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27 agosto, 2026

FELGAS, Hélio Esteves -
A REVOLTA MILITAR NO CONGO.
[Por]... Major de Infantaria. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da L. C. G. G. - Lisboa], 1960. In-4.º (23,5x15,5 cm) de 107, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo coevo, muito completo, acerca da emancipação do Congo Belga, e tudo o que se seguiu, questão melindrosa que muito interessava a Portugal, potência colonizadora vizinha (com extensa linha de fronteira no norte/nordeste de Angola), pelo perigo de contágio independentista que representava, e que muito preocupava o regime. A proclamação da independência do Congo Belga (actual República Democrática do Congo) ocorreu a 30 de Junho de 1960, marcando o fim de 80 anos de domínio colonial da Bélgica. A Guerra Colonial eclodiria 9 meses mais tarde, precisamente no norte de Angola.
Esta é a obra de um oficial experiente do Exército Português, conhecedor do contexto, que olha para o assunto com as mesmas dúvidas e receios do Estado face aos ventos de mudança em África.
Ilustrada no texto com mapas e fotografias a p.b.
"Cinco dias apenas após a Proclamação da Independência, a República do Congo viu-se sùbitamente sacudida por uma inesperada revolta geral da «Force Publique» manifestada em uma tremenda explosão de xenofobia.
Sem meios para se fazerem obedecer , sem prestígio, sem coesão, sem qualquer maturidade política ou administrativa, os governantes congoleses desorientaram-se e assistiram impotentes ao resvalar do País para a anarquia e para o caos. Resvalamento esse que era há muito aguardado por quem, como nós, estudou e evolução dos acontecimentos que precederam a concessão da Independência pelos belgas, e conhecia o atraso geral das populações indígenas completamente inaptas para se governarem por si próprias.
Ao mundo atónito a nova República do Congo mostrou com exuberância o que sucede quando meia dúzia de políticos inexperientes, sobressaindo de uma massa ignara e primitiva e desejosos de satisfazer os seus interesses pessoais guindando-se aos altos postos da governação, exigem para o seu País uma independência que ele está longe de poder usufruir.
E mostrou também a tremenda responsabilidade das nações civilizadoras que não podem - sejam quais forem as pressões que sobre elas se exerçam - abandonar levianamente os seus territórios coloniais concedendo-lhes uma Independência para a qual elas sabem que eles não estão preparados."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Introdução | Início da revolta | Impotência e desorientação do governo congolês perante o alastramento da revolta | O êxodo dos europeus | A intervenção das forças belgas | A independência da Katanga | Os apelos à O. N. U. | A internacionalização da questão | A tentativa de intromissão da Rússia | O corte de relações com a Bélgica | O restabelecimento da ordem no Congo | Dificuldades políticas internas | A O. N. U. e a República do Congo | A entrada das forças da O. N. U. na Katanga.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e colonial.
30€

06 agosto, 2026

POLÍTICA IMPERIAL DE FOMENTO : Novas Directrises.
"Portugal Maior" - Cadernos Coloniais de Propaganda e Informação
. Luanda, Edição da "Casa da Metrópole", 1945. In-8.º (21,5x15 cm) de 21, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo de propaganda patriótica impresso em Luanda, Angola, publicado no último ano de guerra mundial. Trata-se do n.º 1 de uma colecção que atingiu 10 números, editada entre 1945-47.
Capa assinada "MCastelo".
A "Casa da Metrópole" em Luanda foi uma instituição colonial portuguesa de propaganda, informação e dinamização cultural ativa no século XX (com forte presença na década de 1940). A sua actuação baseava-se em frentes estratégicas bem definidas: Funcionava alinhada com as diretrizes do Estado Novo para projetar a presença e a herança portuguesa no território angolano. Foi responsável pela publicação de diversas obras e cadernos de propaganda colonial. O exemplo mais notório é a coleção "Portugal Maior: cadernos coloniais de propaganda e informação", que incluía ensaios e registos fotográficos históricos. Fazia a ponte de comunicação cultural e identitária entre a "Metrópole" (Portugal Continental) e os colonos radicados na então colónia de Angola. (IA)
Opúsculo ilustrado com retrato do Prof. Marcelo Caetano, Ministro das Colónias, colado na folha que sucede ao rosto.
"A idéia imperialista assenta sôbre princípios básicos, entre os quais é de maior vulto o que traduz uma forte unidade espiritual que se repercute na comunicação da língua, de sentimentos e de afectos, de esperanças e de aspirações.
Recebendo do passado as lições da expansão e da expressão de Portugal no Mundo, conhecendo do presente as inconfundíveis realizações materiais e espirituais que dignificam e enaltecem a política do Govêrno, a gente lusíada torna, acima de tudo em realidade, a unidade imperial portuguesa, agora servida por uma doutrina que se expande progressivamente por tôdas as terras do Império, animadas pelas precisas oportunas e justas resoluções do ilustre titular da Pasta das Colónias, cuja figura revela uma inteireza de carácter que se oferece ao desenvolvimento ordenado das nossas terras ultramarinas na mais rasgada visão imperial e humana."
(Excerto da Abertura) 
"«Quem conheceu a África tropical há 50 anos e a conhece hoje; quem há meio século viveu nas colónias portuguesas e por elas hoje transita - há-de verificar que consoante é voz corrente dos velhos coloniais «a África mudou muito» e até porventura aventurará (embora com excessivo optimismo) o paradoxo de que «a África já não é África».
Tais conceitos exprimem a admiração pela mudança operada nas condições de vida do branco, parece que nas próprias condições e ambiente, em virtude da ocupação europeia, que ousadamente rasgou estradas pelo coração dos sertões, assentou vias férreas, lançou cabos telefónicos e ergueu cidades e vilas no litoral e no interior, desbravou o mato, afastou as feras e cultivou fazendas em sítios outrora inóspitos. O que se fêz, alenta esperanças sôbre o muito que se pode fazer."
(Excerto de Discurso do Prof. Marcelo Caetano aqui reproduzido)
Índice:
[Abertura ] | [Reprodução de discurso do Prof. Marcelo Caetano] | Política de Fomento | Inspecção Superior de Fomento Colonial | A urbanização nas colónias africanas | O Gabinete de Urbanização Colonial - Sua orgânica e funções | A missão dos técnicos em África e a juventude escolar | O novo espírito a instaurar no fomento das colónias | A valorização do trabalho indígena | O auxílio do Estado às actividades privadas | A utilidade social da coordenação económica | «Tenha confiança no futuro do nosso império Colonial» | Apêndice: A «Casa da Metrópole» em Luanda e a sua actuação: - Finalidade; - Meios de acção.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
20€

