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16 abril, 2025

SOARES, Maria Micaela -
LITERATURA SALOIA
. [S.l.]Ramos, Afonso & Moita, Lda., 1993. In-4.º (24x17 cm) de 69, [15] p. ; il. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso ensaio histórico e etnográfico publicado em separata de «Etnografia da Região Saloia» - A Terra e o Homem.
Ilustrado com um mapa - Distribuição provisória da alcunha saloio no distrito de Lisboa, e 10 páginas ilustradas: duas gravuras em página inteira - uma a cores e a outra a p.b., e 21 fotografias a p.b. distribuídas por oito páginas.
"Este título, obviamente arbitrário e porventura equívoco, não pretende sustentar que exista ou tivesse sido recolhida, na sondagem realizada, qualquer espécie de Literatura com características exclusivamente saloias. [...]
Contactaram-se tanto indivíduos escolhidos previamente como os descobertos ao acaso nas praças, estradas e locais de trabalho.
Destas abordagens, emergiram três hipóteses de estudo, as quais se desenvolverão em próximas campanhas:
a) A encarnação da alcunha Saloio parece alargar-se a uma área que se situa mais para norte e mais para leste das zonas consagradas, aparentando serem agora pouco definidos os contornos que a tradição impôs.
b) Este assumido Saloio, com raras excepções, tem consciência do motivo da sua designação.
c) Não se escandaliza já por assim ser apodado, mostrando, ao invés, um certo orgulho narcísico pelo facto. «Felizmente», «graças a Deus», «com muita honra» e «com muito orgulho» são algumas das ênfases com que coroa as suas afirmações de saloismo. «Saloios chapados» se definem às vezes.
Para a maioria, Saloio é o «homem que trabalha no campo». Mas não todo e qualquer camponês. Os do Minho ou do Alentejo, por exemplo, «ficam muito longe de Lisboa».
«Camponeses dos arredores de Lisboa» se dizem, pois. Genial intuição que a Ciência corrobora. «Há os da cidade e há os Saloios» - confirmam -, havendo ainda os «atravessados», misto de «Saloios e Alfacinhas» - especificam.
Foi entre estes camponeses não muito distantes de Lisboa - e, aqui, a noção de distância é pouco objectiva - que se procedeu à recolha dos espécimes literários ora divulgados."
(Excerto da Introdução)
Índice do texto:
Introdução | Elenco documental | Poesia profana | Poesia religiosa | Lendas pias | Loas para o círio a Nossa Senhora dos Remédios | Rezas | Fábulas, histórias, contos | Comentários aos textos | Bibliografiia.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
20€

19 novembro, 2020

FELGUEIRAS, Guilherme - OS SALOIOS : gupo étnico de Lisboa suburbana. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso por Ramos, Afonso & moita, Lda., Lisboa], [1980]. In-4.º (26 cm) de 20 p. ; il. ; B. Separata do Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa : III Série - N.º 87 - 2.º Tomo - 1980
1.ª edição independente.
Estudo etnográfico e etimológico sobre os saloios e a sua origem. Curioso trabalho sobre os habitantes naturais das zonas rurais dos arredores de Lisboa, ilustrado com 11 bonitas estampas e fotogravuras a p.b. distribuídas por sete páginas.
"Certo núcleo de campónios naturais dos arrebaldes de Sintra, Loures e Mafra tem merecido o reparo de críticos, desde tempos distantes. Notados pelos traços diferençáveis, forte personalidade, exteriorizações de sentimento, temperamento laborioso, maneira peculiar de viver e de se expressarem. Quase sempre, porém, essa análise é feita dum modo inexacto e deformador, explorando em sorridente recorte escarninho aquele feitio simplório e astucioso, aquele modo embaraçado mas ganhuceiro como sabem levar a água ao moinho, explorando o negócio sempre com lucros materiais assegurados."
Guilherme Felgueiras (1890-1990). "Formado pela Escola Nacional de Agricultura em Coimbra, dirigiu as zonas florestais da Mata de Leiria e Serra do Gerês e desempenhou cargos de diretor das Escolas Gonçalves Zarco e Profissional de Agricultura de Paiã.
No domínio etnográfico Guilherme Felgueiras destacou-se pela sua produção bibliográfica em torno das tradições populares no âmbito da vida agrária e da arte popular.
Sobre o domínio da Filologia e Etnografia publicou, em 1930, o estudo sobre a Terminologia agrícola - Linguagem dos Campos, dando continuidade, em 1935, aos trabalhos de Anfiguris populares e Lexicologia pecuária, e em 1941 sobre As Aliterações e os Trocadilhos na Lírica Popular. Em 1940 colaborou em «Vida e Arte do Povo Português» com o artigo A faina do campo, alusivo à vida rural, destacando o estudo sobre os sistemas de elevação e distribuição de águas de rega, processos e técnicas agrárias, hagiografia popular, feiras e romarias, entre outros temas.

A sua produção etnográfica privilegiou, com igual interesse, outros domínios de investigação, nomeadamente, as temáticas do traje popular e os processos e técnicas tradicionais e seus contextos de produção, como o ferro e a olaria."
(Fonte: www.matrizpci.dgpc.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€