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12 abril, 2026

EÇA DE QUEIROZ -
Questão de naturalidade
. Porto, Imprensa Portugueza, 1906 [aliás 19--]. In-8.º (21x14,5 cm) de [4], 20, [8] p. ; il. ; B.
Edição fotocopiada - sem data - elaborada a partir da versão original desta obra publicada em 1906.
Trata-se do "ponto final" colocado pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim  a propósito da polémica com Vila do Conde acerca da naturalidade de Eça de Queiroz, que para o efeito apresenta provas irrefutáveis que atestam a naturalidade poveira do grande escritor português, documentos aqui reproduzidos em fac-símile.
Opúsculo ilustrado com reprodução da lápide afixada na casa de Eça, na Póvoa, e fac-símiles de duas cartas e sobrescrito do pai de Eça de Queiroz.
"Alguns dias antes de ser inaugurado e acceite, pela Camara Municipal da Povoa de Varzim, a lapide bronze destinada a memorar o nascimento de Eça de Queiroz n'um predio d'esta localidade viu-se, com alvoroço e surpreza, a villa visinha contestar o asserto da homenagem projectada. Em projecto, todavia, estava de ha muito, a consagração iniciada por alguns conterraneos residentes no Brazil: em projecto se exhibira ha mais de um anno, em jornaes, o monumento concebido e modelado pelos irmãos Teixeira Lopes; em projecto ainda ficára anteriormente uma iniciativa municipal que os periodicos locaes annunciaram e a benemerencia dos ausente prejudicou. E não obstante, só duas semanas antes da solemnidade é que surge uma reivindicação que nem factos precisos, nem a tradição oral e escripta fundamentavam."
(Excerto de Questão de naturalidade)
Exemplar em brochura, bem conservado. Capa apresenta vinco no canto superior direito.
Invulgar.
10€

08 setembro, 2025

LACERDA, Fernando de -
DO PAIZ DA LUZ.
Communicações medianimicas de Eça de Queiroz, Camillo Castello Branco, Heliodoro Salgado, Napoleão, Julio Diniz, A. Herculano, João de Deus, Zola, Um marinheiro, C. Cantu, Visconde de Seabra, Castilho, Victor Hugo, Fontes, Michelet, Padre Antonio Vieira, Léo XIII, Pinheiro Chagas, e Mousinho d'Albuquerque. Obtidas por... Com um prologo do Dr. Sousa Couto. Rio de Janeiro - Brasil, Livraria da Federação Espirita Brasileira, 1926-1932. 4 vols in-8.º (18,5x12 cm) de LXIV, [2], 202, [4] p. (I) / XXVIII, 232, [2] p. (II) / 257, [3] p. (III) / [4], VIII, 322, [2] p. (IV) ; E.
Trabalho de fôlego do médium português Fernando Lacerda, algo insólito, que deu brado na época, pelo conteúdo e pelas personalidades do meio cultural lusitano"entrevistadas".
Obra completa em quatro volumes, encadernada em dois tomos, encerrando diferentes edições: o 1.º volume data de 1932 (4.ª edição); o 2.º de 1926 (3.ª edição); o 3.º de 1926 (2.ª edição); o 4.º de 1926 (1.ª edição).
"Poderiam os mortos trazer alento as dores da Humanidade, despertando-a para as verdades eternas do Espírito? Esta obra identifica-se, por todos os modos, com aqueles que respondem afirmativamente a esta questão. Editado em quatro volumes, e 'Do Pais da Luz' um extraordinário feito mediúnico, recebido pelo psicógrafo português Fernando de Lacerda. Grandes escritores e vultos de renome, como Eça de Queiroz, Victor Hugo, Antero de Quental, Camilo Castelo Branco e tantos outros, são os redivivos que atestam a realidade da vida após a morte. Mesmo sem adotar as ideias espíritas, nenhum leitor deixara de sentir-se penetrado da forca convincente, da evidencia incontestável e da beleza dessas mensagens vindas do pais da luz." (Sinopse ed. 2003)
"Prefaciar uma obra d'esta indole é, sob multiplos aspectos, tarefa tão melindrosa, que temeridade seria não começar pelo reconhecimento das enormes difficuldades que a envolvem.
Os escriptos que adeante vão lês-se constituem uma extranha accepção ao commum das producções litterarias do nosso meio: a doutrina conteuda n'essas paginas, a deusada formula por vezes empregada na denuncia de realidades insuspeitadas, a novidade na maneira de producção - face interessantissima d'uma psychologia que se vai esboçando com riquissimas promessas - perspectivas abruptas abertas á anciedade de tantos, mas tambem de tantos descridas ou impugnadas, tudo isto, se summamente nos interessa, tambem nos embaraça pela razão naturalissima de que a grande maioria, insciente da materia, avoca a si o feito, e, sem provas nem exame, o julga definitivamente. [...]
Por interessantes que sejam as communicações contidas n'esta obra, o que mais excitará a curiosidade do leitor é, sem duvida, o phenomeno psychico que as origina, e é tambem particularmente esse aspecto que trataremos de examinar, para que á priori, e logo anti-scientificamente, se não condemne aquillo que se não conhece.
Esse phenomeno chamará a nossa attenção.
Não estando todos egualmente preparados para o interpretar, julgamos de nimia valia dissecar elementos, informar pormenores, salientar circumstancias e lembrar precedentes, que muitos poderão contribuir á elucidação do successo, ou, pelo menos á certeza de que não é novo como parece."
(Excerto do Prologo)
"O que vou dizer é a expressão absoluta da verdade.
Nem o meu caracter, nem a minha posição permittem que, em circumstancia alguma, falte a ella; e muito menos o permittiriam em assumpto de tão grande importancia, como o d'este livro, em que se apresentam nomes respeitados e admirados, alguns dos quaes validam affirmações inteiramente contrarias áquellas que fizeram, durante toda a sua vida terrena, aquelles que os usaram.
Se de alguma coisa me é dado ter vaidade, confesso que a sinto em pensar que pessoa alguma das que me conhecem de perto admittirá que eu seja capaz de tentar, por simples brincadeira sequer, mystificar alguem, mormente indo contender com aquelles que a piedade christã ensina a respeitar no seu pretendido descanso eterno."
(Excerto de Palavras necessarias)
Fernando Augusto de Lacerda e Melo (1865-1918). "Nasceu em Loures no dia 6 de Agosto de 1865, sendo o mais velho de doze irmãos. Aos 13 anos foi estudar para Lisboa, tendo ficado ao cuidado do seu tio paterno Joaquim Ciríaco, em casa de quem morou até aos 19, altura em que regressou a Loures. Corria o ano de 1884. A sua mãe, entretanto, já tinha falecido e Fernando dedicou-se a ajudar o pai a criar os seus irmãos mais novos.
Aos 34 anos, ou seja, em 1899, começou a despontar nele a Psicografia, enquanto recuperava a fé perdida na adolescência e que começava a ser consciente de que há vida depois da morte.
Grande parte do apoio que teve para o desenvolvimento da sua mediunidade ficou a dever-se a um íntimo amigo seu, o Dr. José Alberto de Sousa Couto, espírita e advogado de nomeada. Embora a sua mediunidade tenha começado pela Psicografia, também se desenvolveu nas áreas da clariaudiência, da vidência, da cura e da Psicografia especular (mensagem que só pode ser lida através de um espelho, por estar escrita ao contrário).
Dos espíritos que se manifestaram por seu intermédio, os que causaram maior impacto na sociedade da época foram Heliodoro Salgado, Eça de Queiroz, João de Deus, Júlio Diniz, Napoleão, Augusto de Castilho, Victor Hugo, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco. O facto foi comentado pelos jornais da época, entre eles o “Jornal da Noite”, na edição de 23/11/1906:
“ (…) F.L., conversando despreocupadamente com os amigos, falando normalmente e respondendo-lhe acertadamente, sente uma necessidade imperiosa de escrever, e num estado psicológico especial, continuando a conversar – bem dentro da sua personalidade – deixa o seu braço armado de lápis fazer o que quiser, e recebe comunicações espantosas.”
Se havia quem questionasse a veracidade das faculdades mediúnicas, embora sem pôr em causa o carácter do médium, havia quem troçasse e criticasse, o que o entristecia e desanimava. Mas tinha nos próprios espíritos o consolo, a força e a ajuda de que precisava. E, do lado de cá, tinha no seu amigo Sousa Couto um sólido apoio.
Recebia tantas mensagens e tantas missivas, que começou a pensar reunir tudo num livro. (Não esqueçamos que a grande missão de Fernando de Lacerda foi justamente a da divulgação da comunicação e da sobrevivência da alma!).
Em 1908 e após dois anos de trabalho, o livro foi finalmente publicado.
Entretanto, a partir deste mesmo ano de 1908, o médium começou a ser ferozmente perseguido pelo partido republicano, com diversos ataques e calunias.
Em Portugal vivia-se uma época turbulenta, em termos políticos, com o descontentamento popular a aumentar a cada dia mais, até que em 5 de Outubro de 1910, o povo de Lisboa levanta-se em armas, depõe a monarquia, e implanta a República no país. A partir dessa altura, a população em geral começou a dar ouvidos às crenças materialistas e ateístas pregadas pelos republicanos.
A posição do médium tornava-se cada vez mais difícil, pois era de todos conhecida a sua fé fervorosa e a sua ligação à espiritualidade. Assim, e animado por um seu amigo, administrador da livraria da Federação Espírita Brasileira, com quem trocava assídua correspondência, começou a pensar em emigrar para o Brasil.
As mensagens que recebia dos amigos espirituais nunca pararam e continuavam a provar a imortalidade da alma.
Agora, eram editadas nos jornais brasileiros da época e causavam o mesmo furor que tinham causado na sociedade portuguesa, antes da República, como por exemplo, as mensagens de Antero de Quental e de Camilo Castelo Branco sobre a problemática do suicídio, que foram publicadas no jornal “Imparcial” do Rio de Janeiro, em 7 de Março de 1912.
O simples facto de terem sido publicadas em jornais, fez com que muitos encarnados e desencarnados fossem amparados nos meses seguintes. Nas reuniões mediúnicas manifestaram-se espíritos suicidas que, curiosamente, na última existência tinham vivido em Portugal, sobretudo em Lisboa. Era a lei da afinidade em ação…"
(Fonte: https://aeamissionariosdaluz.org/2024/08/06/fernando-lacerda/)
Encadernações em percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplares em bom estado geral de conservação.
Raro.
Indisponível

