercussão na sua época pois coincidiu com a expansão do Império Otomano, que os povos europeus encaravam como uma ameaça. Uma das características mais marcantes no texto é o conflito entre os impulsos do coração e as demandas do dever, como acontece no amor infeliz entre Tancredo e Clorinda, sendo ele cristão, e ela muçulmana."
(Fonte: Wikipédia)
Torquato Tasso (Sorrento, 1544 - Roma, 1595). "Foi um poeta italiano, contemporâneo de Ariosto, universalmente conhecido pelo poema La Gerusalemme Liberata (A Jerusalém libertada), de 1581, no qual descreve os combates imaginários entre cristãos e muçulmanos, no fim da Primeira Cruzada, durante o Cerco de Jerusalém de 1099."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação coeva em pele com título e autor gravados a ouro sobre rótulo negro.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado, com "esfoladelas" nas pastas e na lombada. F. rosto apresenta manchas e assinatura de posse (da época).
Muito invulgar.
Indisponível

27 fevereiro, 2023


PERDIGOTO, Domingos Gonçales – QUEIXAS // DE // AMARO MENDES // GAVETA, // Estudante na Universidade de Coimbra, // CONTRA PULGAS, PERSEVEJOS, BESTAS // de jornada, Arrieiros, Estalajadeiros, Lograntes, // Amas, Moços, Lavandeiras, Ruas, Falta // de divertimentos, &c. // ESCRITAS // EM OITAVAS PORTUGUEZAS, // E DEDICADAS // AOS NOBILISSIMOS, E PRECLARISSIMOS // PAYS DOS SENHORES ESTUDANTES // CONIMBRICENCES. // Para que vindo no conhecimento dos muitos trabalhos // que seus estudiosos filhos padecem na jornada, e Univer- // sidade, se dignem de lhes accrescentar as mezadas, // POR // DOMINGOS GONÇALES PERDIGOTO, // Vizinho do mesmo Amaro Mendes Gaveta, e assintente // debaixo dos seus quartos. // LISBOA: MDCCLXV. // Na Offic. De IGNACIO NOGUEIRA XISTO. // Com todas as licenças necessarias. In-8.º (19 cm) de 12, [4] p. ; E.
Paródia setecentista aos caloiros da Universidade de Coimbra, que tal como o conhecido Palito Métrico, "se assemelha mais a um Manual de Acolhimento, que coloca o novato ou caloiro no conhecimento do que o espera e o aconselha sobre a melhor forma de ultrapassar as dificuldades e ratoeiras da vida académica e da cidade".
O texto das Queixas é antecedido por um soneto dedicado aos pais dos estudantes e outro aos leitores, e nas 3 páginas finais (inumeradas) pelos Sonetos do Author do Palito Metrico, que constam de 5 sonetos: Definição de hum Calouro; Propriedades de hum Calouro; Pensoens que cá em Coimbra paga hum Calouro, e hum Novato aos Veteranos; Carta de guia, que o Author dá por obra de misericordia a hum Novato; Conselho saudavel a hum Novato.

"Deitou-se Amaro Mendes com desejo
De descançar do muito que estudava;
Mas apertando a pulga, e persevejo,
O pobre de enfadado se arranhava:
Sentia cada baba, como hum quejo,
Até que, por fugir da casta brava,
Deo abaixo da cama hum salto forte,
E passeando, se queixa desta sorte:

Saõ tantos os trabalhos nestes annos,
Que o coitado estudante em Coimbra colla,
Que bem posso affirmar, que só maganos
Aturaõ similhante corriolla:
Se, para descançar dos seus insanos
Trabalhos, no lançol homem se enrolla,
Saltando-lhe no corpo esta canalha,
Cada picada he golpe de navalha."

