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16 fevereiro, 2026

CUNHA, António Cardoso -
S. CIPRIANO, PADROEIRO DE BRUXOS E FEITICEIROS
. [Por]... Bispo de Vila Real. Porto, [s.n. - Composto e impresso nas Ofic. Gráf. da Livraria Cruz - Braga], 1983. In-8.º (23,5x16 cm) de, [3], 28, [1] p. (252-279 pp.) ; B.
1.ª edição independente.
Separata da Revista «Humanística e Teologia» : Tomo IV - Setembro-Dezembro de 1983 - Fasc 3.
Interessante trabalho sobre superstição e crendice, e a influência que S. Cipriano teve nos rituais e práticas de bruxaria e feitiçaria.
"Os esforços feitos pelos Padres e homens da Igreja para extirpar na nova sociedade cristã hábitos supersticiosos longamente enraizados não foram totalmente coroados de êxito.
Para muitos cristãos era (e ainda hoje é) possível conciliar a prática da vida cristã com a credulidade supersticiosa. As proibições mais ou menos severas das autoridades civis e religiosas foram inúteis.
Na cristandade medieval, os profundos sentimentos religiosos que floriram nas artes, nas Sumas Teológicas, nas Cruzadas e em tantas outras manifestações de piedade individual e colectiva não puderam exterminar a cizânia da crendice que, por toda a parte, contaminava o povo cristão. A ignorância das massas populares, favorecida pela falta de cultura da grande maioria dos sacerdotes que tinham a missão de as orientar e esclarecer, tornava o terreno propício ao ressurgir de antigas superstições. [...]
Os germanos introduziram na cristandade medieval as ordálias ou juízos de Deus que já existiam em alguns povos da antiguidade pagã. Esse bárbaro costume, que floresceu na Alemanha e na França, era aceite como prova irrefutável nos tribunais.
Os suspeitos de crimes gravíssimos eram submetidos pelas autoridades a deter minadas provas (ou eles espontaneamente pediam) com o fim e se averiguar a sua inocência ou culpabilidade .
As modalidades mais frequentes eram o duelo, deitar sortes (sorteio), a prova de fogo, do ferro em brasa (ferro caldo) e a prova da água quente e fria.
Havia a ingénua convicção de que Deus intervinha milagrosamente na defesa dos inocentes e no castigo dos culpados."
(Excerto de A mentalidade Supersticiosa na Idade Média e no Renascimento)
Índice:
Actas dos Santos Mártires Cipriano e Justina: I - Conversão; II - Confissão; III - Martírio. | Lenda ou História? Confusão de Cipriano de Antioquia com Cipriano de Cartago | A Magia Profundamente Enraizada na Sociedade Pagã não Desapareceu Subitamente com a Vinda do Cristianismo | A mentalidade Supersticiosa na Idade Média e no Renascimento | As Actas de Cipriano e Justina Fazem Parte duma Literatura Característica dos Primeiros Séculos da Era Cristã | A Lenda de Cipriano Renasce e Renova-se Através dos Séculos | O Livro de S. Cipriano | Conclusão.
António Cardoso Cunha (Penso, Sernancelhe, 1915 - Chaves, 2004). "Foi um bispo português. Depois da instrução primária, bem como secundária e terminado o Curso de Teologia foi nomeado professor do seminário de Resende, por não ter idade canónica para ser ordenado sacerdote. A 16 de Abril de 1938 foi ordenado sacerdote por D. Agostinho de Jesus e Sousa, tendo sido nomeado pároco de Vila da Moimenta da Beira. Regressando ao Seminário de Resende como professor e Perfeito, foi depois estudar para Roma História Eclesiástica, na Universidade Gregoriana. Após ter voltado a Portugal, foi nomeado Vice-Reitor do Seminário de Resende e, anos mais tarde, Vice-Reitor do Seminário de Lamego.
A 9 de Março de 1956 foi eleito Bispo Auxiliar de D. José do Patrocínio Dias, Bispo de Beja, com o título de Baris. A sua sagração episcopal celebrou-se na Catedral de Beja em 10 de Junho de 1956. Como auxiliar mostrou um grande acompanhamento do Seminário Diocesano (inaugurado em 1940), e uma grande proximidade com os sacerdotes, devendo-se a ele a formação qualificada de muitos deles. Foi também um dos padres conciliares portugueses no Concílio Vaticano II. Em 7 de Outubro de 1965 foi nomeado Administrador Apostólico de Beja, tomando posse por procuração. Ao morrer D. José do Patrocínio Dias em 24 de Outubro desse mesmo ano, foi nomeado para Bispo de Beja, a 18 de Dezembro, e D. António Cardoso Cunha foi nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real.
A 16 de Maio de 1966, D. António Cunha é nomeado Bispo Coadjutor da Vila Real, com direito de sucessão a D. António Valente da Fonseca, tomando posse deste cargo a 3 de Julho de 1965. Com a resignação de D. António Valente da Fonseca a 10 de Janeiro de 1967, foi nomeado Bispo de Vila Real, resignando a 19 de Janeiro de 1991." Faleceu no Lar de Velhinhos das Irmãs dos Anciãos Desamparados, de Chaves, onde residia desde 1991, ano da sua resignação.
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

02 outubro, 2025

ROQUE, Prof. Joaquim -
REZAS E BENZEDURAS.
(Etnografia Alentejana). Beja, Minerva Comercial : Carlos Marques & C.ª, L.da, 1946. In-8.º (22x17 cm) de [4], 117, [1] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso estudo etnográfico sobre superstição e crendice na província do Alentejo.
Invulgar e muito interessante.
Livro ilustrado no texto com desenhos e fotografias a p.b., algumas em página inteira.
"Num trabalho por nós publicado em 1940 incluímos as rezas e as benzeduras no número de superstições e crendices populares ainda hoje muito usadas pelo nosso povo como remédio santo para curar entorses, desmanchos, queimaduras, insolação, erisipela, olhados e tantos outros males que afectam, por vêzes, não só a saúde do corpo, mas também a do espírito.
A pág. 64-65 do nosso referido trabalho apontámos, então, como exemplo, todo o «cerimonial» e a «oração» empregados para benzer de entorse ou desmancho:
Vamos desenvolver neste novo trabalho, tanto quanto possível, o que, então, dissemos sobre este interessantíssimo ramo da Etnografia Portuguesa.
Todas estas práticas são acompanhadas de cerimónias e orações (ensalmos) especiais, ditas em voz alta, pelo benzedor ou benzedeira e repetidos pelo paciente."
(Preâmbulo)
Índice:
Rezas e benzeduras populares | Como o povo reza... | Bruxas, Feiticeiras e lobis-homens... | Aparições: almas do outro mundo, fantasmas e luzinhas nocturnas | Medos: gravultos, sombras e avejões... Bibliografia | Índice.
Joaquim Baptista Roque (1913-1995). "Prof. Joaquim Roque como ficou conhecido, nasceu a 26 de Janeiro de 1913, em Peroguarda, concelho de Ferreira do Alentejo e faleceu a 2 de Dezembro de 1995, em Lisboa. Professor, escritor, jornalista, etnógrafo e folclorista português dedicou muito da sua vida aos estudos etnográficos do Alentejo tendo recolhido milhares de quadras populares da região transtagana. Foi professor primário em diversas localidades alentejanas, adjunto do diretor escolar de Beja e diretor escolar de Lisboa."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação em tela com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura anterior.
Exemplar em bom estado de conservação. Apresenta sublinhados a vermelho um pouco por todo o livro.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e popular.
75€