25 agosto, 2025

LIBERATO, Barónio -
EÇA DE QUEIRÓS POVEIRO ILUSTRE.
(Questão da sua naturalidade). Póvoa de Varzim, Tipografia Camões Editora, 1952(?). In-8.º (21x15 cm) de [2], 15, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Interessante subsídio para a questão relacionada com as raízes natalícias de Eça de Queiroz, o grande vulto da literatura portuguesa, desígnio disputado pela vizinha Vila do Conde.
Invulgar e muito curioso. Inclui o argumentário das duas povoações que fundamenta a reclamação da natalidade do insigne escritor.
Opúsculo ilustrado em página inteira com reprodução de 4 fotografias: O ala-arriba da Póvoa-de-Varzim; Monumento a Eça de Queirós na Póvoa-de-Varzim; Casa de Eça de Queirós, na Póvoa-de-Varzim; Placa comemorativa na casa de Eça de Queirós, na Póvoa-de-Varzim.
"Vistos os Autos, em que a milenária Póvoa-de-Varzim - «Praia Ideal de Maravilhas» - por parte de categorizados poveiros, reivindica, para si, a Glória do nascimento do egrégio Eça de Queirós, Notável Figura Nacional e de larga projecção no estrangeiro, - Glória que é contestada pela sua irmã e vizinha Vila-do-Conde - «Formosa Raínha do Ave» - por parte dalguns apaixonados bairristas..."
(Excerto do Estudo)
Exemplar em brochura, fotocopiado, bem conservado.
Invulgar.
10€

01 março, 2024

A EDUCAÇÃO PELA FIGURA. Biografia resumida dos Bustos Históricos em exposição permanente na Quinta da Granja, Bombarral. Lisboa, Tipografia do Comércio, 1926. In-8.º (18,5x13 cm) de 43, [1] p. ; [1] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra de pendor moralista, baseada no exemplo de insignes figuras da história pátria cujos bustos integram a colecção «Bustos Históricos» exposta na Quinta da Granja, no Bombarral. Trata-se de uma compilação de apontamentos biográficos dos expostos, para venda com fins caritativos em favor da Albergaría do Bombarral, e dedicado à mesma instituição pelo proprietário da Quinta da Granja, - António Pereira Bernardino -, cujo retrato, extra-texto, sucede à f. rosto.
A autoria do livro vem 'desvendada' na última página: "Esta obra, sem aspirações literarias e simplesmente circunscrita aos topicos históricos principais de cada homenageado, foi elaborada por Manuel Joaquim da Costa, antigo professor de Taquigrafia, Dactilografia e Correspondencia Comercial no Instituto Profissional dos Pupilos do Exército."
Ilustrado no texto com aspectos da Quinta, e em separado, com um retrato de António Pereira Bernardino, mecenas, e eventual financiador do presente opúsculo.
"Por ser o Padroeiro da Quinta da Granja, cuja capela lhe foi dedicada, aqui vão algumas notas da sua vida.
Santo António nasceu em Lisbôa a 15 de Agôsto de 1195 e foi baptisado com o nome de Fernando. Era filho de Martin Bulhão e Maria Teresa Tavares, fidalgos, sendo o pai general.
Os pais, desejando dar-lhe uma educação condigna da sua família, fizeram-no entrar, primeiramente, na antiga Sé Patriarcal e depois em S. Vicente de Fóra.
Ainda não tinha 15 anos de idade já nutria desejos de ingressar nos cónegos regulares de Santo Agostinho. Dando ali entrada, tornou-se um modêlo de correcção de costumes e de piedade religiosa."
(Excerto de Santo António)
Índice:
Dedicatória de António Pereira Bernardino - «Á infância da minha Terra e do Concelho do Bombarral» | Biografados: - Santo António; - Portus Cale; - D. Afonso Henriques; - Egas Moniz (Aio de D. Afonso Henriques); - D. Diniz; - D. Nuno Alvares Pereira; - Infante D. Henrique; - Bartolomeu Dias / Vasco da Gama / Pedro Alvares Cabral / Afonso de Albuquerque / Fernão de Magalhães; - D. João de Castro; - Luiz de Camões; - Febo Moniz; - D. Pedro IV; - Alexandre Herculano; - Almeida Garrett; - Júlio Diniz; - António Feliciano de Castilho (Visconde de Castilho); - Gomes Freire de Andrade; - José Estevão Coelho de Magalhães; - Camilo Castelo Branco; - Eça de Queirós; - Marquês de Pombal; - Guerra Junqueiro; - Almirante Gago Coutinho / Comandante Sacadura Cabral.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
15€
Reservado

14 setembro, 2023

MENDES, Manuel -
SOBRE A OFICINA DO ESCRITOR.
Palestra realizada no Clube dos Rotários de Viseu, aos 23 de Junho de 1966. Viseu, [s.n. - Tip. Guerra - Viseu], 1967. In-4.º (23,5 cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Conferência sobre o ofício de escritor - o seu ambiente e método de trabalho, e as suas motivações -, que o autor ilustra com o exemplo de algumas insignes figuras das letras portuguesas com quem privou, como Aquilino Ribeiro e Fernando Pessoa , discorrendo também sobre o "ofício" de Camilo Castelo Branco, Raul Brandão, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.
"Há um par de bons anos, quando vim a primeira vez de visita ao vosso vizinho Aquilino, trazido pela curiosidade de o ver na casa da Soutosa, longe do Chiado janota que ele animava com a sua forte presença de serrano e onde com ele convivi, reparei então, sobre a mesa de trabalho, anichada junto ao vão da janela que dá para o recolhido pátio das tílias, naquele retrato de Balzac - gordo e e colarinho aberto, a mão enfiada na carcela da camisa, cabelo revolto, face robicunda, parece que ao mesmo tempo radiante e lívida da insónia - mostrando-se, como após uma dessas suas frequentes alucinações criadoras, em que dia e noite, o possesso, não largava mão da pena. [...] Nessa ocasião, debrucei-me sobre a fotografia e quando em silêncio volvi os olhos para Aquilino, o velho amigo sorriu-me, com certa sombra de irreprimível melancolia no rosto aberto e franco, para dizer, encolhendo resignadamente os ombros:
- La bête de somme.
Deste modo designam os franceses o animal de carga. Tinha ali, diante dos olhos, a boa imagem tutelar, e não foi o génio do romancista que naquela hora para mim evocou, mas o sacrifício exemplar da acérrima e obsidiante vida de trabalho, a desentranhar-se no tumulo torrencial de ficção com que criou a obra ao mesmo tempo prodigiosa e avassaladora. Sentado à banca, esquecido de tudo, sem contar as horas que corriam, não lograva sossego enquanto o caudal abundantíssimo lhe acudia à imaginação, nos conflitos e enredos humanos que o tentavam. [...]
Também Aquilino nos deixou a lição varonil e admirável de uma vida longa de trabalho, no apelo instante da tarefa a realizar. - Ai, as horas perdidas! - Mas o escritor das Terras do Demo impunha-se como outra espécie de homem, hercúleo, sadiamente fecundo e pertinaz, radiante de poder e energia, cuspindo cada manhã com afoiteza nas mãos, bom cavador que pega na enxada - era este o símile de trabalho que mais lhe agradava - e de sol a sol, ano após ano, revolve o chão áspero da sua leira. De tal modo assim era, valente e rijo, que naquela hora, confesso, não foi o seu ensinamento e castigo de vida que me acudiram à lembrança, mas antes as tormentadas e negras noites do desafortunado homem de São Miguel de Seide - lugar aonde eu, da Soutosa, tencionava ir em peregrinação. A inexplicável pena desse condenado, desde logo, em evidente paralelo, me assaltou ao espírito. De outro assim não reza a nossa história literária.
Com efeito, se quereis exemplo, entre nós, da vida verdadeiramente dramática de um galeote das letras, a cavar com génio e lágrimas o escasso pão do seu sustento e a glória de um grande escritor, lembrai a servidão de Camilo, mormente nesses anos amargurados de Seide, acossado de dores e desesperações, até ao martírio de cegueira. [...]
... Vejamos, noutro exemplo, como foi a existência e a devoção de um grande poeta. Para tanto, consenti que vos evoque a figura de Fernando Pessoa, com quem alguns anos convivi, trazendo-vos o meu comovido testemunho. Esse, podemos dizer que nem banca nem oficina - o vaguear a esmo pelas ruas, o cogitar sem descanso nos seus sonhos, rendido à obra extraordinária, que depois da morte lhe foram encontrar arrecadada num baú, e é um dos belos luzeiros do nosso tempo. Para mais nada vivia, absorto na cisma, na indiferença completa do mundo, soltando-se do cárcere em que nos prendem, como imponderável sombra que se evade.
Encontrávamo-nos à tardinha, quando ele acabava as ocupações do seu ganha-pão, correndo escritórios de exportadores, a quem traduzia a correspondência comercial. Naquelas tarefas angariava um salário magro - quanto lhe bastava. Aparecia e sentávamo-nos, então, à mesa de um café barulhento, e, se para aí estavam virados os ventos, partíamos para algum gostoso jantar de taberna. [...] Caminhava com o seu passo tíbio, as calças um pouco arregaçadas a deixar ver o tornozelo, e aquele riso fungado que se misturava às palavras tímidas, discretas, pronunciadas talvez a medo, ou  no intento de que na  noite se diluíssem sem fazer eco. O rosto alongado, o olhar turvo de míope a entreluzir através dos óculos - assim era e foi o mais benigno dos companheiros, na comovedora singeleza da alma quase inocente.
Confessara certa vez que os poemas lhe aconteciam..."
(Excerto da Palestra)
Manuel Joaquim Mendes (1906-1969). "Escritor, artista plástico e resistente antifascista, nasceu em Lisboa a 18 de Janeiro de 1906, cidade onde também faleceu, em 4 de Maio de 1969. Manuel Mendes fez largas incursões nas artes plásticas, mas destacou-se sobretudo pela sua atividade literária, colaborando em numerosos jornais e revistas, como a Seara Nova, a Revista de Portugal, a Vértice, e os jornais O Século, Primeiro de Janeiro, A Capital e República. Como escultor, Manuel Mendes participou no Salão dos Independentes e nos dois salões de 1946 e 1947 da Exposição Geral das Artes Plásticas, organizada pela Sociedade Nacional de Belas Artes. A sua casa foi sempre ponto de encontro de muitos dos seus amigos e companheiros, sendo instituída em 1977 a Casa-Museu Manuel Mendes."
(Fonte: Wook)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com significado histórico e literário.
20€