(Excerto do poema)

Encadernação em meia de percalina com título gravado a ouro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

05 novembro, 2022

PIA, M., e GARDANNE, M. - AVISOS // INTERESSANTES // SOBRE AS MORTES APPARENTES: // RECOPILADOS DA COLLECÇAÕ // DA // SOCIEDADE HUMANA // DE INGLATERRA, // DAS OBRAS // DE // M. PIA, E M. GARDANNE. // LISBOA // Na Offic. da Acad. Real das Sciencias. // Anno M. DCC. XC. // Com licença da Real Meza da Comissaõp Ge- // ral sobre o Exame, e Censura do Livros. In-8.º (15,5 cm) de 30, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Interessantíssimo tratado setecentista sobre a morte aparente, e as formas de distinguir esta da morte real, questão momentosa, que afligia as pessoas nesse tempo.
Raro e muito curioso. Constitui, por ventura, o primeiro manual de primeiros socorros escrito em língua portuguesa.
Obra dividida em duas partes, reportando à morte por asfixia - pela água e por inalação -, por certo, as "mortes aparentes" com maior incidência na época.
Sobre este assunto, e sobre esta obra em particular, com a devida vénia, reproduzimos parte de um artigo de Rafael Campos inserto em História e Ciência - Ciência e Poder na primeira Idade Global.
"Na viragem do século XVIII para o XIX, os avisos foram obras bastante específicas e dedicadas à instrução pública da saúde, motivadas principalmente pela ideia de que o saber (popular) empregado nos campos era nefasto para a saúde dos povos. [...]
 Os avisos eram obras de escrita simples, condizente com os ideais de popularização perpetrados pela Ilustração e também com a referida ideia de que a medicina feita nos campos era atrasada e pouco “científica”, posto que praticada quase exclusivamente por iletrados e curandeiros. [...]
No contexto do Império português, diversos avisos foram publicados ou traduzidos, sendo que a participação de portugueses da América não foi menor nesta empreitada. Mesmo após o Avis de Tissot (1761), não foi publicada em Portugal nenhuma obra especificamente alistada com o tema, apenas passados 25 anos outro aviso veio a lume. Um texto que era na verdade a tradução do Avis de Tissot, realizada por Manuel Joaquim Henriques de Paiva. [...]
Mas no mesmo ano em que publicava os dois volume da sua tradução do aviso de Tissot, Henriques de Paiva redigiu um aviso. Dos seus primeiros textos deste gênero, que “avisava” sobre questões singulares que inquietavam toda a gente, este tratava das então ditas mortes aparentes, que compreendiam um rol de doenças e eventos pouco conhecidos e para aquela altura de difícil identificação. Henriques de Paiva dedicou especial atenção sobre os meios de se realizar os socorros e distinção dos diferentes tipos de asfixia, pois segundo ele o “[…] estado dos sujeitos nas diferentes asfixias é em geral quase sempre o mesmo […] está a respiração suspendida por falta de ar livre e puro”. [...]
A partir de então, diversos outros avisos chegaram ao conhecimento público em solo luso. O primeiro destes foi uma tradução de Francisco Manoel de Oliveira de textos publicados na Human Society que igualmente versavam sobre as mortes aparentes. Neste Avisos interessantes à humanidade, a maior atenção estava mesmo depositada na temerosa ideia de que uma pessoa poderia ser considerada morta, por diversas razões, e então sepultada viva. Assim, pretendia-se “acautelar o género humano contra as enganosas aparências da morte”. Do ponto de vista formal, este aviso difere dos demais, pois continha diversas cartas e até mesmo um sermão, que relatara, dentre referências bíblicas