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13 agosto, 2026

SOARES (Sprinter), Eduardo -
"OS ESCÂNDALOS DO FUTEBOL NACIONAL" : uma exposição oportuna a sua Ex.ª o Sr. Doutor Carneiro Pacheco, Ministro da Educação Nacional.
Comentário imparcial ás atitudes dos dirigentes e dirigidos. Pôrto, Tip. Lisboa & Ferreira, L.da, 1939. In-4.º (22x15,5 cm) de 48 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre o futebol nacional e as movimentações de bastidores. Ontem como hoje... Trata-se de um dos primeiros registos de literatura de denúncia e opinião crítica sobre a organização e os bastidores do futebol em Portugal durante o Estado Novo, amplamente citado por historiadores e investigadores. Mas o autor não se limita a "desancar" o futebol indígena, crítica asperamente os colegas jornalistas por subserviência, e revela incómodo e perplexidade pelos valores pagos nas transferências dos jogadores - uns "vadios", "muitas vezes analfabetos" - face às dificuldades do país, comparando os seus salários com os dos "chefes de família".
Obra rara e muito interessante, não mencionada na BNP, ilustrada em página inteira com uma caricatura do autor por Bismarck.
"Não foi, posso-o afirmar categòricamente, no intuito de me tornar um homem célebre que lancei êste livrinho para a luz da publicidade, mas sim, no desejo firme e honesto de contribuir para a "purificação" do desporto nacional, onde o futebol é a "ovelha-ranhosa" das modalidades que no nosso país se praticam. [...]
Além disso, isto de edições livreiras não é negócio de tentar num país onde a grande percentagem é analfabeta e os "mestres" são aos cardumes...
Portanto, assentêmos desde já nisto: depois de lidar de perto durante algum tempo com os homens da bola - dirigentes e dirigidos - fiquei de tal forma enojado com a panorâmica em que vivi, que não resisti à tentação de escrever êste modesto livrinho, dirigido àquêles que sabem ser desportistas, àquêles que mesmo do desporto sabem trazer, sempre bem alto, a pureza do seu caracter e da sua dignidade. [...]
Em síntese, o motivo dêste meu livro foi o de trazer para a luz da publicidade algumas vergonhas do nosso futebol, algumas cênas dos bastidores, que por si só dizem bem da dignidade e da moral de certos dirigentes e dirigidos, que andam nestas coisas da bola.
É natural que, como compensação, ganhe mais alguns inimigos, mas isso não interessa, a quem, como eu, preza muito a sua integridade moral.
A "verdade núa e crúa" - é o lêma que preside a êste meu trabalho."
(Excerto de I - Porque escrevi êste livrinho...)
Índice:
Prefácio de Joaquim Soares | I - Porque escrevi êste livrinho. II - Um sônho côr de rosa. III - Jornais e jornalistas. IV - O conflito A. F. do Pôrto-Federação ou a firmeza de atitudes. V - O futebol - um negócio rendoso... VI - Como se fazem "azes" e os dirigentes se tornam ilustres... VII - O profissionalismo - negação positiva do verdadeiro espírito desportivo. VIII - Eu e o Benfica! IX - A final do Campeonato de Portugal, em Lisboa!!! X - Acuso-o, sr. Ribeiro dos Reis!!! XI - Compram-se jogadores! XII - Desceu o pano!...
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem capas.
Raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
50€