19 agosto, 2025

CAUFEYNON e JAF, Drs - AS MISSAS NEGRAS. Feitiços, diabruras, maleficios e sortilegios. Os amores e o culto de Satanaz. Lisboa, Typographia Lusitana Editora, 1909. In-8.º (20,5x13 cm) de 258, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso estudo sobre feitiçaria e o culto a Satanás. Obra dividida em duas partes: as seitas e o culto demoníaco em si, através do cerimonial e das missas negras; a adoração a Satanás sob o ponto de vista dos costumes - eróticos e sensuais.
Obra invulgar e muitíssimo interessante. A BNP não menciona.
"As missas negras, seja qual fôr o cerimonial que n'ellas se observe, teem sempre por objectivo o culto do Demonio; aquelles que as celebram, sacerdotes ou não, são crentes do dogma christão, porque é evidente que o sacrilegio não poderia existir onde não houvesse a crença; a profanação intencional caracterisa o proprio acto. [...]
As missas negras caracterisam-se especialmente pela inversão absoluta do rito christão; são officios ao revez e nos quaes, com o espirito de se pôr bem em relevo a profanação aprazivel a Satanaz, se ministra a hostia consagrada maculando-a de differentes maneiras. [...]
Quando se estuda a origem das seitas dos primeiros seculos da era christã, fica-se profundamente impressionado pelas indubtaveis analogias que taes associações offerecem com os mysterios da antiguidade. Os prazeres sensuaes formam o seu principal attractivo; quanto ao dogma, consiste em considerar Baccho como o verdadeiro Senhor dos Deuses, desthronado pelo usurpador Jupiter. As seitas gnosticas e as que d'ella derivam, consideravam Saranaz como o verdeiro Deus, desthronado pelo Altissimo. Entre uns e outros todos os desregramentos se julgavam legitimos. Os vicios constituiam virtudes.
As missas negras derivam das primeiras seitas que ministravam a Eucharistia mesclada de substancias repugnantes e sangue, que veneravam Satanaz e se abstinham de tudo que o Evangelho preceitua, recorrendo a quanto n'elle se prohibe.
As missas negras revestem um caracter especial de maleficio; são geralmente celebradas como as missas lithurgicas, por intenção de determinadas pessôas; differem apenas n'isto: as primeiras visam os vivos, as segundas os mortos. Quando se deseja mal a alguem, faz-se consagrar no altar, pelo officiante, uma figurinha de cêra, na qual se cravam alfinetes de ferro; isto basta para causar, n'aquelle que se visa, enfermidades terriveis e muitas vezes a morte. A missa negra serve tambem de feitiço para o amor, quer dizer, obriga o homem ou a mulher ao sacrificio corporal em favor do feiticeiro; para varrer do caminho um rival ou uma rival, e, n'este caso, para lhes causar a morte ou, pelo menos, provocar-lhes qualquer doença incuravel, e ainda levál'os a praticar qualquer acto que resfrie o amor d'aquelle ou d'aquella que os ama.
Finalmente, as missas negras, verdadeiro culto satanico, constitue uma das superstições mais aferradas do nosso tempo, porque a verdade é que estão ainda em uso, fazem parte integrante da prostituição moderna."
(Excerto do Prefacio)
Indice:
Prefacio | Primeira Parte: O culto de Satanaz: I - Origens e progressos dos Mysterios. II - A Demonomania dos Antigos. III - As seitas heresiarchas e as suas cerimonias. IV - Festas licenciosa do seculo XII. V - Votos e maleficios consagrados. VI - Profanações dos seculos XIV e XVI. VII - As missas e cerimonias escandalosas do seculo XVI. VIII - Assembléas satanicas. - Missas negras dos feiticeiros. IX - Maleficios, sortilegios, sacrilegos e missas negras do seculo XVII. X - Os Convulsionarios e as suas doutrinas singulares. XI - O Templo da Maçonaria Egypcia. - Cagliostro. XII - Cerimonias sacrilegas da Revolução. XIII - Missas negras modernas. Segunda Parte: Os amores de Satanaz. Orgias do tempo antigo: I - Torpezas dos grandes senhores e do clero. II - Costumes dissolutos dos reis francos e dos bispos da Edade Media. III - Costumes publicos e privados a partir do seculo XI - Os possessos demoniacos. IV - As possessas de Loudun e Louviers. V - Os vicios dos seculos XVII e XVIII. VI - Os possessos de Morzina.
Jean Fauconney  (1870-1970). Escritor francês e médico militar, conhecido sobretudo pelas suas obras de índole erótica, algumas delas relacionadas com a sexualidade, saúde e e hábitos de higiene. Escreveu sob os pseudónimos Dr. Jaf (ou Jaff), Brennus e Dr. Caufeynon, sendo este último um anagrama do seu apelido. A obra As Missas Negras, no original Les Messes Noires, le culte de Satan-Dieu. (Paris: Pancier, 1905), que representa uma inusitada incursão do autor no tema da superstição e do sobrenatural, é praticamente desconhecida, sendo raríssimas as referências ao livro.
Encadernação meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Papel de fraca qualidade, folhas escurecidas. Sem f. ante-rosto.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

19 janeiro, 2024

RIO, João do
(Paulo Barreto) -
AS RELIGIÕES DO RIO. Rio-de-Janeiro : Paris, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1906. In-8.º (18,5x12 cm) de [10], 245, [1] p. ; 24, [2] p. Cat. Liv. Garnier ; B.
Trabalho pioneiro. Importante contributo para o estudo da feitiçaria, satanismo, do sobrenatural e das seitas religiosas no Brasil, e em particular no Rio de Janeiro. Em 1904 o jornalista João Paulo Barreto, que ficou mais conhecido como João do Rio, escreveu para o jornal carioca Gazeta de Notícias uma série de reportagens sobre as diversas manifestações religiosas que eram praticadas no Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi publicado em livro, com curta tiragem, hoje muito raro. Em 1906 seguiu-se a presente edição, também ela rara. "Foi considerado um livro polémico, adorado por alguns e esconjurado por outros, por o considerarem irónico e preconceituoso".
Ilustrado no texto com "escalas" das Intonações, do Karma, da Fisiolatria, e lista de nomes esotéricos com as respectivas construções nominais.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao conhecido escritor e cronista português Albino Forjaz de Sampaio (1884-1949).
"A religião? Um mysterioso sentimento, mixto de terror e de esperança, a symbolisação lugubre ou alegre de um poder que não temos e almejamos ter, o desconhecido avassallador, o equivoco, o medo, a perversidade..
O Rio, como todas as cidades nestes tempos de irreverência, tem em cada rua um templo e em cada homem uma crença diversa.
Ao ler os grandes diários, imagina a gente que está ríum paiz essencialmente catholico, onde alguns mathematicos são positivistas. Entretanto, a cidade pullula de religiões. Basta parar em qualquer esquina, interrogar. A diversidade dos cultos espantar-vos-á. São swendeborgeanos, pagãos litterarios, phgsiolatras, defensores de dogmas exóticos, auctores de reformas da Vida, reveladores do Futuro, amantes do Diabo, bebedores de sangue, descendentes da rainha de Sabá, judeus, schismaticos, espiritas, babalãos de Lagos, mulheres que respeitam o oceano, todos os cultos, todas as crenças, todas as forças do Susto. Quem atravez a calma do semblante lhes adivinhará as tragédias da alma? Quem no seu andar tranquillo de homens sem paixões irá descobrir os reveladores de ritos novos, os mágicos, os nevropathas, os delirantes, os possuidos de Satanaz, os mystagogos da Morte, do Mar e do Arco-íris? Quem poderá perceber, ao conversar com estas creaturas, a lucta fratricida por causa da interpretação da Bíblia, a lucta que faz mil religiões á espera de Jesus, cuja reapparição está marcada para qualquer destes dias, e á espera do Anti-Christo, que talvez ande por ahi? Quem imaginará cavalheiros distinctos em intimidade comas almas desencarnadas, quem desvendará a conversa com os anjos nas chombergas fétidas.
Elles vão por ahi, papas, prophetas, crentes e reveladores, orgulhosos cada um do seu culto, o uniço que é a Verdade. Falai-lhes boamente, sem a tenção de aggredil-os, e elles se confessarão, - porque só numa cousa é impossível ao homem: enganar o seu semelhante, na fé.
Foi o que fiz na reportagem a que a «Gazeta de Noticias»| emprestou uma tão larga hospitalidade e um tão grande rindo; foi este o meu esforço: levantar um pouco o mysterio das crenças nesta cidade."
(Excerto do preâmbulo)
Índice:
[Preâmbulo] | No Mundo dos Feitiços: - Os Feiticeiros; - «As Iauõ»; - O Feitiço; - A Casa das Almas; - Os novos feitiços de Sanin; - A Egreja Positivista; - Os Maronitas; - Os Physiolatras. | O Movimento Evagelico: - A Igreja Fluminense; - A Igreja Presbyteriana; - A Igreja Methodista; - Os Baptistas; - A. A. C. M.; - Irmãos e Adventistas. | O Satanismo: - Satanistas; - Á Missa Negra; - Os Exorcismos; - As Sacerdotizas do Futuro; - A Nova Jerusalém; - O Culto do Mar. | O Espiritismo: - Entre os Sinceros; - Os Exploradores; - As Synagogas.
João do Rio (pseud. de Paulo Barreto - João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto) (1881-1921). "Jornalista, cronista, contista e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de agosto de 1881, e faleceu na mesma cidade em 23 de junho de 1921. Fez os estudos elementares e de humanidades com o pai. Aos 16 anos, ingressou na imprensa, notabilizando-se como o primeiro jornalista brasileiro a ter o senso da reportagem moderna, entre as quais se tornaram célebres “As religiões no Rio” e o inquérito “O momento literário”, ambas reunidas depois em livros ainda hoje de leitura proveitosa, constituindo o segundo excelente fonte de informações acerca do movimento literário do final do século XIX no Brasil.
Nos diversos jornais em que trabalhou, granjeou enorme popularidade, sagrando-se como o maior jornalista de seu tempo. Usou vários pseudônimos, além de João do Rio, destacando-se: Claude, Caran d’Ache, Joe, José Antônio José. Como homem de letras, deixou obras de valor, sobretudo como cronista. Foi o criador da crônica social moderna. Como teatrólogo, teve grande êxito a sua peça A bela madame Vargas, representada pela primeira vez em 22 de outubro de 1912, no Teatro Municipal.
Ao falecer, era diretor do diário A Pátria, dedicado aos interesses da colônia portuguesa, que fundara em 1920. No seu último “Bilhete” (seção diária que mantinha naquele jornal), escreveu: “Eu apostaria a minha vida (dois anos ainda, se houver muito cuidado, segundo o Rocha Vaz, o Austregésilo, o Guilherme Moura Costa e outras sumidades)...” Seu prognóstico ainda era otimista, pois não lhe restavam mais que algumas horas quando escreveu aquelas palavras.  Falecido dentro de um táxi, deu corpo ficou na redação de A Pátria, exposto à visitação pública. Seu enterro, dos maiores da história carioca, realizou-se com cortejo de cerca de cem mil pessoas. Na Academia Brasileira de Letras, que então ficava no Silogeu Brasileiro, na praia da Lapa, disse-lhe o discurso de adeus Carlos de Laet.
Segundo ocupante da cadeira 26, foi eleito em 7 de maio de 1910, na sucessão de Guimarães Passos, e recebido pelo acadêmico Coelho Neto em 12 de agosto de 1910. Recebeu o acadêmico Luís Guimarães Filho."
(Fonte: https://www.academia.org.br/academicos/paulo-barreto-pseudonimo-joao-do-rio/biografia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
85€

