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24 junho, 2024

FERNANDO PESSOA O SUPRA-CAMÕES E OUTROS ENSAIOS PESSOANOS.
Comemorações do 50.º Aniversário da Morte de Pessoa. Maria Vitalina Leal de Matos - Maria da Glória Padrão - David Mourão-Ferreira - Arnaldo Saraiva - Fernando J. B. Martinho. Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa : Instituto de Altos Estudos, 1987. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 125, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Ciclo de conferências proferidas por ocasião do aniversário da morte do Poeta.
"No ano a comemoração do cinquentenário da morte de Fernando Pessoa, a Academia das Ciências, que esteve presente na Comissão Organizadora das Comemorações, tomou a iniciativa de convidar para um Ciclo de Conferências na sua sede cinco dos mais argutos e constantes pessoanos, Maria Vitalina Leal de Matos, Maria da Glória Padrão, David Mourão-Ferreira, Arnaldo Saraiva e Fernando J. B. Martinho, que produziram os textos extremamente ricos, originais e estimulantes na sua diversidade, que constituem este volume. [...]
O nosso contributo é, na sequência das Conferências, esta colectânea, que difundiremos, tão largamente quanto nos for possível, por academias e instituições universitárias, bibliotecas, autarquias, centros culturais."
(Excerto de Fernando Pessoa na Academia das Ciências, por Urbano Tavares Rodrigues)
Índice:
[Introdução] - Fernando Pessoa na Academia das Ciências, por Urbano Tavares Rodrigues | Fernando Pessoa o Supra-Camões, por Maria Vitalina Leal de Matos | Fernando Pessoa: algumas tácticas de publicação, por David Mourão-Ferreira | O ano de 1913 - Que horas são?, por Maria da Glória Padrão | Pessoa e os Surrealistas, por Fernando J. B. Martinho | Pessoas de Pessoa, por Arnaldo Saraiva.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€

18 maio, 2024

GOMES, Celestino - MARIA DA DÔRES. [S.l.], [s.n. - Tipografia "Beira-Mar" - Ilhavo], MCMXXII [1922]. In-8.º (16,5X11 cm) de 57, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante novela, algo densa, de cunho modernista. Maria das Dores, a moça que dá nome ao livro, definha por causa de um amor impossível.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao jornalista aveirense Manuel Lavrador.
"Lentamente, na indecisão de seu andar nostálgico, Maria das Dôres descera a velha escada de granito escuro. Estiraçada, a sombra desenhava arabescos de roixo-cinza nos lilaseiros floridos do jardim onde ela viera sentar-se.
Na candura suavíssima dos seus desaseis anos incompletos, Maria das Dôres, mimosa figurinha de iluminura a cujo oiro tostado do cabelo o sol arrancava scintilas, costumava distrair fenilmente os olhos côr de alecrim nos verdes canteiros bordados de primaveras e gardénias, emquanto no regaço lhe repousava, a tempos olvidado, o volume do romance predilecto.
Raro se topariam mágoas naquêles olhos sombreados dum lilás delido, que raro, também, na sua alma de menina entrara alguma contrariedade maior que o vestido com que a modista faltou.
Tudo, nela, era graça e sorriso. Tanto, que fôra de costume já os pobresinhos tristes de chagas e velhos aleijões conhecerem-na pelo alvorecer de chilreantes risos com que acolhê-los vinha, junto do nicho musgoso da sua casa solarenga, cada segunda-feira, a dar-lhes a piedosa esmola semanal."
(Excerto do Cap. I)
João Carlos Celestino Gomes (Ílhavo, 1899 - Lisboa, 1960). "Foi um médico, professor, escritor e pintor português. Pertence à segunda geração de artistas modernistas portugueses. Foi pintor e ilustrador, área em que utilizou o nome João Carlos; escreveu sobre medicina; dedicou-se à literatura de ficção, à crítica e história da arte, sob o nome Celestino Gomes."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação inteira de pele com cercadura dourada na pasta anterior e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Capas cansadas; impresso em papel de fraca qualidade.
Raro.
25€