16 julho, 2026

VACCHI, Dante -
PENTEADOS DE ANGOLA
. [S.l.], Dante Vacchi, 1965. In-4.º (23x20,5 cm) de [76] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Importante subsídio etnográfico sobre os ornamentos e arranjos capilares femininos em Angola.
Trata-se de um photobook etnográfico e antropológico da autoria de Cesare Dante Vacchi, jornalista e aventureiro, famoso pela paternidade (atribuída) da formação e preparação dos Comandos, tropa de elite portuguesa, pouco tempo após o início da Guerra Colonial. A obra regista os elaborados penteados tradicionais de várias tribos angolanas.
Obra trilingue (português/francês/inglês), executada com grande sentido estético e apuro gráfico, ilustrada a cores com fotografias de dezenas de modelos femininos pertencentes a diversas etnias da ex-colónia portuguesa, captadas em diversos estágios da sua vida.
"Nem uma voz humana, guincho, gritos, sussurros, rugidos cavos, melopeias e tam-tans. A alma da noite africana envolve-nos como longos braços frenéticos e um medo primordial surge nos nossos corações. O homem forte é ali redimencionado pela barreira impenetrável do arvoredo que o cerca e a escuridão da noite que repentinamente cai.
Treme, o homem, e teme.
Rasga a escuridão no meio de um Kimbo, uma fogueira, ou o rebrilhar aceso dos olhos de um felino.
No Kimbo a música e a dança, que aqui são verdadeiramente qualquer coisa de outro mundo, seguem leis imutáveis, atávicas; o mais pequeno gesto tem um significado bem definido, cuja origem se perde na noite dos tempos.
Um simbolismo verdadeiramente impenetrável acompanha todas as manifestações de vida negra. Exteriorizadas através de pulseiras, argolas, tatuagens, penteados, pela música e pela dança, pelas fogueiras, por melopeias e feitiços, estas manifestações compõem um quadro completo da vida quotidiana do povoado. [...]
E é a cerimónia da puberdade que dá início aos fantasmagóricos penteados, cerimónia que se reveste, quase sempre, de um carácter ritual pròpriamente dito.
Neste período, mal começam as festas, liberta-se a imaginação em complicados desenhos, arranjo de contas coloridas enfiadas nos cabelos, mantidos compactos e tintos com uma mistura de barro, resina e gordura vegetal ou animal. Então, os penteados mostram se a rapariga celebrou o rito da puberdade antes, durante ou depois da cerimónia ritual. Noutras mulheres, é indicativo apenas da tribo a que pertencem.
Hoje em dia é difícil distinguir, pelo penteado, a tribo à qual a negra pertence, pois as diferenças são tão pequenas que deixam perplexos mesmo os mais conhecedores. Outras vezes indica se é casada ou tem filhos, enquanto que o luto é representado por um penteado simples ao qual faltam os ornamentos vistosos do tempo das festas.
Os cabelos das mulheres são mantidos brilhantes e duros pelo contínuo uso da manteiga e óleos vegetais finíssimos, misturados com substâncias corantes: pó vermelho tirado da casca de certa árvore ou de uma pedra do rochoso planalto, ou de folhas pulverizadas que conservam a cor natural dos cabelos."
(Excerto do Preâmbulo)
Cesare Dante Vacchi (1925-?). Foi um jornalista e aventureiro italiano, considerado o "pai fantasma" e impulsionador da criação dos Comandos, a notável tropa de elite do Exército Português. Nascido em Itália, pouco se sabe da sua infância. Apresentou-se como voluntário no Exército italiano aos 15 anos de idade. No entanto, a sua verdadeira experiência como combatente e líder militar desenvolveu-se mais tarde, na década de 1940, quando comandou milícias em cenário de guerrilha na Itália ocupada. Foi toda essa bagagem adquirida em solo europeu, que o capacitou para preparar os soldados portugueses para esse tipo de confronto no palco africano mais de vinte anos depois.
Na década de 60, viajou como repórter fotográfico para Angola com a foto-jornalista Anne Gauzes, documentando a realidade da Guerra Colonial. Devido ao seu passado militar e tácticas de contra-guerrilha, foi convidado em 1962 a instruir as primeiras unidades de combate do CI 21 em Zemba, Angola, que viriam a dar origem aos Comandos. A sua personalidade e o seu desaparecimento repentino após o treino inicial conferiram-lhe um estatuto lendário e misterioso na história militar portuguesa. Deixou publicada obra multifacetada como autor e fotógrafo, destacando-se livros como Angola 1961-1963 (1964), Penteados de Angola (1965) e Porto (1965), sobre o Douro vinhateiro. Publicou ainda uma reportagem interessantíssima sobre a pesca longínqua portuguesa nos bancos da Terra Nova, redigida a partir do Gil Eannes, na revista Eva do Natal. (1967) (IA)
Encadernação editorial em tela branca com letras a seco e a negro na pasta anterior e na lombada. Vem revestida com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Dedicatória de oferta (não do autor) no interior. Sobrecapa apresenta desgaste marginal, manchas e restauro.
Raro.
45€

05 março, 2026

REIS, Alves - 
O SEGRÊDO DA MINHA CONFISSÃO
. Lisboa, Edições Novo Mundo / Edições Europa, 1931-1932. 2 vols in-8.º (19x12,5 cm) de 314 [6] p. ; [15] p. il. (I) e 412 [4]. p. (II) ; B.

