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21 outubro, 2026

INSO, Jaime do -
A CHINA.
Conferencia feita em 2 de Junho de 1930 pelo Sr. Comandante... na Sociedade de Geografia de Lisboa. Separata do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. Lisboa, Tipog. e Papelaria Carmona, 1930. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 37, [1] p. ; il. ;. B.
1.ª edição independente.
Curiosa descrição da China de há 100 anos atrás, com as suas virtudes e contradições, pintadas com mestria pela pena do autor, profundo conhecedor dos "assuntos" do Oriente, traços coincidentes com o tempo presente, outros nem tanto...
Opúsculo ilustrado no texto com várias 5 fotogravuras.
"... Na China tudo é grande, e os vinte anos da luta de hoje, na transição na monarquia para a república, não atingiram ainda senão um reflexo daquelas lutas tremendas, quando da passagem do regime feudal para o absolutismo.
E a China imensa a tudo sobrevive, inalterável, fecunda e forte, sem um clamor, caminhando pacificamente no meio da devastação e da morte, avalanche espantosamente prolífera da Humanidade!
Estranho povo!
Na China, encontram-se seres humanos que trabalham como bestas atreladas, na China até a própria Natureza por vezes se compraz a destruir cruelmente vidas e haveres, sob tempestades que não têm rivais: os tufões.
Na China, a miséria é enormemente grande, as lutas ininterruptas; por vezes, as epidemias são assoladoras, a pirataria é infrene em muitas regiões, o clima é agreste e duro, com alternativas de frios intenso e de calor tropical, onde os nossos nervos e energias se depauperam e gastam sem cessar.
Na China, existe um sentimento mais ou menos manifestado e intenso contra os europeus cujas vidas têm sofrido sempre, com intervalos de paz variáveis, sérios riscos com casos de morte, sequestro, martírios, assaltos, incêndios e destruição de propriedades.
Finalmente, na China, a vida humana oferece um valor quási desprezível comparado com o que na Europa  lhe costumamos dar.
Parece, portanto, se tudo isto é exacto, tal como acabo de referir, que a China devia ser como que um lugar execrado e de desterro, cujo nome mal apetecesse proferir.
Pura ilusão, que a China, a feiticeira, a contradição mais viva e flagrante, talvez, de toda a humanidade, tem sortilegios, encantamentos e fantasias que, como filtros venenosos, nos obscurecem a visão dos quadros sombrios da sua miseria, das suas semanas de ceu sem sol, do sangue derramado, dos tufões, de todos os perigos e riscos de vida, para nos impôr sòmente a gala dos seus exotismos, o cativante do seu povo de extraordinário poder de absorção, o atavismo da sua raça de inegualável tenacidade no trabalho, o fatalismo das suas paisagens e, sobretudo, a liberdade e o desafogo da vida que o europeu ali disfruta e que com dificuldade no Ocidente pode fruir."
(Excerto da Conferencia)
Jaime Correia do Inso (Nossa Senhora da Graça, Nisa, 1880 - Lisboa, 1967). "Foi um oficial da Marinha e escritor. Ao atingir a maioridade, assentou praça no regimento da Infantaria 22, na capital de distrito e integrou, no ano seguinte, o corpo de alunos da Armada. É promovido a guarda-marinha em 1903 e, três anos depois, a segundo-tenente. Ao longo da sua carreira ascendeu ainda à posição de capitão-tenente e capitão-de-fragata, cargo no qual passou à reserva em 1938.
Em Macau, terra à qual dedicou praticamente toda a sua obra literária, serviu na Estação Naval de Macau e também na Marinha Colonial de Macau, tendo comandado a canhoeira "Pátria" entre 1926 e 1929."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, por abrir, em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
15€

08 outubro, 2026

REFUTAÇÃO Á RESPOSTA ANALYTICA AO OPUSCULO INTITULADO BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O COMMERCIO, E NAVEGAÇÃO DE PORTUGAL PARA A ASIA.
Por hum portuguez não hypocrita. 26 de Janeiro de 1836. Lisboa: 1836. Typographia de Felippe Nery. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Polémica a propósito do comércio com a China via Macau e os monopólios a estes associados, despoletados por um opúsculo publicado em Junho de 1835, que deu asas à polémica - Breves considerações sobre o comcercio e navegação de Portugal para a Asia - e que  foi objecto de crítica - Resposta analytica... A este, respondeu o autor do primeiro com o presente folheto.
Opúsculo com interesse histórico e político.
"Quando em 12 de Junho de 1835 publicámos o Opusculo intitulado = Breves considerações sobre o comcercio e navegação de Portugal para a Ásia = logo previmos que alguem apparecesse a contestar de má fé as nossas opiniões. Passarão-se quasi sete mezes, que os aspirantes ao monopolio guardarão estupido silencio, talvez receando-se (com muita prudencia!) desafiar huma polemica publicva, que lhes desconcertasse os seus planos, e os fizessem odiosos á parte sã, e illustrada dos negociantes Portuguezes, e do publico instruido."
(Excerto da Refutação...)
Exemplar brochado em razoável estade de conservação. Cpas frágeis, manchadas, com defeito e pequenas falhas de papel.
Muito invulgar.
10€