26 janeiro, 2024

SAPEGA, Ellen W. -
FICÇÕES MODERNISTAS:
Um estudo da obra em prosa de José de Almada Negreiros : 1915-1925. [Lisboa], Ministério da Educação: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa : ICALP, 1992. In-4.º (24x16,5 cm) de 139, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Capa: Técnica mista sobre papel de Almada Negreiros, 1938. Dim 65x50 cm. Colecção Particular.
Interessante ensaio sobre a obra em prosa de matriz modernista de Almada Negreiros.
"No âmbito da cultura portuguesa, José de Almada de Negreiros foi,sem dúvida, uma das figuras mais dinâmicas e criativas do século XX. [...]
Hoje, com a prespectivca de mais de vinte anos sobre a morte de Almada Negreiros, podemos afirmar que os seus esforços não foram em vão, pois os seus quadros e murais são considerados entre os mais importantes produzidos neste século em Portugal e Almada, depois de Fernando Pessoa, é uma das mais conhecidas figuras culturais do modernismo português. [...]
Se prestarmos atenção, no entanto, à vida e obra de Almada Negreiros, torna-se evidente que o homem, tão conhecido hoje em dia como pintor e desenhador, fez a sua estreia na sua vida artística principalmente como escritor."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | I - Os limites da narrativa almadiana: da influência simbolista em Frisos à experiência futurista de Saltimbancos. II - Primeiras tentativas sensacionistas: o percurso de aptrendizagem seguido pelo narrador n'A Engomadeira. III - A transitividade do sujeito literário: K4 O Quadrado Azul como o culminar do projecto sensacionista. IV - A ingenuidade intendida como processo didáctico: o conto jornalístico dos anos 20. V - Nome de Guerra: experiência única e última no projecto da ficção Almadiana. VI - A «Ficção da Ingenuidade» depois de Nome de Guerra. | Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

01 setembro, 2023

BRAGA, Victoriano -
OCTÁVIO : peça em três actos. Representada pela primeira vez, em 1916, no Teatro Nacional Almeida Garrett. Lisboa, J. Rodrigues & C.ª, 1927. In-8.º (19,5x13 cm) de 111, [5] p. ; B.
1.ª edição.
Edição original desta peça, talvez a obra mais discutida do autor pelo escândalo que alcançou na época, dada a sua forte componente sensual e erótica.
"Uma sala não muito grande, luxuosíssima. Porta de arco ao fundo, comunicando com o jardim de inervo; à direita, uma porta larga, coberta de um reposteiro de armas, que dá para o salão de baile. Mobília rica e de muito bom gôsto; pelas paredes, retratos a óleo de antepassados ilustres. - A scena não deve estar muito iluminada. Ouve-se o sexteto  antes do pano subir.
Há baile no palácio. É ao comêço da festa, que decorre ainda com intimidade, vendo-se já alguns convidados no jardim.
Gil, de pé, conversa com Octávio, que se tem estirado com elegância num sofá, entre almofadas, à direita da scena. - Octávio, sendo o mais corecto possível, deve no entanto deixar perceber, excepto para com Gil, a grande diferença que está persuadido existir entre si e todos."
(Excerto do Acto Primeiro)
Vitoriano Braga (1888-1940). "Dramaturgo, tradutor e crítico de teatro. Ginasta de mérito, introduz o futebol amador entre nós. Faz moda. Como fotógrafo amador, retratou Guerra Junqueiro e Fernando Pessoa, para além dos nus de Almada. A sua escassa produção de teatro assenta numa construção convencional, mas eficaz, do enredo e insere-se na linha naturalista de análise psicológica e crítica social. As primeiras peças, escritas entre 1908 e 1918, foram representadas pela Sociedade Artística, companhia residente do Teatro Nacional: A Bi (escrita em colaboração com J. Vasconcelos e Sá) em 1911, Octávio, em 1916, e O Salon de Madame Xavier, em 1918. Na década de 1920 estreia, no Teatro Politeama, A Casaca Encarnada (1922), produção da Companhia de Lucília Simões, com cartaz de Almada Negreiros; no mesmo teatro representa-se, em 1926, a comédia dramática Inimigos, escrita no ano anterior, protagonizada por Ilda Stichini e Raul de Carvalho. Entre outras peças, menos destacadas pela crítica, contam-se Lua-de-Mel (Teatro do Ginásio, 1928) e O Conselho da Noite (Chiado Terrasse, 1932).
Com Octávio inicia-se um dos motivos caros ao teatro de Vitoriano Braga, o casamento de conveniência. Não foi, porém, este motivo que dividiu opiniões e provocou uma reacção desfavorável da crítica e a breve carreira do espectáculo. O tema da peça resulta da sua forte componente erótica, desenhada em Octávio e Graça, e nele especialmente: dandy, músico e doente - o actor deve «deixar perceber […] a grande diferença que está persuadido existir entre si e todos» (rubrica do I acto) -, que lembra motivos anteriores do esteta, até na blague, e antecipa traços do singular decadentismo dos anos de 1920 na homossexualidade discreta mas evidente e na exaltação do artista. Octávio não é, porém, um tipo, como acontece a muitas figuras do teatro de Vitoriano Braga; a complexidade desta personagem insinua-se no ambiente, nas palavras como nos silêncios, na música de cena, onde o sexteto para o baile do I acto contrasta com a pequena peça para órgão «com uma melodia de sabor gregoriano» expressamente escrita por Luís de Freitas Branco (Alexandre Delgado, Ana Teles e Nuno Bettencourt Mendes, Luís de Freitas Branco, Lisboa: Editorial Caminho, 2007) talvez para o final do II acto.
A obra foi apreciada por Fernando Pessoa, que se propunha editá-la na Olisipo (c. 1922), com A Casaca Encarnada e O Milagre. Para além disso, Octávio foi motor do ensaio «Sobre o Drama». Na reflexão sobre o ideal dramático da modernidade, afirma: «é no campo da intuição psicológica, no conceito do psiquismo individual, que a cultura científica produziu, na mente do dramaturgo, porque na de toda a gente culta, resultados novos e notáveis. […] Para mim, o valor capital do drama Octávio, o que o torna, a meu ver, notável entre a multidão nula das peças modernas, seja de que nação forem, é que, por acção [de] um seguro instinto, ele é orientado exactamente no sentido que a cultura moderna impõe como o caminho do dever artístico.» (Páginas de Estética, p. 87)."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/v/794-vitoriano-braga)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

