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27 maio, 2026

LIMA, Gervásio - O VETERANO DA LIBERDADE (um acto em verso). (Expressamente escrito para ser representado na Praia da Vitória, na festa centenária da batalha de 11 de Agosto de 1829). Angra, Tip. Andrade, 1929. In-4.º (24x17 cm) de 20 p. ; B.
1.ª edição.
Bonita peça de teatro comemorativa do primeiro centenário da Batalha da Praia da Vitória, na baía da então Vila da Praia, em que forças miguelistas intentaram um desembarque naquele trecho do litoral da ilha Terceira, nos Açores.
Obra rara, não mencionada na BNP.
"Madrugada de Agosto. Ouvem-se 21 tiros de peça - uma salva.
- Na Vila da Praia da Vitória, em 1879, um quarto modestamente mobilado, tendo na parede quadros alusivos à época. Um velho de 75 anos, vestindo a farda de veterano da Liberdade, voluntário da Rainha D. Maria II, está sentado junto duma janela que deita para o matr, meditativo. Entra uma criança de 8 anos, correndo de encontro ao velho e beija-o; êle acaricia-a. É uma neta."
(Excerto de O Veterano da Liberdade - introito)
Gervásio da Silva Lima (Praia da Vitória, 1876 - Angra do Heroísmo, 1945). "Foi um prolífico escritor açoriano com uma obra em prosa e em verso que inclui contos, teatro e ensaios nas áreas da etnografia e da história. Escreveu obras de pendor romântico, reveladoras do seu patriotismo e amor à terra em que nasceu, nas quais deu alma e corpo a heróis terceirenses, transformando-os em verdadeiros mitos populares. A ele se deve a mitificação em torno das heroínas Brianda Pereira e Violante do Canto e o alpendorar da batalha da Salga em evento de extraordinária heroicidade."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, impresso em papel de superior qualidade, bem conservado. Carimbo oleográfico da Biblioteca de Mário Portocarrero Casimiro na f. rosto.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

23 maio, 2026

BELO, Raimundo -
POR AMOR DE PORTUGAL.
Com prefácio do Dr. Francisco Guerra. Angra do Heroísmo, Tipografia Andrade, 1945. In-8.º (19x13,5 cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de textos em que o autor discorre sobre o presente do país, com os olhos postos no futuro - reflexões publicadas pouco tempo após o final da 2.ª Guerra Mundial.
"Não escrevo para agradar ou desagradar a esta ou a aquela pessoa. Não quero ferir nem lisonjear. Não tenho a quem ferir, não tenho a quem lisonjear. Minha vida é correntia e simples, sem ambições, sem pretensões, contento-me com o pão de cada dia, não quero fazer figuras, não preciso saltar por cima dos outros, amachucar seja quem fôr, parecer o que não sou. Aos meus inimigos, se alguns tenho, daria, se m'as pedissem, desculpas convenientes dos escândalos que acaso lhes causei: aos meus amigos e aos meus superiores, procuro dar-lhes estima, o respeito, a obediência que lhes devo. [...]
Escrevo por amor duma ideia, duma ideia que sorri no céu de Portugal, rica, opulenta, de virtudes regeneradoras; duma ideia generosa que já emocionou muitos corações, que é já luz de muitas almas, inspiração de muitos espíritos, e será um dia, Deus o permita, plena, edificante, amorosa, radiosa, realidade; escrevo com os olhos postos no passado, em que fomos grandes, com o coração auscultando o presente, que exige êsse passado, com a alma andando o futuro, que só será nosso se ressuscitarmos e revivermos as virtudes antigas da Raça Portuguesa."
(Excerto do texto)
António Raimundo Belo (Praia da Vitória, 1897 - Angra do Heroísmo, 1958). "Mais conhecido por Raimundo Belo, foi um jornalista e historiador açoriano que se notabilizou pelos seus estudos sobre a genealogia das famílias da ilha Terceira e sobre a história da emigração açoriana para o Brasil.
Primo de Gervásio Lima, foi chefe da secretaria notarial de Angra do Heroísmo. Membro da tertúlia intelectual terceirense da década de 1930, foi contista, jornalista e investigador da história angrense, da genealogia e da história da emigração açoriana para o Brasil.
Colaborou nos principais jornais da Terceira e publicou alguns artigos e contos em revistas portuguesas. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico da Ilha Terceira e uma figura activa na vida cultural da ilha Terceira até ao seu falecimento. Foi um dos intelectuais que incentivaram Vitorino Nemésio a publicar os seus primeiros textos."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Sem f. rosto.
Raro.
Indisponível

