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05 junho, 2026

AZEVEDO, Maximiliano de -
ZEFA.
Peça em um acto. Original de... Representada pela primeira vez no theatro de D. Maria II a 24 de dezembro de 1907. Lisboa, Imprensa Luso-Africana, 1909. In-8.º (20x12,5 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Peça de teatro histórico cuja acção decorre no período da Guerra Civil Portuguesa, após o exílio de D. Miguel. Três fugitivos, partidários do rei absolutista, são traídos por Zefa, moça que procura vingar o pai, caído na guerra.
Obra invulgar, não mencionado na BNP.
"Um paul nos arredores de Castro Daire - chão rodeado de um muro de pedra secca, onde se põem a seccar os cereaes antes de irem a malhar nas eiras. - O muro, antecedido por uma berma, é no fundo e na esquerda, e tem nas duas faces uma abertura, sendo a do fundo mais larga, de modo que dê passagem a um carro; a altura orça pela da cintura de uma pessoa. - Á direita o palheiro com porta ao centro, colmado com palha de centeio. - Horisonte de ares avermelhado pelo crepusculo vespertino. - Duas ou tres pedras espalhadas pela scena podem servir de assento."
(Descrição da cena)
Maximiliano Eugénio de Azevedo (Funchal, 1850 - Lisboa, 1911). "Estudou no liceu da sua cidade natal e depois em Lisboa, na Escola Politécnica e na do Exército. Oficial de Artilharia, concluiu o curso em 1875. Foi tenente (1878), capitão (1884), major (1897), tenente-coronel (1903) e coronel (1911). Desde 1880 coadjuvou Latino Coelho na preparação da História Política e Militar de Portugal nos Fins do Século XVIII e Princípios do Século XIX e durante a sua carreira militar, foi várias vezes nomeado para missões culturais, como a organização da biblioteca e arquivo do Ministério de Guerra (1890) e para membro de uma comissão encarregada de elaborar a história da artilharia (1893). Fez várias viagens pelos países da Europa, em 1889, 1893 e 1900, apresentando longos e circunstanciados relatórios. Distinguiu-se como jornalista, sendo redactor do Jornal do Norte, de Lisboa, entre 1882 e 1884, e colaborou em várias revistas como a Ocidente, Revista das Sciencias Militares e Ilustração de Portugal e Brasil. Muito versado em teatro, escreveu e traduziu peças teatrais e no final da vida geriu o Teatro Normal, em Lisboa.
Jovem tenente já colocado nos Açores, em 1867, na Companhia de Artilharia N.º 1, ficando destacado na Horta, onde casou em 1879 com D. Valentina Morisson. Regressou à capital em 1881, onde fez o resto da carreira.
Da sua experiência insular, Madeira e Açores, tirou temática para o seu livro de contos Histórias das Ilhas, publicado em Lisboa, em 1899. J. G. Reis Leite (2002).
Obras Principais: (1889), Tiro das Bocas de Fogo. Lisboa, Tip. Adolfo, Modesto e Cª. (1892), Marchas e Estacionamentos. Lisboa, Tip. Adolfo, Modesto e Cª. (1899), Histórias das Ilhas (Reminiscências dos Açores e da Madeira). Lisboa, Parceria António Maria Pereira."
(Fonte: https://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/default.aspx?id=5085)
Exemplar em brochura, bem conservado. Carimbo (2) de Mário Portocarrero Casimiro na f. rosto.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

27 maio, 2026

LIMA, Gervásio - O VETERANO DA LIBERDADE (um acto em verso). (Expressamente escrito para ser representado na Praia da Vitória, na festa centenária da batalha de 11 de Agosto de 1829). Angra, Tip. Andrade, 1929. In-4.º (24x17 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Bonita peça de teatro comemorativa do primeiro centenário da Batalha da Praia da Vitória, na baía da então Vila da Praia, em que forças miguelistas intentaram um desembarque naquele trecho do litoral da ilha Terceira, nos Açores.
Obra rara, não mencionada na BNP.
"Madrugada de Agosto. Ouvem-se 21 tiros de peça - uma salva.
- Na Vila da Praia da Vitória, em 1879, um quarto modestamente mobilado, tendo na parede quadros alusivos à época. Um velho de 75 anos, vestindo a farda de veterano da Liberdade, voluntário da Rainha D. Maria II, está sentado junto duma janela que deita para o matr, meditativo. Entra uma criança de 8 anos, correndo de encontro ao velho e beija-o; êle acaricia-a. É uma neta."
(Excerto de O Veterano da Liberdade - introito)
Gervásio da Silva Lima (Praia da Vitória, 1876 - Angra do Heroísmo, 1945). "Foi um prolífico escritor açoriano com uma obra em prosa e em verso que inclui contos, teatro e ensaios nas áreas da etnografia e da história. Escreveu obras de pendor romântico, reveladoras do seu patriotismo e amor à terra em que nasceu, nas quais deu alma e corpo a heróis terceirenses, transformando-os em verdadeiros mitos populares. A ele se deve a mitificação em torno das heroínas Brianda Pereira e Violante do Canto e o alpendorar da batalha da Salga em evento de extraordinária heroicidade."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, impresso em papel de superior qualidade, bem conservado. Carimbo oleográfico da Biblioteca de Mário Portocarrero Casimiro na f. rosto.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

