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24 março, 2022

S. CARLOS, PORTUENSE - Fr. Ignacio de - DISCURSO MORAL, E POLITICO SOBRE OS CONTRABANDOS, OFFERECIDO ao Ill.mo, e Ex.mo senhor LUIS MAXIMO ALFREDO PINTO DE SOUZA COUTINHO, VISCONDE DE BALSEMAÕ, DO CONSELHO DE S. A. R., e da Sua Real Fazenda, Senhor Donatario dos Conselhos de Ferreiros, e Tendaes, Alcaide Mór de Castello Mendo, Commendador de S. Martinho de Lordello do Ouro na Ordem de Christo, Cavalleiro de Devoçaõ da Sagrada Religiaõ de S. Joaõ de Jerusalem &c. &c. Por... Franciscano, dos Observantes de Portugal. PORTO: Na Typog. que foi de Antonio Alvarez Ribeiro, 1814. Com licença da Mesa do Desembargo do Paço. In-8.° (15 cm) de [14], 220, [10] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história do protecionismo industrial e comercial implementado em Portugal no período que se seguiu às Invasões Francesas.
"Meditando por muitos annos sobre quanto lia, e via praticar-se ácerca de Contrabandos, me vi como obrigado a formar a este melindrozo respeito huma Memoria particular, para me servir, como tem servido, de regra no Tribunal onde se naõ mente. Nunca temi por isso as oppoziçoens, que se me enrostavaõ, fundadas em AA., que sempre caracterizavaõ de melhor nota: bem presuadido de fraqueza de meus principios, e constantes na certeza, e segurança dos meus, rezolvia, sem hezitar, contra todos os argumentos contrarios. Ainda hoje conservaria em silencio  este sistema, se ainda hoje me fossem, como foraõ até agora, indifferentes as ultimas palavras do Epigrafe, que tanto Os Encyclopedistas, como os seus fieis Copistas, inseríraõ em humas mesmas Obras com differentes titulos, sobre o assumpto. Contudo: aquelle Epigrafe, se á força de maior reflexaõ naõ excitou o meu pejo, por naõ entender já mais comigo, excitou a minha rezoluçaõ para manifestar aos Ministros do Santuario, e aos meus Nacionaes, os meus muito antigos sentimentos. Naõ os considero absolutamente izentos de censura; basta ser o primeiro, que fallo na materia, para logo a merecer: mas o momento, em que me convencerem, será tambem o momento da minha pública, e sincera retractaçaõ."
(Excerto da introdução - "Aos Portuguezes")
Sobre esta obra, publicou a «Gazeta de Lisboa» de sexta-feira, 21 de Maio de 1819, um pequeno artigo:
"Sahio á luz: Discurso Moral, e Politico sobre os Contrabandos, composto por Fr. Ignacio de S. Carlos, Portuense, Obra original nestes Reinos, e de todo o interesse não só para os Theologos, mas para os Jurisconsultos, pela allegação de todas as Leis Civis Patrias atégora promulgadas, e pela noticia dos mais celebres Publicistas, que tratão da materia. Hum volume em 8.º Vende-se na Loja de Carvalho defronte da rua de S. Francisco, e no Porto, em as lojas principaes de Livros."
Encadernação coeva inteira de pele com rótulo e dourados na lombada. Com defeitos.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Miolo irrepreensível.
Raro.
45€