1.ª edição.
Autobiografia de Alves dos Reis, conhecido burlão português, escrita durante o período de cativeiro.
Obra em 2 volumes (completa), ilustrada com reprodução fac-símile de diversos documentos no primeiro livro em 15 páginas separadas do texto.
"Mais de um ano decorreu sôbre a confissão, que fiz ao Tribunal que me condenou, e ainda circulam diversas versões da atitude inesperada que tomei em Santa Clara.
Não quero ouvir o fervilhar dos boatos tendenciosos. Não discuto, portanto, as versões que correm, nem desejo provar a veracidade do segrêdo da minha confissão.
Escrevo a história psicológica das minhas crenças. Narro, o melhor que sei, o meu renascimento e a evolução da minha alma. E os bem intencionados julgarão a Verdade desta narração, que horas bem amargas de carcere não deixar estropiar pelo horror à mentira gerado à custa de muitas lágrimas, pelo culto à Verdade que só Deus sabe ensinar, entre soluços e dores, na religião do sofrimento."
(Excerto da Introdução)
Artur Virgílio Alves Reis (Lisboa, 1896-1955). "Foi um famoso burlão português que, em 1925, ficou associado ao crime de falsificação das notas de 500$00, Efígie Vasco da Gama, no denominado processo "Angola e Metrópole". Além disso, também foi o autor de inúmeras falsificações de documentos e assinaturas, comprou ações de forma ilegal e passou cheques sem cobertura."
(Fonte: https://www.bportugal.pt/arquivo/details?id=48694)
Exemplares brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com pequenos defeitos.
Invulgar.
25€

19 fevereiro, 2026

LUCAS, António José de Carvalho -
CAMPANHA DE ÁFRICA : Angola - 1914/1918.
Cadernos de História Militar N.º 8. Lisboa, Direcção do Serviço Histórico-Militar, 1989. In-8.º (21x14,5 cm) de [1], 60 f. ; [5] mapas ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história das campanha africanas da Grande Guerra em Angola, a preparação da empresa, o corpo expedicionário e os combates.
Obra invulgar e muito interessante, com interesse para a bibliografia WW1.
Livro impresso na frente, ilustrado no texto com inúmeros quadros estatísticos, e em separado, com 5 mapas, croquis e esboços das contendas.
"As tropas Alemãs partem de Kalkfontein a 27 de Outubro tendo Naulila como objectivo e sob o Comando do Major Frank. Este dividira-as em duas Colunas: Uma que dirigia pessoalmente e uma segunda Comandada por Von Water que seria destacada para a frente. As primeiras forças atingem o Cunene a 12 de Dezembro, altura em que ocorrem os primeiros contactos com as tropas Portuguesas no flanco direito da posição compreendida entre Naulila e Calueque. Nos morros do Calueque estava em vigilância um pelotão do 1.º Esquadrão de Dragões que interceptou uma patrulha Alemã. De imediato a informação é enviada a Naulila, onde se encontrava o Quartel General: Os Alemães tinham o seu acampamento a oeste do  morro, na margem esquerda do Cunene, e aí permaneceram esperando a coluna de Frank. Roçadas manda seguir para Calueque o restante do Esquadrão de Dragões que estava em Naulila e o destacamento do Major Salgado estacionado na Dongoena. Nos dias seguintes continuariam os contactos entre o Esquadrão e patrulhas Alemãs.
A posição Portuguesa apresentava dois pontos fortes: No extremo esquerdo Naulila e no lado oposto o Calueque. Entre ambos, os diversos locais onde a travessia do Cunene era possível, estavam devidamente vigiados. Mas o ataque Alemão irá incidir sobre Naulila onde a defesa apresentava 3 Quilómetros de frente, e portanto extensa para o número de homens que a guarnecia."
(Excerto de Combate de Naulila - O confronto entre os Portugueses e Alemães) 
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
25€
Reservado

07 julho, 2025

CONTENTE, Firmino Camolas -
8.ª COMPANHIA DE CAÇADORES ESPECIAIS NO NORTE DE ANGOLA DE 22 DE MARÇO DE 1961 A 24 DE DEZEMBRO DE 1962.
Apontamentos para a sua história. [Por]... Soldado 495/60 de 1.º Pelotão da 8.ª C.C.E [RI 11 Setúbal]. In-8.º (21x15 cm) de 71, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
História do desempenho e acções militares da 8.ª C.C.E. do Regimento Infantaria 11 de Setúbal em Angola, no início do conflito ultramarino, sendo uma das primeiras unidades a chegar à ex-província como resposta do governo da metrópole à insurreição protagonizada pelos operacionais da UPA.
Livro ilustrado no texto com inúmeras fotografias do autor e seus camaradas de armas que ilustram a passagem do Regimento por Angola.
Tiragem limitada a 500 exemplares.
"Estas linhas despretenciosas são apontamentos que relembram acções militares vividas pela 8.ª C.C.E. do Regimento Infantaria 11 de Setúbal e que eu comandava. Estes apontamentos destinam-se a realçar e lembrar as qualidades de adaptação, de zelo e de sacrifícios de toda a natureza, desprezo pela vida, lealdade e muito patriotismo demonstrados sobejamente nas 127 acções militares que a 8.ª C.C.E. teve, desde que chegou a Angola em 22 de Março de 1961.
A todos os componentes dessa Companhia, aos bravos rapazes de Setúbal, são dedicadas estas breves recordações.
A esses bravos rapazes de Setúbal, ante a forma como cada um sabia como proceder, o que lhes fortalecia o moral que sempre mantinham, e a vontade férrea de levar a bom termo as missões que lhe eram confiadas, permitindo confirmar as suas grandes qualidades, dificilmente superáveis dado o seu espírito de sacrifício e iniciativa, bom humor, adaptação rápida a esta forma de combate que nos foi imposta, e sobretudo uma grande lealdade."
(Excerto do Prefácio de Mário Jaime Calderom Cerqueira Rocha, comandante da unidade)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Etiqueta (2) na lombada; carimbo de biblioteca nas duas primeiras páginas.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
Indisponível