13 julho, 2026

MENDES, Adelino - CARTAS DA GUERRA (janeiro a abril de 1917). Porto, Edição da «Renascença Portuguesa», 1917. In-8.º (19 cm) de 338, [6] p. ; E.
1.ª edição.
Volume de crónicas que o autor - jornalista português destacado na Flandres - produziu à laia de diário a partir de diversos pontos de França - Paris, Brest, Amiens, "Norte de França" e do front - durante a Grande Guerra, para publicação no jornal A Capital.
Trata-se de um importante subsídio para a história da Primeira Guerra Mundial, com relevância para a bibliografia WW1.
Raro e muito interessante.
Exemplar muito valorizado pela sua dedicatória autógrafa a Francisco Carrelhas.
"Numa tarde de gêlo e de neve, uma destas tardes do Norte da França sacudidas por uma brilha que retalha, encontraram-se, no campo de batalha do Somme, um jornalista, um coronel de artilharia e não sei quantos mais oficiais. Tomou-se uma chávena de chá, palestrou-se um pouco, e quando a claridade daquele dia baço de inverno começava a empalidecer, o jornalista levantou-se e pronunciou as primeiras palavras de agradecimento e de despedida. Então, o coronel, délgado, sêco, rijo, enérgico e vermelho como um inglês, erguendo-se também, disse para o seu hóspede com aquela simplicidade britânica, que não tem igual no mundo:
- Se quere assistir a alguma coisa de interessante deixe bater as seis horas. Vamos começar a bombardear a povoação de Irles...
O jornalista esperou. E daí a pouco, na penumbra triste e fria do entardecer, a grande sinfonia começava. Cem canhões de grosso calibre, postos em fila por detrás duma alta trincheira, arremessaram contra a povoação indicada a primeira rajada de aço a escaldar. E daí em diante, as mesmas gùelas de aço continuaram a vomitar as mesmas granadas, sem descanso, sem interrupção, sem um momento de repouso. A morte despenhava-se em catapultas, em cada segundo que os relógios contavam. O rugir da artilharia espalhava, pela solidão compacta que pesava sôbre as coisas destruidas,  como que a última benção compassiva. Então, admirado com semelhante espectáculo, que jámais podera sonhar, o jornalista, voltando-se para o oficial que comandava, que dirigia o chuveiro incessante das granadas, preguntou-lhe quando ter minaria o inferno que começára momentos antes e que para êle era já qualquer coisa horrivelmente pavorosa.
- Durará até que a povoação bombardeada cáia em nosso poder. Contamos gastar sessenta mil projécteis e perder cento e vinte homens. Mas ámanhã ao meio dia tê-la-hemos em nosso poder..."
(Excerto de Sob a metralha - Frente inglesa, 25 de março)
Índice:
Em viagem | Uma vaga de gêlo | Os da rectaguarda | Oito negativos | «Les permissionaires» | O primeiro contingente português | Sãos e salvos | Males que perduram | Laranjas de Sagunto | As naus catarinetas | Os prisioneiros | A Inglaterra e a polícia dos mares | Paris não é uma cidade triste | O Clero e a Pátria | A guerra e os desenhadores | «Il ne manque que le pape!» | Os voluntários portugueses | O teatro e a guerra | A filantropia em acção | As montras dos jornais | Paris doutros tempos | A alegria dos ingleses.
Com o exército inglês: - Para o «front» - Na zona dos exércitos - Na zona dos exércitos - Era uma vez... - Os olhos dos exércitos - Os herois da quinta arma - Os novos artilheiros - I - Os novos artilheiros - II - Perto das trincheiras - A cidade de Albert - A virgem d'Albert - A batalha do Somme - I - A batalha do Somme - II - Thiepval, a destruida - A batalha do Ancre - Sob a metralha - Três horas num campo de batalha - Nesle, a libertada - A vila ressuscitada - Terras mortas - Nas regiões destruidas - Péronne - Bapaume - «Lerne Leiden, Ohne zu Klagen!» - Grutas de Trogloditas - O que é uma «base» - O que é uma «base» -O que é uma «base» - Domenico Oliva - Nota.
Adelino Lopes da Cunha Mendes (1878-1963). "Jornalista e escritor, nasceu na Freguesia do Reguengo do Fetal (Batalha), a 28-10-1878 e faleceu em Lisboa, a 26-08-1963. Era filho de João José Gomes Mendes e de Maria Vitória Lopes da Cunha. Depois de ter feito os Estudos Secundários em Leiria, iniciou a sua carreira de Jornalista em O Século, do qual veio a tornar-se Redactor principal, a partir de 1925. Publicou numerosos artigos e reportagens em jornais diários (Novidades, República, A Capital, Jornal de Notícias, O Século, etc), tendo participado com convicção e vigor em várias campanhas, destacando-se entre elas a Crise do Douro (1909), o Terramoto de Benavente (1910), a Revolução do 5 de Outubro (1910) e o Advento da República em Espanha. Ocupou os cargos de Redactor do Diário do Senado e de Arquivista Judicial da Boa Hora. Foi correspondente de guerra em França, em 1917. Foi correspondente de guerra em França,em 1917.
Obras principais: Terras Malditas (Campanha Dum Repórter), (1909); O Algarve e Setúbal, (1916); Cartas de Guerra (Janeiro a Abril de 1917), (1917); Ares de Espanha. Política, Figuras e Paisagens, (1930); A Esplêndida Viagem, (crónicas, 1945); «Um panteísta - Afonso Lopes Vieira», (In Memoriam 1878-1946), (1947)."
(Fonte: https://ruascomhistoria.wordpress.com/2018/07/14/quem-foi-quem-na-toponimia-da-batalha/)

Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
50€
Reservado

23 maio, 2026

BELO, Raimundo -
POR AMOR DE PORTUGAL.
Com prefácio do Dr. Francisco Guerra. Angra do Heroísmo, Tipografia Andrade, 1945. In-8.º (19x13,5 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de textos em que o autor discorre sobre o presente do país, com os olhos postos no futuro - reflexões publicadas pouco tempo após o final da 2.ª Guerra Mundial.
"Não escrevo para agradar ou desagradar a esta ou a aquela pessoa. Não quero ferir nem lisonjear. Não tenho a quem ferir, não tenho a quem lisonjear. Minha vida é correntia e simples, sem ambições, sem pretensões, contento-me com o pão de cada dia, não quero fazer figuras, não preciso saltar por cima dos outros, amachucar seja quem fôr, parecer o que não sou. Aos meus inimigos, se alguns tenho, daria, se m'as pedissem, desculpas convenientes dos escândalos que acaso lhes causei: aos meus amigos e aos meus superiores, procuro dar-lhes estima, o respeito, a obediência que lhes devo. [...]
Escrevo por amor duma ideia, duma ideia que sorri no céu de Portugal, rica, opulenta, de virtudes regeneradoras; duma ideia generosa que já emocionou muitos corações, que é já luz de muitas almas, inspiração de muitos espíritos, e será um dia, Deus o permita, plena, edificante, amorosa, radiosa, realidade; escrevo com os olhos postos no passado, em que fomos grandes, com o coração auscultando o presente, que exige êsse passado, com a alma andando o futuro, que só será nosso se ressuscitarmos e revivermos as virtudes antigas da Raça Portuguesa."
(Excerto do texto)
António Raimundo Belo (Praia da Vitória, 1897 - Angra do Heroísmo, 1958). "Mais conhecido por Raimundo Belo, foi um jornalista e historiador açoriano que se notabilizou pelos seus estudos sobre a genealogia das famílias da ilha Terceira e sobre a história da emigração açoriana para o Brasil.
Primo de Gervásio Lima, foi chefe da secretaria notarial de Angra do Heroísmo. Membro da tertúlia intelectual terceirense da década de 1930, foi contista, jornalista e investigador da história angrense, da genealogia e da história da emigração açoriana para o Brasil.
Colaborou nos principais jornais da Terceira e publicou alguns artigos e contos em revistas portuguesas. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico da Ilha Terceira e uma figura activa na vida cultural da ilha Terceira até ao seu falecimento. Foi um dos intelectuais que incentivaram Vitorino Nemésio a publicar os seus primeiros textos."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem f. rosto.
Raro.
Indisponível

