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22 março, 2026

MAIA, Berta - AS MINHAS ENTREVISTAS COM ABEL OLIMPIO "O DENTE DE OURO".
Paginas para a historia da morte vil de Carlos da Maia, republicano - combatente de 5 de Outubro -
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Ottosgrafica - Lisboa], 1928. In-4.º (23x17,5 cm) de 64 p. ; B.

1.ª edição.
Berta Maia, viúva de José Carlos da Maia - uma das vítimas da madrugada de 19 de Outubro, que para a história ficaria conhecida pela "Noite Sangrenta" - empenhou-se viva e corajosamente na busca da verdade: quem e porquê tinham sido os mandantes dos crimes, tendo para o efeito entrevistado na prisão Abel Olímpio - «o Dente de Ouro» - cabo da marinha, líder da "camionete fantasma" - responsável identificado pelo morticínio.
Ilustrado com fac-símiles dos Autos referentes às declarações de vários dos envolvidos neste processo "Noite Sangrenta".
"No dia 19 de outubro de 1921, eclode uma revolta militar sob o comando do coronel Manuel Maria Coelho, antigo revolucionário do Movimento Republicano de 31 de Janeiro de 1891. O chefe do Governo, António Granjo, apresenta a demissão, mas o Presidente da República, António José de Almeida, não nomeia um novo executivo.
Neste ambiente de impasse, na noite de 19 para 20 de outubro, um grupo de civis e militares, liderado pelo cabo marinheiro Abel Olímpio, conhecido por O Dente de Ouro, conduz os acontecimentos da designada Noite Sangrenta.
Uma camioneta – a "camioneta-fantasma" – percorre Lisboa em busca de diversas figuras do regime republicano, que, forçadas a entrar no veículo, são posteriormente executadas. Na Noite Sangrenta são assassinados, entre outros, o Primeiro-Ministro, António Granjo, e dois protagonistas da Revolução de 5 de Outubro de 1910, Machado Santos e Carlos da Maia."
(Fonte: https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/noite-sangrenta.aspx)
"Tu, meu filhinho, ficaste órfão aos seis mezes, toda a tragedia se desenrolou á tua vista e tu sorrias, sorrias sempre! Deus Meu! Pensei que um dia a tua alma estimaria lêr estas páginas, escritas por tua Mãe, sem odios, sem gritos de vingança, e então uma lágrima rolaria pela tua face, serena, sem revoltas, amparado á cruz de Cristo, forte, altivo na tua dôr, orgulhoso de teu Pae!"
(Excerto de Porque escrevi este livro)
"Um mez e dias depois da morte do meu marido adorado, - estava eu prostrada no leito numa grande agonia, - trouxeram-me um cartão de visita: era da policia, do director Barbosa Viana, convidando-me a ir o Governo Civil. Levantei-me e fui. O Dr. Barbosa Viana escondeu-me numa sala e, sentada junto duma porta de vidro, foi-me possivel perceber o que se passava na sala contigua. Ouvia, não via, parecendo-me conhecer a voz de quem procurava defender-se. Eu tremia num desespero louco, ouvindo falar no que se passara em minha casa. Uma voz nega a celebre frase que lhe recordam:
- Então tu não disseste em cada de Carlos da Maia - «ele tambem não teve dó de mim, mandou-me para a Africa a ganhar 10 réis por dia e minha mãe morreu de dôr»? És capaz de manter essa negativa diante da viuva? Conhece-la?
- Sim, - respondeu.
A porta abre-se, e eu vejo o marinheiro cujo olhar terrivel e me gravara pra todo o sempre. Atiro para longe o chapeu e digo-lhe:
- Conheces-me? Olha bem para mim. Não me deste tiros, mas vê bem que eu sou um cadaver!
O Dr. Barbosa Viana agarra-me com força, pela frente, no momento em que tento avançar para o assassino, obriga-me a sentar num sofá, sofocada. Então, aquele homem frio, que dir-se-ia de gelo em minha casa, com uma lagrima nos olhos, fixando-me, diz:
- Esta senhora é a unica pessoa que me pode acusar..."
(Excerto de Depois da tragedia - No Governo Civil)
Índice:
Dedicatoria. | Porque escrevi este livro. | Depois da tragedia: No Governo Civil; Na Prisão da Junqueira. | Depois da condenação do Abel Olimpio: Na Penitenciaria de Coimbra - Primeira entrevista; Segunda entrevista; E o Abel falou - Terceira entrevista. | O Snr. Virgilio Pinhão em minha casa. | Os autos [Fac-símiles].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
30€
Reservado

09 dezembro, 2020

MENESES, Bourbon e - OS CRIMES DE 19 DE OUTUBRO. Revelações & Interrogações Sensacionais. Por... [S.l.], Edição do autor, Janeiro : 1929. In-8.º (19 cm) de 52 p. ; E.
1.ª edição.

Trabalho de Bourbon e Meneses sobre a «Noite Sangrenta», cuja análise se baseia nas conversas de Berta Maia, viúva do falecido Carlos da Maia, com Abel Olímpio, o «Dente de Ouro», cabecilha dos assassinos.
"A "noite sangrenta" de 19 de Outubro de 1921, foi um episódio trágico ocorrido durante a I República. Ficou também conhecido por “camioneta da morte” para designar a forma como foram transportados vultos prestigiados da I República, como, Machado dos Santos, Carlos da Maia e António Granjo, antes de serem brutalmente assassinados. Continua a carecer de uma investigação histórica mais aprofundada. Existem versões diferentes sobre quem são os responsáveis destes assassinatos, que se repartem entre desconhecidos ligados ao radicalismo revolucionário ou por monárquicos que se terão "infiltrado no movimento revolucionário para depois empalmá-lo”.
(Fonte: http://inclusaoecidadania.blogspot.pt)
Afonso Augusto Falcão Cotta de Bourbon e Menezes (1890-1948). "Ficou, sobretudo, ligado ao jornalismo republicano. Lisboeta de nascimento, Bourbon e Menezes estreou-se nas páginas de A Manhã, jornal dirigido por Mayer Garção, passando depois pelas redacções de O Mundo, Primeiro de Janeiro, Voz do Operário e Diário de Notícias, onde firmou a coluna "Pedras soltas". Grande prosador e polemizador, deixou também vários livros de contos e o poema Menino (1925) que Fernando Pessoa teria chegado a verter para inglês."
Encadernação em meia de pele. Sem capas de brochura.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa levemente manchada, com pequenos defeitos marginais.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível