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28 abril, 2026

HISTORIA DO FADO. Versos de Avelino de Sousa. Musica de Alves Coelho. Lisboa, Valentim de Carvalho Editor, [s.d.]. In-fólio (31,5x27 cm) de 4 p. (inc. capas) ; B.

1.ª edição.
Capa de Stuart Carvalhais (dedicada ao Cap. Menezes Ferreira).
Canção patriótica, cujos versos exaltam o fado, a canção nacional, companheira na gesta portuguesa, - "Soluçou a sorrir nas caravelas (...) Gemeu chorando N'Alcacer Kibir - Cantou vibrando lá nas trincheiras em França."
A Biblioteca Nacional não dá notícia desta obra. O Museu do Fado possui uma cópia digitalizada, sendo no entanto diferente o desenho da capa, também da autoria de Stuart, mas sem a Grande Guerra por tema.
Pela sua beleza, interesse e raridade deve ser encadernado ou emoldurado.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Discreta assinatura de posse.
Raro.
Sem registo na BNP.
Peça de colecção. 
35€
Reservado

22 novembro, 2025

FRAGOSO, Fernando - A HISTÓRIA DE JOÃO RATÃO. Contada por... Lisboa, Depositária Editorial Progresso, L., [1940]. In-8.º (19 cm) de 140, [4] p. ; [8] f. il. ; B.
1.ª edição.
"A partir de uma opereta, a história amorosa dum soldado português, João Ratão, que regressa da frente de batalha na Flandres, sendo envolvido em intrigas motivadas pela inveja, quanto a Vitória, uma rapariga do povo que namorara através de cartas escritas por outros...
Evocação do patético cenário da guerra (1914-18), e a faina dos madeireiros, no deslumbrante Vale do Vouga."
(Fonte: José de Matos-Cruz, O Cais do Olhar, 1999)
Livro ilustrado com fotogravuras a p.b., reproduzindo cenas do filme, distribuídas por 8 folhas separadas do texto.
"A opereta «João Ratão», um dos grande êxitos do Teatro musicado português, foi escrita por Ernesto Rodrigues, João Bastos e Felix Bermudes. Fernando Fragoso e Jorge Brum do Canto adaptaram-na à tela. Jorge Brum do Canto dirigiu o filme, que é uma produção da Tobis Portuguesa."
(Excerto do preâmbulo)
"A faina começara pela madrugada. Ainda havia estrêlas no céu, quando, no pinhal, sobranceiro ao rio, os lenhadores romperam a vibrar, no sopé dos troncos, as machadas compassadas, que se repercutiam, cavas e profundas, pelo vale, e iam morrer lá em baixo, com o marulhar das águas no açude. [...]
O sol rompera. A neblina desfizera-se, pouco a pouco. [...]
Caíra o último pinheiro. Ia começar a derrama. [...] E foi justamente à hora do almoço, quando as marmitas fumegavam, alinhadas sôbre o brazido, que o Zé Maria divisou, na curva do caminho, a figura bem conhecida de «Sô Puxa», o carteiro da terra, fazendo esforços visiveis para subir a ladeira, montado na sua bicicleta, que zig-zagueava pela estrada poeirenta. [...]
Zá Maria, o capataz, a tôda a força dos pulmões, berrou lá do alto:
- Ó «Sô Puxa»! Há alguma coisa p'ra gente? [...]
«Sô Puxa» esquadrinhou a mala, a monologar entre os dentes:
- Que raio de gente esta! Todos querem cartas... e não sabem ler... Que faria, se soubessem...
E rematou com o estribilho de sempre, que era, ao mesmo tempo, um protesto e um desabafo, uma espécie de válvula de segurança da sua irritação permanente:
- ... Puxa!...
E logo, numa transição:
- Aí vai o jornal - e estão com sorte...
Os grandes, um título doloroso e alarmante! Zé Maria abanou a cabeça, num mixto de tristeza e desaprovação, e comentou:
- Mais tropas nossas que vão para França!
Fez-se um silêncio. Um rapazote aloirado quebrou-o, numa voz onde se sentia a amargura da saudade:
- Ó sr. António?! Tem tido notícias do João?!...
Encostado a uma árvore, olhar perdido na distância, como se quisesse penetrar os segredos da imensidão, sr. António volveu, triste:
- Isso sim! Há três semanas que não recebo notícias! Pobre filho! Onde êle me foi parar!
Pelo cérebro daqueles homens, passou, numa saüdade, a figura de João da Mó, o mais insinuante, o mais alegre dos rapazes de Santiago da Ermida, o João Ratão, orgulho dos seus pais, enlevo das moçoilas, o noivo de Vitória, a mais bonita das raparigas, umas poucas de léguas em redor. [...]
- Maldita guerra!
E na serena tranqüilidade da serra, os homens, de machada em riste, atacaram os pinheiros com o mesmo desespêro, com que, na Flandres, outros homens se apostavam em abater almas cristãs."
(Excerto do Cap. I, Manhã na Serra)
"Havia mêses que João Ratão se encontrava em França, no sector ocupado pelas tropas portuguesas, na planície alagada e erma da Flandres. Partira um dia de Portugal, empilhado num navio, com milhares de camaradas, num grande barco cinzento, que era pequeno para conter tantos homens e tanto material. Embarcara com a alma dilacerada, por deixar a sua terra., sem esperanças de voltar. [...]
Foi num dia nevoento e triste que chegaram a França. Chovia a bom chover. Mas a população dispensara aos bravos soldados, que de tão longe vinham em seu socôrro, uma recepção entusiástica! João Ratão, quando desfilara, com todo o batalhão, pelas ruas empedradas do pôrto francês, entre alas de povo, que festejava a chegada dos portugueses, sentira um arrepio. Era alguém! Orgulhoso da sua missão, marchando com garbo e aprumo, João Ratão deitava o rabo do olho às raparigas, que se alinhavam nos passeios, ao longo das ruas. E que lindas carinhas! De si para si, João pensou que a guerra, afinal, não era tão má como a pintavam...
Mas enganara-se! Era pior e bem pior do que todos supunham. Quando chegou às primeiras linhas e ouviu o troar do canhão teve mêdo! [...]
Havia três dias já que o inimigo bombardeava sem cessar as posições ocupadas pelas tropas portuguesas. Bombardeava, noite e dia, com regularidade, batendo as trincheiras e a rectaguarda, com fôgo certeiro e cadenciado. Os rapazes sabiam o que aquilo queria dizer: era o prelúdio duma ofensiva, se não fôsse uma armadilha para outro sector, para um ataque de surpresa. [...]
- Temos dança! - comentou João Ratão para os seus companheiros, no abrigo, onde o cimento e os sacos de areia os protegiam da chuva de metralha. [...]
Durou horas esta luta de morte na defesa das primeiras linhas. Uns após outros, todos os ataques foram repelidos. E quando caiu a noite, sôbre o campo juncado de mortos e moribundos, os portugueses mantinham intacta a frente confiada à sua guarda.
João Ratão foi dos que se ofereceram para a perigosa missão de recolher os feridos na «terra de ninguém». Ouviam-se gemidos, ao longe, no silêncio da noite, só perturbado pelo breve matraquear das metralhadoras dos postos avançados."
(Excerto do Cap. IV, Nas Linhas de Fogo...)
Índice: [Preâmbulo]. | [Explicação cinematográfica da obra]. | Distribuição do Filme. | I - Manhã na serra. II - Carta do João. III - Primavera de Amor. IV - Nas Linhas de Fogo. V - Boas Novas. VI - A Canção da Mariette. VII - Dois Marotos. VIII - «Mademoiselle Frou-Frou». IX - A provocação. X - Manuela diverte-se. XI - O arraial. XII - A Calúnia. XIII - Desespêro. XIV - Dia cinzento. XV - A chegada do tenente. XVI - O interrogatório. XVII - A Cruz de Guerra. XVIII - Desastre no rio! XX - Epílogo.
Encadernação recente, em tela, com ferros gravados a ouro na lombada. Conservas capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia WW1.