da ressurreição de Cristo, um caso de um “morto trazido à vida”, ou  nos termos de então de uma “restauração de qualquer vida”. Ainda sobre esta temática das mortes aparentes, foi publicado pela Academia das Ciências de Lisboa um aviso compilado da Human Society dos textos de Joseph-Jacques de Gardanne e Philippe Nicolas Pia. Mas este aviso é na verdade uma versão particular do documento referido acima, com uma linguagem ainda mais simples e clara, e sem trazer as cartas e os sermões publicados no aviso que ficou sob os cuidados de Carlos Murray."
(Fonte: CAMPOS, Rafael Dias da Silva, Saúde e poder em Portugal na virada dos séculos XVIII e XIX, o caso dos Avisos ao público in História e Ciência - Ciência e Poder na primeira Idade Global, FLUP, 2016)
"He indubitavel que em muitos exemplos de apparentes mortes repentinas, e ainda mesmo em certas enfermidades, que segundo as apparencias destroem o genero humano, póde ter ligar huma suspensaõ das potencias vitaes, independentemente da absoluta extincçaõ da vida, e presentemente he maxima estabelecida, que o frio do corpo, a insensibilidade dos membros, e a falta dos sentidos externos, saõ huns finaes de morte muito duvidosos, e enganadores. Para acautelar contra estas apparencias de morte, brevemente se fará mençaõ daquelles cazos, em que com frequencia contumaõ succeder, e dos meios conhecidos de os prevenir, e remediar."
(Prefacio)
"Logo que hum affogado he tirado da agoa, o primeiro cuidado he despillo, e alimpallo immediatamente com hum pano, para lhe enxugar toda a superficie do corpo, e cabeça: cobrir lhe a cabeça com hum barrete de lã; e o corpo com a camiza de baeta, ou com hum capote, ou cobertor de lã.
Sendo necessario conduzir o corpo para algum lugar mais conveniente, haja muito cuidado em o naõ molestar, nem pegar-lhe com violencia, ou conduzillo aos hombros com a cabeça pendente para baixo, e muito menos rolando-o pelo chaõ, ou sobre barril, nem levantallo pelos pés, com pretexto de lhe fazer lançar a agoa. Pois a experiencia tem mostrado que estes methodos saõ prejudiciaes, e destroem os pequenos restos de vida que o doente ainda tem."
(Excerto do Cap. I - Do modo de administrar aos Affogados os socorros necessarios para os restabelecer)
"As asfyxias, impropriamente chamadas suffocaçaõ, causadas pelo vapor do carvaõ acceso, cujo uso he diariamente indispensavel, e em algumas artes como a de Cerieiro, Dourador &c., se podem prevenir, tendo sobre o brazeiro hum vazo de abertura larga cheia de agoa, com huma pequena quantidade de vinagre. [...]
Tendo succedido ter alguma pessoa suffocada; os que forem acodir he necessario que o façaõ com cautela, para naõ succeder o cahirem tambem suffocados. As cautelas he naõ entrar na casa sem ter feito abrir todas as portas, e janellas: e deitar bastante agoa pela casa, que he o verdadeiro especifico para distrahir a atmosfera a mosseta que causa o vapor do carvaõ acceso. Sem isto seria melhor, fazer uso de hum gancho para arrastar o doente para fóra, do que expôr-se a hum perigo evidente."
(Excerto do Cap. II - Do modo de remediar nas asfyxias causadas pelo vapor do carvaõ, ou outros mefytismos)
Matérias:
I - Do modo de administrar aos Affogados os socorros necessarios para os restabelecer; Recapitulaçaõ. Aviso Particular: Para os Arraes, e Companhias das Embarcações; Aviso Particular: Ás pessoas encarregadas da Caixa.
II - Do modo de remediar nas asfyxias causadas pelo vapor do carvaõ, ou outros mefytismos.
Encadernação recente, cartonada, com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
85€