23 junho, 2023

HENRIQUES, F. de Carvalho – A PROFECIA OU O MISTÉRIO DA MORTE DE TUT-ANK-AMON. Prefácio por João de Brito. Lisbôa, [Edição do Autor – imp. na Imprensa Libanio da Silva], 1924. In-8.º (19 cm) de 162, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso romance esotérico do género fantástico. Três amigos do Técnico (IST) vivem uma aventura extraordinária quando a sua vida se cruza com personagens do antigo Egipto.
"E passaram os trinta e três séculos que não foram mais do que um segundo a ligar a Eternidade passada com a Eternidade futura!"
"O livro publicado por Fernando Val do Rio de Carvalho Henriques em forma de romance sob a epígrafe A Profecia ou o Mistério da Morte de Tut-Ank-Amon versa um tema filosófico que tem sido uma das preocupações constantes do espírito humano, o destino desta energia que em nós vive sob o nome de alma, depois daquilo que chamamos a morte do indivíduo…"
(Excerto do Prefácio)
Fernando Val do Rio de Carvalho Henriques (1897-1962). "Escreveu, além de Mulheres de hoje... Corações de sempre (1924), A Profecia ou o mistério de Tut-Ank-Amon (1924), A quarta dimensão (1927), algumas obras relacionados com o comércio, como Vendedores e Compradores (1943) e O gerente e a sua gente (1958). Em 1925, dirige X: revista de informação prática, que poderá ter inspirado Pessoa e o seu cunhado Francisco Caetano Dias no seu projecto da Revista de Comércio e Contabilidade."
(Fonte: https://modernismo.pt/index.php/f/571-fernando-de-carvalho-henriques)
"O primeiro romancista-egiptólogo português. O escritor Fernando de Carvalho Henriques (1897-1962) é totalmente desconhecido da esmagadora maioria dos portugueses. Há, no entanto, um romance seu, com contornos de policial, publicado em 1924, intitulado A Profecia ou o mistério da morte de Tut-Ank-Amon, que lhe confere um lugar pioneiro no panorama nacional e no contexto internacional. Na narrativa principal do romance, este Autor encaixou vários capítulos sobre “factos da antiguidade” para os quais mobilizou, como veremos, “conhecimentos históricos” sobre o antigo Egipto da época de Tutankhamon, genericamente correctos, inspirados e estimulados pelos ecos da então recente descoberta arqueológica e escavação, a partir de Novembro de 1922, do túmulo desse faraó egípcio, em Luxor ocidental, por Howard Carter e Lord Carnarvon."
(Fonte: https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/10226)
Encadernação editorial em percalina com ferros gravados a seco e ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Indisponível