01 abril, 2021

CRUZ, Bento da - O LOBO GUERRILHEIRO : romance.
Prémio Literário Diário de Notícias 1991 atribuído pelo júri constituído por Agustina Bessa-Luís; Diogo Pires Aurélio; Lídia Jorge; Vergílio Ferreira; Viale Moutinho
. Lisboa, Editorial Notícias, 1992. In-8.º (21 cm) de 338, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra maior do autor, que além desta, conheceu outras duas edições (1980 e 2014).
"Entre amores desenfreados, intrigas familiares, contrabandistas e guerrilheiros, paisagens quase virgens e um minucioso enquadramento político-social, decorre a vida de André Lobo, nascido no Barroso e filho e lavradores. [...] Ao mesmo tempo que somos confrontados com a realidade barrosã, com os problemas da Guerra Civil de Espanha e seus reflexos, somos levados a mergulhar numa intensa paixão, que dá ao amor a característica de um estado de leveza."
(Excerto da sinopse, retirado da contracapa)
Sobre o autor, e o Lobo guerrilheiro em particular, com a devida vénia, transcrevemos o excerto de um texto da autoria de Francisco Duarte Mangas publicado no Correio do Porto, cujo link infra reproduzimos.
"Bento da Cruz é um escritor do seu tempo. Do nosso tempo. Parte substancial do tempo mais negro do século vinte português entra bruscamente na sua obra singular e perdurará nos tempos que hão-de vir. Porque, melhor do que ninguém, Bento da Cruz trata a memória como matéria perecível. E na memória há palavras privadas de afecto. Isto é: precisam de respirar na página, porque o nosso célere quotidiano padronizado as esquece - e palavra esquecida nem lugar lhe é destinado em língua morta.
"A obra literária do autor de O Lobo Guerrilheiro é, sem dúvida, um abrigo de alguns dos nossos mais genuínos vocábulos – que em lenta aluvião se dirigiam ao silêncio final – renascidos, devolvidos à comunidade falante, através de espantosas personagens que são outras das memórias levantadas do chão. O paciente ofício de limpar e enxugar a palavra – perdida nos matagais por pastores enamorados, contrabandistas esquivos ou outros transumantes em fuga que a roda do tempo amarfanhou – é uma das dádivas deste escritor ao nosso tempo, às gerações vindouras. À Língua Portuguesa.
O diálogo vivo, musical, depurado (dir-se-ia de guião cinematográfico) surge como outro dos contributos de Bento da Cruz para a Literatura portuguesa. É a fala mais genuína do povo, um povo concreto – marcado pela miséria, acossado por senhores terrenos e temente a Deus – que ao longo de séculos talhou a paisagem agreste. Um povo, no entanto, capaz de grandes gestos de humanidade mesmo em situações adversas. A solidariedade dos humildes é a mais sincera de todas."
(Fonte: https://www.correiodoporto.pt/obituario/bento-da-cruz-1925-2015)
"Lobo subia a rua devagar, curvado sob um peso invísivel. Porque de visível, apenas as botas cambadas com tombas novas, debaixo do braço esquerdo. Estava um dia bonito. Geara muito de noite, mas agora o sol incidia directamente sobre as pessoas e as casas, e a água fumegava nas represas.
Um dia bonito, sem dúvida. No entanto, Lobo não se sentia bem naquela manhã. Acordara cedo e mal dormido. Dir-se-ia que chamado pela voz dum anjo ou por qualquer outro misterioso aviso premonitório de desgraça iminente. Doença súbita? Atropelamento? Agressão?
Lobo subia a rua e meditava no caso. Saúde nunca lhe faltara, louvar ao Criador. Inimigos não tinha. A prova disso é que todos, passando, o cumprimentavam com simpatia. Atingira uma velhice tranquila e considerada. Não era pesado a ninguém, nenhum presumível herdeiro lhe desejava a morte.
À palavra «morte», estremeceu. Quantos anos lhe restariam de vida?"
(Excerto do Cap. I)
Bento Gonçalves da Cruz (1925-2015). "Nasceu na aldeia de Peireses, do concelho de Montalegre, em 22 de fevereiro de 1925. Num contacto direto com a vida do campo, viveu ali até aos 15 anos, altura em que ingressou na Escola Claustral de Singeverga, onde permaneceu durante 6 anos e se familiarizou com os grandes escritores da antiguidade, principalmente com os latinos.
Abandonou a vida claustral, mas prosseguiu os estudos, licenciando-se em Medicina pela Universidade de Coimbra. Regressou então ao município de Montalegre, onde montou consultório de clínica geral e estomatologia.
Em 1963 publicou o romance Planalto em Chamas, o primeiro de perto de duas dezenas de obras literárias enaltecidas pela crítica, algumas delas distinguidas com prémios literários nacionais de referência. Fundou em 1974 o jornal Correio do Planalto. Foi deputado à Assembleia da República. É patrono da Escola Secundária Bento da Cruz, em Montalegre.
Está representado em várias antologias e é hoje reconhecido como um dos mais destacados escritores portugueses contemporâneos."
(Fonte: wook)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar na edição original.
20€

