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08 janeiro, 2026

HITLER, Adolf - A MINHA LUTA : MEIN KAMPF. Comentários de: Prof. A. H. de Oliveira Marques; José Martins Garcia; Rolão Preto; Sanches Osório. [Lisboa], Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite, 1976. In-8.º (21x14 cm) de LIII, [3], 510, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Primeira edição portuguesa de Mein Kampf (A Minha Luta), magnum opus de Adolf Hitler.
"Em 1 de Abril de 1924, o Tribunal Popular de Munique ordenava o meu encarceramento em Landsberg-am-Lech.
Pela primeira vez, após anos de trabalho incessante, eu tinha assim a possibilidade de me entregar a uma obra que muitos instavam comigo para que escrevesse e que eu próprio sentia oportuna para a nossa causa. Decidi-me, então, nestes dois volumes (a edição original alemã saiu em Munique, em dois volumes publicados respectivamente em 1925 e 1927), a expor não só os objectivos do nosso movimento, mas ainda a sua génese. Uma tal obra será mais fecunda do que um tratado puramente doutrinário.
Além disso, tinha assim a ocasião de mostrar a minha própria formação, tanto mais que isso é necessário para a compreensão do livro, e quanto pode servir para a destruição da lenda construída em torno da minha pessoa pela imprensa judaica.
Não me dirijo, aqui, a estranhos, mas a esses militantes do movimento que a ele aderiram de todo o coração e cujo espírito procura agora uma explicação mais aprofundada.
Não ignoro que é pela palavra muito mais do que por livros que se ganha os homens: todos os grandes movimentos que a história registou ficaram a dever muito mais aos oradores do que aos escritores.
Mas nem por isso é menos verdade que uma doutrina não pode salvaguardar a sua unidade e a sua uniformidade se não for fixada por escrito duma vez para sempre. Estes dois volumes serão as pedras com que contribuo para o edifício comum.
O autor"
(Prefácio)
Índice:
Tomo primeiro - Balanço: I - A casa familiar. II - Anos de estudos e de sofrimentos em Viena. III - Considerações políticas gerais sobre a minha estada em Viena. IV - Munique. V - A Guerra Mundial. VI - Propaganda de guerra. VII - A revolução. VIII - O começo da minha actividade política. IX - O partido trabalhista alemão. X - As causas da ruína. XI - O povo e a raça. XII - A primeira fase do desenvolvimento do partido operário alemão nacional-socialista.
Tomo segundo - O Movimento Nacional-Socialista: I - Opinião filosófica e partido. II - O Estado. III - Súbditos do Estado e cidadãos. IV - A personalidade e a concepção racista do Estado. V - Concepção filosófica e organização. VI - A luta dos primeiros tempos - O valor da palavra. VII - A luta com a frente vermelha. VIII - O forte é mais forte quando fica só. IX - Do significado e da organização das secções de assalto. X - O federalismo não passa de uma máscara. XI - Propaganda e organização. XII - A questão sindical. XIII - A política alemã das alianças pós-guerra. XIV - Orientação para leste ou política de leste. XV - O direito da legítima defesa. Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Alguns (poucos) sublinhados e anotações nas margens a tinta vermelha ao longo do texto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
40€

16 dezembro, 2025

MURALHA, Pedro - A BELGICA HEROICA.
2.º milheiro. Lisboa, Casa Ventura Abrantes : Livraria, 1916. In-8.º (19,5x12,5 cm) de 200 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem à Bélgica, primeiro país invadido e ocupado pelo exército alemão na Primeira Guerra Mundial.
Livro ilustrado com um retrato do autor em folha separado do texto.
"Sou apologista do exercito, quando este tenha simplesmente por missão manter a ordem e garantir a paz. [...]
As duzentas paginas que o leitor vae ler, não são só demonstrativas da heroicidade d'um povo. Pungentemente, o leitor analysará as crueldades que sobre um povo são exercidas em nome d'uma civilisação.
São documentos officiais que fallam, e a dar credito a taes documentos, bastaria o que n'estes 15 mezes de guerra tem sucedido na Belgica, para nos compenetrarmos que as conquistas guerreiras não são mais do que roubos e assassinatos legalisados; e que o militarismo está ainda muito longe de cumprir a nobre missão que lhe é destinada."
(Excerto do preâmbulo - Duas palavras)
António Pedro Muralha (Beja, 1878 - Lisboa, 1946). "Foi um jornalista, escritor e publicista, ligado ao antigo Partido Socialista Português e ao sindicalismo, que se destacou na preparação e publicação de monografias de carácter corográfico sobre diversos territórios de Portugal e das suas colónias. Foi pai do escritor Sidónio Muralha."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequen os defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
30€
Reservado