31 agosto, 2022

ARNOSO, Conde d' - SUAVE MILAGRE : mysterio em 4 actos e 6 quadros. Extrahido de um conto de Eça de Queiroz com versos de Alberto d'Oliveira e musica de Oscar da Silva. Lisboa, Livraria Ferin, 1902. In-4.º (23cm) de 119, [5] p. ; [2] f. il. ; il. + Partitura 8 p.; E.
1.ª edição.
Obra ilustrada nas páginas do texto com fotogravuras referentes à representação da peça no Teatro D. Maria, e em duas folhas separadas impressas sobre papel couché: a primeira, no início do livro, inclui os retratos de Eça, Conde de Arnoso, Alberto de Oliveira, Óscar da Silva e Manini, e a segunda, no final, com a reprodução de uma aguarela do rei D. Carlos, oferecida ao Conde de Arnoso no dia da 15.ª representação da peça.
Inclui um destacável com a indicação: "a apresentação d'esta senha dá direito a um exemplar da musica d'este Mysterio", seguido do encarte da dita música - «Musica do Suave Milagre» -, por Óscar da Silva, que raramente acompanha a obra.
Bernardo Pinheiro Correia de Melo, Conde de Arnoso (1855-1911). Fidalgo da Casa Real, secretário particular do rei D. Carlos, "homem de finíssimo trato, tendo aprendido o culto das belas letras no convívio paterno, dedicou alguns dos seus ócios à literatura tendo publicado vários trabalhos." Amigo de Eça de Queiroz, integrava como ele o "grupo jantante" Vencidos da Vida.
Encadernação inteira de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar conjunto.
35€

26 março, 2019

ANDRADE, Eugénio de - DAQUI HOUVE NOME PORTUGAL. Antologia de Verso e Prosa sobre o Porto, organizada e prefaciada por... Selecção artística e arranjo gráfico de Armando Alves. [Porto], Editorial Inova Limitada, [1968]. In-4.º (28cm) de 391, [11] p. il. ; E.
1.ª edição.

Desta Antologia de Verso e Prosa - Homenagem da Editorial Inova à Antiga, Mui Nobre, sempre Leal e Invicta cidade do Porto, nas comemorações dos dois mil e cem anos da presúria de Portugale por Viamara Peres - fizeram-se: Uma tiragem, rubricada por Eugénio de Andrade, de mil e quinhentos exemplares, numerados de 1 a 1500 [o presente exemplar leva o N.º 0725], e cem exemplares, fora do mercado, numerados de 1501 a 1600, encadernada em linho no formato 28x22,5 cm e ilustrada com 30 gravuras, 80 fotografias a preto e branco e 24 fotografias a cores. Destinados, exclusivamente, a acompanhar esta tiragem, reproduziram-se a cores dez quadros com motivos do Porto, apresentados em carteira própria. Na caixa reproduziram-se duas páginas do foral dado por D. Manuel I, em 1517, à cidade do Porto.
Belíssima antologia, edição de apurado sentido gráfico e estético, impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada a p.b. e a cores. Textos de Fernão Lopes, Gomes Eanes de Zurara, Luís de Camões, Frei Luís de Sousa, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Alberto Pimentel, João Chagas, António Nobre, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Almada Negreiros, José Régio, Miguel Torga, Vitorino Nemésio, Agustina Bessa-Luís, entre outros.
Dez quadros com motivos do Porto da autoria de Henrique Pousão, Eduardo Viana, Abel Salazar, Dórdio Gomes, Alvarez, António Cruz, Augusto Gomes, Júlio Resende e Armando Alves.
Exemplar em bom estado de conservação. Caixa-estojo com defeitos.
Invulgar e muito apreciado.
115€