10 abril, 2026

NUNES, Joaquim António -
JORNAIS, HOMENS E FACTOS DE PORTIMÃO. Por... Estudos Algarvios : Colecção Dirigida pela Comissão Cultural da Casa do Algarve - VIII. Lisboa, Casa do Algarve, 1962. In-4.º (24,5x17 cm) de 50, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da imprensa escrita em Portimão, capital do Barlavento Algarvio, e das figuras gradas da terra que para tal contribuíram.
"Obra bibliográfica publicada em 1962 pelo escritor e regionalista algarvio Joaquim António Nunes. Editada pela Casa do Algarve em Lisboa (como parte da coleção Estudos Algarvios), funciona como um inventário histórico e descritivo da imprensa em Portimão. Os principais focos da obra incluem:
Imprensa local: Descrição detalhada dos jornais portimonenses, sua evolução e impacto.
Personalidades: Identificação dos mentores, jornalistas e figuras influentes que animaram a vida pública e mediática da cidade.
Indústria Tipográfica: Registo das tipografias que permitiram o florescimento da cultura escrita na região."
(Fonte: IA)
"Pelo exemplo de trabalho que nos oferece a acção dos portimonenses e pessoas que aqui se fixaram, no desenvolvimento do jornalismo, em favor da expansão do pensamento, dos superiores interesses do burgo e de toda a região barlaventina, é digna de ser realçada, ainda que em curtas páginas, para tornar conhecidos os homens que foram, seus obreiros, os periódicos por eles criados e mantidos, e a vigência do seu esforço. [...]
São páginas da história de Portimão raramente conhecidas dos portimonenses e doutras pessoas ligadas às actividades locais e que pela soma de sacrifícios que representam, num labor de anos consecutivos, na mira de aperfeiçoar sistemas, para melhorar ao fim condições de vida - luta tantas vezes inglória por incompreendida - devem ser expostas às modernas gerações para conhecimento da veracidade dos factos que influíram na evolução de Portimão."
(Excerto de Preâmbulo)
Índice dos Jornais por Antiguidade:
O Município | Correio do Meio Dia | Liberdade | Jornal dos Artistas | O Algarve | A Independência | A Ordem | A Verdade | O Portimonense | Alma Algarvia | O Arauto | A Lira | Ecos do Além | O Portimonense | O Algarbh | A Cidade Nova | Jornal de Portimão | Rosa Cruz | Comércio de Portimão | Jornal de Cinema.
Joaquim António Nunes (1905-). "Natural de Portimão (nascido em 1905 no Morgado do Reguengo), Nunes foi uma figura central do regionalismo algarvio em Lisboa. Foi chefe de serviços na Administração do Porto de Lisboa e o sócio número 1 da Casa do Algarve, instituição que ajudou a erguer. Além deste título, escreveu a monografia Portimão (1956), o ensaio Da Vida e da Obra de Teixeira Gomes (1976) e Regionalismo, Cultura e Turismo (1989). É recordado como um investigador rigoroso da história e costumes da sua terra natal, tendo começado a aprender as letras apenas aos 13 anos antes de seguir uma carreira técnica e literária de relevo."
(Fonte: IA)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

12 janeiro, 2026

ROCHA, Hugo - 
O SETUBALENSE AUGUSTO DA COSTA NO JORNAL E NO LIVRO. 
Conferência feita nos Paços do Concelho de Setúbal, em 11 de Dezembro de 1955
. Setúbal, Edição dos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Setúbal, 1956. In-4.º (24x17 cm) de 48 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem à memória do recém-falecido jornalista sadino Augusto da Costa (1899-1954), por ocasião do início das celebrações do centenário do jornal «O Setubalense».
Obra ilustrada em separado com fotografia do busto do homenageado, peça assinada pelo escultor Joaquim Valente.
"Quando a Câmara Municipal de Setúbal me convidou a fazer uma conferência sobre Augusto da Costa e a sua obra literária, como acto inicial das solenes comemorações do primeiro centenário da Imprensa setubalense, logo aceitei o convite por estes dois motivos: 1.º) porque se me proporcionava, assim, o ensejo de prestar homenagem à memória dum camarada que muito prezei e admirei; 2.º) porque se me oferecia o ensejo de rever Setúbal, a primeira cidade, depois de Lisboa, inscrita no meu itinerário nupcial, e indelével recordação. A homenagem a Augusto da Costa aí está, no despretensioso estudo que à sua figura e ao seu labor de homem de letras - e, também, de jornalista - consagrei. [...]
Setúbal, quanto à obra do Criador, isto é: à moldura e à ambiência, continua a ser a cidade que, há muitos anos, me cativou os olhos e a alma; no concernente ao artificial, isto é: à obra da criatura, afigurou-se-me, notando-lhe este e aquele sinais de progressos, cidade com as condições bastantes para se converter numa das mais notáveis, das mais consideráveis de Portugal."
(Excerto do Antelóquio)
"A jornada que, hoje, se inicia com esta sessão e que prossegue com a exposição a inaugurar amanhã precisa, talvez, de uma explicação prévia, embora breve. Trata-se de actos entre si ligados pela afinidade dos objectivos: homenagear a Imprensa setubalense, ao cabo de um século de existência e de luta, homenageando, do mesmo passo, um setubalense que, vindo da Imprensa, particularmente se distinguia nas letras nacionais, enriquecendo e honrando, deste modo, o património intelectual da sua terra.
No decurso deste ano, completaram-se cem anos sobre o aparecimento do primeiro jornal publicado em Setúbal. O acontecimento merecia ser assinalado, não só pela comemoração em si (um século é sempre um marco significativo no evoluir de tudo o que tem história), como, até, pelo facto de, neste capítulo, se ter Setúbal antecipado à maior parte das terras do País, ao criar a sua Imprensa própria."
(Excerto do Discurso proferido pelo Presidente da CMS, Dr. Jorge Botelho Moniz...)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e regional.
15€