07 outubro, 2026

PIRES (Cor. grad.), Governador Mário Lemos -
RELATÓRIO DO GOVERNO DE TIMOR. (Período de 13 de Novembro de 1974 a 7 de Dezembro de 1975).
[Pelo]... Relatórios da Descolonização de Timor I. Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros, 1981. In-4.º (23,5x16 cm) de 378, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Relatório do processo de descolonização de Timor-Leste pelo general (à época, coronel) Lemos Pires, o seu último governador. O período abrangido medeia entre 13 de Novembro de 1974, data da sua chegada à ex-província e posse, até 7 de Dezembro de 1975, dia em que teve início da invasão de Timor pela Indonésia.
O presente é o volume I. Nesse ano foi publicado um segundo volume: Relatório da Comissão de Análise e Esclarecimento do Processo de Descolonização de Timor, elaborado pelo brigadeiro Francisco A. Riscado, o tenente-coronel Paula Vicente, o major João Goulão de Melo e o capitão-tenente Carlos S. C. Pecorelli, que, reportando ao mesmo assunto, trata o tema de forma diferente. Enquanto o primeiro é um documento na primeira pessoa, elaborado pelo último governador português no território, representando por isso o relato oficial da autoridade máxima que estava no terreno a tentar gerir a crise, o segundo, é um documento elaborado por uma comissão independente de inquérito; não é o testemunho de quem governou, mas sim uma espécie de auditoria externa.
"O desenrolar do processo de descolonização de Timor tem sido objecto de viva polémica - no que aliás não sai da regra verificada quanto às outras ex-colónias - convindo, por isso, sistematizar ideias e factos ocorridos e extrair algumas conclusões, com vista a fornecer a possibilidade de apreciação, tanto quanto possível objectiva, pelos órgãos de soberania que dirigiram superiormente o processo.
A falta de documentação - os arquivos do governo ficaram em Díli, pois razões de surpresa e segurança, necessárias para a saída do governo para Ataúro impediram que os mesmo fossem trazidos - dificulta, em muitos casos, a apresentação de documentos. Porém, dada a relativa proximidade no tempo dos acontecimentos, é viável a reconstrução do panorama vivido nas diferentes fases, além de que o facto de não ser necessário descer a pormenores demasiados atenua a falta apontada.
O presente relatório tem a finalidade de dar a conhecer os aspectos relevantes das actividades do governo de Timor nos campos político, económico, social e financeiro, fazendo somente algumas referências aos aspectos militares relevantes. A classificação de segurança é de Confidencial em virtude da natureza dos documentos em que o relatório se baseia, alguns dos quais se incluem.
Pela necessidade de enquadramento de muitos dos acontecimentos posteriores, o relatórios começa por apresentar uma síntese de caracterização das populações, economia e administração portuguesa em Timor. Relatar-se-ão de seguida os aspectos significativos da vida do tyerritório no período que decorreu desde Abril a Novembro de 1974, antecedentes da acção do governo que nessa data tomou posse."
(Preâmbulo)
Índice:
I - Considerações Gerais. II - Caracterização da situação em Novembro de 1974. III - De Novembro de 1974 a Maio de 1975. IV - Cimeira de Macau - Maio/Julho de 1975. V - Do golpe da UDT à saída do governo para Ataúro. VI - Da instalação do governo em Ataúro à invasão da Indonésia. VII- Conclusões finais.
Mário Lemos Pires CvA (Lamego, 1931 - Lisboa, 2009). "Foi um major-general do Exército português com os cursos de estado-maior dos exércitos de Portugal e dos Estados Unidos da América e de defesa do Colégio de Defesa da NATO e do Instituto da Defesa Nacional. Notabilizou-se por ter sido o último governador do Timor português, tendo governado aquela província ultramarina desde 8 de novembro de 1974 até 27 de novembro de 1975, embora a administração se tenha visto forçada a deslocar-se para a ilha de Ataúro nos últimos três meses em consequência do golpe liderado pela UDT de agosto de 1975. Após a partida de Mário Lemos Pires (então coronel) para Lisboa no dia 23 de setembro de 1975, o território de Timor-Leste foi invadido e ocupado pela Indonésia a 7 de dezembro de 1975, situação que se manteve até 15 de setembro de 1999, quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu votar pela Força Internacional para o Timor-Leste, o Interfet, que pôs fim à ocupação selvática da Indonésia sobre Timor-Leste."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

25 setembro, 2026

FERNANDES, José Augusto -
GENTE DE CÔR
. Porto, [s.n. - Oficina Tipográfica do Hospital do Conde de Ferreira-Porto], 1933. In-8.º (21x14,5 cm) de 80 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de crónicas relacionadas com Timor (a maioria) e Macau, locais onde o autor terá prestado serviço militar.
Obra rara e muito curiosa, não mencionada na BNP. Nada foi possível apurar acerca do autor, a não ser, a indicação num outro livro seu, de pertencer à Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.
"Produto dum cruzamento, nascera em Macau. Tentaram educá-lo, mas, tôda uma longa série de taras, inutilizou essa tentativa... Cresceu ao Deus dará até que, já homem, foi parar à tropa... Percorreu tôda a escala dos castigos e, por fim, lá foi ter a Timor, com a chancela de incorrigível...
Como tinha um verniz de ilustração empregaram-no. Filho de chinesa e talvez de indio, tinha todos os defeitos destas duas raças. Abafava sob a nossa moral, e as nossas leis eram para êle duma iniquidade absoluta...
Podia lá ser que êle quizesse beber, que êle tivesse sêde, que a cerveja estivesse ali, à mão de semear, em casa do chinês ou do monhé, e êle a não bebesse porque não tinha dinheiro...? Podia lá ser?! E como não podia ser, bebia e não pagava..."
(Excerto de Um milagre)
"Envelhecera em Timor. Para ali veio de Angola, novo ainda, num contingente de africanos... Alto, forte, espadaúdo, ligára-se a uma indígena e, com o tempo, veio-lhe o esquecimento da sua terra...
Deixára a tropa quando a velhice e o alcool o inutilizara e ficára por lá fazendo recados aos monhés e aos chineses...
Alma simples de bom, fiel como um cão, a negrura da sua tez era o seu único orgulho... Chamassem-lhe preto que o Pipa, abrindo a larga bôca num sorriso de satisfação, prestes respondia «pronto siô»!... E, filosóficamente, juntava: africano-preto, português-branco. Porque só o português era para êle branco, os outros, as outras raças, essas designava-as pelo nome da sua terra...
O branco era sempre o português; a sua língua, uma algaraviada de português e angola, era a língua portuguesa..."
(Excerto de O Pipa...)
"Pelas encostas da serra - de quebrada em quebrada - ouve-se o som dos batuques. O tam-tam repete-se, multiplica-se, aumenta de tom e ao longe novos tam-tans se ouvem, dando vida à paisagem. Em plena montanha, fronteiriça ao mar que distante se espraia numa quietude de lago, o som cavo dos batuques é bem como que o som dessa montanha, indefinível, mixto talvez do marulhar das ondas e do vento batendo as Tranças do arvoredo...
Um som grave, qualquer coisa que nos entristece, que nos faz olhar em roda num movimento instintivo de defesa, como se as próprias arvores, a água que canta despenhando-se, fôssem inimigos, e a sua voz fosse aquela, êsse tam-tam insistente, monótono, sem côr...
Da eminencia onde estávamos, via-se ao longe a fita branca da espuma orlando rembrandescamente o sopé da montanha e a floresta de folhas largas, dum verde macío onde a luz forte se adoça.
Pouco a pouco vão chegando os batuques.
Mulheres levando sob a axila do braço pequenos tambores que os dedos ferem, começam a orquestrar-se, arregimentando-se, e, em filas, avançam num bater cadenciado, certo, emquanto na frente, tauxiadas lâminas ao sol os homens pulam e guincham..."
(Excerto de O batuque)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. "Enrugado" e com manchas marginais por acção da humidade, sem prejudicar a mancha tipográfica.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€

16 maio, 2026

CORRÊA, António de Albuquerque Jácome -
UMA VIAGEM AO ORIENTE.
[Prefácio de J. Almeida Pavão]. Ponta Delgada, Edição e Propriedade do Autor, 1984. In-8.º (22x15 cm) de 79, [1] p. ; [14] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante narrativa da viagens que o autor empreendeu pelo Oriente "português" e outras paragens visitadas pelos portugueses nessa zona do globo.
Livro publicado em Ponta Delgada, por certo com tiragem reduzida, valorizado pelo extenso preâmbulo do Prof. José de Almeida Pavão (1919-2003), vulto incontornável da cultura micaelense.
Obra impressa em papel de superior qualidade, ilustrada com 14 fotografias a cores dos locais visitados em folhas separadas do texto, impressas sobre papel couché.
"O nosso velho e muito apreciado Amigo, Dr. António de Albuquerque de Jácome Corrêa, homem muitíssimo viajado e culto, quis distinguir-nos com a honra de prefaciar este livro, que intitulou Uma Viagem ao Oriente.
Concebida em hora feliz a ideia de tal publicação, devemos confessar que o interesse que nos suscitou a sua leitura se transformou em entusiasmo, de molde a o termos «devorado» quase de uma só vez. E, ao chegarmos ao fim, um só pesar nos ficou: o de ter sido tão curta a narrativa de uma matéria tão rica e tão variada de cambiantes, qual deles o mais curioso e original. É que o Oriente se constitui, na verdade, num alfobre inesgotável de exotismo que, sem excluir certos aspectos negativos, que o autor não deixa por vezes de salientar, aparece nimbado de uma beleza estranha - mas é sempre beleza - à sensibilidade do ocidental. E o exótico - não é preciso reafirmá-lo - é fonte perene de encantamento, correspondente àquela atracção natural do homem pelo que é diferente do seu mundo, daquele mundo em que vive, no espaço e no tempo."
(Excerto do Prefácio)
António de Albuquerque Jácome Correia (Ponta Delgada, 1922-1996). "Foi um veterinário, dirigente corporativo da lavoura e político. Veterinário municipal do Concelho da Lagoa até à sua aposentação, foi durante muitos anos presidente do Grémio da Lavoura do Distrito Autónomo de Ponta Delgada. Foi vogal da Junta Regional dos Açores para a agricultura, pesca e indústria e deputado à Assembleia Regional dos Açores (1976-1980) eleito nas listas do CDS pelo círculo eleitoral da ilha de São Miguel."
(Fonte: Wikipédia)
Belíssima encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura. Ex-libris do autor impresso no verso da folha de dedicatória.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

30 abril, 2026

MAGALHÃES, José Calvet de - A ATITUDE CHINESA PERANTE MACAU E O FUTURO DA NOSSA COLÓNIA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1946. MACAU E OS INTERÊSSES POLITICOS NO SUL DA CHINA. Confidencial. Relatório anual referente ao ano de 1947. Cantão, [s.n.], 1947-1948. In-4.º (27,5x19 cm) de [5], 100 f. ; il. e [6], 44 f. ; E.
1.ª edição.
Primeiros relatórios elaborados por iniciativa de Calvet de Magalhães, cônsul português em Cantão na época, com a chancela "Confidencial", sendo seu objectivo dar a conhecer aos "corredores do poder" em Lisboa - Ministério dos Negócios Estrangeiros e Presidência do Conselho - a situação de Macau, pura e dura, sem "floreados". Descreve a conjuntura da colónia, a reivindicação chinesa sobre Macau e Hong Kong, e os interesses das outras potências presentes nesta zona do globo - sobretudo ingleses, franceses e americanos - sublinhando, no entanto, a perspectiva da China e a sua influência na Região Administrativa de Macau, não deixando o diplomata de apontar caminhos e recomendar formas de aproximação às autoridades chinesas, locais e centrais, tendo em conta o contexto político e militar, a sua cultura peculiar e objectivos estratégicos, para ajudar o poder central na tomada de decisões. O Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, que dava já como perdido o território, leu com interesse os relatórios, com os quais concordou quase na íntegra, felicitando o autor, que se regozijou com os elogios presidenciais na abertura do segundo relatório.
Exemplares batidos à máquina, policopiados, impressos na frente, com mapas reproduzidos no texto do segundo relatório. Por opção, o relatório mais moderno foi encadernado à frente.
Os Relatórios procedem do espólio de um embaixador português. Trata-se de documentação importante, praticamente desconhecida, com interesse para a história das relações sino-portuguesas do pós-Guerra (1945), coincidindo com o conflito civil chinês que opôs facções nacionalistas a comunistas, em tempos marcados por alguma conflitualidade regional entre Macau e as províncias chinesas vizinhas. Aborda questões centrais da política da colónia, como o jogo, o turismo, o comércio com a metrópole e a obra missionária.
"Êste breve relatório contém pontos de vista meramente pessoais e portanto sujeitos a discussão e rectificação. Para a sua elaboração procurei apoiar-me, todavia, nos elementos mais objectivos que pude lançar mão, não esquecendo a observação directa do ambiente local traduzido pelas pessoas e pela imprensa.
Os pontos fracos da nossa posição em relação ao problema de Macau não deixaram de ser registados, pois creio que o seu estudo é tanto ou mais importante que o estudo dos pontos que nos são inequìvocamente favoráveis. Nos estudos publicados acêrca da nossa soberania em Macau, tem-se naturalmente procurado tirar o maior número de conclusões a nosso favor, tentando-se, por outro lado, diminuir de tôda a forma os argumentos que possam ser utilizados pelos nossos adversários nesta questão. Num trabalho destinado à apreciação do Ministério dos Negócios Estrangeiros não creio que haja lugar para tiradas patrióticas ou pintura de problemas com côres róseas."
(Excerto de Duas palavras - Relatório anual referente ao ano de 1946)
Índice Relatório de 1946:
[Duas palavras] | I - A atitude chinesa perante Macau. II - A atitude portuguesa acêrca da soberania de Macau. III - O futuro de Macau.
Índice Relatório de 1947:
Introdução | § 1º Exame breve das condições económicas e estratégicas do Sul da China. § 2º A política chinesa no Sul da China. § 3º A política inglesa no Sul da China e a colónia de Hongkong. § 4º Os interêsses franceses no Sul da China. § 5º Haverá uma política americana no Sul da China? § 6º Esquema dos interêsses e da política portuguesa no Sul da China.
José Calvet de Magalhães (1915-2004). "Embaixador de Portugal (um dos principais e mais conhecidos diplomatas portugueses da segunda metade do século XX), foi um pioneiro da chamada diplomacia económica e um dos grandes protagonistas na aproximação de Portugal à Europa enquanto participante activo em negociações que envolveram diversos organismos europeus. O embaixador Calvet de Magalhães não foi só um homem de acção. Possuidor de um consistente pensamento sobre a Europa e sobre as relações externas de Portugal, deixou-nos o seu ideário materializado num conjunto de obras que enriquecem o seu legado e juntam à sua actividade diplomática um acervo de ideias sobre as relações internacionais do seu tempo. Referência para uma geração de diplomatas, o seu ascendente provém da forma lúcida como a cada momento foi capaz de defender simultaneamente essas suas ideias e os interesses portugueses. Mais que atlantista, americanófilo, nunca deixou de estar atento ao carácter euro-atlântico de Portugal e, em particular, à importância da posição geoestratégica dos Açores e de Portugal como ponte entre a Europa e a América.
Calvet de Magalhães nasceu em 1915, em Lisboa, sob o signo da I Guerra Mundial. Licenciado pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1940, fez estágio de advocacia; em 1941 candidatou-se a um lugar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e foi admitido – por essa altura entraram também para o Palácio das Necessidades Eduardo Brasão e Franco Nogueira. Ao longo da sua vida trabalhou com mais de duas dezenas de ministros dos Negócios Estrangeiros.
Estreou-se na direcção-geral dos Negócios Económicos, uma área da diplomacia em que veio a especializar-se. Em 1945 encontramo-lo como cônsul-adjunto em Nova York, de onde no mesmo ano seria transferido para Washington. Em 1946 foi enviado para Boston onde fica a gerir o consulado até que, volvidos poucos meses, é enviado para Cantão (onde acompanha o fim da guerra civil chinesa e a chegada de Mao Tsé-Tung ao poder), regressando a Lisboa em 1950. [...]"
(Fonte: https://ipri.unl.pt/images/publicacoes/revista_ri/pdf/r8/RI08_07MFRollo.pdf)
Encadernação contemporânea inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada.
Muito raro.
Com interesse histórico.
Sem registo na BNP.
250€