15 dezembro, 2025

PORTUGAL E ALEMANHA. Documentos relativos à decisão por via arbitral das divergências entre os dois Países acêrca das indemnizações por prejuízos causados a Portugal desde 31 de Julho de 1914 até à sua entrada na guerra - Ministério dos Negócios Estrangeiros. Lisboa, Imprensa Nacional de Lisboa, 1936. In-4.º (28x16 cm) de 340 p. ; B.
1.ª edição.
Edição bilíngue (português-francês).
Os documentos que integram o presente trabalho foram transcritos, na sua maioria, do original, em francês.
"Pelo artigo 232.º do Tratado de Versailles ficou a Alemanha constituída na obrigação de reparar determinadas espécies de prejuízos, e entre estes todos os causados pela agressão alemã à população civil de cada uma das Potências aliadas e associadas e aos seus bens durante o período em que entre essa Potência e a Alemanha tivessem existido o estado de guerra.
Mas, porque Potências havia que, embora só tivessem passado ao estado de beligerância para com a Alemanha posteriormente a 31 de Julho de 1914, tinham, entre esta data e a da sua entrada na guerra, sofrido prejuízos por virtude de actos cometidos por aquele Estado, foi inserta também no Tratado de Versailles, no § 4.º do anexo aos artigos 297.º e 298.º, uma disposição segunda a qual os bens, direitos e interêsses dos nacionais alemãis no território de uma Potência aliada, assim como o produto liquido da sua venda, liquidação ou outras medidas de disposição podiam ser onerados por esta Potência pelo pagamento das reclamações apresentadas por actos cometidos pelo Govêrno alemão ou por qualquer autoridade alemã, posteriormente a 31 de Julho de 1914 e antes que a mesma potência tomasse parte na guerra; para fixar o quantitativo deste espécie de reclamações, o govêrno interessado poderia recorrer a um árbitro designado pelo Sr. Gustave Ador, antigo presidente da Confederação Helvética, ou ao Tribunal Arbitral Mixto previsto na secção VI da parte X do tratado de Paz..."
(Excerto da Introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

04 dezembro, 2025

MORENO, Mateus - A SINFONIA MACABRA.
 [Máximas da Kultur]. Organizada por... Alferes d'Artilharia na Grande Guerra da Flandres
. Lisboa, Ressurgimento, 1920. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 48 p. ; B.

1.ª edição.
Edição original de A sinfonia macabra, uma das mais raras e estimadas produções literárias do autor.
Obra rara, com interesse para a bibliografia WW1. A BNP não menciona, apenas refere a 2.ª edição publicada no ano seguinte (1921).
"Esta colectânea de algumas das mais arrojadas afirmações da mentalidade alemã, principalmente do ultimo meio seculo, e a que dado o caracter de indiscutivel sinceridade com que na grande nação eram colectivamente admitidas, não podemos deixar de classificar de «máximas», é não só uma fotografia, diga-se de passagem, exaltavel, da alma sanguisedenta da velha raça, mas a própria e insofismavel demonstração de que a Alemanha, ao desencadear a recente guerra, que encapotadamente provocou, estava de ha muito moral e materialmente preparada para um grande conflicto de potencias de cuja victoria, que reputava «infalivelmente sua», esperava sair soberana absoluta, não já sómente da Europa, mas de todo o mundo...
... pois senhores, entremos - vai principiar a Sinfonia!"
(Prologo, Non multa, sed multum...)
Mateus Martins Moreno Júnior (1892-1970). Natural de Faro. “A paixão pela cidade que o viu crescer e pelo Algarve revelaram-se logo na mocidade, através da participação na imprensa e no movimento associativo locais. Presidiu à Academia do Liceu de Faro, onde fez estudos preparatórios. Fundou, em Outubro de 1911, o quinzenário académico A Mocidade, sendo da sua lavra a rubrica «Horas líricas», onde publicou muita poesia.
Em finais de 1914, Mateus Moreno veio para Lisboa para frequentar o curso de Matemáticas da Faculdade de Ciências. Terá sido essa a razão da transição da redação, administração e impressão da Alma Nova para a capital.
Nem mesmo a sua mobilização, em 1917, e ordem de marcha para França, incorporado no C.E.P., como alferes miliciano de artilharia de campanha, conseguiram interromper a atividade como escritor e como diretor da Alma Nova. No entanto, não é de excluir que as dificuldades que a revista registou no cumprimento da periodicidade, no final de 1916 e início do ano seguinte, se ficassem a dever, entre outras causas, à ausência de Mateus Moreno.
Redigiu e publicou alguns livros sobre o conflito militar e estudos técnicos sobre a sua arma, que foram apreciados pela hierarquia do exército. No que se refere à Alma Nova aí foram publicadas 5 cartas com as suas impressões da viagem e da chegada a França. Terminada a guerra, Mateus Moreno optou pela carreira militar frequentando a Escola de Guerra. Também fez o Curso Superior Colonial, em resultado do qual obteve algumas missões em Angola e desempenhou diversos cargos. Atingiu o posto de Major em 1942.”
(Fonte: https://research.unl.pt/files/3627477)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na BNP.
Peça de colecção.
50€
Reservado