Junto com:

COSTA, Júlio de Sousa e -
SEVERA (Maria Severa Onofriana) : 1820-1846. Apontamentos e notícias para a sua história noso-psicológica * Casos interessantes em que intervieram personagens de destaque * A vida na Mouraria * A boémia doirada * O retrato da Severa * Doença e morte * A vala comum... 2.ª edição. Lisboa, Livraria Bertrand, [1936]. In-8.º (19 cm) de 207, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
Importante subsídio biográfico para a história da Severa, mítica fadista lisboeta - a primeira a ser conhecida no meio, talvez a mais famosa de sempre.
Ilustrado com duas estampas extra-texto:
- Cópia do desenho incompleto, a tinta da china, tendo no verso a simples nota: "A Severa", encontrado no espólio artístico do pintor Francisco Metrass (1825-1861);
- A casa onde morou a Severa.
Inclui no final do livro a partitura de "Quando eu morrer, raparigas", música que se afiança ter sido composta pela Severa bem como os versos que ela cantava de preferência, cuja letra evidenciava a vontade, após a morte, de ser sepultada em vala comum.
"A Severa...
Muito se tem falado desta desventurada que fez perder a serenidade, a compostura e também o juizo a filhos de algo e burguezes! E quantos lances de ciúme não provocou, sem o desejar, entre os da fina-flor da fadistagem da velho Mouraria!...
Êste livro de breves notícias e apontamentos coligidos durante largos anos, teve por finalidade acarretar subsídios para a crónica ou para o estudo psicológico dessa mulher que teve a popularidade triste que todos conhecem.
A sua mocidade cheia de beleza triunfante despertou paixões e ocasionou desvarios. Era a sina fatal com que viera a êste mundo de provação e destêrro. Pelas páginas que vão lêr-se passam muitos personagens do seu tempo e alguns da sua intimidade... Deslizam sombras de fidalgos, artistas, políticos, burgueses e alguns da negra legião do rebutalho da cadeia e da magna caterva da navalha...
Na vala comum onde ela quiz fôsse lançada, nessa cova larga do cemitério do Alto de S. João, da sua Lisboa, onde nascera e que tanto amava, terminou o drama da vida tempestuosa e delirante que teve, todavia, grandes claridades!...
Era linda... Disseram-mo duas pessoas que ainda a conheceram. O seu aspecto gentil e perturbante, os olhos cheios de meiguice e ternura que não era fingida e o seu corpo escultural, encantaram os homens do seu tempo."
(Excerto do Proémio)
Índice:
Poucas palavras como proémio. | I - Primeiras investigações. II - O conde Vimioso. III - Na vida airada. IV - A companheira de Severa. V - Um incidente na Praça do Campo de Santana. VI - As façanhas da Severa. VII - Não dou felicidade a pessoa alguma... VIII - Os actores Teodorico e Epifânio na rua do Capelão. IX - A ervanária da Mouraria. X - Uma amiga da Severa. XI - No «Colete Encarnado». XII - A taberna do «Manhoso». XIII - Recordações. XIV - O retrato da Severa. XV - Que expiação? XVI - Lancem-me à vala comum!... XVII - A Severa no teatro. Aditamento (Certidão de óbito da Severa). | Quando eu morrer raparigas [partitura]. | Índice. | Índice alfabético dos personagens, locais e factos que figuram neste livro.
Encadernação recente, em tela, com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Com sublinhados a caneta ao longo do livro.
Invulgar.
Com interesse histórico.
2 volumes encadernados num único tomo.
Preço conjunto:
35€
Reservado