05 janeiro, 2026

NAVARRO, Emygdio - OS FUSILAMENTOS. O Direito - A Politica - A Ordem Social. Lisboa, Typographia do Jornal - O Paiz, 1874. In-8.º (20x13 cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Importante peça bibliográfica com interesse para a história da Pena de Morte em Portugal.
Trabalho publicado na sequência do assassinato do alferes Palma e Brito pelo soldado de infantaria n.º 2, António Coelho. A juventude do oficial e as circunstâncias que rodearam o acto, provocaram indignação e revolta um pouco por todo o país, com epicentro em Lisboa, onde se deu o crime. A pena a aplicar, originou uma enorme discussão pública com participação de personalidades dos mais diversos quadrantes da sociedade civil e militar.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"O auctor d'este pequeno opusculo é jornalista. Por mais de uma vez tem defendido na imprensa periodica as idéas, que ora entrega á publicidade, e foi a sua penna uma das primeiras, que se cruzaram com as espadas n'esse duello, que se fere sobre a sepultura do desditoso Palma e Brito. [...]
Quando entre nós surge uma questão grave, que vem cortar a monotonia e a tranquilidade da nossa existencia, é costume começar-se por pedir á opinião e á imprensa, que não agite e discuta essa questão como questão partidaria. Erro grave, ou confissão da nossa profunda decadencia. São essas as verdadeiras, as unicas questões partidarias, porque são ellas, que estabelecem divergencias consideraveis em pontos de doutrina, demarcando arraiaes, caracterisando distinctamente os partidos, os quaes devem separar-se pelas diferenças de ideias e principios, e não pelas rivalidades dos homens e as ambições dos corrilhos. Para o auctor d'este opusculo, o fusilamento do soldado Antonio Coelho é, primeiro que tudo, uma gravissima questão politica, e notavel raia divisoria entre os campos occupados pelos partidos militantes. Assim o trata."
(excerto do preâmbulo)
A questão divide-se naturalmente em tres partes distinctas: - qual deve ser o procedimento dos tribunaes, qual o do governo, e qual o do poder moderador, no castigo do crime e na solução dos problemas gravissimos de ordem politica e social, que com elle se prendem. Nunca é inconveniente a discussão nos paizes, que se regem por instituições livres; e, n'esta conjectura, é ella tanto mais necessaria, quanto mais imperativas se mostram mal disfarçadas manifestações de militarismo. Contra a força dos sabres convem oppor a força da razão e da opinião publica. Restabelecer-se-ha d'este modo o equilibrio, para que sejam decretadas com independencia e reflexão as resoluções, que houverem de adoptar-se. Nem a paixão é bôa conselheira, nem a pressão de uma classe qualquer póde ser garantia de justiça e acerto."
(Excerto da introdução - Os fusilamentos)
Emídio Júlio Navarro (Viseu, 1844 - Luso, 1905). Jornalista, político e diplomata português. "Foi aluno do Seminário de Bragança, onde completou o 2.º ano do Curso de TeoIogia. Em Coimbra, não se sentindo com vocação para a vida eclesiástica, matriculou-se na Faculdade de Direito, tendo concluído o curso em 1869. Deputado, ministro de Estado e ministro de Portugal em França, Emídio Navarro foi sobretudo um grande jornalista. Quando estudante em Coimbra, fundou o jornal A Académica, que teve como colaboradores João de Deus, Teófilo Braga e outros. No Conimbricense também escreveu assiduamente, onde começou a revelar-se dando extraordinárias provas de polemista, de incomparável observador e comentador da vida política do seu tempo. Regressado a Bragança, abriu banca de advogado e aí publicou alguns artigos sobre a Revolução Francesa e os seus homens mais eminentes e tentou fundar um jornal político. Em Lisboa, fundou O Progesso, foi director do Correio da Noite, órgão do partido progressista, onde ingressou. Nomeado secretário do Tribunal de Contas e eleito deputado em várias legislaturas, foi mais tarde para Paris como Ministro de Portugal. Luciano de Castro nomeou-o Ministro das Obras Públicas, tendo desenvolvido notável acção. Abriu grande parte das estradas de Portugal, alargou os serviços florestais, criou, protegeu, edificou e consolidou tudo quanto podia contribuir para o desenvolvimento do património nacional. Após o regresso de Paris, abandonou por completo a actividade política e dedicou-se ao seu jornalismo. Nesta última fase salienta-se a «questão dos tabacos» que ocasionou extraordinários episódios políticos. Parecia que a sua pena ressurgia, moça, dos tempos antigos. Minado pela doença, retirou-se com sua família para o Luso, onde viria a falecer."
(Fonte: www.prof2000.pt)
Exemplar brochado, aparado, em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Sem contracapa.
Muito invulgar.
Indisponível