04 abril, 2025

HOMENAGEM A FERNANDO PEYROTEO.
Luanda - 3.X.1964 e Benguela - 5.X.1964. In-4.º (23x17 cm) de [28] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Singela homenagem de um grupo de admiradores organizada em Angola, de onde o jogador era natural.
Fernando Peyroteo (Humpata, 1918 - Lisboa, 1978), foi um futebolista português, natural de Humpata, Huíla (Angola). Integrou com Albano, Jesus Correia, Travassos e Vasques a famosa linha avançada do Sporting - os «Cinco Violinos» - destacando-se dos demais pela estampa atlética e veia goleadora.
Opúsculo ilustrado no interior com publicidade da época, incluindo da Pepsi Cola que na Metrópole, junto com as outras "Colas", estavam proibidas pelo regime.
invulgar e muito curioso; a BNP não menciona.
"Fernando Peyroteo foi, sem dúvida, o nosso mais extraordinário avançado-centro.
Não terá sido, porventura, o avançado-centro mais popular, por nunca ter jogado no Benfica. que é, sem dúvida, o clube de maior projecção nas camadas populares, tanto por ter sido desde a sua origem um clube restritamente português, outro tanto, se não mais ainda, por adoptar a camisola vermelha, a cor que exerce mais demorada e mais agradável sensação na retina do espectador. Mas, sem ter sido tão popular como Victor Silva e Espírito Santo (dois excelentes jogadores da mesma posição, ambos do Benfica) conseguiu ser, na opinião geral, o mais notável de todos os avançados-centro devido à sua extraordinária propensão para a tarefa principal desse posto, e que é, como sabemos todos, o poder de remate à baliza. Bastará recordar que durante a sua carreira de jogador do Sporting e da Equipa Nacional, carreira que foi prematuramente interrompida, ele marcou 700 golos - uma enormidade!"
(Excerto de O que o saudoso Cândido de Oliveira disse de Fernando Peyroteo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Manchado e aparado à cabeça (corte tosco).
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Peça de colecção.
35€

19 março, 2025

MONTEIRO, Carlos -
DE SETÚBAL ÀS TERRAS DE ANGOLA.
Patrocínio do Movimento Nacional Feminino. Reportagem de... Publicado no jornal "O Distrito de Setúbal". [S.l.], [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Rápida de Setúbal, Lda. - Setúbal], 1973. In-8.º (21x14,5 cm) de 61, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Capa de: Gertrudes Páscoa Geraldes Monteiro.
Crónicas de viagem por Angola de um setubalense por adopção.
Ilustrado com fotografia a p.b. ao longo do livro, sendo algumas em página inteira.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Dr. J. Carlos Botelho.
"Sou um Homem das «terras do Demo», designação que Mestre Aquilino Ribeiro dá às terras beiroas que me serviram de berço.
Em Coimbra, na verdura dos meus anos, desfolhei as mais perfumadas pétalas da minha vida.
Durante duas décadas, a seguir identifiquei-me com a «Planície Heróica», o Alentejo, tão decantado por Manuel Ribeiro.
Mais tarde vim para a terra de Bocage, onde me vinculei.
Sonhei sempre. Encarei a Vida. Lutei com verticalidade. Tive sonhos desfeitos. Cânticos de vitória, não faltaram. De entre tudo, tentei o Ultramar. A frustração dessa hora, que se esfuma pela mocidade, marcou-me doridamente.
Aqui, em Setúbal, a par da minha actividade de fundo que é a Escola, o jornalismo seduziu-me. Alistei-me nele. No seu quadro. Para ficar. Para servir.
Um convite atencioso do Movimento Nacional Feminino para visitar o Estado Português de Angola, veio salvar das cinzas um sonho. Vibrei. Pois. Rejuvenesci."
(Excerto de Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

04 março, 2025

ANTUNES, Maj. A. Vaz -
TIRO DE PONTARIA INSTINTIVA. [2.ª edição]. [S.l.], [s.n. - Composição e impressão na Tip. da Escola Prática de Infantaria - Mafra], [1967]. In-8.º (19x13 cm) de [2], 89, [3] p. ; il. ; B.
Obra dedicada pelo autor aos combatentes na Guerra do Ultramar: "Ás tuas incomparáveis virtudes militares, Soldado de Portugal, que em África, anonimamente, escreves das páginas mais brilhantes da nossa História!"
Livro ilustrado com inúmeros desenhos exemplificativos no texto.
"Quando da frequência num curso no estrangeiro, apliquei-me, por imposição do horário, a fazer «tiro instintivo» com pistola e pistola metralhadora, durante 7 semanas a 2 horas por dia,
No final do curso não era um bom atirador, e, em rendimento, ficava muito atrás do meu instrutor. Este, além de excelente camarada era um magnífico executante dessa modalidade de tiro, mas pouco nos conseguia dizer à guisa de explicação - os «porquês» que nós tanto desejávamos saber sempre. «Era assim... era assim».
Mas se não fui um bom atirador, pelo menos duas certezas ganhei:
- Tal modalidade de tiro tem um interesse extraordinário na guerrilha
- O Processo de ensino era de tal modo dispendioso que, mesmo os exércitos mais apoiados económicamente consideravam que o «tiro instintivo» constituía uma especialidade a ensinar apenas a uns tantos, muito poucos, destinados a missões especiais. [...]
Como se consegue tudo isto, é o que eu tento explicar nas páginas seguintes.
Chamo-lhe «tiro de pontaria instintiva» para manter a designação, já generalizada, da modalidade de pontaria que se aplica no tiro que a seguir se trata."
(Excerto do Prólogo)
Índice:
Prólogo | I - Generalidades. II - Instrução preliminar. III - Tiro reduzido. IV - Tiro de adaptação. V - Tiro de combate. IV - Notas para o instrutor. VII - Método de instrução.
António Vaz Antunes (1923-1998). "Natural da freguesia da Mata, Concelho de Castelo Branco. Frequentou a Escola do Exército, onde se formou como oficial de Infantaria do Exército Português. No ano de 1959 realizou um estágio de oficiais do Exército Português, junto de tropas francesas na Argélia. Passou também por por Angola onde foi 2.º comandante do Batalhão de Caçadores 185/RMA (1961 e 1962);  e por Moçambique, onde foi 2º comandante do Batalhão de Caçadores 1918/RMM (1967) e comandante do Batalhão de Caçadores 17/RMM (1967 a 1968). No CTIG, foi comandante do Batalhão de Caçadores 4512/72/CTIG (1972 a 1975). Na Guiné, em 1974, era Adjunto do Comandante do CTIG e Comandante interino do COMBIS (Comando da Defesa Militar de Bissau), bem como Inspetor do CTIG. O coronel António Vaz Antunes tinha nesta altura, uma missão de muita responsabilidade na defesa militar de todos os quartéis no "perímetro militar de Bissau", mesmo assim na reunião relatada no "documento histórico", foi afastado destas funções pelo MFA da Guiné."
(Fonte: https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/Ant%C3%B3nio%20Vaz%20Antunes%20%28cor%20inf%29)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Com interesse histórico e militar.
20€