12 outubro, 2025

VAUSE, Jordan - O ÁS DOS SUBMARINOS.
A História de Wolfgang Lüth. Mem Martins, Publicações Europa-América, [1991]. In-8.º (21x14 cm) de 271, [1] p. ; il. ; B. Colecção Ventos de Guerra, 14
1.ª edição.
Título original: U-Boat Ace: The Story of Wolfgang Lüth
Livro ilustrado com croquis e fotografias a p.b. ao longo do texto, sendo algumas delas em página inteira.
"Os submarinos e os seus comandantes sempre foram temas muito populares na literatura sobre a segunda guerra mundial; admira, portanto, que até hoje não houvesse nada escrito sobre o lendário Wolfgang Lüth, um jovem capitão que afundou quarenta e sete navios e um submarino aliados, que lhe valeram a mais alta condecoração do III Reich. Em 1944, quando a Alemanha já enfrentava a derrocada, foi nomeado comandante da Escola Naval alemã. Tinha 30 anos e era o mais jovem capitão de mar-e-guerra da Kriegsmarine. A forma como morreu, abatido por uma das suas sentinelas, ainda hoje permanece envolta em mistério. Esta biografia, baseada sobretudo em entrevistas e correspondência trocada com sobreviventes da guerra que conviveram com ele, é o retrato de um homem contraditório e intrigante: ferveroso adepto de um nazismo de que só conheceu os aspectos folclóricos, era capaz de infringir todas as regras da disciplina para ajudar um dos seus homens."
(Retirado da contracapa)
Índice:
Listas das equivalências das patentes (segunda guerra mundial) | Apresentação | Prefácio | Introdução | I - Preparação. II - O difícil é começar. III - Um submarino com a Cruz de Ferro. IV - Uma noite de matança. V - O Báltico e os seus homens. VI - O fim dos «bons tempos». VII - Problemas de comando. VIII - «Boa sorte e boa caça!». IX - O segundo Lüth. X - Morte e peixes voadores. XI - A longa patrulha. XII - Canção da tarde. XIII - Depois. | Bibliografia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
20€

21 julho, 2025

CARVALHO, Torres de - "NAZIS" : aspectos citadinos e políticos da Alemanha. [Prefácio de António da Costa Cabral, Ministro Plenipotenciário, antigo Ministro de Portugal em Berlim]. Lisboa, Henrique Torres : Editor, 1933. In-8.º (19×12,5 cm) de 167, [1] p. ; [9] f. il. ; B.
1.ª edição.
Reportagem efectuada por um jornalista português na Alemanha nazi seis anos antes da eclosão da 2.ª Guerra Mundial.
Trata-se de um importante documento histórico. O autor, conhecido germanófilo, esteve no congresso de Nuremberga realizado nesse ano (1933) a convite do regime nazi, tendo oportunidade de entrevistar os principais líderes alemães, todos homens da confiança de Hitler: Rudolf Hess, Adjunto do Führer; Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Reich; Alfred Rosenberg, principal teórico do Nacional-Socialismo; Ernst Röhm, Chefe da milícia alemã; Hans Frank, Advogado, Ministro da Justiça da Baviera; Arthur Schumann, Chefe do Serviço de Inteligência Política do NSDAP, Ministério das Relações Exteriores do PNS; Dr. E. Pflaumer, Cirurgião e professor da Faculdade de Medicina de Enlangen, Baviera.
Vem ainda reproduzido o último discurso de Hitler, pronunciado no Reichstag, na noite de 14 de Outubro de 1933, por ocasião da renúncia da Alemanha à Sociedade das Nações.
Livro ilustrado com nove estampas extratexto reproduzindo os retratos de Hitler e dos entrevistados, e de uma parada militar em Nuremberga.
O jornalista Torres de Carvalho, no livro intitulado Nazis - que constitui um notável documento sobre a Alemanha dos anos 30, com curiosos comentários aos importantes acontecimentos que então ali se verificavam, e que constituíram marcos importantes da ascensão do Nazismo, e com entrevistas a alguns responsáveis máximos do governo nacional-socialista (Hess, Goebbels, Rosenberg, Ernst Rohm, Hans Frank) - manifesta um tom aparentemente desapaixonado, em que mesmo se nota algum receio pelos excessos de alguns partidários de Hitler, não é de admirar que acabe por manifestar alguma admiração pelo Führer e que, no prefácio, o embaixador em Berlim, António da Costa Cabral, revele alguma compreensão por esses excessos, admitindo que eles acabarão por ser sanados.
No Prefácio, que se intitula "Palavras de verdade", diz o embaixador de Portugal na Alemanha: "A mocidade do Führer e dos seus sequazes, longe de se me afigurar perigosa, julgo-a favorável à instauração de um novo estado de coisas. Se xenofobia existe nas juventudes nacionalsocialistas alemãs, esse excesso de patriotismo deve sanar-se mercê da clarividente actuação dos seus Chefes supremos, que apenas procuram o bem público pelos processos que a mentalidade germânica mais favoriza e que nós, latinos, repudiaríamos e não compreendemos".
(Luís Reis Torgal. Salazarismo, Alemanha e Europa, Revista de Historia das Ideias Vol. 16 1994)
"Para compreender a transcendência do movimento que vem transformando a Alemanha são indispensaveis livros como êste. Quotidianamente tem o simples leitor de gazêtas ou o estudioso ensejo de conhecer o desenrolar dos acontecimentos e tudo o que o Partido Nacional-Socialista tem demolido, substituido ou criado no «Terceiro Reich». Mas a rapida leitura da imprensa diaria não é, por certo, informação suficiente por desconnexa e, em geral, pouco profunda.O livro, sim, esse compendia e metodisa o que convem ou interessa sabêr.
A grande massa de pessôas que já hoje, entre nós, se preocupa com o que se passa além fronteiras, isto é, que acompanha com curiosidade e ainda com desejo de aprender e perceber a evolução das instituições dos Estados que adoptaram novas formulas para resolução dos problemas políticos e sociais da hora presente, merecia que pela penna de um jornalista experimentado e de justa visão, lhe fôssem servidas, sôb forma atrahente e de suma elegancia estilistica, algumas verdades sôbre o Hitlerismo."
(Excerto do Prefácio)
"Vais lêr um livro que fala da Alemanha actual, dêsse país onde Hitler domina, dêsse ponto da Europa que provoca as atenções do mundo inteiro.
É um livro escrito por um jornalista que esteve na Alemanha, fazendo reportagem, que ali foi alheio à política, tratar de política, colhêr impressões, relatando os acontecimentos tais como o são, imparcialmente, naturalmente, sem coacções nem facciosismos.
A Alemanha atravessa um dos momentos mais melindrosos.
Todas as apreciações, ácêrca dela, são, por enquanto, extemporâneas.
Hitler procura-a restabelecer do mal que a ia victimando: o comunismo.
Os mesmos remédios que curam, tomados em excesso, muitas vezes provocam a morte. Aguardemos, portanto.
Hitler pretende despertar a Alemanha, purificar a raça, impedir aos judêus o direito de cidadãos, criar uma nova Alemanha... Para isso dispende uma actividade sobrehumana; discursa, faz prelecções, entusiasmando, estimulando o povo a acompanhá-lo nos seus ideais."
(Excerto do preâmbulo)
Índice: - Prefácio. Palavras de Verdade. - [Preâmbulo]. - Hamburgo. - Berlim. - Munich. - O Congresso de Nürnberg. - Bremen. - O pensamento de Hitler, atravez um dos seus discursos. - [Entrevistas]. - O ultimo discurso de Hitler, pronunciado, na noite de 14 de Outubro, por ocasião da saida da Alemanha, da Sociedade das Nações.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado. Capas cansadas, com acidez. Assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