25 dezembro, 2023

VAESSEN, C.M., Pe. Guilherme - SATANÁS : sua natureza, existência e atuação. Caxias do Sul - R.S., Edições Paulinas, 1958. In-8.º (18x12,5 cm) de 157, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio sobre os "trabalhos" de Satanás, um dos nomes por que é conhecido esta figura bíblica, "inimiga" da humanidade, sobre o qual recai a culpa por todo o mal terreno, material e espiritual.
"Trabalho sério, vazado em estilo popular". Raro e muito curioso.
"Não é de bom grado, nem por gosto, nem por diletantismo que se pega da pena para abordar e focalizar certos assuntos misteriosos e, por isto mesmo, facilmente sujeitos a controvérsias e a contestações.
Assim, falarem demónio, em espírito mau, em feitiçaria, em possessão diabólica, em nossos tempos, de prodigioso progresso científico e técnico [...], não será expor-se a passar por retardatário, tolo, ridículo?
Assim foi em tempos passados, não muito distantes. [...]
Há alguns anos, as coisas mudaram. Um espírito novo soprou sobre o mundo da ciência materialista. Homens perfeitamente isentos de escrúpulos cristãos, depois de numerosas experiências, sob a inspiração da mais rigorosa crítica científica, viram-se forçados a admitir factos extranaturais. Tomemos, por exemplo, as aparições de Lourdes e de Fátima. A princípio foram recebidas, mesmo pela Igreja, com prudente desconfiança, quase com ceticismo, mas hoje são evidências que se impõem, diante de curas extraordinárias operadas ali, sob rigorosa fiscalização médica, curas absolutamente inexplicáveis pela sugestão, a super-excitação, a água fria, e o famoso sopro curativo das turbas de Zola, no veredito dos grandes cientistas. [...]
Mas, perguntará alguém, que vem fazer aqui esta longa e extemporânea dissertação sobre os milagres de Lourdes, que tem isto com Satanás? O que tem? Prova que fora deste mundo visível há outro mundo, outras criaturas, outras leis, outras forças que dão testemunho de sua existência e de sua atuação, cousas que não podem negar-se sob pena de negar a própria ciência, uma vez que a ciência nada mais é que o fruto do testemunho, da experiência dos outros. Satanás existe, não é um mito, mas um facto; o seu mundo confina como nosso ou antes o compenetra..."
(Excerto do Prefácio)
Índice:
Prefácio | I - Natureza de Satanás. II - Existência de Satanás. III - Satanás na Sagrada Escritura. IV - Satanás na Liturgia. V - Satanás na Tradição e na história. VI - Satanás nas tentações quotidianas. VII - Satanás nos governos e na política. VIII - Satanás na civilização moderna. XI - Satanás e a maçonaria. X - Satanás e o espiritismo. XI - Satanás e o comunismo. XII - Pacto com Satanás. XIII - Magias e feitiçarias. XIV - 
Padre Guilherme Vaessen (1873-1965). "Padre da Congregação da Missão, lazarista, nascido na Holanda, chegou ao Brasil em 1898. Após ter pregado missões em Minas Gerais, na Bahia e no Ceará, e se ter dedicado a obras de assistência aos mais pobres no Recife, foi nomeado reitor do Seminário Episcopal do Ceará, mais conhecido como “Seminário da Prainha”, em 1914, por Dom Manuel da Silva Gomes, bispo de Fortaleza, promovido a arcebispo no ano seguinte."
(Fonte: https://www.skoob.com.br/autor/22657-pe-guilherme-vaessen)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas com pequenos defeitos.
Raro.
25€

08 julho, 2023

PAIVA, José Pedro de Matos - FEITIÇARIAS, BRUXARIAS E CURAS SUPERSTICIOSAS.
As visitas pastorais como fonte para o estudo das práticas da magia. Os agentes da magia na Diocese de Coimbra na segunda metade do século XVII. Por... Coimbra, Publicações do Arquivo da Universidade de Coimbra, 1985. In-4.º (23,5 cm) de [2], 36, [2] p. ; (359-394 pp.) ; il. ; B. Separata do Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra - vol. VII
1.ª edição independente.
Interessante estudo histórico sobre a superstição popular no Distrito de Coimbra, e a repressão exercida pela Igreja sobre as práticas "esotéricas".
Livro ilustrado no texto com três gráficos: 1 - Frequência de acusados 1630-1700 : Mulheres/Homens; 2 - Tipo de acusações /Homens; 3 - Tipo de acusações / Mulheres.
Exemplar duplamente valorizado pela dedicatória e cartão - ambos autografados pelo autor - dirigido ao conhecido historiador Prof. Francisco Bethencourt.
"Como em todos os domínios da história, a busca afanosa de novas fontes que permitam conhecer melhor um certo fenómeno também tingiu o estudo da magia. Até há alguns anos, este problema era estudado na maioria das vezes tendo como base os processos da Inquisição, a poesia e prosa que se escreviam sobre o assunto, os processos judiciais. Foi também frequentemente utilizada, obviamente, legislação régia e eclesiástica. [...]
As visitas pastorais são uma fonte de inestimável valor e que se prestam a fornecer informações variadíssimas sobre vários aspectos da vida quotidiana das populações, do clero, da prática religiosa, etc.
Um dos motivos que explica o sucesso das visitas com o forma de inquirição dos pecados públicos (entre eles a feitiçaria, bruxaria e curas), radica no facto de que ao nível das pequenas comunidades pré-industriais o direito à privacidade é totalmente inexistente. Mais do que isso, os vizinhos, a comunidade, têm, o dever e o direito de conhecer as actividades de cada um. É deste conhecimento que a Igreja se vai apropriar ao realizar periodicamente a visita. E não se pense que só em casos devidamente provados a Igreja actuava. Em face da legislação eclesiástica, a má reputação é suficiente para que se proceda contra alguém. [...]
A informação que as «visitas» encerram para estudar o interessante fenómeno da magia encontra-se nos depoimentos das populações visitadas e nas «pronúncias», ou seja, as penas que eram aplicadas aos acusados de magia durante o processo visitacional. Além disto, existem os «exames», que eram interrogatórios feitos  alguns dos acusados. Toda esta informação está disponível num dos livros que eram produzidos durante uma visita: o «livro de devassas». Vejamos pois qual a aplicabilidade de tudo isto no estudo da magia.
O principal valor das visitas pastorais para o estudo da «magia negra» liga-se profundamente ao facto de que aquilo que era registado pelo visitador durante a «devassa» que efectuava, ser o depoimento as testemunhas. Os livros de devassas de visitas estão pois repletos de acusações de vários crimes entre eles os de feitiçaria e bruxaria. Através das «visitas» podem-se portanto estudar as acusações e, em grande parte dos casos, as relações entre o acusador e o acusado."
(Excerto de 1 - As visitas pastorais como fonte para o estudo das práticas de magia)
Índice:
Introdução. | 1 -  As visitas pastorais como fonte para o estudo das práticas da magia. 2 - «Os agentes da magia na Diocese de Coimbra na segunda metade do século XVII».
José Pedro de Matos Paiva (n. 1960). "É professor na Universidade de Coimbra, investigador no Centro de História da Sociedade e da Cultura e no Centro de Estudos de História Religiosa. A sua área de pesquisa central é a história religiosa e cultural em Portugal, séculos XVI-XVIII. Entre outros livros é autor de Bruxaria e superstição num país sem "caça às bruxas" (Lisboa, 1997), Os bispos de Portugal e do império (1495-1777) (Coimbra, 2006), Baluartes da fé e da disciplina (Coimbra, 2011)."
(Fonte: wook)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Com sublinhados e notas marginais, tudo a lápis.
Raro.
Sem registo na BNP.
Com interesse histórico.
25€

