FALCÃO, Garibaldi - LUCRECIA BORGIA. Adaptação do celebre drama de Victor Hugo. Por... Lisboa, Guimarães & C.ª - Editores, 1916. In-8.º (20x12,5 cm) de 23, [5] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico. Trata-se de «Lucrecia Borgia», adaptação da famosa peça teatral de Victor Hugo (representada pela primeira vez em 1833), brilhantemente adaptada por Garibaldi Falcão, escritor e jornalista português. Explora a figura mítica de Lucrécia Bórgia - filha do Papa Alexandre VI -, uma mulher marcada pela lenda negra do Renascimento italiano, em época de decadência e dissolução moral, dividida entre a intriga, a crueldade da sua família e a paixão. (IA)
Garibaldi Falcão, na sua versão livre da peça, dá-nos a conhecer uma Lucrécia Bórgia na linha de Hugo, contrariando outros romances entretanto publicados, que procuravam reabilitar a nobre italiana. Em todo o caso, trata-se de um romance autónomo interessante e muito bem redigido.
"A personalidade de Lucrecia Borgia tem sido ultimamente das mais discutidas. Quer no theatro, quer no romance, Lucrecia Borgia era apresentada como o prototypo - até ha lgum tempo - da envenenadora, da mulher cynica, depravada, eivada de todos os vicios possiveis e imaginaveis, que iam desde o incesto com seus proprios irmãos até ser amante de seus pae, o papa Alexandre VI.
É assim que a tradição a representa e foi assim que o grande Mestre que é Victor Hugo a pôz em scena no seu drama, que, como todas as obras do Mestre genial, occupa e occupará sempre um logar de destaque na litteratura mundial."
(Excerto do Prefacio)
"No palacio dos doges, em Veneza, na noite de terça feira de Carnaval de um dos primeiros annos do seculo XVI, realisava-se um baile de mascaras.
Era então magistrado supremo da Republica Veneziana o celebre Barbarigo.
Os sumptuosos salões resplandeciam com myriades de luzes, que iam reflectir-se nas aguas dormentes do canal que circumdava os jardins do palacio e pelo qual deslizavam mansamente gondolas com mascarados, uns cheios de alegria expansiva e ruidosa, outros immersos em silencio e como que receiando até falar, não fôssem as aguas contar ao formidavel Conselho dos Dez um segredo meio revelado, uma palavra de sentido dubio, que trouxesse a morte a quem imprudentemente a proferira.
Porque Veneza tinha o terror da espionagem. Um gesto, uma palavra, por vezes mesmo um olhar eram uma sentença de morte."
(Excerto de I - No baile de mascaras)
José Garibaldi Viegas Falcão (1864-1944). "Foi um destacado jornalista, escritor e tradutor português. Exerceu a profissão jornalística durante cerca de 50 anos em conceituados jornais, como o Correio da Manhã, Diário de Notícias e O Século. É amplamente reconhecido como um dos grandes introdutores e divulgadores da literatura universal em Portugal. Destacou-se como autor de extensas obras documentais sobre a I Guerra Mundial, como a História Ilustrada da Grande Guerra. Traduziu para português obras de escritores consagrados, com destaque para Lev Tolstói (como Guerra e Paz), Victor Hugo, Honoré de Balzac e Charles Dickens. Para além do seu trabalho editorial, ficou também conhecido na história da imprensa portuguesa por ter sido o mentor e guia do lendário jovem jornalista Reinaldo Ferreira, mais conhecido como o Repórter X." (IA)
Encadernação em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
35€
Reservado