29 dezembro, 2024

WARING, Ronald -
THE WAR IN ANGOLA. Lisbon : Agência Geral do Ultramar, [1962]. In-8.º (20x14,5 cm) de  69, [3] p. : il. ; B.
1.ª edição.
Relato dos acontecimentos em Angola reportando ao primeiro ano de Guerra Colonial, da surpresa e espanto geral pelos ataques no norte até à preparação, envio de tropas e sua disposição e controle no terreno. Waring não se limita à descrição das atrocidades cometidas pelos elementos da UPA e da resposta portuguesa; traça o panorama económico e social da Colónia na época, incluindo a escola, saúde, etc.
Obra com interesse histórico, não teve tradução para português. Ilustrada com inúmeras fotografias no texto, muitas delas impublicáveis porque chocantes.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor.
"On 14th March, Angola was at peace with itself.
Europeans and Africans went about their business as usual and scoffed at those who said that trouble in the Congo would spread South. There was certainly no sign of unrest among the African population. In fact things were so quiet that there were only 2,000 white soldiers and 700 policemen (half of whom were Africans) in the whole Country, a country incidentally as large as Spain, Portugal, France and Germany put together.
Portugal's policy of slow integration seemed to be working well, and everyone was condident that they were building a Luso-African society similar to that achieved in Brasil.
They went to bed with easy minds March 14.
The long knives struck at dawn!
Along a 250 mile stretch in Northern Angola, hordes of terrorists swooped on Europeans and on all the Africans who refused to join with them. In a fantastic orgy of blood they butchered, burned and tortured to death more than 1,300 Europeans and ten times that number of Africans.
The terrorists had the adavantage of surprise and a well laid plain. Their targets were isolated farms where European settlers and their native workers, armed only with a few sporting rifles and shot guns, were no match for the bands of screaming terrorists brandishing two foot long machetes and muzzle-loading guns.
The wave of slaughter lasted for three weeks, during which time many thousands of African joined the terrorists, either in the hope of a rich harvest of plunder, of for fear of the consequences if they refuse. The remaining Europeans and those Africans who remained loyal, found themselves barricaded inside the small towns and villages in Northern Angola.
They had to face constant dawn attacks by terrorits bands whose war cries were «U. P. A.» (Union des Peuples d'Angola), «Lumumba», and «Mazza».
«Mazza» simply means «water», and the terrorists believed that their witch doctor's magic would turn the withe man's bullets to water.
In Portugal the first shock of the news was followed by a hasty mobilisation of troops. The Portuguese army, as a N. A. T. O. ally, was equipped for war in Europe, but not for a war in Africa 5,000 miles away."
(Excerto do Cap. I)
Ronald Waring. "Oficial do exército britânico, serviu no King's Royal Rifle Corps e durante a Segunda Guerra Mundial no Royal Hampshire Regiment; entre 1956 e 1974 leccionou no Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM-Pedrouços), após o que regressou a Londres com o posto de coronel, agraciado com o título nobiliárquico de Duque de Valderano."
(Fonte: https://ultramar.terraweb.biz/06livros_RonaldWaring.htm)
Exemplar em brochura, bem conservado. Com alguns (poucos) subinhados.
Raro.
35€

24 dezembro, 2024

SANTOS, Corte-Real -
AGONIA E MORTE A 13,43 GRAUS DE LATITUDE SUL.
2.ª edição : 3.º, 4.º e 5.º milhares. Sá da Bandeira - Angola, [Edição do Autor]. Distribuidores: Publicações Imbondeiro, [1964?]. In-8.º (21,5x14,5 cm) de 86, [2] p. ; mto il. ; B.
Capa de Alfredo de Freitas.
Reportagem da tragédia que vitimou dois pilotos em Angola no início dos anos 60 do século passado. O misterioso desaparecimento da aeronave emocionou e prendeu a atenção da população de ex-colónia portuguesa durante longos e penosos meses.
Obra com larga divulgação em Angola na época, ainda assim não se encontra representada no acervo da BNP.
Ilustrada com fotografias a p.b. no texto de mapas, da aeronave acidentada e dos malogrados pilotos, algumas impublicáveis pela crueza das mesmas.
"Aparece este livro para corresponder ao desejo manifestado de muitas das pessoas que se apaixonaram, condoídas, pela aventura extraordinàriamente emocionante dos aviadores civis Carlos da Costa Fernandes e Acácio Lopes da Costa, os quais em 18 de Março de 1963, a bordo da avioneta «Piper Colt», do Aero Clube do Lobito, empreenderam uma viagem de que infelizmente não haveriam de voltar vivos.
O triste caso, sem par na história da aviação de Angola, consternou vivamente a população da Província e a partir de então se manteve em intrigante mistério, apesar de intensivas buscas por ar, mar e terra efectuadas por dezenas de pessoas durante largas e arreliantes semanas.
Quando parecia que a tragédia havia terminado com a convicção de que a avioneta «Piper Colt» se afundara no mar com os seus dois ocupantes, surgiu inesperadamente, em 29 de Junho, - 103 dias passados! - a notícia de que o aparelho fora encontrado a mais de 50 quilómetros ao sul de Benguela, num local deserto denominado Dulombuluco, Piqui, não muito longe da praia da Binga. A informação, chegada a Benguela na tarde desse dia, acrescentava que os dois aviadores estavam mortos e os seus corpos já em meia decomposição.
Este epílogo trágico do caso consternou profundamente a população angolana, que leu sofregamente os relatos dos jornais - logo esgotados - e ouviu, magnetizada, o noticiário das emissoras. Todos esses relatos se dispersaram naturalmente e muita gente ficou insuficientemente informada.
Este facto tornou patente a necessidade dum livro em que se registasse o acontecimento por ordem cronológica, se desvendassem antecedentes que pareceram esclarecedores e, sobretudo, se dessem a conhecer os famosos «diários» deixados pelos desventurados aviadores."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