08 outubro, 2025

FORTES, José Maciel Ribeiro -
ENSAIOS SÔBRE UM PROBLEMA ETNOGRÁFICO-FOLCLÓRICO
. Pôrto, Companhia Portuguesa Editora, L.da, [1926]. In-8.º (18x13 cm) de 203, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Estudo sobre o Fado, manifestação musical popular que o autor critica duramente, sobretudo a variante lisboeta.
Estudo invulgar e muito interessante, com interesse para a bibliografia fadista.
"José Maciel Ribeiro Fortes, antigo estudante em Coimbra, publica em 1926 a obra O Fado: Ensaios Sobre um Problema Etnográfico-Folclórico em que, comungando da origem afro-brasileira, intimamente ligada ao lundum e, portanto, àquilo a que chama a influência negroide, vai tecendo considerações sobre a inferioridade estética do Fado." (Correia, Avelino Rodrigues - Do Choupal até à Lapa : etnografia do constructo da canção de Coimbra, FCSH -UNL, 2014)
"Há muito, que pacientemente carreamos materiais para a organização de um trabalho, cujo título será o de - «O Fado e a Psiquica Nacional».[...]
O Fado não é a Canção Nacional por excelência, como habitualmente se julga. Os Portugueses devem combater esta, infelizmente, tão espalhada opinião, que artística e moralmente os deprime."
(Excerto de O Problema Fadográfico)
Encadernação inteire de pele com dourados na lombada. Sem capa de brochura frontal, apenas a capa posterior.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
25€

24 agosto, 2025

OLIVEIRA, Venceslau de -
MARIA CONDESSA (Alma de Fadista) : romance original
. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, [192-]. In-8.º (21x14 cm) de 376 p. ; il. ; E.
OLIVEIRA, Venceslau de - FADO E AMOR (Alma de Fadista) : romance original. Lisboa, Casa Editora Nunes de Carvalho, [192-]. In-8.º (21x14 cm) de 309, [5] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Conjunto de dois romances - encadernados num único tomo - cujo tema é o "Fado" e os meandros da "canção nacional", pretexto para o autor abordar os problemas políticos e sociais do país, tendo ambos impresso na capa em sub título "Romance da vida boémia".
Ilustrados com bonitos desenhos no texto e em página inteira.
Obras raras e muito curiosas, com interesse para a bibliografia fadista. De registar a quase inexistência de referências bibliográficas, sendo que a própria BNP não menciona.
"Madrugara-se naquela manhã entrudesca no palácio dos Marqueses do Rosal.
Não era hábito a senhora Marquesa levantar-se tão cedo, mas naquele dia, não se sabia porque razões, tivera uma enorme vontade em o fazer.
Pedia-lhe a sua compleição física, abalada por tanto infortúnio, um passeio matutino pelos áridos campos no intuito de poder mais livremente respirar fundo.
Inocência e Julião, só com a lembrança de se terem visto livros de José, por uns tempos, nem dormiram de contentamento.
Pareciam ter rejuvenescido.
Felismina, solteirona, pouco conhecedora da vida lisboeta, pensava na obtenção de licença para num pedaço da tarde ir à Avenida com Maria Rosa gozar os folguedos carnavalescos que diziam serem divertidos, e só essa idéia a fizera erguer mais cedo.
O certo é, que, as quatro almas que ali viviam como Deus com os anjos, se encontravam à mesma hora no ângulo do jardim a receberam os bons dias do astro-rei que, a brincar, vinha inundar-lhes de luz os enrugados semblantes."
(Excerto de Maria Condessa - I. Um golpe mortal)
"Decaìa a olhos vistos o regime monárquico, dois anos após o audacioso atentado contra a família real em que baquearam, não só o rei D. Carlos de Bragança e seu filho, o príncipe D. Luiz Filipe, como os arrojados regicidas, Buiça e Costa, quando o fado começou a trilhar o caminho da sua mais brilhante auréola.
Em todos os tempos e em tôdas as épocas, nos momentos mais periclitantes da vida portuguesa as canções foram sempre os clamores da revolta mal contida, contra a esmagadora opressão que tiranizava o povo trabalhador, digno de melhor sorte.
Assim, emquanto ilustres caudilhos republicanos apresentavam nos comícios o desmantelar de um trono carcomido, os fadistas, por seu turno, na maioria analfabetos, de guitarra em punho, andavam pelas ruas e tavernas, desinteressadamente, fazendo intensa propaganda de um regime novo, mostrando, em violentas estrofes, as pústulas chaguentas da depauperada monarquia mal governada que tinha por chefe em pusilánime, filho mais novo do rei-morto, a morrer-se ao sabor dos políticos palacianos.
E o povo escutava-os desvanecidamente."
(Excerto de Fado e Amor - I. Fadistas de raça)
Venceslau de Oliveira: Foi diretor do jornal Canção do Sul. Dramaturgo, editor, jornalista e poeta. Foi o fundador e o diretor do jornal O Estrondo, foi vogal do Grémio dos Artistas Teatrais. Sublinha-se o seu temperamento revolucionário e crítico, quer no que respeita ao teatro quer no que respeita ao fado. Poeta e prosador, em 1931 escreve uma obra sobre o fado, Alma de Fadista. O seu romance pretende dar a conhecer os prosélitos do fado desde 1900, e pede ajuda aos fadistas para lhe enviarem dados biográficos e fotografias. Profissionalmente, é impressor numa tipografia. Venceslau de Oliveira tem muitos filhos, entre eles um Raul Álvaro de Oliveira."
(Fonte: Tuna, Cátia Sofia Ferreira, «Não sei se canto se rezo»: ambivalências culturais e religiosas do fado (1926-1945) Volume II : Anexos, 2020)
Encadernação em tela revestida de pano com rótulo carmim e dourados na lombada. Conserva as capas de brochura anteriores.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro conjunto.
80€