07 agosto, 2022

FERNANDES, Maria da Conceição - ANTÓNIO BOTTO - UM POETA DE LISBOA : vida e obra - novas contribuições
. Lisboa, Editorial Minerva, 1998. In-8.º (21 cm) de 138, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Biografia de António Botto (1897-1959). Importante subsídio para a história do autor de Canções, poeta ecléctico, incompreendido e marginalizado pelo meio literário da época; desiludido e acossado pelo regime vigente, viria a auto-exilar-se no Brasil, onde morreria.
Livro ilustrado em página inteira com dois retratos do poeta quando jovem.
""Levo comigo os meus versos, a minha alma e a minha angústia". Estas palavras foram proferidas pelo poeta António Botto, na noite de 7 de Maio de 1947, quando no S. Luís, em Lisboa, lhe foi prestada uma homenagem que seria a última, antes da sua partida para o Brasil. [...]
Poder-se-há, talvez, dizer que António Botto foi um poeta menor, um autodidacta que não criou nem representou nenhum movimento literário. Todavia, o tom confessional dos seus versos, aliado à criação de novos ritmos poéticos, iria influenciar os poetas do seu tempo. Um dia, referindo-se a António Botto, Frederico Garcia Lorca afirmou: "... conhecê-lo e ouvi-lo é ganhar tempo aprendendo muita coisa que só ele sabe dizer como ninguém".
António Botto não seguiu, na realidade, os cânones da poética ditada pelo Orpheu, (a revista que inaugurara o modernismo português), situando-se sempre na linha de um lirismo tradicional e coloquial dos cancioneiros primitivos. No entanto, a beleza original das imagens que utilizou nas Canções, sobretudo na exaltação do corpo masculino, levou Fernando Pessoa a considerar que: "Artistas tem havido muitos em Portugal, estetas só o autor das 'Canções'"."
(Excerto da Introdução)
Índice: Agradecimentos. | Dedicação da Obra. | Abreviaturas. | Nota prévia. | Cronologia da vida e obra de António Botto. | Introdução. | 1. O Homem. 1.1. Vida e obra - novas contribuições para uma biografia mais completa de António Botto e para a análise da sua obra. 1.1.1. Da infância às primeiras edições de Canções - 1920-1922; 1.1.2.  De Canções até princípios dos anos 40; 1.1.3. De 1942 até à partida para o Brasil - 1947; 1.1.4. No Brasil até à sua morte. 2. O Poeta. 2.1. António Botto - Uma presença original no nosso modernismo. 2.1.1. A Contemporânea e a defesa do poeta por Fernando Pessoa e Raul Leal; 2.1.2. A Presença e a defesa do poeta por José Régio e João Gaspar Simões; 2.1.3. Alguns anos mais tarde... outros "defensores" de António Botto: - Jorge de Sena e Natália Correia. | Conclusão. | Bibliografia cronológica de António Botto. | Bibliografia consultada. | Índice iconográfico.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