25 maio, 2018

OLIVEIRA, Zacarias de - O PADRE NO ROMANCE PORTUGUÊS. Lisboa, União Gráfica, 1960. In-8.º (19,5cm) de 266, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso ensaio sobre a presença sacerdotal no romance escrito em português. Trata-se, talvez, do único estudo dedicado a este tema que se publicou entre nós.
"O padre católico parece ocupar um ponto perdido e defender uma doutrina de sabor bafiento a passado. É um enigma, com toda a verdade. Passa nas ruas e as suas roupas, muito tradicionais, não possuem o colorido e a garridice que acompanham as modas modernas. Veste de escuro e jamais se confunde com a multidão: ainda quando os seus esforços são desesperados para ser um como os outros, dá sempre nas vistas. Anda marcado pelo carácter sacerdotal e este, embora de ordem espiritual, invade-lhe toda a vida, expressa-se-lhe nos gestos, nos raciocínios, nas falas. [...]
Anda preso ao sobrenatural e leva-o consigo como uma responsabilidade consciente. Ainda quando não está à altura desse sobrenatural, ainda quando se consome por regressar ao natural estreme dos outros, passeando, falando, ele comunica esse sobrenatural: chama Deus a permanecer entre os homens e dá-O aos homens.
Este misterioso poder surge como qualquer coisa de extraordinário. Até perante os que não acreditam, aparece como uma espécie de feitiçaria que perturba: diante do padre não se admitem os estados neutros ou indiferentes, como nunca se verificaram esses estados perante Cristo, o sinal de contradição.
Mas anda também ligado ao natural. Embora ministro de Deus, com poderes verdadeiramente extraordinários, continua, pela vida fora, homem. Sofre no corpo e na alma as dores e as tentações do semelhante. É seu comparsa nas lutas entre Deus e Satã. Paladino do bem, sente em si próprio, segue misturado com as paixões, as intrigas, o lodo. E tudo isto vai refletir-se na sua vida, tudo arremessa salpicos, reais ou imaginários, para a sua existência: o mal encontra eco dentro de si. [...]
É um isolado. Misture-se embora com a multidão, continua gota de azeite que a quantidade de água agitada é incapaz de dominar. Fala e a sua voz tem um sabor estranho. Repara e os seus olhos, habituados ao sobrenatural, familiarizados com o celeste, vêem em branco, trespassam as almas, olham para além. Será sempre incompreendido. Não só pelos destituídos da cultura do seu curso demorado, como acontece nas aldeias, mas também pelos outros, pelos chamados cultos: se estes compreendem os seus estudos e o exterior das suas frases, sentem que o principal se lhes escapa também. [...]
O romance encontrou o padre como assunto e tema, como personagem a estudar. E podia encontrá-lo sob dois aspectos: um caso de verdadeira e intensa psicologia humana; alguém que vive em sociedade misturado com os outros, neles influenciando e deles recebendo influências."
(Excerto de O padre personagem de romance - introdução)
Índice:
O padre personagem de romance: A influência de Bernanos; O padre social; Um pouco de crítica. O padre no romance português. O Anticlericalismo. Tempos românticos: Herculano e o isolamento sacerdotal; Almeida Garrett e o lirismo liberal; Camilo Castelo Branco; Júlio Dinis; Outros casos dos tempos românticos. Realismo e Naturalismo: Eça de Queirós; Ramalho Ortigão; Fialho de Almeida; Abel Botelho; Guilherme Braga. Geração fim de século: Manuel Ribeiro; Antero de Figueiredo; Aquilino Ribeiro; Júlio Dantas; Nuno de Montemor; Júlio Brandão. Tempos Modernos: A geração da presença; Neo-realismo; Romancistas actuais sem escola. Novas e velhas correntes da actual ficção. Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa ligeiramente oxidada.
Raro e muito interessante.
Indisponível

18 julho, 2017

LISBÔA-PORTO : numero unico. Publicado pela Imprensa de Lisboa em beneficio das victimas sobreviventes do incendio do Theatro Baquet. Lisboa, Imprensa de Lisboa, 1888. In-folio (37x48,5cm) de [20] p. ; [6] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Belíssima edição publicada para efeitos de solidariedade com os sobreviventes do incêndio no Teatro Baquet, no Porto, ocorrido em 20 de Março de 1888.
Capas de Rafael Bordalo Pinheiro.
Obra colaborada pela família real, e por muitas personalidades do meio artístico e cultural da época.
Inclui 6 fac-símiles de desenhos em folhas separadas, respectivamente, do rei D. Luís I, da rainha D. Maria Pia, do príncipe D. Carlos, de D. Amélia, do infante D. Afonso e da actriz Sarah Bernhardt.
Ilustrações no interior da autoria de, entre outros: Columbano Bordallo Pinheiro; escultor Soares dos Reis; J. Moura Gyrão, Moreira Rato; Enrique Casanova; Alfredo Gameiro; Félix da Costa; Silva Porto; Maria Augusta Bordallo Pinheiro; Francisco Villaça; Malhôa; Hogan.
Textos de, entre outros: Luís Augusto Palmeirim; Eduardo Coelho; Jayme Victor; Theophilo Braga; Gervasio Lobato; Eça de Queiroz; Sousa Viterbo; Andrade Corvo; Conde de Sabugosa; Bento Moreno [Teixeira de Queiroz]; Jayme Batalha Reis; Eduardo Coelho Junior; Ramalho Ortigão; Bulhão Pato; Julio Cesar Machado; Brito Aranha; José Caldas; João de Deus.
"Um povo que durante dois seculos se entreteve a queimar gente em jubilosos magustos publicos, organisados pelos representantes da Egreja, precisava bem de todas as lagrimas do enternecimento e da piedade mundana, inspiradas pelo incendio do theatro Baquet, para dar a Deus offendido uma reparação de honra.
A julgar pelo dôce encanto excepcional com que ainda hontem á noite a moderna arte palpitava na scena e as lindas mulheres estremeciam na sala do theatro D. Maria, dentro do mesmo recinto em que com tanto applauso debutou a Companhia de Jesus um pouco antes da Companhia de Sarah Bernhardt, eu conjecturo que Deus se deve achar satisfeito.
Parabens, meu Deus! Parabens, meus senhores!"
(Ramalho Ortigão - texto que acompanha o desenho de Sarah Bernhardt)
Exemplar brochado em bom estado geral, com excepção das capas que estão separadas do corpo do livro e apresentam diversos defeitos, rasgões e falhas de papel. Também as primeiras folhas registam pequenas falhas de papel no pé e à cabeça. Pelo interesse e raridade a justificar restauro e encadernação.
Raro.
Peça de colecção.
Indisponível

