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05 maio, 2020

CRUZ, J. Marques da - LIZ E LÊNA. Coimbra, F. França Amado - Editor, 1911. In-8.º (19,5 cm) de 86, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Obra poética constituída por pequenos trechos de "sabor" regional, impressa em papel de superior qualidade, onde se destacam, para além da poesia que dá nome ao livro, duas outras composições relacionadas com a vida estudantil coimbrã: Máguas do estudante e Olhos azúes d'uma tricana.
"Os poucos versos que ahi vão representam, em parte, uns traços imperfeitos de regionalismo que eu gostava de ver ampliados em formas exuberantes de emoção pelos poetas d'esta poetica terra de Portugal. [...]
O portuguez é essencialmente emotivo e, núm anceio de erguer a sua alma nas horas amargas do desespero até ás regiões purificadas de religiosismo e de uncção elle deixa vincado em tudo o que então sente e depois diz, um traço bem frizante e iinconfundivel da mais sentida espiritualidade.
Vivendo e sentindo a alma da natureza, elle entra, de commovido, dentro da sua propria alma e tem palavras luxuriantes de relevo e côr, que a ungem e humanisam."

(Excerto do preâmbulo)

"Nasceu o rio Liz junto a uma serra
No mesmo dia em que nasceu o Lêna;
Mas com muita paixão, com muita pena
Do seu berço não sêr na mesma terra.

Andando, andando alegres, murmurantes
Na mesma direcção ambos corriam;
N'elles bebendo as aves chilreantes
Contavam êsse amôr que ambos sentiam."

(Excerto de Lenda do Liz e Lêna)

Exemplar brochado em bom estado de conservação. Chancela de posse na capa e f. anterrosto.
Raro.
25€

11 agosto, 2019

SARAIVA, José da Cunha Mendes - A BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO LIS E OS TRABALHOS DO ENGENHEIRO REINALDO OUDINOT NO SÉCULO XVIII. Por... Director do Arquivo Histórico do Ministério das Finanças. Lisboa, [s.n. - Arquivo Histórico do Ministério das Finanças], 1943. In-4.º (25 cm) de 29, [3] p. ; [2] f. il. ; B. Publicações do Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, VII
1.ª edição.
"No mais alto e abrupto ponto do sinclinal divisionário dos vales do Lena e Lis, e antes da confluência dêstes dois rios na Ponte das Mestras, em uma elevação sobranceira ao sítio em que o álveo do último rio descreve caprichosa curva, fundou D. Afonso Henriques em 1135 o castelo de Leiria, segundo as opiniões mais fundamentadas. Mais adiante teremos oportunidade de abordar êste assunto.
Os afloramentos de ofitos e dioritos, particularidade notável da orla mesozóica e cenozóica, que romperam através dos estratos e formaram cúpulas ou cabeços, por vezes bastante salientes, ofereciam condições estratégicas de primeira ordem, e por isso foram sempre escolhidos para nêles se erguerem fortificações militares, pelo que o povo aplica a estas rochas a curiosa designação de «pedra casteleira». Está nesta caso o monte em que assentou o castelo de Leiria, a-par-de muitos outros existentes pelo país fora."
(Cap. I)
"A fundação do castelo de Leiria, em tal ponto, era uma vigia avançada para conter as arremetidas audaciosas do inimigo sarraceno e proteger o desenvolvimento do nascente aglomerado urbano que pela encosta até ao vale se estendia, para mais pacificamente os seus habitantes se poderem entregar à faina laboriosa do cultivo da terra que marginava o rio Lis, fertilizada pelas suas águas.
A-pesar desta medida defensivas, não impediu que algumas vezes as hostes inimigas assediassem o castelo, puzessem em sobressalto o seus defensores e talassem os campos, roubassem e destruíssem as culturas."
(Excerto do Cap. II)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Pouco vulgar.
Indisponível