15 agosto, 2025

FARIA, Bento -
FÊBO MONIS : drama em 5 actos, em verso (século XVI). Representado, pela primeira vez, no Teatro S. Luiz em 22 de Junho de 1918. Lisboa, Editor: João Carneiro, 1919. In-8.º (19x12,5 cm) de 148 p. ; B.
1.ª edição.
Peça de teatro elaborada a partir do conhecido romance histórico de J. P. Oliveira Martins - Phebus Moniz - publicado originalmente em 1867.
"Esta peça nasceu da belissima impressão colhida na leitura da novéla histórica de Oliveira Martins, subordinada ao mesmo titulo e em que se debate o grande conflito patriotico do final do seculo XVI. O estoicismo admiravel de Fêbo Monis, mui conscenciosamente descrito nas páginas dêsse livro, encheu-me de entusiasmo pelo grande português, cuja nobreza de alma eu desejaria que fôsse conhecida de todos, nésta época de tão pronunciada decadencia moral.
Dominado por êste desejo e na convicção de que o teatro tem, sôbre o romance, a vantagem de falar aos que não sabem lêr, inspirei-me na obra do em iminente historiadôr e construí o drama."
(Excerto de Duas palavras antes)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel no canto superior direito.
Invulgar.
15€

28 julho, 2025

CIDADE, Hernani -
ZARA (Tempos de D. Dinis).
Um acto em verso, representado pela primeira vez em Leiria, em récita a favor do cofre da Liga dos Amigos do Castelo, a 10 de dezembro de 1915. Leiria, Tip. Leiriense, 1916. In-4.º (23,5x14,5 cm. Com [2], 22, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Peça de teatro histórica cuja acção decorre na zona de Leiria. Trata-se, julgamos, do primeiro trabalho do autor, publicado pouco antes de seguir para a Flandres, França, onde combateu integrado nas forças do CEP.
Inclui no final, em página inteira, partitura da música expressamente composta para a peça por José Zúquete.
Exemplar impresso em papel encorpado, muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.

"Tempos de D. Dinis.
Episódio da paisagem dos arredores de Leiria. Ao fundo, o Castelo, elegante e novo, recortando a distância, na penumbra que desce, o perfil épico e trovadoresco. Á E. uma casa de campo, alpender e escada exterior.
O velho mouro lê o Alcorão, enquanto a filha, dentro de casa, canta:

Fermosas flores do verde pinho,
que novas dais do meu amigo?
Ai, Deus, u é?
Minha alma alegra o seu carinho,
morre de frio sem seu abrigo,
Ai, Deus, u é?"

(Excerto da Peça)

Hernâni António Cidade (Redondo, 1887 - Évora, 1975). "Professor no Liceu Passos Manuel em regime provisório, em 1914 é já efetivo do Liceu de Leiria. Em prol da Liga dos Amigos do Castelo escreve os versos da peça em um ato Zara (Tempos de D. Dinis) (1916), representada em 1915, o que serve para ilustrar o “idealismo construtivo” que sempre pôs nos assuntos coletivos. Na Primeira Guerra, incorporado no Corpo Expedicionário Português, comanda com bravura e humanidade um pelotão na Flandres. Debaixo de fogo, vai à zona alemã resgatar feridos portugueses e recolhe na “terra de ninguém” ferido alemão moribundo. Condecorado com a Cruz de Guerra, feito prisioneiro na Batalha de La Lys, em 1918, aproveita para desenvolver o conhecimento da língua alemã e vai divulgando a literatura portuguesa entre estrangeiros e compatriotas. Em 1956 haveria de ser agraciado pela França com a Legião de Honra.
Regressado, em 1919 entra para o corpo docente da recém-fundada Faculdade de Letras do Porto, contratado para o grupo de Filologia Românica. Terá a seu cargo cadeiras de literatura — portuguesa, francesa, italiana — e de «linguística» — Filologia românica, Gramática comparada das línguas românicas, Filologia portuguesa. Chega a catedrático, mas a Faculdade de Letras do Porto é extinta em 1928. Até ao encerramento efetivo da mítica faculdade, ensina também no Liceu Rodrigues de Freitas. Nesta década portuense publica bastante na Águia e estreita laços com colegas com quem mais tarde haveria de colaborar na História de Portugal dita de Barcelos ou na menos ambiciosa História de Portugal da Lello, de cujo quarto volume se encarregou. E decerto se refletiu na maneira de conceber o ensino a proximidade entre professores e alunos marca da faculdade ideada por Leonardo Coimbra.
Em 1930 integrará o grupo de professores da Faculdade de Letras de Lisboa, apresentando-se a concurso para a cátedra com a dissertação a A obra poética do Dr. José Anastácio da Cunha — com um estudo sôbre o anglo-germanismo nos proto-românticos portugueses (1930) e a lição, «à escolha», Fernão Lopes é ou não o autor da “Crónica do Condestabre”? (1931). Colabora com a Seara Nova, por 1934, e com Joaquim de Carvalho e Mário de Azevedo Gomes dirige o Diário Liberal (1934-1935). Conotado com a oposição ao Estado Novo, mesmo se não o caracterizavam as atitudes mais sonoras e se, à época, já se ia afastando da luta contra a implantação do regime, em 1935 o seu nome constaria da conhecida lista de professores a serem exonerados, valendo-lhe o ora colega germanista ora ministro germanófilo Gustavo Cordeiro Ramos, que fora seu contemporâneo em Évora. Estudantes e alguns colegas desagravam-no na Homenagem aos Professores Mário de Azevedo Gomes, Hernâni Cidade, Joaquim de Carvalho (1935), onde os alunos de Letras o epitetam como “o mais amado e o mais respeitado dos mestres”."
(Fonte: https://dichp.bnportugal.gov.pt/historiadores/historiadores_hernani_cidade2.htm)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
25€

08 janeiro, 2023

CUNHA, Sebastião Pereira da - O SAIO DE MALHA : drama historico e original, em tres actos
. Vianna, Typographia Silva Braga, 1893. In-8.º (21 cm) de 85, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Peça histórica em verso cuja acção decorre em Portugal, no século  XIII. "O 1.º e 2.º actos passam-se na freguezia de Airó, junto a Barcellos, e o 3.º em Braga nos paços do arcebispo D. João Egas. Epocha; 1245 a 1248."
Exemplar com dedicatória autógrafa de António Pereira da Cunha, filho do autor.

Egreja rustica na freguezia de Airó. Em frente a serra do mesmo nome e ao lado a cabana palhiça de Martim Peres. Á porta da parochial, sentado em uma cadeira de pedra, João Annes, o abbade da freguezia, acaba de fazer a catechese e diz dirigindo-se ao grupo de vilões, que respeitosamente o tem escutado:

Terminou a oração. Agora, podeis ir
Filhos em Jesus Christo. Ide folgar e rir.
Raparigas, cuidado! A honra da donzella
É grão thesoiro, e, como a chamma de uma vella,
Qualquer sopro a desfaz. Folgae, mas sêde honestas.
Moços, amae a Deus, a patria, e as vossas béstas.
Combatei pela cruz, que a guerra é santa quando
Tem por fim destruir as hostes do nefando
Propheta Mahomet.

(Excerto da 1.º Acto - Scena I)

Sebastião Pereira da Cunha (1850-1896). "Nasceu em Viana do Castelo, a 9 de fevereiro de 1850 e faleceu a 20 de setembro de 1896, na mesma cidade. Senhor do Castelo de Portuzelo por sucessão, poeta e prosador como seu pai, [António Pereira da Cunha] - coronel de milícias de Viana, e combatente na Guerra Peninsular. Publicou a maior parte da sua obra em Viana do Castelo. Participou na revista literária Pero Galelo no ano de 1882, dirigiu e criou juntamente com João Caetano da Silva Campos e Rocha Páris, no jornal Bandeira Branca em 1893. Autor de uma obra literária diversificada, na qual se incluem O saio de malha (1893) e o ensaio, Os heróis de África (1895). Mas foi sobretudo como poeta ultra-romântico que se destacou, sendo as suas obras mais conhecidas, Martim de Freitas, datada de 1887, A cidade vermelha de 1894 e Serões de Portuzelo do ano de 1928 (“Vida Cultural em cidades de província,” n.d.)"
(Fonte: Martins, Sara Filipa Ramos Martins, O Castelo de Portuzelo: Análise interpretativa de uma construção romântica, Universidade do Minho-Escola de Arquitectura, 2019)

Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na ombada. Conserva a capa frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Capa frágil, algo oxidada.
Raro.
Indisponível

09 dezembro, 2021

AGUIAR, Manoel Caetano Pimenta de - D. JOÃO I. Tragedia. Por... 
Lisboa: Na Impressão Regia. Anno 1817. Com Licença. In-8.º (15,5 cm) de 106, [4] p.
1.ª edição.
Peça histórica. Trata-se de um drama em verso sobre os acontecimentos que antecederam a restauração da independência nacional, em 1640, incluindo o episódio da morte do Andeiro às mãos do Mestre de Aviz.
"Quasi no fim do XIV seculo se vio Portugal ameaçado de perder a sua existencia politica, que com tanta gloria havia sustentado desde o meio do XII, debaixo do heroismo de seu fundador, e dos Augustos Monarchas que lhe succedêrão.
D. Fernando, IX Rei de Portugal, casou sua unica filha e Infanta D. Brites com D. João Rei de Castella, contra a vontade da Nação, que presagiava neste consorcio as mais funestas consequencias, as quaes se verificárão por morte de D. Fernando.
Nomeou este, em seu testamento, a sua mulher, a Rainha D. Leonor, Regente do Reino, em quanto sua filha não tivesse descendencia, pois se tinha estipulado, tanto no tratado de paz, como no contracto de casamento, que o primeiro filho viria para Portugal, e seria acclamado Rei.
Porém o ambicioso Rei de Castella quiz, logo depois da morte de D. Fernando, fazer acclamar sua mulher, Rainha de Portugal, e desta sorte completar a absurda politica de seus antecessores.
A Regente do Reino, instada pelo amor maternal, ameaçada pelas armas de Castella, seduzida pelos perfidos conselhos de seu particular favorecido, João Fernandes Andeiro, Conde de Ourem, Castelhano de Nação, e por alguns Fidalgos, que apoiavão illudidos esta atroz maquinação, entrava como parte essencial nas vistas de seu genro.
Para darem rapido impulso a este projecto, convierão, que logo depois das exequias do Rei, fosse solemnemente acclamada D. Brites, Rainha de Portugal, como legitima successora de D. Fernando. Verificou-se este acto escandaloso, porém como nelle se ofendia a lealdade e brio Portuguez, houverão tantos tumultos populares, principalmente em Lisboa, Santarém, e Elvas, que os que lancavão os pregões forão obrigado a fugir, para salvarem as vidas, ameaçados pela indignação do Povo. [...]
Restava com tudo hum heróe, destinado pela Providencia, para salvar a Náo do Estado, combatida das mais furiosas tempestades. D. João, Mestre de Avis, filho natural de D. Pedro I. e irmão de D. Fernando, por suas brilhantes qualidades era o idolo da Nação. Possuia em alto gráo o valor, a prudencia, a justiça, a liberalidade, e todas as virtudes dignas do Throno."
(Excerto do Argumento)
Manuel Caetano Pimenta de Aguiar (1765-1832). “Poeta e dramaturgo. Foi representante da ilha da Madeira nas Cortes Constituintes de 1822 a 1823, tendo sido também deputado, pela Madeira, para a sessão legislativa de 1826 a 1828. Escreveu muitas tragédias de que se conhecem dez: Virgínia (1815); Os Dois Irmãos Inimigos (1816); D. João I (1817); Destruição de Jerusalém (1817); Conquista do Peru (1818); Eudoxa Licinia (1818); Morte de Sócrates (1819); Carácter dos Lusitanos (1820); Arria e D. Sebastião em África. Existe uma tradução francesa da obra Carácter dos Lusitanos publicada em Paris (1823), por Ferdinand Denis.
Nasceu na ilha da Madeira, na freguesia da Sé, a 16 de maio de 1765 e faleceu, com 67 anos, em Lisboa, na R. Direita da freguesia de São Paulo, a 19 de fevereiro de 1832, vítima de um ataque apoplético. Foi sepultado na igreja paroquial de S. Paulo. Alguns conhecedores da sua obra consideram-no precursor de Almeida Garrett, nomeadamente no que diz respeito à criação do teatro trágico nacional, evidenciando, assim, a importância de Pimenta de Aguiar na história da literatura portuguesa. Muito reconhecido no seu tempo, as suas tragédias, contextualizadas pelos defeitos próprios da época, evidenciavam, sem dúvida, a sua originalidade, um estilo distinto e uma elegância admirável, características pouco comuns naquele período, pelo que o autor era frequentemente aclamado com entusiasmo pelo público. Nascido numa época privilegiada da intelectualidade portuguesa, foi um estilista inteligente e original. No seu Résumé de L’Histoire Littéraire du Portugal, Ferdinand Denis refere-se-lhe de modo bastante lisonjeiro. Ilustre madeirense e distinto escritor, que seguiu a causa de D. Pedro IV, patriota zeloso e intransigente na defesa da independência nacional, M. C. Pimenta de Aguiar não ficou conhecido entre os madeirenses. Contudo, e apesar de ter residido fora da Madeira a maior parte da sua vida, a Câmara Municipal do Funchal decidiu atribuir o seu nome a uma travessa da cidade."
(Fonte: http://aprenderamadeira.net/aguiar-manuel-caetano-pimenta-de/)
Exemplar desencadernado, por aparar, em bom estado de conservação.