27 março, 2023

BETHENCOURT, Francisco - O IMAGINÁRIO DA MAGIA.
Feiticeiras, saludores e nigromantes no século XVI
. Lisboa, Centro de Estudo de História e Cultura Portuguesa : Projecto Universidade Aberta, 1987. In-8.º (21 cm) de 310, [8] p. ; [1] f. desdob. ; il. ; B. Colecção Temas de Cultura Portuguesa - N.º 11
1.ª edição.
Capa: Rocha de Sousa. Fotografia da capa tirada por José Pedro Aboim Borges sob autorização do Museu Nacional de Arte Antiga (Detalhe do quadro O Inferno de um anónimo português da primeira metade do século XVI).
Importante estudo sobre magia, bruxaria e feitiçaria no Portugal de quinhentos. Raro e muitíssimo interessante, por certo, com tiragem reduzida.
Livro ilustrado com quadros, tabelas e gráficos, sendo um destes impresso em folha desdobrável.
"A invocação do demónio era uma prática corrente no século XVI: não foram os inquisidores que a inventaram, embora procurem enquadrar os diversos casos de magia neste padrão de comportamento herético. Aliás, o recurso ao demónio pelo homo magnus é algo que se encontra com frequência independentemente do tempo e do espaço. [...]
Estes aspectos encontram-se nas crenças populares portuguesas. Em primeiro lugar, os demónio intrevêm no mundo humano mas vivem separados, num mundo à parte: segundo uma testemunha de acusação que vira fazer um fervedouro a uma feiticeira, «não lhe emtemdeo outra cousa do que asy fallava mamso senão Barzabu e Calldeyrão e quantos diabos na Diabroyra estão». Para além disso, os demónios têm um número finito, uma existência material (ou materializável) e não se podem desdobrar: Margarida Pimenta «muitas vezes os chamava e dezia que lhe não vinham plos terem outras feyticeiras ocupados». [...]
A especialização do mundo infernal, com diabos superiores e inferiores, maiores e menores, tem sido referida por diversos autores, que salientam a analogia entre a organização a corte régia e a organização da corte demoníaca, sendo esta última carcterizada por Marcelin Defourneaux da seguinte maneira: «no cume, Satanás, asistido por Lucifer, Belzebu e Barrabás; depois, Asmodeu, príncipe da luxúria, Leviathan, demónio do orgulho, Belial, patrono dos ciganos, adivinhos e feiticeiros, Auristel, que protege os jogadores e blasfemos. Entre os demónios inferiores, o «diabo manco», Renfa, é o introdutor amável de todos os vícios em que o homem procura o seu prazer».
(Excerto de Invocação e comunicação com o demónio)
Índice:
Introdução - I. Os indícios; 2. Os problemas; 3. O território.
Primeira Parte - As práticas: Capítulo I - O conhecimento das coisas ocultas: 1. O destino individual; 2. O destino colectivo; 3. O paradeiro de pessoas e bens. Capítulo II - O domínio sobre o corpo: 1. A vulnerabilidade dos corpos; 2. Os procedimentos de cura; 3. O controle da natalidade. Capítulo III - O domínio sobre os sentimento e as vontades: 1. A graça; 2. O amor; 3. O aborrecimento; 4. O ligamento; 5. O ódio.
Segunda Parte - As crenças: Capítulo IX - A mentalidade mágica: 1. O simbolismo dos ritos; 2. A relação do homem com a totalidade das coisas; 3. A relação do homem com o homem; 4. O papel do homo magnus. Capítulo V - A demonologia: 1. Magia natural e magia diabólica; 2. Invocação e comunicação com o demónio; 3. O pacto com o demónio; 4. Assembleia nocturna.
Terceira Parte - O espaço dos podres: Capítulo VI - O mágico e o espaço social: 1. Identificação dos mágicos; 2. Um poder ao rés-do-sol; 3. A ambiguidade das atitudes; 4. Conflitos de instituição. Capítulo VII - O mágico e o campo religioso: 1. O mercado dos bens de salvação; 2. A posição do mágico entre os agentes religiosos; 3. O reforço da presença e da acção do clero; 4. A assimilação das periferias. Capítulo VIII - Vigiar e punir: 1. A definição da norma; 2. A repressão em actos; 3. Geografia e cronologia da repressão inquisitorial.
Conclusões a aberturas: 1. A visão mágica do mundo; 2. O modelo de cristianização.
Fonte e Bibliografia. | Anexo. Quadro sinóptico dos mágicos presos pela Inquisição. | Glossário. | Índice dos quadros, mapas e gráficos. | Agradecimentos.
Francisco Bethencourt (n. 1955). "Nasceu em Lisboa, em 1955. Licenciado em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mestre pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Doutorado em História e Civilização (1992) pelo Instituto Universitário Europeu em Florença, com a tese Les Inquisitions modernes. Foi Professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e visiting scholar em diversas universidades, como a Brown University (EUA), e a Universidade de São Paulo (Brasil). Actualmente é Charles Boxer Professor no King's College da Universidade de Londres. Foi ainda Director da Biblioteca Nacional (1996-1998) e Director do Centro Cultural Gulbenkian em Paris (1999-2004).
Dos seus interesses de investigação destacamos história do racismo no mundo atlântico; identidade portuguesa; história do mundo de língua portuguesa; história comparada da expansão europeia; história da Inquisição.
É autor de várias obras, entre outras, O imaginário da magia: feiticeiras, saludadores e nigromantes no século XVI (1987), História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália (Círculo de Leitores, 1994) e Racismos: das Cruzadas ao século XX (Temas & Debates, 2016). Coordenou ainda a colecção História da Expansão Portuguesa (com Kirti Chaudhuri, 5 vols., Círculo de Leitores, 1998-1999) e as obras A Memória da Nação (Sá da Costa, 1991), Racism and Ethnic Relations in the Portuguese-Speaking World (2012), Correspondence and cultural exchange in Europe, 1400-1700 (2013), Portuguese Oceanic Expansion, 1400-1800 (2014), Inequality in the Portuguese-Speaking World Global and Historical Perspectives (2018) e Cosmopolitanism in the Portuguese-speaking world (2018)."
(Fonte: https://www.goodreads.com/book/show/7230762-hist-ria-das-inquisi-es---portugal-espanha-e-it-lia)
Exemplar em brochura, bem conservado. Assinatura de posse na f. ante-rosto.
Muito invulgar.
45€

24 outubro, 2022

PEREIRA, Isaías da Rosa - DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA DA INQUISIÇÃO EM PORTUGAL. (Século XVI).
Volume I
. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso nos Serviços da Cáritas Portuguesas], 1987. In-4.º (23,5 cm) de 150, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da Inquisição no nosso país. Contém reproduzidos 141 documentos + 2 documentos extra (A e B) de um Códice: Provisões de Sua Alteza (1542-1590).
Este volume I é tudo quanto foi publicado.
"Este volume é o primeiro de uma colectânea de documentos relativos à Inquisição e que reputamos de fundamental importância para se poder fazer a história desta Instituição. [...]
Não é fácil resumir em poucas linhas o conteúdo de centena e meia de documentos. Seria repetir os sumários de todos eles. Referem-se fundamentalmente a negócios internos do Santo Ofício, a questões do fisco, à censura dos livros, à fuga de cristãos-novos, nomeação de deputados.
Enumeramos, contudo, algumas das questões mais relevantes, a que se refere esta documentação:
- o problema da venda de armas e mantimento aos mouros no norte de África;
- a Inquisição no Brasil;
- abastecimento de carne e outros géneros às prisões;
- julgamento das causas crimes e cíveis dos oficiais do Santo Ofício;
- forma de reconciliar, com caridade, os cristão que praticaram o islamismo e se converteram;
- livros e livreiros, venda e importação de livros;
- visita das naus para impedir a entrada de livros defesos e de luteranos;
- ordenados dos inquisidores e outros oficiais do Santo Ofício;
- caso insólito de heresias e feitiçarias na Ponta do Sol, Ilha da Madeira;
- presos pobres e seu sustento;
- róis de culpas e de penitenciados nos Autos-da-fé transmitidos de uma Inquisição a outras;
- troca de presos com Castela;
- visitações à Inquisição de Lisboa.
No fim dos documentos contidos neste códice, publicamos duas cartas avulsas do Cardeal Infante D. Henrique, Inquisidor-Geral, dirigidas a D. Sebastião, na segunda das quais renuncia ao cargo de Inquisidor-Geral. O documento, que saibamos, é totalmente desconhecido.
Como se vê, esta documentação é da mais alta importância para o estudo do Santo Ofício, funcionamento dos tribunais, censura de livros, visita das naus, jurisdição dos inquisidores, sustentação dos presos, etc."
(Excerto da Introdução)
Índice Geral:
Introdução. | Nótula bibliográfica. | Documentos: Documentos n.º 1 a n.º 141; Documento extra - A; Documento extra - B. | Notas a alguns documentos. | Índices: Índice ideográfico; Índice antroponímico.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

