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20 dezembro, 2019

[EPIFANIA, Fr. Manuel da] - NOVAS, // E // CURIOSAS REFLEXOENS // sobre os terremotos // DE LISBOA, // QUE FEZ // F. M. D. E. // LISBOA. // Na Officina de MIGUEL RODRIGUES // Impressor do Emin. S. Card. Patriarca. // Anno M. DCC. LVI. // Com as licenças necessarias. In-8.º (16 cm) de 37, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Obra curiosíssima, espécie de tentativa científica para explicar o terramoto de 1755, cuja autoria pertence a Fr. Manuel da Epifania, conhecido pregador franciscano. A BNP não refere esta obra que terá, pelo menos, dois frontispícios diferentes: uma versão com o nome do autor, e uma outra, a presente, parece-nos que não tão usual, mais "rudimentar", sem autor, com as iniciais "F. M. D. E.", ainda que publicada pelo mesmo impressor, no mesmo ano que a outra. Importa ainda salientar que esta última não inclui a Oração, por ter sido publicada assim, ou por se encontrar em falta.
"Observáraõ os Filosofos varios, e portentosos effeitos da natureza ficando ainda occultas muitas das suas causas. Sobre os movimentos da terra houve varias opinioens, que se espalháraõ pela soccessaõ dos seculos; mas ccomo os Filosofos antigos desconheceraõ a força do elaterio, naõ chegáraõ á sua verdadeira causa. Os modernos foraõ mais felizes nas suas meditaçoens; á força de muitas experiencias descobriraõ as leys do movimento. Na terra ha partes sulfureas, eleosas, ebituminosas, como se prova dos seus minerais; ha fogos subterraneos, os quaes se geraõ, seja porque o ar agitado nas subterraneas cavernas faz rotas as materias inflamaveis humas com outras, o qual movimento faz levantar chama, como acontece quando se esfrega hum pao de loureiro com outro; ou porque o Sol derramando os seus rayos até o centro pode gerar o incendio subterraneo. No terremoto do primeiro de Novembro, eu me represento que o Sol foi a concausa mais poderosa, por se observar mayor abalo nas terras mais proximas do Equador."
(Excerto da Reflexam I)
Fr. Manuel da Epifania (1712-1767). "Escritor, pregador e filósofo, natural de Coimbra, tendo professado na ordem franciscana no Convento de Alenquer e frequentado o Colégio Universitário de S. Boaventura em Coimbra. Espírito inconformista, ensinou teologia e filosofia no Convento de Mafra e exerceu o magistério do púlpito para que era dotado."
(Fonte: Catolicismo e sociedade na época moderna: o terramoto de 1755, Universidade Católica Portuguesa. Centro de Estudos de História Religiosa, 2.ª Série, Tomo XVIII, 2006)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
Com interesse histórico e bibliográfico.
Indisponível

22 dezembro, 2012

EPIFANIA, Fr. Manoel da – VERDADEIRO METHODO // DE // PREGAR, // PRATICADO EM VARIAS // Oraçoens Funebres, Sermoens Panegyri- // nos, e Discursos Moraes de Pro- // fissoens Religiosas // POR // Fr. MANOEL DA EPIFANIA, // Religioso de S. Francisco da Observante // Provincia de Portugal, e Leitor // Jubilado // LISBOA: // Na Officina de Antonio Vicente da Silva. // Anno de MDCCLIX. // Com todas as licenças necessárias, // e Privilegio Real. In-8º (20cm) de [8], 419, [1] p. ; E.
Obra de referência do movimento renovador, pela simplificação do discurso moral barroco.
“A oratória sacra adquiriu na época barroca uma intensidade retórica, seja no enquadramento paroquial ou conventual, que dimana da piedade prevalecente. Proferida do púlpito, a pregação religiosa cumpria a dupla função de ensinar e exortar os fiéis. Expressividade gestual e eloquência potenciavam a mensagem. No âmbito do ministério eclesiástico, o pregador transmitia, defendia e incitava os ouvintes aos artigos da fé, à palavra da salvação. […] Do predomínio de delectare caminha-se para o privilégio de docere. Os sinais de crítica e renovação encontram-se no entender de Pinto de Castro, na Nova arte de conceitos (1718-1721), Francisco Leitão Ferreira, que propõe uma moderação conceitual: retórica perceptível, sóbria, equilibrada e verdadeira. Todavia, é consensual, que só com Luís António Verney se desencadeou uma plena reacção anti-barroca. Publicado em 1746, O Verdadeiro Método de Estudar sugere uma renovação do sistema pedagógico nacional, em todos os níveis de ensino, seja no domínio dos métodos ou no das matérias. […] A propensão para o “vício do ambíguo” foi reconhecida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, na pastoral de 2 de Julho de 1742, publicada nas igrejas da vila de Santarém no domingo, 12 de Agosto. Na qual se adverte os pregadores para a moderada aplicação engenhosa das expressões, de sorte que “nam elejam paradoxos por assumptos, que se costumam ordenar com subtilezas, sem fundamento de verdade”, que só “servem de ostentar vaidade do Pregador em confuzam e detrimento das almas”. O discurso deve ter clareza e verdade. Para isso, lê-se, façam-se “discursos moraes”, mas “despreze-se o noscivo, e superfluo”, as “palavras exquizitas” e os “estylos affectados, e artificiozos”. Instrução que se situa já num momento renovador do estilo parenético: pedagogia sem teatralidade retórica. A teorização da parénese renovada é da autoria de Frei Manuel da Epifania, com o seu Verdadeiro Método de Pregar (1759)…” (Maria de Fátima REIS, A parenética scalabitana: piedade e estética barroca, http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/7558.pdf)
“Chegou a epoca feliz, em que Portugal se esforça para sahir do antigo cativeiro, a que o tinha reduzido a falta do bom, e verdadeiro methodo nas artes, e nas sciencias. Todos principiaõ a trabalhar para o bem comum da Republica: as ideas adimraveis, que se formaõ, prometem hum Imperio florente, e fazem utilidade á nossa Naçaõ; o aparato brilhante, que se prepara, nos fornece os meyos para chegarmos á perfeiçaõ das bellas letras. Isto he concorrer para o bem comum de Portugal. Neste tempo, em que tanto se zela a prefeiçaõ dos estudos da nossa Patria, naõ he justo que o ministério sagrado do púlpito fique no antigo estado: o bem espiritual das almas he mais necessário do que o bem temporal da Republica. Este ministério sagrado tem duas enfermidades inveteradas, que necessitaõ de remedio: eu naõ sou medico com as qualidades necessárias para remediar este damno, nem reformador, que possa contribuir para formar a estatura brilhante da eloquência do púlpito: o mais que posso fazer he debuxar este tosco desenho, a fim de que os homens de bom caracter possaõ levar esta idéa á sua perfeiçaõ, ficando-me a honra do desejo, que me acompanha de ver entre nós em melhor estado a eloquência sagrada.” (excerto da introdução – “Ao Leytor”)
Encadernação coeva inteira de carneira com nervuras e ferros a ouro na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Observam-se alguns defeitos nas pastas; mancha de humidade antiga, marginal, no canto inferior, com especial incidência nas folhas iniciais e finais.
Raro.
Com interesse histórico.
85€