Raro.
25€

26 julho, 2021

FERREIRA, Rafael - DA FARSA À TRAGÉDIA.
Teatros, circos e mais diversões de outras épocas
. Pôrto, Domingos Barreira - Editor, 1943. In-8.º (19 cm) de 207, [3] p. ; mto il. ; B.

1.ª edição.
Importante subsídio para a memória do entretenimento, das actividades lúdicas e passatempos populares de outros tempos. Livro que trata dos divertimentos antigos - desde o teatro do tempo de Gil Vicente ao teatro de revista, magia, oratórias, circos, ilusionismo, entre outros." (Museu da Marioneta). Obra com interesse histórico, cultural e etnográfico.
Muito ilustrado ao logo do texto e em página inteira com bonitos desenhos e fotogravuras a p.b.
"As minhas recordações dos saltimbancos vêm de muito criança, dos tempos em que êles se exibiam por essas ruas de Lisboa, onde estendiam velhos tapetes para realizarem exercícios de acrobacia, no que se mostravam não menos peritos, durante os entrudos, certos elementos das celebradas «danças da luta».
Grupos de ciganos, ou «domadores» isolados, faziam bailar macacos, cães e ursos, ao som de tambores e de pandeiros e, na praça do Campo de Santana, em tardes em que não havia touradas, «troupes» de árabes se exibiam também em vistosos trabalhos acrobáticos.
Quanto a circos, especialmente construídos para apresentação dêsses trabalhos, de números eqüestres, de animais amestrados e de intermédios cómicos e pantomimas - os «cavalinhos», como muitas pessoas lhes chamavam, - as minhas reminiscências conduzem-me ao do Price, à esquina da praça da Alegria para a rua do Salitre..."
(Excerto de Coliseus, palhaços e «cavalinhos»)
Índice:
As peças de costumes populares (De Gil Vicente a Gervásio Lobato e D. João da Câmara). | Monólogos e Cançonetas (De Taborda e Santos Pitorra a Adelina, Alegrim e Amarante). | O velho Gimnásio (Os seus grandes cómicos e a sua camaradagem). | As antigas revistas (Os seus «compères» e as suas «estrêlas». | O «dramalhão» (Nos teatro populares e no normal). | Reinado das Operetas em Portugal (Da «Gran-Duquesa» à «Viúva Alegre»). | Teatro romântico (O que êle foi em França e em Portugal). | As mágicas (Alegria das crianças e distracção dos adultos). | O teatro histórico em Portugal (Ilustres escritores o dignificaram). | As oratórias ( Santo António e outros Santos através os palcos). | O «vaudeville» e as peças num acto (Artistas portugueses que lhe emprestaram todo o seu talento. | Tragédias e paródias. | A alegria dos artistas (Nos palcos e nas «tournées»). | Os teatros particulares e os «furiosos» dramáticos. | Coliseus, palhaços e «cavalinhos». | A psicologia dos palhaços. | Bonifrates ou Fantoches. | Animais sábios. | Ilusionismo e prestidigitação. | O Carnaval português de outras épocas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