31 outubro, 2024

MARCELINO, Anibal Artur -
COLONIZAÇÃO DE ANGOLA POR BRANCOS.
[Por]... Capitão. Funchal, Livraria Popular, 1930. In-8.º (21x14,5 cm) de 29, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Folheto crítico da política de colonização, que permite a demanda de lavradores impreparados a Angola, cenário evidente nas primeiras décadas do século XX.
"Temos de confessar, o que é bem triste, que e tantos sacrifícios e de tantas despezas, através não de alguns anos mas de séculos, com o fim de colonizar Angola, apenas o número limitado dos que se tem dedicado á indústria da pesca é que teem vingado e progredido regularmente.
Do resultado das experiências agrícolas pouco ou nada resta.
E o que resta, os Madeirenses ou os Escronhos, como lhes chamam os indígenas, não é uma colónia em que se tenha a menor esperança.
Como já se disse, são quási todos pobríssimos, não progridem e, o que é peor, cada vez se aproximam mais do indigena em tudo: na iniciativa do trabalho, na maneira de viver e até na mentalidade e aspecto que é já, o de muitos andrajôso.
Ora isto não é colonização de europeus é antes uma adpatação do branco á vida do preto."
(Excerto de A triste realidade)
Índice:
Sonho | A triste realidade: Colonização de Angola | Uma opinião sem autoridade | O clima | A inaptidão do colóno.
Exemplar brochado, parcialmente por abrir, em bom estado geral de conservação. Frágil e envelhecido. Passa da página 20 para a 25, sendo esta uma falha generalizada, julgamos, por erro da tipografia - extensível a todos os exemplares impressos.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

05 setembro, 2024

AGUILAR, António de -
AVENTURAS DE CAÇA
. [Prefácio de José Osório de Oliveira]. Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1935. In-8.º (20,5x14,5 cm) de 220, V, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante conjunto de narrativas sobre caça grossa, episódios vivenciados pelo autor nos meses de mato no interior de Benguela, Angola.
Obra premiada no Concurso de Literatura Colonial (1.ª categoria).
Inclui no final lista de termos/expressões de origem local: "Vocabulário em uso na região de Benguela e empregado neste livro".
"António de Aguilar não é um escritor de carreira. Emprego esta expressão para não dizer escritor profissional, espécie que quási não existe entre nós. [...]
É certo que a técnica não é, na literatura, a condição primordial, e a sua falta pode ser, mesmo, desculpável. Nas narrações de experiências vividas o interêsse do assunto faz esquecer, muitas vezes, a inexperiência literária. É o que costuma suceder com os livros dos homens de acção que contam a sua vida ou as suas aventuras. [...]
Por tudo isso, António de Agular tomas as proporções dum caso. Eis um homem de acção que escreve pela primeira vez um livro, que não tem a intenção de se dedicar à literatura, que conta apenas o que viveu e que, no entanto, compõe uma obra digna dum literato sabedor de tôdas as regras da arte. Trata-se, evidentemente, dum homem culto que se dedicou à acção e não dum homem formado por esta. Mas ainda assim admira como António de Aguilar soube compor um livro em que se narram tôdas as espécies de caçadas sem nunca repetir uma cena,  um episódio ou uma aventura. Ou foi duma felicidade única ou teve a inteligência rara de escolher.
Sob êsse aspecto, o livro de António de Aguilar chega a parecer o produto dum escritor de imaginação que quizesse mostrar tôdas as aventuras possíveis na África. A figura admirável do «Cátucinho», a figura curiosíssima de Bruaia, o caso extraordinário do Padre Luís dir-se-iam criações dum romancista. Nós sabemos, porém, que tudo nêste livro é verdade."
(Excerto do Prefácio)
"No sertão ràpidamente nos prende o viver indígena.
Breve se observa não ser o isolamento tamanho como seria dado prever ao escutar histórias que correm mundo e fazem fé.
O «telégrafo» negro põe-nos a par dos sucessos do mato e até das povoações europeias.
A floresta angolana parece morta mas, de facto, vive intensamente. A actividade quer de brancos quer de prêtos não foge ao exame do nativo mais rude, assim como não lhe passa a menor alteração na paz sertaneja.
Tudo serve ao gentio para matar o tempo.
O boi fugido do sambo; o sècúlo a tratos com os cipaios, o macaco roubador das lavras, o leão atravessando a selva, o muènéputo destrambelhado ou justiceiro, o funante desvacador de quimbos são motivos preciosos para infindas palestras.
Nas intermináveis noites de acampamento, aquecendo-me à fogueira, quantas vezes escutei tôda a narrativa, nos seus ínfimos pormenores, do viver dos europeus meus companheiros de sertão!
A miúde êste apurado espírito de observação crítica provoca e anima a perniciosa intrigalhada «cafuza», característica dominante da mentalidade europeia do interior.
Mas, acima de tudo, o que faz vibrar a alma do indígena é a narração das proezas de caça.
O caçador é homem lidando de perto com poderosos feitiços.
Por fôrça deles, consegue dominar o cazumbi maléfico protector ou mandante dos animais ferozes ao serviço de Gangas e Quimbandas.
Não pode, pois, deixar de ser um ente extraordinário.
E a admiração torna-se inexprimível se, por ventura, o caçador o é de elefantes.
O Jamba!
O monstruoso paquiderme, aos olhos do nativo representa tudo quanto há de mais poderoso debaixo do sol.
Homem matador de elefantes, seja êle por acaso, tem a reputação criada.
É célebre; não mais desaparecerá do folclore bàntú.
Por isso, não seria possível passar-me despercebido o nome de «Cátucinho», herói máximo das grandes aventuras de caça da região, abatedor de dezenas e dezenas de elefantes e búfalos, o branco feiticeiro ao qual a águia não escapava no vôo, nem o «grande boi de um chifre só» conseguia escuso recanto de muchito onde se abrigar da sua ira.
«Olho de Deus»... «Ah!... Pai... Pai... não há ninguém no mundo com semelhante pontaria...»
Numa tarde de 1918, conheci-o ao famoso caçador, futuro meu amigo e companheiro de cansadoras misérias, uma vez aproximados pelo destino para a conquista do pão. [...]
Alto, esgrouviado, um bigode pendente, vestia uma fatiota grosseira de roupa de fardo.
Os ombros estoiravam as costuras e, por isso, as mangas pouco mais desciam abaixo do cotovelo.
As calças afuniladas, paravam acima dos tornozelos, por sua vez fugidios de uns canos de bota de cabedal grosseiro, rugoso, e encebado até à dupla sola ferrada.
Mais que a vestimenta exótica e em contraste com o ar canhestro, prendeu-me a atenção o seu olhar vivo."
(Excerto do Cap.I)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos, manchas, e pequenas falhas de papel.
Raro.
85€

13 junho, 2024

SALDANHA, Eduardo de Almeida -
A INDÚSTRIA AÇUCAREIRA.
Importancia excepcional da nacionalização e do desenvolvimento da indústria açucareira em Moçambique e Angola, para a prosperidade económica, regeneração financeira, autonomia e dignidade política de Portugal. (Separata do livro A questão Nacional). Vila.Nova-de-Famalicão, Tipografia «Minerva», de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão, 1932. In-4.º (27 cm) de [8], CLXI, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante trabalho sobre a indústria açucareira nacional, actividade desenvolvida nas ex-colónias, crucial para a economia do país.
Obra crítica do "sistema", do problema da produção e da fixação dos preços. Com dados históricos e geo-políticos relevantes, numa época em que o regime do Estado Novo dava os seus primeiros passos.
Livro ilustrado com dados estatísticos no texto.
"Que nós Portuguêses auxiliemos a nossa agricultura, as nossas indústrias e o nosso comércio, quer se exerçam na metrópole ou nas colónias, nada de mais justo nem de mais patriótico; no entanto há que pôr um limite a essa protecção, limite que não ultrapasse, o que é razoável e justo.
Se amanhã um agricultor, um industrial ou um comerciante se lembrar de fundar uma má exploração e lhe acrescentar uma má administração, sem método, sem previdência, sem tino, não podemos sacrificar um país inteiro para valer a essa exploração, condenada a morrer, nem matar os outros para que ela viva. [...]
Até ao decreto proïbindo o fabrico do ácool, a indústria açucareira quási não existia na nossa costa ocidental; com a imprevidência que nos caracterizava, e caracteriza, achava-se mais simples, rendoso e prático, embriagar o preto, de preferência a fazer alguma cousa de mais útil.
Uma vez feira a proïbição, receberam os possuïdores de plantações de cana uma indemnização por cada hectare plantado. Foi nesse momento que começaram aparecendo as primeiras fábricas de açúcar, na sua maioria um amontoado de cousas compradas a esmo, em segunda mão, já fora de uso, por pouco rendosas, e, afora pequenos remendos deitados, com a compra de uma ou outra máquina mais moderna, essas fábricas são ainda as mesmas e já lá vão bastos anos e já a indústria açucareira caminhou a passos agingatados no sentido de uma produção mais rendosa, por maior rendimento e menor emprêgo de mão de obra."
(Excerto de Açúcar e açucareiros)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e económico.
15€
Reservado

27 janeiro, 2024

NOTICIA DO ESTADO EM QUE SE ACHA O POVO DE ANGOLA, DESTITUIDO DE MESTRES, PAROCHOS E EGREJAS, E CONSIDERAÇÕES ÁCERCA DA NECESSIDADE E FACILIDADE DE REMEDIAR TÃO GRANDES MALES
. Lisboa. Na Typ. de G. M. Martins, 1861. In-8.º (20,5x13,5 cm) de 24 p. ; B.
1.ª edição.
Ponto de situação sobre a obra missionária em Angola, das suas expectativas e anseios, e das dificuldades de evangelização com que o clero português se deparava.
Obra não assinada, sabe-se no entanto que o seu autor foi o padre José de Sousa Amado, polemista religioso da ala mais tradicionalista da Igreja.
De salientar as referências a David Livingstone (1813-1873) - conhecido missionário e explorador inglês - cujas impressões pouco abonatórias sobre o estado de abandono a que a Igreja Católica portuguesa votou a antiga colónia portuguesa, por este constatada na visita ao território em 1854, preenchem um capítulo do livro.
"Tres seculos têem decorrido, depois que a Religião Catholica, sob a protecção sincera e efficaz de D. João II e D. Manoel foi, pela primeira vez, abraçada nas vastas regiões do Congo, e mais tarde em Angola.
Os primeiros Missionarios pertenciam á Ordem de S. Domingos; seguiram-se depois os Padres da Companhia de Jesus, os da Terceira Ordem da Penitencia, Capuchinhos, e Carmelitas Descalços.
O zelo dos Missionarios, a protecção real, a boa disposição dos povos, fizeram com que a Religião Catholica prosperasse. Apenas tinham decorrido seis annos depois do descobrimento do Congo (1491), e já estavam lançados os fundamentos da Cathedral em  S. Salvador, que em pouco tempo foi acabada, tendo-se antes convertido o rei, a rainha, as pessoas mais principaes, e por conseguinte o povo."
(Excerto de Estado da Religião Catholica em Angola)
Índice:
Estado da Religião Catholica em Angola | Estado moral dos povos de Angola | Estado em que Levingstone, missionario protestante, achou a Religião Catholica em Angola Disposições do Povo em Angola | Numero de habitantes em Angola. Numero dos meninos de 7 annos para baixo | Razões e motivos de Caridade |Organização dos meios de Caridade | Observação.
José de Sousa Amado (Assafarge, Coimbra 1812 - ?). "Presbítero formado em teologia pela Universidade de Coimbra, em 1843, professor no Liceu Nacional de Lisboa e membro da Relação do Patriarcado de Lisboa. Foi um escritor e jornalista que escreveu muitas obras em defesa da Igreja e da ortodoxia religiosa, atacando o Marquês de Pombal, a Maçonaria, o Protestantismo e o Estado liberal. Participou nas polémicas com Herculano sobre o Casamento Civil e sobre as Irmãs da Caridade. A sua vasta obra (cerca de 50 monografias e numerosos artigos dispersos por jornais) inclui manuais escolares, obras de piedade pessoal, escritos sobre ritos e comportamentos e para afirmação de sacramentos e práticas devocionais católicas."
(Paulo Mendes Pinto - José de Sousa Amado e as lutas contra a heretodoxia social e religiosa: um percurso bibliográfico. In Lusitânia Sacra, 2ª Série, 16 (2004) 385-398)
Exemplar brochado, por abrir, - com capas simples, lisas, - em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
25€