12 agosto, 2025

COSTA, General Gomes da -
SOLDADOS DE PORTUGAL! Alocução proferida na revista passada pelo General Gomes da Costa, a todas as fôrças da Província de Macau, em 9 de Abril de 1923, 5.º aniversário da Batalha de La Lys. Publicação ordenada pelo Governo da Colónia para distribuir pelos quartéis. Macau, Imprensa Nacional, 1923. In-8.º (18,5x13 cm) de [2], 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Narrativa proferida em forma de discurso às tropas da colónia - por um dos principais protagonistas  das forças portugueses em França - do que foi a Batalha do Lys e o esforço português para suster o avanço do exército alemão. Peça rara, com indubitável interesse para a bibliografia WW1.
A propósito da presença do general em Macau: "Devido (ou a pretexto de) aos tumultos de 1922 o governo português decidiu enviar de Lisboa o general Manuel Gomes da Costa (1863-1929) ao Oriente para realizar uma inspecção às tropas. Nesse périplo de dois anos passou pela Índia, Macau (Abril) e Xangai.
De regresso a Portugal, Gomes da Costa aceita chefiar o golpe militar em 28 de Maio de 1926 pondo fim à Primeira República."
(Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2014/04/soldados-de-portugal-9-abril-1923.html)
"Soldados de Portugal!
Desde 30 de Janeiro de 1917, em que saí do Tejo à frente da 1.ª Brigada Portuguesa, nos achámos, pràticamente, em guerra contra a Alemanha. Pouco mais de um ano depois - a 9 de Abril de 1918 - tinha lugar o grande ataque alemão às tropas portuguesas, ao sul de Armentières, no vasto campo de batalha de Messines.
Mais de um ano havia que o inimigo se achava paralizado em frente do sector português, travando connosco repetidos combates; havia mais de um ano que nos mantínhamos no mesmo terreno apesar dos esforços do adversário para dêle nos desalojar. Os alemães, desesperados com a longa resistência de toda a linha dos Aliados, desesperados pela longa duração desta guerra que tinham suposto fácil e rápida, desesperados pela crise interna, resolveram-se a empreender uma acção de grande envergadura, que lhes permitisse abrir caminho até ao mar, cortando em dois o Exército dos Aliados, e, com êste objectivo, concentram enormes massas de artelharia - centros de baterias - com as quais, a partir de Janeiro de 1918, começam a bater toda a zona à rectaguarda do nosso sector, por êles escolhido como objectivo imediato do seu ataque principal.
Em meados de Janeiro começam executando uma série de raids, com o fim de reconhecer e apalpar a nossa linha, procurando-lhe os pontos fracos. A partir de 19 de Janeiro, a actividade da sua artelharia cresce, já em trabalhos de contra-bateria, já na destruìção das defezas acessórias e pontos fortes do terreno.
Dois prisioneiros que as nossas patrulhas fizeram a 18 de Fevereiro, informavam-nos da chegada de mais 30 novas baterias; outros dois prisioneiros feitos a 1 de Março diziam-nos que brevemente se realizaria um ataque, com o objectivo de melhorarem as suas posições."
(Excerto da Alocução - A Batalha do Lys)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequena falha de papel no canto inferior direito. Com passagens do texto sublinhadas a lápis.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

25 maio, 2025

GOMES, Artur Levy -
ESBOÇO DA HISTÓRIA DE MACAU : 1511 a 1849. Por...
Macau, Edição da Repartição Provincial dos Serviços de Economia e Estatística Geral (Secção de Propaganda e Turismo), 1957. In-8.º (22x16 cm) de [9], III, 409, [3] p. ; [10] f. il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história de Macau, antiga província oriental portuguesa. Trata-se de um "esboço" cronológico, de 1511 a 1849, ano em que o governador João Ferreira do Amaral foi assassinado quando passeava a cavalo.
Obra ilustrada em separado com 10 estampas - impressas a p.b. - sobre papel couché.
"Macau, por três séculos, a única possessão europeia na China, o primeiro empório do comércio exclusivo com o Japão e o Celeste Império, o fanal donde irradiou a luz da civilização ocidental por todo o Extremo Oriente, tão pequena em território como grande em tradições, com o seu cunho de Portugal antigo e ressaibos de orientalismo, constitui uma das mais preciosas jóias do nosso património ultramarino.
Territorialmente consta da cidade pròpriamente dita, que abrange toda a península, e das ilhas adjacentes, contando, presentemente, no seu conjunto,  pouco mais de catorze quilómetros quadrados de superfície. [...]
O título que escolhemos para este pequeno trabalho, pobre de literatura e despido de erudição, mostra bem que não pretendemos fazer a História de Macau, para que não nos achamos com fôlego, mas simplesmente divulgar alguns dos episódios da acidentada vida desta nossa tão longínqua, quão encantadora província ultramarina."
(Excerto de Ao leitor)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas, com prolongamento no pé, nas primeiras páginas do livro.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
35€

09 abril, 2025

COSTA, General Gomes da -
SOLDADOS DE PORTUGAL! Alocução proferida na revista passada pelo General Gomes da Costa, a todas as fôrças da Província de Macau, em 9 de Abril de 1923, 5.º aniversário da Batalha de La Lys. Publicação ordenada pelo Governo da Colónia para distribuir pelos quartéis. Macau, Imprensa Nacional, 1923. In-8.º (18,5x13 cm) de [2], 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Narrativa proferida em forma de discurso às tropas da colónia - por um dos principais protagonistas  das forças portugueses em França - do que foi a Batalha do Lys e o esforço português para suster o avanço do exército alemão. Peça rara, com indubitável interesse para a bibliografia WW1.
A propósito da presença do general em Macau: "Devido (ou a pretexto de) aos tumultos de 1922 o governo português decidiu enviar de Lisboa o general Manuel Gomes da Costa (1863-1929) ao Oriente para realizar uma inspecção às tropas. Nesse périplo de dois anos passou pela Índia, Macau (Abril) e Xangai.
De regresso a Portugal, Gomes da Costa aceita chefiar o golpe militar em 28 de Maio de 1926 pondo fim à Primeira República."
(Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2014/04/soldados-de-portugal-9-abril-1923.html)
Exemplar muitíssimo valorizado pela dedicatória autógrafa do General Gomes da Costa.
"Soldados de Portugal!
Desde 30 de Janeiro de 1917, em que saí do Tejo à frente da 1.ª Brigada Portuguesa, nos achámos, pràticamente, em guerra contra a Alemanha. Pouco mais de um ano depois - a 9 de Abril de 1918 - tinha lugar o grande ataque alemão às tropas portuguesas, ao sul de Armentières, no vasto campo de batalha de Messines.
Mais de um ano havia que o inimigo se achava paralizado em frente do sector português, travando connosco repetidos combates; havia mais de um ano que nos mantínhamos no mesmo terreno apesar dos esforços do adversário para dêle nos desalojar. Os alemães, desesperados com a longa resistência de toda a linha dos Aliados, desesperados pela longa duração desta guerra que tinham suposto fácil e rápida, desesperados pela crise interna, resolveram-se a empreender uma acção de grande envergadura, que lhes permitisse abrir caminho até ao mar, cortando em dois o Exército dos Aliados, e, com êste objectivo, concentram enormes massas de artelharia - centros de baterias - com as quais, a partir de Janeiro de 1918, começam a bater toda a zona à rectaguarda do nosso sector, por êles escolhido como objectivo imediato do seu ataque principal.
Em meados de Janeiro começam executando uma série de raids, com o fim de reconhecer e apalpar a nossa linha, procurando-lhe os pontos fracos. A partir de 19 de Janeiro, a actividade da sua artelharia cresce, já em trabalhos de contra-bateria, já na destruìção das defezas acessórias e pontos fortes do terreno.
Dois prisioneiros que as nossas patrulhas fizeram a 18 de Fevereiro, informavam-nos da chegada de mais 30 novas baterias; outros dois prisioneiros feitos a 1 de Março diziam-nos que brevemente se realizaria um ataque, com o objectivo de melhorarem as suas posições."
(Excerto da Alocução - A Batalha do Lys)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas. Contracapa apresenta rasgão à cabeça (sem perda de suporte) e falha de papel no pé.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
Indisponível