22 abril, 2022

DOMINGUES, Mario - DELICIOSO PECADO.
Por...
Lisboa, Imprensa Libanio da Silva, 1923. In-8.º (16,5 cm) de 24 p. ; B. Col. Novela Sucesso, N.º 8
1.ª edição.
Capas e ilustrações do pintor/ilustrador modernista Bernardo Marques (1898-1962).
Novela escandalosa. Aquando da sua publicação, foi proibida de circular e apreendida pela censura, apesar das amplas liberdades editoriais que vigoravam. História dos amores incestuosos entre pai e filha, fórmula utilizada pelo autor - anarquista  militante na época - "como forma libertadora de impulsos reprimidos".
Opúsculo ilustrado com dois belíssimos desenhos de Bernardo Marques em página inteira.
"Sabia que ela era bonita, que sua voz terna se insinuava em meu ânimo e me apaziguava todas as iras, que os beijos de filha submissa lhe afloravam aos lábios rubros, frescos, como reflexos dourados e irrequietos do sol, brincando nos serros vermelhos dessa terra algarvia - mas só naquela tarde, ao sol-pôr, quando regressávamos juntos do passeio habitual, descobri que os seus desasseis anos eram duma perturbante sedução..."
(Excerto da Novela)
Mário José Domingues (Roça Infante D. Henrique, Ilha do Príncipe, 1899 - Costa da Caparica, 1977). "Foi um escritor, publicista, jornalista, tradutor e historiador, considerado um dos mais fecundos no panorama literário português. Colaborou em diversos periódicos anarco-sindicalistas. Com inúmeros pseudónimos estrangeiros, alguns dos quais muito popularizados, escreveu algumas centenas de romances policiais, "cor-de-rosa" e de aventuras, que se venderam geralmente com grande êxito.
Com dezoito meses de idade foi enviado para Lisboa, sendo educado pela avó paterna. Aos dezanove anos de idade aderiu ao ideário do anarquismo e iniciou colaboração no diário anarco-sindicalista A Batalha e, posteriormente, no jornal anarquista A Comuna, da cidade do Porto. Nesse período participou nas atividades de um grupo libertário que, entre outros, integrava Cristiano Lima e David de Carvalho. Fez parte da redação da revista Renovação (1925-1926) e colaborou na organização do congresso anarquista da União Anarquista Portuguesa (UAP). Publicou diversas obras de ficção, entre as quais Hugo, o Pintor (1922), Delicioso Pecado (1923), A Audácia de um Tímido (1923), Entre Vinhedos e Pomares (1926) e O Preto de Charleston (1930). Após a Revolução de 28 de Maio de 1926 dedicou-se ao jornalismo e tornou-se escritor profissional. Voltou-se para a história, escrevendo mais de uma dezena de volumes. Também se dedicou ao romance policial, de aventuras e à literatura cor-de-rosa recorrendo a pseudónimos pretensamente estrangeiros.
A 10 de julho de 1970, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado, preso por agrafe, em bom estado geral de conservação. Frágil. Cadernos separados das capas.
Raro.
Indisponível

05 setembro, 2021

ALMADA : o escritor, o ilustrador. [Coordenação: Manuela Rêgo. Capa e fotografia: Luís Carlos]. Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros : Secretaria de Estado da Cultura : Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1993. In-4.º (23,5cm) de 351, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Belíssimo catálogo impresso em papel de superior qualidade - gráfica e esteticamente irrepreensível -, profusamente ilustrado com reproduções de trabalhos do Mestre.
"Almada tornou-se uma referência obrigatória para qualquer estudo dos movimentos artísticos e literários das primeiras décadas do século XX. Não sendo fácil encontrar artistas que revelem uma mesma craveira em artes diferentes - neste caso «manipulando» a palavra e a imagem -, mais notável se tornam a sua personalidade e o seu trabalho, tratados com igual destaque nas obras de consulta sobre literatura e artes plásticas."
(Excerto da apresentação)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
35€

17 julho, 2021

CATÁLOGO DA 6.ª EXPOSIÇÃO DE ARTE MODERNA NO ESTÚDIO DO SPN. Novembro : 1941
. [Lisboa], Edições SPN, 1941. In-4.º (23,5x18,5 cm) de 10, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Catálogo relativo a Pintura e Escultura, onde constam alguns dos nomes mais sonantes do panorama nacional. A lista é composta pelo nome do artista, o seu endereço domiciliário e o título das obras apresentadas na exposição. Integraram a mostra colectiva, entre outros, Abel Manta, António Dacosta, Álvaro Perdigão, Carlos Botelho, Dórdio Gomes, Eduardo Viana, Emérico Nunes, Almada Negreiros, Thomaz de Mello, Leopoldo de Almeida, Salvador Barata Feyo.
A capa do catálogo tem a assinatura "F. G".
Publicação histórica no cenário das artes nacionais, sendo muito curioso a inclusão na mesma da morada dos participantes na exposição.
"As Exposições de Arte Moderna do S.P.N./S.N.I. foram criadas por António Ferro em 1935, no âmbito da ação cultural do então denominado Secretariado de Propaganda Nacional (S.P.N.), renomeado Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (S.N.I.) em 1945.
As exposições realizaram-se anualmente 14 vezes, até 1951, com exceção de 1937, 1943 (neste caso por passagem de Dezembro a Janeiro seguinte) e 1950, tendo as duas primeiras decorrido na Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA) e as restantes no próprio S.P.N./S.N.I., Palácio Foz, Praça dos Restauradores, Lisboa.
Realizadas por convite aos artistas, a importância destas exposições prende-se com a sua regularidade e com o impacto que tiveram na vida artística nacional ao contrariarem o tradicionalismo naturalista que dominava os Salões da SNBA. No seu campo, estas mostras anuais foram "a mais brilhante manifestação da «Política do Espírito» de Ferro. […] Tratava-se […] de dar corpo a um projeto entusiasticamente apresentado por Ferro em 1935: de «estimular» novos artistas, desde que eles revelassem «inquietação», dentro dos limites dum «indispensável equilíbrio» - que seria condição necessária e definidora da arte aceite nos salões".
Salvo raras exceções (como Diogo de Macedo), praticamente todos os principais nomes da 1.ª e 2.ª geração de artistas modernistas em atividade participaram, de forma esporádica ou regular, nestas mostras oficiais."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
20€