28 maio, 2024

O ASSASSINATO DE CAPITÃO FRYATT
. Londres: Eyre and Spottiswoode, Ltd., 1916. In-8.º (18x12 cm) de 48 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo da propaganda de guerra inglesa anti-germânica.
Processo do Capitão Charles Fryatt, comandante do «Brussels», navio da marinha mercante inglesa capturado pelas forças alemãs durante a Grande Guerra. Levado para a Bélgica e daí para a Alemanha, foi internado num campo de detenção e julgado em Conselho de Guerra por abalroamento de submarino alemão. Foi condenado à morte por fuzilamento.
Livro iIlustrado com estampas no texto, sendo algumas delas em página inteira. Inclui reprodução da carta de condolências que o rei Jorge V enviou à viúva do malogrado capitão.
"O Capitão Charles Algernon Fryatt era comandante do paquete Brussels, de Great Eastern Railway Company. Muitas das companhias ferroviarias inglezas possuem a sua linha de vapores, ligando os portos inglezes ao continente europeu; e apesar de serem algumas dessas linhas modificadas ou sustadas por efeito da guerra, a comunicação maritima com todos os paizes neutros continua ininterrupta, graças ao vigos e á eficiencia da marinha britanica.
Vencendo os perigos de minas e de submarinos, através da neblina e das tempestades no litoral hoje desprovido de faroes e de boias, os comandantes desses pequenos mas destemidos navios mercantes já bem conheciam os metodos e expedientes do submarino alemão. Tornaram-se peritos, a custo da intima experiencia que tiveram de tudo isso, sendo os primeiros a aprenderem a lição que a tragedia do Lusitania depois ensinou ao mundo inteiro.
Entre esses comandantes figurava o Capitão Fryatt, conhecido entre os seus como the pirate-dodger - "o evadido dos piratas"; e nas suas frequentes viagens de Harwich a Rotterdam, justificava elle plenamente esse sobrenome, até que por fim teve a desdita de cair nas mãos dos piratas."
(Excerto de A carreira do Capitão Fryatt)
Índice:
I. A Carreira do Capitão Fryatt. II. O Submarino U 33. III. A Presentação do Relogio. IV. A Captura do Brussels. V. As Primeiras Noticias na Inglaterra. VI. O Conselho de Guerra. VII. A Acusação. VIII. Era elle Franco-atirador? IX. A ultima, a mais longa das Viagens. X. O Epilogo.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