29 novembro, 2024

BORDALO, F. M. -
TRINTA ANNOS DE PERIGRINAÇÃO (1821-51.).
Manuscrito achado na Gruta de Camões. Por... Macao: China. Typographia Albion de Jno: Smith, Praya Grande, No. 61. 1852. In-8.º (21x14 cm) de 69, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Memórias da vida aventurosa do autor, empreendida aos 12 anos de idade.
"Completo hoje trinta annos. Parece-me que esta idade é o apogeu da vida humana - d'ahi em diante o astro na nossa existencia caminha para o occaso. Chegado a este ponto da perigrinação, todo o homem deve parar, e olhar para traz, fazer o seu testamento, e a sua confissão geral.
Não prégo como Fr. Thomaz. Faço o que digo. A prova aqui está!
O meu testamento é simples, reduz-se a quatro palavras: - Nada possuo, e nada devo.
Agora, quanto á confissão, isso é historia mais comprida. Vamos começál-a, que não ha tempo a perder.
Trinta annos nos separam do principio d'esta perigrinação. Trinta annos! - Quantos successos espantosos, extraordinarios, incriveis tem avultado n'este lapso de tempo!... [...]
Larga familia foi a minha - e bem reduzida está hoje!
De quinze irmãos restam quatro!
Tres d'elles dedicaram-se á Marinha; porem dois já estão sepultados no Oceano; o que ainda vive sou eu. [...]
Eu fui o ultimo d'esses quinze irmãos. Nasci, como já disse, a 5 de Maio de 1821, - no mesmo dia que um grande homem expirou - Napoleão; - em Lisboa, n'essa linda terra, que um ceu tão formozo corôa! mas fadado a perigrinar desde tenra idade, com tendencia para a vida aventureira, com vocação para o mar, só gozei do repouso no seio da familia até aos doze annos. D'ahi em diante comessei a variar de domicilio, e se bem que muitas vezes voltei á patria, e ahi presisti mesmo alguns annos, nunca mais tornei a alcançar aquella paz de espirito e o socego da primitiva idade. Na Europa, na Africa, na Azia, na America, na Oceania, - por entre borrascas e calmarias - sobre gelos, e debaixo dos ardores tropicaes, - tenho passado dias amargurados, e alguns felizes tambem... felizes - se ha na vida dias que possam assim chamar-se!... Tenho gozado e sofrido muito; tenho encontrado corações que harmonisam com o meu... mas ainda mais - peitos refalsados, que especularam com a min ha sinceridade, com os mais santos impulsos da alma... e tantos, que fizeram de mim o que hoje sou - reservado, desconfiado, incredulo!..."
(Excerto de Trinta annos de perigrinação)
Francisco Maria Bordalo (1821-1861). Capitão-tenente da Armada Portuguesa. Escritor e jornalista, foi o percursor do romance marítimo na nossa literatura. Amigo íntimo de Herculano, de Garrett e de outros intelectuais da época, deixou páginas de muito interesse para o conhecimento da vivência a bordo dos navios do seu tempo. Marinheiro aos 12 anos, estudou Matemáticas na Academia de Marinha. Como guarda-marinha fez numerosas viagens a partir de 1837. As suas impressões de viagens foram traduzidas pelo Times.
Encadernação meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Lombada esfolada nas extremidades. Primeiras folhas alvo de restauro nos cantos.
Raro.
60€