13 setembro, 2025

CABRAL, Júlio Navarro -
A MADEIRA NOS PAÍSES BÁLTICOS. Nos Jogos Olímpicos de Helsínquia.
[Por]... Da Ordem de Benemerência. [S.l.], Edição do Grupo dos Amigos da Finlândia, 1954. In-8.º (22x15,5 cm) de LIII [53], [1] p ; [8] f. il. ; B.
1.ª edição.
"O Autor foi à Finlândia como Enviado Especial do Turismo Madeirense e do Jornal "A Voz". As crónicas reunidas neste volume foram todas publicadas no referido Diário."
Obra invulgar e muito curiosa. Ilustrada com 8 estampas em separado reproduzindo retratos de algumas altas individualidades de países do norte da Europa, além da finlandesa eleita «Miss Universo».
Exemplar valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Manuel de Bianchi.
"Encontrei o Júlio Navarro em Helsínquia, quando naquela capital se realizavam os Jogos Olímpicos em que os desportistas portugueses colaboraram. Tive, nessa altura, ocasião de apreciar a actividade, o denodo, a persistência com que ele sabia chamar, em toda a parte, a atenção de todos para as belezas da Madeira, sua terra natal, e espalhar a fama dos produtos desta ilha, cujas amostras, pequenas garrafas e bordados saíam constantemente das largas e generosas algibeiras dele, como do infindável mostruário de um prestidigitador.
Agora vejo-o em Portugal, com a mesma combatividade, a fundar o «Grupo dos Amigos da Finlândia», a promover saraus d propaganda, a escrever artigos, a proferir conferências, a agitar idéias, com o ardor e a veemência dum apaixonado. O seu entusiasmo pela nação finlandesa, nação sempre nobre, independente e corajosa, não pode deixar de merecer a minha simpatia. É um entusiasmo que se justifica plenamente. O meu amigo sabe exprimi-lo, comovidamente, com todo o ardor romântico de um latino e a tenacidade de um finlandês."
(Excerto da Carta de Luís Norton de Mattos, Ministro de Portugal em Oslo e Helsínquia)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capas apresentam pequenas manchas de acidez.
Invulgar.
15€

27 julho, 2025

BOLETIM DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE LOJISTAS DE LISBOA -
Janeiro - 1937 : Ano I - N.º 5. Director  e Editor: Domingos Gama Garcia. Visado pela Comissão de Censura. Lisboa, Associação Comercial de Lojistas de Lisboa, 1937. In-fólio (32x23 cm) de 32 p. (inc. capas) ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Número desta conhecida associação de comerciantes lisboeta, distingue na capa e no interior em artigo laudatório o Ministro do Comércio e Indústria, Pedro Teotónio Pereira (1902-1972), indefectível do Estado Novo e um dos mais próximos do líder, António Oliveira Salazar. Além dos cargos de relevo que ocupou durante o regime, ficou conhecido pela contratação do escritor de marinha australiano Alan Villiers (1903-1982), quando embaixador em Washington, para escrever sobre a saga da pesca longínqua portuguesa, que resultaria num bestseller da especialidade - A Campanha do Argus.
Ilustrado com fotografias a p.b. e numerosa publicidade da época.
"Membro de uma Família Ilustre de comerciantes, é, pode dizer-se, o verdadeiro creador e orientador do Movimento Corporativo Nacional.
Com solida preparação intelectual, creada mercê de aturado estudo (foi um dos mais distintos alunos da Faculdade de Sciencias da Universidade de Lisboa); subordinado a regras moraes que sempre impuzeram pela sua absoluta integridade; respeitado, estimado e admirado, desde muito novo, por todos quantos, um dia, com ele conviveram; caracter recto e digno; Homem de Acção a quem o trabalho constante não assusta, é, sem contestação, um Ministro verdadeiramente á altura do cargo que ocupa."
(Excerto do Artigo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado, com pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
15€

