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02 setembro, 2026

SOEIRO, Felix Anastacio & FERRÃO, Carlos Ribeiro Nogueira -
CARTA E MEMORIA SOBRE UM PROJECTO PARA O ESTABELECIMENTO DE UMA COLONIA MILITAR AGRICOLA E DISCIPLINAR SOB A PROTECÇÃO DE SUA MAGESTADE EL-REI, O SR. D. CARLOS I.
[Por]... Capitão de infanteria & Alferes de infanteria. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897. In-8.º (22,5x14,5 cm) de [2], 27, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Proposta inovadora, conceptual, para desenvolvimento de uma prisão militar na Serra de Serpa (Alentejo), que contemplasse a incorporação do trabalho agrícola como parte do processo correctivo e do cumprimento de penas das praças sob detenção, transformando o baldio improdutivo em campos de cultivo. Esta prisão-colónia militar acabou por nunca ser construída. O projeto enfrentou forte oposição local e pressões políticas, nunca tendo saído do papel.
Obra invulgar e muito curiosa. A BNP refere o livro com a indicação: "Sem informação exemplar".
Ilustrada no texto e em página inteira com quadros e tabelas estatísticas.
"Senhor
É precisamente no momento em que no paiz se debatem as mais encontradas opiniões ácerca do aproveitamento das enormas charnecas alemtejanas, como tentativa para se debellar a falta de trigos nacionaes, e com estas as innumeras difficuldades que d'ahi resultam, que os signattarios d'esta veem mui respeitosamente apresentar a Vossa Magestade um modesto alvitre tendente a melhorar, até certo ponto e o mais economicamente possivel, um tão angustioso estado de cousas. [...]
Senhor. Dois modestos officiaes do exercito de Vossa Magestade, sentindo-se com forças para uma actividade superior em beneficio da sua patria, sujeitam-se de bom grado ás enormes difficuldades da vida isolada, doentia e cara, nas charnecas do Alemtejo, sem outras ambições que não sejam a de se tornarem uteis ao seu paiz e ao governo de Vossa Magestade."
(Excerto do Introdução)
"Senhor. - Os dois officiaes abaixo assignados, bastante conhecedores da serra de Serpa e praticos em edificações economicas e nos trabalhos de culturas e pecuaria, propõem-se a fertilisar e colonisar com a mais restricta economia e as maiores vantagens para o estado, as extensas massas de terreno, sem a minima vegetação arborea, constituidas por faixas contínuas de esteval de grandes dimensões e de campos immensos de charneca improductiva da alludida serra.
Trocando espontaneamente as commodidades e gosos que offerece a vida das cidades pelas agruras da vida rural, sem comtudo deixarem de prestar valiosos serviços ao exercito, como se verá da indole d'este emprehendimento, procuram esta occupação honrosa e salutar para estabelecer uma colonia militar agricola e disciplinar no centro da mesma serra, que tem por fim empregar em todos os seus trabalhos de edificações, aproveitamento de aguas, culturas, creação de gados e apuramento das especies e exploração e aperfeiçoamento de varias industrias proprias da região, o pessoal da colonia, destacado do exercito com as aptidões requeridas para cada mister e ainda as praças destinadas ao deposito militar do forte da Graça, cuja regeneração será mais efficaz e offerecerá maiores garantias, alliando o trabalho agricola obrigatorio á educação e correcção militar; porque assim se evita a ociosidade e a perversão d'esta multidão de incorrigiveis, attestada pelas antigas casas de correcção e ainda não desmentida pelo actual deposito militar."
(Excerto do Preâmbulo)
Índice:
[Introdução] | [Preâmbulo] | Idéas geraes sobre os fins da colonia | Organisação e administração da colonia | Quadro do pessoal da colonia | Vencimentos, recompensas e penalidades | Disposições diversas | Descripção summaria dos predios de que constam as edificações fundamentaes da colonia, que suppre a planta junta á primeira memoria | Mappas [Quadros/Tabelas].
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Mancha antiga no pé, visível nas últimas folhas do livro.
Raro.
45€

24 outubro, 2021

ATAVISMO DO TALENTO. Breves memorias de uma senhora lisbonense
. Evora, Minerva Commercial, de José Ferreira Baptista, 1909. In-8.º (21 cm) de [2], 47, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Obra algo insólita, composta pelas memórias da autora, senhora bem nascida, - protegida pela capa do anonimato, - reunidas a estâncias de uma pessoa, que sabendo da desilusão desta com o Montepio Geral e dos seus estatutos restritivos da condição feminina, lhe pediu que escrevesse sobre o assunto.
Livro ilustrado com uma folha extratexto contendo o retrato de quatro personalidades, que, julgamos familiares da autora, com descrição na folha seguinte dos nomes, datas, ocupações, predicados pessoais e datas relevantes.
Valorizado pela dedicatória manuscrita na capa da autora a uma sua prima.
"De ha muito pensamos nós que uma disposição dos Estatutos do Monte Pio Geral mais serve para dar a morte do que a vida, a morte de alma, aos beneficiados.
A pensionada, descendente de socio fallecido, perde a pensão, logo que mude de estado, logo que se casar.
É clara a illação que brota do preceito. Se a mulher não tiver outros meios de subsistencia do que os que perde com o casamento, e o marido que procura, ou a procurar a ella os não tiver, o prejuizo será grande, a miseria quasi certa, com o seu cortejo de angustias e de lancinantes dores... Foge a felicidade á pensionada.
É, pois, consequencia de tal disposição, que a mulher tem de viver sósinha, sem familia eleita de seu coração, solteira por toda a vida.
No campo da moral pode essa mulher solteira ser o prototypo da decencia e da honestidade, ou ser mesmo um modêlo de licenciosidada mascarada, vivendo como lhe aprouver, sempre solteira e privada dos encantos da familia, dos prazeres conjugaes das delicias da prole nos filhos, que podéra gerar, educar, idolatradamente amar. [...]
Conhecemos a uma dama solteira, honesta e respeitada, já não môça, victima do Monte Pio Geral. Por vezes lhe ouviramos alludir delicada a não poder ser na vida mais mais do que escrava e nunca senhora. [...]
Atrevemo-nos a lhe pedir que escrevesse suas memorias. Veio recusa: acudimos com reparos, salientando o quanto é pobre entre nós a bibliographia feminina, para ser mais do que extensa a masculina. [...]
Por fim de breve contenda, de divergencias fommos atendidos.
É-nos agradavel o tornar publicas as singelas memorias dessa senhora, a quem occultamos o nome, por não offender sua modestia..."
(Excerto de O Monte Pio mata)
Matérias:
O Monte Pio mata [preâmbulo]. | Do anno de 1860 a 1879. | De 1872 a 1877. | De 1877 a 1882. | De 1882 a 1890. | De 1890 a 1894. | De 1894 a 1909. | Em abril de 1909. | O piano - Ainda memorias. | Prazeres no estudo. | Illusões e verdade. | Referências topographicas: Estremoz; Evora e seus campos; Serpa e seus arredores; Braga e seus arredores; Bussaco e suas bellezas.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas, frágeis, com defeitos.
Raro.
20€