22 janeiro, 2021

VICENTE, Alípio da Silva - HEROIS DE PORTUGAL. Heroes de ontem : Nuno Alvares. Heroes de hoje : Nas trincheiras.
[Por]... Tenente de infantaria. Edição do Autor
. Braga, Of. Gráf. da «Pax», 1932. In-8.º (21 cm) de 142, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra bonita e interessantíssima composta por duas peças: Heroes de ontem, peça em 3 actos cujo protagonista é D. Nuno Álvares Pereira; Nas trincheiras, peça em 1 acto e 1 quadro sobre a Grande Guerra, que o autor dedica "ao seu ilustre comandante Coronel António Lopes Mateus, alma de português e de soldado, e a todos os camaradas de Infantaria 14".
Tiragem de 500 exemplares numerados e rubricados pelo autor, sendo 150 em papel «vergé». O presente, leva o n.º 119, e pertence à tiragem especial.
Junta-se uma folha volante (29x19 cm) de propaganda ao livro com o título: "Acaba de sair o livro: [Reprodução da capa] que todo o bom português deve possuir na sua biblioteca".
"No cimo da serra de Aire, entre o agreste do campo, e o céu azul de Portugal - na Cova da Iria - como se fosse um ninho de aguias, acampam as mesnadas de Nuno Alvares. Ao centro da serra a tenda do grande heroi
É noite luarenta de agosto e vespera de Aljubarrota."
(Sinopse do 1.º acto - Vesperas)
"A cena mostra-nos um reduto, ao cair da noite.
Ao fundo, o Cristo de Neuve Chapelle domina, erguido no meio de um montão de destroços - como um grito de protesto contra aqueles que, desprezando a sua doutrina de amor e caridade, se lançaram numa luta de ódios - a vasta campina revolvida pelas granadas.
Ao fundo, à direita, a entrada para o abrigo.
Durante o acto ouve-se o rebentar das granadas e o matraquear das metralhadoras.
Os very-light iluminam, a espaços, a cena.
Os soldados teem chapeu e ferro e a máscara."
(Sinopse do acto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas com defeitos marginais; lombada apresenta pequena falha de papel na extremidade superior. 
Com uma dedicatória de oferta (do autor?) a uma sua amiga.
Muito raro.
Com interesse histórico e bibliográfico.
Indisponível

07 novembro, 2018

ALVES, Rafael - VAE ALTA A LUA... OU UMA TRAGÉDIA EM BARRÔNHOS! Tragi-comédia de capa (de borracha) e espada. Peça Guigñolesca cinematrografica em prologo e 1 acto dividido em 18 scenas, parte em prosa e parte n'uma «COISA...» que ás vezes até parece verso. Lisboa, Livraria Portugueza de Ferreira & Franco Ltdª. : Livreiros editores, 1926. In-8.º (19cm) de 54, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa (e estranha) peça de teatro, porventura a mais insólita da bibliografia Inesiana.
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia geral de Inês de Castro.
A BNP possui apenas um exemplar registado no seu acervo.
15€

18 setembro, 2018

CARVALHO, Licinio F. C. de - OS DOUS PROSCRIPTOS OU O JUGO DE CASTELLA. Drama historico em cinco actos e seis quadros. Por... Porto, Typ. de J. L. de Sousa, 1850. In-8.º (20cm) de [2], 174, [2] p. ; [4] f. il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada em separado com quatro estampas - o retrato do autor, e três cenas históricas.
"Esta peça teve várias edições e, segundo Jorge de Faria, "até há pouco, notavelmente adulterada, se exibia em palcos brasileiros no primeiro de Dezembro".
À casa do Duque de Bragança chegaram alguns proscritos, há muito afastados da pátria, mas que agora tencionam ajudar a libertar da ocupação filipina. Aqui se encontram 40 fidalgos que, depois de debaterem a situação, combinam levar a cabo, no dia 1.º de Dezembro, uma conjuração.
Um desses proscritos, D. Álvaro de Abranches, fora levado pela Inquisição a professar, depois de o fazerem acreditar que a sua amada, D. Maria de Vilhena, tinha morrido. Pretende agora que Roma anule os seus votos para poder desposar Maria, no que sofre a rivalidade de um castelhano, La Puebla. Este conflito de interesses vai fazer despoletar inúmeras peripécias, verosímeis apenas neste real construído, acabando La Puebla por morrer, permitindo, finalmente, que Álvaro e Maria gozem o seu amor, num Portugal agora já liberto do jugo castelhano."