27 fevereiro, 2021

CABANAS, António - CARREGOS : Contrabando na Raia Central.
[Prefácio de Carminda Cavaco]
. Lisboa, Arte Mágica, 2006. In-4.º (24 cm) de 228, [4] p. ; il. p.b. ; B.
1.ª edição.
Recolha de episódios e testemunhos de contrabandistas e guardas fiscais que outrora, na zona raiana - durante o período do Estado Novo -, num verdadeiro jogo do rato e do gato, procuravam cumprir os seus desígnios - uns, passando a fronteira a salto - os outros, (quase) tudo fazendo para os impedir.
Ilustrado ao longo do livro com desenhos e fotografias a p.b., em página inteira.
"Carregos. Contrabando na Raia Central, de António Cabanas, é um excelente documento acerca da importância assumida pelo contrabando na economia das populações pobres dos campos tradicionais raianos das Beiras, que funcionou a par de outras actividades de complemento da pequena agricultura, como a apanha da lenha, o fabrico e venda de carvão e algum artesanato. Nas palavras do seu autor, «A Serra da Malcata ficará para sempre ligada ao contrabando e os seus inúmeros recantos guardarão religiosamente os segredos e cumplicidades de fiscais e contrabandistas. [...]
Contrabando económico e contrabando apenas de consumo doméstico, negócio ou modo de ganhar meios de simples subsistência. Para alguns outros contrabandistas quase apenas um jogo, mesmo um vício. Modo de vida e de subsistência de pequenos e grandes contrabandistas, de conta própria ou a soldo, potenciados pela geografia dos lugares, natural e política, facilitados pelos laços sociais e culturais que unem tradicionalmente as gentes dos dois lados da fronteira e estimulados pelas dificuldades fiscais criadas pelos governos centrais, distantes e indiferentes às solidariedades e complementaridades locais. [...]
Carregos - Contrabando na Raia Central é um livro pleno de vida, em que para além de bibliografia vária, se recorre à memória dos ex-contrabandistas mais idosos e ex-guardas fiscais, a relatos de experiências vividas, com que o seu autor se familiarizou desde criança: histórias e aventuras contadas à lareira por familiares que conjunturalmente se dedicaram à sua prática, arriscando-se através de veredas poeirentas e pedregosas da Serra da Malcata. Histórias enriquecidas por muitos outros relatos e por entrevistas a muitos dos que, de uma forma ou de outra, a ele estiveram associados. Numa linguagem clara, viva, impressionista, sem deixar de ser científica, António Cabanas explica-nos o que foi o contrabando na Raia Central, as representações sociais do contrabandista e do guarda-fiscal, as estruturas sociais em que ambos se integravam, a identidade das comunidades e dos locais da fronteira em que se medrou."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio. | Apresentação. | Introdução. | Parte I - 1. Caracterização geral da Raia Central. 2. Da fronteira de separação à fronteira da União: 2.1. Entre o cá e o lá; 2.2. Fugir ao fisco; 2.3. As políticas aduaneiras da monarquia; 2.4. O antes e o depois; 2.5. A abertura das fronteiras vista pelos protagonistas do contrabando. 3. A Guarda-fiscal: 3.1. Breve resenha histórica; 3.2. Guarda-fiscal - a lei e a pena. | Parte II - 1. Representações sociais. 2. A corrupção. 3. A estrutura social. 4. O gato e o rato. 5. Vários contrabandos. 6. O tempo e o espaço. 7. Contrabando, estratégia e vício. 8. Superstição e segredo. | Parte III - 1. As causas do contrabando. 2. Histórias e textos de contrabando. 3. Quadrazais e a gíria. 4. Glossário e Conceitos. | Bibliografia.
Invulgar.
Com interesse histórico e sociológico.
Indisponível

23 abril, 2014

ALVES, Ferro - OS BUDAS : o contrabando de armas. Lisboa, [s.n. - Comp. e imp. na Imprensa Lucas & C.ª, Lisboa], 1935. In-8.º (19cm) de 157, [3] p. ; B.
1.ª edição.
"Grupo dos Budas (ou Grupo de Madrid) é a designação pela qual ficou conhecido um grupo de opositores ao regime ditatorial português saído do Golpe de 28 de Maio de 1926 que se refugiou em Madrid. A designação de Grupo dos Budas foi uma alcunha que terá sido criada por Ferro Alves. O grupo era liderado por Jaime Alberto de Castro Moraes (1882-1973), Alberto Moura Pinto (1883-1960) e Jaime Zuzarte Cortesão (1884-1960) e incluía, entre outros, Nuno Cerqueira Machado Cruz (1893-1934), Ernesto Carneiro Franco (1886-1965), Francisco Oliveira Pio (1897-1972), Júlio César de Almeida (1892-1977), Inocêncio Matoso da Câmara Pires (1898-1966), Alexandrino dos Santos (n. 1891). Outras personalidades ligadas ao Grupo foram João Maria Ferreira Sarmento Pimentel (1888-1987) e Armando Cortesão."
(fonte: www.questpedia.org)
"Em 28 de Maio de 1926, um golpe militar implanta em Portugal um regime ditatorial que, ganhando contornos fascistizantes nas décadas seguintes, perdurará 48 anos. Comandado por oficiais, defensores de um exército intervencionista, o movimento vai gerar oposições; quer no seio das próprias forças armadas, inclusive dos próprios participantes do movimento, quer no seio da sociedade civil, criando uma vaga de inúmeras tentativas de derrube do regime. Os opositores possuem os mais diferentes matizes, incluindo republicanos, egrégios do antigo Estado, anarquistas, comunistas e monárquicos. [...]
Tornam-se conhecidos pelo epíteto de "Budas". O grupo passa esta denominação graças às críticas de "imobilismo" que lhe são lançadas por um
suposto companheiro de exílio, Leonel Ferro Alves, mas, que, na verdade,
actua como "espião" do governo de Salazar. Numa obra publicada em Portugal,
Os Budas e o contrabando de armas, Ferro Alves acusa o grupo de não
levar a cabo acções concretas contra o regime, denegrindo a sua imagem
como «profissionais da revolução»"

(in H. PAULO, PORTUGUESE STUDIES REVIEW 14 (2) (2006/7) 125-142)
"A razão de ser deste livro é fácil de explicar. Quando em Setembro do ano passado surgiu dum modo fulminante a questão do contrabando das armas, para os republicanos portugueses residentes em Madrid não havia duas soluções.
Adoptar uma atitude passiva de silêncio e resignação equivalia a declarar tacitamente uma cumplicidade, que não existia. Repudiar clara e rotundamente a solidariedade, com os implicados no contrabando, além de ser a expressão da verdade, era simultaneamente a salvação da causa republicana social, pela qual lutamos há tantos anos.
No momento em que as despropositadas declarações do deputado Teodomiro Menendez vieram colocar em foco a origem e procedência do armamento apreendido nas Astúrias, não havia já possibilidade de ocultar o facto."
(excerto do preâmbulo)
Matérias:
- O negócio das revoluções. - Os manejos iberistas. - Nas horas dramáticas do exílio. - Os profissionais da revolução. - A eufonia na emigração. - Nefandos processos de ataque. - As angústias dos contrabandistas. - As tenebrosas operações financeiras. - Em plena pletora monetária. - Malabarismos do armamento. - A Sangria. - A dança das pesetas. - Em resposta aos Bazilios. - Os novos negociantes de especiarias.
Exemplar brochado, maioritariamente por abrir, em bom estado de conservação. Capas levemente oxidadas.
Invulgar.
Indisponível

27 novembro, 2012

COELHO, Adolfo - A INTERNACIONAL DO DINHEIRO. Como os fabricantes de armas preparam a guerra. 2ª edição inteiramente refundida. Lisboa, Livraria Clássica Editora : A. M. Teixeira & C.ª (Filhos), 1937. In-8º (19cm) de 336 p. ; B. Colecção «Os Grandes Documentários», IX
Matérias:
I - As provas do conluio
II - Corrupção
III - Contrabando de armas
IV - Os homens
V - A imprensa ao serviço dos fabricantes de armas
VI - Tocando a rebate
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Discreto carimbo de posse na f. rosto. Anotações a lápis nalgumas páginas.
Invulgar.
10€