08 fevereiro, 2025

FREITAS, Frederico de -
O FADO, CANÇÃO DA CIDADE DE LISBOA : suas origens e evolução
. Lisboa, [Sociedade de Língua Portuguesa], 1973. In-4.º (23x16 cm) de 13, [1] p. (225-237 p.) ; E.
1.ª edição independente.
Interessante subsídio para a história do Fado, e sua implantação na capital do país.
Conferência proferida na sede da Sociedade de Língua Portuguesa em 7 de Junho de 1973. Separata da revista «Língua e Cultura», n.º 3, tomo III, Setembro-Dezembro de 1973.
"Falar do fado, das suas possíveis origens, não é coisa fácil, devido aos mal-entendidos que na generalidade informam os escritores que se lhe referem.
Querem uns que o fado provenha dos mouros que habitaram a Península; outros situam-no numa origem mais remota, dizendo-o derivar dos Celtas; por sua vez há também os que o julgam produto do período das Descobertas, pintando-se o quadro do nauta viajando sobre mares ignotos, sujeito aos ventos de um destino cheio de incertezas. Então, roído de saudades, da família e da terra que deixou, trocando-a pela aventura, futura sobre a dúvida que o atormenta - a de algum dia voltar - e assim, desse sentimento corroidor de nostalgia e angústia, teria nascido a triste canção do fado, saudosista e fatalista."
(Excerto do Ensaio)
Frederico Guedes de Freitas (Lisboa, 1902-1980). "Foi um compositor, chefe de orquestra, musicólogo e pedagogo português. Foi um compositor prolífico e eclético, tendo-se inspirado nas mais variadas vertentes da música. Foi também um inovador na Composição Musical, introduzindo em Portugal os métodos da Bitonalidade, Politonalidade, Atonalidade e Arritmia, ganhando a admiração de músicos como Maurice Ravel ou Igor Stravinsky, que adotaram também os mesmos métodos, muito depois de Frederico de Freitas. No domínio da composição musical, Frederico de Freitas deixou uma vasta obra que abarca praticamente todos os géneros musicais, incluindo a música para revistas, vaudevilles e operetas e partituras para cinema. Foi autor de estudos de musicologia, professor de música, diretor de orquestra, sócio fundador n.º 11, em 1925, da cooperativa anónima de responsabilidade limitada SECTP, a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, a qual só em 1970, com a revisão dos estatutos, passou a chamar-se SPA, a atual Sociedade Portuguesa de Autores, dado abranger todas as áreas da criação intelectual. Na data do seu falecimento, era Presidente de Honra da SPA, a qual, em 1981, atribuiu ao seu auditório, inaugurado em 1975, o nome de Auditório Maestro Frederico de Freitas."
(Fonte: Wikipédia)
Encadernação inteira de pele, com cercadura e ferros gravados a ouro na pasta frontal. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Texto sublinhado com notas manuscritas a tinta.
Raro.
Com interesse histórico.
Indisponível

05 maio, 2024

ARRIEGAS, Arthur - A CANÇÃO DA MINHA TERRA - FADOS - Com prefacio do illustre poeta e dramaturgo D. João da Camara. Bibliotheca do «Rei Sagára» - N.2. Lisboa, [Arthur Arriegas (Editor)]. Composição e impressão - C. do Cabra, n.º 7, 1907. In-8.º (16x11 cm) de 63, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Rara e curiosa obra de poesia fadista da autoria de Artur Arriegas (1883-1924), músico, jornalista, editor e produtor teatral, conhecido no meio boémio da época por 'Rei Sagára'. Muito valorizado pelo prefácio de D. João da Câmara (1852-1908), romancista e dramaturgo português.
Livro ilustrado com belíssimo desenho na capa (não assinado), e em extra-texto com um retrato do autor.
"Ouve-se uma guitarra.
Ergue-se uma voz cantando um mote.
A guitarra é desafinada, avinhada a voz, mote obsceno. Logo lhe faz a glosa uma estupidez hypocrita, condemnando o fado e a poesia popular.
Uma guitarra esconde-se com pudor; um poeta, que, uma noite, fez uns versos á lua cheia, nega-os, apavorado, como S. Pedro negou a Christo. E, porque n'uma toada de piegueira em tom menor ou em quatro versos de pé quebrado, um dia, coube uma desvergonha, o juiz Acacio, com o falso pudor acceso nas bochechas, condemna musica e redondilhas ás trevas dos bêcos mal afamados.
Ora a verdade é que as canções populares portuguezas se distinguem pelo sentimento, na poesia e na musica, de todas as canções do mundo, talvez unica arte em que conservamos a nossa originalidade.
Teem um cunho especial, inconfundivel, e foram fonte purissima, luminosa, em que beberam grandes lyricos desde Bernardim até João de Deus. [...]
Lindo titulo este: A Canção da Minha Terra! O auctor é de Lisboa; creio que d'aqui não costuma sahir. Não o terão commovido as alvoradas do campo, quando os melros saudam o sol, nem as melancolias do entardecer, quando sobem mansinhas para o céo columnas de fumo em cada lar; mas, á esquina d'uma rua, encontram-se uns olhos bonitos que sorriem, ou uma mãe que, chorando, aperta um filho aos peitos esvasiados. E onde ha risos e lagrimas pode viver a poesia."
(Excerto do Prefacio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
45€