13 dezembro, 2015

MATOS, A. Campos - VIAGEM NO PORTUGAL DE EÇA DE QUEIROZ (Roteiro). [S.l.], Fundação Eça de Queiroz, [2000]. In-4.º (24,5cm) de 123, [5] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Magnífico roteiro queiroziano, impresso em papel de superior qualidade, e ilustrado com inúmeras fotografias e desenhos, a p.b. e a cores.
"Será porventura útil sugerir na abertura de um roteiro dedicado a Eça de Queiroz, que percorrer os locais da sua geografia é enriquecer, pelo sentimento e pelo conhecimento, a expressão literariamente transfigurada com que eles se nos apresentam na sua obra. Melhor entenderemos assim a maneira como os viu e a osmose tão significativa e tão perfeita que praticou entre esses lugares e as suas personagens.
Poderemos deste modo dizer que o recurso à descrição de lugares e espaços da geografia real constitui uma das mais importantes categorias do seu processo.
A sensação de verosimilhança que Eça consegue transmitir-nos não resulta apenas da naturalidade e coloquialidade dos diálogos, mas também da arte ímpar de colocar as personagens nos seus ambientes próprios, de saber desenhar ou recriar esses ambientes como uma realidade viva, da sua capacidade de nos dar uma representação insuperável no domínio do visual. É isto, em suma, a ilusão do real."
(excerto do preâmbulo)
Índice:
1. Tormes e Santa Maria de Cárquere. 2. Lisboa. 3. Sintra. 4. Évora. 5. Leiria. 6. Coimbra. 7. Oliveira de Azeméis. 8. Verdemilho. 9. Costa Nova. 10. Praia da Granja. 11. Canelas. 12. Porto. 13. Vila do Conde. 14. Póvoa de Varzim. 15. Viana do Castelo.
A. Campos Matos (n. 1928). "Arquitecto, nasceu na Póvoa de Varzim em 1928. No seu curriculum predominam os estudos sobre Eça de Queiroz, com Imagens do Portugal Queirosiano, Edições Terra Livre, 1976, e uma segunda edição revista e aumentada da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, em 1987. Foi autor da iniciativa e de grande parte do corpus do Dicionário de Eça de Queiroz, publicado em 1988 pela Editorial Caminho. Esta obra daria lugar, em 1993, a uma segunda edição muito aumentada, com novos colaboradores. Publicou também «Algumas reflexões sobre uma cidade em crescimento: a Póvoa de Varzim», in Boletim Cultural da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, 1976; «Bibliografia de António Sérgio», in Revista da História das Ideias, Coimbra, Faculdade de Letras, 1983; Diálogo com António Sérgio, Lisboa, Ed. Arquê, 1983, com uma segunda edição, revista e aumentada, na Editorial Presença em 1989. Tem colaborado no JL e outros periódicos e revistas de especialidade. Em Maio de 1994 foi encarregado pela Fundação Eça de Queiroz de transcrever, anotar e organizar a correspondência inédita de Emília de Castro para Eça de Queiroz: Eça de Queiroz-Emília de Castro, Correspondência Epistolar, Porto, Lello Ed., 1.ª ed. 1995, 2.ª ed. 1996. No prelo Cartas de Amor de Anna Conover e Mollie Bidwell para José Maria Eça de Queiroz, Cônsul de Portugal em Havana (1873-1874), Lisboa, Assírio & Alvim, 1999. É também autor de Diálogo com Eça de Queiroz, Lisboa, Caminho, 1999; A Casa de Tormes, Inventário de Um Património, Fundação Eça de Queiroz, 2000; Viagem no Portugal de Eça de Queiroz (Roteiro), Fundação Eça de Queiroz, 2000; A Igreja Românica de S. Pedro de Rates (Guia para Visitantes), Lisboa, Livros Horizonte, 2000 e E. Q. Marcos Biográficos e Literários (1845-1900), catálogo de exposição do Instituto Camões, 2000, E. Q. Realidade e Ficção, guião do vídeo-filme de 45 minutos produzido por Final-Vídeo, Porto, para o Instituto Camões, Lisboa, 2000."
(fonte: www.wook.pt)
Belíssima encadernação em meia de pele com rótulo e ferragem a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com grande interesse queiroziano.
15€

06 agosto, 2015

QUEIROZ, Eça de - CORRESPONDENCIA. Porto, Livraria Chardron, de Lello & Irmão, 1925. In-8.º (18,5 cm) de XVI, 312 p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada com o retrato de Eça, da autoria de António Carneiro, em separado.
Apreciada edição original da correspondência escolhida do grande prosador. O prefácio de 12 páginas pertence a José Maria de Eça de Queiroz, seu filho.
"O pequeno volume que hoje lançamos a publico não passa d'uma breve collecção de cartas, escolhidas com paciencia e escrupulo, e que, pela elegancia da fórma ou os assumptos que versam, me parecerem dignas de publicidade. E comtudo, foi muito pensadamente que escolhi este titulo generico, laconico, grave, que de certo sugere uma obra mais vasta e mais completa: Correspondencia. [...]
Com effeito, para mim, este pequeno volume representa apenas uma base, um esboço, o ponto de partida d'uma importante publicação, d'uma larga obra de estudo e de arte, , a verdadeira Correspondencia de Eça de Queiroz, organizada e definitiva, e que será, além do «commentario constante que acompanhe e illumine a sua obra», o espelho em que possamos seguir com precisão a sua vida intima, e nos ajude a discernir, sob o escriptor humoristico e um pouco irreverente que o grande publico se habituou a conhecer, o homem encantador, simples,  fino e infinitamente bondoso que elle era na realidade."
(excerto do prefácio)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. 
Invulgar.
Indisponível

13 julho, 2015

QUEIROZ Eça de - EÇA DE QUEIROZ ENTRE OS SEUS : cartas íntimas. Apresentado por sua filha. Porto Livraria Lello & Irmão, 1948. In-8º (19,5cm) de 476, [2] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada em extratexto com uma fotogravura de D. Maria Emília (mulher de Eça) e seus quatro filhos.
Eça de Queiroz entre os seus constituiu, na época em que foi dado ao público, uma reacção contra apreciações críticas que, durante muito tempo, haviam de fazer escola. Na Quinta de Vila Nova, em Santa Cruz do Douro, concelho de Baião - a mítica Tormes d`A Cidade e as Serras, hoje sede da Fundação Eça de Queiroz - D. Maria d`Eça de Queiroz conservava as cartas trocadas por seus pais. A apresentação pública dessas cartas, a manifestação de carinho entre os dois e os cuidados com os filhos, contrariava as teses surgidas em 1945. [...] Para discutirem a obra do escritor não faltam escribas ou críticos; para mostrar o seu coração estão aqui os dois filhos que restam e seis netos que veneram a sua memória.» Maria d`Eça de Queiroz e António d`Eça de Queiroz"
(in http://www.fnac.pt/Eca-de-Queiroz-Entre-os-Seus-Eca-de-Queiros)
"Não foi sem longamente termos pensado, nem, hoje, sem funda emoção, que nos resolvemos a dar ao público cartas íntimas do nosso Pai.
Se o fazemos, não é no intuito de satisfazer curiosidades, nem de alcançar êxitos literários, mas ùnicamente para dar a conhecer o o homem que era Eça de Queiroz.
Não são histórias ou recordações que vamos dar à estampa, não são ilusórias imaginações ou piedoso embuste de filhos que desejam reabilitar a memória de seu Pai.
Nada disso! O nosso Pai não precisa de reabilitação. É êle mesmo que vai falar, e falar de um modo insuspeito, com as cartas que se seguem, tôdas dirigidas a nossa Mãe.
Aí não existe literatura, não há artifício, nem êle teve ao escrevê-las, a mais leve suspeita de que, um dia, olhos curiosos devassariam o que fôra escrito apenas para uns olhos.
O receio de profanar, se assim se pode dizer, essa coisa sagrada - cartas de noivo para uma noiva, de marido para sua mulher, - fez-nos hesitar; decerto êle não gostaria, decerto acharia desnecessário esse estendal dos seus mais íntimos sentimentos.
Mas o que êle também não podia suspeitar é que um dia a discussão se elevasse tão acérrima ao redor da sua personalidade, que a esquartejassem, a despissem de tôda a verdade e a deixassem desfigurada, por vezes enlameada, caluniada, para assim ficar pelos anos fora.
A dor amarga, e a surprêsa, que nos tem causado tão estranha maneira de engrandecer um artista, a absoluta certeza de poder reivindicar para o nosso Pai qualidades e virtudes que muitos ambicionariam, fizeram-nos sair duma reserva natural, herdada de nossos Pais - por vezes bem mal compreendida, e oferecer à consciência pública o nosso intímo tesouro."
(excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

08 março, 2015

QUEIROZ, Eça de - CORRESPONDENCIA. Porto, Livraria Chardron, de Lello & Irmão, 1925. In-8º de XVI, 312 p. ; [1] f. il. ; E.
Com o retrato de Eça, por António Carneiro, em separado.
1ª edição.
Apreciada edição original da correspondência do grande prosador.
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

17 dezembro, 2014

ALMEIDA, Fialho d’ – PASQUINADAS. (Jornal d’um vagabundo). Porto, Livraria Civilisação, [1890]. In-8º (19cm) de 384 p. ; il. ; E.
1ª edição. 
Ilustrada com bonitos desenhos a assinalar o final de cada narrativa.
Conjunto de crónicas corrosivas, bem ao jeito do autor, tendo como pano de fundo a cidade de Lisboa.
"Subo a rua Nova do Almada um tanto aborrecido - acabo de pagar uma enorme conta no livreiro, e de ser apresentado ao orador que eu mais detesto, depois de cornetim. O dia é pardo, nuvens no alto, o vento a erguer da rua redemoinhos d'um pó corrosivo á pelle; e com um milhão de diabos! não tenho hoje visto senão raparigas barbudas nos asphaltos!
Estas pecuinhas todas irritam-me: e como o Ferin não tem novidades, enfio pela especie de saguão estreito, que a camara municipal convencionou chamar o largo da Boa-Hora. Á esquerda ha uma rampa bordada de vadios e mulheres publicas, nos dias d'audiencia: um sumidouro publico no centro: carros das obras publicas a um canto: do lado direito, uma sentina publica com letreiro por cima - e emfim, como panno de fundo a todo este scenario publico de caserna e d'alcouce, ahi temos o maravilhoso Palacio da Justiça de Lisboa!"
(excerto da cronica A Boa-Hora comica)
Crónicas:
- A Boa-Hora comica. - As photographias. - Camillo. - Os duellos. - Amadores de Musica. - O Theatro. - A Batalha das flores [O Carnaval]. - Concurso de Pintura histórica [Concurso pintura com o tema: Vasco da Gama, partindo para a India]. - Lisboa monumental [Estudo ficcional da capital]. - A chegada de Sua Magestade [D. Luís I]. - O Conselheiro Viale. - Religião e Toilette. - Sarah Bernhardt [em Lisboa]. - O Exercito [análise e comentários ao polémico livro do coronel Mesquita de Carvalho – A Verdadeira situação militar de Portugal]. - Attentados ao pudor [prostituição infantil]. - Rosas. - Charles Monselet [cronista e humorista francês]. - Bezerro d’oiro [sobre o drama em cinco actos de Santa Rita rejeitado pelos actores do D. Maria]. - Os Jornalistas. - Alguns Livros. - Decadencia [crítica ao ambiente literário português]. - Os Maias [crítica mordaz à obra de Eça de Queirós]. - Os evocadores de phantasmas. - Os pornographicos [sobre o jornalismo sensacionalista]. - Praias e thermas. - No Bussaco. - O Turf-Club [associação de gentis-homens mais ou menos authenticos, e d’elegantes filhos-familias mais ou menos ricos…]. - Tres aspectos [Lisboa fraca – a educação física; Lisboa porca – a cólera; Lisboa fruste – “O Reino das Mulheres”]. - Os pregões. - O Infante D. Augusto. - Fim d’anno.
José Valentim Fialho de Almeida (1857-1911). "Foi um médico e escritor português. Formou-se em medicina, mas nunca exerceu, preferindo a boémia da noite lisboeta. Dedicou-se à literatura e ao jornalismo até 1893, data em que deixou Lisboa para regressar à sua terra natal - Vila de Frades. O seu estilo literário foi irregular, pautado pelo Naturalismo, procurando as sensações fortes da "vida real". Os seus temas foram principalmente a cidade e o campo. Fialho de Almeida ficou conhecido como um escritor bilioso e colérico, carregado de ressentimentos para com a vida."
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Discreta assinatura de posse na f. rosto. Capas oxidadas. 
Invulgar e muito apreciado.
Com interesse olisiponense, camiliano e queiroziano.
25€

09 novembro, 2014

MARTINS, J. P. Oliveira - CORRESPONDENCIA DE J. P. OLIVEIRA MARTINS. Prefaciada e anotada por Francisco d'Assis Oliveira Martins. Acompanhada dum autógrafo inédito de El-Rei D. Carlos. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1926. In-8.º (19,5cm) de 23, [1], 290 p. ; [4] p. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com um fac-símile de 4 páginas - carta autografada remetida pelo Rei D. Carlos a Oliveira Martins.
Correspondência trocada entre Oliveira Martins e ilustres personalidades da sua época, entre outros, António Enes, Ramalho Ortigão, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz (em grande número), Conde de Arnoso, El-Rei D. Carlos I.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Indisponível

