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25 outubro, 2023

SILVA, Agostinho da -
UMA ASCENSÃO NOS HIMALAIAS. Iniciação : Cadernos de Informação Cultural. [S.l.], [Edição do Autor - Imp. Grandes Oficinas Gráficas «Minerva» - Vila Nova de Famalicão], 1940. In-4.º (23 cm) de 21, [3] p. ; (inc. capas) ; il. ; B.
1.ª edição.
Número da apreciada Colecção "Iniciação" dedicada à expedição de 1920 ao Everest, a montanha mais alta do planeta, numa época em que os conhecimentos técnicos e desportivos sobre a matéria eram limitados.
Obra de divulgação, algo naif à luz do que hoje se sabe sobre o assunto, motivo de interesse e curiosidade.
Opúsculo ilustrado no texto com: um mapa rudimentar dos Himalaias; três fotogravuras: Um pico nos Himalaias; Aresta nordeste do Everest; Um pico ao nascer do sol.
"Os Himalaias, que constituem o grupo de montanhas mais importante da terra, ficam situados na região do norte da Índia e estendem-se por tôda a fronteira entre o território que se encontra sob o domínio inglês, o reino do Nepal, o reino de Butan e o reino do Tibet. [...]
De todos os montes é o mais alto o Everest, e assim chamado em honra de um alto funcionário britânico, sob cuja direcção se fizeram os trabalhos preparatórios da carta tipográfica dos Himalaias; até 1849 julgava-se que outros picos se elevavam mais, mas os cálculos vieram mostrar que era ao Everest que pertencia a realeza da montanha. [...]
O aspecto do Everest é diferente quando se contempla do lado da Índia ou do lado do Tibet; pelo sul, aparece rodeado de outros picos que lhe roubam parte da sua beleza; [...] quando o tempo está mau, o que sucede quási sempre, o Everest aparece rodeado por um colar de nuvens, e os turbilhões de vento levantam-lhe, nos flancos e no cimo, toneladas de neve que se espalha no ar e se confunde ao longe com a névoa; solitário e altivo, defendido pelos vendavais e pelas tempestades de trovões que de quando em quando desabam sobre êle, o Everest parece desafiar tôda a tentativa de escalada.
Mas basta que uma emprêsa pareça impossível, para que os homens sintam desejos de a tentar; o sonho dos melhores alpinistas, dos mais sólidos e ágeis trepadores de montanhas, tem sido o de conquistar o Everest; há certamente o interêsse científico; conviria que se pudesse estudar o efeito de uma altitude tam elevada, depois do esfôrço do ataque, sôbre o organismo humano e que se soubesse também alguma cousa de seguro sôbre a meteorologia da montanha; mas é fora de dúvida que o aspecto desportivo tem sobrelevado os outros em todos os que se têm arriscado a escalar o Everest ou, sequer, a aproximar-se dele.
Efectivamente, já é proeza notável chegar junto do monte; às dificuldades naturais, que são enormes, com as torrentes que tudo arrastam na sua passagem, as cordilheiras que barram o acesso, as tempestades de neve, o calor insuportável dos vales, a espessura da floresta, vêm juntar-se as dificuldades políticas: o Nepal e o Tibet contam-se entre os países mais fechados da terra; vivem no perpétuo receio do estrangeiro e defendem-se não permitindo a entrada senão em condições muito especiais e quando os governos se encontram bem dispostos em política internacional; caso contrário, arrisca a vida todo aquêle que ultrapassar a fronteira.
Nenhuma, porém, destas dificuldades assustou os homens que, em 1920, se lembraram de organizar uma expedição ao Everest, sob a inspiração e com o auxílio da Sociedade Real de Geografia de Londres e do Club Alpino."
(Excerto do texto)
George Agostinho Baptista da Silva GCSE (Porto, 1906 - Lisboa, 1994). "Foi um filósofo, poeta, ensaísta, professor, filólogo, pedagogo e tradutor português. O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano. Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático empenhado, através da sua vida e obra, na mudança da sociedade. Passou considerável tempo de sua vida no Brasil.
Realizando um percurso académico notável, de 1924 a 1928, Agostinho da Silva fez Filologia Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo concluído a licenciatura com 20 valores. Em 1929, somente um ano depois de se licenciar, e quando contava apenas 23 anos, defendeu a sua dissertação de doutoramento a que deu o título O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas, doutorando-se com louvor.
Depois disso começou a escrever para a revista Seara Nova, colaboração que manteve até 1938.
Criou o Núcleo Pedagógico Antero de Quental em 1939, e em 1940 publicou Iniciação: cadernos de informação cultural. Foi preso pela polícia política em 1943, abandonando o país no ano seguinte (1944) em direção à América do Sul, passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina, no seguimento da sua oposição ao Estado Novo.
Regressou a Portugal em 1969, após a doença e morte de Salazar e a sua substituição por Marcello Caetano, facto que deu origem a alguma abertura política e cultural no regime. Desde então continuou a escrever e a lecionar em diversas universidades portuguesas, dirigindo o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e no papel de consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (atual Instituto Camões)."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
25€

19 outubro, 2023

LACERDA, Antonio do Prado de Souza - VIAGEM Á SERRA DA ESTRELLA.
Guia do excursionista, do alpinista e do tuberculoso. Topologia - Ethnographia - Physiologia - Mineralogia - Thesoiros - Aerotherapia - Sanatorios de Manteigas - Sanatorio da Covilhã - Hydrographia - Rios e Lagôas - Flora - Fauna - Povoações actuaes - Georgenia Herminia Prehistorica (Visão do Passado). 
Por... Bacharel formado na faculdade de Direito. Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1908. In-8.º (19x11,5cm) de [2], 120, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso roteiro da Serra da Estrela, dos primeiros com estas características a ser publicados entre nós, numa época em que a Serra principiava a ser divulgada.
"Este opusculo é uma tentativa rapida, mas methodica, uma pequena bibliotheca dos Herminios, desde os tempos prehistoricos até á actualidade: é um pequeno quadro historico da Montanha Lusitana: o seu fim é tornar bem conhecida do publico a nossa Serra da Estrella que é apreciada pelos estrangeiros: porém ali só ha a bella e pujante Natureza em toda a sua doçura e rudeza. É um incentivo para digressões no verão: é um livrinho que está á moda, em harmonia com as aspirações nacionaes. [...]
Para tornar conhecidos os nossos Sanatorios da Serra a Estrella e as bellezas da fauna e da flora herminia tentei escrever este opusculo, à vol d'oiseau, nos intervallos de longa e cruel doença pulmonar que me trouxe, como que desterrado 3 annos pelos paramos dos Herminios."
(Excerto da apresentação)
Indice:
Guia Theorico | Guia Pratico | I - Topologia da Serra da Estrella. II - Ethnographia da Serra da Estrella. III - Physiographia dos Montes Herminios. IV - Mineralogia dos Herminios. V - Thesoiros. VI - Aerotherapia da Serra da Estrella - Sanatorios. VII - Sanatorio da Covilhã. VIII - Hydrographia Herminia. IX - Lagoas da Serra da Estrella. X - Flora dos Herminios. XI - Fauna da Serra da Estrella. XII - Povoações actuaes.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel marginais. Ex-libris de Celestino Domingues no verso da capa.
Raro.
Indisponível