09 setembro, 2023

SOUSA, Avelino de - O FADO E OS SEUS CENSORES. (Artigos colligidos d'A Voz do Operario). Critica aos detractores da canção nacional. Com uma Carta do illustre poeta e dramaturgo Dr. Julio Dantas. Lisboa, Editor, O Auctor, 1912. In-8.º (19,5x12,5 cm) de [8], 56 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Rara edição original de uma das mais apreciadas obras sobre o Fado - a "canção nacional".
Ilustrada extra-texto com o retrato do autor.
Com a seguinte inscrição manuscrita na f. rosto: "Pertença e recordação de: Salvador Gomes (guitarrista)".
Inclui ainda uma carta de António Frazão - conhecido fadista - para Salvador Gomes, dobrada e colada entre a f. rosto e o retrato, a agradecer o empréstimo do livro a quem tece os mais rasgados elogios, bem como ao seu autor - Avelino de Sousa, entre outras considerações.
"O Fado e os seus censores é uma compilação de onze artigos publicados originalmente por Avelino de Sousa em A Voz do Operário. Trata-se de uma acérrima defesa do Fado contra os seus caluniadores, sendo sobretudo uma obra de resposta em que o seu autor assume a luta contra opiniões, sobretudo de Samuel Maia e Albino Forjaz de Sampaio, publicadas em jornais como A Luta e O Século e até do próprio público d'A Voz do Operário.
O estilo de prosa panfletária reflecte o insulto elegante a que tão avidamente se recorria no Parlamento, com constante recurso aos grandes autores e à inegável sagacidade do autor, que terminaria a sua carreira como bibliotecário da Torre do Tombo."
(Fonte: https://www.fnac.pt/O-Fado-e-os-Seus-Censores-Avelino-de-Sousa/a9461645)
"O fado, simples annotação melodica do sentimento popular, não merece, talvez, que se preocupem tanto com elle, - e muito menos que o discutam sob o ponto de vista da hygiene social. Uma canção não faz degenerados; os degenerados é que podem ter perdileções por determinada canção, - e, em geral, por determinada fórma d'arte. É a velha historia da dypsomania: não se é degenerado porque se bebe; bebe-se porque se é degenerado.
Que culpa teem os numeros da obsessão dos arithmomanos? Que culpa teem as praças do delirio dos agoraphobos? Que culpa tem o fado de que os degenerados o cantem? - Mas isto levar-nos-hia longe, e eu não tenho um minuto meu."
(Excerto da Carta-proemio)
Avelino de Sousa (1880-1946). "Fadista, compositor, poeta popular e dra­maturgo. Nasceu em Lisboa e residia nos Bairro de Campolide. Começou a trabalhar numa livraria, foi posteriormente tipógrafo e bi­bliotecário da Torre do Tombo. Aos 15 anos já cantava as suas obras. Era pre­sença obrigatória em qualquer festa de trabalha­dores. Cantando apenas obras suas, nor­malmente acompanhado pelo guitarrista Domin­gos Pavão, seu amigo de infância, o mote das suas letras, versava o amor, saudade e também usava o Fado, para através dele veicular as suas ideias politicas e sociais.  Cantou em tabernas, retiros, colectividades de recreio, em salas de gente elegante.  Travou grandes “despiques” com João Patusquinho, Manuel Serrano, João Black, Júlio Janota, Carlos Harrington e o Calci­nhas Narigudo.  Publicou, entre outros, os livros Canções do Fado, O Fado das Mulheres, A Canção Nacional (com prefácio de Angelina Vidal), Cinquenta So­netos e Cantem Todos... Colaborador regular da imprensa operária e da imprensa do Fado, coligiu em 1912 os artigos escritos em A Voz do Operário sob o título O Fado e os Seus Censores, com prefácio de Júlio Dantas, obra de referência na bibliografia fadista."
(Fonte: https://www.portaldofado.net/content/view/2461/379/lang,pt/)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas frágeis com pequenos defeitos. Lombada reforçada com fita adesiva nas extremidades que se prolonga para as capas.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
75€

23 julho, 2023

GUIMARÃIS, Pinto -
FADO, CANÇÃO VENCEDORA.
História, propaganda e defesa do fado. Lisboa, Edição do Autor, 1938. In-8.º (21,5x16 cm) de [25] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso opúsculo de apologia e propaganda ao Fado.
Ilustrado com publicidade da época, referente sobretudo a comércio e serviços de Lisboa e Setúbal.
Pouco foi possível apurar acerca de Pinto Guimarães, a não ser a uma natural inclinação para a poesia e paixão pelo fado, de acordo com as obras disponíveis na BNP, bem como a sua ligação a Setúbal, onde publicou diversas obras relacionadas com a cidade, listadas no interior: O valor da Rainha do Sado, A cidade do Sado, Guia Turistico de Setúbal; Almanaque Setubalense, Almanaque Enciclopédico, entre outros, assim como algumas novelas policiais, de crime e mistério.
Junta-se cartão de promoção (13x9,5 cm) à casa de fados "A típica casa da Cesária", Alcântara - Lisboa, que contém no verso a Marcha da casa da Cesária, de Carlos Duarte.
"Ao pegarmos na pena, para algo dizermos sobre o Fado, e consequentemente, sobre este livro, devemos solenemente e perentoriamente afirmar, que não vimos arrogantes e esvurmando ódio aos que não gostam do Fado, mas sim, escrever algumas palavras, que pezem no íntimo dos seus detractores, fazendo-lhe ver quanto são injustos no que diz respeito à Canção Portuguêsa. [...]
O Fado, é a vibração íntima do povo que trabalha e que produz; do obreiro intelectual, o que pensa e aciona; do homem que dirige, do homem que executa.
O Fado, é a expressão sentimental da nossa alma, é o nosso próprio eu, a manifestar-se, a dizer que sente em si, a nostalgia, a beleza, a arte, o humanismo, os anceios, a descrença, o amor e o bucolismo. A canção lusitâna, vibra em nós, actuando no cérebro e no físico, fazendo-nos cair em extasi, quando aos nossos ouvidos tange uma guitarra, e se houve uma canção.
E o que atesta a nossa afirmação, é o que temos observado. Uma dona de casa, trabalha e canta; um operário, na fábrica ou na oficina, trauteia o fado; o empregado de carteira, assobia-o; o ardina o engraxador, o chauffeur, o passeante, o namorado que aguarda a namorada, todos enfim, cantam o fado, a maia voz, só para si, porque isso lhe dá prazer e está na sua própria sentimentalidade.
Se lhes perguntarem, porque o cantam, diriam que não sabem porquê.
Nós diremos, que é a própria alma de fadista a despertar, porque embora muitos snobs, digam que detestam o fado, êles, no íntimo, apreciam e gostam... No fundo... é precizo dizer mal de alguma coisa..."
(Excerto de Duas palavras sôbre o Fado. Em forma de prefácio...)
Índice:
Duas palavras sôbre o Fado. Em forma de prefácio... | Obras de Pinto Guimarãis (Publicadas/A sair) | Poetas de Setúbal | O Pescador | Sonêtos por Pinto Guimarãis | A acção do Salão Mondego em prol do Fado | A origem do Fado - Como nasceu a "Canção Nacional" | A voz dos sinos [poesia] | Ceifeira [poesia] | Carta de longe [poesia] | Bandeira de Portugal [poesia] | Quadras soltas [poesia] | Oração ao Sol| O Poeta... [poesia] | Sonetos de Pinto Guimarãis | Arrependimento [poesia] | Esperando [poesia] | Arrufos.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia fadista.
30€

16 maio, 2023

RECORDAÇÕES -
Á MEMORIA DO NOSSO QUERIDO FILHO ANTONIO CORRÊA MEXIA DE MATTOS
Nascido em Loulé no dia 5 de junho de 1891 e fallecido em Lisboa no dia 5 de novembro de 1911. Fallecido quasi á mesma hora em que tinha nascido com muito poucos minutos de differença. Dedicam Seus inconsolaveis paes. [S.l.], [s.n. - Typ. «A Editora Limitada» - Lisboa], [1912]. In-8.º (19,5 cm) de XIII, [1], 190, [2] p. ; [1] f. il. ; E.
1.ª edição.
In memoriam do jovem louletano António Correia Mexia de Matos patrocinado por seus pais, com a colaboração de amigos e admiradores do malogrado escritor.
Obra fora de mercado, para oferta, por certo com tiragem reduzidíssima, ilustrada em separado com um retrato de António de Matos. Trata-se do repositório de crónicas e artigos dispersos do jovem prosador sobre os mais diversos assuntos - sobretudo relacionados com o "seu" Algarve - com uma verve e desassombramento incomuns para a idade. Destaque para o "sentimento" posto no retrato do Fado - a canção nacional -, e na descrição da Coimbra estudantil.
Exemplar autografado pelo pai do escritor com dedicatória pungente a Carlos Cândido Pereira, condiscípulo de seu filho.
"Foi tão cruciante a dôr que sentimos ao ver evolar-se para sempre de ti o sopro da vida que te animava; foi tão rude o golpe vibrado ao nosso coração de paes, que tanto te idolatravam, que por algum tempo ficámos aturdidos e alheios a tudo o que que nos cercava... [...]
 Porque é que, contando apenas vinte annos, havias de desaparecer para sempre d'este  mundo d'enganos, sendo, como eras, um carinhoso filho, um irmão extremoso e um dedicado amigo?! [...]
Como piedosa homenagem á tua memoria, as produções litterarias que deixaste dispersas em varios jornaes e outras ineditas, colligimos neste livro, que não é destinado á venda publica, mas sim para ser offerecido aos teus e nossos amigos e, por isso, estes desculparão quaisquer incorrecções que nelle encontrem, porque têem que atender a que foram escritas, uma grande parte, em tenra edade e quando os teus conhecimentos litterarios oficiaes não iam alem do terceiro anno do lyceu e todas ellas dos quatorze aos vinte annos e do primeiro ao sexto anno do curso do lyceu.
Reunimos tambem a opinião da imprensa e de alguns amigos, a teu respeito. [...]
Nas regiões misteriosas para onde tão permaturamente partiste recebe esta singela homenagem e com ella as muitas lagrimas e saudades de teus desditosos paes."
(Excerto de Carta ao nosso filho)
"Se ha musicas que fazem vibrar na noss alma todos os sentimentos que possuimos, o fado é incontestavelmente uma d'ellas.
A italia com as suas affamadas operas; a Hespanha com as suas caracteristicas zarzuelas não interpretam melhor a psychologia dos seus povos, do que Portugal com o Fado.
Porque o fado, essa canção caracteristicamente portugueza, é acolhida com impetos de entusiasmo onde quer que se oiça e n'esses impetos parece que vae toda a alma dum portuguez, desfeita em pedaços, pelas vibrações mobidas do tanger duma guitarra. Sim, o fado é ouvido em toda a parte com os mesmos estuosos arrebatamentos, desde o mais sumptuoso palacio, onde, nas rumorosas abobadas, ecôam as suas notas, até á mais humilde mansarda, onde ellas se espalham, deixando no ar uma sonancia dolencia.
O fado tem o poder magico de interpretar os sentimentos da dôr, ou da alegria, que enlaceiam uma alma, pois que elle tangido languidamente numa guitarra faz percorrer no nosso corpo fremitos de estonteamento e produz-nos nevroses que, desaparecendo, deixam-nos emergidos numa doce e suave lethargia.
Elle, umas vezes, vem acompanhado d'alegria e vivacidade, outras vem envolvido em tristeza e melancolia; mas, quer venha duma maneira, quer doutra, o fado arranca-nos sempre expressões de enthusiasmo e sabe incutir-se na alma, ora arrebatadora, ora melancolicamente. [...]
Eu nunca me hei-de esquecer do conjuncto de linhas phisionomicas que apresentava o rosto dum misero cego que n uma feira tocava o fado numa guitarra velha. Cada desferimento dos seus dedos sobre as cordas, parecia vir acompanhado dum rajo de luz, soltos desses olhos, onde pairava para sempre o espesso nevoeiro da desgraça..."
(Excerto de O Fado)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva a capa de brochura, que foi colocada depois da f. ante-rosto, precedendo a f. rosto.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado.
Raro.
35€