10 novembro, 2024

MESNIER, Pedro Gastão -
O JAPÃO : estudos e impressões de viagem.
Por... Macau, Typographia Mercantil, 1874. In-8.º (22x14 cm) de XX, [2], 355, [5] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Importante contributo para a história do Japão contemporâneo como nação emergente e, tal como a China, a dar os primeiros passos no processo de abertura ao Ocidente. Escrito algumas décadas antes do estabelecimento de Wenceslau de Moraes no país, que descreveu com mestria, este é um dos mais interessantes contributos históricos escrito por um cidadão português sobre o país do Sol Nascente. Inclui largas referências à passagem - e influência - dos portugueses pelo império nipónico.
Livro impresso em Macau, ilustrado com caracteres chineses (poesia) e, no final, com tabelas e quadros estatísticos.
"Dedicada ao Visconde de S. Januário, ministro plenipotenciário de Portugal nas cortes do Sião, China e Japão, esta obra constitui eventualmente o ex-libris entre os trabalhos de reconhecimento do Japão recém-aberto aos contactos internacionais. Memória da embaixada que em finais de 1873 S. Januário encabeçou, transporta também uma reflexão profunda sobre as relações entre o Ocidente e o Oriente. Declarado admirador das reformas ocidentalizantes do mikado, pressentia o poder decisivo que o arquipélago desempenharia nas décadas subsequentes. - Contém: notícias do Japão, da Antiguidade aos contactos com os europeus; carácter do povo nipónico, suas instituições morais, religiosas e políticas; visita a Nagasáqui; os portugueses no Japão (1541-1610); Kobe; Osaka: divertimentos, artes, os últimos samurais; Yedo -Tóquio: templos Xintoístas, palácios, bosques, a nova elite dirigente, os divertimentos; o sistema de crenças; fisionomia e trajo dos japoneses; audiência dada pelo imperador à embaixada portuguesa. - Em anexo, glossário de “palavras asiáticas”, bem como quadros sinópticos da divisão territorial do Japão, cronologia de imperadores, tábua cronológica dos Shonguns e constituição da família imperial.
De 1860 aos anos 30 do século XX, o Japão converteu-se numa nação fortemente ocidentalizada. Coube a Pedro Gastão Mesnier (1846-1884) lavrar testemunho das profundas alterações em curso no país. Integrando a embaixada do Visconde de S. Januário, pode aperceber-se do triunfo do xintoísmo e do culto rendido ao imperador - cuja linhagem divina ascenderia até Amaterasu, deusa do Sol - mas também do colapso dos samurais e ascensão dos grandes barões monopolistas do comércio e da indústria zaibatsu. O Japão seguia velozmente a via ocidental e era já considerado, em meados de 1880, um aluno exemplar, havendo quem o brindasse como “a Inglaterra da Ásia”, que décadas depois Haushoffer – o mago da geopolítica – corrigiria para a de “Prússia do Oriente”."
(Fonte: https://purl.pt/711/1/japao/jp-05.html#)
"Nunca me acompanhou a pretensão de esgotar o assumpto de que trata a obra presente, durante todo o decurso de tempo em que escrevi este livro. [...]
Tive especialmente em vista, quando escrevi, os meus patricios de Portugal, para quem a maior parte das cousas relativas ao Japão são novidades; os meus patricios de Macau, e d'estas regiões, relevarão portanto o que para elles não passará de logares communs.
Emquanto ás impressões que exponho, é possivel que muitas pessoas que viajaram no Japão, não as sentissem analogas, mas isso lhes não dará o direito de duvidar da sinceridade das minhas.
Por experiencia, tenho conhecido que a simples verdade, em todas as cousas d'arte, tem sempre a vida que é o principal predicado da belleza, e que é em vão que se procura a formosura litteraria nas formulas rhetoricas. Com alma que sente bem, e penna que reproduz exactamente esses sentimentos, se fazem os bons escriptores.
Procurei restringir-me sempre á mais exacta reproducção das cousas que presenciei; é certo que não vi tudo, e que muitas vezes não vi bem. A arte de ver é talvez a mais difficil d'este mundo, e não presumo ser mestre n'ella."
(Excerto do Prefacio - Ao limiar)
Índice:
Prefacio | Erratas | I - A descoberta. Observações geraes. II - Nagasaki. III - Os portuguezes no Japão, 1541-1640. IV - O mar interior. V - Hiogo-Kobe. VI - Osaka. VII - O valle d'Oitz. VIII - A lenda de Tajamir. IX - Yeddo - En-rio-kan. X - Yeddo - O-tamaya. XI - Uiéno. XII - Yeddo - As casas de Chá. XIII - Asaka. XIV - Physionomias e trajos. XV - Folhas caídas do feudalismo XVI - A audiencia. XVII - Ultimas excursões | Glossario de palavras asiaticas | Appendices e notas.
Pedro Gastão Mesnier (1846-1884). "Erudito e homem de acção cuja aura romântica o equiparava a um moderno Fernão Mendes Pinto, no entender de Manuel da Silva Gaio e dos seus amigos literatos de Coimbra, fugia decididamente aos cânones da sua época. [...]
A ansiedade de conhecer o Oriente fê-lo embarcar para Moçambique e daqui para a Índia, onde “obtivera por influência de seu pai, um despacho para condutor das obras públicas de Goa”, tendo sido também “professor de física e química na escola militar de matemática de Goa”. Contudo, uma “revolta do exército indígena” e a ocupação do arsenal, foi a oportunidade soberana para Pedro Gastão Mesnier mostrar as suas qualidades em acção. Por incumbência do Visconde de S. Januário, Governador-Geral da Índia (1870-1871), cujo secretário era o poeta Tomás Ribeiro, foi encarregado de “apreender esses quatro canhões às proximidades de Hari-Bandar”. A missão foi bem sucedida, tendo “praticado actos de verdadeiro heroísmo”, relatados no “Times of India”. [...]
A sua obra vai aparecendo. O “Idyllio” é publicitado pela Typographia Mercantil e custava 50 avos, em 1874. Outro livro, desse mesmo ano, “O Japão: estudos e impressões de viagem”, será muito bem recebido por Antero de Quental que escreveu na “Revista Ocidental”, “há muito tempo que em língua portuguesa se não publica relação de viagem tão interessante, tão cheia de novidade e ensino, como esta”. Antero informa-nos ainda que “os ingleses de Hong Kong, juízes competentes em tal matéria, dando ao livro do viajante português as honras de uma tradução, que apareceu na China Review, importante revista que se publica naquela cidade”.
Em 1878 segue novamente como secretário do Visconde de S. Januário, numa missão diplomática na América do Sul que incluía a Argentina, a Bolívia, o Brasil, adoecendo gravemente no Paraguai. Regressa combalido a Lisboa, procurando na escrita e no jornalismo algum conforto e algum sentido para uma vida cada vez menos aventurosa. [...]
A doença fazia o seu caminho inexorável. [...] Era o fim de um atleta que "atravessou o Tejo a nado, a 12 de Agosto de 1875, desde o Terreiro do Paço até ao pontal de Cacilhas, em competição com o sr. Alfredo Ansur, que cansou a meio da travessia"."
(Fonte: https://jtm.com.mo/opiniao/pedro-gastao-mesnier/)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar impresso em papel encorpado em bom estado geral de conservação. Algumas páginas apresentam acidez.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