(Fonte: http://ww3.fl.ul.pt/biblioteca/biblioteca_digital/publicacoes/th/obras/ULFLOM02470/ULFLOM02470_item1/index.html)
Licínio Fausto Cardoso de Carvalho (1827-1854). "Foi engenheiro nas obras públicas do Porto. Na contenda civil de 1846-47 serviu como oficial no corpo de "Fuzileiros da Liberdade" sob ordens da Junta do Porto. Publicou dois volumes de teatro. O primeiro, de 1850, inclui o drama histórico Os dois proscritos ou O jugo de Castela, a que depois no Brasil, [em 1854], deram o nome de Dois proscritos ou a restauração de Portugal em 1640, e que foi representado com imenso êxito. O segundo volume, publicado em 1854, inclui o drama heróico O Rajah de Bounsoló, precedido de um estudo intitulado "História da origem da arte dramática".
(Fonte: http://ww3.fl.ul.pt/biblioteca/biblioteca_digital/publicacoes/th/html/carvalho-licinio.html, com correcções)
Encadernaçãop simples em meia de pele. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado, fendido junto à lombada. Páginas apresentam, aqui e ali, manchas de oxidação.
Raro.
A BNP tem apenas um exemplar registado no seu acervo.
25€

18 janeiro, 2018

HOGAN, Alfredo - IVANHOE : drama em cinco actos e nove quadros extrahido do romance de Sir Walter Scott Ivanhoe ou a volta do Cruzado. Por... Lisboa, Typ. da Rua da Bica de Duarte Bello, N.º 55. 1849. In-8.º (20,5cm) de 111, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Adaptação para teatro da visão muito particular de Hogan, "com significativas modulações de personagens, situações e temas", do romance Ivanhoe, de Walter Scott, considerado o primeiro romance histórico da corrente literária do Romantismo.
"Ahi vai então, o meu segundo drama - Ivanhoè - extrahido do romance do mesmo titulo, de Sir Walter Scott. Foi uma escolha temeraria, a d'esse romance, para extrahir o meu segundo drama; mas só o conselho de um amigo meu, em quem confio, e pessoa de reconhecido merito litterario, a tal me induziu.
Li pois com attenção o romance que me fôra indicado, estudei-o, procurei entende-lo, e meditando sobre o grande trabalho a que me propunha, como o de apresentar no curto espaço de um drama, o desinvolvimento das paixões, que um romance largamente nos descreve e apresenta; cingir a preceitos e regras estabelecidas os episodios que um bom romance nos descreve sem que observe mais do que a naturalidade e elegancia d'acção; não me poupando emfima trabalho algum, depois d'algumas vigilias, consegui o meu segundo drama.
Fallar sobre o seu assumpto, seria desnecessario, que ninguem ha ai, que não tenha lido o melhor romance de Sir Walter Scott, a melhor pedra da sua corôa litteraria."
(Excerto do preâmbulo, Ao publico)
Alfredo Possolo Hogan (1830-1865). "Nasceu e faleceu em Lisboa. Funcionário dos correios, cultivou a literatura negra, tornando-se um romancista e um dramaturgo bastante popular em Lisboa. Nas suas obras notam-se influências de Eugène Sue e Alexandre Dumas. Escreveu vários romances históricos: Marco Túlio ou o Agente dos Jesuítas (3 vols, 1853), Mistérios de Lisboa (4 vols, 1851), Dois Ângelos ou Um Casamento Forçado (2 vols, 1851-1852), etc. Das peças de teatro, destacam-se: Os Dissipadores (1858), A Máscara Social (1861), Nem Tudo que Luz É Oiro (1861), A Vida em Lisboa (em parceria com Júlio César Machado, 1861), O Dia 1.º de Dezembro de 1640 (1862), As Brasileiras; Segredos do Coração e O Colono. Foi-lhe atribuída (e com propriedade) a autoria do romance A Mão do Finado (1853), publicado anonimamente em Lisboa, pretendendo ser a continuação de O Conde de Monte Cristo de Alexandre Dumas."
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capa frontal. Pelo interesse e raridade, a justificar trabalho de encadernação.
Raro.
Indisponível

21 setembro, 2017

WILDE, Oscar - SALOMÉ : drama em um acto. Tradução de António Alves. Paris-Lisboa, Livraria Aillaud e Betrand : Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves : Pôrto, Livraria Chardron, [1920]. In-8.º (19cm) de 117, [3] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição portuguesa.
Ilustrada com uma magnífica estampa a cores extra texto, impressa sobre papel couché, e com dois bonitos desenhos no texto, no início e no final da peça.
Salomé, é uma tragédia do escritor irlandês Óscar Wilde. A versão original da obra, escrita em francês, foi publicada em 1891, conhecendo tradução para inglês três anos depois.
A peça em um acto, conta a história bíblica de Salomé, sobrinha de Herodes Antipas, o Governador da Galileia que, a seu pedido, mandou decapitar S. João Baptista para premiar a dança dos sete véus que antes interpretara.
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Pastas algo manchadas. Assinatura possessória na f. anterrosto, rosto e 1.ª p. texto.
Pouco comum.
15€