22 agosto, 2022

CRISTÃOS E BRUXAS.
Reflexão Pastoral sobre Bruxaria e Práticas Supersticiosas. [2.ª edição]
. Esposende, Conselho Pastoral Paroquial de S. Paio de Antas, 1991. In-8.º (19,5 cm) de 45, [3] p. ; B.
Curiosa exposição sobre práticas idólatras e rituais demoníacos assentes na crendice e superstição popular, com raízes profundas na nossa cultura ancestral.
Obra interessantíssima. Trata-se do olhar da Igreja "sobre esta questão particularmente preocupante", publicada por uma paróquia do norte do país - S. Paio de Antas -, localizada no concelho de Esposende. A Biblioteca Nacional não menciona o livro.
"Objectivo fundamental deste livrinho é lançar luz sobre uma questão particularmente preocupante para a Igreja e, em particular, para os sacerdotes e demais responsáveis pela vida das nossas comunidades cristãs.
Não é nossa pretensão apresentar novidades nem dar respostas a todas as questões que estas práticas suscitam. Estamos conscientes das suas profundas raízes na cultura popular e no imaginário das gentes. No entanto, é nosso dever insistir no esclarecimento, tão profundo quanto o permitem as dimensões e as intenções desta pequena obra, de tais práticas pretensamente religiosas."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução. | 1 - Magia e Religião. 2 - Alguns Casos: - Iván e os Caixões; - S. João Bosco e as artes do demónio; - "De noite...". 3 - "Ir à Bruxa...": - No Antigo Testamento; - História da Igreja; - As(os) bruxas(os) e os Cristão hoje. 4 - Possessões Demoníacas e outras superstições: - Ensinamentos a Igreja sobre o demónio; - Os espíritos dos mortos regressam à terra? - Algumas superstições: 1. Correntes de Orações; 2. Medalhas/Amuletos da Sorte; 3. Usar uma ferradura para dar sorte; 4. Consultar "mediuns"; 5. "Maus Olhados". | Conclusão: "Escolhe a vida". | Índice.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Com interesse histórico, religioso e etnográfico.
Raro.
Sem registo na BNP.
35€

01 agosto, 2022

SOUSA, D. Maria Peregrina de - TRADIÇÕES POPULARES DO MINHO.
Cartas de... De novo publicadas por J. L. de V.
[S.l.], [s.n.], 1900. In-4.º (25,5 cm) de 23, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Publicação póstuma. Tradições minhotas recolhidas pela autora, onde se incluem os costumes, cultos, superstições e crendices populares, com o religioso e o pagão cruzando-se e completando-se.
Opúsculo raro, com indubitável interesse histórico, etnográfico e antropológico.
"A fallecida escriptora D. Maria Peregrina de Sousa, que viveu no Porto a maior parte da sua vida, e lá morreu ha annos, inseriu em vários numeros da Revista Universal Lisbonense, vol. IV (1844-1845), uma série de doze curiosas cartas dirigidas a Antonio Feliciano de Castilho, sobre tradições populares minhotas.
Estas cartas, embora escritas ao correr da penna, singelamente, sem prtensões  scientificas, foram dos primeiros trabalhos que entre nós se publicaram sobre o assunto, epois que Almeida Garrett mostrou o valor ethnologico das tradições populares. Por isso aqui as coordeno e reproduzo, sem alterações, nem modificações, apenas numerando-as, pondo-lhes summarios no principio de cada uma, para maior commodidade do leitor, e harmonizando a orthographia."
(Excerto do preâmbulo)
Matérias:
[Preâmbulo] - Tradições Populares do Minho (Cartas). | Carta 1.ª - Simplicidade aldeã. - Corpo de afogado. - Santas mulheres. Carta 2.ª - Superstições varias. - Dadas. - Signo-Saimão. - Figas. Carta 3.ª - Bruxas. - Horas abertas. - Sêres sobrenaturaes: Bruxas, Cousa ruim, Diabo, Almas penadas, Corredor, Moiras, etc. - Superstições varias: figa, ave negra, bafo do boi, mar sagrado. - Benzedeiras. - Ponte de Alliviada. Carta 4.ª - Costumes do Natal. - Corrida do gallo. - Loas e entremeses nas festas. - Dança moirisca. Carta 5.ª Conversados. - Bodas. - Morte. - Saudações. - Bailes. - Desafios poeticos. - Festa da «vista» em Landim. Carta 6.ª - Procissão das fogaças. - Outras procissões. - O ouro do povo do Minho. - Sermões. Carta 7.ª - Corpo aberto. - Degredo das almas. Carta 8.ª - Superstições varias: talhar, ensalmos. - Culto da lua-nova. - Pedras de raio. - A cobra. Carta 9.ª - Conversados (appendice á carta 5.ª). - Domingo do «bradar». - Crendices. - Usos do cozer do pão. - Sementeiras. - Culto do mar. Carta 10.ª - Festa de S. Gonçalo em Amarante. - Corpus Christi em Penafiel. Carta 11.ª - Meios de talhar várias doenças: sezões, dada, ar ruim, tesorelho, ingoa. - Crendices várias. Carta 12.ª (e ultima) - Costumes a respeito dos ninhos. - Crenças várias: voz do cuco, som do sino.
Maria Peregrina de Sousa (1809-1894). "Escritora, romancista e poetisa. Nasceu no Porto a 13 de fevereiro de 1809, sendo filha do comerciante António Ventura de Azevedo e Sousa, e de D. Maria Margarida de Sousa Neves.
Foi muito conhecida e considerada romancista e poetisa, mas as suas numerosas composições, que lhe granjearam repetidas aplausos e louvores de juizes autorizados, existem disseminadas em vários jornais literários e políticos, que desde 1842 começaram a tê-la a por colaboradora, tais como o Arquivo popular, Restauração da Carta, Revista Universal Lisbonense, Íris, do Rio de Janeiro; Aurora, Pirata, Braz Tisana, Lidador, Pobres do Porto, etc. Alguns dos romances publicados nessas folhas, têm a assinatura de Uma obscura portuense, outros a de Mariposa, muitos com o nome completo, ou com as iniciais D. M. P.
Em publicação separada, em 1859: Retalho do mundo, romance dedicado a António Feliciano de Castilho, o qual se compõe de 58 capítulos, que são os desenvolvimentos de outros tantos rifões, adágios e anexins populares, que lhe servem de títulos. Na Revista Universal saiu as Superstições do Minho, de que se tentou fazer uma colecção separada, com uma introdução ou advertência preliminar pelo referido poeta Castilho, mas ficou interrompida logo na 1.ª folha, por causa das lutas políticas de 1846, e nunca mais continuou. Publicou em 1863, em Lisboa, o romance Rhadamanto ou a mana do conde; seguido do Roberto ou a força da sympathia; esta edição foi feita a expensas da sociedade Madrépora, do Rio de Janeiro, que estava então florescente e se destinava a proteger as publicações literárias e os escritores portugueses. Escreveu também algumas notas para a versão dos Fastos de Ovídio por A. F. de Castilho, nos tomos I, II e III. Na Gazeta de Portugal, de 1843, uma narrativa sob o título Um romance de Tomas da Gandara.
Na Revista Contemporânea de Portugal e Brasil, tomo III, Setembro, de pág. 273 a 312, vem publicada uma biografia desta ilustre escritora e poetisa, escrita pelo já citado escritor e poeta António Feliciano de Castilho."
(Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/sousamariap.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.Capas frágeis, apresentando pequena falha de papel no canto superior direito da capa frontal.
Raro.
Indisponível