21 julho, 2025

CARVALHO, Torres de - "NAZIS" : aspectos citadinos e políticos da Alemanha. [Prefácio de António da Costa Cabral, Ministro Plenipotenciário, antigo Ministro de Portugal em Berlim]. Lisboa, Henrique Torres : Editor, 1933. In-8.º (19×12,5 cm) de 167, [1] p. ; [9] f. il. ; B.
1.ª edição.
Reportagem efectuada por um jornalista português na Alemanha nazi seis anos antes da eclosão da 2.ª Guerra Mundial.
Trata-se de um importante documento histórico. O autor, conhecido germanófilo, esteve no congresso de Nuremberga realizado nesse ano (1933) a convite do regime nazi, tendo oportunidade de entrevistar os principais líderes alemães, todos homens da confiança de Hitler: Rudolf Hess, Adjunto do Führer; Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda do Reich; Alfred Rosenberg, principal teórico do Nacional-Socialismo; Ernst Röhm, Chefe da milícia alemã; Hans Frank, Advogado, Ministro da Justiça da Baviera; Arthur Schumann, Chefe do Serviço de Inteligência Política do NSDAP, Ministério das Relações Exteriores do PNS; Dr. E. Pflaumer, Cirurgião e professor da Faculdade de Medicina de Enlangen, Baviera.
Vem ainda reproduzido o último discurso de Hitler, pronunciado no Reichstag, na noite de 14 de Outubro de 1933, por ocasião da renúncia da Alemanha à Sociedade das Nações.
Livro ilustrado com nove estampas extratexto reproduzindo os retratos de Hitler e dos entrevistados, e de uma parada militar em Nuremberga.
O jornalista Torres de Carvalho, no livro intitulado Nazis - que constitui um notável documento sobre a Alemanha dos anos 30, com curiosos comentários aos importantes acontecimentos que então ali se verificavam, e que constituíram marcos importantes da ascensão do Nazismo, e com entrevistas a alguns responsáveis máximos do governo nacional-socialista (Hess, Goebbels, Rosenberg, Ernst Rohm, Hans Frank) - manifesta um tom aparentemente desapaixonado, em que mesmo se nota algum receio pelos excessos de alguns partidários de Hitler, não é de admirar que acabe por manifestar alguma admiração pelo Führer e que, no prefácio, o embaixador em Berlim, António da Costa Cabral, revele alguma compreensão por esses excessos, admitindo que eles acabarão por ser sanados.
No Prefácio, que se intitula "Palavras de verdade", diz o embaixador de Portugal na Alemanha: "A mocidade do Führer e dos seus sequazes, longe de se me afigurar perigosa, julgo-a favorável à instauração de um novo estado de coisas. Se xenofobia existe nas juventudes nacionalsocialistas alemãs, esse excesso de patriotismo deve sanar-se mercê da clarividente actuação dos seus Chefes supremos, que apenas procuram o bem público pelos processos que a mentalidade germânica mais favoriza e que nós, latinos, repudiaríamos e não compreendemos".
(Luís Reis Torgal. Salazarismo, Alemanha e Europa, Revista de Historia das Ideias Vol. 16 1994)
"Para compreender a transcendência do movimento que vem transformando a Alemanha são indispensaveis livros como êste. Quotidianamente tem o simples leitor de gazêtas ou o estudioso ensejo de conhecer o desenrolar dos acontecimentos e tudo o que o Partido Nacional-Socialista tem demolido, substituido ou criado no «Terceiro Reich». Mas a rapida leitura da imprensa diaria não é, por certo, informação suficiente por desconnexa e, em geral, pouco profunda.O livro, sim, esse compendia e metodisa o que convem ou interessa sabêr.
A grande massa de pessôas que já hoje, entre nós, se preocupa com o que se passa além fronteiras, isto é, que acompanha com curiosidade e ainda com desejo de aprender e perceber a evolução das instituições dos Estados que adoptaram novas formulas para resolução dos problemas políticos e sociais da hora presente, merecia que pela penna de um jornalista experimentado e de justa visão, lhe fôssem servidas, sôb forma atrahente e de suma elegancia estilistica, algumas verdades sôbre o Hitlerismo."
(Excerto do Prefácio)
"Vais lêr um livro que fala da Alemanha actual, dêsse país onde Hitler domina, dêsse ponto da Europa que provoca as atenções do mundo inteiro.
É um livro escrito por um jornalista que esteve na Alemanha, fazendo reportagem, que ali foi alheio à política, tratar de política, colhêr impressões, relatando os acontecimentos tais como o são, imparcialmente, naturalmente, sem coacções nem facciosismos.
A Alemanha atravessa um dos momentos mais melindrosos.
Todas as apreciações, ácêrca dela, são, por enquanto, extemporâneas.
Hitler procura-a restabelecer do mal que a ia victimando: o comunismo.
Os mesmos remédios que curam, tomados em excesso, muitas vezes provocam a morte. Aguardemos, portanto.
Hitler pretende despertar a Alemanha, purificar a raça, impedir aos judêus o direito de cidadãos, criar uma nova Alemanha... Para isso dispende uma actividade sobrehumana; discursa, faz prelecções, entusiasmando, estimulando o povo a acompanhá-lo nos seus ideais."
(Excerto do preâmbulo)
Índice: - Prefácio. Palavras de Verdade. - [Preâmbulo]. - Hamburgo. - Berlim. - Munich. - O Congresso de Nürnberg. - Bremen. - O pensamento de Hitler, atravez um dos seus discursos. - [Entrevistas]. - O ultimo discurso de Hitler, pronunciado, na noite de 14 de Outubro, por ocasião da saida da Alemanha, da Sociedade das Nações.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado. Capas cansadas, com acidez. Assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
Com interesse histórico.
45€