08 dezembro, 2023

ABREU, José Gonçalves de -
DO OCIDENTE DA EUROPA AOS CONFINS DA ÁSIA (impressões de uma viagem)
. Amarante, [Edição do Autor], 1970. In-8.º de (22,5x17 cm) de [4], 44 p. ; [24] p. il. ; ; il. ; B.
1.ª edição.
Impressões de viagem do autor - conhecido empresário amarantino - recolhidas ao longo do périplo que empreendeu pelo Oriente, sobretudo, mas também por paragens pouco convencionais, pelo menos para a época, como a escala no Alasca.
Livro totalmente impresso sobre papel couché, com fotografias no texto e em separado.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao "Excelentíssimo Senhor Doutor Raúl Rêgo".
"Os viajantes ocasionais que cruzaram o Território de Macau em trânsito para outras paragens são aqueles que, por vezes, nos oferecem aforismos cintilantes ou reflexões muito interessantes porque animadas de um vivo pragmatismo. O Comendador José Gonçalves de Abreu (1914-2002), outrora figura proeminente da indústria portuguesa, fundador do complexo industrial “TABOPAN”, em Amarante, deslocou-se ao Japão em 1969, na sequência de um convite oficial formulado pela “Union of Japanese Scientists and Engineers”, para participar na Conferência Internacional do Controle de Qualidade, onde apresentou uma comunicação intitulada “A influência do controle de qualidade nas relações entre os povos e na cultura do mundo”. A longa viagem feita a bordo de um Boeing DC9 [Lisboa-Copenhaga-Alaska-Japão-Hongkong-Macau-Tailândia-Irão-Itália-Lisboa] foi devidamente registada num livro ilustrado, publicado em 1970, sob o título, “Do Ocidente da Europa aos Confins da Ásia (impressões duma viagem)”, prefaciado por Fernando Pires de Lima. É um importante contributo para a construção da imagem externa de Macau, no contexto largo da fenomenologia da viagem."
(Fonte: https://jtm.com.mo/opiniao/jose-de-abreu/)
"Do Polo Norte, conhecíamos apenas as lendas e os contos de ficção. Os mistérios desse continente gelado de que nos fala Camilo em «Mistérios de Lisboa» ignoravamo-los totalmente. Sabíamos, apenas, que nessa zona do Ártico, nos seus mares da Groelândia, labutam, cada ano, na safra da pesca do bacalhau, muitos dos nossos destemidos pescadores e que alguns deles ali ficam sepultados com os seus caíques quando se aventuram demasiado na exploração das suas águas ou são surpreendidos por alguma tempestade de neve nesses dias intermináveis que caracterizam a vida nessa estranha parte da terra.
Esse continente foi, durante milénios, terra desconhecida. [...]
Pois nos nossos dias, graças à tecnologia que o homem pôs ao serviço da civilização, essa viagem deixou de ser uma temeridade para ser um roteiro de escala nas viagens para o Oriente. Também por ali passamos um destes dias.
Convidados pela Union of Japanese Scientists and Engineers, e em representação do nosso País à Conferência Internacional de Controle de Qualidade, fomos até ao país do sol nascente em cuja capital - Tókio - teve lugar esse agradável «meeting»."
(Excerto de I - Alaska)
"A cidade de Macau é uma preciosidade na margem do Rio das Pérolas, que atesta a presença de Portugal naquelas paragens de sonho que trouxe, há cerca de quinhentos anos, ao convívio do Ocidente. As suas ruas e avenidas tìpicamente à moda portuguesa, banhadas por um sol quente e acolhedor, a que um mundo de transeuntes em mangas de camisa ou em lindos conjuntos, de largas calças e túnica preta, contrastavam com os trajes garridos dos turistas americanos, davam àquela paisagem a beleza das mais lindas capitais daquele lendário continente. [...]
Durante a nossa permanência em Macau, procuramos ver tudo que a magnífica cidade possui de mais belo e representativo da vida cultural e recreativa portuguesa, dado que, estando tão longe da mãe Pátria, com uma população de mais de 290 mil chineses e sòmente 10 mil portugueses seria lógico aceitar que pouco ou nada ali haveria a marcar a nossa permanência em tão pequena minoria. Pois ficamos deslumbrados com a satisfação com que o macaísta declina a sua identidade. Sou português, filho de pai português e de mãe chinesa; aqui nasci, sou português e prezo-me muito disso, não conheço ainda a Metrópole, mas tenho uma certa esperança de lá ir qualquer ocasião. Estudo a língua Pátria, frequento a escola portuguesa, falo chinês mas, cada dia, onde posso fazê-lo, isto é, logo que tenha quem fale a língua de Camões, é essa a língua que gosto de falar."
(Excerto de IV - Macau)
Índice:
Alaska. II - Tókio. III - Hong-Kong. IV - Macau. V - Tailândia. VI - Irão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

12 junho, 2023

LIMA, Durval R. Pires de - A EMBAIXADA DE MANUEL DE SALDANHA. Ao Imperador K'hang hi em 1667-1670 (Subsídios para a História de Macau). Lisboa, [s.n. - Tip. e Papelaria Carmona - Lisboa], 1930. In-4.º (24 cm) de 23, [1] p. ; [1] f. desd. ; B.
1.ª edição.
Importante contributo para a história de Macau e das relações sino-portuguesas.
Ilustrado no final do livro em separado com folha desdobrável (24x37 cm): Genealogia de Manuel Saldanha, segundo Andrade Leitão.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
Com a devida vénia a João Botas, publicamos parte do seu artigo A Embaixada de Manuel de Saldanha inserto no blogue Macau Antigo, cujo link infra deixamos:
"Depois de Fernão Mendes Pinto e Tomé Pires esta terá sido a mais significativa tentativa de estabelecer relações diplomáticas com a China por parte de Portugal. Feita a pedido das gentes de Macau.
Os padres jesuítas - em Pequim muitos dos seus nomes perduram até hoje - foram esperar Manuel de Saldanha a Tianjin para, com o embaixador português, fazerem o último percurso do Grande Canal até Pequim, enquanto lhe ensinavam as regras do cerimonial chinês para ser recebido pelo imperador da dinastia Qing, Kangxi (1661-1722).
Inúmeras 'embaixadas' se seguiriam...
Eduardo Brazão (1907-1987), que cônsul de Portugal em Hong Kong, escreveu em 1948 um livro sobre o tema - Subsídios de para a historia das relações diplomáticas de Portugal com a China: a embaixada de Manuel de Saldanha - de que retirei este pequeno excerto:
"A vida não decorria tranquila no Império do Meio, o que era mau presságio para os comerciantes de Macau. Manuel de Saldanha, diplomata experiente, foi enviado a Pequim ao grande Kang-Si para trazer da boca do imperador garantias de estabilidade e as difíceis licenças para o comércio com a China. A morte colheu Manuel de Saldanha já no fim da sua melindrosa missão; no entanto, tinha conquistado de tal modo as boas graças de Kang-Si, que este o fez sepultar com todas as honras devidas aos mais distintos mandarins do seu império."
(Fonte: http://macauantigo.blogspot.com/2014/11/a-embaixada-de-manuel-de-saldanha.html)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis, com cortes e pequenos defeitos.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

03 junho, 2023

CUNHA, Luís - CHINA NA GRANDE GUERRA.
A Conquista da Nova Identidade Internacional. Macau, Instituto Internacional de Macau [imp. Gráfica Maiadouro - Lisboa], 2014. In-4.º (23 cm) de 231, [1] p. ; il. ; B. Col. Suma Oriental - 10
1.ª edição.
Importante subsídio para a história da intervenção chinesa na Grande Guerra.
Ilustrado com inúmeras fotografias, desenhos e reprodução de documentos oficias distribuídos pelas últimas 45 páginas do livro.
Foto da capa:  Nove membros do Chinese Labour Corps junto às ruínas de uma casa em França, entre os quais dois capatazes e um intérprete (sentados) - autor desconhecido.
Tiragem limitada a 500 exemplares.
"[...] Esta foi uma guerra travada entre homens de todas as nacionalidades, raças e credos. Todos tentaram, ingloriamente, salvar impérios feridos de morte.
No Verão de 1914 a imprensa mais patriótica assegurava que, no Natal desse ano, o conflito estaria terminado. Os jornais não voltariam a reincidir em prognósticos semelhantes nos anos seguintes. Das ofensivas massivas passou-se rapidamente para a defesa estratégica, traduzida em trincheiras que serpenteavam por muitas centenas de quilómetros. O impasse e a guerra de nervos instalar-se-iam nas fileiras de todos os exércitos em confronto. A terra era de ninguém; a pólvora e o chumbo de todos.
Exauridos e sujeitos a uma guerra de desgaste interminável, os Aliados foram obrigados a recorrer às forças armadas das dependências coloniais, bem como trabalhadores estrangeiros destinados a suportar o esforço de guerra, substituindo desse modo os homens chamados à linha da frente. O império britânico mobilizou australianos, canadianos, neo-zelandeses, indianos e sul-africanos, entre outros. O franceses convocaram marroquinos, senegaleses e vietnamitas. Muitos caíram no combate que foram travar por delegação.
Mais curiosa, porquanto relativamente desconhecida, é a saga dos trabalhadores chineses que participaram activamente nos palcos europeus da Grande Guerra. Os cemitérios chineses, espalhados pelo norte de França e Bélgica, são testemunhos silenciosos da premeditada entrada em cena da China no sistema internacional e de um esforço de guerra que nunca seria devidamente reconhecido.
Recrutados pela França e Grã-Bretanha, mais de 140 000 trabalhadores braçais - os "coolies" na expressão inglesa - viajaram até à Europa, onde deram um contributo significativo para o esforço de guerra aliado, designadamente nas fábricas de material de guerra (por vezes ao lado de portugueses também recrutados para o efeito), na construção e reparação de caminhos-de-ferro, na manutenção de tanques, na construção naval ou no reabastecimento da linha da frente. Na versão britânica integraram o Chinese Labour Corps (CLC). Quando os Estados Unidos da América (EUA) entraram na guerra, também o contingente expedicionário americano passou a contar com o apoio logístico destes chineses, cedidos pelos franceses. Sujeitos à disciplina castrense, eram considerados "soldados-trabalhadores".
(Excerto da Introdução)
Índice:
Agradecimentos. | Prefácio. | Introdução.| I - O apocalipse imperial. II - A guerra no Oriente. III - A China na Grande Guerra. IV - Os trabalhadores chineses na Europa. V - A China na Conferência de Paz. VI - A China moderna nas Relações Internacionais. VII - Conclusões. | Bibliografia. | Websites de referência. | Fontes vídeo. | Fotos - o "Exército" esquecido.
Luís Cunha. "É doutorado em Relações Internacionais (ISCSP/Universidade de Lisboa) e licenciado em Comunicação Social (FCSH/Universidade Nova de Lisboa). É investigador no Instituto do Oriente (ISCSP/UL) e autor de vários livros sobre temática oriental. Tem obra publicada, na área de geopolítica da Ásia-Pacífico, em revistas nacionais e estrangeiras. Desempenhou actividade profissional em Macau (China) durante década e meia."
(Retirado da contracapa)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Esgotado.
45€