22 janeiro, 2022

PATO, Heitor Baptista - A MAGIA
. Lisboa, Fernando Pereira - Editor, [1984]. In-8.º (21 cm) de 173, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso repositório de literatura fantástica/ficção científica - enigmas sobre o paranormal, magia, ocultismo e maçonaria.
"Um dos grandes exploradores polares do séc. XX, o almirante norte-americano Richard E. Byrd, declarava em Fevereiro de 1947, antes de realizar um raid de 2700 quilómetros mais além (esta expressão foi importante, como verificaremos) do Pólo:
- Gostaria de ver essa terra que existe mais além do Pólo (Norte). Essa tera que é o centro do Ignoto.
Em Janeiro de 1956, uma mensagem de rádio de Byrd, proveniente (esta vez) da sua última expedição antártica, revelava: «A 13 de Janeiro, membros da expedição dos Estados Unidos completaram um voo de 4300 quilómetros a partir da base de McMardo Sound, situada a 640 quilómetros a oeste do Pólo Sul, e penetraram numa terra situada a uma distância de 3700 quilómetros mais além do Pólo». E, pouco antes da sua  mote, o grande explorador polar falará outra vez desse «continente encantado, a terra do eterno mistério!»
(Excerto de O sexto continente sobre os Pólos)
Índice:
A propósito dos discos voadores. | Os ovnis como religião. |  As técnicas divinatórias. |A magia em França em 1974. | Anne Marie Lenormad, a última sibila. | A alquimia, a arte secreta. | O «imortal» conde de Saint-Germain. | O segredo maçónico. | O sexto continente sobre os pólos. | Os ritos do fogo. | Quando Satanás reinava sobre a Terra.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Rubrica de posse na f. rosto.
Invulgar.
15€

02 dezembro, 2021

ARAGÃO, A. C. Teixeira de – DIABRURAS, SANTIDADES E PROPHECIAS. Por... Socio Effectivo da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Lisboa, Por Ordem e na Typographia da Academia Real das Sciencias, 1894. In-4.º (24 cm) de XII, 150, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Obra insólita e curiosíssima. Trata-se da rara versão original de um dos trabalhos mais invulgares de Teixeira de Aragão, historiador português que se distinguiu sobretudo na área da numismática, tendo publicado diversos ensaios de referência sobre o assunto.
Livro ilustrado com fac-símiles de assinaturas ao longo do texto.
"Haverá dez anos, revendo um maço de papelada, que havíamos escripto sobre vários assumptos em diversas epochas, condemnámos a um auto de fé a maior parte, escapando apenas das chammas este opusculo que, sem pretensões, oferecemos ao benevolo leitor. Não é romance: são esbocetos troncados, ou scenas de costumes, crenças e visões, devidas a embustes, a fraquezas de espirito e á educação fanática, que produzem de ordinario o embrutecimento moral. [...] Os nevropatas são espiritos ignorantes e fracos que se levam pela crendice da goécia. É a reacção mystica supplantando o materialismo pelo fanatismo da fé religiosa, e que na sua cegueira acceita todos os phenomenos por mais disparatados, como o pacto com o diabo, etc. [...] As superstições da gente ignorante ou pouco illustrada fluctuam entre o espirito de Deus e o do diabo. Na sua phantasia não ha personalidades definidas; do pequeno fazem grande, do sagrado profano; e a imaginação exaltada pinta-lhes ao mesmo tempo maravilhas e terrores. Os  cerebros encandecidos criam encantos surpreendentes, julgando sentir, ver e ouvir as bruxas com os seus sortilégios… [...] As abusões e praticas supersticiosas vem de tempos imemoráveis… [...] As superstições de um povo são o barometro por onde melhor podemos apreciar o grau da sua civilisação, tendo, sobretudo, em attenção que estes prejuizos não pertencem só ás classes rudes. Na sciencia temos a busca da pedra philosophal; e a astrologia judiciaria, com a consulta dos corpos celestes para conhecer o futuro, sevia de guia até ao fim do seculo XVII a alguns monarchas e pontifices."
(Excerto da introdução)
índice:
Diabruras, o autor trata de Satanás, das Fadas, Feiticeiras e Bruxas e dos Lobisomem e Asininohomem. | Santidades, dos Bruxos Santos, Conventos e Mosteiros e O Santo Tribunal. | Profecias, refere dois falsos profetas famosos do século XVI.
Augusto Carlos Teixeira de Aragão (1823-1903). "Militar, médico, numismata, arqueólogo e historiador português. Foi secretário geral do govêrno da Índia, aonde acompanhou o infante D. Augusto, e desde 1867 director do gabinete numismático do Rei D. Luiz I. Foi socio efectivo da Academia das Sciencias de Lisboa; da Sociedade de Geographia de Lisboa, da Sociedade de Sciencias Médicas, da Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses; membro do Instituto Politécnico Português; do Instituto Vasco da Gama, do Instituto Geografico Argentino, da Academia Hungara de Paris, da Sociedade Numismatica Belga da Academia de Roma; do Instituto de Coimbra, da Academia Real de La Historia, de Madrid; do Instituto Historico e Geographico Brazileiro; e sócio honorário do Instituto Historico de S. Paulo. Como oficial do Exército Português, reformou-se no posto de general. É considerado um dos "pais" da numismática portuguesa."
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
65€

24 agosto, 2021

ARAÚJO, Padre Joaquim de - Hipnotismo, Espiritismo, Feitiçaria, Exorcismo
. Porto, Edições do Litoral, 1993. In-8.º (21 cm) de 185, [7] p. ; il. ; B. Colecção Os Protagonistas/2
1.ª edição.
Obra interessante e muitíssimo curiosa do Pe. Joaquim de Araújo, antigo pároco de S. Pedro da Afurada (Vila Nova de Gaia).
"Um livro surpreendente, recheado de experiências e casos verídicos protagonizados por um padre". - "Sempre gostei de ver, com os meus próprios olhos, mais do que outros viram e escreveram, mas que nem sempre dão uma ideia semelhante àquela que nós formamos, quando vemos por nós próprios".
Ilustrado no final com fotografias de sessões de hipnotismo dirigidas pelo autor na E. P. E. de Tancos.
"Cada assunto que eu pretendo tratar neste livro era matéria mais que suficiente para um livro completo, pois são tão interessantes e curiosos que dava muito gosto escrever. E assim, eu não poderia escrever só um livro, mas teria de escrever quatro, pois tantas são as matérias sobre as quais me proponho escrever para os Leitores.
Contudo, eu não posso ter ilusões quanto à duração da minha vida e, por isso, como não devo ter tempo para escrever quatro livros, terei de escrever um só, reunindo nele os quatro temas.
"Hipnotismo" que eu pratiquei mais de trinta anos e que é um tema sobre o qual adoro falar e escrever.
"Espiritismo", tema que eu gosto de abordar e sobre o qual já fui entrevistado, tanto na Rádio como na Televisão.
"Feitiçaria", sobre cujo tema já apresentei um trabalho em 1990, no Congresso de Medicina Popular, em Vilar de Perdizes, concelho de Montalegre.
"Exorcismo", tema tão falado, mas ainda mais desconhecido e de que tanto se abusa indevidamente, até mesmo os sacerdotes, que se deixam comparar a simples feiticeiras."
(Excerto de Razão de ser deste livro)
Padre Joaquim de Araújo (1918-1999). "Nasceu na freguesia de Friande, no concelho de Felgueiras, em 24 de Maio de 1918. Fez a quarta classe na Escola Primária de Felgueiras, em 1931, data em que entrou para o Seminário de Vilar, da Diocese do Porto. Após concluir o Ciclo Preparatório, em 1936, passou para o Seminário da Sé, onde tirou o curso de Filosofia e Teologia, terminado em 1942. No dia 19 de Dezembro desse ano, foi ordenado sacerdote. [...]
Entretanto, dedicou-se ao estudo e prática da Hipnose, conseguindo-o com grande profundidade. Realizou mesmo experiências em várias razões, nomeadamente em todos os quartéis da Segunda Região Militar, em Tomar. Através das experiências de Hipnose, penetrou, facilmente, nas forças ocultas da Natureza, estudando o Espiritismo e a Feitiçaria.
Solicitado para várias entrevistas e debates nos Orgãos de Comunicação Social - Televisão, estações de Rádio e jornais - os temas que aborda estão relacionados, normalmente, com o demónio, o espiritismo e problemas da dor."
(Retirado da contracapa)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
25€

05 abril, 2021

CARVALHO, Silva - MEDICOS E CURANDEIROS.
Trabalho publicado n'A Medicina Contemporanea. Revisto e aumentado
. Lisboa, Tipografia Adolpho de Mendonça, 1917. In-8.º (22 cm) de 234 p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante subsídio bio-bibliográfico sobre os médicos, curandeiros e equivalentes de antanho. Por certo, com tiragem restrita.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor para o Dr. José Justino de Carvalho.
"O titulo peca por defeito, diz-se aqui tambem de pessoas que não eram medicos nem curandeiros, uns sendo alheios á profissão e tendo escripto sobre assuntos medicos ou para medicos, outros viajantes que se referiram a questões de saude publica em Portugal; que ninguem extranhe portanto ver aqui medicos, charlatães, clerigos, judeus, boticarios, frades e viajantes, todos misturados como na vida.
No que referiremos da sua vida ou das suas obras, excluimos o que póde ser facilmente conhecido pela consulta das principaes publicações sobre a materia, que de todos são conhecidas..."
(Excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom esdtado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