19 abril, 2026

NEMÉSIO, Vitorino - ERA DO ÁTOMO/CRISE DO HOMEM.
Colecção Ciências Sociais e Humanas
. Amadora, Livraria Bertrand, 1976. In-8.º (18,5x11,5 cm) de 145, [3] p. ; B.
1.ª edição.
"Conjunto de reflexões escritas em plena guerra fria entre o bloco de Leste e o Ocidente. Nelas o autor simboliza no problema do átomo todo um conjunto de características com que pretende identificar essa etapa da humanidade."
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Mário Mesquita.
"Vamos tentar versar o tema crucial do nosso tempo: as dúvidas que se levantam - em certos espíritos, pelo menos - acerca do caminho por onde a civilização conduz o homem moderno.
Generalizou-se a designação de Era Técnica para o tempo que vivemos. Mas, dado o aspecto mais saliente e característico da Técnica gerada mundialmente pela revolução industrial é a desintegração da energia nuclear, que produziu a bomba atómica, há já quem chame ao nosso tempo a Era Atómica. Não certamente pelo volume de energia dessa proveniência ao dispor das tarefas da paz, mas porque o espectro da guerra, desde a terrível revelação estratégica de Hiroxima, é dominado pela ameaça do poder catastrófico dos engenhos nucleares teleguiados.
Intitulei estas considerações - Era do Átomo/Crise do Homem -, não só por ceder a esse pendor, mas pela vantagem de ganhar indirectamente um símbolo (pois não me esqueço de que sou poeta) para exprimir o lado talvez mais alarmante da crise contemporânea: a despersonalização massificada - e portanto atomística - do tipo de homem que a vive ou nela é gerado."
(Excerto do Cap. I)
Vitorino Nemésio (1901-1978). "Justamente considerado um dos maiores poetas e prosadores portugueses do século XX, Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, nasceu em Praia da Vitória (Ilha Terceira, Açores), cursou Direito e Letras em Coimbra e licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa (1931). Fundador da Revista de Portugal (1937-1940), professor catedrático (1941) e notável conferencista, cedo se tornou uma das mais importantes referências na investigação e crítica literárias, para além de originalíssimo prosador e poeta, cuja obra emparceira com a de Eça de Queirós, no romance e crítica e a de Fernando Pessoa na poesia."
(Fonte: https://acpc.bnportugal.gov.pt/espolios_autores/e11_nemesio_vitorino.html)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
35€

27 junho, 2024

BAPTISTA, Virgínio - GUIA DO VIAJANTE NA PRAIA DA VITÓRIA. (Notícia sucinta sôbre esta Muito Notável Vila). Angra do Heroismo, Livraria Editora Andrade, 1929. In-8.º (15x12,5 cm) de 74, [6] p. ; [4] f. il. ; B.
1.ª edição.
Guia quase centenário da vila da Praia da Vitória, hoje cidade, localizada na parte leste da Ilha Terceira, tendo sido a sua primeira capital.
Ilustrado com 4 estampas a sépia separadas do texto.
Guia raro e muito interessante. A BNP não menciona.
"Sendo reconhecida a necessidade dum opúsculo que esclarecesse o visitante e viesse descrever, embora sucintamente, o que existe nesta Vila, digno de ser admirado, resolvi publicar o presente Guia do Viajante na Praia da Vitória.
Sem pretensões e sem exibicionismos que não possuo, êle atinge o fim que tive em vista e que creio deve satisfazer o turista, ávido de saber e conhecer os factos mais notáveis desta vila e os pontos principais que tem a visitar, para não andar às cegas e, muitas vezes, ir admirar coisas de somenos importância, por ignorar a existência de outras de mais valimento.
Tudo descreve êste guia e a todas as coisas se refere, embora superficialmente.
Os terramotos que arrazaram esta Vila, a libertação dos Açôres do jugo opressor de Castela, a gloriosa batalha de 11 e Agosto de 1829 entre miguelistas e liberais, as igrejas, fortes, monumentos, casas de caridade, paços do concelho, repartições públicas, a tudo se faz referência neste guia."
(Excerto de Duas palavras necessárias)
Índice:
[Preâmbulo] | Duas palavras necessárias | A Praia da Vitória Notável | Como se fundou a Vila da Praia: - [Introdução]; - Fundação da Religião Católica nesta Vila; Brazão da Vila da Praia; - A destruição da Vila da Praia da Vitória; - A Praia da Vitória e as várias epidemias que a teem assolado; - A Vila da Praia da Vitória progressiva. | Igrejas, Capelas e Ermidas (Urbanas): - Matriz de Santa Cruz; - Misericórdia ou Santo Cristo; - Capela dos Remédios; - Capela de S. Lazaro; - Ermida de S. Salvador. | Conventos: - S. Francisco; - Chagas; - Nossa Senhora da Luz; - Jesus; - Frades Gracianos ou de Nossa Senhora da Graça. | Monumentos: - Forte de Santa Catarina; - Forte das Chagas; - Forte de Santas Cruz do Porto; - Forte do Espírito Santo; - Estatua do Conselheiro José Silvestre Ribeiro; - Estatua da Liberdade. | Estabelecimentos de Beneficiência: - Asilo de Mendicidade D. Pedro V; - Santa Casa da Misericórdia; - Hospital dos Lazaros; - Hospício dos Expostos. | Edificios públicos: - Paços do Concelho; - Alfandega; - Tribunal Judicial; - Repartição de Finanças; - Repartição do Registo Civil; - Conservatória do Registo Predial; - Sub-Inspecção de Saúde; - Caixa Geral de Depósitos; - Tesouraria da Fazenda Pública; - Comissão dos Bens Culturais; - Execuções Fiscais; - Tribunal do Contencioso das C. e Impostos; - Secção de Fiscalização; - Secção Administrativa da Camara Municipal; - Aferição de Pêsos e Medidas; - Biblioteca José Silvestre Ribeiro; - Cadeia Civil; - Estação Telégrafo Postal; - Matadouro Municipal; - Mercado Público; - Mercado do Peixe; - Praça do Gado; - Salão-Teatro Praiense; - Campo de Foot-ball. | Escolas: - Escola Dr. Sousa Júnior; - Escola Primária Geral (sexo feminino); - Escola Municipal de Música. | Casas de Crédito: - Caixa Económica da Vila Praia da Vitória; - Caixa Económica do Monte-Pio Terceirense. | Clubs | Estâncias de veraneio: - Porto Martins; - Casa da Ribeira; - Biscoitos.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas com defeitos, cortes marginais e pequena falha de papel na lombada.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
45€

28 fevereiro, 2024

NEMÉSIO, Vitorino -
VARANDA DE PILATOS : romance
. Paris-Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, [1927]. In-8.º (18,5x12 cm) de 253, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Romance de estreia do autor nas lides literárias. Terminado em 1926 e dedicado a sua mulher, Gabriela Monjardino Gomes (com quem casara nesse ano), viria a ser dado aos prelos no ano seguinte, em 1927. Antes havia publicado uma colectânea de contos - Paço do Milhafre (1924) - e uma conferência sobre o grande prosador de S. Miguel de Seide intitulada Camilo (1925).
"Varanda de Pilatos teve alguns títulos provisórios como por exemplo O Meu Nome é Venâncio, O Curioso Adolescente ou ainda Um Rapaz Que Era Assim. É um romance claramente de aprendizagem e autobiográfico, narrado na primeira pessoa, o que não foi do particular agrado para a crítica dominante à época."
(Fonte: Wook)
"Quando minha mãe me acordou, o dia despontava. Uma luz côr de anil, desta que não força o casulo negro da noite mas subtilmente se escoa pelos fiapos das nuvens, tingia a clarabóia do meu quarto, a qual, de vidro fôsco, parecia subir ao céu como um caixão de menino.
- Anda, Venâncio! - disse minha mãe, ao sacudir-me. - Não durmas, que o Trigueiro ficou de vir às seis em ponto.
Era o dono do carro que nos levaria à Cidade, para onde eu ia estudar. E, à voz de minha mãe, mais suave que nunca naquele dia, comecei por erguer a vira do lençol, dispondo-me a saltar. Mas o sono, a teimosia dos galos corneteiros e a mágoa de me ir, detiveram-me; virei-me caramunhando na cama até que meu pai se acercou:
- Mexe-te, homem de Deus!; mexe-te, que são horas!"
(Excerto do Cap. I - O  carro do Trigueiro e as circunstâncias dêle)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos rasgões e uma ou outra falha de papel marginal. Lombada apresenta falha de papel.
Vitorino Nemésio (1901-1978). "Nasceu em 1901, na Ilha Terceira, Açores. Frequentou o liceu em Angra e na Horta (Ilha do Faial), onde concluiu o 5.º ano. Em 1919, iniciou o serviço militar como voluntário, o que lhe proporcionou a primeira viagem ao Continente. Em Coimbra, terminou o liceu e frequentou a Universidade, primeiro como aluno de Direito, depois de Letras. Optando definitivamente pelo curso de Filologia Românica, viria a obter a sua licenciatura em 1931 em Lisboa, dando início ao mesmo tempo a uma distinta carreira académica na Faculdade de Letras. Como professor, o seu percurso levou-o ainda a leccionar em Montpellier, em Bruxelas e em várias universidades no Brasil. Poeta, ficcionista, crítico, biógrafo e investigador literário, Vitorino Nemésio é autor de uma obra equiparável, nas palavras de David Mourão-Ferreira, a “um arquipélago”. Fundador e director da Revista de Portugal (1937-1941), uma publicação literária importante no panorama português do século XX, Nemésio colaborou também de forma intensa em revistas literárias, em jornais, na rádio e na televisão. Ficou célebre, e presente até hoje na memória dos portugueses mais velhos - a sua colaboração na RTP com o programa «Se bem me lembro», no início dos anos setenta. O livro Mau Tempo na Canal foi publicado em 1944 e é considerado um marco na história do romance português do século XX."
(Fonte: cvc.instituto-camoes.pt)
Invulgar.
25€