11 setembro, 2022

BOXER, Major C. R. - ANTONIO COELHO GUERREIRO E AS RELAÇÕES ENTRE MACAU E TIMOR NO COMÊÇO DO SÉCULO XVIII
. [Macau], Escola Tipográfica do Orfanato da Imaculada Conceição de Macau, 1940. In-4.º (26 cm) de [4], 49, [1] p. ; [3] f. il. ; [1] planta desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história de duas antigas províncias orientais portuguesas - Macau e Timor - tendo como denominador comum o governador de Timor António Coelho Guerreiro.
Livro ilustrado com 4 folhas separadas do texto: um fac-símile de um manuscrito autógrafo de António Coelho Guerreiro; duas plantas: Planta da fortaleza da praya de Liphao e Planta da praia de Limpao; uma folha desdobrável (25,5x39 cm) - Planta da costa da China nas vizinhanças de Macau.
No final, em Documentos, vem reproduzida correspondência relevante sobre o assunto.
"Em 1702, António Coelho Guerreiro foi o primeiro governador e capitão geral das ilhas de Timor e Solor que logrou ser empossado e desempenhar as suas funções, na sequência de outros esforços que, desde meados do Século XVII, o Estado da Índia vinha desenvolvendo com o intuito de impor a sua autoridade e controlo nesses domínios. Coelho Guerreiro lançou as bases da administração portuguesa que se manteve sedeada em Lifau até 1769, ano em que, sob a continuada pressão de forças rebeladas, o então governador António José Teles de Meneses decidiu transferir a sede do governo para Dili."
(Fonte: https://run.unl.pt/handle/10362/20751?locale=en)
"Quando da sua nomeação para Governador de Timor, apresentou António Coelho Guerreiro um orçamento mostrando a guarnição e oficialidade, operários mecânicos e outros que considerou serem necessários, juntamente com o cômputo dos seus soldos e ordenados anuais. Pedia naquela ocasião uma tropa com onze Capitães, doze Alferes, 4 Ajudantes, 12 Sargentos, 560 soldados e 60 artilheiros afora pagens e tambores; mas só conseguiu levar consigo, de Goa, uma diminuta companhia de 50 soldados rasos que nem todos passaram além de Macau, onde pôde alistar, com grande trabalho seu, mais 32 homens! A tal estado de penúria e míngua de fôrças tinha chegado o outrora tão rico e populoso Estado da Índia.
A viagem de Coelho Guerreiro de Goa até Macau vem bem descrita na sua carta dando conta dela ao Visorei, e que adiante publicamos. Na mesma carta descreve António Coelho Guerreiro os acontecimento ocorridos durante a sua estada em Macau desde fins de Julho de 1701 até Janeiro de 1702. Descreve como negociou dous barcos para a viagem de Timor (porque a fragata Nª. Sra. das Neves em que passou àquela cidade teve que voltar a Goa), e como preparou munições e mantimentos, mandando fazer arcabuzes, enxadas, machados, marrões, cunhas, serras e "todo o mais aviamento para o oficio de carpinteiros", e almofarizes para limpar salitre e enxofre e fazer pólvora; não se esquecendo também de arranjar 200 picos de arroz "para levar consigo por não entrar logo naquelas ilhas pedindo esmola em tempo que se achão faltas desse mantimento"."
(Excerto do estudo)
Charles Ralph Boxer (Sandown, ilha de Wight, 1904 - St. Albans, Hertfordshire, 2000). "Foi um historiador britânico, notável conhecedor da história colonial portuguesa e holandesa.
Filho do coronel Hugh Boxer e de sua esposa Jane Patterson, Charles Boxer foi educado no Wellington College e no Royal Military College, em Sandhurst. Tenente no Regimento do Lincolnshire em 1923, serviu naquele regimento durante 24 anos, até 1947. Foi destacado para a Irlanda do Norte e, de 1930 a 1933, tradutor no Japão alocado ao Regimento de Infantaria n.º 38, com base em Nara. Em 1933, formou-se como intérprete oficial da língua japonesa. Enviado para Hong Kong em 1936, serviu como oficial nas tropas britânicas na China em Hong Kong, em serviços de inteligência. Em 1940, foi promovido. Ferido em ação durante o ataque japonês a Hong Kong em 8 de dezembro de 1941, foi levado pelos japoneses como prisioneiro de guerra e mantido no cativeiro até 1945. Solto, voltou ao Japão como membro da Comissão Britânica no Extremo Oriente em 1946-1947. Durante sua carreira militar, publicou cerca de 86 livros e opúsculos sobre a história do Oriente, sobretudo dos séculos XVI e XVII.
Como major no Exército, aposentou-se em 1947, quando o King's College, em Londres, lhe ofereceu sua Cadeira Camões de Português, cargo que deteve por vinte anos até 1967. Em tal período, a Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres o nomeou seu primeiro Professor de História do Extremo Oriente, servindo no cargo por dois anos, de 1951 a 1953.
Aposentando-se em 1967 da Universidade de Londres, Boxer aceitou o posto de professor visitante na Universidade de Indiana, onde serviu ainda como conselheiro para a Biblioteca Lilly, ou Lilly Library, em seu campus em Bloomington, Indiana. De 1969 a 1972, teve uma cadeira de história da Expansão Europeia no Ultramar na Universidade de Yale."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas apresentam pequenas falhas de papel marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível