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20 dezembro, 2025

GAVINHO, Elias - O CIGARRO E O HOMEM. O produto líquido da presente edição, que reverterá a favor das Vitimas da Guerra, destina-se ao cofre da Junta Patriotica do Norte. (Núcleo do concelho de Caminha). Viana-do-Castelo, Tipografia de José Souza, 1917. In-8.º (19x13 cm) de 69, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso trabalho sobre o cigarro e os prazeres do "vício".
"Não procuro - Deus me livre de tal!, - mostrar o cigarro debaixo do ponto de vista higiénico ou scientífico. Ha cigarros higiénicos, é bem verdade, mas o facto é que quasi sempre o vicio do cigarro é condenavel. Para certas organisações, porém, embora se reconheça o prejuiso que ele lhes possa causar, os doutos aconselham a que se não abandone.
Constitue, portanto, nestes casos, uma parte integrante da vida que o aprecia, e como que balsamo salutar para as dôres. Muitas vezes o tenho ouvido receitar para as dôres de dentes.
Ou seja por adorno, ou vicio, ou distração, ou medicamento, o facto é que ele constitue habito para a maior parte dos homens, e é sempre um tanto estranhavel ouvirmos dizer: - muito obrigado, não fumo...
Alèm d'isso, o cigarro é ainda muitas vezes o demonstrativo da classe social e dos hábitos da terra a que o individuo pertence. Afóra raras excepções, quasi todo o homem regularmente colocado compra cigarros feitos, não sucedendo o mesmo com aqueles a quem a vida tanto não sorri.
Um operario, um trabalhador, ou um carroceiro, fazem os seus cigarros; um banqueiro, um advogado, um jornalista, ou um comerciante, compram-nos já feitos.
Por muito que se queira estabelecer a egualdade na nossa sociedade, é sempre reparavel ver-se que alguem faz o seu cigarro. Porquê?! Talvez por habito? talvez por snobismo? Por qualquer coisa emfim. Mas o facto é que é assim."
(Excerto de I - Psicologia do fumador)
Indice:
I - Psicologia do fumador. II - O habito não faz o monge. III - Gavroche fuma. IV - Faina alegre. V - No Teatro. VI - Nós e «Elas». VII - Lançar da luva. VIII - Carta d'apresentação. IX - Historia triste. X - Amor com amor se paga. XI - Traço-de-União. XII - Primavera e Inverno. XIII - Na palestra e ao deitar. XIV - Sem reclamo. XV - Fecho.
Elias Lourenço Gavinho (1895-1935). Jornalista e escritor português. Natural de Caminha, Viana do Castelo. Com três anos foi para Manaus (Estado do Amazonas - Brasil). Regressou a Portugal para fazer os seus estudos, tendo voltado de novo ao Brasil. Aí, enveredou pela carreira de jornalista-boémio, tendo chegado a redator-chefe de "O Lusitano". Regressou definitivamente a Portugal, tendo-se estabelecido na sua terra natal, Caminha, onde viria a falecer em 1935.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Invulgar.
15€

07 dezembro, 2023

PAES, Sidonio Bernardino Cardoso da Silva - INTRODUCÇÃO Á THEORIA DOS ERROS DAS OBSERVAÇÕES. Por... Licenciado em Mathematica. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1898. In-4.º (24x16 cm) de [16], 130, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Tese académica de Sidónio Pais, ex-Presidente da República assassinado em Lisboa, a 14 de Dezembro de 1918, na Estação do Rossio. Obra rara. Trata-se da dissertação inaugural para o acto de conclusões magnas apresentada à Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra, cujo tema desenvolve a aplicação das probabilidades à "teoria dos erros das observações".
"Com perto de cem annos de existencia a Theoria dos erros das observações é um assumpto ácerca do qual restam ainda muitas duvidas.
Reduzida ao principio a simples regras empiricas ou aconselhadas pelo bom senso, é um facto digno de notar-se que estas regras têem permanecido quasi sem modificação, porque se é verdade que a sua demonstração tem escapado ás investigações tenazes dos espiritos mais luminosos, tambem não é menos verdade que nunca se conseguiu substituil-as por outras melhores. [...]
Assumindo a hypothese de que é possivel assignar uma probabilidade numerica a cada grandeza dos erros das observações, a deducção da lei que segue essa probabilidade tem sido uma das maiores difficuldades. [...]
Pretendemos pôr em evidencia o que ha de hypothetico e o que ha de rigoroso e de aproveitavel nestas investigações, de maneira que d'este estudo resalte claramente o estado da questão."
(Excerto do Prefacio)
"Quando se observa uma grandeza desconhecida susceptivel de ser definida por um só numero, as differenças para este numero dos resultados das observações, chamam-se erros verdadeiros ou simplesmente erros das observações."
(Excerto do Cap. I - Noções preliminares - I. Natureza dos erros das observações. Objecto e fim da Theoria dos erros)
Indice:
Prefacio | Capitulo I - Noções preliminares: I. Natureza dos erros das observações. Objecto e fim da Theoria dos erros; II. A lei dos erros. Definição dos valores mais vantajosos das incognitas. Capitulo II - A lei dos erros fundada no postulado de Gauss: I. Exame dos postulado de Gauss; II. Deducção da lei dos erros. Capitulo II - A lei dos erros fundada no estudo dos erros elementares: I. A Lei do erro total em funcção das leis dos erros elementares; II. Deducção da lei do erro total partindo de hypotheses sobre os erros elementares. Capitulo IV - O principio dos menores quadrados: I. O principio de menores quadrados como consequencia da lei de Gauss; II. Demonstração do principio dos menores quadrados, prescindindo da lei dos erros.
Sidónio Pais (Caminha, 1872 - Lisboa, 1918).  Foi um militar, professor universitário e político português. "Em 1888, inicia a carreira militar, entrando para a Escola do Exército e para a arma de Artilharia. É promovido a alferes em 1892, a tenente em 1895, e a capitão em 1906. Paralelamente àquela, desenvolve uma outra, a de professor universitário, frequentando a Universidade de Coimbra e licenciando-se em Matemáticas em 1898. É nomeado professor catedrático da cadeira de Cálculo Diferencial e Integral daquele estabelecimento de ensino superior e aceite como professor da Escola Industrial Brotero da qual virá a ser director em 1911.
Desde os tempos da Universidade de Coimbra que se manifestou partidário das ideias republicanas, conspirando contra o regime monárquico. Data desta época a sua filiação na Maçonaria, na Loja "Estrela de Alva", em Coimbra, com o nome de irmão Carlyle. Após a implantação da República é chamado para desempenhar os seguintes cargos: Deputado à Assembleia Nacional Constituinte; Ministro do Fomento do governo de João Chagas, desde 24 de Agosto de 1911; Ministro das Finanças do governo de Augusto de Vasconcelos, desde 7 de Novembro do mesmo ano; Representante do Governo nas manifestações do primeiro aniversário da implantação da República, na cidade do Porto; Ministro de Portugal em Berlim, desde 17 de Agosto de 1912, cargo que desempenhou até 9 de Março de 1916, data em que a Alemanha declarou guerra a Portugal. Após o seu regresso a Portugal, assume-se como figura principal de contestação ao Governo democrático e encabeça o golpe de estado de 5 de Dezembro de 1917, que acaba vitorioso, após três dias de duros confrontos. Neste contexto vai desempenhar as funções seguintes: Presidente da Junta Revolucionária, desde 8 de Dezembro de 1917; Presidente do Ministério, ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros, desde 11 de Dezembro do mesmo ano; Presidente da República, desde 27 de Dezembro, até nova eleição; Presidente da República, eleito por sufrágio directo, desde 9 de Maio de 1918.
Sidónio Pais modifica a lei eleitoral, sem consultar o Congresso, e é eleito Presidente da República por sufrágio directo dos cidadãos eleitores, obtendo, em 28 de Abril de 1918, 470 831 votos. Foi proclamado em 9 de Maio do mesmo ano. Durante o seu senado, são dignos de realce os seguintes factos: Em Fevereiro, é alterada a lei da separação entre a Igreja e o Estado; Em Março, é declarado o sufrágio universal; Em Abril, as tropas portuguesas são derrotadas na batalha de La Lys; Em Julho, são reatadas as relações com a Santa Sé.
Passado o estado de graça, sucedem-se as greves, as contestações, e as tentativas de pôr fim ao regime sidonista. Em resposta, este decreta o estado de emergência em 13 de Outubro. Consegue recuperar momentaneamente o controlo da situação, mas o movimento de 5 de Dezembro estava ferido de morte. Nem a assinatura do armistício, em 11 de Novembro, nem a mensagem afectuosa do rei Jorge V de Inglaterra correspondente ao acto vem melhorar a situação. Em 5 de Dezembro, Sidónio sofre um primeiro atentado, durante a cerimónia da condecoração dos sobreviventes do Augusto de Castilho, do qual consegue escapar ileso. Não conseguiu escapar ao segundo, levado a cabo por José Júlio da Costa que o abateu a tiro, na Estação do Rossio, em 14 de Dezembro de 1918."
(Fonte: https://www.presidencia.pt/presidente-da-republica/a-presidencia/antigos-presidentes/sidonio-pais/)
Belíssima encadernação meia de pele com rótulos e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
85€

