28 junho, 2026

MONITA SECRETA - Instrucções secretas dos jesuitas. Segundo o exemplar authentico, existente no tribunal de Bruxellas, aprehendido aos jesuitas da casa de Ruremonde na occasião em que foram expulsos da Belgica. Publicação feita a expensas dum grupo de liberaes. Preço 50 réis. O producto d'este livro reverte a favor do Asylo de S. João fundado em Lisboa em 1862. Lisboa, Typ. - Rua da Escola Polytechnica, 89 e 91, 1901. In-8.º (19x13 cm) de 32 p. ; B.
Exemplar da Monita Secreta impresso no início do século XX, uma das edições deste best-seller anti-jesuítico, cujos editores afiançam provir do Tribunal de Bruxelas depois de apreendido à Companhia de Jesus no processo de expulsão destes da Bélgica.
Obra invulgar e muito curiosa.
"A 'Monita Secreta' é um texto falso, fabricado pela ativa campanha anti-jesuíta do século 18. Escrito em Latim, conheceu traduções em quase todas as línguas, que circularam de forma manuscrita. Pretendia parecer um manual elaborado pelo Superior dos Jesuítas para ensinar aos Padres como captar as heranças das viúvas, como atrair os jovens para a Companhia e outras malvadezes do género. É o que podemos chamar um “verdadeiro falso”, porque este exemplar foi dotado (para reforçar a ilusão) de uma encadernação de cinto ou “de batina”, muito frequente nos breviários e “livros de mão” de sacerdotes."
(Fonte: https://www.uc.pt/anossauc/centro-conhecimento/monita-secreta/)
"Veio Christo ao mundo e pretendeu regenerar a humanidade, prégando uma doutrina de brandura, de paz e de amor, que pudesse unir todas as creaturas no mesmo amplexo fraternal, incutindo-lhes uma crença divina, um sentimento de tolerancia e de liberdade que deviam constituir a felicidade suprema pelos laços da familia, na terra, e a esperança redemptora d'um ideal de justiça, no céo.
Por essa doutrina se sacrificou e morreu... [...]
Infelizmente, as doutrinas d'esse grande e divino espirito não poderam ainda arrancar de vez os defeitos damninhos que deformam as almas de tantos e tantos individuos que em todos os pontos da terra fazem sentir os males das primitivas condições, em que os homens, acorrentados ao obscurantismo, se debatiam na miseranda submissão da mais triste e desgraçada existencia.
Domina-os a sordida ambição dos gosos e das riquezas; offusca-os a paixão do predominio; cega-os a nefasta e secular pretensão de quererem avassalar o mundo e dispor dos seus destinos, sem hesitar nos meios a empregar, desde os mais violentos e inquisitoriaes até aos mais cavillosos e subrépticios.
Disfarçam-se, modificam-se, transformam-se, introduzindo-se assim nas camadas sociaes e confundindo-se com todas as classes; avança, recuam, occultam-se, comforme melhor convem aos seus tenebrosos planos, não perdendo a minima occasião de servirem a sua causa e de chegarem aos fins, sem que o mais leve escrupulo os detenha, sem que a menor inquietação lhes embargue o passo resoluto para vencer os obstaculos que se opponham aos seus designios.
Estes são os Jesuitas, a Seita Negra, a Companhia de Jesus.
Que desplante; que blasphemia; que hypocrisia! - Companhia de Jesus!"
(Excerto do preâmbulo - Jesuitas)
"1.º Para se tornarem agradaveis aos visinhos da povoação, muito importa explicar-lhes o objecto a Sociedade, tal como está prescripto nas regras, onde se diz que a Sociedade deve dedicar-se com tanto em penho á salvação do proximo, como á sua propria. Para este fim devem nos hospitaes desempenhar as funcções mais humildes, visitar os pobres, os afflictos e os presos. É preciso ouvir as confissões com benevolencia e ser muito indulgente com os peccadores, para que as pessoas mais importantes admirem os nossos e os estimem, tanto pela caridade extraordinaria que manifestam para com todos, como pela novidade da sua doçura.
2.º Que todos tenham presente que devem modesta e religiosamente pedir os meios de exercer os cargos da Sociedade e tratar de alcançar a benevolencia, principalmente dos ecclesiasticos e dos seculares que exercem authoridade, de que algum dia poderão necessitar. [...]
5.º Ao principio os nossos devem evitar o comprar propriedades; se porém o julgarem necessario, comprem-n'as em nome de amigos fieis, que prestem o nome apenas e que guardem segredo. Para que a nossa pobreza se veja melhor, convém que as terras que se possuam junto a qualquer collegio estejam em nome de outros afastados, o que impedirá que os principes e magistrados saibam a quanto montam as rendas da Sociedade.
6.º Que os nossos não percorram senão as cidades ricas com intenção d'ahi residir, em fórma de collegios; porque o fim da nossa Sociedade é  imitar Nosso Senhor Jesus Christo, o qual se demorava mais em Jerusalem e apenas passava pelos lugares menos importantes.
7.º Ás velhas viuvas ha que encarecer-lhes a nossa extrema pobreza, para lhe extorquir quanto dinheiro se possa."
(Excerto de I - De que modo deve proceder a Sociedade quando principia alguma fundação)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com cortes e pequenas falhas de papel marginais.
Raro.
30€

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