02 fevereiro, 2024

O DRAMA DA FROTA ALEMÃ NA GRANDE GUERRA DE 1914-18.
Internamento - Afundamento - Reflutuação
. Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, Lda., 1945. In-8.º (19 cm) de 32 p. ; [2] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Relato do afundamento da frota alemã, e posterior reabilitação de grande parte desses navios através da incrível operação de engenharia naval britânica. Com evidente interesse para a história e bibliografia WW1.
Livrinho ilustrado no texto com duas gravurinhas de vasos de guerra, e em separado,  com duas estampas: - entrada de navios alemães no porto de Scarpa Flow escoltados por um barco inglês; - operação de recuperação do couraçado «Kaiser».
"Êste interessante trabalho intitulado «O drama da frota alemã na Grande Guerra de 1914-18», através do qual os nossos leitores poderão recordar ou conhecer o fim da Armada alemã na passada conflagração mundial, acaba de ser publicado nas páginas da «Revista de Marinha», das quais constitui uma separata.
Profusamente ilustrado, êste trabalho divide-se em três partes:
I - O internamento em Scarpa Flow
II - O afundamento provocado pelas equipagens
III - A reflutuação dos navios efectuada pela engenharia britânica.
Isento de qualquer tendência política ou intenção de propaganda, êste relato tem apenas a característica que lhe dá o seu cunho histórico."
(Preâmbulo)
"Nos primeiros dias de Novembro de 1918, a derrota militar da Alemanha era evidente. Estalavam revoltas em vários pontos do país e davam-se graves insubordinações nos navios da esquadra. O Kaiser passava para a Holanda, e, no dia 11, assinava-se o Armistício.
A Armada alemã - uma grande e poderosa esquadra, que se batera bem - mantinha a maior parte dos seus efectivos, mas era arrastada pela derrota do país. Não estava intacta, mas não estava destroçada ou desfeita; estava, porém, vencida. Como tal, ia conhecer e cumprir as determinações dos vencedores.
A esquadra, cujo comando foi confiado ao almirante alemão von Reuter, recebeu ordem de seguir para as águas do norte da Inglaterra. Agrupou-se em Schilling e, no dia 19 de Novembro, largou melancòlicamente para o cativeiro de Scarpa Flow, sem quaisquer munições a bordo e sob a escolta de navios e dirigíveis ingleses, mas arvorando ainda a bandeira alemã."
(Excerto de Primeira Fase - I - O internamento em Scarpa Flow)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenas falhas de papel. Miolo correcto.
Raro.
Com significado histórico.
Indisponível

12 dezembro, 2023

DELABAYS, Joseph - DESTINO TRÁGICO DUM MONARCA PACÍFICO.
O Imperador-Rei Carlos da Áustria-Hungria (1887-1922)
. [Lisboa], Edições Gama, 1947. In-8.º (19 cm) de 296 p. ; [2] f. il. ; B.

1.ª edição.
Biografia de Carlos I, o último imperador do Império Áustro-Húngaro. Político moderado, sucederia no trono ao seu tio-avô, o velho Francisco José. Os seus esforços para ajudar a restabelecer a paz mundial resultariam infrutíferos, vindo a falecer aos 34 anos de idade, durante o seu exílio em Portugal, na ilha da Madeira.
Livro ilustrado em separado com duas fotogravuras: um retrato de Carlos e o monarca no leito de morte.
"Hoje não há que ser génio político para compreender que as condições da paz oferecidas em 1917 pelo chefe responsável do Império austro-hungaro, e expressas em cláusulas prudentes, realistas, teriam poupado quase certamente à França e à Inglaterra, bem como ao mundo inteiro, a horrível catástrofe de 1939.
Nas páginas que vão ler-se, será pois o destino trágico do Imperador-rei Carlos que eu contarei, o trágico destino desse príncipe deveras amigo da paz e a quem não devem ser imputadas culpas na declaração de guerra de 1914 pela Áustria-Hungria, porquanto em 1914 ele não era senão arquiduque herdeiro. Não participou no conselho da Coroa que decidiu a guerra. Mais: não hesitou em mostrar-se veemente adversário da guerra a partir de Junho de 1914. Tanto que os homens de Estado que nessa ocasião orientavam a política da Áustria-Hungria tudo puseram em jogo para contrariar a sua activa influência a favor da paz."
(Excerto do prólogo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha antiga de humidade visível na capa e nas primeiras folhas do livro.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

03 dezembro, 2023

MENDONÇA, Henrique Lopes de - PORTUGAL CONTRA A ALEMANHA. Por... Professor de história na Escola de Belas Artes. 9.ª Secção : Portugal na História. Lisboa, Pedro Bordallo Pinheiro : Livraria Profissional, [1917]. In-8.º (14x9,5 cm) de 64 p. ; B. Col. Os Livros do Povo, 31
1.ª edição.
Interessante trabalho publicado na estimada colecção "Os Livros do Povo" pouco tempo após a declaração de guerra da Alemanha a Portugal, precedendo a nossa entrada no conflito.
"Ocorre naturalmente perguntar: quais os interesses de Portugal, afectados pelo conflito?
Pódem êles distribuir-se em três espécies:
1.º Interesses de política internacional;
2.º Interesses de política geral;
3.º Interesses de ordem moral.
Claro que esta classificação, como se vai vêr, não tem um absoluto valôr discriminatório. As duas primeiras espécies abrangem interesses que, em rigôr, se poderiam integrar na última, ao passo que esta não exclue de todo os fenómenos materiais, sempre conjugados com os preceitos da lei moral.
Entretanto, por falível que seja, a classificação proposta servirá para metodizar a nossa exposição, especialmente dirigida aos espíritos menos familiarizados com as sciências históricas e políticas.
Nésta exposição, que explica e justifica a intervenção de Portugal, apoiarnos-êmos principalmente em deduções racionalmente tiradas da nossa situação no  mundo, á mingúa de uma documentação completa, que só poderia fornecer-nos o texto autorizado dos papeis diplomáticos."
(Excerto de II - Situação de Portugal perante a guerra)
Índice:
I - Origens da guerra. II - Situação de Portugal perante a guerra. III - Interesses de política internacional. IV - Interesses de política geral. V - Interesses de ordem moral.
Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931). "Escritor, poeta, dramaturgo historiador, cuja obra se insere no neo-romantismo português, foi também professor da Escola Naval e da Escola de Belas Artes de Lisboa, presidente da Academia das Ciências e um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Autores, em 1925." 
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.

Com interesse histórico.
Indisponível

06 dezembro, 2022

DUARTE, Carvalhão - O DITADOR DA VIOLÊNCIA.
Figuras da reacção. [Prólogo de Ribeiro de Carvalho]
. Lisboa, Editorial República, 1933. In-8.º (19,5 cm) de 190, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Biografia política de Adolf Hitler, irónica e cáustica, publicada pouco tempo após a sua subida ao poder na Alemanha, em 1933, e em muito aspectos premonitória do que se seguiria: internamente, o rearmamento, mais ou menos encapotado, ao arrepio de tratados e convenções, e a supressão dos contestatários (Noite das Facas Longas, 1934); externamente: a participação indirecta na Guerra Civil de Espanha, balão de ensaio para o estado de preparação do exército alemão (1936-39), culminando com a invasão da Polónia, a 1 Setembro de 1939, que marcaria o início da Segunda Guerra Mundial.
"Hitler, ditador sem inteligência nem grandeza, é o títere atrás do qual se escondem, movendo-o e manejando-o, tôdas as fôrças da reacção clerical e da reacção política na Alemanha.
Mais ainda: é o homem da Internacional Negra dos Armamentos.
Tôdas as sobras de mau agoiro que se pretendem fazer regressar o mundo à barbaria guerreira e à barbaria política e religiosa se acotovelam na sombra dêsse homem - ditador da violência e do despotismo, para cuja alma tôda a Humanidade é uma horda sem direitos, nem liberdade, nem garantias.
Ou antes: com um único direito. O direito de marchar, de mochla às costas e carabina nas mãos, para o assalto aos direitos dos outros.
Nas mãos deste caserneiro violento e autoritário, o homem é um autómato apenas, com uma só missão: obedecer.
Abolida, por completo, a faculdade de pensar, de discernir, de discutir, de resolver sôbre os interesses da Nação, que são os interesses comuns. Só quem manda, porque tem na mão a fôrça bruta, pode pensar, raciocinar e resolver.
A esta triste condição reduziu Hitler sessenta e cinco milhões de alemães."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Dedicatória. | Prólogo, de Ribeiro de Carvalho. | O homem através da história. | Hitler, o vagabundo. | De pintor a mercenário da guerra. | A caminho da queda do imperialismo alemão. |  A queda do imperialismo e a derrota alemã. | O nacional-socialismo. | A revolta de Munich. | O sonho dum louco. | O nacional-socialismo é um novo tipo de burguesia. | A reacção, símbolo sinistro do ódio e a guerra. | Hitler ao serviço da reacção. | Ao coração de todos os homens de bem.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