12 abril, 2021

RELATORIOS SÔBRE PESCA MARITIMA NAS CAPITANIAS DE CAMINHA, VIANNA DO CASTELLO, FIGUEIRA DA FOZ E POVOA DE VARZIM -
Ministerio da Marinha e Ultramar : Direcção Geral da Marinha - 1.ª Repartição. Pescarias
. Lisboa, Imprensa Nacional, 1890. In-4.º (23 cm) de 58 p. ; B.
1.ª edição.
Relatórios pioneiros, redigidos no final do século XIX, sobre o estado das pescas em quatro pontos do litoral nortenho servidos por portos. Informação relevante, conseguida a custo pelos responsáveis das capitanias, dada a fraca colaboração dos pescadores, sendo evidente, também, a impreparação de alguns dos capitães dos portos. Raro e muitíssimo interessante.
Livro ilustrado ao longo do texto com quadros estatísticos.
"De difficil tarefa fui encarregado, pois, em virtude dos poucos conhecimentos que eu tinha sobre o assumpto de que vou tratar, e sem a nenhuma ajuda dos pescadores, vi-me obrigado a procurar em tratados especiaes, principalmente inglezes, esses conhecimentos que me faltavam, e visitando este rio, estudando-o e comparando-o com os seus congeneres de Inglaterra, habilitar-me por este meio a responder o melhor que me for possivel aos quesitos apresentados por v. ex.ª.
A impressão dolorosa que senti ao ver as conclusões que era obrigado a tirar, quer pela simples inspecção dos documentos que das differentes alfandegas recebi, quer das informações, embora muito deficientes, que dos velhos pescadores me deram, póde v. ex.ª avalial-a ao findar a leitura d'este modestissio relatorio, para o qual peço toda a benevolencia de v. ex.ª.
Este rio, outr'ora tão povoado pelas tres especies ichthyologicas, salmão, savel e lampreia, seguramente das mais ricas que frequentam os nossos rios acha-se hoje quasi abandonado por ellas, e tudo leva a crer completamente falto d'ellas n'um praso bastante curto."
(Excerto do Relatório do Capitão do porto de Caminha, José da Cunha Lima)
"A industria da pesca na area da capitania do porto de Vianna do Castello, que tem por limites; ao norte, o extremo norte do litoral do concelho de Vianna do Castello; ao sul, o extremo sul do litoral do concelho de Espozende, exerce-se no mar até á distancia de 12 milhas de terra, e nos rios Lima, Cavado e Neiva; a pesca, porém, n'este ultimo rio é de muito pequena importancia."
(Excerto do Relatório do Capitão do porto de Viana, Eduardo Augusto de Andrade e Sousa)
"Com referencia ao assumpto de que tratam os officios circulares n.º 561 de 20 de agosto e n.º 569 de 24 do mesmo mez, acompanhando esta copia do officio-circular n.º 204 de 29 de março, passo a relatar tudo quanto pôde colligir relativamente á vida do peixe no districto maritimo da Figueira da Foz, e tudo quanto tenha relação immediata com relação ao assumpto em questão."
(Excerto do Relatório do Capitão do porto da Figueira, Jayme Pereira de Sampaio Forjaz de Serpa Pimentel)
"Em cumprimento de ordens superiores, sou obrigado a fazer um relatorio sobre a arte da pesca na area d'esta delegação maritima da Povoa de Varzim; os escassos meios scientificos de que disponho, a variedade de artes de pesca que aqui existem, e as difficuldades que ha em obter esclarecimentos dos pescadores, que estão sempre de opinião antecipada para responderem a qualquer pergunta que se lhe faça para ajuizarem que, respondendo, estão a lavrar a sua sentença condemnatoria para lhes serem lançados novos tributos faz com que eu não possa fazer um serviço que preencha as formulas a que deve estar sujeito um relatorio, no emtanto direi o que tenho estudado sobre tal assumpto."
(Excerto do Relatório do Delegado Marítimo do porto da Póvoa, Accacio Soares Loureiro)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Miolo correcto.
Raro.
Com interesse histórico e regional.
A BNP dispõe de apenas um exemplar no seu acervo.
50€