04 fevereiro, 2021

VIEIRA, P.ᴱ Conceição -  O APOCALYPSE E A MAGIA. Pelo... Lisboa, Typographia Mattos Moreira, 1886. In-8.º (17cm) de 224 p. ; B.
1.ª edição.
Ensaio sobre o "Bem" e o "Mal": o Apocalipse - livro sagrado do cristianismo - vs. a Magia de Satanás e seus esbirros. Livro raro e muito curioso. Ilustrado com inúmeros episódios de bruxaria e ritos satânicos, aparições, fenómenos telepáticos, etc. Com referências à Besta - o Anticristo - e à sua designação e composição numérica - o 666.
"Se a apparição do Spiritismo, entre nós, me despertou os desejos d'escrever alguma cousa, tendente a prevenir os incautos, d'esta nova phase da velha magia, tambem a apparição do Menino virtuoso da Vendas Novas e o bruxedo, que ainda fervilha em nossos campos, e aqui, na capital, me leva hoje á presente publicação, em que dilligenciarei, leitor, dar-te uma breve noticia das differentes phases, que essa maldita seducção deabolica apresentou nos seculos passados.
Se esses factos, a que tenho de me referir, se passaram, ou não, com uma realidade perfeitamente material, não serei eu que o affirme ou negue, - o hodierno spiritismo autorisa tudo - o que sei é que elles causaram graves transtornos na familia christã, preparando as heresias, e que a egreja, embora nos seus principios, em concilios particulares, combatesse a crença sobre a possibilidade de taes factos, por ultimo, creando a inquisição, confiou-lhe o cuidado de instaurar processos, e de entregar ao braço secular os delinquentes; os quaes - cousa notavel! - em vez de se abrigarem na margem, que os proprios juizes lhes offereciam e lembravam de ser tudo devido a imaginações escandecidas, teimavam em que eram verdadeiros e reaes taes factos; essas accusações extraordinarias, que lhe eram imputadas.
Ora, toda a gente sabe que só Deus é quem tudo pode, é quem pode fazer milagres e maravilhas; mas toda a gente tambem sabe que as creaturas, apezar de limitadas, com a permissão de Deus, (e nunca sem ella) tambem podem operar muita cousa, para nós extraordinaria, especialmente se ellas, as creaturas, são d'ordem superior; e se os demonios, ou seus representantes na terra, o Senhor inculca que lhe será isso permittido, razão ha para averiguar, e não para absolutamente regeitar tal possibilidade."
(Excerto de Os motivos d'esta publicação)
José António da Conceição Vieira (1831-?). "Nasceu na vila de Alcoutim aos 13 de Dezembro de 1831. Seguiu para Faro onde a família se instalou devido à mudança política ocorrida em 1833. Aqui vive até aos vinte e quatro anos, possuindo já as ordens sacras. É nomeado coadjutor para a freguesia de Alcantarilha (Silves), aí se mantendo até 1855. No ano seguinte já se encontrava na sua terra natal, no exercício das mesmas funções, acumulando, como era regra, a Capelania da Capela Real de N.ª S.ª da Conceição mas por muito pouco tempo pois em 1857 e 1858 encontrava-se na freguesia de Conceição de Tavira, onde coadjuvou o pároco da Encarnação (?) durante os anos de 1860 e 1861. Vai depois para a Colegiada dos Mártires onde se conservou até 1873. É convidado então pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para exercer em departamento daquela instituição, o lugar de tesoureiro, o que veio a aceitar. Dedicado à escrita, colaborou nos periódicos “A Nação” (órgão monárquico dos legitimistas, partidários de D. Miguel e fundado em 1847), “Bem Público” e outros de carácter político-religioso. O Padre Conceição Vieira declarava abertamente que as suas ideias eram pelas tradições da pátria e pelas formas dos governos transactos, numa alusão ao rei D. Miguel. Escreveu: Memória sobre a frase cristã do grande Condestável D. Nuno Álvares Pereira, Lisboa, 1871; Recordação da minha romaria ao Vaticano em 1877; Spiritismo - Ilha encoberta e o sebastianismo."
(Fonte: http://alcoutimlivre.blogspot.com/2008/06/jos-antnio-conceio-vieira.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequena falha de papel à cabeça.
Muito raro.
A BNP tem apenas um exemplar registado na sua base de dados.
75€