22 setembro, 2022

FERREIRA, I. Emerson - O VALOR DAS NAÇÕES
. Paris-Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, 1918. In-8.º (19,5 cm) de 110, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Projecto de estudo sobre as nações envolvidas na Grande Guerra, sob o ponto de vista histórico e da organização económica e social, administrativa, política e legislativa. Publicado durante o conflito, apenas este volume - dedicado aos EUA e à Alemanha - veio a lume.
Livro ilustrado com quadros e tabelas estatísticas.
"Esta pequena serie de Resumos Historicos ou antes Estatisticos, dados em quatro pequenos volumes, de dois ou trez paizes em cada um, é escripta sem pretensões litterarias, e são publicados por que estamos convencidos de que serão uteis como notas estatisticas, a todos que escrevem para o publico. A guerra, que, ha quasi quatro annos, tem envolvido e victimado a maior parte das nações do mundo, tem despertado, em muita gente que, antes, com o resto do mundo pouco se importava, o desejo de colher informações sobre as nações tanto de um lado como do outro do conflicto."
(Excerto de Uma introducção para o publico)
Camillo Castello Branco, ao escrever o Discurso preliminar ás suas «Memorias do carcere», principia por pedir ao leitor que o não julgue immodesto em querer ligar ao seu trabalho grande importancia - com um introito empavezado. Este prefacio é só e simplesmente uma pequena exposição das razões que teve o auctor para dar no seu modesto trabalho estatistico: Valor das Nações, o primeiro logar aos Estados Unidos da America, nada mais.
Nenhum paiz no mundo é tão pouco conhecido e tão mal comprehendido na Europa e especialmente em Portugal como a grande confederação norte-americana. [...]
Até certo ponto entende-se a razão d'esta ignorancia; antes de 1912, pouca gente europeia se lembrava de ir viajar para a America."
(Excerto de Um pequeno prefacio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia WW1.
Indisponível

17 setembro, 2021

HOPFINGER, K. B. - ALÉM DA EXPECTATIVA. A HISTÓRIA DO VOLKSWAGEN.
[Por]... M. S. A. E., M. S. I. A. Tradução de Nicolau Lemos. Colecção Divulgação
. Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1960. In-8.º (18,5 cm) de 252 p. ; [20] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssima monografia sobre a história da Volkswagen, vista sob um ponto de vista pouco habitual. Trabalho curioso e importante sobre a conhecida marca alemã de automóveis, incluindo os contornos político-industriais que concorreram para a sua criação e desenvolvimento, escrito por um antigo oficial do Exército Inglês que foi responsável pela fiscalização da fábrica VW no pós-guerra.
Livro ilustrado no texto com alguns (poucos) desenhos, e em separado com 20 páginas pejadas de fotografias a p.b.
"Este livro foi parcialmente inspirado em muitas, longas e interessantíssimas conversas que tive, no decorrer dos anos de 1949 e 1950, com o Dr. Porsche, o responsável pelo desenvolvimento técnico do Volkswagen. Grande parte do material em que o livro se baseia foi escrito imediatamente após os nossos colóquios, e decidi nada modificar depois da morte do Dr. Porsche, com 76 anos, no dia 30 de Janeiro de 1951, quando todo o mundo já o consagrara como autêntica autoridade mundial da técnica e construção automóvel.
A ideia de que o Volkswagen - o carro do povo - foi concebido por Adolf Hitler como hábil manobra política de aliciar adeptos para o regime, tem a sua justificação no facto de, realmente, toda a nação germânica o ter apoiado nas suas desmedidas ambições, culminadas na eclosão da II Guerra Mundial. Mas, quando a guerra começou, a fábrica Volkswagen estava ainda em construção e apenas parcialmente em laboração. Durante os anos de guerra, produziu menos de 100.000 veículos militares e grandes zonas da fábrica foram destruídas pelos bombardeamentos das forças aéreas aliadas. Finalmente, com a ocupação quadripartida da Alemanha, coube às forças do Exército Britânico a tarefa de ali exercerem a sua fiscalização. Graças às necessidades crescentes de se resolverem os problemas do desemprego e da carência de veículos, as autoridades britânicas fomentaram a reconstrução até 1947, data em que a fábrica foi entregue ao Governo da Alemanha Ocidental. A partir de então, a grande unidade industrial passou a trabalhar sobre «contrôle» do Governo Germânico.
A maior parte deste livro baseia-se, por isso, no estudo dos arquivos oficiais, britânicos, franceses e alemães, e em entrevistas com individualidades a eles directa ou indirectamente ligadas, que, em qualquer dos casos, testemunharam as várias fases de desenvolvimento do Volkswagen
A minha experiência de oficial dos serviços técnicos do Exército Inglês designou-me para proceder ao exame de um veículo militar Volkswagen capturado - e foi esse o ponto de partida do meu interesse pelos pormenores técnicos do carro. [...]
Mais tarde, correspondente técnico de muitos jornais e revistas de automobilismo, tanto britânicos como estrangeiros, visitei as fábricas Volkswagen, sempre com intervalos nunca superiores a quatro meses. Acompanhei portanto, a par e passo, a reconstrução das fábricas e o desenvolvimento da cidade de Wofsbuug.
Mas, só com as minhas frequentes visitas às oficinas e inumeráveis conversas com aqueles, poucos, que faziam parte da organização em 1938 e tinham voltado, agora, para a Volkswagenwerk G. m. b. H., este livro não poderia ter sido escrito."
(Excerto da Nota do Autor)
Índice: Nota do Autor. | Introdução. | Quem era Porsche? | A «voiturette» Lohner-Porsche.| Austro-Daimler. | Motores para aeroplanos. | Daimler-Benz. | De novo na Áustria. | O regresso a Estugarda. | O Plano. | O Projecto n.º 12. | O «Volksauto» Zundapp. | Porsche visita a Rússia. | O projecto dum carro de corridas. | O «Volksauto» N. S. U. | Carros e políticos. | Um relatório importante. | A ordem oficial. | O Volkswagen - «Série 3». | Falham certas previsões. | A viagem aos E. U. A. | Experiências com os protótipos «Volkswagen». | Outra opinião. | Instruções de Hitler. | A caça aos técnicos. | Count von Schulenburg's Estate. | O arquitecto. | A primeira pedra. | A sombra da guerra. | A escolha de Rommel. | Anos de guerra. | Caos, ocupação e prisão. | Um começo diferente. | O projecto 356. | A cidade próspera. | Além da expectativa. | Factos que todos compreende.Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas com pequenos defeitos marginais. Lombada apresenta falha de papel na extremiadde superior.
Raro.
Com interesse histórico e automobilístico.
35€

28 maio, 2021

TELO, Alencastre - O MURO DA VERGONHA
. Lisboa, [Edição do Autor]. Distribuidores Gerais : Editorial Organizações, Lda., [1963]. In-8.º (20,5 cm) de 234, [2] p. ; il. : E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção decorre no período que mediou entre a construção do Muro de Berlim e a época tumultuosa que se seguiu, determinando o protesto universal que viu com repulsa e indignação a atitude da liderança soviética. "Misto de ficção e realidade é bem a triste desventura de milhões de Alemães de Leste forçados a fugir para além da famigerada muralha de Berlim, vergonha de todo o mundo ocidental".
Obra duplamente invulgar: por ter tido pouca divulgação no circuito comercial livreiro, e pelo tema escolhido pelo autor (português) para tema do seu romance.
O Muro de Berlim (em alemão: Berliner Mauer) foi uma barreira física construída pela Alemanha Oriental durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental. Era parte da fronteira interna alemã. Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e a República Democrática Alemã (RDA), constituído pelos países socialistas sob jugo do regime soviético. Construído na madrugada de 13 de agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Socialista com ordens de atirar para matar (a célebre Schießbefehl ou "Ordem 101") os que tentassem escapar, o que provocou a separação de dezenas de milhares de famílias berlinenses."
(Fonte: wikipédia)
Livro ilustrado com dezenas de fotogravuras a p.b. - algumas chocantes - ao longo de 17 páginas que traduzem o desespero e a vontade de inúmeros alemães de leste em passarem para o lado ocidental.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"Desde 13 de Agosto de 1961 que os dirigentes da zona de ocupação soviética da Alemanha obliteraram completamente a parte oriental da cidade que dominam, separando-a de Berlim ocidental. A crise que arde surdamente desde há tempos em torno da antiga capital alemã acerca-se do seu ponto culminante."
(Excerto do preâmbulo - Ao leitor)
"Terminara a II Grande Guerra Mundial. Após 6 anos de batalhas e tragédias inenarráveis que enlutaram quase todos os lares, as tropas de Hitler acabaram por ser derrotadas pelos exércitos aliados. Feito o Armistício, as partilhas começaram. Berlim, a inconfundível  cidade alemã, foi partida qual bolo, em quatro partes e dividida pela França, Inglaterra, Estados Unidos e Rússia, as quais combinaram entre si a partilha daquele espólio que representa algo de sagrado para todos os alemães.
Escreveram-se tratados, e conferências sem fim foram levadas a efeito; mas uma das nações signatárias estava de má fé, e por isso, não hesitou em, pouco tempo depois, fazer um vergonhoso bloqueio à bela capital da Alemanha. [...]
A nossa história começa exactamente quando os russos principiaram a construção do muro que divide as zonas aliadas da soviética. Esse muro que continua a aumentar e a que os ocidentais, com muito acerto, designam por «Muro da Vergonha»."
(Excerto da Introdução)
Karl Gueche, ex-professor catedrático da Universidade de Berlim, era muito conhecido pela sua aversão ao Nazismo aquando do reinado de Hitler. Por isso e pelas suas qualidades pessoais, tanto na Faculdade como entre todos aqueles que, como ele, pressentiam a derrota do país, o ilustre homem disfrutava da maior estima e consideração. Não obstante, durante a guerra servira com patriotismo a sua pátria e, quando os russos ocuparam Berlim, foi nomeado, por estes, reitor do «Colégio da Juventude», no intuito bem evidente de levar a mocidade alemã, daquela zona, à sovietização e à doutrina marxista.
Nos primeiros anos tudo foi suportando em silêncio, mas a parede construída para separar as zonas foi o sinal de alerta que obrigou o professor a esclarecer a sua atitude.
Naquela manhã de 13 de Agosto de 1961, os seus dias ficaram contados."
(Excerto do Cap. I)
Encadernação em meia de pele com cantos e ferros gravados ouro na lombada. Conserva a capa de brcochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado.
Muito invulgar.
Indisponível