29 junho, 2025

G
ALLIS, Alfredo - A BURLA DO CONSTITUCIONALISMO. Autopsia á politica portugueza no actual momento historico. A pantomima, os pantomineiros e as pantominices do nosso mundo politico. 2.ª edição. Lisboa, Livraria Antonio Maria Pereira : Livraria editora e Officinas Typographica e de Encadernação Movidas a electricidade, 1907. In-8.º (19x12 cm) de 237, [3] p. ; E.
Análise corrosiva do ambiente político da época. O autor, jornalista e escritor de fino recorte humorístico, mais conhecido nas lides literárias pelos romances de matriz erótica que publicou no final do século XIX, princípios do século XX, crítica e põe a nu o jornalismo perverso, o clientelismo e os bastidores da política na capital.
Invulgar e muito interessante.
 "A obra do jornalista é ephemera embora civilisadora, e quem tiver assumptos de certa magnitude a tratar, e queira que elles perdurem na memoria dos povos, deve escolher de preferencia o livro ao jornal.
Eis o motivo porque em livro concretisei aquillo que muito facilmente poderis dizer em artigos jornalisticos... [....]
Desde que o jornal envaredou pelo campo da bisbilhotice do soalheiro, quer esse soalheiro seja um gabinete de ministro quer a humilde casa de um operario, a sua missão educativa e civilisadora ficou muito áquem do pensamento fundamental da creação da imprensa. [...]
Escreve-se sem sciencia nem consciencia, n'uma nojenta disciplina brutal que causa asco.
O jornalista politico em vez de orientar o seu partido e corrigir-lhe as demasias, applaude tudo e todos n'uma alacridade de palerma escravisado que indigna e revolta. [...]
Presentemente mesmo, ha pouquissimos jornalistas.
Em compensação abundam os industriaes da imprensa e os carpinteiros da mesma, que morrem sem ninguem os conhecer nem deixarem cousa que se veja, como succedeu a tantos que conheci nos começos da minha vida de jornalista.
A experiencia, unica e exclusivamente, me percaveu contra o destino fatal de todos os jornaes, aconselhando-me a que preferisse antes o livro que fica e se guarda, ao jornal que se lê e se atira para o lado ás vezes com um modo quasi despresivo.
N'este livro pois, deixo bem inpressas todas as considerações e criticas acerbas e desapiedadas, libertas de pressões partidarias, que me inspira o estado canceroso e putrido da politica portugueza n'este momento historico da nossa vida mundial como nação autonoma.."
(Excerto da introdução, Aos leitores)
Índice
:
Aos leitores. Duas palavras ácerca da vida. I - A Carta Constitucional. II - Os influentes politicos. III - Dynastias reinantes em Portugal no actual momento historico. IV - O juizo de instrucção criminal - a lei de 13 de Fevereiro, e o juiz Veiga. V - O jornalismo politico, o jornalismo industrial, o jornalismo amalandrado. VI - Politica de partidos e politica de portuguezes. VII - O que faz a Hespanha. VIII - Camaras municipaes e administradores do concelho. IX - A vida dos governos. X - O espetro do absolutismo. XI - Os processos da politica e a Ex.ma Sr.ª D. Maria Emilia Seabra de Castro. XII - O parasitismo. XIII - Alguns alvitres simples.
Joaquim Alfredo Gallis (1859-1910). "Mais conhecido por Alfredo Gallis, foi um jornalista e romancista muito afamado nos anos finais do século XIX, que exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra e o de administrador do concelho do Barreiro (1901-1905). Usou múltiplos pseudónimos, entre os quais Anthony, Rabelais, Condessa do Til e Katisako Aragwisa. Desde muito jovem redigiu artigos e folhetins em jornais e revistas, entre os quais a Universal, a Illustração Portugueza, o Jornal do Comércio, a Ecos da Avenida e o Diário Popular (onde usou o pseudónimo Anthony). Como romancista conquistou grande popularidade, especializando-se em textos impregnados de sensualismo exaltado que viviam das «fraquezas e aberrações de que eram possuídas, eram desenvolvidas entre costumes libertinos e explorando o escândalo». Escreveu cerca de três dezenas de romances, por vezes publicados com o pseudónimo Rabelais. Alguns dos seus romances têm títulos sugestivos da sensualidade que exploram, nomeadamente Mulheres perdidas, Sáficas, Mulheres honestas, A amante de Jesus, O marido virgem, As mártires da virgindade, Devassidão de Pompeia e O abortador. É autor dos dois volumes da História de Portugal, apensos à História, de Pinheiro Chagas, referentes ao reinado do rei D. Carlos I de Portugal."
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. F. ante-rosto apresenta pequena falha de papel no canto superior direito.
Muito invulgar.
25€

22 maio, 2025

PINTASILGO, José Manuel - MANGA DE RONCO NO CHÃO.
[Prefácio de António de Spínola]. Lisboa, [s.n. - Impresso nas Oficinas Gráficas da Companhia Nacional Editora - Lisboa], 1972. In-8.º (21x15 cm) de 116, [4] p. ; [33] f. il. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas reunidas em volume, antes publicadas no jornal Época durante o ano de 1972, redigidas no cenário militar mais adverso experimentado pelas tropas portuguesas durante a Guerra Colonial, recolha muito valorizada pelo prefácio do General Spínola, governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné.
Livro ilustrado com inúmeras fotografias a p.b. - impressas sobre papel couché - distribuídas por 33 folhas intercaladas no texto.
"Enfrentamos uma conjuntura que dispensa, creio bem, qualquer explanação sobre o alto interesse de preservar a informação pública dos grupos de pressão que cada vez mais pretendem comandar as opiniões à luz dos seus interesses, nem sempre coincidentes com o superior interesse geral.
Na hora que passa, caracterizada pela luta de ideias, as campanhas de esclarecimento reclamam, deste modo, cada vez maior dimensão, pois ninguém poderá contestar que um perfeito conhecimento da realidade dos factos, servido por uma sólida formação cívica, é ainda o melhor escudo da sociedade contra as manipulações ideológicas a que pretendem sujeitá-la. [...]
«Manga de Ronco no Chão» é a colecção num só volume das crónicas que o jornalista José Manuel Pintasilgo, enviado especial do jornal Época à Guiné, aqui recolheu e aquele diário divulgou. A sua publicação, integrada no conceito de «moral informativa» que acima aflorámos, dignifica o autor e a Imprensa Portuguesa, pela isenção que caracteriza a notável reportagem jornalística coligida no presente livro, de inegável merecimento para a difusão da verdade. [...]
Não pode o leitor, todavia, interpretar esta obra como simples divulgação viva da realidade da Guiné do presente, que ressalta nas crónicas compiladas; é que, para além disso, ela é ainda um documento esclarecedor de conceitos que conduzem à solução inadiável de problemas que não devem ser iludidos mas antes apresentados abertamente à opinião pública."
(Excerto do Prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com indubitável interesse histórico.
Indisponível