08 junho, 2021

 
PACHECO, Luiz - PELOS HOSPITAIS. Da janela à rua - Chegou morto ao hospital de S. José o sr. João Baptista Martins Rodrigues, de 30 anos, morador na Avenida Almirante Reis, 178, 3.º, Dt.º, o qual caiu á rua da janela da sua residência. O corpo foi removido para o Necrotério. in «Diário de Lisboa» - 10-5-67. Lisboa, Contraponto, [1967]. Envelope oblongo (15x20 cm) com [4] f. ; [5] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com cinco desenhos de conteúdo erótico, traço de Luiz Pacheco.
Obra algo insólita (bem ao estilo do autor), redigida a propósito da morte de um marginal, João Rodrigues, que caiu da janela de sua casa - um terceiro andar em Lisboa.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

22 setembro, 2018

MORAES, Castelo de - SANGUE BÁRBARO. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tip. da Gazeta dos Caminhos de Ferro], 1924. In-8.º (19cm) de 169, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Obra constituída por nove contos.
Muito valorizada pela dedicatória do autor a Augusto Ferreira Gomes, poeta do Primeiro Modernismo.
"Há umas tarde em Lisboa que lembram o suicidio.
Vem quasi sempre em meiados de Janeiro. O sol de manhã aclára hipòcritamente; pelo meio dia uma cinza baça vae barrando a cúpula do ceu em grandes pinceladas opácas. Depois concentra-se, envolve e as nuvens descem a poucos metros dos campanários. Não chove. Um vento especial zune em rajadas sacudidas, de mau agoiro. [...]
As mulheres passam curvas, cabisbaixas, a cortar o vento. Nos chapeus as plumas vibram n'um desespero como flámulas de socorro. Está-se mal. Não é o Inverno que se afirma, é alguma coisa, um pedaço de Esperança que se vae embora..."
(excerto de Coxo...)
Contos: - Coxo... - Inviolada... - O azulejo de Val-d'Homem. - Extrema-Uncção. - Transfiguração. - A teoria do professor «La Foule». - Um Homem... - Relógio de minuetes. - A Sombra de Hercules.
José Gabriel Correia Castelo de Morais (1882‐1949). Natural de Lisboa. Jornalista, contista, escritor policial e tradutor. Colaborou com a revista Orpheu, Ilustração Portugueza e outras publicações da época. Ricardo Daunt diz que a sensibilidade de Castelo de Morais é tributária em parte das correntes preparatórias do modernismo, a elas acrescentando um tom alucinatório que comunica ligeiramente com o vertigismo dislexical de Raul Leal, uma de suas influência no âmbito do Orpheu. Pertenceu à tertúlia da Brasileira do Rossio que, em 1916, ocupava geralmente as duas mesas ao fundo, junto à escada. Segundo Eduardo Freitas da Costa, na sua obra Fernando Pessoa, Notas para uma Biografia Romanceada, para além de Fernando Pessoa, pertenciam ao grupo Augusto Ferreira Gomes, Júlio Teles Pereira, Da Cunha Dias, Fernando Bravo, João Silva Tavares, Fortunato da Fonseca, Júlio de Vilhena, Luís de Montalvor, António Bossa, Francisco da Silva Passos, Alfredo Pedro Guisado, Francisco Fernandes Lopes, Vitoriano Braga, Mariano Santana, Côrtes-Rodrigues e Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoais e José Castelo de Morais, quando vinham a Lisboa. Não foi grande a sua produção literária. De acordo com a BNP, publicou: Côreo (1910), Avé Eva (1916), Sangue Bárbaro (1924) e A Grande Empresa (1934). Publicou pequenos contos na «Colecção A Grande Novela». Escreveu ainda os versos para Cantos de Lisboa : Festas da Cidade (1935), e traduziu autores estrangeiros.