01 janeiro, 2021

MANUAL DE FEITICERIA OU SCIENCIA E ARTE
de fazer o bem e o mal, satisfazer todos os desejos, desmanchar todos os projectos, curar doenças do corpo e do espirito, vencer inimigos, adivinhar actos e pensamentos alheios, evitar perigos, obter amisades e pureza perdidas, etc. Por meio de Bruzaria, Espiritismo e Magnetismo
. Lisboa, Livraria e Typographia de Francisco Silva, [189?]. In-8.º (18 cm) de 154, [6] p. ; il. ; C.
1.ª edição.
Curioso manual de feitiçaria para "fazer o bem e o mal", pejado poções, rezas, ladainhas, sortilégios e esconjuros, sem data de edição, por certo publicado entre a última década do século XIX e a primeira do século XX. A presente obra será de D. Mafalda da Santa Cruz, antiga freira, e terá sido organizada pelo sr. Francisco Silva, proprietário da tipografia que imprimiu o livro e fiel depositário da correspondência dirigida à autora, - a verdadeira Bruxa d'Arruda -, por oposição, julgamos, a Ana Loura, a outra Bruxa d'Arruda, e que aqui é apelidada de embusteira.
Livro ilustrado com bonitos desenhos ao longo das páginas de texto.
"A magia, que tambem pode ser considerada a seleção das superstições populares, variando de nacionalidade para nacionalidade, é por assim dizer a fonte das religiões ou da historia religiosa dos povos. [...]
Ha uma grande differença, uma distancia enorme, entre - magia e - feiticeria.
A magia podia ser inspirada por espiritos bondosos e amantes da humanidade, a feiticeria não; era fructo das relações e evocações dos maus espiritos e por isso só servia para fazer sortilegios de que resultassem maleficios, chamando-se-lhe tambem demonologia ou  ou arte de tratar e evocar os demonios.
Alem d'isso, nas sciencias sobrenaturaes a magia occupou sempre o primeiro logar, por isso que não só era a sciencia que relacionava as creaturas que a professavam com os espiritos superiores habitantes das regiões ethereas ou celestiaes, mas dominava tambem nos inferiores, mandava nos demonios e nos feiticeiros, que podia obrigar a desfazer os seus encantamentos, sortilegios e feitiços.
Ordinariamente a magia divide-se em branca e preta.
Magia branca é ainda hoje a arte de produzir certos effeitos maravilhosos na apparencia, mas na realidade devidos a causas naturaes.
A magia negra, ou magia propriamente dita, pelo contrario produz effeitos sobrenaturaes pela intervenção dos espiritos e dos maus anjos sobretudo, , sendo portanto a mater dos feiticeiros, e dos bruxos e de todos os que professam qualquer arte occulta ou sciencia secreta, que produz effeitos surpreendentes e inacessiveis á compreensão vulgar e ao criterio de cada um como chynomancia, a bueñadicha, a arte de ler nas linhas da mão ou na disposição de um baralho de cartas, accessorio indispensavel ao mais rudimentar operador de prodigios, só por que a tradição attribue a Satanaz a invenção do jogo, e portanto tambem a do seu mais vulgarisado instrumento. [...]
Como se vê pois, a magia, a feiticeria e as sciencias occultas, entre as quaes a de predizer o futuro, tirar horoscopos, fazer vatecinios, preparar filtros, deitar sortes, ler a buenadicha, inspirar amores e fazel-os terminar é uma sciencia ou uma arte tão velha como o mundo, ou pelo menos como a humanidade, desde que d'ella ha noticia escripta.
As maravilhas que ainda hoje opera, podem considerar-se fructos de arte não divulgada ainda, por isso que ella abrangeu n'outros tempos quasi toda a sciencia humana, derivando da magia antiga, a medicina moderna, a astronomia, as mathematicas, a chimica e grande numerode noções de physica.
Não ha pois rasão plausivel para negar que essa sciencia, hoje menos influente e preponderante, possua segredos valiosos, que ainda lhe não foram arrancados e que por isso se conservam mysteriosos, e apenas na posse dos poucos n'essa sciencia iniciados.
A obra que segue contém alguns desses segredos e os nossos votos são porque, a divulgação que d'elles fazemos, reverta em utilidade dos nossos leitores.
O celebre Leon Hermoso, que foi conhecido pela denominação de «Astrologo saragoçano, se houvesse apparecido ha dois seculos com as suas previsões do tempo, não teria deixado de ser perseguido por magico e apodado de feiticeiro, relacionado com espiritos infernaes, como succedeu a Nostradamus e Gallileo, hoje reconhecidos como sabios astrologos."
(Excerto de Historia da Magia)
"Em Inglaterra, Italia, França e Hespanha, muitas obras se teem publicado sobre feiticeria e sciencias relativas; em Portugal nada temos sobre tão importante materia, a não ser dois ou tres folhetos de receitas disparatadas e impraticaveis e o livro de S. Cypriano, que alem de ser caro está mal coordenado e mais confunde do que illucida quem pretenda aprender a notavel sciencia da magia."
(Excerto de Manual de Feiticeria - preâmbulo)
"Na execução d'algumas das magicas que deixamos descriptas no presente livro hão-de encontrar difficuldades, por falta de pratica, paciencia e coragem; assim como difficuldades hão-de encontrar na aquisição d'alguns remedios que indicamos, por serem os seus componentes pouco conhecidos na phamacopea portugueza. N'estes casos aconselhamos as pessoas que precisem de recorrer a feiticeria ou á therapeutica anti-diluvial, que se nos dirijam, quando se trate de caso sério e do qual dependa a felicidade d'alguem e não um simples capricho ou especulação."
(Excerto de Aos nossos leitores e leitoras - final)
Matérias:
Historia da Magia. | Manual de Feiticeria [preâmbulo]. | Remedio contra diversas enfermidadesManeira de curar feitiços. | Segredos para conservar a castidade. | Maneira de se conhecer se uma mulher está donzella. | Magica Negra: Receita para homens viuvos que não queiram contrahir segundo matrimonio ou solteiros que não tenham ou não queiram mulheres. | Maneira de attrahir pedras preciosas. | Como se conhece se uma pessoa amada nos é fiel. | Terrivel segredo para acabar com a saude e a vida dos inimigos. | Como se sabe logo se alguma mulher ou algum homem praticou  qualquer acto deshonesto. | Como se conhece se uma mulher gravida traz no ventre varão ou femea. | Virtude do «Agnus Dei». Maneira de não ter receio dos inimigos - Como se evitam phantasmas, visões, maleficios, etc. - Preservativo contra as tempestades, raios e tormentas. | Maneira de qualquer senhora, ainda que feia e velha, conseguir o amor do homem mais indifferente. | Maneira de vêr em sonhos o retrato d'uma pessoa ausente e conversar com essa pessoa. | Remedio para as quebraduras. | Magica do cachorro preto. Para obrigar o marido a ser fiel. | Maneira de fazer feia uma pessoa bonita ou sympathica. | Maneira facil de se conhecer a propria sina e a alheia. | Magica para se conhecer se uma senhora tem muitos amantes. | Grande magica do burro preto. | Magica da palmilha do pé esquerdo attribuida a Santo Agostinho. | Methodo de deitar as cartas. Para uso exclusivo de senhoras ainda donzellas. | Receita apara se obter um bom parto. | Magica do esporão de gallo. Grande descoberta para abreviar casamentos. | Milagrosa peneira de Santo Agostinho. Para qualquer pessoa adivinhar o futuro. |Magica para conseguir um bom noivo ou noiva. | Magica da pomba preta encantada. | Para se vêr na agua a imagem de uma pessoa ausente. | Como se faz uma bruxa. | Receita para os soluços. | A espinhela cahida. | Receita para apressar casamentos. | Magica dos farellos para ter filhos. | Maneira de fazer falar os mortos. | Orações. Para ser feliz nos negocios, no jogo e nos amores. |Moscas varejeiras. | Como se descobrem segredos. | Influencia dos perfumes. | Receita para curar paixões. | As cartas adivinhadoras. Para qualquer menina saber a sorte que lhe está destinada. | Oraculo do café. |Como se conhece o temperamento das pessoas pela côr do rosto. | A gallinha preta. Excellente receita para afugentar os espiritos malignos que infestam as casas. | Magica da mão negra. Para alcançar heranças. | A magica da caveira. Para descobrir dinheiro escondido. | Arte de benzer casas e creanças. | Almas do outro mundo. | Oração de Santo Agostinho. | Arte de adivinhar por meio da Biblia. | Maneira de conservar a saude e prolongar a vida. | Oração da paciencia. Para rapazes solteiros. | Magica do espirito errante para obter casamento. | Virtudes do alecrim. Cura de varias doenças. | Oração para que o dia corra bem. | Agouros, azares, pragas e invejas. | Magica electrica. Para as senhoras evitarem a gravidez. | Nova magica do esporão do gallo. Modo facil e verdadeiro de attrair quem nos pretende fugir. | O bico da coruja. Magica para fazer com que os nossos inimigos soffram o mal que nos pretendam fazer. | Corvo feiticeiro. Verdadeira receita para qualquer se fazer amar pelas pessoas de sexo differente. | Oraculo das flores. Meio de conhecer qual o futuro que nos está reservado quanto ao amor. | Maneira de se saber, com certeza, quem é o pae de qualquer creança. | Doenças do estomago, figado ou intestinos. | Dores do estomago e diarrhéa. | Dores no estomago e prisão de ventre. | Maneira de se obrigar um homem ou mulher a dizer o que fez e o que pensa. | Modo de deitar as cartas (Systema espanhol). | Magica da tartaruga. Para casar viuvas. | Remedios contra feitiços. | Vermes intestinaes. | Receita para se conseguir o amor e constancia de qualquer pessoa. | Lobis-homem. [Definição]. Cura. Preservativo. | Receita para evitar a gravidez. | Electuario virginal. Maneira de qualquer senhora se apresentar virgem depois de ser desflorada. | Magica africana. Para provocar o amor, desejos e enthusiasmo. | A sina dos mortaes p'los dados com que jogaes. | Oleo miraculoso. Modo infallivel de fazer voltar  da velhice para a mocidade. | Receitas para occultar infidelidades e desobediencias. | Contra as pragas. | Agulhas magicas (Para desmanchar barrigadas). | Magica italiana. Para obter casamento ou amisade perpetua. | Dias felizes e infelizes de cada mez. | A velhinha de Santo Hilario. Para encobrir a falta de virgindade. | O poder dos dentes de lagarto. Para fazer sonhar alto as pessoas que occultam segredos. | Filtros amorosos. Receitas para as senhoras casadas se fazerem adorar por seus maridos, dando-lhes vigor e ternura. | Modo de encontrar objectos perdidos [Santo António]. | Receita para se aborrecer o vinho. | Receitas secretas da sabia feiticeira Cleopatra: I - Para fazer um marido amoroso; II - Para que uma mulher confesse tudo o que tenha feito; III - Para domesticar maridos bravos; IV - Para que um homem conte tudo o que sabe; V - Para que haja filhos; VI - Para que um homem aborreça todas as mulheres; VII - Para que uma mulher seja fiel e apaixonada. | Magica do diamante. Como se conhece se uma mulher é fiel a seu marido ou o marido a sua mulher. | Receita para attrair ao nosso lar a pessoa querida que se afastou do reino e de quem não ha noticias. Maneira de se saber se é viva ou morta. | Como se consegue amor e casamento. | Pureza e belleza. | Pomadas de Santa Julia (portugueza): - Para amaciar, dar brilho, conservar e fazer crescer o cabello; - Para tingir de preto os cabellos louros ou brancos; - Para fazer crescer o cabello; - Para encobrir as sardas, dar bonita côr ao rosto, peito e braços; - Receita para ter bonitos labios; - Para fazer o cabello preto; - Outra para fazer crescer o cabello; - Elixir que extingue o mau halito; - Pós para limpar os dentes. | Oração para se benzer as casas dos pobres, e fazel-os descobrir muitas riquezas. | Grande magica do ouriço cacheiro. Para afastar o enguiço do lar domestico. | Contra o rheumatismo. | Receita para fazer fallar os mortos. | Contra ciladas. | Remedio contra mau olhado e quebranto. | Receitas uteis: - Pasta para branquear a pelle; - Restituição de virgindade; - Receitas para fazer tirar sardas do rosto; - Para obter bom cabelloPó de arroz puro; - Elixir para os dentes. | Espiritos apoquentadores. | Experiencia. | Contra feitiços nocturnos. Para dizer ao deitar. | Indice - [Pormenorizado, por ordem alfabetica]. Aos nossos leitores e leitoras.
Encadernação cartonada do editor com letras impressas a negro nas pastas.
Exemplar em bom estado de conservação. Com duas folhas rasgadas no interior (sem perda de papel).
Raríssimo.
Sem qualquer referência bibliográfica, incluindo a Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
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