29 abril, 2025

PORTUGAL MAIOR.
Revista de propaganda das actividades portuguesas e do trabalho dos portugueses no mundo - AÇORES. Número póstumo comemorativo das Bodas de Ouro do jornalista açoriano Armando Ávila. Rio Maior, Composição, impressão e coordenação das Oficinas Gráficas do «Jornal do Oeste», Editoras, 1967. In-4.º (29x22,5 cm) de [44] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio monográfico dedicado aos Açores, especialmente à Ilha Terceira, terra natal do homenageado, que também fundou a revista «Portugal Maior», e aos testemunhos e colaboração de personalidades da vida literária local e nacional.
Número especial, com interesse histórico e regional. Sem referências bibliográficas. A BNP não menciona.
Obra muito ilustrada no texto com fotografias a p.b. no texto e publicidade alusiva a produtos e serviços angrenses.
"Pedem-me algumas palavras àcerca do Armando, para serem publicadas neste último número do seu «Portugal Maior». Haveria muito a dizer, certamente,. Mas não quero nem devo alongar-me. Bastará afirmar, com absoluta consciência e verdade, que esta revista foi a sua última paixão. A última... e mais duradoira!
Lutou estòicamente para conseguir a sua publicação, várias vezes esbarrando com incríveis e destrutivas más vontades.
Mas venceu e, desde que a fundou, até que a morte o levou, no passado dia 4 de Março, para ela viveu, dedicando-lhe o melhor do seu tempo, da sua vida, da sua inteligência, da sua já abalada saúde e da sua longa prática do jornalismo."
(Excerto de Palavras de saudade, por Conceição Ramalho)
Índice:
Palavras de saudade, Por Conceição Ramalho | Nasci jornalista e jornalista quero morrer - A morte surpreendeu-o na sua missão | Senhor Santo Cristo dos Milagres | Canção: Os Açores, Por Alice Moderno | Notas históricas sobre a descoberta dos Açores | Sé Catedral de Angra | O mar na História Açoriana | Um conto inédito: Maria Doida, Por João Ilhéu | Ilha Terceira | Lar de Santa Maria Goretti | Biscoito brabo, mistério velho, furnas e algares..., Por Vitorino Nemésio | Missão Sagrada - o último artigo de Armando Ávila, Por Armando Ávila | Mortos ilustres - Jaime Brasil | O Folclore Açoreano, Pelo Padre Tomaz Borba | Ilha Terceira, Pelo Prof. Dr. Vitorino Nemésio | Os "Montanheiros" depararam com 50 salas e cenários de maravilha nos 3.300 metros já explorados da Galeria dos Balcões | Em Angra do Heroísmo foi descoberta uma galeria subterrânea com mais de dois mil metros | Perspectivas da História Baleeira nos Açores | Glória ao Divino!, Por Armando Ávila | Hora alta do pensamento açoriano... Vitorino Nemésio comemorou as suas «Bodas de Ouro» na terra natal | A acção do Prior do Crato nos Açores, Por Correia da Costa | Costumes Açorianos | Angra é poema, Por Carlos Faria | Os pioneiros da Civilização Açoriana, Por Jaime Brasil | O Milhafre ave simbólica do arquipélago dos Açores | Férias nos Açores  - A Baía de Angra, a mais bela das enseadas açorianas.
Armando Borges de Ávila (Angra do Heroísmo, 1900 - 1967). "Foi um jornalista e escritor, pioneiro da redacção e edição de guias turísticos e da promoção turística nos Açores. Nasceu na freguesia da Sé, filho de Emílio Borges de Ávila, comerciante, e de Elvira Avelar Borges de Ávila, oriundos da ilha de São Jorge. Foi sobrinho de Manuel Borges de Ávila, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo durante a Primeira República. Fez o seu percurso de educação básica e secundária na sua cidade natal. Iniciou-se no jornalismo em 1916, publicando no Eco Académico, jornal do Liceu Nacional de Angra do Heroísmo. No ano seguinte substituiu Vitorino Nemésio como director do jornal Estrela d´Alva. A partir de então, dedicou-se à atividade jornalística profissional, ora em Angra do Heroísmo, ora em Lisboa. Quando residiu em Lisboa, trabalhou no Diário da Noite, Sports, Diário de Notícias, Capital, Novidades e Humanidade. Nesse período colaborou como correspondente no Diário da Madeira, Correio dos Açores e A União. Em Angra do Heroísmo foi editor do periódico O repórter : semanário de grandes reportagens, humorismo, crítica, arte, desporto e informação, propriedade de Manuel Joaquim de Andrade, que se publicou naquela cidade a partir de 1934. Também nesse período fundou e dirigiu o jornal A República e o Jornal de Angra. Dedicou-se à promoção do turismo, tendo escrito e publicado várias edições do Guia Turístico da Ilha Terceira (1940) e do Anuário Índice das Actividades Económicas do Arquipélago dos Açores e da Madeira (1951). Editou o periódico Portugal Insular (1939). Também fundou e dirigiu o periódico Portugal Maior : revista de propaganda das actividades portuguesas e do trabalho dos portugueses no mundo (1965). Ao longo dos 50 anos de atividade como jornalista defendeu os interesses do arquipélago e empenhou-se na propaganda turística do mesmo. Os trabalhos que publicou foram, essencialmente, crónicas relacionadas com o jornalismo. Armando Borges de Ávila esteve preso por razões políticas, tendo como data da primeira prisão 25 de março de 1943. Foi solto em liberdade condicional em 29 de maio de 1944. Jornalista presente em Lourenço Marques em 1942, foi preso em Lisboa no ano seguinte, quando as autoridades portuguesas souberam que tinha sido enviado para África pela Abwehr em missão de espionagem. Em consequência, quando pretendia regressar de Angra do Heroísmo a Lisboa, o delegado marítimo britânico das forças britânicas em Angra recusou o «navicert» ao navio N/M Lima se ele embarcasse. Para além da vastíssima obra dispersa pelos jornais e revistas, é autor de diversas monografias."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Nome e endereço manuscrito, ao alto, na capa, que também ostenta selo de correio.
Raro.
Sem registo na BNP.
Indisponível