13 junho, 2014

FIGUEIREDO, Fidelino de - CRITICA DO EXILIO. Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1930. In-8º (19cm) de 269, [3] p. ; [1] f. il. ; B.
"Reuno neste volume alguns dos ensaios de critica e de historia, que redigi durante o meu exilio em Hespanha nos annos de 1927-1929, praticando um preceito famoso, que é toda a philosophia dessa situação moral, excessivamente lamentada desde Ovidio aos poetas liberaes do romantismo; esquecer muito e aprender alguma coisa." (excerto da introdução)
Matérias:
Eça de Queiroz Inédito. - Parenthesis anti-geographico. - Garcia de Rezende. - Sciencia e espionagem. - Donjuanismo e anti-donjuanismo em Portugal.
Fidelino de Figueiredo (1889-1967). "Notabilizou-se como professor, historiador e crítico literário, tal como na faceta de ensaísta e de intelectual cosmopolita. Licenciou-se em Ciências Histórico-Geográficas na Faculdade de Letras, em 1910, iniciando a sua vida profissional por se dedicar ao ensino e à vida política nos conturbados tempos que se seguiram à implantação da República. Exerceu vários cargos públicos: funções no Ministério da Educação, director da Biblioteca Nacional e deputado. Fundou e dirigiu a Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos e a Revista de História (1912-1928). Exilando-se em Madrid em finais da década de 20, por razões políticas, é contratado como professor de Literatura pela Universidade Central. Já na década de 30, depois de regressado a Portugal, celebrizou-se nas actividades de conferencista e professor convidado de Literatura em várias universidades europeias e americanas. Contratado pela recém-criada Universidade de S. Paulo (1938-1951), funda aí e, lodo de seguida, também na Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro, os Estudos de Literatura Portuguesa, de cujo magistério nasce um dinâmico grupo de discípulos, de entre os quais se contam prestigiados docentes e investigadores (António Soares Amora, Cleonice Berardinelli, Segismundo Spina, Carlos de Assis Pereira, Massaud Moisés, etc.). Além dos vários cursos de graduação e pós-gradução, dirigiu e colaborou activamente na revista de Letras (1938-1954), publicação da referida Univ. de São Paulo. Atingido por incurável e progressiva doença, deixou as funções docentes em S. Paulo, regressando definitivamente a Portugal, à sua casa de Alvalade.
Na área dos Estudos Literários, deixou uma vasta, fecunda e influente obra, nos campos da Crítica Literária e do Ensaio, da História e da Literatura Comparada, bem como da Teoría Literária. O seu grande contributo reside no propósito de contribuir para a profunda modernização teórico-metodológica das disciplinas que integram esta área de conhecimento. Neste domínio, criticou frontalmente os pressupostos teoréticos e os resultados da historiografia de Teófilo Braga, de matriz romântico-positivista. Neste esforço renovador, entre as suas grandes matrizes teóricas, destacam-se três: 1ª) a crítica "científica" francesa de finais do séc. XIX e inícios do séc. XX; 2ª) o influente pensamento hispanista de Miguel de Unamuno e M. Menéndez y Pelayo); 3ª) a filosofia estética do italiano Benedetto Croce. Foi ainda pioneiro na nova área da Literatura Comparada em Portugal, quer no domínio da sua conceptualização teórica, quer na elaboração de sugestivos estudos de crítica comparativista. Ao mesmo tempo, patenteando um agudo sentido cívico e manifestas preocupações existenciais, dedicou-se a uma contínua reflexão ensaística, de natureza cultural e filosófica, mais acentuada no final da sua vida." (in http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/fidelino.htm)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Pouco vulgar.
Indisponível

26 outubro, 2013

QUEIROZ, Eça de - PROSAS BARBARAS. Com uma Introducção por Jayme Batalha Reis. Porto, Livraria Chardron, 1903. In-8.º (18,5 cm) de LIII, [1], 246, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada com fotografia do "Monumento erigido a Eça de Queiroz, obra do eminente esculptor Teixeira Lopes.".
Obra póstuma, publicada três anos após a morte de Eça.
De acordo com o «Dicionário de Eça de Queiroz», organizado por A. Campos Matos, a introdução de J. Batalha Reis, amigo íntimo de Eça, a obra "é de importância fundamental para o conhecimento da 1.ª fase literária de Eça". Batalha Reis refere ainda "as influências literárias, nacionais e estrangeiras de Eça de Queiroz nessa época e analisa o despontar das originalidades da sua escrita".
Encadernação do editor inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Desgaste de manuseio na pasta posterior, junto à lombada. Parte superior da f. anterrosto colada na f. guarda.
Invulgar.
Indisponível

26 julho, 2013

PIRES, António M. Bettencourt Machado - A IDEIA DE DECADÊNCIA NA GERAÇÃO DE 70. Ponta Delgada, Instituto Universitário dos Açores, 1980. In-8º grd. (22,5ccm) de 354, [2] p. ; B.
1ª edição.
Tiragem: 1.500 ex.
"Ao estudar-se a ideia de decadência na geração de 70 procurou-se a sua expressão, diferentemente modalizada, nas obras dos homens de 70; não tínhamos, pois, em vista a discussão do problema da decadência nacional, mas como essa preocupação é assumida pelos principais responsáveis daquela geração: como ensaístas, conferencistas, filósofos da História, teorizadores, romancistas ou poetas. A expressão escrita, o texto - documento foi o denominador comum."
(excerto do prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

18 dezembro, 2012

ALVES, Ricardo António – EÇA E OS VENCIDOS DA VIDA EM CASCAIS. Fragmentos de uma memória local. Estudo e antologia por… Cascais, Câmara Municipal de Cascais, 1998. In-8º (19,5cm) de 154, [2] p. ; [16] p. ; il. ; il. ; B. Col. Memória de Cascais, nº 4
Ilustrado no texto e em separado.
“Na sociedade de corte que Cascais foi, os actores estavam conscientes da comédia que representavam. Mas possivelmente alheados da iminente tragédia pessoal que significaria o fim do seu mundo – e, para alguns, o seu próprio fim.
Reunimos neste volume alguns escritos de protagonistas dessa época, textos que têm Cascais como pano de fundo.” (excerto da introdução)
Exemplar brochado, com as capas plastificadas, em bom estado de conservação. Assinatura de posse datada, na f. guarda (em bco).
Invulgar.
15€