05 abril, 2022

REGIMENTO // DO // TERREIRO // DA // CIDADE DE LISBOA // No Anno de 1779. // LISBOA // NA REGIA OFFICINA TYPOGRAPHICA. // ANNO DE MDCCLXXIX. In-4.º (27 cm) de 50, [2] p.
Alvará de Regimento. Estabelece novas regras para a "boa Administração, e Arrecadação do Terreiro, em beneficio do Público, do Commercio, e da Agricultura, fazendo cessar quaesquer outras".
1.ª edição.
"EU
A RAINHA. Faço saber aos que este Alvará de Regimento virem: Que tendo consideração ao muito que será util ao Público o estabelecimento de huma Administração fixa, e permanente para o bom governo, e economia do Terreiro da Cidade de Lisboa, que suposto tivesse o seu principio ha mais de tres seculos, se acha com tudo hoje inteiramente mudado, tanto na forma do seu edificio, como no methodo, com que he governado: E constando-me pelo Inspector Geral, que ultimamente para elle nomeei, que a experiencia tem mostrado o ser muito conveniente executarem-se as providencias, de que particularmente o encarreguei; e sendo por elle informada da grande utilidade, que póde resultar da observância dellas: Sou servida ordenar se cumprão, observem, e guardem todas as Disposições, que se compreendem neste Regimento, assim a respeito de cada hum dos Lugares, Officios, de que constão os Titulo e Capitulos, que lhe dizem respeito, como de todos os generos, que pelo mesmo Regimento devem entrar, e sahir do dito Terreiro: Pelo que annullo, como se nunca tivessem existido, quaesquer Regimentos, Alvarás, Decretos, e Provisões, que se tenhão expedido desde a erecção do referido Terreiro, em tudo o que se oppuzerem ao que por este novo Regimento Dettermino pela maneira abaixo declarada.
TITULO I.
Das pessoas empregadas da Administração do Terreiro; e qual seja a sua jurisdicção, e obrigações em geral. (§. - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X e XI)
TITULO II.
Das entradas, que devem dar na Meza do Terreiro todos os generos a elle pertencentes; sua formalidade, seus emolumentos, e penas, em que incorrem os que faltarem a ellas. (§. - I, II, III e IV)
TITULO III.
Das medições dos generos do Terreiro; Companhias, a quem pertence o trabalho dellas; preço que dever receber por este trabalho; e penas, em que incorrem os que as não fizerem pelo modo devido. (§. - I, II, III e IV)
TITULO IV.
Das providencias para se evitarem as desordens das medições, e pessimo alojamento dos géneros, que vindo para o Terreiro, são depositados nos armazens situados nas margens das Ribeiras do Sado, do Téjo, e do Guadiana. (§. - I, II, III, IV e V)
TITULO V.
Das descargas dos géneros do Terreiro; Companhias a que pertence o carreto dos mesmos generos; preço dos ditos carretos; e penas com que se devem cohibir as desordens das referidas Companhias, ou de outras, que com as ditas descargas se intromettão. (§. - I, II, III e IV)
TITULO VI.
Dos generos obrigados a irem ao Terreiro: dos exceptuados desta obrgação: dos que podem isentar-se della com licença: da formalidade dessas licenças: das Relações, que no fim do mez devem apresentar aos donos dos mesmos generos: e das penas, em que incorrem os que contravierem o que neste Titulo se dispõe. (§. - I, II, III, IV, V e VI)
TITULO VII.
Da introducção dos generos no Terreiro: Companhia, a quem pertence o carreto dos mesmos generos; preço dos ditos carretos; e penas com que se devem cohibir as desordens da dita Companhia, ou de outras, que com a sobredita introducção se intromettão. (§. - I, II, III e IV)
TITULO VIII.
Dos exames a que se deve proceder nas farinhas, que vem de fóra do Reino, antes que se introduzão no Celleiro para a sua venda destinado: diversas providencias a respeito dellas: e penas dos que faltarem a observar as ditas providencias. (§. - I, II, III e IV)
TITULO IX.
Da venda dos géneros no Terreiro, e sua formalidade: das medidas, de que se deve usar: das liberdades, que competem aos donos dos generos expostos á venda: e ordens que podem passar: dos Celleiros estabelecidos nos suburbios da Cidade: e lojas de farinhas da terra. (§. - I, II, III, IV, V e VI)
TITULO X.
Da sahida dos generos do Terreiro, e Companhia a que pertence: do modo, por que os Vendedores devem dar conta dessa sahida na Contadoria, e receber o Conhecimento para a entrega do produto dos generos na Thesouraria: da formalidade, que se deve observar na Contadoria com os donos dos generos; e Conhecimento, que se lhes ha de passar para receberem os seus pagamentos na Thesouraria: e do que se deve observar na mesma Thesouraria com os referidos pagamento." (§. - I, II, III, IV e V)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação. Orifícios de insecto, marginais.
Raro.
Peça de colecção.
50€