10 fevereiro, 2022

HERMÍNIA SILVA - ÁLBUM DA CANÇÃO : dedicado aos ídolos da canção.
Revista Mensal - N.º 23 - 1 de Janeiro de 1965 - Ano II. Director - Mário de Aguiar
. Lisboa, Aguiar e Dias, 1965. In-4.º (24 cm) de 31, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Número da revista Álbum da Canção consagrado à castiça Hermínia Silva.
Interessante subsídio histórico e biográfico, profusamente ilustrado com fotografias no texto, que inclui entrevista à conhecida fadista.
"As luzes diminuem de intensidade. O enorme espaço aberto diante dos nossos olhos escurece totalmente. Um silêncio profundo, só quebrado aqui e ali, por um tossicar nervoso, torna-se pesado. Quase se poderia tocar. Depois, lentamente, soam os lamentos doloridos arrancados às cordas de uma guitarra que canta, que ri, que chora. Sobretudo que chora, que se queixa. É o fado!
Os gemidos da guitarra tornam-se mais fortes, mais arrastados. Depois, quase sem darmos por isso, voltam a soar mais débeis, decrescem, tornam-se num murmúrio, sem que, no entanto, percam a sua dolência, a melancolia da guitarra. É o fado!
A voz soa mais forte. Os seus requebros arrastados põem nos corações dos que a escutam um véu de tristeza. Os corpos arrepiam-se à medida que são desfiadas as contas de um rosário de desgraças, a cada uma das quais, a voz se tona mais magoada, mais triste, mais chorosa. Aquela é a voz do fado. Aquela é, com certeza a voz de uma verdadeira fadista...
Um foco de luz ilumina uma figura de mulher, toda de negro vestida e eis que os nossos olhos a identificam: é Hermínia Silva, a verdadeira imagem do fado!"
(Nota de abertura)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
15€

22 abril, 2021

MANTUA, Bento - O FADO.
Episodio em 1 acto
. Paris, Lisboa : Aillaud & Bertrand : Rio de Janeiro - S. Paulo - Bello Horizonte, Livraria Francisco Alves, 1915. In-8.º (18 cm) de 39, [5] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
"Episodio em 1 acto, representado pela primeira vez na festa artistica do Actor Henrique Alves, no Teatro de S. Carlos, em 13 de Março de 1915." 
Opúsculo ilustrado com os retratos dos actores, uma reprodução do quadro de José Malhoa O Fado, e a finalizar a peça, o desenho de uma "mulher do povo" sentada, a fumar.
Obra dedicada pelo autor a Albino Forjaz de Sampaio. Rara. Com interesse para a bibliografia do Fado.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Artur Portela (pai), conhecido jornalista português.
"O episodio que vae representar-se, é, antes de tudo, uma singela e pálida consagração a dois artistas de raça, a dois nomes que duas glorias são da Arte Portuguêsa. Um, pintos insigne, cuja palêta está impregnada de todos os tons luarentos e melancólicos da nossa terra. Outro, poeta ilustre, cuja musa, ao mesmo tempo ironica e comovida, tem o segredo de sonhar deliciosamente em lindos versos. É José Malhôa o pintor; Augusto Gil o poeta. A peça, é apenas a vivificação do quadro do grande pintor, «O Fado», para o qual Augusto Gil parece ter escrito as palavras sagradas da «Canção das Perdidas». Ao mesmo tempo, o auctor, que, como no tempo Vicentino envia muito saudar, quiz mostrar que ha nas mulheres, ainda nas mais aviltadas, rútila, como uma gema preciosa, a flôr do sentimento, um coração que nem sempre a lama das viélas consegue macular."
(Excerto do Prologo)
Bento Mântua (1878-1932). "Foi um dramaturgo e escritor português, e o 12.º presidente do Sport Lisboa e Benfica (1917-1926). Com mais de nove anos de exercício de funções, foi o segundo presidente com maior consulado na história do Sport Lisboa e Benfica, logo após Luís Filipe Vieira. O lançamento e conclusão do projecto Campo das Amoreiras, inaugurado em 6 de Dezembro de 1925, constituiu o marco mais importante dos seus mandatos e correspondeu, também, ao momento mais relevante e entusiástico vivido pelo clube até então. A Bento Mântua, além de uma abnegada acção benemérita a favor do clube, particularmente nas obras das Amoreiras, ficou a dever-se, em 10 de Setembro de 1918, a realização do primeiro jogo nocturno de futebol, no campo da Avenida Gomes Pereira, o incentivo ao primeiro campeonato de hóquei em patins, onde chegou a oferecer os prémios, e a organização do torneio anual de atletismo inter-clubes, único que se realizou durante a Grande Guerra. À semelhança de Félix Bermudes, Bento Mântua foi um homem de cultura, destacando-se como dramaturgo e escritor dramático. Há quem o considere um dos criadores do teatro regionalista. Colaborou na publicação periódica Atlântida (1915-1920) e também no semanário Azulejos (1907-1909)."
(Fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
35€

02 março, 2021

CARVALHO, Ruben de - AS MÚSICAS DO FADO.
[Prefácio de Rui Vieira Nery]
. Porto, Campo das Letras, 1994 [aliás, Lisboa, A Bela e o Monstro, 2016]. In-8.º (20,5 cm) de [8], 135, [1] p. ; B. Colecção Campo da Música - I
Edição fac-símile da 1.ª edição de Dezembro de 1994.
Importante ensaio histórico sobre o Fado.
"A carreira política de Ruben de Carvalho levou-o, através da Câmara Municipal de Lisboa, a participar activamente no Lisboa ’94 - Cidade Europeia da Cultura. Para as comemorações, o autor preparou um caderno e um CD (que nunca viria a sair) que dissertavam sobre o Fado, a sua génese, e os autores que ajudaram a elevar o estilo musical a património, como Alfredo Marceneiro e Amália Rodrigues. O livro Músicas do Fado é precisamente este caderno de 1994 e, além do já referido trabalho de investigação, age como uma defesa do Fado aos ataques da esquerda que conotava o estilo musical como um instrumento do Estado Novo."
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"Durante muitos anos a literatura sobre o Fado assumiu uma dimensão sobretudo polémica: era a favor do Fado ou contra o Fado. Nos últimos anos, com o próprio desenvolvimento das Ciências Humanas em Portugal, a questão tem vindo a ser abordada de forma mais objectiva, mas não despida, felizmente, do debate a que a investigação não pode ser alheia.
"As Músicas do Fado", aceitando diversos aspectos hoje dados como razoavelmente adquiridos - a origem brasileira de um fenómeno musical antecessor do Fado, as suas raízes em Lisboa, cidade portuária e historicamente ponto de intenso cruzamento cultural - propõe essencialmente a consideração da evolução do fenómeno em três épocas (no Brasil, até ao regresso da Corte em 1823, em Lisboa entre essa época e os anos 20 e daí até ao presente). Simultaneamente defende uma contemporaneidade do do Fado, que se constitui, enquanto género musical estruturado, no quadro da formação da cultura urbana contemporânea, mesclando as influências musicais e culturas anteriores com as mutações tecnológicas que alteraram o campo da criação artística e do espectáculo: o disco, a rádio, o cinema, a organização profissional, etc."
(Sinopse retirada da contracapa)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

20 outubro, 2020

VARELLA, Reynaldo - NOVO E APERFEIÇOADO METHODO PARA APRENDER A TOCAR GUITARRA PORTUGUEZA.
Sem auxilio de professor. Original de... Este livro além das explicações precisas, contém grande numero de peças recreativas principalmente Fados e Canções
. [Lisboa], Armazem de Instrumentos Musicos de Viuva Rangel, Maia, L.ᴰᴬ, 1924. In-4.º (27,5 cm) de 46 p. ; B.
1.ª edição.
"Este meu compendio é dedicado aos amadores na nossa Guitarra tão genuinamente portugueza, e, principalmente, aos cultivadores da nossa Canção Nacional, que pelo meu processo de algarismos tão claro e de facil compreensão, ppoderão aprender a tocar e a acompanhar os nossos mais belos fadinhos.
Explicarei este meu sistêma em duas afinações: na do Fado propriamente dita e na Natural (afinação mais antiga e primitiva), mas menos propria para a nossa Canção Nacional."
(Prefacio)
"A Guitarra compõe-se de caixa harmonica ou caixa de ressonancia, ladeado por ilhargas da mesma madeira do tampo inferior, e que fazem junção com o tampo superior, que pode ser de casquinha ou pinho de Veneza, envernizado a branco. No tampo superior ha um buraco, geralmente redondo que serve para reflectir o som. Sobre esse mesmo tampo pouza um cavalete, de madeira, osso ou marfim, sobre o qual passam as doze cordas, divididas em seis cordas duplas e que partindo d'um atadilho de metal, prêzo no centro das ilhargas, vão encaixar-se nos doze parafuzos do leque, tambem de metal, situado na extremidade do braço. [...]
O discipulo deve collocar a mão direita um pouco inclinada e pouzando o dedo minimo sobre o tampo superior, ficando os outros dedos livres para tocar peças de musica com ou sem acórdes. Se tocam fados com as suas competentes variações, empregarão os dedos indicador e pollegar. [...]
Os dedos da mão direita, excepto o minimo, devem ter as unhas alguma coisa crescida, mas não em bico. Os dedos da mão esquerda excepto o pollegar, devem ter as unhas cortadas rentes, para poderem pizar as cordas sobre os respectivos pontos ou divisões de escala.
A palma da mão esquerda não deve ficar encostada ao braço. A posição do corpo bem direita e os pés unidos. A guitarra pouza sobre as côxas, ficando levemente inclinada para a esquerda."
(Excerto de Descripção da guitarra)
Matérias:
Prefacio. | Descripção da guitarra. | Afinação do Fado Corrido. | Fado Corrido em tom menor. | Fados com Acordes - Fado de Coimbra. | Fado da Mouraria. | O Vira de Coimbra. | Fado da Meia Noite. | Recordações da Arrabida. | Fado Portuense. | Da Afinação Natural : Peças recreativas - Fado Conde d'Anadia; Marcha Brilhante; Fado das mãos pequeninas; No Baile (Valsa).
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com vestígios antigos marginais de humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
25€