Exemplar brochado em bom estado de conservação. capas sujas com defeitos. Lombada apresenta sinais do manuseio.
Raro.
Indisponível

21 setembro, 2018

BRITO, Casimiro de - POESIA 61. Canto adolescente. Faro, Composto e Impresso na Tip. Cácima, 1961. In-8.º (21 cm) de 22, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética publicada na apreciada colecção Poesia 61, constituída por 5 plaquettes de outros tantos autores.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao conhecido ensaísta Luís Francisco Rebello.
"Canto as raízes do silêncio: o mar a sua génese. O fundo do mar é um seio dissolvido onde sou uma pedra em flor. Tenho os olhos abertos debaixo de água e falo aos corais que desabrocham na sombra. Incido em mim. Sou, neste momento de cinza, a medida mais sensível de mim mesmo. Respiro.me amplamente."
(Texto 1)
Casimiro de Brito (n. 1938). "Poeta, romancista, contista e ensaísta, nasceu no Algarve, em 1938. Esteve ligado ao movimento Poesia 61, [de que foi seu mentor]. O seu primeiro livro surgiu em 1957 (Poemas da Solidão Imperfeita) e, desde então, publicou 38 títulos. Dirigiu várias revistas literárias: Cadernos do Meio-dia; Cadernos Outubro e Loreto 13. Actualmente é co-director da revista luso-brasileira de poesia Columba, responsável pela colaboração portuguesa na revista internacional Serta, e director da colecção Grito Claro."
(Fonte: https://www.assirio.pt/autor/casimiro-de-brito)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Apresenta pequenas manchas dispersas pelo texto.
Raro.
35€

02 junho, 2012

[NEGREIROS], Almada – A INVENÇÃO DO DIA CLARO. Edição fac-similada. Lisboa, Assírio & Alvim, 2005. In-4º (25,5cm) de 45, [3] p. ; il. ; B.

“Escripta de uma só maneira para todas as espécies de orgulho, seguida das démarches para a Invenção e acompanhada das confidencias mais intimas e geraes. Ensaios para a iniciação de portuguezes na revelação da pintura. Com um retrato do autor por elle-proprio. Primeiro milhar. Lisbôa, “Olisipo”, Apartado 145, 1921.” (redacção conforme texto do frontispício original)

"Entrei numa livraria. Puz-me a contar os livros que ha para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria.
Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido.
No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas bem muito bem vestidas de quem precisa salvar-se."

(O Livro, p. 11)

Excelente exemplar.
Histórico e muito apreciado.
15€

02 setembro, 2011

VER : José de Almada Negreiros. Notas e prefácio de Lima de Freitas. Lisboa, Arcádia, 1982. In-8º grd. (24cm) de 272, [8] p. ; il. ; E. Col. Biblioteca Arcádia / Arte.
1ª Edição.
Edição esmerada impressa em papel de qualidade superior, ilustrada com fotografias, desenhos, gravuras e facsímiles.
"Reúnem-se neste volume vários cadernos, na sua maior parte inéditos, de José de Almada Negreiros. Desde 1943, ano em que o Autor inscreveu na página liminar de vários cadernos, uma longa série de obstáculos condenou à ocultação quase total este extraordinário conjunto de textos e manteve-os fechados numa gaveta durante cerca de quarenta anos, à espera de um dia virem a ser conhecidos pelos portugueses e pelo mundo." (do prefácio)
Encadernação editorial.
Excelente exemplar.
Invulgar, de grande interesse bibliográfico.
75€

01 agosto, 2011

PESSOA, ETC... Texto original: Nuno Júdice ; Design: Mário Jorge. Lisboa, Instituto Português do Livro/Ministério da Cultura, 1985. In-8º (24cm) de 79, [1] p. ; todo il. ; B. Tiragem: 2000 exemplares.
Livro publicado por ocasião dos 50 anos sobre a morte de Fernando Pessoa, faz juz ao "Etc..." do título, pois, além de Pessoa, também Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros são aqui biografados de destaque.
Capítulos: Fernando Pessoa; Modernismo; Sá-Carneiro; Revistas Literárias; Almada-Negreiros; Pessoa, Etc...; Leituras; Ficções; Obra Publicada; Pessoa Traduzido.
Edição quadrilíngue (português, francês, inglês e alemão) de grande qualidade gráfica e de design original, profusamente ilustrada.
Capas flexíveis com badanas, apresentam um ou outro sinal de desgaste.
Bom exemplar. 
Invulgar.
15€