28 agosto, 2017

TAVARES, Rubem - DRAMA EM TRES ACTOS. Genova, Stabilimento Tipo-Litografico Pietro Pellas FU L., 1902. In-8.º (11,5x19,5cm) de 161, [3] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Curioso drama histórico dos tempos bíblicos.
Bonita edição, impressa em papel de superior qualidade, com um retrato do autor em extratexto.
Livro valorizado pela sua dedicatória manuscrita ao Dr. Sousa Viterbo.
Sobre Rubem Tavares, pouco foi possível apurar, a não ser que tem listado na Biblioteca Nacional uma outra obra: Pelo theatro : ensaios e cronicas, de 1899, igualmente publicado em Génova, pela mesma casa editora.
"«Sou o primeiro que não sei classificar este livro, nem isso me afflige demasiado». O grande vulto das lettras  portuguezas, Alexandre Herculano, o disse nas «Notas» ao seu immorredoiro Eurico. [...]
Não pretendi escrever um drama religioso-historico. Com a imaginação, sem disvirtuar, de accordo com algumas autoridades no assumpto, preferi os traços geraes que se condensassem entre si para tirar proveito e lições á moderna sociedade. Assim explico que, apezar das personagens, a acção reflecte os ideaes dos tempos modernos. [...]
É por isso que não dei cunho religioso ao meu drama; todavia tive a cáutela de collocar o personagem, heróe, em linha superior aos demais."
(excerto das Considerações)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Sem registo na BNP.
20€

14 maio, 2017

DANTAS, Julio - SANTA INQUISIÇÃO : peça em 4 actos e 1 quadro. Lisboa, Livraria Classica Editora de A. M. Teixeira & C.ta, 1910. In-8.º (19cm) de 205, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Rara edição original desta peça de índole histórica cuja acção se desenrola no século XVII. Estreada em Lisboa, no Teatro Dona Amélia (actual São Luiz), em 18 de Março de 1910.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
Júlio Dantas (1876-1962). "Nasceu em Lagos, a 19 de Maio de 1876. Ingressou, em 1886, no Colégio Militar, onde se manteve até 1892.Foi admitido na Escola Médico-Cirúrgica em Lisboa onde, em 1900, se licenciou em Medicina. Médico militar, entre 1902-1903, desenvolveu posteriormente larga actividade como escritor e professor de arte dramática no Conservatório (1909-1930). Foi comissário do Governo junto do teatro D.Maria II entre 1906 e 1912, director da secção de arte dramática do Conservatório (1909-1912), inspector das Bibliotecas Eruditas e Arquivos, de 1912 a 1916, presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais (1925-1926), professor e inspector do Conservatório Nacional (1930-1935). Autor multifacetado – teatro, poesia, conto, romance, tradução e ensaio – viu, na época, alguns dos seus textos alcançarem grande êxito, mais tarde adaptados a óperas, operetas e cinema. O drama e o romance histórico, tendo como findo o século XVIII, grangearam alguma projecção, mas também a crítica acerada de autores modernos de que é paradigma Almada Negreiros através do conhecido Manifesto Anti-Dantas. Passou pelos partidos Reconstituinte, Progressista e Nacionalista. Convidado por Bernardino Machado, em 1914, para ministro dos Negócios Estrangeiros, só entraria para o executivo quando ocupou a pasta da Instrução entre 21 de Outubro e 20 de Novembro de 1920, experiência logo repetida entre 20 e 30 de Novembro do mesmo ano. Regressou ao Governo por mais duas vezes, agora à frente dos Negócios Estrangeiros: de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922 e de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. Efectuou diferentes missões ao Brasil e foi membro da Comissão Internacional de Cooperação Intelectual da Sociedade das Nações entre 1933 e 1943. Sob o Estado Novo foi procurador à Câmara Corporativa (1935-1959). Faleceu em Lisboa a 25 de Maio de 1962."
(
fonte: http://193.137.22.223/pt/patrimonio-educativo/museu-virtual/galeria-de-ministros/ministerio-da-instrucao-publica/1913-1920/)
Encadernação em sintético com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€