15 dezembro, 2023

VALDEZ, César -
AVENTURAS DE UM CAÇADOR DE FERAS.
Episódios ocorridos na caça do leão, do elefante, do tigre, do urso, da pantera, do leopardo, do crocodilo e outros animais ferozes. [Por]... Sócio honorário do Clube dos Caçadores de S. Paulo de Luanda. Lisboa, Emprêsa Literária Universal, [193-]. In-8.º (19x13,5 cm) de 47, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Série de episódios relatados pelo autor, caçador profissional, na sua demanda pelos santuários dos grandes predadores.
Obra importante, rara, sinalizada como título de referência na bibliografia portuguesa de caça grossa. Apesar disso, a BNP não menciona. Ainda assim, em trabalho publicado pela mesma biblioteca no âmbito da exposição 200 anos do romance de aventuras em Portugal, o livro é referido junto com alguns outros sobre o mesmo tema. Infra reproduzimos excerto:
"Alguma literatura de sinal animalista - da escola africanista dominada pela elegante pena de Henrique Galvão -, um ou outro título de antevisão histórica (cf. Gambetta Neves, O licor vermelho), de Utopia negativa (cf. Virgílio Martinho, O grande cidadão), expedições cinegéticas (cf. Diocleciano Neves, Itinerário de uma viagem à caça do elephante; cf. César Valdez, Aventuras de um caçador de feras; cf. João Teixeira de Vasconcelos, Memórias de um caçador de elefantes)."
Livro raro, ilustrado no texto com 11 bonitos desenhos da autoria de Fonseca, que também assina a capa. Aí está impressa a informação "17 gravuras originais", número que não corresponde ao número de desenhos, apontando para possível erro de impressão.
"Comecei a minha vida de caçador quando apenas contava 18 anos, e os meus primeiros tiros foram disparados contra inofensivos patos bravos, na Azambuja, e não menos inofensivos coelhos nos campos de Vila Nova da Rainha ou para os lados do Sabugo.
Lembro-me que, então, a minha perícia de atirador deixava muito a desejar, pois, geralmente, os coelhos «riam-se» de mim, e as cargas dos meus cartuchos iam apenas atingir os tronos das árvores ou perderem-se no infinito.
Todavia, a-pesar-da minha pontaria desastrada, que provocava o riso aos meus companheiros de jornadas venatórias - caçadores já experimentados e afortunados - pois que a caça é como o jogo: carece de um pouco de sorte, - já nessa época eu sentia uma verdadeira paixão por êsse desporto, alimentando a ambição de chegar a ser um grande caçador. [...]
- Vocês ainda hão-de ver-me não me conhecer!
E assim foi, na realidade. Anos depois, os relatos das minhas aventuras, insertos nos jornais africanos e transcritos em uma das nossas revistas, deixava-os boquiabertos, duvidando que o desastrado César Valdez, que então apontava a uma perdiz e «matava» um pinheiro, fosse o mesmo que, nos sertões de África, caçava valorosamente panteras, leopardos, leões, elefantes e crocodilos.
Seria possível?
Era; e vou dizer-lhes como iniciei essa arrojada profissão de caçador de feras."
(Excerto de I - Um caçador desastrado)
Índice:
I - Um caçador desastrado. II - Uma caçada ínesperada. III - Sem dispara um tiro. IV - Quanto menos se espera. V - Caçada indígena ao crocodilo. VI - Caça ao marfim. VII - Rondando-nos a porta. VIII - A dois passos da morte. IX - Uma caçada ao urso pardo. X - Uma caçada aos tigres.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Indisponível

16 junho, 2023

RAMOS, Jerónimo - MADRUGADA TRÁGICA EM TEIXEIRA DE SOUSA. Textos em português e inglês. [Luanda], Edição do Autor (Tipografia Angolana - 1967), 1967. In-4.º (24,5 cm) de 25, [3] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Fotos de A. Sequeira.
Importante subsídio para a Guerra do Ultramar. Relato da surtida da UNITA à vila de Teixeira de Sousa (actual Luau - Moxico, Angola), ataque prontamente rechaçado por civis e militares portugueses, com elevados custos humanos para o movimento de Jonas Savimbi, e cinco baixas do lado português - 4 colonos e um elemento da PIDE.
Livro ilustrado com fotografias a p.b. de feridos nos confrontos, dos defensores da povoação e autoridades civis e militares.
"Escrita poucas horas depois dos acontecimentos de Teixeira de Sousa, só agora é possível trazer à luz a publicidade esta pequena reportagem, por razões que não nos compete discutir, mas que residem, naturalmente, na obediência e no respeito a uma orientação que nos foi sugerida.
Se, como se reconhece, a oportunidade desta publicação deixou de ter interesse, é também verdade que ela servirá para esclarecer aqueles que estão menos a par do que se passa e ainda os outros que, em Angola, desejarem continuar a obra que todos nós levantámos durante séculos de uma permanência escudada em direitos que não são discutíveis."
(Excerto da Introdução)
"Conforme foi divulgado pelo Comando Chefe das Forças Armadas, processou-se um ataque a esta Vila por indivíduos vindos do Congo ex-Belga, na madrugada do dia 25 de Dezembro de 1966. [...]
Os terroristas eram portadores dos mais diferentes amuletos, tais como chapéus embrulhados em peles de animais selvagens. Depois de saquearem residências próximas da fronteira, dirigiram-se ao quartel militar.
Aí, a guarnição reagiu de acordo com as circunstâncias, infligindo ao inimigo cerca de 200 baixas, enquanto que os restantes elementos, em número de cerca de 500, se refugiavam nas matas, em direcção ao território do Congo.
Entretanto, os terroristas cortaram também a linha do Caminho de Ferro de Benguela, nas proximidades da Vila, paralisando assim o tráfego ferroviário."
(Excerto de Madrugada trágica)
Índice:
[Introdução] | | Madrugada trágica | Natal de 1966 | Momentos de expectativa  | Quem atacou?  | A lição e o rescaldo... | Tragic early-morning in Teixeira de Sousa.
Encadernação em percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior.
Conserva as capas de brochura.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€